Rafael Tinguinha e Lucas Donato são as vozes oficiais da Lins Imperial no Carnaval 2021
A Lins Imperial, agremiação que retorna a desfilar na Marquês de Sapucaí em 2021 pela Série A, terá como vozes oficiais para o próximo carnaval o intérprete Rafael Tinguinha, pelo quarto ano consecutivo, e o intérprete Lucas Donato, estreante na Verde e Rosa. A escola do Lins aposta nas novas vozes do samba. (Foto: Rodrigo Barionovo/Divulgação)

Tinguinha chegou à agremiação como reforço para o Carnaval 2017. Filho do intérprete oficial da Unidos de Vila Isabel, Rafael é cantor e compositor. Oriundo da Herdeiros da Vila, escola de samba mirim pela qual cantou dos oito aos 18 anos de idade, Tinguinha já teve passagem também pela escola de samba mirim Tijuquinha do Borel. No Grupo Especial já cantou ao lado de Tinga, seu pai, na Unidos de Vila Isabel e na Unidos da Tijuca, como apoio.
“Lucas Donato é um grande amigo. Somos parceiros de composição de sambas em outras escolas. Estamos preparados para entrar na Sapucaí, compondo um carro de som da melhor qualidade para fazer o melhor trabalho possível para o retorno da agremiação ao palco principal”, avisa o intérprete.
Cria do Império do Futuro, escola mirim do Império Serrano, Lucas Donato já foi da ala das crianças, ritmista e hoje é intérprete e compositor. Vencedor cinco vezes no Império Serrano, Lucas tem sambas assinados também em escolas de samba de São Paulo, Porto Alegre e Vitória, além de outras escolas cariocas. Sobrinho de Roberto Ribeiro, Donato já cantou no Arranco do Engenho de Dentro, Engenho da Rainha, Jardim Bangu, Tradição Serrana (ES), Rosas de Ouro (ES), Império Serrano (Uruguaiana) e Copacabana (Porto Alegre) como intérprete oficial. Como apoio já passou por Grande Rio, Império Serrano, Tradição, Uirapuru da Mooca (SP) e Império da Zona Norte (Porto Alegre).
“Sobre somar com o Tinguinha, é uma honra poder estrear na Marquês de Sapucaí numa grande escola de samba e ao lado de uma pessoa que faz parte da mesma geração que a minha. Já somos amigos e tenho certeza que faremos uma grande dupla”, informa o novo intérprete.
A agremiação aguarda o fim da quarentena para divulgar o calendário de eventos e a apresentação oficial da equipe 2021.
Águia de Ouro renova com carnavalesco campeão de 2020
A Águia de Ouro, atual campeã do Grupo Especial de São Paulo, renovou o contrato do carnavalesco Sidnei França. O artista comemorou que segue na escola.
“Sou só gratidão… Vamos juntos nessa nova aventura… Rumo a 2021”, disse.
Veja a publicação da escola:
Porto da Pedra mantém a direção de harmonia para 2021
A Unidos do Porto da Pedra renovou o contrato dos diretores de harmonia, Aluízio Mendonça, Luiz Borges e Miguel Jr. Desde 2012 comandando a harmonia da Porto da Pedra, Aluizio confiança em seu time para 2021. O diretor falou sobre as propostas que tem para o ano que vem.
“Nosso segmento sempre teve a tradição em trazer para São Gonçalo a nota máxima, e em 2020 não foi diferente, mas não tivemos o mesmo êxito em evolução. Por isso, iremos treinar forte com a comunidade, para trazermos os 80 pontos, em harmonia e evolução”, contou Aluízio.

Em seu terceiro ano no comando do segmento, Luiz Borges aposta na afinidade do trio de diretores com a comunidade.
“Assim como nos anos anteriores, iremos trabalhar intensamente com a comunidade, para mantermos os 40 pontos, que conquistamos este ano”, garantiu Luiz.
Assim como Luiz, Miguel Jr. irá comandar a harmonia do tigre pelo terceiro carnaval consecutivo. Ele aposta no aprendizado que conquistou, aliado a garra e a união dos segmentos com a comunidade vermelha e branca.
“Agradeço ao Presidente Fabio Montibello pela confiança na continuação do trabalho. Graças à Deus conseguimos conquistar os 40 pontos em Harmonia em conjunto com Pitty e toda a galera do carro de som que fizeram um trabalho fantástico, defendendo muito bem o samba e empolgando nossos componentes. Mas uma frase que eu uso muito em nossas reunioes de equipe é que temos sempre que buscar a excelência. Vamos aguardar as justificaticas pra ver onde erramos que nos fizeram perder 0,2 em evolução e trabalhar forte para em 2021 conquistar os 40 pontos também nesse quesito e ajudar o Tigre a conquistar o título”, disse Miguel Jr.
A Unidos do Porto da Pedra apresentou no carnaval 2020 o enredo “O que é que a baiana tem? Do Bonfim à Sapucaí”, desenvolvido pela carnavalesca Annik Salmon. O tigre de São Gonçalo conquistou a terceira colocação da Série A do carnaval do Rio de Janeiro.
Unidos de Padre Miguel divulga sinopse do enredo para 2021
IROKO – É TEMPO DE XIRÊ
Iroko Kisselé! Eró Iroko Issó, Eró!
No princípio, havia eternidade.
E, na eternidade, tempo ainda era silêncio.
Dança antiga da criação, o Aiyê fez-se nos mistérios do Axé.
O tempo começava a falar.

Plantou-se a primeira árvore, Iroko, Iggi Olórum, e ele passou a escutar a voz do tempo.
Genitor do sagrado, raízes para o alto e para baixo, Aiyê e Orun ligados.
Orixá da Árvore, Árvore Orixá – e os outros Orixás por ele descendo ao Aiyê!
Árvore-Orixá dos mistérios, raízes ancestrais no fundo da terra e também bailando ao vento pelos céus.
Orixá-Árvore do infinito, do início e do fim, mestre de todas as Árvores, e todos os Osa Iggi curvam-se à sua existência.
Árvore da vida do que é, do que foi, do que virá a ser, e a vida seguindo sendo vida. Irmão de Ajé, a feiticeira mãe de um passarinho, e de Ogboí, a mulher com dez filhos, é a Árvore das mulheres-pássaros iamis, semeadoras rígidas das respostas aos pedidos.
Germinou como lar e guardião da ancestralidade, enquanto ele reside mesmo é no tempo, sem amarras, nem clausuras. Quando os oluôs pediram para Iroko fazer parte do Axé, não quis ele casa alguma: viveria livre junto ao Povo de Santo, junto a todas as Nações.
No balanço do tempo, Iroko acolhe os temores e consola as aflições. Justiceiro, Iroko dá, Iroko tira. Engole os devedores. Corrige as desfeitas. É clemente com os arrependimentos. Conforta suas iaôs…
…E guarda a natureza!
Foram os Orixás ao encontro de Iroko e então Iroko-Árvore, Morada dos Orixás. Grande e belo, Iroko protege da tempestade e conversa com o vento, através dele suspirando seus chamados e espalhando sua dádiva.
Iroko, Orixá do Morim, cabendo aos homens abraçá-lo com o ojá. Na Dança da Avania, andando Iroko pelo Aiyê, conta o que viu e o que ouviu, quando amou e quando guerreou, ao fim fincando-se no chão, a Grande Árvore Sagrada.
Iroko dos ciclos, da terra, do ar, do fogo; do sol que brilha quente e forte queimando o mundo, às folhas mortas que caem sob o desígnio do tempo rotundo; do frio gelado que castiga com dores na alma, às flores do recomeço da cicatrização da ferida; da vida sem vida dos minerais, à magia da água como fonte mãe alimento do Axé da vida da natureza.
Irôko Issó! Eró! Irôko Kissilé!
Iroko dos caminhos. Caminhos que vem e vão, e o mundo rodando à sua vontade. Na floresta, ao lado de Ossain, declama com seus galhos e folhas os retorcidos mistérios do verde universo. Orixá se transmuta em árvore, árvore se torna Orixá e o povo virando no Santo! O Grande Guardião e a vida em louvação.
Orixá Árvore das trilhas em cruzamento e Iroko Senhorio do Otim. Árvore também vivenda dos mortos, com Icú revelando-se indomável aos seus pés durante a noite. Árvore-Cemitério, dos ajejês, dos abicus, lança sua sombra cobrindo os términos dos ciclos, em junção com os segredos de Nanã e Obaluayê.
Generoso, grande amor de Yewá, Iroko também brilha e vibra possibilidades de renovação. Senhor do que recomeça, do que o vento leva e traz no toque do atabaque da transformação, pois ele ouve o tempo e o tempo segue, ciclo eterno de mudança.
O branco, a sua cor, união de todas as cores do arco-íris da sua ligação com Oxumarê, o mesmo branco do sangue dos ibis. Ele, a brasileira Gameleira, em comunhão com Obatalá.
Assim, a Árvore-Orixá da fartura e da fertilidade, feliz, dá frutos: Árvore Maior, Iroko é e será para todo o sempre a abundância na plenitude dos dois mundos. De sua copa frondosa, resplandece o equilíbrio sobre tudo, Iroko regenerando a vida infinitamente, fazendo triunfar a união na paz de Oxalufã, cujo opaxorô é feito de um de seus galhos.
Enfim, rigoroso, caem as folhas como lágrimas de desespero, implacável contra aqueles que cultivam o erro. O Orixá que brada a guerra quando não é tempo de perdoar. Todavia, Iroko também sabe curar, sempre disposto a ouvir.
E como gosta de ouvir! Lamentos, pedidos, choros, rezas, agruras, dores, tristezas. Paciente, escuta-os. Reto, cobra as alegrias e as farturas atendidas. Mulheres e homens, nas raízes e tronco sob as folhas, batem cabeça pelas bênçãos do seu Axé, por perdão pelos erros cometidos.
Os antigos ainda contam, por fim, que Iroko soprou através do vento um chamado a uma jovem que dançou e rodopiou, indo girando ao seu encontro para tornar-se Filha…
… E hoje, em sua homenagem, Ela, a Unidos de Padre Miguel, pede licença!
Com o Estandarte resplandecendo o vermelho do nosso sangue fervendo Carnaval e o mesmo branco do ojá de Iroko, pedimos licença para celebrar a felicidade da devoção e oferecemos o banquete da alegria de viver sob a sombra da Árvore Sagrada.
A Unidos de Padre Miguel, emocionada e aguerrida na gira da Vila Vintém a passar pela Sapucaí, canta os mitos e estórias sagrados, festejando as raízes, o tronco, os galhos, as folhas e o Axé da Grande Árvore, ajoelhando-se respeitosa aos pés de Iroko pelas graças abençoadas do Orixá!
Aqui e agora, tributo ao Senhor da Árvore, é Tempo de Xirê!
“No tronco da Gameleira,
Meu Iroko eu vou louvar!”.
GLOSSÁRIO
“Iroko Kisselé! Eró Iroko Issó, Eró!” & “Irôko Issó! Eró! Irôko Kissilé!” Saudações a Iroko: “Salve Grande Iroko! O Senhor de todas as Árvores!”
Eró calma!
Iggi Olórum árvore do Senhor dos Céus
Osa Iggi Orixá(s) da Árvore
Oluôs advinhos
Otim cachaça
Iamis (ou Yamis) mulheres-pássaros e feiticeiras
Abicus espíritos de crianças marcadas por reiteradas mortes
Icú morte
Dança do Avania viagem de Iroko pelo Aiyê, na qual são narradas todas as suas aventuras. Representação ritualística da viagem.
Ajejê (ou axexê) ritual fúnebre
Ojá tira de pano branco que é amarrada ao redor do tronco do pé-de-Iroko, em ritual ao Orixá.
Morim pano branco de algodão
Aiyê terra
Orun céu
Opaxorô “cajado” de Oxalá
Ibis tipo de caracol, animal de Oxalá.
“No tronco da gameleira, Meu Iroko eu vou louvar” trecho do Ponto “Iroko”, na voz e ritmo de Juliana D Passos e a Macumbaria (letras.mus.br/juliana-dpassos-e-a-macumbaria/iroko/)
BIBLIOGRAFIA PRINCIPAL
MARTINS, Cleo; MARINHO, Roberval. Iroco – “O Orixá da Árvore e a Árvore Orixá”. Coleção Orixás. Rio de Janeiro: Pallas, 2010.
BASTIDE, Roger. As Religiões Africanas no Brasil. 2 vol. São Paulo: Pioneira, 1985.
GOLDMAN, Márcio. Possessão e a construção ritual da pessoa no Candomblé. Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Museu Nacional, URFJ, 1984.
PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos Orixás. Companhia das Letras: São Paulo, 2001.
VERGER, Pierre Fatumbi. Orixás – Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo. Salvador: Corrupio, 2002.
VERGER, Pierre Fatumbi. Notas sobre o culto aos Orixás e Voduns. São Paulo: EDUSP, 2000.
Carnavalesco: Edson Pereira
Enredo: Edson Pereira e Comissão Artística
Sinopse e pesquisa: Edson Pereira, Victor Marques e Clark Mangabeira
Luto no mundo do samba! Morre Tantinho da Mangueira

O samba está de luto pelo falecimento de Devani Ferreira (72 anos), o Tantinho da Mangueira, baluarte da Estação Primeira de Mangueira, na noite deste domingo. O sambista faleceu por complicações com diabetes.
Nascido e criado na Morro de Mangueira, na favela de Santo Antônio, frequentador assíduo das rodas de partido-alto no Buraco Quente, Chalé e Três Tombos, favelas que também integram o morro, onde conviveu desde pequeno com personagens emblemáticas da localidade, Cartola, Nelson Cavaquinho, Dona Neuma, Padeirinho, Nelson Sargento, Pelado, Carlos Cachaça, Geraldo das Neves e Jorge Zagaia, entre outros.
A Estação Primeira de Mangueira se pronunciou pela perda do sambista. “É com imensa tristeza que informamos o falecimento de nosso baluarte e grande compositor Tantinho da Mangueira. Uma perda enorme para a Estação Primeira e para o samba. Nascido e criado no Morro de Mangueira, na favela de Santo Antônio, era frequentador assíduo das rodas de partido-alto no Buraco Quente, Chalé e Três Tombos, favelas que também integram o morro, onde conviveu desde pequeno com personagens importantes da localidade, como: Cartola, Nelson Cavaquinho, Dona Neuma, Padeirinho, Nelson Sargento, Pelado, Carlos Cachaça, Geraldo das Neves e Jorge Zagaia, entre outros. Descanse em paz mestre Tantinho”.
Jornalistas, políticos e sambistas postaram homenagens para Tantinho da Mangueira.
Tantinho da Mangueira, sambista, cantor, compositor, partideiro, nos deixa hoje por complicações com diabetes. A cultura popular perde um grande artista e uma grande pessoa. Nossa solidariedade a amigos e famílias. pic.twitter.com/xaJt8L6sfn
— Tarcísio Motta (@MottaTarcisio) 13 de abril de 2020
A gigante @TeresaCristina está neste momento liderando, na live da quarentena (da qual já foi pioneira), um gurufim para Tantinho da Mangueira, que nos deixou no domingo. O que essa mulher tem espalhado de bem não está escrito.
— Flávia Oliveira (@flaviaol) April 13, 2020
Confirmado que Tantinho da Mangueira partiu. Tristeza. Pessoa querida, raiz do samba, voz divina. Que Deus e todos os orixás o acolham. Meu abraço a todos os familiares. pic.twitter.com/BuUC9JtfTZ
— Chico Alencar (@50ChicoAlencar) April 13, 2020
‘Duelo dos Desfiles’: Vai-Vai 2015 x Vai-Vai 2017
A série “Duelo dos Desfiles” traz um confronto paulistano. De um lado, o desfile de 2015 do Vai-Vai contra a apresentação de 2017. Vote abaixo e o resultado será divulgado na terça-feira.

O 15º título do Vai-Vai em 2015 veio com a homenagem para Elis Regina. O enredo “Simplesmente Elis, a Fábula de Uma Voz na Transversal do Tempo” emocionou todos os sambistas presentes no Anhembi. O ano de 2017 não foi com título, mas marcou com o samba para o enredo “No xirê do Anhembi, a Oxum mais bonita surgiu – Menininha, mãe da Bahia – Ialorixá do Brasil.
Pelo site CARNAVALESCO, Vinicius Vasconcelos defendeu o desfile de 2017 e Matheus Mattos optou pelo desfile de 2015.
Vai-Vai 2017 (Por Vinicius Vasconcelos): “O carnaval de 2017 começou a se tornar inesquecível para o Vai-Vai no dia do anúncio de seu enredo, desenvolvido por Alexandre Louzada, André Marins e Júnior Schall. Homenagear Mãe Menininha do Gantois seria uma forma de abraçar todas as religiões afrodescendentes presentes no Brasil. Nas eliminatórias de samba a preferência dos alvinegros era pela composição encabeçada por Marcelo Casa Nossa. E a voz do povo se tornou o samba do Bixiga. A obra que revelou a intérprete Grazzi Brasil em seu clipe oficial foi escolhido e a cantora também entrou para o carro de som da agremiação. Na noite do dia 25 de fevereiro, pouco antes do início do desfile, coube a Milton Gonçalves puxar o grito de guerra da escola. O ator garantiu que o Anhembi iria ver naquela noite “o maior xirê a céu aberto do mundo”. Promessa cumprida. O solo sagrado do sambista paulistano se tornou o próprio Gantois, o samba ultrapassou arquibancadas e camarotes e todos cantaram em uma só voz. O Vai-Vai tradicionalmente já deixa os presentes em êxtase. Mas, naquela noite em especial houve uma catarse coletiva. A escola chegou na dispersão com a certeza de que mãe Menininha sorria no Orum ao lado de sua mãe Oxum, e de que juntas dançaram ao som do Ijexá da bateria Pegada de Macaco”.
Vai-Vai 2015 (Por Matheus Mattos): “Dos grandiosos desfiles do Vai-Vai, procurei optar por um que aliasse atributos além do visível, um desfile sentido por todos, e por isso optei pelo carnaval de 2015, ano em que a agremiação homenageou a cantora Elis Regina. O carnaval se mostrava diferenciado ainda durante o processo de construção. Não é incomum ouvir, de componentes ou não, que os ensaios daquele ano tinham algo inexplicável. O próprio desfile começou de forma diferenciada, toda parte do sambódromo, setor popular e camarotes, vibraram com a largada e cantaram o último refrão de uma forma tão entusiasmada, que coloco como um dos trechos mais cantados na história do sambódromo. A presença da Maria Rita, logo na comissão de frente, proporcionou um enorme sentimento de emoção, mantido durante todo desfile. Maria não só se fez presente, mas coreografou com a ala, ou seja, ela se inseriu literalmente nas atividades da escola. Outro ponto, mesmo comparando com o carnaval atual, não é nenhum absurdo se impressionar com a grandiosidade e suntuosidade do abre-alas daquele ano. Claro que houveram alguns problemas de evolução e parte estética, mas essas questões perdem a relevância quando a emoção proporcionada é lembrada, ou seja, o carnaval sobrepôs qualquer crítica, e por isso a Vai-Vai conquistou o carnaval do respectivo ano. Como jornalista do carnaval de São Paulo, sinto falta de um julgamento que leva em consideração a emoção, a paixão, que enxergue a reação do sambista na arquibancada. A Vai-Vai atingiu isso em 2015 e proporcionou um dia histórico ao samba nacional”.
Mocidade perde componente vítima do Covid-19
A Mocidade Independente de Padre informou na noite deste domingo o falecimento do componente Vagner Prata.
“É o primeiro integrante da nossa escola vitimado de forma fatal pelo Covid-19”, diz a publicação da escola nas redes sociais.
Veja abaixo:
Quarentena transforma Páscoa dos sambistas que não dispensam a solidariedade e carinho das famílias
O domingo de Páscoa é um momento onde as famílias se reúnem para celebrar a ressurreição de Cristo. Diferente do habitual, este ano as confraternizações terão que ser diferentes, cada um em sua casa e as famílias não poderão se reunir. O CARNAVALESCO conversou com sambistas para saber como eles passarão essa data festiva e tão familiar.
Thiago Diogo explicou que normalmente a família se reunia, fazia samba e que este ano ficará com sua mãe.
“Geralmente, reunimos a família toda, sempre rola um samba aqueles casos de família, mas este ano estamos guardando a quarentena com o restante da família para que logo possamos nos abraçar e festejar o fim desta fase complicada. Como filho único vou estar com minha mãe que segue o tratamento médico e estamos seguindo todos os cuidados com ela. Não pode faltar, em primeiro lugar nossa oração em agradecimento e todo ano variamos o cardápio do almoço da mamãe e suas sobremesas dão sempre um toque especial”, afirma o mestre.

Diogo Jesus, mestre-sala da Mocidade, falou da sorte de morar no mesmo prédio que alguns de seus familiares e por isso conseguirão se reunir, tomando os devidos cuidados.
“Eu tenho a sorte de morar perto dos meus familiares, moro no mesmo prédio que mora minha tia, minha avó e irmã, mas com o distanciamento social o restante da família não vai poder estar. Estaremos com nossos corações juntos e rezando para que tudo isso passe logo”, explica o mestre-sala.
Entregando na parte da manhã duzentos ovinhos de Páscoa para crianças do projeto que lidera, Selminha Sorriso explicou que fará no almoço rabada com batatas no almoço com seu filho e namorado, Magal.

“Neste domingo eu vou entregar duzentos ovinhos de Páscoa para as crianças do projeto e vou entregar no domingo pela manhã. No almoço vou fazer rabada com batata e agrião, pirão, arroz branco e uma sobremesa que será provavelmente pudim, vão estar comigo meu filho e o Magal. Graças a Deus vivemos na Era Digital, podemos ver e falar com qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, então alivia um pouco as ausências”, explicou Selminha.
O mestre-sala, Diogo, falou que em sua família é essencial e não pode faltar as trocas de chocolate.
“Vai ser uma Páscoa em que devemos voltar nossas atenções para o amor das pessoas que são próximas a gente e até mesmo as pessoas que não são próximas. Estarei em família, com meus irmãos, avó, tia, filha e esposa. O almoço aqui é variado ano após ano, pois não temos uma receita que tem que ter todo ano mas o que não pode faltar são as trocas de chocolate em família”, comenta Diogo.

Selminha falou que o momento é positivo para estar próximo da família e cuidar da casa, a porta-bandeira ainda deixou uma mensagem otimista e acredita que esse distanciamento necessário passará em breve e que a humanidade de forma geral irá evoluir.
“Estou bem, em paz, seguindo as orientações das autoridades, fazendo meus exercícios. Esse isolamento é uma forma de cuidar dos seus, de cuidar do próximo, da família do outro e nesse momento para conseguir isso precisamos fazer esse sacrifício. Saudades das pessoas, saudade da rotina. Temos que nos manter conscientes e a serenidade, desapegar um pouco das coisas que você tinha em sua rotina. O ser humano vai mudar muito depois dessa pandemia, a tendência é melhorar como cidadãos e seres humanos, foi nos dada a chance de nos conhecer, conhecer nossa casa, rever hábitos. Temos que acreditar que vai melhorar”, disse Selminha.

