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Sete escolas abrem nesta sexta-feira o primeiro dia de disputa da Série A

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    O carnaval inicia nesta sexta-feira com as escolas de samba da Série A, desfilando na Marquês de Sapucaí. O horário marcado para o início do maior espetáculo da Terra está marcado para às 22h30. A abertura fica por conta do Vigário Geral que depois de 26 anos volta a desfilar no palco principal da maior festa da cultura popular brasileira. Além de Vigário, passarão na avenida esta noite a Rocinha, Unidos da Ponte, Porto da Pedra, Cubango, Renascer de Jacarepaguá e Império Serrano.

    Grande cobertura pelo site CARNAVALESCO e a Rádio Mania

    Para os moradores do Rio de Janeiro haverá transmissão pela TV Globo, mas somente a partir das 23h15, com narração de Pedro Bassan e Mariana Gross. O site CARNAVALESCO fará uma grande cobertura, em tempo real, a partir das 21h30, e, terá também o melhor samba da Avenida com a transmissão da Rádio Mania.

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    Regras da Série A

    Os desfiles se iniciam às 22h30 da noite de sexta-feira, o tempo mínimo de desfile é de 45 minutos e o tempo máximo de 55 minutos, a escola que ultrapassar o tempo máximo perde 0,1 décimos e a escola que desfilar antes do tempo mínimo perde 0,2 décimos. Cada agremiação tem a obrigatoriedade de levar para avenida, no mínimo, mil componentes sendo 130 ritmistas e 35 baianas, no mínimo. Diferente do Grupo Especial é proibido uso de tripé ou elemento cenográfico com rodas na comissão de frente, o número mínimo de bailarinos é de dez e o máximo quinze. Em relação as alegorias, cada escola deve levar de duas a três e pode levar ou não um tripé.

    Veja abaixo escola por escola o que vem aí no primeiro dia de desfiles da Série A:

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    Vigário Geral – Retornando a Sapucaí depois de 26 anos, o Vigário abre a primeira noite dos desfiles da Série A. Seguindo a linha de enredos críticos e irreverentes, a escola irá apresentar para o público o “Conto do Vigário”, questionando fatos e a história oficial contada. O enredo aborda o tema como se o próprio Brasil contasse sua verdadeira história e é desenvolvido por Rodrigo Almeida.

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    Acadêmicos da Rocinha – Contando a história de Maria Conga, uma mulher negra africana que foi escravizada e trazida para o Brasil ainda na infância a Rocinha vai entrar na avenida. Maria Conga tem uma história de luta e fundou um quilombo em Magé, depois de sua morte foi consagrada no reino das almas, se tornando uma preta velha rezadeira.

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    Unidos da Ponte – O enredo “Elos da eternidade”, desenvolvido por Lucas Milato irá trazer uma discussão em torno da ligação eterna, sobre a herança que deixamos neste plano. O desfile abordará mais precisamente nos elos que eternizam o mundo do samba, o legado que as escolas constroem através da união da sua comunidade.

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    Porto da Pedra – Levando para a Sapucaí o enredo “O que é que a Baiana tem? Do Bonfim à Sapucaí”, desenvolvido por Annik Salmon, que por muitos anos integrou a comissão de carnaval da Unidos da Tijuca, o Tigre de São Gonçalo viaja até a Bahia para levar a história das negras que se tornaram as baianas quituteiras, passando pela religiosidade e desembarcando no Rio de Janeiro onde prometem dar um verdadeiro banho de cheiro no templo do samba.

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    Cubango – Vice-campeã de 2019, com um grande carnaval premiado e elogiado pela crítica carnavalesca, o Cubango tem uma nova dupla de carnavalescos, Raphael Torres e Alexandre Rangel que farão o enredo “A voz da Liberdade”, que trará a vida de Luiz Gama, primeiro advogado negro e filho de Luisa Mahin. O desfile abordará as raízes africanas do homem e a sua luta no movimento abolicionista pela liberdade dos negros.

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    Renascer de Jacarepaguá – O pré-carnaval da escola foi conturbado e durante o período ficou com suas atividades suspensas por conta da crise financeira que afeta o carnaval. Ney Junior, carnavalesco da Renascer desenvolve o enredo “Eu que te benzo, Deus que te cura” e contará em seu desfile a importância das benzedeiras e sua cultura de reza que descende dos antepassados negros e indígenas.

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    Império Serrano – De volta à Série A, depois de dois anos no principal grupo da folia carioca, o Império Serrano contratou o carnavalesco Junior Pernambucano que desenvolverá na Sapucaí um enredo sobre o empoderamento feminino, trazendo a força da mulher e o seu lugar na sociedade. O enredo se funde com uma das principais matriarcas da Serrinha, Tia Maria do Jongo.

    Som e iluminação do Anhembi são aprovados no ensaio teste da Mancha Verde

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    Por Gustavo Lima

    Na noite desta quinta-feira, véspera do início dos desfiles do Grupo Especial, a atual campeã Mancha Verde teve o privilégio de realizar o último teste na Passarela do Samba. O clima era de bastante descontração e leveza por parte dos integrantes. Comissão de frente, casais, alas coreografadas e demais segmentos, aproveitaram para dar um ajuste final no que foi ensaiado durante todos esses meses. Antes de a escola entrar na pista, o presidente Paulo Serdan disse que o treino tinha o objetivo de marcar uma despedida e aproveitou para parabenizar o empenho de todos os departamentos, que trabalharam arduamente para que a Mancha Verde possa defender seu título. O mandatário da agremiação também agradeceu todo suporte e estrutura que a Liga deu a todas as escolas de São Paulo.

    Som e iluminação

    A noite foi para o teste de som e iluminação do Sambódromo do Anhembi. Os funcionários também aproveitaram para avaliar o sistema de cronometragem da pista e telões com os patrocínios, localizados no recuo da bateria. Embora o presidente Serginho tenha declarado ao site CARNAVALESCO que sonha em mexer na iluminação do local, as luzes estavam perfeitas e com uma grande potência. Com certeza, tal tonalidade irá influenciar na iluminação das alegorias e fantasias, ajudando nos quesitos visuais das escolas.

    No carnaval, o sistema de som do Sambódromo é gerido pela empresa RW Studios, que é parceira da Liga e também é responsável pelas faixas de CD do carnaval, sendo especializada nas edições de sambas-enredo. O áudio do Anhembi é outro destaque, tanto no carro de som, como nas caixas. Dá para ouvir perfeitamente o intérprete cantando com os instrumentos da bateria se destacando. Não houve falhas e todas as caixas espalhadas pela pista funcionaram perfeitamente. O intérprete Fredy Vianna, que tem mais de 20 anos de avenida, disse que nunca viu o som do Sambódromo do Anhembi funcionando tão bem.

    “É uma honra estar fazendo esse ensaio, é até bom pra descontrair. E pra te falar a verdade, eu nunca senti um som tão bom na minha vida, são 21 anos de avenida e nunca vi algo tão bom, o retorno pra mim tá ótimo, não sei se foi pela arquibancada vazia, só sei que amanhã vai ser um outro ambiente, mas está maravilhoso. A iluminação é mais coisa do carnavalesco, ele pode avaliar melhor, mas eu gostei, está muito boa e vai engrandecer nosso espetáculo essa nova estrutura do Anhembi”, disse.

    Entrevistão com mestre Chuvisco: ‘O rebaixamento de 2016 dói muito’

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    Por Victor Amancio

    Em mais um ano à frente dos ritmistas da bateria da Estácio de Sá, mestre Chuvisco é um dos grandes nomes do carnaval em termos da bateria. Chegando ao Grupo Especial, mais uma vez, o mestre segue trabalhando duro para conquistar novamente o feito que realizou em 2016, quando a Estácio também subiu para o grupo principal, garantindo os 30 pontos para a agremiação. Durante a entrevista o mestre lembrou também do sentimento de injustiça que sentiu quando a escola foi rebaixada em sua última passagem pelo grupo.

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    O mestre da bateria Medalha de Ouro conversou com a reportagem do site CARNAVALESCO para a série ‘Entrevistão’ e falou da sua trajetória e do atual modo de julgamento.

    Você estreou no grupo especial alcançando os 30 pontos. Você acha que é possível repetir isso?

    Chuvisco: “É o que a gente almeja. Na verdade a gente almeja os 40, para ficarmos tranquilo e para todo mundo ficar satisfeito, para bateria ficar satisfeita também, mas os 30 pontos é o que mais importa porque é o que a escola precisa e a gente está trabalhando forte para isso. Se Deus quiser a gente vai conseguir”.

    Como você vê essas mudanças agora do regulamento, da não obrigatoriedade de parar? A Estácio vai parar?

    Chuvisco: “Isso daí vai depender do andamento, da evolução da escola. Se a gente tiver condições de parar e se apresentar para os jurados, é sempre bom parar. Mas se não der, infelizmente nós teremos que vir antes deles já fazendo alguma coisa, depois que passar também para eles poderem analisar no raio de divisão deles”.

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    O rebaixamento de 2016 ainda dói em vocês ou é uma página virada?

    Chuvisco: “Isso daí não vai virar não. O rebaixamento de 2016 dói muito. A gente fez um desfile maravilhoso e, com todo o respeito, não desmerecendo ninguém, a gente fez um desfile melhor do que muitas escolas. A gente foi injustiçado, mas infelizmente foi o que aconteceu e agora nós estamos indo de volta e vamos fazer bonito de novo para a gente buscar o nosso lugar de direito”.

    A bateria da Estácio possui um dos ritmos mais característicos de carnaval. Como você vê a questão do andamento da escola?

    Chuvisco: “Hoje a gente está sofrendo muito até por conta disso. A maioria dos jurados, as pessoas estão falando muito em andamento e a gente acaba sendo muito penalizado com isso. Estão querendo que voltem aqueles tempos de antigamente com o andamento mais dolente só que a Estácio tem o jeito dela de tocar e a gente quer que os jurados entendam isso. Nós não vamos mudar a nossa característica, não vamos mudar a nossa forma de tocar e o jurados têm que entender isso, porque cada um tem o seu jeito, se não fica tudo igual também, perde a graça”.

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    Você falou que o andamento da bateria para 2020 vai cair um pouco. Por que você tomou esta decisão?

    Chuvisco: “A gente vai tirar cem gramas do andamento mais ou menos. Mas como eu falei: sem perder a característica da bateria, a característica da escola. Nós vamos tirar cem graminhas só para não ficar nada também, de repente, muito exagerado na visão deles e com cuidado para não perder a característica”.

    Que lições você tirou naquele ano na Vila Isabel? Valeu a pena?

    Chuvisco: “Valeu muito. Foi uma experiência muito boa. Eu voltei muito mais maduro com certas coisas que aconteceram lá. Eu acho que hoje eu estou muito mais preparado e muito mais experiente com certos tipos de acontecimentos e então a gente tem que saber tirar aproveito de tudo que acontece com a gente. Tanto na parte boa, tanto na parte ruim”.

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    Como é a sua relação com o Casagrande? O que ele representa pra você?

    Chuvisco: “O Casagrande, já falei várias vezes em outras entrevistas também, em outras oportunidades, ele é um irmão que eu ganhei no samba. A gente têm uma amizade muito forte. Nós conversamos muito, um expõe o problema pro outro e a gente tenta resolver junto, na necessidade de cada um. É uma irmandade de verdade”.

    Se você pudesse mudar o regulamento, o que você mudaria?

    Chuvisco: “Eu não tenho o que mudar. A única coisa que eu peço é que os jurados pensem na hora que tiver julgando, que cada uma tem a sua característica, cada um tenha a sua forma de tocar. Então eu não posso tocar igual uma Beija-Flor, igual a uma Tijuca. Nossas baterias tocam diferentes umas das outras. Cada um tem a sua forma de tocar. Não posso tocar igual a uma Portela, a uma Mocidade. O jurado tem que entender isso”.

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    Como você vê a chegada de tantos jovens no comando das baterias?

    Chuvisco: “Deu uma renovada muito grande. Esse carnaval que passou e eu acho que é isso aí, faz parte da vida. É um ciclo esse daí. Enquanto uns param outros têm que chegar e a garotada que chegou, chegou bem. Representou bem e todo mundo chegou arrebentando. Acredito que isso seja necessário para o carnaval”.

    Entrevistão Emerson Dias e Quinho: ‘Segredo da relação é que temos a mesma essência’

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    Por Victor Amâncio

    No segundo encontro entre os dois intérpretes no Salgueiro, lugar onde cantaram juntos de 92 até 99, Emerson Dias e Quinho exalam sintonia e entrosamento. Sem vaidade, as vozes principais do Acadêmicos do Salgueiro dividem a função desde o último carnaval, depois de um momento conturbado e de mudança na agremiação. A dupla hoje, juntamente com o carro de som, constituem um dos melhores carros de som do carnaval. Os intérpretes conversaram com a reportagem do site CARNAVALESCO para a série ‘Entrevistão’ e falaram do amor pelo pavilhão vermelho e branco.

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    Vocês esperavam que tudo daria tão certo e que a dupla ficasse perfeita?

    Emerson: “Na verdade eu virei cantor de samba enredo muito por causa do Quinho, eu cantei com o Quinho de 1992 até 1999, no ano seguinte ele foi para São Paulo, 2001 e 2002 cantamos juntos na Grande Rio. Depois ele voltou para o Salgueiro e eu fiquei lá. Por obra do destino nos juntamos novamente em 2019, musicalmente falando a gente já se conhecia e nossa energia é muito parecida, facilita nosso trabalho. Existe muito respeito entre nós, sabemos o grande lance é o Salgueiro e trabalhamos em prol de um grande desfile”.

    Quinho: “O Emerson é um menino querido por todos nós da Academia do Samba do Salgueiro, ele já vinha conosco desde 1992, já era um jovem talento. Já o conheço a muito tempo, trabalhamos juntos uns anos, a coisa aconteceu de forma bem positiva. Não tem que ter vaidade, a maior vedete de uma agremiação é sua bandeira. Não existe aqui essa vaidade, estamos unidos para fazer um grande carnaval e representar as cores da escola”.

    O carro de som de vocês é muito elogio. Qual análise de vocês e qual é a importância do carro de som no trabalho de vocês?

    Emerson: “O trabalho é uma engrenagem, hoje em dia, a harmonia de modo geral, o carro de som, é um quesito muito pontuado e esperado. Faço questão de ter sempre ótimos músicos e ótimos cantores do meu lado. Desde que o presidente André assumiu a escola, deixei claro para ele que não adianta ter um time ‘meia boca’ ele entendeu e viu que já tínhamos um entrosamento muito grande, já tínhamos uma essência formada e o trabalho cresce cada vez mais junto com o entrosamento”.

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    Quinho: “O carro de som é um todo, cordas e vozes, juntamente com a harmonia que vem com as vozes do canto, o ritmo e já vem inserido tudo junto no conjunto. O carro de som do Acadêmicos do Salgueiro parece que canta junto há muitos anos, tem grandes profissionais de outras agremiações da Série A e as coisas vão acontecendo naturalmente. Sem vaidade”.

    O samba de 2020 rende muito nos ensaios, mas fica no meio da classificação nas análises. O que podem falar dessa obra?

    Emerson: “É gosto! Cada um tem o seu. É muito subjetivo e eu não posso me influenciar com o que falam, se gostam do samba-enredo ou não. O samba é uma música para ser executada num desfile com fantasias, bateria, carros alegóricos e o sentimento de emoção na avenida. Pode acontecer ou não. Tem que ter um entrosamento muito grande entre os cantores e a bateria. Eu sou muito contrário aos mestres que acham que a bateria tem que ter um padrão de ritmo mas quem dita esse padrão é a música. O samba tem uma métrica, um jeito de ser executado. O grande segredo de um samba acontecer na Sapucaí é quando a parte rítmica entendem que aquele samba pede aquele andamento e os cantores consigam conduzir o samba naquele andamento”.

    Quinho: “O que eu vejo ao longo dos meus 36 anos de carnaval, 26 de Acadêmicos do Salgueiro, tudo acontece na avenida. Se for buscar lá trás, 1982 o Império Serrano campeão, aconteceu na avenida, o Império não era tido como campeão. Salgueiro 2007, não aconteceu, foi um carnaval grandioso. Salgueiro 2003 era o melhor samba na concepção dos analistas e chegou na avenida e o samba não aconteceu. Explode Coração era um samba que achávamos que não ia render e quando chegou na avenida aconteceu o que todos sabem. Tudo acontece lá. Quando chegar na avenida, neste ano, que as
    coisas irão acontecer”.

    É difícil dois ou três intérpretes ganharem prêmios. Isso mexe com vocês?

    Emerson: “Como ser humano, como profissional vaidoso, sempre mexe. Sempre é legal ser premiado, ser elogiado, até mesmo as críticas ruins para absorver o que for construtivo, eu faço muito esse filtro. Não tenho do que reclamar, dos prêmios de carnaval eu já ganhei quase todos e me sinto muito honrado, buscando estar sempre fazendo um bom trabalho pois os prêmios são frutos disso”.

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    Quinho: “Não, comigo não. Ao longo da minha carreira não fui agraciado com muitos prêmios. Lá trás eu ainda ganhei um prêmio de revelação. Nunca tive essa honra, não sei o motivo mas o mais importante é que as escolas por onde eu passei foram felizes com meu trabalho e hoje Emerson e Quinho lutam pelo campeonato acima de tudo”.

    Quinho, o salgueirense morre de amor por você. Como é esse relacionamento? E agora é pra sempre?

    Quinho: “Nada é para sempre. Vi grandiosos intérpretes cantando na avenida mas as coisas vão acontecendo naturalmente. O amor é reciproco, Salgueiro que me deu notoriedade no samba, me deu campeonato. Vim para cá em 1990 como Quinho da Ilha do Governador e me tornei o Quinho do Salgueiro. Esse amor é eterno, enquanto eu existir”.

    Emerson você está no hall dos melhores e como salgueirense está no coração da torcida. Estar no Salgueiro é a realização do sonho?

    Emerson: “É uma realização, sempre. Eu sou apaixonado pelo carnaval e pelo o que eu faço, eu sou o primeiro a subir no palco e o último a descer, cantando. Eu subo no palco aos sábados as 23h da noite e só desço as 4h da manhã, cantando sambas, músicas. Eu sou adepto a diversão, eu gosto de misturar, não acho que tenha que cantar somente samba-enredo, canto todos os ritmos. Tem gente que me chama de animador de festa e óbvio que sou. Ninguém vai para uma quadra para chorar. Tenho muito orgulho de ser puxador, animador, o que for. Eu e o Quinho temos a mesma essência, esse é um dos grandes segredos da nossa relação”.

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    O presidente André vem sendo elogiado pelo jeito de comandar e pela seriedade nas finanças. O que podem falar dele? 

    Emerson: “O presidente está fazendo um grande trabalho, o Salgueiro é uma escola que demanda muita responsabilidade e o André sabia disso antes de assumir e brigou por isso. Está tocando essa função da melhor maneira possível e esperem um Salgueiro muito vibrante, competitivo ao extremo. Ganhar ou perder faz parte mas vamos entrar para ganhar com certeza”.

    Quinho: “Ele comanda com a simplicidade que sempre teve, não tem mão de ferro, é amigo de todos e age com a verdade com todos, olhando no olho. É isso, a escola precisa de carinho, de sua comunidade, uma escola sem isso é feito uma escola sem bandeira, sem seu pavilhão. O André vai se eternizar na escola, por ser salgueirense e por tratar todos da mesma maneira. É assim que se administra uma escola”.

    Os meninos da bateria mantiveram a excelência. O que podem falar deles?

    Emerson: “Tudo é uma continuidade, eles vinham na Furiosa muito tempo. Brinco com eles dizendo que deixaram de ser cavalo para virar o jóquei. Eles sabem o objetivo final da função e tanto o mestre Gustavo quanto o mestre Guilherme estão de parabéns. São acessíveis, ouvem o que tenho para falar, assim como eles tem liberdade para opinar no meu trabalho e desse jeito vamos tocando a parte musical do Salgueiro da melhor forma possível”.

    Quinho: “A música é infinita, eu vi esses meninos pequenos, no Aprendizes do Salgueiro. Eles são estudiosos. Só posso dar parabéns para eles, pelo trabalho ímpar que estão fazendo”.

    Tempo real: acompanhe as saídas das alegorias das escolas que desfilam nesta sexta na Sapucaí

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      Mestre Dudu: ‘Estou muito feliz com a sacada do Jack em colocar a bateria representando o mestre André’

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      Por Victor Amancio

      Na bateria da Mocidade desde 2012, quando assumiu com uma super comissão e posteriormente em 2016, quando assumiu o comando da Não Existe Mais Quente sozinho, mestre Dudu trouxe o resgate para o quesito e colocou a bateria novamente no hall das grandes bateria do Grupo Especial. O mestre falou das surpresas que está preparando para o desfile deste ano e da representatividade na fantasia da bateria.

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      O mestre conversou com a reportagem do site CARNAVALESCO para a série ‘Entrevistão’ e falou das mudanças que implantou na bateria e na preocupação em trazer para um público um espetáculo.

      Qual foi a maior dificuldade que você enfrentou quando você assumiu a bateria da Mocidade?

      “Bom, não vou dizer que eu não tive dificuldade não. O meu retorno pra escola em 2012, a bateria estava um pouco dividida na verdade. O Bereco estava no comando, eu cheguei e existia a facção na bateria. Cada canto tinha um grupo e eu acabei com isso. Mas foi fácil porque, você é cria da casa. O meu pai deixou esse legado pra eu saber conduzir, saber falar com as pessoas. Se tornou um pouco fácil, até porque eu sou formado dentro de casa e foi um pouco mais fácil para poder falar com a galera”.

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      Qual foi o principal fator para a bateria voltar com esse resgate?

      “O primeiro principal fator foi o carinho e a humildade acima de tudo. De 2012, até quando o Andrezinho saiu, eu batia muito na tecla com ele esse negócio da caixa 14, que nós conseguimos resgatar para Mocidade que não tinha. Então nós implantamos a 14 na Mocidade e colocamos da nossa maneira, sendo que, um ponto crucial foi afinação da 14, que eu pedi pra ser de um jeito e executavam em outro formato. Então depois que eu fiquei sozinho no comando da bateria eu comecei a colocar as coisas do meu jeito, lógico que eu não mudei nada que a Mocidade sempre inventou, mas eu coloquei do meu jeito e está aí o resgate”.

      Você sente orgulho em ter colocado a bateria da Mocidade entre as grandes?

      “Ah, com certeza! Eu sempre comento em entrevista minha que eu carrego um piano muito grande, sabe? Primeiro por ser a bateria do mestre André e segundo porque o meu pai também foi mestre da bateria, eu sou filho de mestre. Eu nunca tive a intenção de ser mestre porque eu vi o meu pai sofrer com isso. É um cargo muito puxado, a gente lidera 300 homens na bateria, isso em um contexto geral, ritmistas com diretores. É muito difícil. Isso pode ser uma ajuda, né. Se eu cheguei até aqui eu preciso fazer diferente”.

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      O Wander é um dos maiores cantores da história do carnaval, mas ele tem as manias dele. Nós percebemos que vocês têm um entrosamento muito bom. O que você pode falar sobre o Wander pra gente?

      “O Wander é o melhor do mundo, sem sombra de dúvida. Ele é o meu cantor número 1. Me pegou no colo, trabalhou com o meu pai. Eu via essa participação dele com o meu pai, eles eram muito juntos. Eu lembro dele quando ele chegou na escola e eu fico muito grato com o carinho que ele tem por mim. Difícil encontrar com ele mas quando a gente se encontra sempre marca algo. É bom ter essa junção porque é um encontro de casal e a gente está sempre focado. Quando ele não vem por motivos profissionais dele, ele me liga e pergunta como foi, se pode mudar, se precisa mudar alguma coisa. Por isso existe essa união entre a gente”.

      A renovação dos mestres de bateria chegou forte no Grupo Especial. Acredita ser uma tendência que os novos mestres tenham domínio de todos os instrumentos e conhecimento musical?

      Dudu: “Com certeza. Tem uma galera nova aí e muito boa por sinal e eu fico feliz por isso também. Eu não me considero um mestre velho, eu também faço parte disso, até porque eu estou no comando da bateria sozinho. Eu estou no meu 5º ano agora, eu cheguei em 2012 mas no comando sozinho, eu estou há 5 anos. Fico feliz por ter essa galera aí, alguns eu até trabalhei junto, em uns projetos e tal e um pouco mais fácil hoje, porque os moleques estão no comando hoje e eles estudam música, acho que a maioria faz isso. Na nossa época, agora vou falar porque sou um pouco mais velho, a gente não tinha isso, era mais de ouvido mesmo, ver o mais velho ou o cara que era considerado o melhor para imitar. Eles estão chegando formados e eu tenho maior orgulho deles”.

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      Não existe a obrigatoriedade de parar na frente dos jurados, mas os mestres estão opinando que quem parar pode ter uma atenção especial do julgador. O que você pensa?

      “A bateria não tem obrigação de parar mas não tem como não parar, eu acho que faz parte, tem que parar. Somos quesito, precisamos nos apresentar para o jurado. Se caso a escola peça para não parar, não vou, jamais vou prejudicar a escola e abrir um buraco para ganhar um dez, isso se eu ganhar. O trabalho tem que ser em conjunto, não posso pensar só na bateria”.

      Paradinha, coreografia e criatividade. O que você pensa sobre as três coisas?

      “Gosto muito. Eu sou adepto, me preocupo em fazer bossa para o público, isso desde quando me lancei como mestre na Unidos de Padre Miguel, acho que não é só para o jurado, quem está lá pagando quer espetáculo e se depender de mim terão sempre”.

      A fantasia de 2020 é muito especial. O que significa para você ter os ritmistas com representando um personagem tão importante para bateria?

      “Eu fico até arrepiado só de falar nisso. Eu já sonhei com isso. Tenho certeza que cada um dos meus braços vai incorporar o mestre André e vai trazer a nota máxima para a bateria. Não vamos desfilar sozinhos não, com certeza. Estou muito feliz com a sacada do Jack em colocar a bateria representando o mestre André. É o nosso momento e eu não tenho dúvidas que a escola irá tirar onda na avenida”.

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      Ter esse samba em 2020 aumenta a responsabilidade da bateria?

      “Não aumenta não, me dá mais gás para trabalhar. É um samba bom, bem escolhido e estou muito focado. O samba ajuda, nossa bateria tem uma cadência muito grande, então se colocar um samba que cante mais para frente não vai encaixar. Esse samba foi um casamento perfeito, caiu na boca do povo, a comunidade abraçou o samba. Desde a primeira vez que cantou eu sabia que era esse e tinha que ser”.

      O que você está preparando para 2020?

      “Sempre tem surpresa, nós temos algumas bossas, algumas nuances para dar um clima no samba. Todo mundo sabe que nossa bateria não cai para a segunda do samba mas fiz questão de fazer uma lembrança como uma segunda pois o samba pede e a bossa do ‘laroyê, ê mojubá’ que vai ter os atabaques no meio da bateria, a rainha entrando e tem mais uma surpresa que não posso dizer agora”.

      Série Barracões da Série A: Cubango resgata identidade e exalta herói negro brasileiro

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      Por Diogo Sampaio

      Líder abolicionista, defensor da República, escritor expoente do romantismo, jornalista, rábula, maçom. Luiz Gama foi um dos raros intelectuais negros do Brasil no século XIX. Baiano de nascença, filho de um fidalgo português com uma negra liberta. Aos dez anos, foi vendido como escravo pelo próprio pai, como forma de quitar uma dívida de jogo. A liberdade, porém, veio aos 17. Autodidata, estudou Direito e usando as palavras frias da lei, conseguiu a alforria de centenas de cativos, sem cobrar nada por isso. Morreu ainda novo, aos 52 anos, vítima das complicações de uma diabetes. Entretanto, seu legado permanece vivo até hoje.

      No carnaval de 2020, a Acadêmicos do Cubango resgata sua identidade, tão ligada as raízes negras e africanas, e reverencia a história de Luiz Gama através do enredo “A Voz da Liberdade”. Assinado pela dupla de carnavalescos Alexandre Rangel e Raphael Torres, estreantes na agremiação niteroiense, a homenagem a Gama será pautada em uma carta autobiográfica enviada por ele para o escritor e jornalista carioca Lúcio de Mendonça, em 1880.

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      “Durante a pesquisa, vimos que precisávamos seguir uma linha histórica que falasse desde os ancestrais até a homenagem propriamente. Por isso, a gente baseou o nosso enredo na carta que o Luiz Gama fez e começou a encaixar a história dele com a da mãe, que ele narra na carta. Então, colocamos a Revolta dos Malês e a Sabinada, movimentos os quais a mãe dele teve participação e devido a eles teve que deixar Luis Gama com o pai, que era viciado em jogo e vendeu o filho para ser escravizado. Então assim, todo contexto da história, bate com a história fora da carta. As únicas coisas fora dela que a gente acrescentou no enredo foi o trabalho dele ao qual libertava os escravos e o nosso encerramento, que é justamente com uma grande homenagem a ele por ter sido rábula. Afinal, só mais de 130 anos depois da sua morte que ele recebeu da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) o reconhecimento como advogado”, relatou Raphael Torres para reportagem do site CARNAVALESCO.

      Anteriormente a essa homenagem da Cubango para Luiz Gama, a Alegria da Zona Sul havia feito, em 2018, o enredo “Bravos Malês! A Saga de Luiza Mahin”, contado a história de Luiza Mahin, mãe de Gama, também pela Série A. Porém, Raphael refuta qualquer similaridade entre os dois trabalhos e frisa que Mahin está restrita a um único momento do desfile da verde e branca.

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      “Luiza Mahin tem que entrar no desfile porque o contexto do enredo é todo em cima da carta de Gama em que ele cita a mãe. Mas, ela entra apenas em uma alegoria para representar a Revolta dos Malês. Ela não caminha até o final no enredo. É só uma passagem. Nem chega a ser um setor. Só no segundo carro que tem uma escultura representando ela”, destacou.

      Resgate de identidade

      O enredo sobre Luiz Gama tratou-se de uma proposta da própria dupla de carnavalescos, que apresentou o projeto para direção da escola, logo após a contratação. Segundo Raphael Torres, na época, outras duas opções, todas elas autorais, foram avaliadas, mas a homenagem ao herói negro foi a grande escolhida.

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      “Como a gente trabalha muito com enredo cultural, nós já tínhamos esse enredo guardado para alguma possível escola. Quando a gente foi contratado, o presidente pediu para apresentar três ideias e dessas escolheu Luiz Gama. Destas três propostas, uma apenas não era afro e o presidente descartou. A outra, nós guardamos para um futuro. A Cubango é uma escola que tem essa pegada negra, africana, então acho que se encaixou o nosso trabalho com o trabalho da escola”, declarou.

      Porém, não será apenas o enredo que fará jus a identidade histórica da Cubango. O gigantismo das alegorias, o uso de muitas esculturas, que são característicos da escola, mas também da dupla de carnavalescos, serão marca do desfile de 2020.

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      “A Acadêmicos do Cubango é uma escola que gosta muito dessa estética africana. Gosta de falar do negro, de falar sobre a história do negro, então essa escolha casou. E eu acho que cada carnavalesco tem sua característica. A gente vai falar de África, mas dentro da nossa característica de falar de África. Nós estamos falando de África, mas de uma forma limpa, uma coisa bem moderna”, antecipou Alexandre Rangel.

      “Vai ser uma Cubango com bastante escultura e volume. A gente quis fazer esse tipo de trabalho aqui, grandioso, justamente porque a escola veio de um vice-campeonato, então a gente teve que dar uma aumentada nos carros, nas esculturas. Não vai vir uma Cubango cenográfica, vai vir carnavalizada mesmo. Leve, mas requintada. Graças a Deus a gente teve condições de colocar um setor inteiro da escola com plumas. Vai ter requinte, tanto nas fantasias, quanto nas alegorias”, complementou Torres.

      Pressão para continuar ascendendo

      Anunciados como os novos carnavalescos da Cubango em junho do ano passado, Alexandre Rangel e Raphael Torres terão a missão de manter a trajetória de ascensão da agremiação, que ano passado teve a melhor colocação de sua história, ao ficar com vice-campeonato da Série A. Porém, para a reportagem do site CARNAVALESCO, a dupla assegurou não se intimidar com o desafio.

      “A gente não trabalha com pressão, mas sabemos que é uma escola que foi vice campeã. Estamos fazendo o trabalho com o intuito de fazer o melhor, pela Cubango, pelo carnaval, independente de pressão. Não ficamos nos comparando com ninguém. A gente está fazendo um trabalho que a gente tem que fazer, que a gente sempre fez”, defendeu Torres.

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      “O mesmo trabalho que a gente está fazendo por amor aqui na Cubango, nós estávamos fazendo na Renascer de Jacarepaguá também. Então, quando você faz carnaval, óbvio, o lado financeiro tem que partir, mas se você não trabalha com amor, as coisas não vão fluírem. Então, tem que ter o carinho, tem que ter a dedicação ao projeto. Quando você se dedica, você se empenha e tudo acontece”, completou Rangel.

      Apoio em meio a crise do carnaval

      Em um ano de profunda crise financeira na folia carioca, devido ao corte completo do repasse de verbas da Prefeitura do Rio para as agremiações do Grupo Especial e da Série A, a Cubango consegue respirar um pouco mais aliviada. A verde e branca de Niterói, assim com a Viradouro e o Sossego, conta com um aporte financeiro vindo da administração municipal da “cidade sorriso”. Estima-se que, sozinha, a escola receberá R$ 1,8 milhão de ajuda total.

      “Aqui a gente tem uma subvenção, graças a Deus, mas não temos aquela questão de trabalhar só em cima disso. Estamos trabalhando com reciclagem também, para tentar adequar esse valor que a gente tem para tentar construir nosso carnaval”, frisou Raphael.

      “A gente não veio só dá Renascer de Jacarepaguá, a gente é cria da Intendente Magalhães. Tenho muito orgulho de ser da Intendente, porque se hoje eu estou na Cubango, galgamos todos os grupos, ganhamos todas as premiações que poderíamos ganhar no carnaval também, e hoje em dia temos, o presente de realizar o carnaval da Cubango. Então, para gente, dificuldade no carnaval sempre teve e sempre vai acontecer. O artista é contratado para isso. Daí que sai o verdadeiro artista do carnaval. A gente trabalhar onde não tem. Se tiver, é tentar melhorar as coisas, conforme o andar da escola”, declarou Alexandre em seguida.

      Mudanças no regulamento

      A Acadêmicos do Cubango levará para Marquês de Sapucaí, no carnaval de 2020, aproximadamente 2300 componentes, espalhados por 22 alas, três alegorias (sendo o abre-alas acoplado) e um tripé. De acordo com Raphael Torres, o projeto inicial da escola precisou sofrer alterações após as mudanças no regulamento da Série A, que entre outras medidas, reduziu o número máximo de carros permitido. Todavia, a setorização do desfile permaneceu a mesma.

      “A gente vai com quatro setores, sendo que invés de ter o carro, a gente colocou o tripé no lugar. Tivemos que tirar uma alegoria, mas infelizmente tem que ser assim, a gente tem que seguir o regulamento. Mas poderia ser os quatro carros, que seria mais uma alegoria gigantesca que a gente ia apresentar. Infelizmente, não depende só da gente”, afirmou Torres.

      Segundo Alexandre Rangel, as mudanças no regulamento pegaram a dupla de surpresa. Porém, o que já havia sido projetado não foi descartado e sim transformado ou adaptado.

      “Quando a gente recebeu a notícia, algumas esculturas que a gente já tinha começado a desenhar, ao invés de riscá-las, utilizamos de outra forma. Porque a gente ia utilizar cinco alegorias e pedir autorização para levar mais um tripé. E aí, com essa mudança no regulamento, a gente tirou a alegoria e ficou aquele tripé, que justamente vai ser nosso encerramento do terceiro setor. Estamos acreditando muito nesse tripé”, revelou Rangel.

      Entenda o desfile

      Para reportagem do site CARNAVALESCO, Raphael Torres resumiu como será essa divisão do enredo “A Voz da Liberdade”, que irá narrar a trajetória de Luiz Gama. A verde e branca de Niterói será a quinta agremiação a se apresentar na sexta-feira de carnaval, primeiro dia de desfiles da Série A.

      Setor 1: “O primeiro setor vem abordando os ancestrais de Luiza Mahin e Luiz Gama. Então, a gente vai iniciar o desfile lá no Reino de Benin, na África”.

      Setor 2: “Abrimos o segundo setor com a chegada dos negros escravizados e vamos fechar com a Revolta dos Malês, que foi um fator principal para que Luis Gama fosse escravizado”.

      Setor 3: “A partir daí, entramos para o terceiro setor que traz justamente o nosso tripé, que vai falar sobre o trabalho escravo”.

      Setor 4: “No quarto e último setor, já vamos falar do Luiz Gama advogado, escritor, jornalista. O último carro é uma grande homenagem a ele, no qual vamos ter o ator Déo Garcez como Luiz Gama. Nesse carro vamos ter também diversas personalidades negras, como jornalistas, desembargadores, juízes, advogados, dentre outras áreas”.

      Alberto João: ‘O que eu espero do desfile da Tijuca no Carnaval 2020’

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      De olho nos quesitos: o que os jurados mais puniram em evolução nos últimos cinco anos

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        manga treino 29Quando Jorge Perlingeiro lê as notas na apuração da quarta-feira de cinzas um quesito causa calafrios nos sambistas. Evolução. Há registros históricos de desfiles que beiraram a perfeição mas que deixaram o título escapar neste traiçoeiro quesito. Chegou a hora de falar da evolução na série de reportagens ‘De olho nos quesitos’ que o site CARNAVALESCO preparou.

        O jurado de evolução precisa observar os seguintes parâmetros para aplicar a sua nota: fluência no andamento da escola (não pode haver correria nem lentidão em excesso durante a passagem da escola), coesão entre as alas (elas não podem estar espaçadas, nem emboladas umas nas outras), conjunto harmônico (não podem haver buracos quando a agremiação estiver passando pela pista) e espontaneidade (os componentes precisam demonstram empolgação).

        Buraco. Este é o terror de um desfile de escola de samba. É por isso que é fundamental o entrosamento total entre toda a equipe de diretores que tem a incumbência de fazer a escola evoluir. Os buracos acontecem quando parte da escola avança e outra fica parada, geralmente devido a dificuldades de locomoção das alegorias. Nessa hora é preciso estar atento para esses espaços não surgirem. Salete Lisboa anotou quando isso ocorreu no desfile da Viradouro de 2015.

        “Aos 43 minutos de desfile, ao passar pelo módulo 4, a Viradouro formou um buraco entre o tripé 1 e a ala 1…”, especificou a experiente jurada.

        Ao avaliar a espontaneidade de um desfile de escola de samba o jurado observa se os componentes estão cantando, dançando e brincando pela passagem na avenida. Afinal de contas é carnaval. Alas que passam andando, componentes que possuem dificuldades de evoluir devido ao tamanho de fantasias e integrantes sem empolgação estão na mira dos jurados do quesito. Em 2018, a jurada Paola Novaes fez exatamente essa observação ao punir o Império Serrano.

        “A agremiação chegou em frente ao módulo aos 18 minutos vibrante. No entanto, aos 24 minutos, na ala 02 faltou animação. Muitos componentes só passaram. A ala 15 aos 37 minutos também poderia ter evoluído mais”, alertou Paola.

        O andamento do desfile como um todo também precisa ser contemplado no julgamento do quesito evolução. As escolas de samba realizam paradas técnicas para as apresentações de seus casais de mestre-sala e porta-bandeira e suas comissões de frente. Até o desfile de 2019 eram quatro paradas, em 2020 serão três. Fora essas paradas a agremiação tem de ter fluidez no andamento. Paradas excessivas ou aceleração exagerada para não estourar o tempo são passíveis de punição dos jurados. Um exemplo foi o desfile da Estácio de Sá em 2016.

        “O desfile apresentou-se irregular, com sua fluência comprometida. Entre a ala 01 e alegoria 01 abriu-se um espaço que com o avanço da alegoria, aumentava ou diminuía. Também se observaram espaços irregulares nas las 11, 12, 14 e 24, com pequenos claros em alguns pontos e componentes compactados em outros. As várias pequenas paradas intercaladas por momentos de livre aceleração ocorridas após a alegoria 6, persistiam até o final do desfile, prejudicando a progressão da dança”, descontou a jurada Marisa Maline.

        Aspectos mais citados nas justificativas de evolução desde 2015:

        – buracos;
        – alas emboladas;
        – fluidez irregular do desfile;
        – falta de empolgação.

        Governo Witzel traz patrocínio de R$ 20,5 milhões para o Grupo Especial

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          Quase com o tempo esgotado as escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro respiram aliviadas com a confirmação que o governo estadual, através do governador Wilson Witzel, confirmou ao apoio de R$ 20,5 milhões, junto a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, que dará R$ 1,5 milhão para cada uma das 13 agremiações. Infelizmente, as escolas da Série A, que esperavam R$ 500 mil, não estão incluídas.

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          Foto: Carlos Magno