Início Site Página 1543

Sambódromo da Marquês de Sapucaí já recebe 170 pessoas em situação de rua

    0
    No total 170 vagas foram oferecidas no Sambódromo, todas já ocupadas. Foto: Marco Antônio Rezende/Prefeitura do Rio
    No total 170 vagas foram oferecidas no Sambódromo, todas já ocupadas. Foto: Marco Antônio Rezende/Prefeitura do Rio

    A Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SMASDH), realizou a abertura de mais uma unidade no Sambódromo para acolher pessoas em situação de rua. O novo espaço adaptado, com capacidade para 50 homens adultos, tem a mesma estrutura das outras duas unidades: quartos com camas, ventiladores, cômodas, além das instalações de mais pias e chuveiros.

    Profissionais da SMASDH fizeram abordagem nesta manhã em Copacabana, Centro, Catete, Largo do Machado, Flamengo e Botafogo. Aquelas que aceitam o acolhimento recebem um kit higiene, roupas, calçados, roupas de banho, além de cinco refeições por dia.

    “O espaço adaptado no Sambódromo tem dado muito certo. A maioria das pessoas em situação de rua entendeu o quanto esse vírus pode ser perigoso e que esta é melhor forma de combatê-lo. Os acolhidos têm espaço para realizar a higiene pessoal de forma adequada, além de receber toda assistência da equipe da SMASDH”, explicou a secretária de Assistência Social, Tia Ju.

    A nova unidade também terá um quarto para isolamento, caso algum acolhido apresente sintomas de Covid-19. Um espaço para leitura, jogos e televisão também foi montado. Esta já é a terceira ala adaptada, totalizando 170 vagas, todas ocupadas.

    Debate Quesito Fantasias: com Tarcisio Zanon, Gabriel Haddad e Cahe Rodrigues

      0

      Diretor de carnaval da Mocidade é internado com Covid-19

      0

      marino

      Marquinho Marino, diretor de carnaval da Mocidade Independente de Padre Miguel, foi internado nesta terça-feira, e após fazer exames o resultado deu positivo para Covid-19. O sambista é um dos principais nomes do carnaval do Rio de Janeiro e referência na direção de carnaval. A informação apurada pelo site CARNAVALESCO foi confirmada pela assessoria de imprensa da escola.

      Marino passou por todos os estágios dentro da Mocidade Independente de Padre Miguel. Além do diretor de carnaval, a verde e branco está com a responsável pelo departamento cultural, Paula Rosário, diagnosticada com Covid-19, mas em fase mais branda e com todos os cuidados em sua casa. Tânio Mendonça, da ala de compositores, está internado.

      Covid-19 no Brasil

      No Dia Internacional da Enfermagem, comemorado nesta terça, o Ministério da Saúde divulgou informações sobre a saúde mental e o contágio de Covid-19 dos profissionais de saúde.

      De acordo com secretário substituto de Vigilância em Saúde, houve a notificação de 884 profissionais da saúde contaminados pelo novo coronavírus. Deste total, 57% são enfermeiros, técnicos de enfermagem ou auxiliares de enfermagem. O levantamento também mostrou que 6% dos profissionais de saúde apresentaram sintomas de ansiedade ou depressão por causa da pandemia.

      Até segunda-feira, Brasil registrava 168.331 casos confirmados e a 11.519 mortes pela covid-19. O balanço diário do Ministério da Saúde mostrava que 69.232 pacientes estão recuperados. A taxa de letalidade foi em 6,8%. São Paulo se mantém como epicentro da pandemia no país, concentrando o maior número de falecimentos (3.743). O estado é seguido pelo Rio de Janeiro (1.770), Ceará (1.189), Pernambuco (1.087) e Amazonas (1.035).

      Vamos relembrar agora de Candaces: Desfile do Salgueiro 2007

      0

      Lins Imperial terá dupla de mestres de bateria no retorno à Sapucaí

      0

      Na bateria da agremiação desde 1996, sendo desde 2005 como mestre, Adílio Cunha seguirá no comando da “Verdadeira Furiosa” da Lins Imperial ao lado de Jorginho Imperial, que estreou no cargo no último carnaval. Os profissionais renovaram o contrato com a agremiação para mais um ano buscarem a pontuação máxima no segmento.

      Oriundo da escola de samba mirim Infantes do Lins, Adílio mostra satisfação em dar seguimento ao trabalho por mais um carnaval na sua escola de coração.

      “Espero voltar a somar os 40 pontos tão necessários para ajudar a escola neste retorno para a Marquês de Sapucaí. Aguardamos o fim da pandemia para retornar as atividades. Os ensaios serão ainda mais importantes”, explica o mestre.

      mestres lins

      Jorginho Imperial também é oriundo da escola de samba mirim Infantes do Lins, por onde desempenhou a função de mestre de bateria por 3 carnavais. Filho do intérprete Waldir Imperial (in memoriam), começou a desfilar na Lins Imperial na ala das crianças em 2001 e em 2003 já passou para a bateria como ritmista, com apenas 11 anos de idade. Desde 2010 como diretor de bateria da Lins Imperial, teve a oportunidade de se tornar mestre de bateria no último carnaval, já sendo campeão em seu primeiro ano.

      “Minha mãe é diretora da escola e meu pai foi intérprete oficial. Carrego o sobrenome dele como uma homenagem. A Lins Imperial é mais do que uma escola de coração, é a minha casa e a minha família. Trabalharemos com muita dedicação no retorno ao palco principal dos nossos desfiles. Não almejamos sair da Sapucaí nunca mais”, declara Jorginho.

      A Lins Imperial desfilará em 2021 pela Série A da Lierj. A agremiação aguarda o fim da pandemia para iniciar a sua programação e preparativos para o próximo carnaval.

      Vencedora do BBB20 e representante da Mocidade Alegre, Thelma grava vídeo sobre a Covid-19

      0

      Campeã do Big Brother Brasil 20, Thelma, médica anestesista, integrante da Mocidade Alegre, gravou um vídeo para Prefeitura de São Paulo sobre a pandemia da Covid-19.

      Veja abaixo o vídeo:

      Portela distribui cestas básicas e máscaras para mais 244 famílias

      0

      A Portela distribuiu, no último sábado, cestas básicas e máscaras de tecido para mais 244 famílias previamente cadastradas pelo Departamento de Cidadania da escola. Na véspera do Dia das Mães, a agremiação também serviu 100 quentinhas para moradores em situação de rua. As ações fazem parte da campanha Águia Solidária, que segue arrecadando cestas básicas para moradores de Madureira, Oswaldo Cruz e região, durante a pandemia do coronavírus.

      Desde o início da campanha, em abril, a Portela já conseguiu entregar o equivalente a 18 toneladas de alimentos e produtos de higiene (726 cestas básicas). A escola também continua distribuindo máscaras de pano produzidas em seu barracão, na Cidade do Samba, em parceria com a Liesa. A meta é confeccionar cinco mil unidades.

      Além de componentes da escola e moradores da região de Madureira, a escola destinou máscaras para profissionais da rede municipal de saúde e para a ONG Casa da Vida, que atende moradores do Complexo de Manguinhos, na Zona Norte. O projeto social Colo de Mãe Madureira foi outra instituição que recebeu alimentos e máscaras. Todos os contemplados são cadastrados pela equipe do Departamento de Cidadania da Azul e Branco, sob a coordenação de Hellen Mary Costa.

      distribuicao

      Para poder comprar mais cestas (cada uma custa R$ 65), a diretoria da Portela segue convocando seus componentes e torcedores, além de empresas, a doarem para a campanha Águia Solidária. As contribuições podem ser por transferência bancária ou pelo aplicativo PicPay, via cartão de crédito. Qualquer valor será muito bem-vindo!

      Dados para transferência bancária
      Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela
      Banco Bradesco
      Agência 3469
      Conta Corrente 026838-0
      CNPJ: 42.255.075/0001-63

      Link para doações pelo PicPay
      http://bit.ly/portelapicpay

      Emocionante! Sambista Mauro Diniz recuperado da Covid-19 deixa o hospital

      0

      mauro diniz

      Internado desde o dia 4 de maio, no Hospital Rio Mar, na Barra da Tijuca, o sambista Mauro Diniz teve alta hospitalar nesta terça-feira, após estar recuperado do novo Coronavírus.

      Mauro Diniz é filho de Monarco, presidente de honra da Portela. Ele chegou a ser internado no CTI (Centro de Tratamento Intensivo).

      Veja abaixo o vídeo do sambista deixando o hospital, muito emocionado, ao lado da família.

      Coreógrafo da Beija-Flor produz equipamentos de proteção para profissionais da saúde do Rio e Baixada

      0

      produz2

      O coreógrafo Marcelo Misailidis, comandante da comissão de frente da Beija-Flor, está produzindo equipamentos de proteção individual (EPI) para profissionais da saúde do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense.

      Durante um mês de trabalho, com apoio financeiro da agremiação, Misailidis e sua equipe já produziram 700 unidades de protetores faciais transparentes, todos destinados ao Hospital Pedro Ernesto e a unidades hospitalares localizadas em Nilópolis.

      Misalidis tem trabalhado de casa, completamente protegido para evitar a contaminação dos materiais em produção, está feliz com os resultados da iniciativa, que conta com o apoio de voluntários do Instituto Bees of Love.

      produz3

      “Quando estamos na Sapucaí, tenho consciência de que o resultado do trabalho que apresentado não é só meu, mas de toda a nossa comunidade. Ela se doa de corpo e alma para aquele espetáculo incrível e emocionante. Ajudar no combate ao coronavírus é representar a luta de toda essa comunidade”, afirma Misailidis.

      produz1

      Imperatriz 2002: ‘A grande comilança’

      4

      O desfile realizado pela Imperatriz Leopoldinense no ano de 2002 é presença confirmada nas rodas de prosa carnavalesca quando o assunto é a espinhosa questão chamada “patrocínio” – em específico, os ditos “enredos CEP” e os limites da autoria, temas que certamente rendem páginas infinitas (renderam a minha dissertação de mestrado, inclusive, adaptada e publicada em livro – “A Antropofagia de Rosa Magalhães”).

      “Goitacazes: Tupi or not Tupi, in a South American Way!”, enredo assinado por Rosa Magalhães, está registrado na nossa memória como um exemplo radical de insubordinação ao patrocinador: a artista, que já havia conquistado cinco campeonatos para a agremiação do bairro de Ramos, se negou a homenagear a cidade fluminense de Campos dos Goytacazes sob um viés “convencional”, recheado de clichês. Não falou de bandeirantes, canaviais, personalidades que lá nasceram, comidas típicas e demais regionalismos – para tudo terminar nos “trilhos do progresso”, a visão empoeirada de “futuro”. Buscando outras rotas discursivas, optou por passar em revista o conceito de “antropofagia” – uma reflexão densa, enraizada nos estudos literários.

      Tudo começou com o nome da cidade. A artista narra, em seu livro “O inverso das origens”, que iniciou a pesquisa do enredo com a leitura das atas da Câmara dos Vereadores de Campos. A atividade bem poderia parecer enfadonha, não fosse o fato de que, ainda nos primeiros volumes consultados, Rosa se deparou com uma série de debates envolvendo a palavra “Goytacazes” e uma possível mudança do nome do município (havia divergências sobre a grafia do nome, se deveria ser redigido com “i” ou “y”).

      Com a curiosidade aguçada, decidiu vasculhar as bibliotecas à procura de informações sobre as populações indígenas que habitavam a planície campista nos primórdios da colonização – e foi aí que mergulhou de cabeça nos rituais antropofágicos. Trocando em miúdos: do nome da cidade patrocinadora a narradora extraiu o fundamento do enredo a ser desfiado, enxergando ali, na palavra “Goytacazes”, o estopim de uma série de explosões poéticas (e imagéticas, como não poderia deixar de ser) acerca da antropofagia.

      O texto-base do enredo é uma colagem de fragmentos literários, estratégia narrativa amplamente utilizada no contexto das vanguardas da primeira metade do século XX. Trata-se de um passeio por mais de cinco séculos da “história oficial” brasileira, tomando por base (daí o meu interesse, espinha-dorsal da pesquisa de mestrado em Teoria Literária na UFRJ) uma série de obras que nos ajudam a pensar as múltiplas dimensões da antropofagia (física, metafísica, ritual, cultural).

      campos 2002

      A autora, com notável concisão, apresenta as visões etnocêntricas presentes nos relatos de cronistas estrangeiros como Hans Staden, André Thévet e Jean de Léry; passeia pelas páginas românticas de José de Alencar e pelas partituras do maestro Carlos Gomes, enfocando a imagem de Peri, o bravo guerreiro goitacá que protagoniza o romance “O Guarani”, de 1857; varre os poemas e manifestos modernistas, da década de 1920 – em especial o “Manifesto Antropófago” de Oswald de Andrade, publicado em 1928, extraindo das tintas e das cores de Tarsila do Amaral um farto material poético; e celebra a “geleia geral brasileira” cantada pelos tropicalistas da década de 1960, artistas como Caetano Veloso e Gilberto Gil, que “redescobriram” as palavras de Oswald (a montagem de “O Rei da Vela” dirigida por José Celso Martinez Corrêa adquire posição de centralidade, traduzida nos traços de Hélio Eichbauer) e redigiram canções altamente provocativas. Ao final, encerrando a brincadeira, louvava a tropicalidade de Carmen Miranda, artista que personificou os excessos e as “cafonices” do “south american way”.

      O cortejo, embalado por composição de Marquinhos Lessa, Guga e Tuninho Professor, levou à Passarela do Samba uma sucessão de imagens impactantes. A comissão de frente fantasiada de Bicho-Papão (coreografada por Fábio de Mello) e o carro abre-alas, intitulado “A Grande Comilança”, formavam um conjunto visual deslocado do tempo histórico e expressavam um misto de ironia (a escola pisava a avenida para disputar um inédito tetracampeonato – era, portanto, a “bicho-papão” dos últimos carnavais) e experimentação, surpreendendo o público com o uso de cores escuras (preto, verde musgo, verde bandeira) e formas pontiagudas, contundentes, inusitadas se comparadas ao “padrão Rosa” – a conhecida generalização que tende a reduzir os sentidos da dita estética “barroca”.

      No carro, animais pré-históricos exibiam bocas, línguas e dentes em meio a um monturo de ossos, espécie de grande estômago ancestral: os “monstros” que outrora se devoravam viraram combustíveis fósseis e jaziam nos poços de petróleo de Campos (premissa análoga àquela apresentada por Joãosinho Trinta na também polêmica abertura de “Todo mundo nasceu nu”, o enredo desenvolvido para a Beija-Flor de Nilópolis, no carnaval de 1990, que misturava vulcões, hominídeos e dinossauros).

      Mais do que a síntese do conceito, o processo saltava aos olhos: a alegoria havia sido confeccionada com os restos do incêndio que consumiu grande parte do barracão gresilense, na Zona Portuária, em agosto de 2001. A carnavalesca, ciente do caráter antropofágico do processo criativo em si, se utilizou do entulho (ferros retorcidos, esculturas derretidas, restos de fantasias e adereços de outros, muitos!, carnavais) para a construção do carro que expressava o núcleo (ou, melhor dizendo, o suco gástrico) da proposta narrativa.

      Nas demais alegorias e na sequência de fantasias apresentadas pelas alas viam-se espantosos contrastes estilísticos, estratégia que nos remete, de imediato, às estéticas de vanguarda e às construções tropicalistas – algo, portanto, coerente e pertinente, antropofagia na veia. A sofisticada “colcha de retalhos”, porém, não foi bem avaliada pelo júri. De uma forma geral, imperou a incompreensão: os julgadores de alegorias e adereços não aprovaram a escatologia do carro abre-alas, considerando-o “fúnebre”, “pesado”, “mal acabado” e de “mau gosto”; os avaliadores do quesito enredo consideraram a narrativa difícil, desconjuntada, pouco legível.

      As canetas, afiadas feito garras, descontaram décimos que tiraram a escola da briga pelo título. Na quarta-feira de cinzas, Ramos não comemorou o terceiro lugar (uma excelente colocação, diga-se de passagem, que parecia infinitamente triste se comparada aos triunfos anteriores). A prefeitura da cidade de Campos também não aprovou o banquete. Foi à imprensa, sem papas na língua, e declarou que desejava reaver o dinheiro investido, imbróglio jurídico que até hoje rende intermináveis teorias, nos corredores do carnaval carioca.

      Espécie de síntese, continuidade e, ao mesmo tempo, refutação e reprocessamento dos dez trabalhos que Rosa Magalhães havia anteriormente desenvolvido para a Imperatriz Leopoldinense (a figura do índio brasileiro adquire posição de destaque em oito das onze narrativas empreendidas no período de 1992 a 2002), fato é que tal desfile se mostra provocativo inclusive no que diz respeito à recepção de público e crítica. Qualquer experimentação, especialmente em um universo artístico marcado pela competitividade e pelo culto a determinadas ideias de “beleza”, “correção”, “acabamento” e “bom gosto”, tende a ser, de saída, rechaçada por parte dos receptores.

      O fato de dividir opiniões, no entendimento deste humilde autor, é uma das maiores qualidades de “Goitacazes”, um desfile que muito injustamente tende a ser subestimado. Tal narrativa estilhaçada é um questionamento vivo aos padrões pré-estabelecidos e às certezas asfixiantes. No céu da boca do bicho-papão há um universo inteiro – cabe ao folião esfomeado o desejo de mostrar os dentes, pegar dos talheres e encarar a fera.

      Autor: Leonardo A. Bora – Doutor em Ciência da Literatura, pesquisador-orientador do
      OBCAR/UFRJ.
      Instagram: @obcar_ufrj