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Colorado do Brás anuncia saída de carnavalesco

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Através das redes sociais, a Colorado do Brás informou o desligamento do carnavalesco Leonardo Catta Preta das atividades da escola.

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Segundo o texto publicado, a decisão foi em comum. A agremiação aproveitou também pra agradecer todo empenho e desejou boa trajetória ao artista. Leonardo desenvolveu o carnaval de 2017, 2018, 2019 e o último, de 2020.

Almir Reis, vice-presidente da Beija-Flor: ‘Fizemos desfile campeão, mas vou aguardar as justificativas’

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O vice-presidente da Beija-Flor de Nilópolis, Almir Reis, recebeu a reportagem do CARNAVALESCO no barracão da agremiação na Cidade do Samba para repercutir o quarto lugar obtido pela Deusa da Passarela no desfile de 2020. Embora a azul e branca tenha conseguido voltar às campeãs depois da má colocação de 2019, o dirigente não considera justas algumas notas atribuídas ao desfile nilopolitano e falou na entrevista que o desfile foi de campeão e que vai aguardar as justificativas para entender algumas notas que considera injustas.

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A Beija-Flor conseguiu fazer o seu resgate. Qual o próximo passo?

“Dar continuidade ao trabalho deste ano, manter o padrão. temos coisas a acertar, não da forma como fomos julgados. A comunidade gostou, viram a Beija-Flor de volta e o segredo é dar sequência”.

Apenas duas notas 10 para a harmonia da Beija-Flor que se notabilizou por dar aula nesse quesito. O que você acha que pode ter havido?

“Eu tenho que esperar a justificativa. Mas quando recebemos as notas de evolução voltamos para o páreo, eu achei que ganharíamos o carnaval. A gente sabe o trabalho que foi feito. A escola estava leve, empolgada, cantando o tempo toda. Quando tomamos o primeiro 9,9 foi uma surpresa, quando veio o segundo foi uma ducha de água fria. Preciso aguardar as justificativas para entender onde eles viram esses erros todos em harmonia”.

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Sobre o curso de jurados, você concorda que ele poderia ser mais consistente?

“No meu modo de ver a questão não é o curso ser aprimorado. A pessoa se tiver má fé você pode dar um curso uma semana que não vai adiantar nada. Agora se for um profissional sério ele vai fazer um trabalho correto. É uma questão de caráter. Eu não acho que seja devido ao curso que é dado não”.

Você acha que o título da Viradouro e o vice da Grande Rio com jovens carnavalescos representam uma renovação na estética dos desfiles?

“Tudo que fazemos tem renovação. Para todos o tempo passa. Vai acontecer comigo e com qualquer pessoa lá na frente. Eu fiquei muito satisfeito com os nossos experientes aqui, o Cid e o Louzada”.

Embora a Beija-Flor tenha gabaritado o quesito fantasias, a escola tirou um 9,9. Você acha essa nota injusta?

“Novamente, preciso aguardar a justificativa. Com todo respeito a outras escolas, mas teve co irmã tirando nota 10 que eu estou me perguntando até agora. As fantasias da Beija-Flor eram muito superiores. Eu preciso ler o que ele apontou para concluir aquilo que teve de errado”.

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O que pode ser trabalhado para 2020 para que a escola volte a conquistar o título?

“Eu particularmente me senti campeão. Se analisarmos o desfile com calma e seriedade você verá que fizemos desfile para vencer. Sem desfazer da Viradouro, que foi muito merecedora. Gostaria muito de ter sido campeão, mas considero muito justo esse campeonato deles. Vou esperar nossas justificativas para ver esses erros todos que a comissão julgadora apontou”.

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Muitos dizem que Anísio não quer mais investir na escola. O que tem de verdade nisso e como se manter competitiva sem ele?

“O Anísio tem 83 anos de idade. Está na hora dele descansar um pouco também. Acho difícil que ele se aposente, mas tirar um pouco o pé. Algumas coisas vão cansando, a falta de reconhecimento do poder público. Ano passado a escola fez uma aposta, não deu certo e vida que segue. Voltamos ao modelo tradicional esse ano, dentro de nossas condições. Usamos muito material alternativo. Deram o mesmo efeito. A palavra do Anísio vale muito. Ele enxerga coisas que nós não enxergamos”.

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Paulo Barros está na pauta da escola? Da para garantir Cid e Louzada para 2021?

“Fomos 11º lugar em 2019 e não fizemos mudanças. Fomos 7º em 2014 e não mexemos. Olha quanto tempo Selminha, Neguinho e Raíssa estão conosco. A gente não prende ninguém. A Beija-Flor não trabalha com contrato, aqui tudo acontece na palavra. Quem saiu, o fez porque quis isso eu te garanto. Não somos uma escola de ficar fazendo mudanças”.

‘Paulo é carnavalesco da Tijuca, só sai se quiser’, afirma Fernando Horta

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Por Philipe Rabelo

O retorno de Paulo Barros à Tijuca gerou grandes expectativas em torno do desfile da escola do Borel. O carnavalesco tirou a escola do jejum em 2010, foi vice em 2011, campeão novamente em 2012, terceiro em 2013 e no ano seguinte colocou mais uma vez o pavão tijucano na primeira colocação. Tais fatos fizeram que Paulo entrasse para a história da agremiação.

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Muito se esperava dos carros opulentos, que só funcionam na Sapucaí, das comissões de frente impactantes e de um enredo coeso. Mas a quarta-feira de apurações foi rude com o tijucano. Alegorias levaram 29,6, fantasias 29,7 e a comissão de frente, falha em todas as cabines, recebeu 29,4. Somando as notas dos nove quesitos subtraindo o décimo perdido por infringir o regulamento, a Unidos da Tijuca terminou o carnaval 2020 apenas na 9ª colocação.

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Entretanto, a má classificação não abateu o presidente Fernando Horta. O dirigente afirmou que os profissionais da Tijuca não são avaliados pela diretoria no desfile, e sim pelo trabalho feito durante o ano.

“As notas não discutimos. Não fazemos avaliações de nossos profissionais pelas notas. A avaliação é feita pelo trabalho durante o ano. Está muito cedo, vamos sentar e analisar tudo. Esse carnaval foi muito estressante, tanto fisicamente quanto financeiramente. Vamos esperar uns 30 dias para ver novos rumos”, disse.

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Sobre Paulo Barros, Horta foi sucinto.

“Paulo é nosso carnavalesco, só sai se ele quiser”, concluiu.

‘Ficando na Mangueira ou não, vou alçar novos voos em 2021’, afirma o carnavalesco Leandro Vieira

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O carnavalesco Leandro Vieira é o artista mais engajado dos desfiles atualmente. Não apenas com enredos que tem mensagens relevantes, mas por suas opiniões sempre firmes em relação aos rumos da festa. Depois de ganhar a Série A com a Imperatriz e colocar a Mangueira nas campeãs pelo quinto ano seguido, o artista já tomou uma decisão para 2021. Vai mudar sua linha de enredo. Isso não significa uma saída da Mangueira ou permanência na Imperatriz.

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Em entrevista concedida ao CARNAVALESCO após os desfiles de 2020, Leandro demonstrou serenidade ao analisar as notas recebidas em fantasias e alegorias, festejou os resultados de seus amigos Tarcísio Zanon, Marcus Ferreira, Leonardo Bora e Gabriel Haddad e disse ter recebido mensagens de mães de jovens do morro da Mangueira: ‘Aquele menino era meu filho’.

Você venceu a Série A com a Imperatriz em um desfile inesquecível. Conseguiu fazer uma Mangueira luxuosa que voltou nas campeãs e ainda ajudou a Caprichosos a vencer na Intendente. Que balanço você faz desse seu 2020?

“O mais importante foi ter assumido compromissos e ter cumprido com a certeza de fazer o melhor que pude. Na Caprichosos indiquei um profissional que achasse que desse conta. Ajudei dando conforto com a doação de materiais. Fico feliz que tudo tenha dado certo e a escola tenha conquistado o título. Na Imperatriz, fico satisfeito de ter aceitado esse desafio. Eu não fui pra lá para ser campeão, Fui para resgatar a dignidade da escola. É uma escola grande demais para não estar na elite. É a agremiação que esteticamente teve uma de minhas maiores referências, que é a Rosa Magalhães. Sobre a Mangueira tenho certeza que produzi um carnaval do tamanho da escola. Foi concluído com o que eu acho que organizando discurso e estética foi o melhor que pude fazer, independente de notas. Esteticamente foi superior em alguns momentos a trabalhos anteriores que fiz na escola”.

O pré-julgamento do enredo da Mangueira, com muitas polêmicas, prejudicou a concepção do seu trabalho?

“Acho que não. A única nota 50 da Mangueira foi o enredo. Essa ideia de se surpreender com o meu trabalho ter sido feito com respeito eu não consigo entender. Nos cinco carnavais que fiz aqui eu sempre fui respeitoso. Não tinha por que ser diferente agora. Minhas abordagens são culturais, de exaltação à cultura popular. Não fazia sentido eu ofender quem quer que seja. Em todos os meus carnavais eu toquei em aspectos religiosos, sempre respeitando, seja para falar de santo ou orixá”.

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Em sua opinião quando o carnavalesco gabarita em enredo é a concretização do trabalho de mensagem que ele quis passar?

“Sim. Meus enredos produzem imagem para a comunidade. O menino negro oxigenado e tatuado que eu coloquei como personificação de Jesus Cristo é um morador da Mangueira. Eu fiquei muito feliz com as mensagens inbox de minhas redes sociais. Mães me mandaram fotos de seus filhos, dizendo que aquela imagem remetia aos seus filhos. Com relação à nota, eu penso que foi bem justificado em termos de imagens e argumentos. Obtive retorno dos dois lados”.

Apenas duas notas 10 em fantasia e uma inexplicável nota 9,7. O que pode ter acontecido?

“Não discordo de nenhum tipo de avaliação. Eu acho que fazemos um trabalho para ser julgado. Todos têm expectativa de receber aceitação. Antes da justificativa a tendência é não entender. No momento eu comparo minhas notas com de outras escolas. Comparo minhas fantasias com as apresentadas em outras agremiações”.

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Esse é o mesmo sentimento com relação às alegorias?

“Mesma coisa. Uma alegoria é um trabalho de uma equipe gigantesca. O jurado deve ter encontrado algum motivo. Comparando visualmente com outras escolas, tenho a tendência a não entender tais notas, talvez com as justificativas eu consiga compreender”.

Muitos acharam o desfile da Mangueira frio, mas as notas vieram. Você acha que as pessoas se impactaram com a parte plástica e buscaram prestar atenção no lugar de cantar?

“Eu não sei explicar. Mas tenho certeza que as pessoas foram chamadas a prestar atenção na Mangueira. Não sei avaliar até que ponto calar-se diante de um desfile não é também envolver-se com uma apresentação. Não sei como explicar, mas ficar em silêncio também pode te deixar uma importante mensagem”.

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Para muitos a Imperatriz fez o melhor desfile da história da Série A, você concorda?

“Seria pretensão da minha parte dizer isso. Deixo para vocês. Mas com relação à Imperatriz ela juntou tudo que um grande desfile pode reunir: visual, canto e comunidade. Era nítido no desfile que a escola estava fazendo algo grande, mas não por causa do carnavalesco, mas por que a escola toda entendeu o desafio que era desfilar para voltar ao Grupo Especial”.

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E como decidir agora entre Mangueira e Imperatriz?

“Eu acho que não é uma questão de escolher entre uma e outra. Mas é uma decisão de trabalho. O carnavalesco assume compromissos anuais. Em 2020 eu cumpri os dois. Eu preciso agora vislumbrar quais os compromissos que desejo assumir. Isso não tem a ver com Imperatriz ou Mangueira, mas com planejamento de carreira. O que eu quero, para onde tenho que ir. Eu tento organizar o que realizo, pautado naquilo que eu penso. Primeiro vou saber o que quero depois conversar com as direções para saber se elas comungam com isso. Eu ainda não sei esse caminho”.

Depois de cinco carnavais na Mangueira chegou a hora de alçar novos voos?

“Alçar novos voos é algo certo. Incomoda-me um pouco o estigma de estar em uma prateleira. Não sou só isso. Eu posso fazer isso dentro da Mangueira. Quem quis fazer o que fiz até agora fui eu. Decidir não fazer também é uma decisão minha. O viés do meu próximo enredo será diferente. É ruim para o artista isso. Eu sei fazer qualquer coisa. Para negar o rótulo faço o que eu quiser. O rótulo corta asa e quero-a aberta”.

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Dois jovens carnavalescos campeões na Viradouro e vices na Grande Rio. É uma marca de mudança na estética do carnaval?

“Eu tenho certeza disso. O resultado das campeãs mostra uma renovação. Das seis escolas, três não tem 10 anos de carreira. Eu acho ótimo. Quem começou essa renovação foi a Mangueira comigo em 2016. Quando cheguei aqui o pensamento era eu dividir com um medalhão. Isso já faz cinco anos. Ganhei novamente em 2019. Agora os atuais vencedores formam uma dupla, sem medalhão. Os vice-campeões também. O júri está consagrando a oxigenação da festa. O carnaval para existir precisa se renovar”.

É só dar o play e curtir: arrancadas das campeãs do Grupo Especial de São Paulo em 2020

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Beija-Flor convida mestres de escolas que não estarão nas campeãs para desfilarem na escola

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A Beija-Flor de Nilópolis será a terceira a desfilar neste sábado das campeãs. Quarta colocada no julgamento do Grupo Especial, a azul e branca convidou os mestres de bateria das agremiações que ficaram de fora da festa: Portela, Vila Isabel, Unidos da Tijuca, Tuiuti, São Clemente, Estácio de Sá e União da Ilha.

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O vice-presidente da Beija-Flor, Almir Reis, explicou ao site CARNAVALESCO o motivo da decisão de confraternização de todos os mestres no desfile da azul e branca.

“Foi um carnaval muito complicado para todo mundo. Eu acho justo convidar as outras escolas também. Chamamos todos os mestres para estarem à frente da nossa bateria. O samba precisa de união”, concluiu.

Transmissão do sábado campeãs do Rio e de São Paulo: saiba onde assistir

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Os desfiles das escolas campeãs do Rio de Janeiro e de São Paulo acontecem neste sábado, na Sapucaí e no Anhembi, respectivamente. O primeiro começa às 21h30 e o segundo terá início às 22h. Em nenhum dos dois espetáculos haverá transmissão na TV aberta ou no cabo. Porém, o sambista terá opções para assistir aos desfiles das melhores escolas de 2020.

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No Rio de Janeiro, o portal G1, da TV Globo, fará a transmissão ao vivo pela internet. A transmissão de São Paulo será feita pela Liga-SP em seu canal no Facebook e no Youtube. Por questões contratuais, nenhum outro veículo pode transmitir os desfiles em vídeo das duas praças.

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Vão passar pelo Sambódromo do Rio as escolas: Mangueira, Salgueiro, Beija-Flor, Mocidade, Grande Rio e a campeã Viradouro. No Anhembi vão desfilar: Morro de Casa Verde (campeã do Acesso B), Tucuruvi (vice do Acesso), Vai-Vai (campeã do Acesso), Vila Maria, Tatuapé, Mocidade Alegre, Mancha Verde e a campeã Águia de Ouro.

Entrevistão com Julinho e Rute, da Viradouro: o casal nota 50 e vencedor do Estrela do Carnaval Vivant! 2020

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Juntos há 13 carnavais, com passagens por escolas como Unidos de Vila Isabel e Unidos da Tijuca, o casal Julinho e Rute, juntos, acumulam quatro títulos, três no Grupo Especial e um na Série A. O casal campeã de 2020 com a Viradouro conversou com a reportagem do CARNAVALESCO para a série ‘Entrevistão’ e revelou que a escola com todo suporte oferecido foi fundamental para o segredo do sucesso.

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Qual a importância de todo o suporte que a Viradouro dá para vocês?

Rute: “Na minha opinião, a Viradouro dá tudo que um casal precisa. Tudo! Primeiro, o respeito ao casal. Não é porque a escola tem uma condição financeira melhor ou pior, mas, desde o momento que os gestores te ouvem, os nossos presidentes nos ouvem, isso é muito importante. Uma coisa que, se a gente não tivesse vindo para Viradouro e ter a estrutura que tem, talvez, o casal Ruth e Julinho nem existisse mais. A gente estava em um desgaste, por ser só a gente. Era nós dois para tudo. Nós somos seres humanos. Eu e Júlio, a gente não briga nunca, a não ser quando estamos montando coreografia (risos) e agora nem tem mais isso porque agora a gente tem alguém conosco. Eu lembro que quando a gente estava para sair da Tijuca, eu falei para ele: ‘Júlio, para onde quer que a gente vá, não importa a direção para onde a gente vai, mas a gente precisa de um coreógrafo’. Teve uma escola que só queria o Júlio, teve uma outra que só me queria. Na Tijuca, só tivemos um espaço para ensaiar quando a fantasia veio e quando a gente colocou a fantasia, sexta ou sábado antes do carnaval, nos olhamos no espelho, e achamos que estava horrível. E aí, como consertar um dia antes do desfile? É muito complicado. Eu posso enumerar tudo que a gente tem na Viradouro, mas o mais importante é o respeito. A gente tem o coreógrafo, a gente tem um professor de contemporâneo. Ano passado tivemos aula na Deborah Colker e esse ano a escola trouxe o professor para ficar conosco. Temos personal trainer, nossa fantasia é feita em um local que a gente escolhe, um local que a gente confia. A escola é comprometida com ateliê, ou seja, tudo que um ateliê pede para poder confeccionar a fantasia.Na Vila Isabel mesmo, sábado de carnaval o Júlio teve que ir buscar a fantasia no ateliê. Isso é muito ruim até para o psicológico do casal. Somos só nós dois e a gente precisa de estrutura. Não existe nada que a gente peça, que eles veem que é importante para nós, que eles neguem. Só peço a Deus e a toda a minha fé para retribuir a eles com as nossas notas, que é o mínimo que a gente pode fazer. É o mínimo que a gente pode fazer por eles e pela nossa comunidade. Eu e o Julinho dançamos há 13 anos e há 13 carnavais. Eu há 23 anos e o Júlio 30. A primeira vez que um presidente foi ver um ensaio com a fantasia no ateliê foi na Viradouro”.

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Julinho:  “A estrutura que a Viradouro oferece para nós, óbvio, que em outras escolas alguns casais têm. Como ela disse, o respeito, o carinho, sabe? Não é que as vezes pode parecer uma coisa bem vaidosa, que trate a gente como uma joia, como falam no futebol. Não, não tem. Eles tratam a gente como seres humanos, profissionais. Temos uma certa vivência no carnaval, somos comprometidos com a escola, somos comprometidos com a nossa função, como mestre-sala e como porta bandeira independente de qualquer coisa eesse olhar que eles têm para nós, é como se eles transmitissem isso, oferecendo toda estrutura que é necessária. Estão sempre perguntando se a gente precisa de algo. Próximo ao último carnaval, o nosso presidente queria marcar para conversar a gente e aí passa aquela sensação de preocupação, a gente pensa que tem algo errado e a gente fica naquela loucura, porque nunca passamos por isso. É encontro no barracão, encontro na quadra; fala, cumprimenta. Tem vezes da gente só encontrar o presidente quando está dando a bandeira e saudando eles no pavilhão. E de repente o presidente quer marcar para conversar com a gente. Insistiu por conta da dificuldade de achar um lugar e um horário comum com a gente. Sabe, era apenas um almoço de maneira informal e ele queria saber como nós estávamos, se estávamos bem, se estávamos precisando ainda de alguma coisa. Ele já tinha ciência do nosso trabalho de preparação física, tinha ciência da nossa indumentária, que já estava pronta. Ele quis, simplesmente, sentar com a gente. Imagina um presidente que tem mil coisas para resolver, não que não seja importante o nosso quesito, mas ele quis sentar com a escola inteira. Então, por que eu quis contar essa história? Para dizer que assim, é um quesito que como todos os outros que merecem atenção. Porque na hora de divulgação das notas, é com cada nota de cada quesito que ele conta para alcançar o objetivo. Sim, já fomos bem tratados em outras escolas mas dessa maneira, de forma humana, que eles fazem não. E a gente não tem como retribuir de outra forma. É o comprometimento e empenho”.

Julinho: você imaginaria estar nesse lugar hoje? No início de carreira, você já projetava o seu futuro em relação ao sucesso de mestre-sala?

Julinho. “Comecei com sonho de criança. Naquilo que a gente se propõe a sonhar como criança. Eu comecei muito novo, comecei a dançar com a Vilma eu tinha 15 para 16 anos. Eu tinha o sonho de ser um grande mestre-sala. O meu pai veio a falecer no ano que eu estreei com a Vilma e no sepultamento do meu pai, no calor da minha emoção, de estar perdendo o ídolo da minha vida eu prometi para o meu pai que um dia eu ia ser considerado um grande sambista do carnaval, um grande mestre sala no carnaval. Eu tinha 16 anos de idade. Passei por muitas coisas difíceis e que bom que eu passei por muitos momentos difíceis no carnaval, isso ajudou a construir a minha identidade, a minha conduta, coisa que o meu pai mais me cobrava. Porque isso daí é o principal, isso vale mais do que qualquer êxito que eu tenha profissionalmente ou tecnicamente no carnaval. Então assim, hoje, eu me vejo como um mestre-sala, que também é uma referência para os jovens que estão surgindo. Isso aumenta a minha responsabilidade, como eu sei também que hoje eu tenho uma porta bandeira que é, desculpem as outras, a mais ‘top’, não existe igual, não tem porta-bandeira como essa. Ela mistura tudo. Ela mistura garra, emoção, leveza. É a Ruth Alves. Se hoje eu posso dizer que eu conquistei alguma coisa de grande no carnaval eu posso dizer que é uma grande parceria”.

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Rute: você é apontada como uma das portas-bandeiras mais “raçudas” da avenida. Aquela energia vem na hora? Você tem algum “controle”?

Rute: “Eu estou apreendendo há 13 anos a ter controle (risos). Minha inspiração sempre foi a Maria Helena. Eu sempre admirei a garra, a raça dela. Ela sempre foi a minha referência., minha ídola como porta-bandeira. É sonho realizado. Se você ganha na mega-sena, você vai fazer o que? Você pula, você grita, você bate no peito. Ali, a gente está tendo um privilégio de levar um pavilhão com 4 mil pessoas. Estamos representando o manto de 4 mil pessoas. Eu não conheço os fundadores da Viradouro mas um dia uns senhores sonharam de alguma forma em fundar essa escola, e talvez nem tiveram a oportunidade de vê-la na Marquês. A gente tem esse privilégio. Como fazer por menos? Como não cantar um samba que exalta essas mulheres guerreiras que a gente tem hoje? A gente tem uma bateria do Ciça, a gente tem a voz do Zé Paulo, tenho esse cara dançando comigo. Eu juro para você depois que vejo penso que tenho que ser menos pois fico parecendo uma maluca. Eu estou aprendendo a me controlar, principalmente ali no primeiro recuo, quando está tendo o esquenta. É mais difícil ainda quando a gente vê a nossa família, nossos amigos, alguém que você as vezes nem enxerga mas está gritando o seu nome. O setor 1 é o termômetro”.

Foi difícil abrir mão da elite para desfilar na Série A? O que motivou?

Julinho: “Eu sou um pouco avesso a mudanças bruscas mas as vezes elas acontecem e a gente não entende o motivo. Óbvio que bate uma preocupação, estávamos tanto tempo desfilando e sair do convívio, não desmerecendo a Série A, mas estávamos saindo de um lugar que passamos bastante tempo, no lugar onde todos querem estar. Dá um frio na barriga. Já passei pela Séria A, no nosso processo de evolução passamos por grupos ‘menores’, porém eu mantive a fé e o pensamento positivo. Deus estava colocando algo novo para gente e achamos que seria importante para nós. Depois que a gente sentou e ouvi a Viradouro, tínhamos outras escolas para ouvir, do Grupo Especial, inclusive, não quisemos mais ouvir ninguém. Era a Viradouro. Viemos de peito aberto em busca de renovação, de ânimo. Juntos somos fortes como parceiros, não ruímos, e seguimos juntos. Foi um grande crescimento. Melhor dar um passo para trás e depois dar outros para frente. Continuamos trabalhando firmes e fortes. Cada ano é um ano”.

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Rute: “Eu passei mais pela Série A do que o Julinho. Fui para Vila e para o Porto da Pedra enquanto estavam lá, graças a Deus sempre subindo com a escola. Somente na minha estreia na São Clemente que não consegui esse feito por conta da escola em que o Julinho estava. Ficamos empatados, Tradição e São Clemente, tenho raiva dele por isso ainda (risos). Somos família, frequentamos a casa um do outro, os filhos deles eu tenho como sobrinhos. Nos fortalecemos, não queríamos nos separar e estávamos em busca de uma estrutura que nos deixasse bem. Se continuássemos do jeito que estava certamente o casal teria se separado. Tínhamos opção de continuar no Especial mas separados, mas não foi nossa vontade. No primeiro contato com a Viradouro acabou, pelo tratamento, pela forma que conversaram com a gente. Depois que fomos, ao longo do processo eu não senti diferença nenhuma. Viradouro tem uma comunidade forte. Escolhe o samba no sábado e na terça-feira a quadra está lotada. Estrutura do barracão, dos carros e até mesmo a estrutura que nós tínhamos, tem escola do Especial que não tinha. Sabíamos que se tudo desse certo no desfile voltaríamos ao Grupo Especial. Teve gente que zombou, gente da mesma classe que a nossa que pede respeito em rede social mas na hora de respeitar o outro não age da forma que prega. Mas sem dúvidas, antes mesmo de voltar ao Grupo Especial, tínhamos suporte melhor do que de muitos casais que estavam”.

Rute: qual porta-bandeira é sua referência e motivo?

Rute: “Maria Helena foi uma porta-bandeira que eu sempre vi e admirei muito. Pela garra dela. Ela me contou uma situação em que a Imperatriz passava por dificuldade e ela pegava produtos de limpeza da sua casa para lavar os banheiros da quadra; que ela descia com a fantasia dela de kombi. Entrava na avenida com aquela fantasia pesada, com aquele giro maravilhoso. Eu louvo e saúdo Maria Helena”.

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Julinho: qual mestre-sala é sua referência e motivo?

Julinho: “Mestre Delegado. Eu tenho várias referências mas acho que não tem como não escolher ele. Tem inúmeros que eu admiro mas eu acho que pela história dele, não teria como ser diferente. Hoje casais tem estrutura, fazem aula de balé, tem todo um suporte e antigamente não tinha nada disso. Óbvio que a dança evoluiu, uns dizem que regrediu, mas lá trás não tinha nada. O cara passava sebo de carneiro na canela, preparação física dele era subir e descer o morro. São situações pitorescas que me encantam tanto quanto a dança e o trabalho que ele desenvolveu. Não tinha vídeo como se tem hoje, não temos muitos arquivos e eu criança me lembro de ter visto. Tem uma situação que vivi, cursava Educação Física na UERJ e teve uma festa folclórica, eu estava lá sentado assistindo e foi a Mangueira do Amanhã. Quando vejo, mestre Delegado. Ali foi a primeira vez que tive um contato com ele. O casal mirim dançando, alguém pediu para que o Delegado dançando com a porta-bandeira e ele dançou. Eu impressionado olhando. De repente me chamam para dançar e acabei indo. Ele fez questão de ficar dançando comigo e a menina. Quando ele faleceu, fui no velório e o filho dele Ésio do Pandeiro me chamou e falou que o mestre Delegado era meu fã e que gostava de mim dançando. Foi situações que me marcaram. Nunca falei isso para ninguém, mas ele me disse que o pai dele era meu fã. Ele gostava do meu trabalho”.

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Como vocês avaliam a passagem pela Unidos da Tijuca, onde viveram altos e baixos?

Rute: “Foi importante. Ficamos mais tempo na Vila Isabel mas já estava acontecendo um desgaste e quando fomos convidados para irmos para Tijuca foi como um novo fôlego, saímos da Vila campeões e chegamos na Tijuca com um título. Da mesma forma que o seu Fernando escolheu a gente para defender o pavilhão da escola, ele tem o direito de achar que não estávamos mais aptos para tal função. Fica o carinho, a amizade. Foram altos e baixos, chegamos com uma Tijuca campeã e saímos com a escola quase rebaixada após o acidente no ano de 2017. O desfile foi muito difícil, um carnaval trágico. É difícil falar e lembrar, o último desfile marcou muito mais que o que primeiro com o título. Porém eu acredito que tudo seja aprendizado, não só falando do desfile mas como do processo. De tudo que Rute e Julinho passaram para chegar na avenida. Nosso processo foi muito complicado, fomos sozinhos para muita coisa. O casal hoje que trabalha sozinho só consegue bons resultados por milagre, hoje é preciso uma estrutura e nós não tivemos na Unidos da Tijuca. Graças a Deus tudo que faltou na Tijuca hoje sobra na Viradouro”.

Julinho: “Nossa passagem pela Tijuca foi muito marcante. É uma escola da moda e chegamos num grande momento, campeões na Vila e logo em seguida na própria Tijuca. Chegamos na escola com bastante orgulho em estar lá e as pessoas nos receberam da mesma maneira, com orgulho de nos ter defendendo o pavilhão da escola. Algumas coisas que não tivemos, não vou colocar apenas isso como catalizador dos altos e baixos que vivemos, cada ano é um ano, mas ocorreram algumas coisas que hoje aqui na Viradouro a gente enxerga o quanto é importante para o casal. Isso fez falta para nós, em termos estrutural e de trabalho, como a Rute falou. Hoje o casal até pode fazer um bom trabalho, mas comparando casais que têm suporte, estrutura, auxílio, como qualquer outro quesito, o resultado é superior. O casal precisa ser ouvido. Da Tijuca ficou o aprendizado, o carinho que as pessoas tem conosco e não tenho nada para falar do seu Fernando, que foi super correto com a gente. Fica a relação que construímos independente do trabalho”.

O desfile de 2019 está em que lugar no coração de vocês?

Rute: Eu vou além, tão importante e significativo quanto o de 2019 é o desfile de 2018. Para chegarmos até o vice campeonato, com gostinho de vitória, com a ajuda das nossas notas, tivemos que passar por 2018. Para mim e para o Julinho o ano foi muito importante, pelas dificuldades que a gente tinha vivido anteriormente. Em 2019, só não foi uma consolidação porque faltou o campeonato, a escola não fez carnaval para se manter, fez para ganhar. Com respeito a escola campeã, eu acredito que merecíamos ganhar sim”.

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Julinho: Não posso deixar de ressaltar que 2019 foi um ano surpreendente, para nós dois, para escola. Depois do êxito na Série A, o retorno ao Grupo Especial sendo a segunda escola a desfilar no domingo, com chuva. Eu acho que a confiança que tínhamos no nosso trabalho, todo suporte que a escola nos ofereceu, passaram uma confiança muito grande para gente realizar um grande desfile. O ano de 2019 fica marcado, após um ano anterior maravilhoso, as condições em que a escola chegava ao Grupo Especial, com muita força de vontade e trabalho duro, podermos ajudar a escola nesse vice-campeonato”.

Julinho imaginaria que daquela parceria com a Danielle na Tradição ambos alcançassem o status que alcançaram?

Julinho: “É uma pergunta um pouco complicada de responder. Eu não sei onde eu cheguei. Eu estou dançando faz muito tempo, e estou dançando com uma porta-bandeira que, enfim, é uma alma gêmea, é uma irmã. Eu reconheço que no momento que eu dançava com a Daniele, foi um momento de busca de maturidade, tanto minha quanto dela. Eu comecei um pouco antes com a mãe dela, e depois eu dancei um bom tempo com ela. Nós fomos construindo essa maturidade, cada um do seu jeito sob um olhar de uma porta-bandeira que dispensa comentários. E, por ironia do destino, nós nos separamos e acredito que não era o desejo da Vilma, mas aconteceu, como já aconteceu com muitos casais na história do carnaval, e, assim, acredito que Deus quis assim. Deus escreve certo por linhas tortas e quis que ela seguisse um caminho, buscando a maturidade dela como porta-bandeira para fazer o nome dela como porta-bandeira, para não ser a eterna filha da Vilma, e ela está trilhando o caminho dela. Hoje também está no Grupo Especial como uma grande profissional, e eu fui seguir um outro caminho, mas nunca deixando de ter o amparo da Vilma. De vez em quando ela vem, me dá uns toques, fala para mim o que está bom e o que não está. Então assim, não perdi isso, mas ao mesmo tempo, na minha caminhada eu encontrei a minha irmã, a minha alma gêmea, que aí estamos há 13 anos juntos, e quando você fala que eu cheguei, eu não sei onde mas eu acredito que eu cheguei em algum lugar, ao lado de uma grande porta-bandeira e acima de tudo uma irmã, uma amiga, uma parceira para vida toda”.

Carnavalesco se despede do Império de Casa Verde

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O carnavalesco Flavio Campello utilizou as redes sociais nesta sexta-feira pra informar desligamento do Império de Casa Verde.

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No comunicado, o artista agradeceu à escola e relembrou com carinho os carnavais que desenvolveu.

“Ciclos que se iniciam, e ao mesmo tempo terminam, de desafios que se inicia e se concluem abrindo espaços para novas experiências. Foram dois anos intensos. Lutamos juntos, choramos juntos, sorrimos juntos, vivemos intensamente como uma família que busca um objetivo. Uma despedida com desejo de até breve”, relatou Flávio Campello.

Portela renova com Márcia e Renato Lage

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A diretoria da Portela renovou, nesta sexta-feira, os contratos dos carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage.

renato lage

“O trabalho do Renato e da Márcia foi sensacional. O público e a imprensa elogiaram bastante a passagem da Portela na Avenida. E o mais importante de tudo: o portelense também gostou. Por isso, o casamento tem que continuar. Agora, vamos analisar o desfile, corrigir as falhas e fazer um carnaval ainda mais bonito e competitivo em 2021”, destacou o presidente Luis Carlos Magalhães.