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Irreverente, São Clemente representou férias políticas em uma de suas alas

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Por Thaise Lima

Fazendo referência direta ao trecho do samba-enredo que diz “Tem marajá puxando férias em Bangu”, o Carnavalesco Jorge Silveira apostou em implantar a ala Férias em Bangu para ilustrar exatamente o que ocorre quando os políticos brasileiros são presos por motivos de corrupção no país. Com direito a boia de piscina e caipirinha na cabeça, uma âncora no pescoço e o famoso macacão ilustrando a figura do “171″, os componentes da ala 18 passaram pela Sapucaí ilustrando a parte contraditória de quando os marajás são presos no Brasil. Sempre com direito a regalias como se tivessem realmente passando férias.

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Trazendo frequentemente enredos com questões políticas e uma pitada de sarcasmo, a preto e amarela de Botafogo fez os componentes se sentirem como uma peça chave do tema. Já que mostrava categoricamente uma parte importante na construção do enredo. Retratando uma situação recorrente no país, Karina Gonçalves falou da importância do assunto dentro de um desfile de escola de samba.

“A São Clemente é muito conhecida na avenida por ser crítica, acho isso importante, temos que fazer o brasileiro pensar e olhar para ver quais são as nossas atitudes estamos tomando para que isso se perpetue. Afinal de contas, os políticos só estão lá graças a nós. Então temos que repensar o nosso voto ao em vez de ficar reclamando. Essa ala tem um 171 bem grandão aqui logo na entrada, a boia de patinho, a caipirinha, tudo isso representa um pouco dos marajás que estão na cadeia, mas na verdade vivem uma vida de luxo e férias dentro da cadeia.O enredo fala do primeiro marajá, toda a história nossa do Brasil que começou já com essa política de dinheiro, roubo e corrupção. Infelizmente isso faz parte da nossa história, tanto que o enredo fala muito isso, que o trambique virou patrimônio nacional”, desabafou Karina.

Numa rápida pesquisa ainda na concentração, a equipe do site CARNAVALESCO perguntou aos componentes da São Clemente quem eles gostariam de ver puxando férias em Bangu. Mariângela, de 48 anos, não poupou ninguém.

“Se colocar todos que merecem vai faltar cadeia. Podia começar pelo ex-Presidente Lula. Depois o atual prefeito do Rio de Janeiro”, afirmou.

São Clemente faz desfile com destaque para o conjunto de alegorias, fantasias e enredo

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Por Victor Amancio. Fotos de Allan Duffes e Magaiver Fernandes

Totalmente dentro do seu estilo, irreverente e crítica, a São Clemente fez um desfile belíssimo com alegorias empolgando quem assistia. O abre-alas da escola, em dourado, impressionou por sua estética. No quarto carro ‘malandro oficial’ o humorista e compositor do samba-enredo, Marcelo Adnet, veio fazendo críticas e referências diretas ao presidente Jair Bolsonaro e arrancou aplausos do público. O problema do desfile ficou por da comissão de frente que errou em dois dos três módulos de julgamento.

Comissão de Frente

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O quesito coreografado por Júnior Scapin apresentou uma disputa pela imagem da santa pelas ruas de Ouro Preto. Disputando a imagem de Nossa Senhora os vigários das paróquias duelam. O tripé representando uma capela revela a má intenção de um dos vigários. Por fora a capela era bonita, com o visual da época e por dentro devastada e se completava com a imagem do vigário que depois de revelar seu lado mais ‘diabólico’.

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No primeiro módulo a comissão apresentou problemas em controlar o tripé, que além de quase derrubar alguns bailarinos, os deixou sem espaço para apresentação. Num segundo momento o tripé quase colidiu com a grade imprensando os fotógrafos que estavam no espaço. No fim da apresentação a ‘santa’ escorregou e caiu.

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No segundo módulo, ainda com problemas na direção, o tripé não parou em frente a cabine ficando um pouco à frente fazendo com que precisassem virar o carro na diagonal para os jurados assistissem. Somente no último módulo a comissão conseguiu acertar o problema e encerrou sem errar.

Mestre-sala e Porta-bandeira

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O casal vestiu a fantasia ‘a santa e o vigário’, compondo os personagens principais da primeira parte do enredo. Usando uma roupa belíssima com tons de vermelho e dourado a dupla dançou com sintonia. Giovana esbanjou graciosidade, sorrisos e leveza em seu bailado. Fabrício, por sua vez, cortejou muito bem sua porta-bandeira, mas acabou tendo dois problemas, o primeiro no segundo módulo quando deu uma escorregada por conta da pista molhada e no último, quando não pegou a bandeira.

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Harmonia

O canto da escola oscilou no desfile. Com bons e outros regulares. Destaque para as alas 11 e a ala 25. O carro de som composto pelos cantores Leozinho Nunes, Bruno Ribas e Grazzi Brasil fez um bom desfile, provando que estavam em sintonia.

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Enredo

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O primeiro setor abriu com o tempo histórico, a barroca Minas Gerais com suas igrejas. Foi o cenário onde surgiu a expressão que nomeia o enredo. Depois o carnavalesco passeou por diversos exemplos de golpes e vigarices. Fechando o desfile com a “moderna vigarice” com a evolução dos vigaristas que seguem aplicando golpes e enganando o povo. Jorge Silveira realizou um enredo crítico e irreverente, a cara da São Clemente. Desenvolvendo bem o quesito e permitindo uma leitura de fácil entendimento através das alas e alegorias.

Evolução

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Pode-se notar alas evoluindo pouco e andando durante o desfile. Em relação ao andamento do desfile a escola passou bem e não teve problemas grandes, tirando pelo momento em que a bateria entrou no recuo e as duas alas seguintes, 16 e 17, correram para alcançar a outra ala, sem necessidade.

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Samba-Enredo

O samba, que tem como um dos compositores o humorista Marcelo Adnet, é a cara da São Clemente e foi funcional para o desfile. Irreverente e cheio de referências atuais o samba contou o enredo de forma clara e casou com o que foi apresentado na avenida.

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Fantasias

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O conjunto de fantasias foi um acerto da São Clemente. Jorge retratou de forma clara e direta o enredo em todas fantasias. Quem assistia conseguia entender cada ala. Deve-se elogiar a forma como o carnavalesco trabalhou, carnavalizando e dando sua assinatura a figuras que já estão no imaginário do público, como a grávida de Taubaté na última ala.

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Alegorias

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O conjunto de Jorge Silveira impressionou quem assistia o desfile. O abre-alas, ‘A santa, o burro e os vigários” arrancou aplausos do público. Todas alegorias bem acabadas e contando bem o enredo, o carnavalesco provou mais uma vez seu talento e fez um desfile memorável para agremiação da Zona Sul.

Fotos: desfile da São Clemente no Carnaval 2020

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Análise da bateria da São Clemente no desfile

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Por Matheus Mattos

Primeira da segunda noite de desfiles, a Fiel Bateria da São Clemente apresentou um andamento pra frente e firme pro desfile de 2020. Valorização da sustentação e bossas que aproveitam todos os naipes deram o tom.

Notou-se alguns descompassos da bateria na cozinha, inclusive um bem no início da entrada na pista. No geral, as paradinhas apresentadas pela São Clemente trabalharam bem a diversidade rítmica e criatividade. A parte prática foi bem aliada com a característica cômica do samba.

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A bossa que é efetuada logo no refrão principal, e se estende até o meio da primeira estrofe, chamou a atenção pelas frases de caixas. Nela, sempre se acrescentava um toque a mais até o quatro, enquanto as marcações davam o compasso devido.

A paradinha no trecho “Tem Laranja, na minha mão uma três, três é dez” foi a que mais deu espaços para que os leves se destacassem. No começo, só os chocalhos e tamborins desenham, e no final toda bateria explode em frases antes da retomada por completo.

O time de cordas tiveram um desempenho que casou com a proposta da escola. Logo no verso “Brasil, compartilhou, viralizou” os cavaco realizam um pequeno arpejo que faz alusão ao hino nacional. Outro trecho notado foi “É o conto do Vigário”, que no caso aproveitam também os versos seguintes pra repicar e desenhar.

Eugênio Leal analisa o desfile da São Clemente

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Fantasia das baianas da Portela simbolizavam a baia-mar, o Guanâbara

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Arriscando-se em novos mares, o casal Renato e Márcia Lage, apresentaram o enredo “Guajupiá: terra sem males”. Simplesmente na maior campeã do carnaval carioca, a Portela. Com muitos elementos e referências a linguagem Tupi, a escola escolheu a ala das baianas para representar “o mar semelhante à baía ou baia-mar”.

Numa fantasia predominantemente em tons azuis e com muitas plumas, as baianas estavam com uma faixa azulada com diversas formas, trazendo movimento e brilho durante a apresentação. Na parte da cabeça, penas com a coloração em azul claro, realçaram a parte de movimentação quando as baianas realizavam os giros em determinados pontos da música. A indumentária foi uma das mais pesadas segundo o relato de algumas componentes.

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Eliane Cuevas, que completou 10 anos desfilando pela azul e branca, comentou que adora a energia que um desfile de escola de samba proporciona.

“Estou há 10 anos desfilando e é sempre uma boa energia. A fantasia esse ano estava ótima e super fácil para girar. A presidente da nossa ala também é super atenciosa e isso ajuda muito. Super confortável mesmo”, confirmou Eliane.

Os comentários dos espectadores foram extremamente positivos principalmente em relação a força que o azul teve ainda mais em conjunto com outras alas que compunham muito bem a evolução da escola. Classificando o primeiro setor com o verdadeiro intuito proposto pelo casal de carnavalescos, “Baia de Guanabara, nosso Guajupiá”

O sonho do menino Brasil e a República das bananas nas matriarcas da Vila Isabel

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Edson Pereira em 2019 surpreendeu todos os presentes na Sapucaí pelo desfile majestoso, luxuoso e exuberante que realizou na Vila Isabel. Esse ano, a situação não foi diferente. Com alegorias imensas e com muito brilho, o artista também colocou seu toque nas fantasias, em especial, na ala das baianas.

O enredo da Vila Isabel para 2020 contava a história do índio menino-Brasil que sonhou sobre uma joia rara prometida, Brasilia. Nas asas de Jaçanã, o curumim percorre todo o país sabendo que a união de seu povo será a grande verdade.

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Com o nome, “Caldeirão de Brasilidade”, as baianas da escola de Noel estavam vestidas com uma roupa destacando o verde e o amarelo, referência direta as cores da bandeira do Brasil. Além disso, todas as componentes da ala estavam maquiadas com tonalidades de verde mais escuro e uma pequena linha amarela, dando contrataste. Na saia, a presença de diversas bananas que simbolizam a “República das Bananas”, presente no sonho do menino-Brasil. No peito, destaca-se os tons de verde com um acabamento impecável e com muita simplicidade. Na parte da cabeça, a presença de um grande cocar com grandes penas esverdeadas é uma enorme trança, realçam a beleza e acrescentam ainda mais o movimento do giro. De maneira geral, a fantasia apresenta uma ideia muito boa sobre o enredo e criando uma sátira com boa leitura sobre as repúblicas das bananas.

Katia Antunes, integrante da ala das baianas pela primeira vez, diz que sempre foi uma vontade sua é que acha a fantasia impactante.

“Como comunidade, já desfilei três vezes pela Vila. Agora como baiana é a primeira. A fantasia era super leve e achei muito bonita. Tenho certeza que causou um belo impacto visual na avenida”, afirmou.

Carnaval para todos: Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência traduz sambas-enredo para Libras

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    Pelo terceiro ano consecutivo, a Central Carioca de Intérpretes de Libras (CCIL) da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Tecnologia realizou o Carnaval Inclusivo, projeto voltado para a tradução dos sambas-enredo das escolas do Grupo Especial para a Língua Brasileira de Sinais. Com o intuito de trazer mais acessibilidade à festa carioca, o programa contou com a participação de deficientes auditivos em sua concepção.

    As gravações foram realizadas em janeiro e os vídeos foram postados nas páginas das redes sociais da Secretaria no começo de fevereiro, terminando no último sábado, dia 22. Assim, todos os deficientes auditivos teriam a oportunidade de aprender os sambas antes dos desfiles. Renata Lúcia, 41 anos, intérprete de Libras da CCIL participou do projeto e falou ao site CARNAVALESCO sobre a experiência.

    “Meus pais eram surdos, então sei Libras desde pequena. Foi a primeira coisa que aprendi”, disse a intérprete, que tem a língua de sinais como seu primeiro idioma. Para ela, é importante passar a emoção que a escola tem na Avenida para aqueles que não conseguem ouvir, mostrando o enredo e o conceito da agremiação.

    Ricardo Boaretto, deficiente auditivo de 37 anos, também vem de uma família de surdos. Ele afirmou que sua participação elevou o projeto a ‘outro patamar’, pois como surdo entende e consegue transmitir toda a informação de forma clara.

    “Muitas vezes, alguns deficientes que veem traduções de músicas se perguntam do que se trata. Qual é o conceito, o ritmo, se é para dançar. Nessa tradução dos sambas em Libras que a Secretaria fez, eles conseguiram sentir a mesma coisa que um ouvinte. A emoção, a felicidade! A equipe da tradução foi maravilhosa e eu sinto muito orgulho”, disse ele, que já nasceu surdo e espera que no futuro a língua se fortaleça e que todas as pessoas possam aprendê-la.

    Além da iniciativa, o projeto Carnaval Inclusivo da Secretaria também distribui ingressos para deficientes e seus acompanhantes assistirem às escolas na Marquês de Sapucaí. Para Henrique Alves, deficiente físico, ter a oportunidade de sair de casa em uma época de festa tendo uma estrutura acessível como a do setor 13 é maravilhoso.

    “Sempre amei Carnaval. A cidade do Rio não é acessível, mas aqui, na Marquês, tive a oportunidade de curtir um pouco da festa carioca. O local é ótimo”, completou. A entrega dos convites aconteceu entre janeiro e fevereiro deste ano e levou mais de 200 pessoas para a Avenida.

    Desaparecimento de Dom Sebastião foi retratado em segunda alegoria do Tuiuti

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    Por Karina Figueiredo

    Quarta agremiação a cruzar a Sapucaí, o Tuiuti demonstrou em seu desfile maturidade para conquistar uma vaga no sábado das campeãs. A escola, que levou para Avenida o enredo “O Santo e o Rei: Encantarias de São Sebastião”, investiu em temas sobre religiosidade e histórias de esperança com base na trajetória do santo. No segundo carro, foi representado a grande batalha entre dois grupos que culminou no desaparecimento de Dom Sebastião.

    Para caracterizar o simbolismo da alegoria, soldados de guerras com lanças, espadas e escudos. Construiu-se a ideia de luta entre os cristãos ao lado direito, e os mouros ao lado esquerdo. Até alcançar esse resultado, vários encontros foram necessários como explica o componente, André Luiz, 47, que desfila pela segunda vez na escola. “Fizemos vários ensaios para oferecer o nosso melhor e a escola é guerreira conta com a vasta diversidade de carros, cultura e até mesmo ensinar as pessoas que o Carnaval alcança o mundo inteiro por isso, merece a nossa dedicação”.

    O Diretor de Harmonia, Paula César, 52, não escondia a expectativa na concentração.

    “A escola está muito bonita e bem preparada. A cada passo nós vamos crescendo e sentimos as melhorias graças ao nosso Presidente, Renato Thor, que se empenha bastante para apresentar um excelente Carnaval”. Quem também concordou com está afirmação foi o integrante, Douglas Tavares, 34, que desfila há 4 anos na escola de São Cristóvão. “A evolução melhorou, a escola está mais unida, os carros estão mais bonitos e esse ano nós iremos brigar pelo título”, afirmou.

    Depois de todo o esforço em meses de ensaio, o componente Moisés Dias, 28, não escondeu a empolgação de estar na escola depois de tantas noites perdidas. “É tudo uma dedicação, nós estamos ensaiando há meses juntos por isso hoje estamos aqui para se divertir e ajudar a nossa escola”.

    Ito Melodia sofre acidente de carro

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    O intérprete Ito Melodia, da União da Ilha do Governador, sofreu um acidente de carro na noite desta segunda-feira de carnaval, na entrada da Praia da Bica, no bairro da Ilha do Governador, Zona Norte do Rio de Janeiro.

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    Ele estava acompanhado da esposa, Maria do Carmo. O carro deles bateu em um poste segundo apurado por nossa reportagem. Os dois foram levados para o hospital Evandro Freire, também na Ilha, e passam bem.