O amor ao samba e ao carnaval falaram mais alto e não intimidaram a rainha de bateria Carolane Silva durante o ensaio de rua da Inocentes de Belford Roxo realizado na noite da última quarta-feira. Sob forte chuva a majestade da Cadência da Baixada mostrou que está preparada para qualquer dificuldade e surpresas que possam acontecer no dia do desfile da tricolor, que no Carnaval 2026 terá Pernambuco como enredo.
“Comigo não tem tempo ruim, e precisamos saber que, embora a gente torça para que não ocorra, a chuva é um fenômeno natural e a gente não pode descartar, jamais a possibilidade de desfilar assim. E nada me dá mais energia que o som da minha bateria. A chuva nos motivou, lavou a alma e fez com que a Inocentes mostrasse que nada vai nos assustar”, disse Carolane ao fim do treino.
Em seu primeiro ano como rainha de bateria, a estudante de gestão pública vem se dedicando ao máximo para chegar 100% ao desfile. Além da rotina habitual de treinos e tratamentos estéticos, a majestade não abre mão dos ensaios com mestre Washington Paz e seus ritmistas.
“A gente se transformou em uma família e essa sinergia acaba repercutindo no ensaio e nessa alegria que sentimos em estar juntos. Eles me acolheram e são pessoas que fazem valer muito a pena cruzar a cidade e sambar debaixo de chuva com eles”, disse a rainha.
A Dragões da Real deu mais um passo importante rumo ao Carnaval 2026 com a gravação oficial do samba-enredo que embalará o desfile sobre a força e o empoderamento feminino sob a ótica indígena. Realizada na Fábrica do Samba, a sessão reuniu todos os segmentos da escola e mostrou, mais uma vez, a excelência técnica e a coesão musical que se tornaram marcas da tricolor da Vila Anastácio.
Bateria precisa e moderna: ‘Deixar a régua lá em cima’
Responsável pelo ritmo da Dragões, o mestre Klemen Gioz revelou detalhes sobre o andamento e a concepção das bossas que marcarão o desfile.
Mestre Klemen Gioz
“Nosso andamento vai ser entre um 146 e 144 BPM (batidas por minuto). O que a gente vai realizar aqui na gravação é o que faremos na avenida. São duas bossas: um paradão, mas com um arranjo em formato de bossa, é um mescladinho”, explicou.
O mestre também destacou o momento especial vivido pela escola: “Todo mundo está com essa sensação de samba bom e de trabalho bom na Dragões. Tudo está fluindo bem. A produção está ótima, e a gente tem que deixar a régua lá em cima porque as outras escolas vieram preparadas. Com um samba desse, vai ficar mais fácil”.
Produção grandiosa e comunidade envolvida
O diretor de carnaval, Márcio Santana, reforçou a dimensão do trabalho coletivo e a presença da comunidade em todos os momentos.
“A gente vem com o elenco completo: são 60 membros de coral e mais toda a equipe de canto com a bateria, somando cerca de 87 pessoas”, contou.
O dirigente ainda destacou a logística facilitada pela gravação na Fábrica do Samba: “A Dragões tem representantes em todas as regiões de São Paulo. Estar aqui é uma vantagem enorme, pois o barracão é a casa da escola e facilita o acolhimento da comunidade”.
Segundo Márcio, o sucesso do samba amplia as expectativas: “O fato de termos um samba elogiado pelo mundo do samba torna essa gravação ainda mais especial. A gente furou a bolha. É um samba que fala para o carnaval inteiro e traz uma responsabilidade imensa”.
Arranjo de luxo: flauta indígena e diálogo com a bateria
Um dos responsáveis pelo arranjo, Cicinho (Anderson Luiz Leite Silva), ressaltou o equilíbrio entre a tradição e a inovação:
Cicinho (Anderson Luiz Leite Silva)
“Nós trouxemos uma formação clássica de samba-enredo, com dois violões, dois cavacos, um cavaco bandolim, violão de seis e de sete cordas. Dentro da temática indígena, incluímos uma flauta com timbre nativo. Esse foi o diferencial para remeter ao tema”, explicou.
O arranjador destacou também o diálogo entre bateria e ala musical: “Tem uma bossa que a bateria faz um agueré e a gente acompanha junto. Foi um casamento legal. Eu sempre digo: o samba é o modelo, e nós, arranjadores, somos os estilistas — precisamos vestir o samba com a melhor roupa”.
Harmonia: desafio e maturidade
Para o diretor de Harmonia, Rogério Félix, o samba é, ao mesmo tempo, um presente e um desafio.
Diretor de Harmonia, Rogério Félix
“O fato de o samba ser tão elogiado aumenta muito nossa responsabilidade. Pedimos aos compositores que mostrassem a maturidade da escola. Apostamos em uma forma de fazer samba diferente e acertamos”, afirmou.
Segundo ele, as mudanças recentes nos quesitos de julgamento também influenciaram o trabalho. “Estamos adaptando nossa estrutura às novas regras de Harmonia e Samba-Enredo. É um samba que exige atenção às palavras e à divisão rítmica. É muito ensaio, muito trabalho do jeito Dragões de ser”.
Compositor celebra ‘magia’ da obra
Um dos autores do samba, Alemão do Pandeiro, falou com emoção sobre o impacto da composição.
Compositor Alemão do Pandeiro
“Esse samba é mágico. Desde que o terminamos, já sabíamos que havia algo especial. Ele é forte, tem mensagem e traz a energia da Jurema, com o refrão ‘quando o chão estremecer, juremá juremê’. Essa força vai mover a Dragões no Anhembi”, disse.
Para o compositor, o resultado superou as expectativas: “A gente acertou na veia. É difícil isso acontecer. Esse samba representa um marco na nossa trajetória e vai nos levar a um grande resultado”.
Interpretação consciente e popular
À frente do carro de som, Renê Sobral destacou a importância de respeitar a voz e o público. “Evito água gelada, durmo bem e preparo a voz com maçã e hidratação. Mas o principal é pensar no povo. Se eu canto fora do meu tom, o povo não alcança. O samba é o povo cantando — eu sou só a referência”, disse o intérprete.
Intérprete Renê Sobral
Renê reforçou que o samba precisa fluir naturalmente: “Temos um samba bonito, inteligente, sem clichês. É deixar o povo cantar e o samba acontecer”.
A Amizade Zona Leste viveu um momento especial durante a gravação do samba para o álbum oficial da Liga-SP para o Carnaval 2026. De volta ao Anhembi após um período de reconstrução, a escola levou para Fábrica do Samba toda a sua energia, disciplina e musicalidade para registrar o samba que marca o retorno com um tema de forte identidade afro-brasileira.
Cordas em destaque e diálogo musical marcam o arranjo
Responsável pela direção musical e por parte dos arranjos, Julio Plenitudy (Beba) explicou que o objetivo foi valorizar as cordas e as influências afro do enredo.
“A minha escolha foi privilegiar os arranjos das cordas. Fizemos passagens afros que deram muito certo no estúdio, e agora vamos levar para a avenida. O mais especial da gravação, para mim, foi a Batucada do Amizade. Os ponteiros, o repique, o pandeiro, o tamborim e o surdo deram um show. As cordas ajudaram a batucada, e depois a bateria veio e cumprimentou. Foi lindo”.
Julio Plenitudy (Beba) e Junior ABC
O também arranjador Junior ABC ressaltou que o samba traduz as origens africanas e traz uma proposta musical inovadora para o carnaval paulista.
“O tema é afro, então a própria bateria faz um alujá, trazendo reminiscências africanas do samba. É o toque principal e a cereja do bolo da faixa. A gente está trabalhando em conjunto, canto, cordas e bateria, em um diálogo musical. É uma proposta nova dentro do carnaval, um trabalho de harmonia real entre os setores”.
Bateria ‘Chapa Quente’ aposta em andamento sereno e bossas integradas
O mestre Vinícius Nagy detalhou a preparação da bateria e o cuidado em transmitir a identidade da escola por meio do ritmo.
Mestre Vinícius Nagy
“Escolhemos o andamento 144 BPM (batidas por minuto) para vir na manha, aproveitando o samba e mostrando a nossa levada de caixa, que é rufada e bem característica. Ensaiamos bastante e trouxemos três bossas para o estúdio. Na avenida, vamos unificá-las em uma grande bossa”.
O mestre também destacou a superação recente da escola e a meta de repetir o bom desempenho técnico. “É diferente fazer o samba do retorno. Em 2025, trabalhamos muito, reforçamos a base da bateria e conseguimos a nota máxima na UESP. Nosso maior desejo é entregar de novo a nota máxima em bateria”.
Trio de intérpretes valoriza técnica, energia e reencontro com o Anhembi
O time de intérpretes formado por Eliezer PQP, Adauto Jr. e Julia Kbelopixaim mostrou entrosamento e dedicação na preparação vocal.
“Meu estilo é mais técnico, sempre tento fazer uma voz diferenciada, uma terça ou oitava, encaixando onde couber”, contou Eliezer.
Time de intérpretes formado por Eliezer PQP, Adauto Jr. e Julia Kbelopixaim
Adauto completou: “Tem partes do samba em que a gente usa técnica e outras em que tem que inflamar o povo. O carnaval é o canto do povo. Esse samba é especial: marca o nosso retorno e a força da escola”.
Julia reforçou a importância da conexão com a comunidade: “O que faz uma escola campeã é a energia que gira o ano inteiro. Voltamos com força total, renascendo das cinzas”.
O trio também revelou cuidados de bastidores: sono, hidratação e aquecimento vocal foram fundamentais para garantir uma boa performance.
Organização exemplar e espírito de superação
O presidente Camilo Augusto destacou a disciplina e a pontualidade que marcam o “Padrão Amizade”.
“A escola é muito organizada e não atrasa sequer minutos. A gravação estava marcada para 10h e às 9h30 já estávamos prontos. É o que chamamos de Padrão Amizade. Consideramos trânsito, distância e tudo mais. Chegamos com antecedência”.
Presidente Camilo Augusto
Com cerca de 120 integrantes presentes, a escola levou representantes de todos os segmentos, incluindo comissão de frente, bateria, casal de mestre-sala e porta-bandeira, baianas e Velha Guarda.
“Trouxemos um pedaço do que vamos apresentar no desfile. A gravação é um reflexo do nosso propósito: apresentar com excelência, para nós mesmos e para o público”, disse o presidente.
Camilo também fez questão de reforçar o espírito esportivo e o compromisso com o regulamento.
“Quando somos campeões é maravilhoso, mas quando caímos, levantamos a poeira e vamos para cima. O descenso foi difícil, mas nos fez mais fortes. O Amizade tem que fazer grandes carnavais sempre, com vontade de ganhar sempre é o que nos move”.
O retorno com alma, ritmo e disciplina
De volta ao palco principal do samba paulistano, a Amizade Zona Leste mostrou que o caminho da superação passa pela união, pela técnica e pela energia coletiva. Com um samba de raiz afro e arranjos precisos, a escola entra em 2026 pronta para provar, mais uma vez, que amizade e garra são sinônimos de excelência.
A Estação Primeira de Mangueira deu mais um passo histórico na construção de um futuro com mais oportunidades para seus componentes e moradores. Em um momento em que o país ainda enfrenta grandes desigualdades, a Verde e Rosa saiu na frente ao pensar em quem faz a escola pulsar: seus colaboradores, ritmistas e a própria comunidade. Nesta quarta-feira, a quadra se transformou em um símbolo de resistência e esperança com o lançamento do polo educacional da Faculdade Celso Lisboa, que vai oferecer bolsas integrais de graduação digital para todos os segmentos da escola, moradores do morro e das redondezas.
O projeto é fruto de uma parceria idealizada há mais de um ano entre a reitoria da Celso Lisboa e a presidência da Mangueira. A proposta é poderosa: levar o ensino superior para dentro da escola de samba, eliminando barreiras geográficas e financeiras que impedem o acesso à universidade.
“Queremos que o morador da comunidade, o ritmista e o trabalhador não precisem se deslocar até o campus. O objetivo é que possam estudar aqui mesmo, no coração da Mangueira, com bolsas 100% gratuitas. A princípio, são 300 vagas, mas o céu é o limite. Quero ver o maior número possível de pessoas transformando suas vidas pela educação”, destacou Felipe Kotait Borba, CEO da Celso Lisboa”.
Felipe Kotait Borba, CEO da Celso Lisboa
Felipe lembrou que a Celso Lisboa já tem mais de 50 anos de história e nasceu com a missão de ampliar o acesso ao ensino. “Sou apaixonado pela Mangueira. Não poderíamos inaugurar esse projeto em outro lugar. Depois de uma semana difícil para o Rio, inaugurar um polo que representa resistência e futuro é uma dádiva. A educação muda não só o destino de quem estuda, mas o de toda uma família”.
A presidente da Mangueira, Guanayra Firmino, reforçou o papel social e o compromisso da escola com sua comunidade. “A Celso Lisboa já era nossa parceira há muito tempo, oferecendo bolsas em número menor. Quando o Felipe trouxe essa proposta maior, amadurecemos a ideia e abraçamos imediatamente. É o tipo de operação que o povo precisa: educação, cultura e oportunidade. Cultura salva vidas, e é disso que o Brasil precisa, mais iniciativas como essa”, afirmou a dirigente.
Guanayra ainda destacou que as inscrições já estão abertas, sem limite de vagas, e que o formato digital permitirá que mais pessoas sejam atendidas. “É um orgulho ver nossa quadra se tornando um polo de ensino superior. Estamos abrindo as portas da Mangueira para o conhecimento e para o futuro”, completou.
A cerimônia contou também com a presença da reitora Vanessa Lacerda, que emocionou o público ao compartilhar sua trajetória. “Sou mulher negra, filha de empregada doméstica e vinda de uma comunidade. A educação superior transformou minha vida e a da minha família. Hoje, poder inaugurar este polo e ver a Mangueira se tornando símbolo de resistência educacional é algo que me emociona profundamente. A Celso é resistência, a Mangueira é resistência. Acreditamos na educação como caminho de transformação social”.
Reitora de Celso Lisboa, Vanessa Lacerda
A mentora da Celso Lisboa, Carina Lisboa, neta do fundador Nelson Lisboa, destacou a importância da história compartilhada entre as duas instituições. “Celso Lisboa e Mangueira juntas somam mais de 150 anos de história. Essa parceria não começou hoje. Há mais de duas décadas atuamos lado a lado em projetos esportivos, culturais e agora educacionais. Consolidamos aqui o nosso terceiro pilar: a educação. Nossa metodologia é própria, construída dentro da realidade brasileira, baseada na aprendizagem por projetos. Temos orgulho de oferecer um ensino de qualidade que respeita o contexto de cada aluno”.
Entre os nomes lembrados durante o lançamento estava Claudiene Pereira, responsável pelos projetos da escola e agora à frente da mobilização da comunidade para o novo polo. Ex-passista e ex-rainha de bateria da Mangueira, Claudiene também é formada em Pedagogia e representa o que o projeto significa na prática: oportunidade e retorno à origem. “Sou filha desta terra e fruto de um projeto social. Sinto-me honrada. Essa é uma chance para jovens e adultos que nunca conseguiram ingressar numa faculdade. Teremos um espaço equipado com computadores para quem não tem acesso em casa. É um marco para nossa comunidade e para a nossa escola”, afirmou.
Claudiene Pereira, responsável pelos projetos da escola e agora à frente da mobilização da comunidade para o novo polo
Emocionado, o ex-presidente Elmo José dos Santos relembrou a trajetória da escola e a importância do momento. “Eu não sou uma pessoa de sorte, sou uma pessoa abençoada. No meu tempo, a gente via os amigos morrerem ou irem pra cadeia porque não tinham chance. Hoje, a gente vê a Mangueira inaugurando um polo de educação superior. Isso é o futuro. O verde da nossa bandeira representa a esperança, e o rosa, o amor. Amor que a Celso Lisboa trouxe pra Mangueira”.
O edital do projeto, lançado oficialmente durante o evento, prevê bolsas de 100% para cursos de graduação digital oferecidos no polo da Mangueira. Mesmo sendo gratuito, haverá prova de vestibular solidário, de caráter educacional, garantindo que todos os candidatos participem de um processo seletivo. As inscrições começam no dia 5 de novembro, com cadastro online, envio de documentos e matrícula acompanhada por consultores da faculdade. A concessão é totalmente educacional, sem sorteio nem cobrança de taxa.
Os cursos oferecidos contemplam áreas como Administração, Pedagogia, Educação Física, Psicologia, Recursos Humanos, Ciências Contábeis, Gestão Pública, Enfermagem, Engenharia Civil e Tecnologia da Informação, Marketing, Marketing Digital, Letras (Português/Inglês), Serviço Social, Logística e Saneamento Ambiental, entre outros. As aulas terão início em fevereiro de 2026.
Para mais informações sobre o processo seletivo, inscrições e cursos disponíveis, os interessados podem acessar o site oficial da parceria (acesse aqui)ou entrar em contato pelos perfis oficiais no Instagram da Faculdade Celso Lisboa e da Estação Primeira de Mangueira.
Com computadores de última geração, ar-condicionado e estrutura moderna, o novo polo da Mangueira já nasce como referência em inclusão e transformação social. O projeto traduz o que há de mais potente quando educação e cultura caminham juntas.
“Depois de tudo o que vivemos, é simbólico ver a Mangueira abrir suas portas para o ensino superior. É resistência, é amor e é futuro”, afirmou Felipe Borba ao encerrar a cerimônia.
Restando 100 dias para a Unidos da Tijuca pisar na Marquês de Sapucaí, a agremiação passa a intensificar ainda mais os seus ensaios de comunidade buscando o retorno do desempenho máximo nos quesitos Harmonia e Evolução. A agremiação ensaiará na rua todas as quintas-feiras até o carnaval. A concentração acontece às 19 horas na quadra da escola localizada na Avenida Francisco Bicalho nº 47, próximo a Rodoviária Novo Rio, no Santo Cristo.
Focada em adquirir excelentes resultados, os trabalhos não cessam na Unidos da Tijuca, que até outubro focou seus treinos no canto da escola dentro da quadra e agora passa a trabalhar com intensidade os quesitos de chão visando aprimorar a questão de técnica de desfile, canto e dança.
“Elaboramos um planejamento que foi iniciado em setembro e vem preparando todos os componentes da escola para cantar com imponência nosso samba-enredo e mostrar a garra e a emoção dos nossos segmentos”, explica o diretor de harmonia Allan Guimarães.
O ensaio acontece atrás da quadra da agremiação na Via D1 (rua Geógrafo Milton Santos) no Santo Cristo. A escola conseguiu liberação da rua mais cedo com a CET-Rio, um antigo pedido dos componentes, para que todos possam retornar mais cedo para o lar. Sendo assim, os treinos iniciarão impreterivelmente às 21 horas.
A Unidos da Tijuca será a quarta escola a desfilar na segunda-feira de carnaval, dia 16 de fevereiro, pelo Grupo Especial com o enredo ” Carolina Maria de Jesus” de desenvolvimento do carnavalesco Edson Pereira.
A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) está preparando o maior espetáculo da Terra para os adultos e, agora, também para as crianças. Os desfiles das escolas mirins prometem emocionar o público na Marquês de Sapucaí, em um formato que incentivará uma valorização ainda maior aos pequenos sambistas, que são o futuro do Rio Carnaval.
Pela primeira vez, os desfiles serão divididos em datas diferentes, possibilitando uma melhor logística para atender os jovens e os pais. Dessa vez, 12 agremiações desfilarão na sexta-feira, dia 20 de fevereiro, véspera do Desfile das Campeãs, enquanto oito escolas se dividirão na abertura de ensaios técnicos, em datas que serão divulgadas posteriormente.
“É nossa missão valorizar o futuro do samba. Por isso, desde o ano passado, fizemos questão de incorporar os desfiles mirins ao calendário oficial do Rio Carnaval. Neste ano, por um pedido das 20 agremiações, faremos ainda mais. Atuaremos diretamente na organização, desenvolvendo desde a logística à comunicação, fazendo de tudo para engrandecer o trabalho social e cultural que as escolas já fazem”, ressaltou a diretora Cultural da Liesa, Evelyn Bastos.
A ordem dos desfiles, assim como outros detalhes sobre as apresentações, será divulgada em breve, nos canais oficiais da Liga.
Referência na Vila Vintém e no mundo do samba, Andressa Marinho, a Dedê, rainha de bateria, conversou com o CARNAVALESCO e falou sobre da trajetória, as experiências internacionais e a responsabilidade de representar a comunidade do Boi Vermelho. Questionada sobre a experiência de ter sido embaixadora do Carnaval na China, Dedê destacou a importância cultural da vivência.
“Foi uma experiência maravilhosa trabalhar com minha paixão, que é a arte e o samba no pé, e levar nossa cultura para o outro lado do mundo. A língua não dominava, mas o ritmo, a melodia e as linguagens corporal e rítmica falavam por si. É uma experiência que vou guardar para sempre, no coração e no currículo. Sou muito grata. E dizem que vamos estar novamente na China”, adiantou com entusiasmo.
Ao falar sobre como o carnaval transformou sua vida, a rainha foi enfática: “O carnaval foi uma virada de chave para mim. Abriu portas e novos caminhos. Nunca imaginei que me levaria tão longe, mas tenho fé que continuará me proporcionando coisas incríveis. O samba vai dominar o mundo inteiro”.
A paixão pela Unidos de Padre Miguel também foi lembrada pela beldade, que ressaltou sua longa história com a escola.
“Sou UPM desde pequena, estou na escola desde 2006. Nunca fiquei um ano fora, nem com o nascimento do meu filho. Ver a escola em ascensão, retornando ao Grupo Especial depois de tanto tempo, com um enredo e um samba fortes, com um chão que grita e espalha sua energia por todos os cantos, é emocionante. Ser a maior representante do público feminino, da classe das passistas, e chegar a rainha de bateria nesse momento em que a escola está fervendo é uma enorme realização, cheia de representatividade. Tenho muita gratidão à direção e à minha escola por confiar em mim para assumir esse cargo e representar todos os que levo dentro do meu coração”.
Reconhecida pelo carinho do público, Dedê destacou a importância da torcida que acompanha sua trajetória desde o concurso da Riotur.
“Se hoje sou rainha de bateria é porque o povo do samba me colocou aqui. Sempre fui passista, e o concurso da Riotur foi o que virou a chave. Ele me lançou para o mundo. Desde então, criei uma torcida fiel e forte que pedia ‘Coroa nela!’, mesmo após o resultado negativo. Se não veio no concurso, veio em casa. A internet puxou essa hashtag para mim. Devo isso ao carinho do povo”.
Com carisma e pés firmes no chão da Vila Vintém, a majestade ressaltou a importância da humildade, mesmo após alcançar o reinado.
“Sempre vou manter minha essência e minha humildade. São coisas que nunca vou mudar, porque sempre admirei outras pessoas, principalmente mulheres, e sei que o melhor de tudo é sua referência te receber com carinho e atenção. Ter essa troca e conexão real faz toda a diferença. É isso que eu admiro, é isso que eu sou. Sou Vila Vintém, sou esse chão, sou simples, sou sambista, e amo receber e retribuir todo o carinho do público que me apoia e está comigo até hoje”.
Ao mencionar suas inspirações no carnaval, a artista citou nomes de peso: “Minhas referências vão de Evelyn Bastos, Raíssa de Oliveira e Camila Silva a Mayara Lima, que revolucionou o cargo. Também tenho referências em casa: Elayne Nascimento, Jorge Lousada, Carlinhos do Salgueiro. O samba é troca, e cada pessoa contribuiu para a passista e rainha que sou hoje. Estou sempre aprendendo, não só ensinando. As trocas que tenho e o que cada pessoa deixa em mim são minhas referências. O samba em si é a minha referência”.
Por fim, Dedê deixou um recado para o público sobre o que esperar do Carnaval 2026: “Podem esperar inovação. Sempre me cobro para me superar. Se o primeiro ano como rainha já foi mágico, no segundo, falando de Clara Camarão e dos povos originários, será ainda melhor. Quero me superar nas produções e nos detalhes da fantasia. A UPM virá com força, representatividade, garra e muito empoderamento feminino. Esperem muito, porque a UPM vem aí”.
Estreando no Grupo Especial, a Acadêmicos de Niterói realizou, no último dia 30 de setembro, a gravação do seu samba oficial para o Carnaval 2026. A escola da Cidade Sorriso levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, do carnavalesco Thiago Martins, que conta a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A gravação ocorreu no Estúdio Century, e o CARNAVALESCO conversou com alguns integrantes da agremiação que participaram desse momento histórico para a escola.
Gustavo Vieira, de 15 anos, ficou muito feliz em participar da gravação da agremiação onde deu seus primeiros passos no samba. O jovem estudante começou a tocar no ano passado e está ansioso com a repercussão do samba, imaginando como a Sapucaí vai receber a caçula do Especial exaltando o presidente do Brasil.
“Estou bem feliz. A Niterói subiu, gosto muito e comecei na Niterói. Estar no Grupo Especial agora, ter essa oportunidade de vir ao estúdio gravar com meus amigos e o mestre de bateria, é algo que me deixa muito contente. O samba e o enredo são bem fortes, até porque a Niterói acabou de subir e está falando do presidente Lula, um tema que divide opiniões. Acho o enredo bom e potente, sobre o nosso presidente. A Avenida toda vai cantar, vai ser uma coisa muito maneira”, disse Gustavo.
Pablo de Oliveira, músico de 27 anos, toca na “Cadência de Niterói” desde 2024 e se emocionou ao participar da gravação. Ele destacou a força da obra que a Azul e Branco levará à Sapucaí e acredita que o samba conquistará os foliões.
Pablo de Oliveira
“É bacana pra caramba! A escola acabou de subir para o Grupo Especial. É a minha primeira vez gravando. O samba é bonito, a melodia mexe bastante com a gente, falando do presidente Lula. É uma obra que toca o coração, não só o meu, mas acredito que o de todo mundo”, afirmou o músico.
Vinicius Braga, de 32 anos, que está na Niterói desde 2023, também participou da gravação e destacou seu verso favorito do samba, ‘Vale uma nação, vale um grande enredo, em Niterói o amor venceu o medo’.
Vinicius Braga
“É gratificante fazer parte dessa gravação, a primeira no Grupo Especial, de uma escola recém-chegada. Pra mim, é uma satisfação enorme estar presente nesse momento. O samba traz uma representatividade política muito forte. Sou negro, de favela, pobre, e o enredo fala de um presidente que representa muito pra gente. Fui beneficiado por programas como o Pronatec, onde me formei, então é gratificante contar um pouco da história de um presidente que considero um dos melhores do Brasil”, afirmou Vinicius.
Diego Nicolau também integrou o coro da gravação marcando seu retorno à ala musical de uma escola de samba. O cantor elogiou a escolha de Dona Lindu, mãe do presidente Lula, como narradora da história do filho.
Diego Nicolau
“O que me motivou muito a vir é o enredo. Acho incrível mostrar a vida do maior estadista do país, um homem com uma trajetória tão marcante. Isso me motivou a voltar ao time de canto, agora na Niterói, com o Emerson. A expectativa é a melhor possível. A escola está se preparando muito bem, com uma equipe excelente, e vamos brigar para fazer um desfile bonito. Os compositores foram muito felizes em colocar a mãe do Lula como narradora da história. Isso deixou tudo mais emotivo e verdadeiro. O samba é aguerrido, crítico, bate em quem tem que bater. É muito atual, mesmo contando a trajetória do personagem. Acho que as pessoas vão se enxergar ali. Quem é pobre no Brasil se espelha no presidente Lula, porque é uma história parecida com a de muitos brasileiros. Vai ficar muito bonito”, declarou Nicolau.
A Mocidade Unida da Mooca viveu um dia histórico durante as gravações do álbum oficial da Liga-SP para o Carnaval 2026. Pela primeira vez na elite do samba paulistano, a agremiação da Zona Leste apresentou em estúdio o samba que embalará o enredo sobre o Portal Gueledés e o protagonismo da mulher negra. A gravação foi marcada por emoção, técnica e um sentimento coletivo de conquista. Autor do samba e responsável pelo arranjo, Marcos Vinícius (Marquinhos) destacou ao CARNAVALESCO a importância da energia positiva e da união entre os departamentos musicais.
“O samba, quanto mais para cima e com mais energia ele tiver no seu nascimento, é melhor para trabalhar. Todos os departamentos da escola atuam de forma brilhante e em conjunto. Na MUM, o destaque é o conjunto. O departamento musical é coeso, trabalha unido, e o plano da faixa é montado por todos. O que se sobressai é o pavilhão, a escola que nos dá liberdade para criar e arranjar”, ressaltou.
Marquinhos também comentou o trecho mais simbólico da obra, que reforça o caráter social e a força da mensagem do enredo.
“A parte mais marcante da gravação é o trecho ‘Vem ser mais uma mulher/A voz que espalha o bem/Ninguém solta a mão de ninguém’. Essa estrofe diz tudo sobre a luta da mulher negra. A MUM trazer esse tema é muito importante. É mais do que um samba: é uma causa. Nós, como homens, temos que estar ao lado das mulheres negras na luta por dignidade e representatividade”, afirmou.
Interpretação equilibrada entre técnica e emoção
O trio de intérpretes Gui, Sté e Emerson celebrou a oportunidade de traduzir o sentimento da comunidade em uma gravação que equilibrou emoção e precisão.
“Tem que ter um pouquinho de jogar para a galera e um pouquinho de técnica. Conseguimos passar a emoção do samba e também mostrar toda a qualidade musical da MUM”, disse Gui.
“Não dá para ser muito técnico, mas também não dá para deixar a emoção tomar conta 100%. Foi lindo o que aconteceu aqui”, completou Sté.
Emerson resumiu o sentimento em uma frase: “Foi um momento único, técnico, emocionante, raçudo, classudo e ‘Mocudo’. Foi uma porrada”.
Sobre a preparação vocal, Sté destacou a importância de cuidados básicos. “O sono e a hidratação são essenciais para manter a voz legal. Nesse tempo maluco de São Paulo, se não cuidar, não tem como”.
Emerson completou com humor: “A gente não para! Ensaiamos domingo, terça, quinta, gravamos sexta e domingo tem mais ensaio. O descanso e a hidratação são fundamentais”.
Bateria Chapa Quente com andamento firme e foco na mensagem
O mestre de bateria, Dennys Silva, falou sobre a emoção de participar da primeira gravação da MUM como escola do Grupo Especial.
“É um momento mágico. Estamos passando por várias primeiras vezes e mantendo o pé no chão. Ensaiamos muito e vamos com andamento 144 BPM (batidas por minuto). A Chapa Quente vai para a pista com quatro bossas, mas, no disco, optamos por duas pequenas, para deixar o samba brilhar e multiplicar a mensagem linda do nosso enredo”.
Organização e legado coletivo
O diretor de Carnaval e compositor, Vitor Gabriel, destacou a logística da gravação, que envolveu 115 integrantes entre ritmistas, alas e o carro de som.
“Metade veio direto e metade de ônibus da escola. Foi uma concentração tranquila. Talvez esse tenha sido um dos sambas mais especiais da minha vida. Fazer parte da composição do primeiro samba da história da MUM no Grupo Especial paga tudo. É um legado para a escola e para nós, compositores”.
Sobre seu trecho favorito, Vitor revelou apego especial ao final da obra. “A cada dia muda meu trecho preferido, mas, no momento, o meu xodó é o finalzinho do samba: ‘Ninguém solta a mão de ninguém/Vem ser mais um’. É um trecho que pega todo mundo. O samba inteiro é um xodó”.
A Acadêmicos do Tucuruvi gravou oficialmente seu samba-enredo para o Carnaval 2026, na Fábrica do Samba. mantendo firme a identidade sonora e o DNA rítmico que marcam a trajetória da escola. A obra, que embalará o enredo “Anti-Herói”, foi realizada em clima de concentração e orgulho. O intérprete Hudson Luiz, o arranjador Ricardo Rigolon (Chanel), o diretor de carnaval Rodrigo Delduque e o experiente mestre Serginho, responsável pelo inconfundível andamento da bateria, conversaram com o CARNAVALESCO.
À frente da bateria, mestre Serginho reforçou que o andamento de 142 BPM (batidas por minuto) segue como a marca registrada da escola e símbolo de identificação da comunidade.
“Nosso andamento será a mesma coisa de sempre: 142 e está tudo certo. É a cara da escola, uma identidade que a gente está formando. Onde for, sempre vai ser isso aí”, afirmou.
O mestre relembrou que o mesmo ritmo vem sendo mantido com sucesso desde o enredo Ifá (2024).
Mestre Serginho
“É difícil segurar esse andamento, mas a comunidade já se identifica com ele. Foi assim com o Ifá, com o Assojaba e está sendo assim agora com o Anti-Herói. Vai ser sempre isso daí, até o dia que os caras me mandarem embora”, brincou.
Durante a gravação, a bateria apresentou apenas uma das bossas criadas especialmente para o desfile, mantendo as demais sob sigilo até os ensaios.
“Gravamos só a bossa da introdução e da cabeça do samba. As outras três bossas a gente lança nos ensaios. Temos um cronograma certinho, com prazos para cada parte. A pior coisa é atropelar os processos”, explicou.
Com a gravação finalizada, Serginho admitiu o peso da responsabilidade. “Bate aquele frio na barriga. Não dormi a noite. Agora que acabou, é relaxar um pouco. A responsabilidade é grande — é o nome da comunidade que está ali”.
Arranjo com pegada afro e balanço de partido alto
O arranjador Ricardo Rigolon (Chanel) destacou a musicalidade do samba e as nuances que o tornam cativante.
Arranjador Ricardo Rigolon (Chanel)
“Gosto muito do samba do Tucuruvi de 2026. É um samba curto, com um refrão do meio bem balançado, meio partido alto, e uma pegada afro logo no início. Acertaram nesse samba, eu gosto demais. É tão gostoso que a gente não queria parar de tocar. Passamos duas vezes e lamentamos que acabou. Acho que o destaque é o refrão do meio, muito bem construído e com balanço natural”.
Segundo ele, o arranjo foi pensado para valorizar a harmonia e a voz do intérprete, sem perder o caráter rítmico.
“Como o samba tem essa coisa de partido alto e samba de roda, trouxe isso para a introdução. Depois, entra o coral das meninas, que sempre fazem aberturas de voz lindas. Há um pingue-pongue entre cordas e coral, até o samba entrar com força total”.
Técnica e emoção em equilíbrio
Para o intérprete Hudson Luiz, a gravação da faixa oficial em São Paulo é um momento de técnica e emoção em doses iguais.
“Você tem toda a comunidade no entorno, e isso muda tudo. É preciso mesclar técnica e emoção. A gravação vai para o mundo inteiro, então exige precisão, mas nunca dá para esquecer o que se sente ali. Esse é o samba da volta por cima do Zaca. A comunidade abraçou desde o início. Acreditamos muito que será o samba da nossa retomada ao Grupo Especial”, disse.
O cantor também revelou sua rotina de preparação vocal. “Tomo muito líquido, evito bebidas alcoólicas e nada gelado. Faço refeições leves e com frutas. A voz é instrumento de trabalho, precisa estar no melhor momento possível”.
Estrutura e foco coletivo
O diretor de carnaval, Rodrigo Delduque, elogiou a estrutura da gravação da Liga-SP e a organização interna do Tucuruvi.
“Viemos com toda a nossa comunidade, 40 ritmistas, 60 componentes de ala, corpo de musas, rainha e primeiro casal. Foi tudo tranquilo, com concentração na quadra e ônibus fretado. Estamos felizes de participar de um evento que valoriza o carnaval de São Paulo”.
Diretor de carnaval, Rodrigo Delduque
Delduque também destacou o trabalho do carnavalesco Nícolas Gonçalves, autor do enredo “Anti-Herói”, e o clima de confiança que envolve a equipe.
“É um enredo ousado, diferente, que retrata muito o nosso momento. Temos um samba bom, um enredo bom, e a galera está com o samba na ponta da língua. O projeto é forte e a comunidade está animada”.