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Com emoção e técnica, Tatuapé grava samba de 2026 exaltando a força da comunidade

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A Acadêmicos do Tatuapé reuniu seus segmentos, na Fábrica do Samba, para registrar o samba-enredo que vai embalar o Carnaval 2026. O clima era de sintonia e orgulho coletivo. Sob a voz marcante de Celsinho Mody, a direção musical de Tchelo, o comando da bateria de mestre Cassiano Andrade e a gestão do presidente Erivelton Coelho, a escola confirmou o que já se esperava: um trabalho construído com emoção, técnica e profundo envolvimento da comunidade. O intérprete Celsinho Mody destacou ao CARNAVALESCO a energia contagiante que marcou a gravação.

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Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

“A energia positiva continua no estúdio. O arranjo foi muito bem trabalhado, e tudo começou ainda na fase de junção dos sambas, quando chegamos a um grande resultado. É um samba coeso, homogêneo e muito bonito”, afirmou.

Ele ressaltou o papel coletivo na construção da obra, que contou com nomes como mestre Cassiano, Caio Sena, Léo Gomes, Chocolate e André Ricardo.

“Sempre buscamos valorizar muito as cordas, o cavaco, o violão e, neste enredo, a sanfona também se fez necessária, pois a letra pedia esse elemento. Esse arranjo foi construído com muito cuidado e união”.

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Para Celsinho, o samba é um acerto da diretoria e carrega uma mensagem que ultrapassa o desfile.

“É um tema que toca profundamente o meu coração. Além da seriedade histórica, o ponto mais importante é a mensagem de esperança de construir uma nação melhor, valorizando o trabalhador da terra e o fruto que ela nos oferece”.

O intérprete também fez questão de reconhecer a estrutura da Liga-SP durante as gravações.

“Gravar aqui é um prazer. Existe um carinho e um respeito imensos. O profissionalismo da equipe é exemplar. São Paulo está consolidando um sistema que fará história”.

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Intérprete Celsinho Mody

Inovação e emoção na batida do Tatuapé

O diretor musical Tchelo contou que o grupo buscou uma introdução diferente para gerar empolgação logo no início.

“Neste ano, preparamos uma largada com grande participação da comunidade. Em seguida vem o samba característico do Tatuapé: alegre, vibrante e potente”.

Segundo ele, o momento mais forte está reservado para o final. “A parte final é muito emocionante. É justamente o trecho em que faremos o apagão para o público cantar. A comunidade já está ensaiando com entusiasmo, e acredito que vai emocionar de verdade”.

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Tchelo ressaltou que a escola pensa o samba a partir de sua própria identidade. “A estrutura do nosso samba, às vezes, difere das demais escolas. Buscamos sempre algo que tenha a cara do Tatuapé: alegria, energia e emoção. É isso que faz o público cantar com intensidade”.

O diretor também valorizou a presença feminina na gravação. “As vozes femininas seguem com papel fundamental. Elas são muito importantes e acredito que irão surpreender”.

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Diretor musical Tchelo

Sincronia e respeito à obra

O comando da bateria Azul e Branco está novamente nas mãos de mestre Cassiano Andrade, que exaltou o preparo e a sintonia entre os ritmistas.

“Nos preparamos bastante. Já chegamos à gravação com tudo muito estruturado: arranjos, apagões e bossas alinhadas à melodia. A prioridade é o samba, não apenas a bateria. Trabalhamos sempre pensando nos componentes e na escola”.

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Cassiano destacou o equilíbrio entre técnica e emoção. “Os refrãos são ótimos, mas as partes de desenvolvimento do enredo também têm força. Gosto muito dos trechos em que entram as bossas. É quando conseguimos expressar o que queremos transmitir com a melodia e o ritmo”.

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Mestre Cassiano

Orgulho e profissionalismo

Para o presidente Erivelton Coelho, o resultado é motivo de grande satisfação. “É um motivo de muito orgulho. Isso comprova que temos uma equipe concentrada, competente e comprometida. Saímos daqui com o sentimento de dever cumprido e de muita satisfação. Agora é seguir com a preparação para oferecer um grande espetáculo”.

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Presidente Erivelton Coelho

Ele também enalteceu a evolução da Liga-SP. “Desde a gestão do presidente Sidnei e agora com o presidente Tomate, o trabalho vem crescendo. O Carnaval de São Paulo está mais profissional, organizado e motivo de orgulho. O nível de qualidade que alcançamos hoje emociona quem vive essa festa há muitos anos”.

Um samba com alma

A gravação do samba-enredo do Tatuapé para 2026 reforça o DNA da escola: emoção, união e respeito à sua comunidade. A obra traduz não só o enredo que exaltará o trabalhador da terra, mas também a esperança de um futuro melhor — um sentimento que, como o próprio samba, pulsa forte no coração do Anhembi.

Integrantes da Grande Rio gravam samba para o Carnaval 2026 embalados na energia do Manguebeat

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A Grande Rio realizou a gravação do samba-enredo para o álbum do Carnaval 2026 no Estúdio Century, no último dia 29 de setembro. A atividade reuniu diversos integrantes e segmentos da escola para registrar oficialmente a obra. A agremiação de Duque de Caxias levará à Avenida o enredo “A Nação do Mangue”, de autoria do carnavalesco Antônio Gonzaga, que abordará o movimento Manguebeat, surgido em Recife, suas inspirações e ícones, como Chico Science. O CARNAVALESCO acompanhou a gravação e conversou com alguns participantes sobre o momento.

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Foto: Divulgação/Rio Carnaval

O cavaquinista Marquinhos Silva, integrante da Tricolor desde 2023, destacou a emoção de participar mais uma vez da gravação e de contribuir para o nascimento de uma nova versão do samba, agora moldada pelo time musical da escola.

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“Participar mais um ano da gravação, na construção da parte da Grande Rio, é um privilégio, uma honra, uma oportunidade excepcional. A gente pega o samba que vem da disputa, elimina toda a faixa e fica só com a voz, a letra, a poesia, transformando no que se ouve hoje aqui. Se comparar as duas gravações, elas são totalmente diferentes. É um processo maravilhoso, que mexe muito com a gente e coloca o jeitinho da Grande Rio em uma obra que já era perfeita. Acho que fica ainda mais perfeita”, afirmou.

Ângela Sol, uma das vozes mais respeitadas do mundo do samba, conhecida por participar de coros de sambas concorrentes e oficiais, falou com emoção sobre o convite para integrar mais uma vez o time de gravação.

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“É uma felicidade enorme, uma autoestima renovada. Todo ano sou convidada a participar do coro oficial, além das gravações dos sambas concorrentes. Isso não tem preço. Eu gosto muito e estou muito feliz por cantar esse maravilhoso samba. Me emociono sempre que o escuto e hoje, ainda mais, por poder interpretá-lo”, contou.

Os ritmistas Evelyn Santiago e Christian Ferreira, da bateria da Grande Rio, também participaram da gravação. Evelyn, que integra a bateria desde 2009, destacou a conexão espiritual e ancestral evocada pelo samba.

“É arrepiante participar. A ancestralidade que o samba traz é muito forte a questão da lama, da espiritualidade que envolve o Manguebeat. Tudo isso mexe profundamente com a gente”, disse.

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Christian, presente na bateria desde 2010, também se emocionou com o simbolismo do enredo.

“É lindo. É uma história simples que virou um carnaval grandioso. A ancestralidade me toca muito porque sou de orixá, então tudo isso mexe ainda mais comigo. Muita gente precisa entender que lama não é sujeira. Lama também é riqueza, é de onde surgem coisas valiosas”, ressaltou.

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Ele completou: “Sempre é uma grande emoção gravar com a escola do coração. O samba é forte, o enredo é forte, e fala do mangue, da lama, de onde saem muitas coisas que podem ser bem aproveitadas. Eu vejo esse samba como um diamante tirado da lama, como acontece em muitas comunidades”.

Guma Sena celebra qualidade do projeto audiovisual da Liga-SP para o Carnaval 2026

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No último domingo, foram encerradas as gravações do projeto audiovisual da Liga-SP para o Carnaval 2026. O trabalho teve início na semana do dia 16 de novembro, com a participação de 16 escolas. Na semana seguinte, as demais agremiações gravaram seus áudios e vídeos, completando o total de 32 entidades filiadas à Liga-SP.
Uma das novidades em relação ao ano anterior foi a inclusão das escolas do Grupo de Acesso 2, que sempre apresentam sambas fortes e comunidades engajadas com seus pavilhões. Vale ressaltar a impecável estrutura montada pela empresa Sala 22 Áudio e Vídeo, em parceria com a Liga-SP, sob a liderança do técnico em transmissão Guma Sena, responsável pela direção geral do projeto. O profissional conversou com o CARNAVALESCO e compartilhou detalhes sobre o trabalho desenvolvido.

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Foto: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

Confiança no trabalho

Durante muitos anos, Guma Sena foi conhecido como mestre Guma, atuando em diversas agremiações. Hoje, o profissional direciona sua carreira exclusivamente ao audiovisual, por meio da empresa Sala 22, mas não deixa de reconhecer a importância do caminho percorrido dentro do carnaval.

“É um sentimento de gratidão. A gente tem uma bagagem gigantesca, e o carnaval me proporcionou tantas coisas. Hoje tenho o privilégio de estar do outro lado, fazendo uma direção com um olhar mais técnico, uma responsabilidade enorme. No ano passado, quando assumi oficialmente a direção do projeto audiovisual, foi uma experiência muito bacana. Tivemos dificuldades, sim, mas acredito que este ano já tínhamos a experiência e o apoio total da Liga-SP para colocar uma estrutura à altura do que é o carnaval, principalmente na parte visual. Isso foi fundamental. Ter esse suporte e ver a Liga acreditando no nosso trabalho fez toda a diferença”, afirmou.

Ele também fez questão de agradecer a todos os profissionais envolvidos.

“Graças a Deus, o resultado foi muito positivo. Acho que foi unânime o feedback das escolas e do público nas redes sociais sobre a valorização do produto. Estou muito satisfeito e feliz. Este ano, praticamente dobramos a equipe técnica. Quero agradecer a todos: as meninas da limpeza, que são fundamentais; o pessoal do áudio, do LED, da luz e da produção da Liga. Todo mundo trabalha em equipe. São pessoas que não aparecem, mas são importantíssimas. Agora vamos para a segunda parte, que é a edição. Saímos daqui completamente satisfeitos”.

Mudanças técnicas

Guma assumiu o projeto audiovisual das faixas de samba-enredo em 2024, para o Carnaval 2025. Segundo ele, a principal transformação neste novo ciclo está na experiência de quem vai ouvir os sambas.

“O que mudou em relação ao ano passado foi a estrutura. A principal diferença é a experiência de quem vai ouvir. A ideia é retratar o ‘ao vivo’: todo mundo cantando, aquela energia de desfile. Reproduzimos isso aqui, de forma compacta, em formato de arena, com todos participando simultaneamente, coral, canto e música, para proporcionar uma experiência de avenida mesmo”, explicou.

Em comparação com o ano anterior, o formato se tornou mais natural e privilegia o som real da pista.

“No ano passado fizemos um trabalho mais técnico, gravando a base e depois os inserts. Já pensávamos em fazer o formato ao vivo, mas era uma novidade. Seguimos os moldes que vinham sendo usados. Este ano, não. Decidimos apostar 100% no ao vivo: um take valendo, todo mundo cantando, com a energia da escola”, completou.

Preparação das escolas

A equipe do CARNAVALESCO acompanhou as gravações das 32 escolas e observou que o processo foi mais ágil em relação ao ano anterior. As escolas entravam juntas na sala, coral, bateria e ala musical, e a captação era feita em três etapas: gravação de áudio e vídeo, o chamado fake (para ampliar as imagens de apoio) e, por fim, o som do coro.

Guma contou que, em diálogo com as agremiações, houve uma preparação especial para otimizar o tempo de estúdio.

“Com base na experiência do ano passado, estimamos um tempo médio de uma hora e meia para cada escola, com 30 minutos extras para ajustes. Em 95% dos casos, as escolas gravaram em cerca de uma hora, uma hora e dez. Conversamos com todas, pedimos que ensaiassem e ajustassem o que fosse necessário para chegar aqui prontas para executar. Acredito que o fato de estarmos todos juntos, respirando o samba, contribuiu muito para que o tempo fosse menor”, explicou.

Uma equipe que faz a diferença

Para Guma, o sucesso do projeto é resultado direto da sintonia entre os profissionais.

“A equipe é sensacional. É gente que está comigo o tempo todo, há cerca de cinco anos. Muitos não são do carnaval, mas já entendem perfeitamente o funcionamento, o olhar que é preciso ter. Eles se encantam com a ancestralidade, com a velha guarda, com o som da bateria. Tudo isso contribui muito. A gente trabalha como família, de forma leve e descontraída. Na hora que é para ser sério, com certeza fazemos acontecer, mas o clima é sempre bom. O que vocês veem no resultado final é fruto desse ambiente”, celebrou.

Mulher Melão vibra com nova missão de coordenar musas no Salgueiro: ‘Esse chão vermelho e branco é sagrado’

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A atriz e modelo Renata Frisson, a Mulher Melão, anunciada como coordenadora das musas do Salgueiro para o Carnaval 2026, conversou com o CARNAVALESCO e contou como recebeu o convite para o cargo, explicou quais critérios utiliza para escolher suas musas e revelou detalhes dessa nova fase no carnaval. Segundo Renata, o convite veio diretamente do presidente da escola.

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Foto: Divulgação/Marcos Serra Lima

“Eu fui chamada pelo nosso presidente, André Vaz, para fazer parte dessa escola tão maravilhosa, que tem essa bateria Furiosa que me encantou desde quando pisei aqui nesse solo sagrado. Estou muito feliz por poder formar um time de mulheres com uma energia tão positiva, querendo fazer um carnaval incrível e único”.

Sobre os critérios na hora da escolha das beldades, ela contou que confia na própria sensibilidade.

“O critério é o que minha intuição manda. Graças a Deus, todas têm uma ligação com o Salgueiro e pode ter certeza de que o que elas farão na avenida vai ser muito lindo”.

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Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

A coordenadora adiantou que não pensa em novos nomes para a ala. “Os postos já estão fechados. A ala está feliz e a gente quer brilhar”.

Melão também destacou a importância de contar com referências dentro da escola, rasgando elogios ao diretor da ala das passistas.

“O Carlinhos Salgueiro foi uma das primeiras pessoas que convidei para estar ao meu lado me auxiliando nesse trabalho. Ele é uma estrela do Salgueiro. Temos que respeitar o Carlinhos, a nossa rainha Viviane Araujo e todo mundo que está aqui, que ajudou a construir esse chão lindo, vermelho e branco”.

Independentes de Olaria exalta Jackson do Pandeiro no Carnaval 2026 com enredo plural e arrojado

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A Independentes de Olaria vai levar para a Intendente Magalhães, em 2026, um enredo em homenagem ao cantor e músico brasileiro Jackson do Pandeiro. Em entrevista ao CARNAVALESCO, os carnavalescos Ester Domingos e Ariel Pontes falaram sobre a escolha do tema, os destaques do desfile e os desafios enfrentados pela escola da Série Prata. Segundo ela, a ideia partiu de um desejo antigo da presidência da agremiação.

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Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

“O enredo surgiu de um pedido do presidente, que já tinha essa vontade de falar sobre o Jackson do Pandeiro, que inclusive morou na comunidade. Existe uma relação afetiva da escola com a figura dele, que é muito emblemática para a cultura do nosso país”.

A partir disso, Ariel explicou o caminho criativo que a dupla vem tomando. “Quando ele chegou com essa ideia, nosso desafio passou a ser carnavalizar a trajetória do Jackson. Desde o início não queríamos um enredo biográfico literal, por isso não temos um compromisso narrativo com a vida dele, e sim com o que ele deixou culturalmente. Nosso objetivo é apresentar a relação dele com a musicalidade, como ele ajudou a construir um país plural de sons. Muito do que temos hoje na música brasileira é fruto do legado de Jackson do Pandeiro”.

Destaque do enredo

Para Ester, o diferencial está no impacto que o artista teve na música nacional. “O ponto máximo é a contribuição que ele deu para a nossa música. Através de uma técnica singular de controlar o ritmo, ele criou novos estilos e contribuiu de forma muito especial, muito diferente. Jackson era sagaz, construiu coisas além do seu tempo e para além da musicalidade nordestina, onde foi forjado”.

Já Ariel acredita que a surpresa virá na reta final do desfile. “O destaque vai ser o último setor, onde apresentamos a subversão do Jackson. Ele misturava samba com rock, baião com candomblé, terreiro com pop. Eram misturas totalmente ousadas para o período em que viveu — e que ainda hoje soam modernas. Vamos traduzir isso em visualidade, com fantasias que mesclam esses ritmos. Acho que esse design mais subversivo, mais arrojado, vai chamar bastante atenção”.

“São estéticas que parecem tão distintas, mas que o Jackson misturou de forma espetacular, do jeito que só ele poderia fazer”, complementou Ester.

Artes plásticas e estética do desfile

Reafirmando suas declarações anteriores, Ester ressaltou que a plástica do desfile seguirá a mesma lógica de misturas.

“Estamos trazendo estéticas muito distantes, mas foi exatamente isso que o Jackson fez. Ele juntou rock com baião, forró com música de terreiro, coisas que parecem impensáveis, mas que ele fez com maestria. Estamos tentando trazer essa estética mais arrojada”.

Desafios da Intendente Magalhães

Sobre as dificuldades da Intendente Magalhães, Ariel apontou que o próprio enredo ajuda a transformar limitações em soluções criativas.

“A Intendente tem muitas dificuldades, mas o Jackson, por ser uma figura tão subversiva e arrojada, nos permite trabalhar com coisas diferentes. Podemos pegar uma roupa afro e misturar com uma roupa do rock, por exemplo, e isso traduz exatamente a essência do Jackson, que é a mistura. Acho que ele é a cara da Intendente e da Série Prata. É um desafio reaproveitar, mas que se torna prazeroso, porque não daria para fazer Jackson sem mistura. A Série Prata é o lugar propício para isso”.

Com essa proposta, a Independentes de Olaria promete levar para a avenida um desfile ousado e cheio de brasilidade, traduzindo a irreverência e a pluralidade de Jackson do Pandeiro como ninguém antes fez.

‘É um samba bem maturado!’ Luiz Antônio Simas celebra enredo afro-religioso do Tuiuti e destaca força poética da obra

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O historiador, escritor e compositor Luiz Antônio Simas é um dos autores do samba-enredo do Paraíso do Tuiuti para o Carnaval 2026, ao lado de Claudio Russo e Gusttavo Clarão. O trio assina a obra que vai embalar o desfile sobre o Ifá, sistema oracular da tradição iorubá, tema que dialoga diretamente com a trajetória pessoal e intelectual de Simas.

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Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

“Eu recebi um convite do presidente via Claudio Russo e Gustavo Clarão pela minha afinidade com o tema, porque o Ifá é um tema que me interessa. Eu tenho uma relação com a religião, com o Ifá há muito tempo. A gente já vem trabalhando desde que o enredo saiu. Eu e Claudio aqui, o Gustavo nos Estados Unidos. Fomos testando samba, experimentando o que funcionava e o que não funcionava, e acabou saindo esse samba”, contou Simas, em entrevista ao CARNAVALESCO.

O compositor também refletiu sobre a experiência de fazer um samba encomendado, modelo que o Tuiuti vem adotando nos últimos anos.

“Eu não sou exatamente um compositor de samba-enredo. Gosto de temáticas vinculadas ao universo afro-religioso. O ideal seria os velhos tempos de ala de compositor fechada, aquele negócio todo. Mas a gente sabe que não é mais assim há muito tempo. O que a encomenda traz de positivo é o tempo de maturação para você preparar o samba, testar e não ter o calor da disputa. Essa experiência do Tuiuti foi interessante. É um samba bem maturado. Agora é trabalhar até o carnaval, porque samba-enredo é obra em processo”, avaliou.

Entre os versos, Simas destaca um momento especial, que conecta África e América com leveza e beleza poética.

“Esse samba conta uma história. Ele começa na esteira de um babalaô e termina na esteira de um babalaô. O trecho que eu mais gosto é como a gente solucionou a transição do Ifá entre a África e Cuba. Um personagem citado no enredo é Adestina, um nigeriano que se libertou e introduziu o Ifá nigeriano em Cuba. A gente não queria trabalhar com aquele peso do tráfico negreiro, e aí a gente fala: ‘E o negro iniciado no segredo do Reino de Olokun fez sua trilha’. É um trecho de que eu gosto muito”, explicou.

Com sua visão sempre crítica e humanista, Simas valorizou a dimensão pedagógica do samba-enredo e defendeu o espaço das temáticas iorubás na avenida.

“As pessoas têm uma certa dificuldade com o iorubá, mas é um enredo com temática iorubá. Eu acho que escola de samba tem uma dimensão pedagógica e é uma oportunidade de aprender. Até porque o português que a gente fala no Brasil é aquilo que a Lélia González chamava de pretuguês. E muito me surpreende quando se pensa em escola de samba, que são instituições construídas a partir das sociabilidades afrocariocas, com vínculos espirituais muito fortes com a cultura de terreiro, e se estranha quando o enredo traz esse universo. A temática tem que trazer isso, é absolutamente fundamental”, afirmou.

Mesmo à distância, já que Clarão mora nos Estados Unidos, a parceria entre os três compositores fluiu com naturalidade. Simas ressaltou como a tecnologia aproximou os parceiros e facilitou a criação da obra.

“O WhatsApp facilita muito. A gente mandava melodia, sugestão de letra… É o tipo de coisa que não ocorreria há 20, 30, 40 anos. É usar essa disponibilidade trazida pela rede para poder fazer o samba”.

O samba do Tuiuti 2026, inspirado, ritualístico e ancestral, nasce, nas palavras de Simas, “bem maturado”, pronto para ser trabalhado até a avenida. Um canto de fé e sabedoria, forjado no diálogo entre o sagrado e o popular.

Pela primeira vez na Série Prata, São Clemente leva o pagode para a Intendente Magalhães

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O CARNAVALESCO abre a série de matérias com as escolas das séries Pratas e Bronze, que desfilam na Intendente Magalhães no Carnaval 2026. Conversamos com cada equipe criativa, em encontro feito em parceria com a Superliga, na Academia Brasileira de Artes Carnavalescas (ABAC), no Centro do Rio. A estreia é com a São Clemente. Carlos Eduardo, o Cadu, carnavalesco da agremiação, que vai desfilar na Série Prata, falou sobre o enredo e os desafios da agremiação da Zona Sul na Intendente.

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Foto: Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO

“O enredo da São Clemente para o Carnaval 2026 se chama ‘Na Tamarineira, é Pagode, é Carioca, é São Clemente’. Ele surgiu como uma homenagem aos compositores e a esse estilo musical que, de acordo com nossas pesquisas, é hoje o mais escutado do Brasil”, disse Cadu.

O argentino explicou que, na década de 1970, os compositores das escolas de samba aproveitavam muito os intervalos dos ensaios para apresentar as composições em que trabalhavam durante o ano inteiro. Com a chegada dos gestores e a profissionalização da festa, no entanto, essa parte de apresentações foi retirada para que o foco se voltasse unicamente ao samba-enredo. Dessa lacuna, emergiu o Cacique de Ramos, precursor do pagode, como uma roda de amigos.

“É um enredo que tenta resgatar a identidade da escola, a irreverência que ela tem. É um enredo lúdico e, ao mesmo tempo, divertido. Tem aquela energia alto-astral que a escola está precisando neste momento da sua trajetória”, pontuou o diretor criativo.

Após anos no Grupo Especial, a São Clemente deixou a principal divisão do carnaval carioca em 2022 e, em 2025, caiu da Série Ouro. Nunca, em mais de 60 anos, a agremiação havia desfilado fora da Sapucaí.

“Eu considero que o carnaval da Intendente, atualmente, é o mais difícil. Não somente pela quantidade de escolas que integram a Liga, mas também pelas dificuldades relacionadas à iluminação, à passarela, ao chão, ao som e a todos os outros elementos que fazem com que o carnaval realmente seja muito difícil e complicado de realizar”, afirmou Cadu.

O artista também destacou que, atualmente, os desfiles da Intendente Magalhães, que ocorrem próximos ou simultaneamente aos da Sapucaí.

“A maior dificuldade da escola neste momento é acreditar. Nela mesma, no seu potencial, que a passagem pela Intendente, talvez, não seja justa, mas seja necessária. É sair fortalecido dessa experiência e regressar logo à Sapucaí. A São Clemente tem uma comunidade muito grande e forte”, afirmou Cadu.

Nesse sentido, a escola investiu na reformulação de seu time para 2026, com a contratação do próprio carnavalesco, Cadu, além da promoção de Johnny, prata da casa, ao cargo de mestre de bateria. Estreante na preto e amarelo de Botafogo, Cadu acumula passagens pela Vila Isabel, Unidos de Padre Miguel, União da Ilha e Em Cima da Hora. Em 2025, sagrou-se campeão da Série Prata com a Unidos do Jacarezinho.

“Eu sou conhecedor do carnaval da Intendente, assim como também da Sapucaí. A São Clemente, através do nosso presidente, Renatinho, do nosso diretor de carnaval e de toda a família clementiana, está me dando absoluta liberdade para trabalhar. Eles confiam muito no meu critério e no da minha equipe para construir esse carnaval”, garantiu o hermano.

Questionado, por fim, sobre as fantasias e alegorias, ele não titubeou: “Grandiosidade. Podem esperar grandiosidade”.

Camaleônico! Integrantes da Imperatriz vibram com presença de Ney Matogrosso na gravação do samba

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A Imperatriz Leopoldinense gravou seu samba-enredo no Estúdio Century, na Barra Olímpica, no último dia 24 de setembro. A sessão contou com a presença do homenageado, Ney Matogrosso, grande nome da música popular brasileira, que terá sua arte, canções e irreverência retratadas na Sapucaí por meio do enredo “Camaleônico”, desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira. A escola levou ritmistas, diversos integrantes e segmentos para realizar a gravação do samba-enredo, e alguns deles conversaram com o CARNAVALESCO para contar um pouco mais sobre esse momento.

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Fotos: Matheus Morais/CARNAVALESCO

Para Vinícius Marques, cavaquinista de 37 anos, participar da gravação é muito especial e traz grande satisfação em ajudar a agremiação onde toca desde 2008. Torcedor da escola da Leopoldina, ele aprovou a junção realizada e destacou a alegria da obra, demonstrando alta expectativa para o desfile, principalmente pela força do samba.

“Gostei do resultado da junção e a escola está com uma expectativa muito boa de fazer um grande desfile. Fazer parte disso, para mim, além de uma honra, é um motivo de grande felicidade. O grande segredo desse samba são os vários momentos de alegria que ele tem, na primeira parte, nos refrões, na segunda parte. Percebe-se nele um potencial para ser cantado durante todo o desfile, sem cair, sem cansar. E isso facilita o trabalho da harmonia e do canto da comunidade, para novamente entregar a evolução que a escola demonstrou nos últimos três anos dessa nova Imperatriz, como o pessoal vem falando”, comentou Marques.

Orgulhoso por ajudar a eternizar a faixa da Rainha de Ramos, Maderson Carvalho, de 44 anos, integra o carro de som da escola desde 2023, participando do coro da gravação. Ele se emocionou e ficou arrepiado com a presença de Ney Matogrosso no estúdio, acompanhando de perto a participação do cantor na faixa.

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“Fazer parte da Imperatriz Leopoldinense já é um prazer. Estar no time de canto, junto com o Pitty, o Chicão e os amigos que estão presentes, é maravilhoso e muito emocionante. Ver o Ney cantando foi arrepiante, fascinante. O time de canto está incrível, e pode ter certeza que será uma obra gigante para o Carnaval de 2026”, afirmou.

Ritmistas da “Swing da Leopoldina”, Arthur da Paz, de 17 anos, e Samuel Rodrigues, de 14, participaram da gravação e se disseram honrados e felizes pela oportunidade de ajudar a escola do coração. Arthur destacou a importância da experiência e o quanto gostou do samba, enquanto Samuel, que grava pelo segundo ano, aprovou o resultado da junção e exaltou a força da obra.

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“Vai ser meu primeiro ano participando da gravação. Venho tocando na escola há algum tempo e estou nela desde pequeno, desfilando desde o enredo Lampião. É muito emocionante e importante para mim, principalmente por ser uma pessoa nova. Muitos que estão no samba não têm essa oportunidade que estamos tendo. O samba é diferente, dentro de um enredo também diferente. As bossas deixam a gente ansioso enquanto toca, esperando o que vem pela frente. Ter o homenageado junto com a escola cria uma conexão muito boa”, afirmou Arthur.

“Estou no meu segundo ano participando da gravação e indo para o quinto desfilando pela escola. Assim como o Arthur, estou na Imperatriz desde pequeno, com nossos pais e amigos. O samba é alegre, tem a cara da escola, e a junção com a bateria ficou perfeita. Muitos não acreditaram que daria certo, mas deu, graças a Deus. Todo mundo gostou do resultado, e para mim está ótimo”, completou Samuel.

Erika Schneider é apresentada como musa dos Gaviões da Fiel para o Carnaval 2026

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Erika Schneider foi a grande estrela do ensaio temático de Halloween da Gaviões da Fiel, realizado na noite da última sexta-feira. Ela foi apresentada à comunidade da escola de samba paulistana e mostrou todo o seu samba no pé no palco. Para o evento, Erika escolheu uma fantasia que une elementos do Carnaval e do Halloween, com o tema “anjo sombrio das matas”. O look, assinado pelo estilista Erickson Ramos, apresenta um design com recortes e é adornado com 5 mil cristais distribuídos por toda a fantasia. Corintiana, Erika não escondeu a emoção com a oportunidade.

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Foto: Brendon Lira/Divulgação

“Representar essa escola gigantesca, com tanta história, é uma honra imensa! O coração bate no ritmo da bateria, e a emoção é do tamanho da Fiel”, exaltou.

A influenciadora, que também é musa da Mocidade, contou que já está se preparando para a folia: “Estou fazendo aulas de samba duas vezes por semana, mas quero aumentar para pelo menos três. Também voltei a malhar cinco vezes por semana, estava indo pouco. E estou fazendo bastante cardio para aguentar a maratona de ensaios”, disse.

Voz, segurança e profissionalismo: sambistas da Tom Maior relembram Gilsinho

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O feriado de Nossa Senhora Aparecida de 2025 foi especialíssimo no Carnaval de São Paulo. A Tom Maior apresentou Bruno Ribas e homenageou Gilsinho, que era intérprete da vermelho e amarelo até falecer, em 30 de setembro. Para saber qual foi a lembrança que o intérprete deixou nos sambistas do Sumaré, o CARNAVALESCO perguntou qual foi a maior memória com o cantor que diversos profissionais da folia têm.

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Substituto não: herdeiro de um trabalho

Retornando à escola depois de cinco anos, Bruno Ribas foi o intérprete escolhido para comandar o microfone principal da Tom Maior após o falecimento do antigo cantor. Ele próprio fez questão de falar como encara o desafio: “Não estou substituindo: eu estou levando à frente um trabalho que foi deixado aqui por ele, como ele também pegou um trabalho que foi deixado por mim na Portela. Eu saí da Portela e ele pegou um trabalho que conduziu durante vinte anos com uma maestria fora do comum. Só tenho muita satisfação em relação a isso tudo. Espero que venha o título, porque isso está aqui, a garra dentro de mim é imensa. Eu quero isso concluído”, comentou.

Pouco depois, Bruno mencionou uma fala de Carlos Alves, o Carlão, presidente da escola e mestre da Tom 30 (bateria da escola), no dia em que o palco da agremiação ganhou o apelido do intérprete: “O mestre Carlão disse que o Gilsinho é insubstituível e eu concordo, mas eu acho que todos que passaram pelo carnaval são insubstituíveis. Todos têm o seu próprio DNA, todos têm a sua própria digital, todos têm a sua própria íris ocular, todos têm a sua forma de se entregar a sua arte. Alguém pode até copiar, mas não tem como ser o outro. É isso que eu expresso nesse momento”, divagou.

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Competição e segurança

Ao ser perguntado sobre de qual forma o antigo intérprete mais o marcou, Carlão destacou a competitividade: “A maior lembrança dele é um conjunto: todas as vezes que ele pegava o microfone. Uma voz marcante, um cara altamente profissional, altamente positivo, um soldado, um guerreiro – que defendeu as nossas cores com muita garra. Ele é um cara que vai ficar na minha lembrança como meu amigo particular e como intérprete da Tom Maior. Ele deixou um legado de quem quer sempre vencer, quer sempre ser o melhor. Ele só pensava nisso, em ser o melhor sempre. Ele queria a escola dele, a Tom Maior, sempre na melhor posição possível. Foi isso que ficou marcado na minha mente”, eternizou.

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Ana Paula Sgarbi, porta-bandeira da agremiação, relembrou uma conversa com o intérprete antes do desfile de “Aysú – uma história de amor“, em 2024: “A minha lembrança dele é muito forte, mesmo. Ele mostrava uma segurança no que ele fazia tão boa! Um dia, a gente falou para ele que a gente ficava muito nervoso, com muita expectativa. Ele respondeu que não ficava nervoso porque já sabia o que tinha que fazer. Ele falava que era assim, inclusive, na noite do desfile. Eu tenho essa lembrança muito forte porque eu queria muito ser o Gilsinho nessa hora. Ele era demais”, lembrou, citando um palavrão cortado pela edição.

Ruhanan Lucas, mestre-sala vermelho e amarelo, foi na mesma linha – e revelou um hobby que o cantor tinha que poucos conhecem: “Eu ia falar a mesma coisa que a Ana Paula falou. Por sinal, ele contou pra gente nesse dia que ele foi lutador por muito tempo, e ele tinha essa segurança aprendida nas lutas. Ele falava que quando era um combate mais físico, para ele era muito pior – e eu, rindo, respondi para ele que o nosso trabalho também era físico, a gente vai para um combate físico e a gente morre fisicamente no final do desfile. Ele falou que entendia, mas que conseguia se controlar emocionalmente, como se o dia do desfile fosse qualquer dia para ele. A gente ficou surpreso, para a gente isso é bem difícil”, refletiu.

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Ausência sentida

Antes da ausência eterna e tocante que Gilsinho deixou, um não-momento do intérprete com a Tom Maior marcou Flávio Campello, carnavalesco da escola: “A minha grande lembrança do Gilsinho, curiosamente, é uma ausência. O Carnaval 2025 foi marcado por um título, pelo retorno da nossa escola ao Grupo Especial. Partiu meu coração olhar para o carro de som do Desfile das Campeãs e ele não estar presente. Aquilo doeu um pouco. Essa ausência de hoje nessa quadra é a mesma ausência que a dor que eu tive no Desfile das Campeãs”, afirmou.

Além de intérprete da Tom Maior, Gilsinho também era o intérprete da Portela. Em 2025, as duas escolas que ele defendia no eixo Rio-São Paulo foram para os respectivos Desfile das Campeãs: a paulistana enquanto campeã do Grupo de Acesso I com a reedição de “Uma nova Angola se abre para o mundo! Em nome da paz, Martinho da Vila canta a liberdade!” e a Águia como quinta colocada com “Cantar Será Buscar o Caminho que Vai Dar no Sol – Uma Homenagem a Milton Nascimento”. Ele, então ficou na Cidade Maravilhosa.

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Profissionalismo incontestável

Érica Ferreira, diretora de Carnaval e de Harmonia da Tom Maior, relembrou mais uma qualidade do cantor: “Foi o meu primeiro ano trabalhando com o Gilson, estava indo para o segundo com ele. O profissionalismo dele, a disciplina dele é incontestável. Eu nunca precisei falar qual era o horário do ensaio: ele chegava no horário, sempre estava envolvido com toda a nossa comunidade”, afirmou.

Antes de ficar com a voz embargada, a diretora concluiu: “O carisma dele, o ajudar a escola, sobretudo em questões musicais… ele sempre nos ajudava. Além da linda voz, dessa potência vocal que ele sempre teve, eu vou guardar a lembrança de um dos profissionais mais disciplinados com quem eu já trabalhei”, emocionou-se.

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Características pouco conhecidas

Gilsinho era conhecido por muitos como uma pessoa extremamente carismática e talentosa, mas um tanto quanto explosivo. Alguns nomes da Tom Maior, porém, recordaram outros traços da personalidade marcantes do intérprete.

Bruno Ribas foi um deles: “Eu tenho muitas lembranças do Gilsinho, mas a melhor lembrança que eu tenho dele é a sinceridade que ele sempre teve, são os bons conselhos que ele sempre deu, as boas conversas. Só quem teve a oportunidade de conviver de perto e de ter esse lado dele, de conhecer esse lado conselheiro, parceiro, do cara que estava pronto para ajudar sempre, sabe como ele era. Ele era o cara que dava esporro, mas também era o cara que te dava carinho. Era meu irmão mesmo, meu parceiro”, destacou.

Érica também destacou o lado brincalhão do intérprete: “A minha maior lembrança com o Gilson é que a gente brigava por causa de roupa! Eu falava com ele que quem iria brigar para escolher a roupa do time de canto e da ala musical era eu, e era muito engraçado. Ele falava que queria ir de branco e eu dizia que tinham outras formas de ir para a Avenida. Isso é uma grande brincadeira, é claro, mas a gente brincava muito”, finalizou.