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Análise da bateria da Grande Rio no Carnaval 2020

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Por Matheus Mattos

A quinta bateria a cruzar o Sambódromo da Sapucaí foi da Grande Rio. O contexto afro foi representado na sonoridade, principalmente pelo timbal, ijexá do agogô e paradinhas características. O ritmo buscou destacar a limpeza dos naipes e separação de cada timbre.

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A retomada do apagão na primeira cabine foi bem executada. Já no minuto 42, logo em frente à segunda cabine de jurados, a retomada do apagão sofreu um leve descompasso, devido a um delay no sistema de som da Sapucaí.

Por aliar execução eficiente e diferentes desenhos ao decorrer do samba, o agogô chamou a atenção. No segundo refrão, “Na paz de Zambi, ele é mutalambô”, o instrumento em questão traz um arranjo de funk, que dura cerca de 7 compassos e aproveita as duas bocas graves. Simples, mas bem encaixado no verso.

Foi notado também que, após a virada do segundo refrão, o agogô preenche a pequena lacuna que antecede o ataque com dois toques. A grande bossa executada no segundo refrão trabalhou toda baseada no toque de agogô.

Outro destaque da parte musical ficou pra complexidade dos arranjos de Cavacos. Os músicos trouxeram solos, atrasadas propositais na palhetada, dobradinhas e arpejos muito bem executados. Dentro os solos, o realizado no trecho “Bailam o seus pés e pelo ar o benjoim” foi que mais chamou a atenção.

Balança da justiça social com ricos e pobres foi retratada em alegoria da União da Ilha

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Duas das alegorias da União da Ilha foram destaques por apresentarem críticas sociais ao atual cenário do país. Mesmo os problemas, a ideia principal era mostrar que a verdadeira riqueza do ser humano ainda é a felicidade. O quarto carro, denominado “Reflexos da Vida Privada”, estava tomado por privadas na cor dourada. Os componentes vestiam roupas de gala e alguns utilizavam faixas presidenciais, acompanhados de trabalhadores menos favorecidos e empregados. A cenografia do carro representava a situação em que o país se encontra atualmente depois de tantas promessas não cumpridas e inúmeros escândalos de corrupção. Na parte frontal haviam livros e diversas escrituras foram espalhadas pelo carro. Já a parte posterior estava revestida de fuzis e granadas, simbolizando o poder de quem realmente manda.

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Para Marcia Fortunato, 43, o carro causou impacto desde quando estava alinhado na Presidente Vargas.

“Representamos o que os mais ricos fazem e relação aos menos favorecidos. Muitos não estão nem aí para o que eles sentem e muito menos para o que passam. Com certeza o carro trouxe um grande impacto na avenida e gerou reflexão”, contou a desfilante.

A quinta alegoria representou a balança da justiça social que está sempre oscilando para favorecer quem manda mais: os poderosos. É essa a balança que determina o equilíbrio entre os pobres e ricos. A frente do carro era tomada por cabeças de serpentes nas cores vermelha, amarela e laranja. Elas representavam a ganância que impedem qualquer ação que impeça a vontade soberana de quem está no poder. No alto, duas esculturas de mulheres com os olhos vendados retratava a nova justiça, que ainda é incapaz de enxergar o caminho para a igualdade social. A parte inferior era o lixão, que representava a pobreza e a miséria.

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Fabiana Monteiro, 40 anos, contou com entusiasmo sobre sua representação na alegoria.

“Nesse carro vivemos no lixão, somos a parte pobre. Nas balanças, uma metade é pobre e a outra rica. O carro mostrou a situação da sociedade neste momento. Acredito que as serpentes tenham representado os governantes”, finalizou.ca

Eugênio Leal analisa o desfile do Tuiuti

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Lage capricha na plástica, mas Portela fica longe da briga pelo título por falhas da comissão de frente

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Por Guilherme Ayupp. Fotos de Fotos de Allan Duffes, Isabel Scorza e Magaiver Fernandes

O portelense é um dos sambistas que mais cobra de sua diretoria e do seu carnavalesco para estar bem vestido na avenida. Quando isso acontece a Portela tem uma outra cara na pista. Por esse aspecto a escola poderia até ser apontada como uma das melhores da primeira noite de apresentações do Grupo Especial, pois não deveu nada aos destaques da noite. Entretanto, dificilmente a escola levantará seu 23º campeonato em 2020, graças a um recorrente calcanhar de aquiles.

Novamente, o projeto da comissão de frente foi determinante para afastar a escola do sonhado caneco. Uma sucessão de equívocos que tornam a vulnerável para não conseguir nenhuma nota 10 no quesito, pelo segundo ano consecutivo, o que no equilibrado Grupo Especial significa ver o título escapar pelos dedos.

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Comissão de Frente

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O premiado e consagrado Carlinhos de Jesus levou para a avenida um conceito de coreografia bastante interessante e de fácil leitura e comunicação com o público. Intitulada ‘Honra Tupinambá’ a apresentação encenou o ritual antropofágico dos índios tupinambás que habitavam o Rio de Janeiro antes da chegada dos europeus. Os índios comiam o europeu em plena avenida. Entretanto, a realização foi desastrosa. A começar pelo elemento alegórico de apoio que só funcionou no primeiro módulo de julgamento. A indumentária do personagem que representava o europeu estava com problemas de acabamento. A maquiagem para torná-lo careca estava mal feita e a parte da nuca estava se soltando, poluindo o visual da apresentação.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

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Marlon e Lucinha emocionaram com uma dança de muito impacto visual. Eles estavam muito bem caracterizados e o ponto alto foi quando a porta-bandeira simulou dar a luz em plena avenida. Tinham tudo pra deixar a avenida com a sensação de dever cumprido. Porém, a experiente porta-bandeira cometeu um erro na segunda cabine de julgamento. Ela deixou a bandeira enrolar durante a apresentação, o que pode ocasionar em descontos na nota. Eles fizeram uma apresentação inspirada no mito de origem Tupinambá.

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Quando Monãc astigou a humanidade, apenas Irim-magé, homem considerado digno, foi poupado e levado aos céus. Compadecido de sua solidão, Monã ofereceu uma mulher para que pudessem repovoar o mundo. Entre seus muitos descendentes está Mairamuãna, o “profeta transformador”. O Mestre-sala Marlon Lamar interpretou Irim-magé. A porta-bandeira Lucinha Nobre, a Purabore (mulher grávida).

Enredo

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Enredista dos mais competentes do carnaval, Renato Lage provou toda a sua capacidade de defender bem uma narrativa na avenida. Com um conjunto de alegorias e fantasias de extremo bom gosto dividiu muito bem os setores e manteve uma linha coerente, com bastante leitura nos carros e figurinos. Renato foi quem trouxe para o carnaval essa forma simples de passar a mensagem, que facilite sua compreensão, sem no entanto perder o apuro estético.

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Fantasias

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Um bálsamo para os olhos degustar o conjunto de fantasias da Portela na avenida. A escola possui história de desfiles belíssimos com o raiar do dia e desta vez não foi diferente. E foi justamente quando o sol nasceu que a escala cromática usada por Renato e Márcia se mostrou um evidente acerto. Destaque absoluto para as roupas do segundo setor da escola. Os tons cítricos das alas 06, 07 e 08 “explodiram” com a luz do sol e impressionaram o público. O tradicional azul e branco da Portela não esteve ausente e foi usado na abertura e no encerramento. Faltou só um pouco de apuro da agremiação na reprodução de algumas alas, que se desfizeram na avenida em frente aos módulos 4 e 5.

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Alegorias e adereços

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Belo conjunto apresentado pela Portela, embora não tenha sido grandioso. Renato mostrou toda sua versatilidade com alegorias que fugiram completamente ao seu padrão estético, conhecido como high-tech. A única que tinha os traços característicos do design de Renato era o último carro. A águia da Portela também tinha traços do estilo do carnavalesco, com as asas com movimentos que deram um efeito muito bonito no amanhecer. A segunda alegoria se destacou no conjunto e a terceira, embora estivesse muito bonita também, tinha problemas de acabamento no revestimento da pele das esculturas.

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Evolução

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Com um dos melhores trabalhos neste quesito entre as escolas do Grupo Especial, a Portela mais uma vez evoluiu muito bem pela avenida. Tanto no aspecto de espontaneidade do componente, com as pessoas evoluindo, se movimentando, brincando o tempo todo, quanto no aspecto de andamento da escola, com uma evolução coesa. Concluiu seu desfile com tranquilidade, sem correr.

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Harmonia

Dentre as escolas que se apresentaram no domingo de carnaval a Portela demonstrou o melhor canto da noite. Se considerarmos que a agremiação foi última a desfilar e seus componentes estavam mais cansados foi um feito ainda maior. Todas as alas passaram cantando muito.

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Samba-Enredo

Cotado como um dos melhores sambas do ano, a obra portelense comprovou toda a sua qualidade, defendida por um inspirado Gilsinho. O intérprete da Portela comprova que vive o melhor momento de sua trajetória e conduziu a obra com maestria, sem cacos em excesso e com muita categoria. Um dos pontos altos do desfile.

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Outros Destaques

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A bateria Tabajara do Samba levantou o público com sua passagem pelo Sambódromo. A cantora Teresa Cristina estava muito emocionada à frente da escola e esteve todo o tempo próxima do presidente Luís Carlos Magalhães. Muitas pessoas aproveitaram o último carro espelhado para fazerem fotos com seus celulares.

Eugênio Leal analisa o desfile da Portela

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Fotos: Desfile da Portela no Carnaval 2020

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Fotos: alegorias da Mocidade na concentração

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Fotos: alegorias do Salgueiro na área de concentração

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Acesso São Paulo: Mocidade Unida da Mooca e Estrela do Terceiro Milênio em alto nível visual

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Por Gustavo Lima

O site CARNAVALESCO acompanhou os desfiles do Grupo de Acesso I, neste domingo, e a noite foi marcada pelo alto nível de disputa entre as escolas, o que já era esperado, pelas fortes e tradicionais agremiações que estão no grupo. Mocidade Unida da Mooca, Estrela do Terceiro Milênio e Vai-Vai foram as melhores, acompanhadas de Camisa Verde e Branco e Acadêmicos do Tucuruvi, essas cinco brigarão por uma vaga na elite do carnaval paulistano. Nenê de Vila Matilde e Leandro de Itaquera tiveram erros perceptíveis, e vão brigar para não cair. A Independente Tricolor não será julgada.

Independente Tricolor

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Abrindo a noite dos desfiles do Grupo de Acesso I, a Independente Tricolor não será julgada em decorrência do incêndio que atingiu o barracão em outubro do ano passado. A agremiação utilizou apenas uma alegoria, e fantasias de anos anteriores foram reaproveitadas na maioria das alas, e mesmo assim, a escola desfilou descontraída e cantando forte. A comissão de frente vestia uma roupa escura com detalhes em laranja e dourado, aparentemente representando soldados do tempo. A coreografia da ala tinha bastante repertório e interagia com o público a todo momento. O casal vestia uma luxuosa fantasia nas cores dourado e preto, com bastante brilho, executando todos os movimentos previstos no regulamento. A única alegoria da escola, provavelmente feita depois do incêndio, trazia o símbolo da agremiação na parte da frente e esculturas de relógios no espaço de trás. A Independente Tricolor levou o enredo “Utopia. É preciso acreditar!”.

Estrela do Terceiro Milênio

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Segunda escola a desfilar na noite, a Terceiro Milênio deu um show na passarela, o desfile foi aquém do esperado, pelo fato de a agremiação estar voltando este ano para o Grupo de Acesso I, depois de permanecer dois anos por lá. O canto da comunidade foi forte e com clareza em todos os setores. A comissão de frente fez a sua apresentação com vários personagens, simbolizando índios, as águas, e a personagem principal que vestia uma coroa, aparentemente representando a mãe d’água. A coreografia teve bastante repertório, os integrantes se cruzavam na pista o tempo, a ala usou um elemento alegórico que representava um barco.

O conjunto alegórico da escola foi ótimo, com destaque para o grandioso abre-alas, o azul predominava, representando o mar, com uma grande escultura de sereia. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Daniel Vitro e Edilaine Campos, usou uma fantasia com tons de roxo e verde água, simbolizando os índios. A porta-bandeira teve dificuldades com o pavilhão por causa do vento, mas não chegou a enrolar. Todos os movimentos obrigatórios foram realizados pela dupla. As fantasias também foram destaque, a Estrela do Terceiro Milênio optou pelo uso de materiais ricos na maioria das alas. O enredo que a agremiação levou para a avenida foi “No coração da floresta, nascem as estrelas que brilham no meu carnaval”, uma homenagem à Amazônia e aos trabalhadores de Parintins.

Nenê de Vila Matilde

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Uma das escolas mais tradicionais do samba paulistano, a Nenê de Vila Matilde, foi a terceira a desfilar e levou para a avenida a história da cerveja, e teve algumas falhas que pode comprometer o sonho da volta ao Grupo Especial. A comissão de frente mostrou uma dança onde os componentes exaltavam a personagem principal, que simbolizava uma deusa. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Cley Ferreira e Monalisa Bueno, usou uma fantasia em tons de amarelo, laranja e dourado, mostraram simpatia, uma coreografia clássica e cumpriram todos os movimentos.

O conjunto alegórico não deixou a desejar, a escola optou por alegorias de fácil entendimento, sem o uso de movimentos e esculturas grandes, mas com muitos componentes, o que deu vida aos carros alegóricos. Destaque para o abre-alas, com a famosa águia, que estava visualmente agradável. A escola optou pelo uso de materiais simples nas fantasias, mas não soube usá-los, pois dava para ver muitas vestimentas com elementos caídos ou soltos. O samba-enredo foi de difícil assimilação para os componentes, onde houve problemas com a harmonia em todos os setores.

Leandro de Itaquera

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Quarta escola a desfilar, a Leandro de Itaquera levou para avenida o enredo sobre a savana africana. O começo do desfile foi arrasador, o chão da escola foi impecável, os componentes cantavam com garra e estavam emocionados, além da bateria, com as bossas e paradinhas que levantaram a arquibancada. A comissão de frente vestia uma roupa bege e fazia coreografias dentro do samba, cruzavam a pista e trocavam de posições. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, ostentaram o pavilhão mais pesado do carnaval, que é bordado a mão, característica da escola.

José Luís e Jussara Souza fizeram os movimentos corretos, mas claramente a porta-bandeira se sentia incomodada com o adereço de cabeça. A ideia de execução das alegorias foi acertada, mas era perceptível falhas no acabamento, principalmente no segundo carro. A evolução da escola foi fraca, houve vários buracos e correria desde o minuto 40 aproximadamente, pois a último alegoria estava cruzando o setor A e a agremiação precisava cruzar a linha de chegada.

Mocidade Unida da Mooca

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Foi um desfile avassalador da MUM. Não pecaram em nenhum quesito, e o destaque principal foi o aspecto visual. Carros alegóricos com acabamentos surpreendentes e fantasias luxuosas, fizeram do módulo visual o ponto alto do desfile. Vale ressaltar a ideia que a escola teve de questionar o preconceito, trazendo alas com as frases “cadê o respeito?”, “a quebrada acordou”, entre outras. O samba também é bem afrontoso, o refrão principal se destacou, com a bateria fazendo paradinhas em alguns momentos deixando a arquibancada e a comunidade cantar em uma só voz.

A comissão de frente aparentemente representava guardiões, usando um tripé com um acabamento perfeito. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Jefferson Gomes e Janny Moreno, usando uma fantasia nos tons de reto, dourado e vermelho, ostentaram o pavilhão da Mocidade com elegância e simpatia. Com movimentos suaves, realizaram todos os movimentos que se pede no regulamento. Ano passado a escola pecou muito em evolução apesar do bom desfile, mas desta vez, o problema foi corrigido, o que credencia a Mocidade Unida da Mooca ao acesso para o Grupo Especial.

Acadêmicos do Tucuruvi

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Outra tradicional escola do carnaval paulistano, a Tucuruvi, foi a sexta a desfilar, com um enredo que homenageia Chico Anysio, sendo a comissão de frente o quesito destaque. A ala estava vestida de vários personagens de criação do humorista e mostrou muita simpatia e interação com o público, sorrindo bastante e acenando para o público na coreografia. Waleska Gomes e Luan Caliel, se destacaram pela coreografia, onde a porta-bandeira sorria de forma humorística, fazendo alusão ao enredo e a dupla realizou os movimentos conforme os itens de julgamento.

O desempenho da harmonia foi satisfatório, principalmente do segundo setor em diante, é um samba alegre que proporciona o componente brincar na avenida. Até pelo enredo com tom humorístico, a escola não se preocupou em usar fantasias luxuosas, escolheram materiais simples que foram usados corretamente. O mesmo se aplica nas alegorias, a Tucuruvi não optou pelo uso de carros alegóricos grandiosos recheado de luxo, todos tiveram uma fácil leitura, com destaque para a terceira alegoria, que representava a Escolinha do Professor Raimundo.

Camisa Verde e Branco

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Penúltima escola a desfilar nesta noite, e uma das apresentações mais aguardadas da noite, o “Trevo da Barra Funda”, agremiação tradicional e uma das maiores campeãs do carnaval de São Paulo, passou fria, mas plasticamente bonita, com alegorias bem detalhadas na proposta do enredo e um ótimo acabamento. A comissão de frente usou costeiros beges e saias de cores diferentes, aparentemente representando os orixás. Os outros personagens simbolizaram uma espécie de guardiões.

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Gabriel Vullen e Joice Prado, vieram com muita alegria, simpatia e elegância. Com a fantasia nos tons bege e vermelho, a dupla realizou uma coreografia clássica, introduzindo alguns passos do candomblé, cumprindo com os movimentos obrigatórios. A escola não cantou tão forte como se imaginava, mas os componentes ao menos demonstraram clareza no canto, o entrosamento com a bateria e ala musical foi satisfatório, destaque para o samba que foi bem interpretado pelo puxador Tinganá. Não teve problemas de evolução, não houve buracos e a agremiação passou no tempo. As alegorias focaram na representação dos orixás no candomblé, com destaque para a escultura da mamãe Oxum, no abre-alas. Talvez tenha ficado uma decepção pelo fato de o homenageado Carlinhos Brown não ter aparecido no desfile.

Vai-Vai

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Encerrando os desfiles do Grupo de Acesso I, a maior campeã do carnaval paulistano, a Vai-Vai deu um show de canto, tanto na pista como nas arquibancadas. A escola teve uma recepção calorosa da torcida em todo o Anhembi, com bandeirinhas, dando um belo visual ao Sambódromo. A comissão de frente fazia alusão a todos os momentos da escola, com personagens vestidos de sambista boêmios coreografando pela avenida com cadeiras nas mãos. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Ana Paula Penteado e Pingo, usaram uma fantasia preta e branca com tons em dourado.

A bateria de mestre Tadeu, levantou a arquibancada por onde passou. O conjunto alegórico foi irregular, dava para notar algumas falhas de decoração, principalmente se tratando do último carro. O problema principal da escola foi a evolução, teve que dar uma leve corrida no final e apresentou um buraco entre o abre-alas e a ala das baianas, em frente ao setor monumental, além de algumas fantasias que teve o uso de materiais simples demais, o que não dá clareza à leitura das vestimentas.

União da Ilha abre buraco gigante, estoura tempo e se complica no Grupo Especial

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Por Victor Amancio. Fotos: Allan Duffes, Isabel Scorza e Magaiver Fernandes

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Sexta escola a passar na avenida na primeira noite do Grupo Especial, a União da Ilha fez o pior desfile da noite errando feio na evolução. Abrindo um buraco imenso entre o setor 6 e o setor 10 atrapalhando todo o resto da escola, que teve diversos outros espaços abertos entre alas. Correndo muito a Ilha ainda assim estourou um minuto do tempo máximo e deve perder um décimo. Nas fantasias foram utilizados recursos próximos das roupas do dia a dia com pouquíssima carnavalização desta forma trazendo um desfile mais próximo do real.

Comissão de frente

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Coreografados por Leandro Azevedo o grupo de bailarinos se apresentou encenando a realidade vivida em muitas comunidades, onde o caminho mais fácil nem sempre é o caminho correto a ser seguido porém é o meio de sobrevivência. Crianças maltrapilhas iniciam a apresentação e saindo do tripé, que na parte de frente apresenta com uma mulher negra, sai uma menina fazendo alusão ao parto. Esta melhor vestida e acompanhada de uma mochila apresenta um livro mudando o rumo das outras crianças. Encerrando a comissão vislumbrando através da apresentação as crianças se tornando adultos com diversas formações e dando a ideia da educação sendo o caminho para salvar o futuro das crianças. A comissão não teve um momento de explosão, não caiu nas graças do público e a saída ainda atrapalhou a entrada do primeiro casal.

Mestre-sala e Porta-bandeira

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O casal da União da Ilha, Phelipe Lemos e Dandara Ventapane vieram representando seu Zé e Maria, em referência aos Exus que são os donos da rua. O casal enfrentou problemas na apresentação por conta do tripé da comissão de frente que demorava a sair da frente do módulo dos julgadores e atrasando a apresentação do casal. Por mais que eles tenham enfrentado esse problema a dupla dançou muito bem, com passos sincronizados e sem nenhum erro. Dandara com passos mesclando leveza e força confirma maturidade como porta-bandeira e Phelipe com seu gingado malandreado conduziu com maestria seu par. Dandara falou que o casal precisou improvisar na apresentação.

“A gente tem 4 anos de parceria, temos muita sintonia, hoje dançamos improvisando”, explicou Dandara.

Harmonia

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Por mais dos grandes problemas de evolução a escola teve um canto forte. O trabalho de harmonia do mestre Laíla foi perceptível. O problema não afetou o canto da escola e Ito comandou jogando pra cima o componente.

Enredo

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O enredo da União da Ilha retratou os principais problemas que afetam a sociedade mais pobre da população, mais precisamente o grupo sem privilégios que habita as comunidades e periferias. Fazendo um convite para o público conhecer essa realidade e apresentando as mazelas e alegrias vividas por esta parcela da sociedade a escola desfilou com 5 setores e não foi prejudicado pelas fantasias e alegorias que explicaram bem o enredo da escola.

Evolução

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Impressão de iniciar o desfile de forma lenta e por conta de um problema com o segundo carro, que ficou sem sair do lugar por um tempo, a escola abriu um buraco do Setor 6 até o Setor 10. Depois de solucionado o problema os componentes precisaram correr para alcançar o resto da escola e a evolução se tornou um caos abrindo buracos em diversos outros pontos. Por conta dos erros a escola estourou um minuto do tempo máximo e dever perder um décimo por não cumprir a obrigatoriedade.

Samba-Enredo

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O samba funcionou para o canto porém não passou bem para o público. Crescendo na voz e Ito a obra ainda foi abaixo do nível porém retratava bem o enredo da escola.

Fantasias

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Diferente do que as escolas apresentam habitualmente a União da Ilha desfilou com fantasias muito próximas do real e com pouca carnavalização. Por mais que explicassem bem o enredo algumas tinham problemas de acabamento como as 19, 21 e 23 que passaram deixando pela pista pedaços da fantasia.

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Alegorias

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O realismo foi o caminho que os carnavalescos Fran Sérgio e Cahê Rodrigues optaram para desenvolver o enredo da União da Ilha. Os carros era bem próximos da realidade e as composições em sua maioria usavam roupas normais dando ainda mais realidade para o desfile. Bem acabados e retratando o enredo o erro ficou por conta dos problemas motores do segundo carro que atrapalhou a escola.