Penúltima escola de samba do Grupo Especial a desfilar no sábado de carnaval, a Unidos de Vila Maria apresentou plástica diferenciada nas alegorias, fantasias grandiosas e bom relacionamento entre carro de som e bateria.
Mesmo como ponto positivo, alguns episódios de quedas de adereços nas fantasias de componentes foram notados.
Comissão de Frente
A primeira ala da escola apresentou um bom domínio técnico. Nomeado como: “Guardiões Da Tradição Chinesa”, os bailarinos evoluíam com um leque. Quando aberto, eles proporcionavam um efeito sonoro positivo e bem entrosados. O personagem principal, Rei Macaco, não economizou nas acrobacias e era o principal elemento para interagir com a plateia.
A comissão ainda contou com mais mulheres que representaram o espírito da cultura chinesa. Elas também trouxeram adereços nas mãos, e contribuíram para o bom desempenho.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Estreante como oficial, o casal Bruno Mathias e Tatiana dos Santos aliou o clássico com uma execução moderna, com cortejo mais acelerado em comparação aos demais casais. A porta-bandeira esbanjou simpatia e carisma durante trajeto.
A fantasia do casal também contribuiu pro desempenho da dupla. No caso, a vestimenta foi confeccionada com cores quentes. No caso da Tatiana, o vermelho, laranja e amarelo predominaram. No Bruno, o detalhe do adereço de cabeça chamou atenção, não só pelo tamanho, mas também pelo desenho e riqueza dos detalhes.
Harmonia
A escola apresentou uma harmonia satisfatória. Claro que, o volume do cantar não foi alto, mas isso não afeta o desempenho do quesito no julgamento. O trecho “Faz encantar” foi cantado com boa empolgação. A estrutura do samba é pra cima, e pedia um cantar mais forte em todo momento. Os dois primeiros setores apresentaram o cantar mais forte.
Enredo
A narrativa usada para contar o tema fugiu do padrão esperado de CEP. Além de evitar a abordagem clichê como cultura, culinária, fundação, entre outras, a Vila visou destacar os pontos na história do país que são importantes para a sociedade até hoje. Na avenida, a leitura foi facilitada ao sambista que tinha um conhecimento básico. A linha não seguiu uma ordem cronológica, o que também torna o enredo diferenciado.
Evolução
A escola apresentou um domínio bom do andar do componente, padrão mantido em todo desfile. O único ponto negativo ficou por conta da manobra de entrada da bateria no recuo. Antes da recomposição, a ala da frente voltou a andar e proporcionou um buraco. A recomposição foi rápida e não prejudicou o contexto.
Samba-Enredo
A obra da agremiação abordou o enredo de forma bastante descritiva. Pelo fato do enredo exaltar os grandes feitos, a melodia é toda pra cima e explosiva. O Wander Pires teve um aproveitamento que valorizou a qualidade da obra. Ele apresentou cacos melódicos, sustentação da afinação e melismas improvisados.
Fantasias
O desenho e proposta das fantasias da escola foi um ponto de destaque. A agremiação trouxe riqueza nos detalhes e adereços volumosos. O primeiro setor foi um dos que mais se destacaram na grandiosidade. Porém, algumas falhas do quesito foram notadas. Primeiro, um adereço de cabeça de um componente caiu logo quando as primeiras alas passavam ao recuo. O costeiro de um dos mestres-salas caiu durante o bailado, e pequenos detalhes em determinadas fantasias.
Alegorias
No contexto geral, a Vila Maria apresentou uma temática com traços mais modernos e fora do “padrão” de São Paulo.
A começar pelo abre-alas, “Com o Dragão Milenar, grandes Impérios se erguiam”, a alegoria trouxe muitos componentes e bem espalhados. O letreiro com o nome da agremiação veio na parte superior, um pouco acima da escultura de um Dragão. As coreografias nas laterais influenciaram também ao contexto.
A segunda alegoria, “A genialidade da mente brilhante e criativa do Chinês”, também atendeu as características de carros vazados. Eles trouxeram movimentações, tanto na grande cabeça retratando a mente brilhante, quanto nas engrenagens.
“Pátria da sabedoria” é o nome que batiza o terceiro carro alegórico, um grande elemento que predominou o branco. Destaque para o detalhe inferior com vários emblemas da Vila Maria em dourado.
Dentre as propostas, a quarta alegoria “Prédio de uma cidade inteligente” chamou atenção pela quantidade de telas em LED que transmitiam imagens originais do local, esculturas de robôs, pandas, além do tamanho.
A última alegoria “Monumento à união das etnias” encerrou com uma mensagem de união entre os dois países, Brasil e China. Uma parte da alegoria se abria, dentro brasileiros e chineses evoluíam abraçados.












Quinta escola a desfilar nesta noite, a Águia de Ouro fez um desfile seguro, com alegorias com um belo aspecto visual e de fácil entendimento. A comissão de frente chamou atenção por usar três elencos em sua apresentação. Outro destaque foi o canto da escola, que assim como nos ensaios, foi forte e com clareza. Os intérpretes Tinga, Douglinhas Aguiar e Darlan Alves formaram um trio de peso e conduziram muito bem o samba enredo da agremiação, e apesar de serem três nomes de peso, nenhum atravessou o outro e todos estavam com a tonalidade parecida no carro de som. A Águia de Ouro após se consolidar novamente no Grupo Especial, agora briga pela volta ao desfile das campeãs, e fez uma apresentação para tal acontecimento. O enredo da agremiação é o “Poder do Saber”. A Águia de Ouro fechou o desfile com 64 minutos.
A ala três dois elencos na pista, representando o mundo na antiguidade, outro a magia do saber e por último, a conquista dele. A comissão de frente usa um tripé, onde depois que o primeiro elenco, que representa o ser-humano na antiguidade se apresenta com 15 integrantes na pista, outra parte entra simbolizando o ser-humano depois da inteligência. Foi uma boa apresentação da ala, apresentaram de fato a proposta do enredo.
O primeiro casal veio com uma fantasia em tons azul, preto e faisões coloridos comprimido todos os movimentos obrigatórios. A dupla teve como destaque os giros e as finalizações, que eram claras. Ana Reis e João Carlos mostraram leveza e muito carisma ao defender o pavilhão da Pompéia.
A escola repetiu o que executou nos ensaios e cantou forte e com clareza. A harmonia sempre foi um quesito de destaque na escola, historicamente a comunidade da Águia de Ouro canta com clareza, o que sempre vira um trunfo para a agremiação. O samba-enredo com a melodia para cima, e a bateria com andamento alto, ajudaram em tal fato, além de a Águia de Ouro possuir um trio forte em seu carro de som, Tinga, Douglinhas Aguiar e Darlan Alves, cantores experientes na história do carnaval.
O enredo da escola é o “Poder do Saber”, que significa a evolução do homem ao passar do tempo, além de exaltarem o fato de que o ser-humano é o único ser da planeta Terra que é dotado da inteligência. A escola levou para a avenida um enredo lúdico, em que a ideia foi mostrar a força do poder do saber, construindo um mundo melhor, onde os seres humanos alcançassem a paz na Terra. O primeiro setor mostrou o elo perdido e fez uma ligação com a idade média, destaque para o grandioso e colorido abre-alas. O segundo setor mostrou os mistérios da arte ocidental e da fé oriental, seres que queriam a inteligência a qualquer custo. O terceiro setor mostrou como o saber gerou coisas negativas, como guerras, atentados e acidentes. O quarto setor ressaltou a importância que a educação tem na vida das pessoas e o último setor retratou o futuro digital e tecnológico.
A escola evoluiu de forma correta, as alas estavam sincronizadas e não houve presença de buracos. Também não houve espaçamento entre alas e alegorias, pelo bom trabalho que o departamento de harmonia fez. Mesmo com o uso de fantasias com costeiros altos, não houve problemas e as alas se adaptaram, os espaços foram perfeitamente ocupados.
A Águia de Ouro conta com um trio de peso em seu carro de som, trata-se de Douglinhas Aguiar, Tinga e Darlan Alves, os três cantaram em harmonia, nenhum atravessou o outro e cada um deles tinha seu momento de fazer os arranjos vocais dentro do samba, o que é fruto de muito ensaio. A letra da obra se destaca mais por sua letra, que é explicativa e define de forma correta a ideia do enredo.
A Águia de Ouro optou pelo uso de fantasias com altos costeiros e bastante plumas. Na maioria das vezes, as vestimentas se encontravam com o contexto das alegorias e o que os setores abordavam, porém em algumas situações, a fantasia apesar de ser visualmente agradável, a leitura era dificultada.
O primeiro carro veio acoplado, sendo a primeira parte a característica águia da escola, com bastante movimento. Na segunda parte veio a representação do mundo antigo, com encenações de componentes e uma escultura de um dinossauro. A segunda alegoria vem com azul e dourado, esculturas simbolizando aparentemente figuras da fé oriental, e na lateral do carro, componentes representando livros. O terceiro carro vem com duas esculturas de aviões na parte de cima, dos lados figuras de tanques de guerra e um painel de LED simulando um incêndio, que aparentemente seria de um prédio, também representado na alegoria. A quarta alegoria vem com uma escultura de um homem aparentemente representando um professor, rodeado de livros. Na parte da frente vem a ala das crianças. O carro representa a importância da educação. O último carro é todo prateado rodeado de LED, que simboliza o futuro digital e tecnológico, naves espaciais nas laterais e esculturas de cérebro pelo meio. A agremiação apresentou um conjunto alegórico satisfatório, visualmente agradável e de fácil entendimento.
Quarta escola de samba a desfilar no Grupo Especial da segunda noite, a Mocidade Alegre apresentou um canto satisfatório, fantasias com boas variações dos materiais e boa estreia do casal oficial. Porém, a escola apresentou falha em evolução e isso afetou o carnaval em um todo. A entidade encerrou o desfile com 62 minutos.
A primeira ala, intitulada como: “Do ventre feminino eclode a esperança”, apresentou uma encenação da árvore que se alimenta do solo, também busca a luz celestial para nascer, crescer e se propagar. Seguindo essa narrativa, a agremiação montou a coreografia.
Por ser a estreia, o casal Uilian Cesário e Karina Zamparolli demonstrou entrosamento, olhar constante entre os dois e apresentação devida do pavilhão aos jurados. A escola optou por separar um espaço mais compacto para que a dupla evoluísse. A fantasia do casal foi nomeada como “A essência africana e a ancestralidade yorubá”. Outro ponto de destaque ficou por conta da fantasia dos guardiões. Eles representaram os defensores dos princípios da Criação de Olorum.
Assim como nos ensaios técnicos, a escola apresentou um bom desempenho vocal dos componentes. A letra do samba-enredo tem palavras com uma pronúncia mais difícil, mas mesmo assim a letra foi escutada com clareza e a diferença de volume entre setores não foi claramente perceptível. Além do refrão principal, os trechos “Ê mulher”, “Lá vem ela” foram cantados com mais entusiasmo. O problema de evolução afetou o canto, isso porque, durante o trajeto acelerado, o volume e empolgação caia.
O primeiro setor “Da ira de Olorum, o caos do canto das Yabás, a esperança”, trabalharam com a proposta de que a mulher foi escolhida pra salvar o mundo do caos. No seguinte, a escola homenageou Iemanjá, através do setor “O Canto de Yemanjá – A virtude da transformação da dor e da tristeza em esperança”. Nesse mesmo trecho, uma grande escultura da orixá foi vista e cativou pela riqueza de detalhes. No terceiro, “No canto das Yabás, o poder feminino regente da natureza”, a entidade trouxe variações das orixás femininos nas fantasias.
O quesito da escola sofreu em alguns pontos que podem prejudicar. Primeiro, o andar da escola no começo foi bastante padrão e seguro, no caso, optaram um pouco mais acelerado. A apresentação da comissão de frente e casal foi rápida e confortável. Porém, o primeiro detalhe negativo foi notado na entrada da bateria no recuo. No caso, os ritmistas entram no espaço e voltam para se curvarem, um movimento característico da bateria. Mas a ala da frente continuou, e ocasionou no buraco.
A obra apresentou uma letra forte, características exigidas até pela proposta do enredo. O hino do ano tem letras que fogem do padrão e melodia ousada. O intérprete Igor Sorriso, que já demonstrava muito domínio técnico, fez um desfile seguro. O cantor, além de manter o canto aguerrido e realizar cacos melódicos, também abria vozes com eficiência. As cordas também não ficaram pra trás, e ousaram nas execuções de arranjos e solos.
No quesito em questão, o que mais surpreendeu foi a diversificação dos materiais usados e cores. Algumas alas continham plumas no costeiro, a de trás com objetos diferentes, e com o mesmo efeito visual agradável. As cores também foram trabalhadas com atenção maior, no caso do quarto setor, a proposta fugiu do clichê.
O abre-alas “A Morada de Olorum”, contou com movimentação principal da maior escultura e o grande brasão da Mocidade Alegre, que também girava. A alegoria valorizou a cor vermelha e variações de tons. A segunda, “Nas águas de Yemanjá, o axé que movimenta a vida”, trouxe uma grande escultura da homenageada do setor. O detalhe de acabamento e muita água espichada se destacaram. Já no terceiro elemento, “O sagrado poder feminino que rege a natureza”, notou-se uma alegoria mais estática. No geral, os carros eram muito coloridos, e nesse em questão a escola aproveitou bem o escuro. A quarta, “Na essência do ventre feminino, a renovação da vida no Ayê”, já trabalhou mais as diversidades de cores. Detalhes para as raízes em toda estrutura. A última alegoria, “A nova morada”, utilizou muito bem o branco, verde e azul de forma inteligente.


