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Uirapuru da Mooca aposta em samba popular e andamento equilibrado para embalar retorno aos grupos da Liga-SP

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A Uirapuru da Mooca viveu um momento especial na gravação oficial do seu samba-enredo para o Carnaval 2026, realizada na Fábrica do Samba. Com o tema que celebra Maria Felipa e a força da Bahia, a escola mostrou sinergia entre canto, ritmo e comunidade, marcando mais um passo firme no seu retorno aos grupos da Liga-SP. Responsável pela interpretação e pelos arranjos da obra, Thiago Brito celebrou o resultado do processo criativo, destacando a leveza e a identidade popular do samba.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

“O samba ficou muito fácil porque fala de Bahia e de Maria Filipa, tem toda a história dela, de capoeira, de Bahia. A gente conseguiu juntar alguns elementos em conversa com o mestre Murilo. Eu tenho as minhas ideias, ele tem as dele, e deu tudo certo. Deixei a galera solta, sem vaidade, e todo mundo fez o seu trabalho. Temos músicos excepcionais que estão comigo nessa luta”, contou Brito.

Com vasta experiência em disputas e gravações, o cantor e compositor também ressaltou a importância do cuidado com a voz para manter o alto rendimento durante a temporada carnavalesca.

“Eu venho fazendo acompanhamento com uma fonoaudióloga desde 2015. É muita correria, são duas ou três escolas por ano, e em disputas de samba a gente canta mais de dez. Se não tiver preparo, não dá. Faço muita nebulização, exercícios, e antes de vir para cá já tinha feito um trabalho com minha fono. Agora é quebrar tudo e, se Deus quiser, fazer um grande trabalho”, revelou.

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Intéprete Thiago Brito

Sobre o samba em si, Thiago destacou os pontos fortes da composição: “O nosso refrão principal é o carro-chefe. É o ponto chave, assim como o refrão do meio. Essas perguntas e respostas são de fácil assimilação para o povo. O samba é simples, direto, de sete linhas na segunda parte, e isso facilita o trabalho da escola. Acredito que vai cair na boca do povo e ser nota máxima”.

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Do lado da bateria, o comando ficou a cargo de mestre Murilo Borges, que definiu um andamento técnico e confortável para os ritmistas e para o canto coletivo.

“No nosso andamento de hoje, usamos 144 BPM (batidas por minuto). Para mim, é confortável para o sambista e para o ritmo da escola. Além disso, temos duas bossas, uma no refrão de cabeça e outra no refrão do meio, e estou pensando em mais uma. Espere o nosso desfile com três bossas, tudo bem feitinho, para buscar os 40 pontos”, adiantou.

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Mestre Murilo Borges

Mestre Murilo também expressou o sentimento de superação ao acompanhar o retorno da Uirapuru. “É maravilhoso participar dessa retomada. Eu caí junto com a escola e resolvi ficar. Falei que iríamos subir juntos, e é isso que estamos vivendo: um renascimento. Estamos reconstruindo degrau por degrau”.

A gravação contou ainda com a presença maciça da comunidade. Segundo Diego Jesus, integrante da comissão de carnaval, cerca de 100 pessoas participaram da ação.

“Trouxemos aproximadamente 60 pessoas para o coro, mais 30 da bateria e outros 10 que completam o elenco. Fretamos um ônibus para trazer a comunidade, mas muitos vieram direto. O importante é que deu tudo certo, chegamos no horário e com o astral lá em cima”, relatou.

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Diego Jesus, integrante da comissão de carnaval

Para Diego, o momento vai além da gravação: simboliza oportunidade e inclusão. “A Uirapuru é uma escola que traz oportunidades. Não houve pré-seleção, abrimos para toda a comunidade participar. Todo mundo veio afiado no samba. Isso é o que define o nosso momento: oportunidade”.

Beija-Flor grava samba celebrando a ancestralidade que ecoa de Nilópolis à Bahia

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No último dia 1º de outubro, a Beija-Flor de Nilópolis realizou a gravação oficial do seu samba-enredo para o Carnaval 2026. A atual campeã do Grupo Especial levará para a Passarela do Samba o enredo “Bembé”, desenvolvido pelo carnavalesco João Vitor Araújo, que aborda o Bembé do Mercado, o maior candomblé de rua do mundo, realizado a céu aberto no dia 13 de maio, na cidade de Santo Amaro, na Bahia. O CARNAVALESCO conversou com diferentes componentes da Azul e Branca para saber mais sobre o samba e o clima durante a gravação.

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Lucas Gringo, integrante do carro de som da escola desde 2018, participou do coro durante a gravação. O jovem cantor falou sobre o privilégio de viver esse momento, marcado pela transição das vozes principais para Nino e Jéssica Martin, e destacou a força da nova geração do carro de som. Ele relembrou ainda a junção das duas obras que conquistaram o coração do nilopolitano e que agora seguem juntas para a Sapucaí.

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Lucas Gringo. Fotos: Matheus Morais/CARNAVALESCO

“Fazer parte da nova geração desse carro de som da Beija-Flor é um privilégio muito grande, porque eu sou Beija-Flor. Essa gravação está maravilhosa, a bateria Soberana dando aula como sempre. Estou muito empolgado para ver o resultado de tudo isso. Esse samba causa arrepio, porque é muito Beija-Flor, é querido pela comunidade. Tem muitas surpresas por vir, porque é um samba que o povo abraçou e vai virar macumba”, afirmou.

Desde 2008 na bateria “Soberana”, Rayane Aguiar, de 31 anos, destacou o orgulho em participar da gravação e acredita na força do samba da escola ao celebrar a ancestralidade e exaltar a cultura afro-brasileira. Já Diego Oliveira, de 34 anos, vive a Beija-Flor desde os cinco anos de idade. Atualmente diretor de bateria e ritmista, ele também é um dos compositores do samba e participa das gravações da escola desde 2013. Para Diego, registrar mais uma obra é um momento de emoção e de reconhecimento da força da comunidade nilopolitana.

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Diego Oliveira

“É sempre uma grande honra e uma enorme responsabilidade. Estar com a Beija-Flor é representar toda uma comunidade, toda uma família. O samba desperta a nossa ancestralidade e a trajetória da Beija-Flor, que costuma trabalhar com temáticas afro e exaltar a cultura brasileira. Falar do Bembé do Mercado é retomar as origens e valorizar a cultura afro-brasileira”, afirmou Rayane.

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Rayane Aguiar

“Muito me honra fazer parte, mais um ano, dessa gravação, que para mim é muito importante. Já gravo desde moleque, e é essencial estar sempre aqui com a nossa família, com os mestres Rodney e Plínio e nossos ritmistas, sempre se empenhando e buscando os melhores arranjos. Como compositor, queríamos criar algo que mexesse com o nilopolitano, com quem realmente dá o sangue pela escola. E conseguimos com os dois trechos que foram para a junção: ‘Atabaque ecoou, liberdade que retumba, isso aqui vai virar macumba’ e ‘Deixa girar, que a rua virou bembé’. São partes que arrepiam e a comunidade abraçou de verdade. A escola foi fantástica na junção e acredito que nossa comunidade está muito feliz”, declarou Diego.

Júlio Assis, um dos cavaquinistas da Deusa da Passarela e também compositor do samba, celebrou mais uma participação nas gravações e agradeceu ao carnavalesco e aos enredistas pela beleza do tema. Para ele, a obra é fundamental na busca pelo bicampeonato da agremiação.

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Júlio Assis, um dos cavaquinistas da Deusa da Passarela e também compositor do samba

“A felicidade é muito grande. Esse é o meu sexto samba da Beija-Flor e, mesmo assim, a emoção é sempre diferente. Estou muito feliz por ser, mais uma vez, um dos compositores do samba da Beija-Flor, que, se Deus quiser, vai levar a escola ao bicampeonato. É um samba que conta um enredo belíssimo, e conseguimos transformar isso em uma grande obra. Foi uma junção muito feliz, e o samba toca a gente de forma especial, porque representa exatamente a história do Bembé, em que acreditamos muito”, afirmou o músico.

Águia de Ouro celebra alegria e liberdade de Amsterdã em gravação marcada por técnica e entrosamento

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O Águia de Ouro viveu um dia de pura energia carnavalesca na Fábrica do Samba com a gravação do seu samba-enredo para o Carnaval 2026, que vai transportar a avenida para a atmosfera vibrante e libertária de Amsterdã. A escola da Pompeia reuniu intérpretes, músicos, bateria e comunidade em um encontro marcado por técnica, emoção e o sentimento de união que move o pavilhão azul e dourado. Na linha de frente do canto, Serginho do Porto e Douglinhas Aguiar mostraram entrosamento e empolgação com a obra.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

“Minha parte favorita é o refrão: ‘Chegou Águia de ouro, não me leve a mal / Eu vou ficar bem louco nesse carnaval’. Essa parte é do caramba!”, vibrou Douglinhas.

Serginho reforçou a leveza e a capacidade do samba de dialogar diretamente com o público.

“O Águia tem um samba leve, bonito, gostoso de ser cantado. Eu sou amante daquele samba que empolgue o carnaval, que fale com o público. O samba tem esse negócio de ser quase 70% do desfile. O nosso refrão é fora do comum, muito bom mesmo. E gosto especialmente do trecho ‘Vitrine do prazer, diversidade / Não é pecado’. Isso remete aos sambas dos anos 1980. É maravilhoso”, afirmou o intérprete.

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Serginho do Porto e Douglinhas Aguiar

A dupla também destacou a sintonia no palco e nos estúdios. “A gente se completa no jeito de cantar. Quem vive de dupla sabe como isso é importante. Quando um faz, o outro está olhando, já sabe o que vem. Os cacos fluem naturalmente”, contou Serginho.

Para manter o desempenho vocal em alta, Douglinhas reforçou a importância do descanso e dos cuidados com a voz: “O mais importante é descansar. Todos os outros cuidados, fonoaudióloga, maçã, água, são importantes, mas se você não descansar, não adianta. Evitei tomar gelado, refrigerante e dormi bastante. Isso faz toda a diferença”.

À frente da produção, Jacqueline Meira, diretora de carnaval, destacou a força do canto e o astral da equipe.

“A Liga-SP pediu aproximadamente 140 pessoas, e vieram cerca de 110, entre coral, ritmistas e ala musical. Foi um dia maravilhoso. Fizemos tudo juntos: almoço, lanche, concentração. O astral estava lá em cima”.

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Jacqueline Meira, diretora de carnaval

Segundo Jacqueline, a empolgação com o samba é visível na quadra e se refletiu na gravação. “O coral está muito forte porque o samba é simples de ser cantado. A comunidade amou desde o início, então não precisamos ‘vender’ o samba. O Águia canta sorrindo, e quando canta sorrindo, muda tudo. É lindo de ver”.

Responsável pela direção musical, Pelezinho Paes, um dos arranjadores, ressaltou o equilíbrio técnico e a inspiração europeia do enredo.

“A visão foi natural e em comum acordo. Conversei com o Moleza e o Cicinho, e chegamos ao meio-termo perfeito: nem mais para um, nem mais para outro, mas para a escola. Trouxemos a felicidade e a alegria de Amsterdam para o samba. O rei daqui é o rei de lá, como diz o nosso samba”.

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Responsável pela direção musical, Pelezinho Paes

Pelezinho também destacou uma das novidades da gravação: “Eu gostei muito da paradinha reggae que a Batucada da Pompeia faz. O Moleza criou um reggae sensacional, e tenho certeza que na avenida o povo vai vibrar com isso”.

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No comando da bateria, mestre Rodrigo Moleza deu o tom técnico do trabalho, com precisão e criatividade.

“O andamento foi 144 BPM (batidas por minuto). Caiu bem com a métrica do samba, deixou ele bem animado e facilitou o canto do componente. Esse andamento também garantiu que a bateria mantivesse a precisão na execução dos movimentos”.

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Inspirado no espírito festivo de Amsterdã, Moleza revelou as influências musicais e os planos para o desfile.

“Amsterdam é um lugar festeiro, como o Brasil. Trouxemos referências dos grandes festivais de música eletrônica e também do reggae, que simboliza liberdade. A ideia é levar quatro bossas para a avenida, já temos três prontas e estamos lapidando a última. Para a gravação, usamos duas, além de uma introdução especial. Tenho certeza que o público vai gostar muito.”

JUVRio e Liga RJ firmam parceria com curso de idiomas para oferecer 500 bolsas a jovens de escolas de samba

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A Secretaria da Juventude Carioca (JUVRio) e a Liga RJ consolidaram uma parceria com o curso de idiomas Seda College International para oferecer 500 bolsas integrais on-line de Língua Inglesa e Espanhola a jovens de 15 agremiações do Rio. Os contemplados terão acesso gratuito, por três anos, a uma plataforma que inclui curso completo de inglês em todos os níveis, curso de espanhol, certificado de conclusão e recursos exclusivos voltados à carreira internacional.

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Foto: Divulgação/Liga-RJ

Essa iniciativa é parte do CarnaJUV, programa da JUVRio e da Liga RJ, que busca ampliar oportunidades de formação e desenvolvimento profissional para a juventude ligada ao Carnaval. Unidos do Jacarezinho, Inocentes de Belford Roxo, União do Parque Acari, Unidos de Bangu, Unidos de Padre Miguel, União da Ilha do Governador, Acadêmicos de Vigário Geral, Botafogo Samba Clube, Em Cima da Hora, Arranco do Engenho de Dentro, Império Serrano, Estácio de Sá, União de Maricá, Porto da Pedra e Unidos da Ponte são as escolas que fazem parte do grupo atualmente.

“O carnaval é um dos maiores símbolos da cultura carioca, e também um poderoso espaço de formação e oportunidades. Com essa parceria, queremos mostrar que os jovens das escolas de samba podem se preparar para o mundo a partir da educação. Oferecer ensino bilíngue é investir no futuro da nossa juventude”, disse a Secretária da Juventude Carioca, Gabriella Rodrigues.

Organizadora oficial dos desfiles das escolas de samba da Série Ouro, a Liga RJ atua como ponte entre as agremiações e os setores público e privado. Além de promover o espetáculo na Marquês de Sapucaí, a Liga também tem papel importante no fomento econômico e social, gerando emprego, renda e oportunidades nos barracões, ateliês e quadras das escolas.

“O carnaval é um importante vetor de desenvolvimento social e econômico, e os jovens das escolas de samba são parte essencial dessa construção. Essa parceria com a JUVRio e a Seda College amplia as oportunidades de formação e capacitação desses jovens, fortalecendo o papel do carnaval também como espaço de educação e transformação”, afirmou Hugo Junior, presidente da Liga RJ.

Os critérios de participação serão disponibilizados nas redes da JUVRio e da Liga RJ na data de abertura das inscrições, dia 22 de novembro.

Editorial CARNAVALESCO! Imperatriz Leopoldinense: o samba que cura as dores do Complexo do Alemão e inspira o Brasil

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Na noite desta sexta-feira, as luzes da quadra da Imperatriz Leopoldinense voltaram a brilhar. Dez dias depois da megaoperação policial que abalou o Complexo do Alemão, deixando rastros de dor, apreensão e 121 mortes, a “Rainha de Ramos” reabriu suas portas com o que tem de mais poderoso: o abraço da arte, cultura e do samba. Foi mais do que o reinício dos ensaios para o Carnaval 2026. Foi um recomeço simbólico, de amor e fé na força transformadora que pulsa no coração de cada componente.

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Pertencente ao Complexo do Alemão, a Imperatriz tem orgulho de ser CPX. Sob a gestão firme e sensível da presidente Cátia Drumond, a escola reafirmou sua missão de ser muito mais do que uma agremiação carnavalesca: é uma casa de acolhimento, de oportunidades e de esperança. É onde o batuque vence o silêncio da dor, e onde cada ensaio se torna um grito coletivo de que o samba é vida, e a vida, mesmo diante das adversidades, insiste em florescer.

A quadra da Imperatriz é uma das poucas opções de lazer gratuito para a população local. É refúgio e encontro. É ali que crianças sonham com um futuro possível, jovens encontram referências, e idosos revivem suas histórias. É um território de afeto! Por algumas horas, o samba faz “esquecer” a violência e a ausência do Estado.

Como a própria escola já cantou em seu samba-enredo de 2011, “A cura do corpo e da alma no samba está”, a Imperatriz cura. Já passou da hora ds sociedade entender que o papel das escolas de samba vai muito além da Avenida. Elas são, de fato, potências sociais, culturais e educativas que transformam realidades.

O Instituto Imperatriz Leopoldinense é prova. Projetos sociais acontecem ali o ano inteiro. A escola não dorme após a quarta-feira de cinzas; trabalha o ano inteiro. Por isso, é urgente que o poder público seja ainda mais parceiro. As escolas de samba não podem ser lembradas apenas em fevereiro. Cada real investido em uma escola de samba retorna em autoestima, pertencimento e oportunidade.

É hora também de o setor privado compreender esse valor. Investir nas escolas de samba é investir no Brasil que resiste, canta, educa e sonha. Cada empresa que apoia o social de uma agremiação como a Imperatriz não está apenas patrocinando um desfile: está financiando um futuro.

Na noite em que os tamborins voltaram em Ramos, o que se ouviu não foi apenas o som da preparação para o carnaval. O que se ouviu foi a voz de um povo dizendo: “estamos vivos”. E a Imperatriz, mais uma vez, cumpriu seu papel, não apenas de brilhar na Sapucaí, mas da alma de uma comunidade que se recusa a ser esquecida.

A escola de samba é, sim, um lugar de samba. Mas é também, e sobretudo, um lugar de vida. Que o exemplo da Imperatriz Leopoldinense ecoe por toda a cidade e por todo o país. Que inspire políticos, empresários e cidadãos a enxergarem, no rufar da bateria, o pulsar de um Brasil mais humano, mais sensível e mais justo.

Enquanto houver samba, haverá esperança. O Complexo do Alemão continuará de pé, com orgulho, fé e a certeza de que o verde e branco também são as cores da superação.

Nei Lopes visita barracão do Tuiuti e confirma presença no desfile

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Autor do livro “Ifá Lucumí – O Resgate da Tradição” que inspirou o enredo do Paraíso do Tuiuti para o Carnaval 2026, Nei Lopes visitou o barracão da agremiação na Cidade do Samba. O escritor foi recebido pelo vice-presidente, Renatinho Marins, o carnavalesco Jack Vasconcelos, o diretor de carnaval Leandro Azevedo e o compositor Claudio Russo. Jack deu detalhes de como será a apresentação da azul e amarelo na Sapucaí. Na ocasião, convidou Nei para ser destaque em uma alegoria.

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Foto ;Divulgação

“É uma honra e uma imensa alegria ter o Nei Lopes conosco. O livro dele faz uma leitura muito importante sobre ifá e tem uma linguagem muito simples, mas ao mesmo tempo muito sofisticada. Recomendo esse livro para quem quer saber mais sobre essa cultura”, afirmou Jack.

Na publicação da editora Pallas, Nei recorre à ancestralidade africana para olhar para o futuro. Da sabedoria do continente de seus antepassados vem Ifá, um oráculo do povo iorubá. O autor então apresenta pesquisa aprofundada sobre um rito do candomblé ligado ao orixá do destino, Orunmilá, e de uso exclusivo dos babalaôs. No livro, Nei fala da relevância que o culto a Ifá tem em Cuba. No Brasil, a prática vem registrando um aumento de interesse nos últimos anos.

“Estou muito feliz de fazer essa junção com a alegria, com a fantasia do carnaval, que é, para mim, uma forte presença da minha africanidade”, declarou Nei, que aceitou o convite e desfilará no Tuiuti.

No ano que vem, a agremiação de São Cristóvão será a primeira escola a desfilar na terça-feira de Carnaval.

Imperatriz Leopoldinense inicia temporada de ensaios de rua no domingo

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Em busca do 10º título de sua história, a Imperatriz Leopoldinense irá realizar no domingo o seu primeiro ensaio de rua para comunidade e segmentos. A concentração da verde, branco e dourado será na Rua Euclides Faria, em Ramos, Zona da Leopoldina do Rio, a partir das 16h, e promete reunir segmentos, componentes e torcedores da escola, que nos últimos anos vem antecipando seu calendário de ensaios para aprimorar a evolução da Rainha de Ramos até o dia de seu desfile.

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Foto: Nelson Malfacini/Divulgação Imperatriz

“No ano passado, fomos uma das primeiras escolas a ir para a rua, e esse ano não será diferente. Faz parte do nosso planejamento, para que tenhamos ainda mais condições de fazer o grande Carnaval que faremos, de olho no campeonato”, afirmou o vice-presidente da Imperatriz, João Drumond.

Os ensaios, sempre aos domingos, irão até o desfile do dia 15 de fevereiro, onde a escola irá levar para a Marquês de Sapucaí o enredo “Camaleônico”, do carnavalesco Leandro Vieira, que vai para o seu quarto desfile consecutivo na Imperatriz.

“É como o samba deste ano canta: ‘Minha escola na rua pra ser campeã!’ E nosso trabalho vai seguir até esse título vir para nossa comunidade, que está super ansiosa com esse reencontro na Euclides Faria domingo. Então, espero todos os componentes e moradores da região, para sermos felizes juntos na Leopoldina ”, afirmou a presidente da Imperatriz, Catia Drumond.

Em 2026, a agremiação, segunda a desfilar no domingo de Carnaval, celebrará a obra e a virtuosidade performática de Ney Matogrosso, intérprete de sucessos como “Sangue Latino”, “Rosa de Hiroshima”, “O Vira”, “Homem com H” e “Metamorfose Ambulante”.

Com pesquisa no Amapá e nova coreógrafa, casal ‘Furacão’ da Mangueira prepara apresentação inesquecível

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O casal de mestre-sala e porta-bandeira da Estação Primeira de Mangueira, Matheus e Cintya, chega ao Carnaval 2026 com energia renovada, aprendizado na bagagem e grandes expectativas. Depois de um desfile intenso em 2025, o casal “Furacão” aposta em uma temporada de superação, emoção e entrega total à Verde e Rosa.

Para Matheus, o último desfile foi de muita entrega e consciência do dever cumprido. “Foi muita dança, muito furacão e, acima de tudo, Mangueira entendendo que a gente fez o melhor. A despontuação não estava na nossa dança, esteve na fantasia, na bandeira. E a gente entender que o nosso trabalho foi entregue, como a maioria, na pontuação, entregue, foi muito bem feito”, afirmou o mestre-sala.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

Cintya reforça o sentimento de evolução e maturidade conquistado no último ciclo. “A gente encerra com o aprendizado de que cada carnaval é um carnaval, cada samba é um samba. Esse carnaval que passou é o aprendizado para todos nós”, refletiu a porta-bandeira.

Novo ciclo, novas parcerias e o mesmo amor pela dança

Com o olhar voltado para o futuro, o casal iniciou 2026 com uma importante novidade: a chegada da coreógrafa Ana Paula Lessa, responsável por trabalhos consagrados e nota máxima em três carnavais consecutivos.

“A gente contratou a Ana Paula Lessa, tricampeã do carnaval, trabalhou comigo por três anos consecutivos com nota máxima. Uma mulher que tem um entendimento profundo da dança. E a Mangueira confiou esse máximo a ela”, contou Matheus.

Mesmo com a nova orientação, o mestre-sala garante que a essência do casal continuará a mesma. “O casal furacão não vai perder a característica de entender que a dança é mais importante do que qualquer nota. A dança é o mais importante pela identidade da Mangueira. E a gente está pronto para qualquer samba que vier”.

Emoção e enredo como combustível

O casal se mostra confiante de que o enredo sobre o mestre Sacaca, que também dialoga com o marabaixo do Amapá, será um aliado fundamental na busca pela nota máxima.

“A Mangueira é emocionada. Em quesito emoção, a Mangueira sempre é 10. E homenagear a Mangueira também é 10. O casal furacão tem isso como pé de coelho, pontapé inicial e talismã para a gente chegar à nota máxima”, afirmou Matheus.

Cintya reforça que o samba traz elementos que inspiram diretamente a performance do casal. “Que seja um samba que realmente fale do mestre Sacaca, que empolgue, que feche a avenida com a alegria que a Mangueira tem. Esse enredo fala muito do marabaixo também”, destacou.

Do Amapá para a avenida: o marabaixo inspira a dança

A pesquisa e o aprofundamento cultural têm sido pilares do trabalho de Matheus e Cintya. Para 2026, o casal embarcou em uma imersão no Amapá para conhecer de perto o marabaixo, manifestação que mistura fé, ritmo e ancestralidade.

“Nós fomos fazer uma imersão no Amapá. Conhecemos a dança típica de lá, o marabaixo, e podem aguardar que vai ter um pouquinho, sim. A gente não vai fazer muito, mas um pouquinho vai ter tanto na quadra quanto na avenida, surpresa”, adiantou Cintya.

Fantasia e emoção garantidas

Cintya também revelou detalhes sobre a fantasia que o casal apresentará no desfile da Verde e Rosa. “Vocês podem aguardar uma roupa linda, emocionante. É uma fantasia que vai encantar todos. Encantou o casal, encantou nossa presidenta Guanayra Firmino, e vem muito trabalho pela frente”.

Cabine espelhada: desafio ou oportunidade?

Com a implementação da cabine espelhada na avaliação do quesito, Matheus e Cintya enxergam a novidade com naturalidade e confiança.

“Repertório é o mais importante para gente. Entendemos que tem repertório para dançar tanto na espelhada como na normal. Isso não é um desafio, é algo a mais para a nossa dança. Estamos muito felizes com essa mudança e com o poder de transformar isso em trabalho”, afirmou Matheus.

Para Cintya, a inovação reforça a capacidade e o talento dos casais de todas as escolas. “Vai tirar todos nós da zona de conforto. A vida toda a gente sempre dançou de um lado só, e agora a cabine dupla veio para mostrar que temos capacidade, não só o casal da Mangueira, mas todos os casais das agremiações coirmãs. Podem aguardar uma linda apresentação”.

Profissionais da Portela assinam traje histórico de Ana Maria Gonçalves na Academia Brasileira de Letras

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O trabalho dos profissionais da Portela ultrapassa novamente os limites da Marquês de Sapucaí. Integrantes do barracão da escola foram responsáveis pela confecção do traje que a escritora Ana Maria Gonçalves usará nesta sexta-feira em sua cerimônia de posse na Academia Brasileira de Letras (ABL). A iniciativa marca a primeira vez que o traje de um imortal da ABL é produzido por uma escola de samba.

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Foto: Gil Lira/Divulgação Portela

No ateliê do barracão, dirigidos pelo carnavalesco André Rodrigues, três profissionais, João Vitor Ferreira, Raayane Costa e Anthony Albuquerque, trabalharam na elaboração da peça, que, inspirana no vestido de Rachel de Queiroz, reúne elementos ligados à trajetória da escritora, a mais nova imortal. Ana Maria Gonçalves é autora de Um Defeito de Cor, obra que inspirou o enredo da Portela em 2024, ano em que a escola conquistou diversos prêmios, incluindo o Estandarte de Ouro de melhor escola após três décadas. O desfile também impulsionou as vendas do livro.

A nova parceria fortalece a relação estabelecida entre a escritora e a Portela, agora em um dos espaços mais tradicionais da literatura brasileira.

Para o presidente da Portela, Junior Escafura, o momento reforça a relevância cultural da agremiação.

“A Portela é uma escola historicamente preta, formada por artistas que transformam ancestralidade em arte. Ver uma mulher como Ana Maria Gonçalves ser imortalizada na Academia Brasileira de Letras, vestindo uma criação confeccionada por nossos profissionais, é motivo de orgulho e reafirmação da nossa identidade. É a prova de que seguimos honrando o legado de Paulo da Portela e mostrando que o talento de Oswaldo Cruz e Madureira também alcança a imortalidade”, afirma.

Responsável pela coordenação do trabalho, o carnavalesco André Rodrigues acompanhou todas as etapas do processo criativo, desenvolvido em diálogo com a escritora.

“Não é apenas a construção fisica da roupa, mas o simbólico também importa. Isso mostra a potência dos nossos artistas e da capacidade da escola de samba de dialogar com diversos universos”, destaca André.

Zé Paulo inicia novo ciclo na União de Maricá: ‘Quero ajudar a escola a criar sua casca e figurar entre as grandes’

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O microfone oficial da União de Maricá para o Carnaval 2026 terá uma nova voz e uma das mais consagradas do samba. O intérprete Zé Paulo agora encara um novo desafio: comandar o carro de som da escola maricaense em um projeto que promete crescimento, estrutura e sonhos ousados. Em entrevista ao CARNAVALESCO, o cantor revelou que o convite surgiu ainda antes do Carnaval de 2025, mas ganhou força após o término da temporada.

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“Esse convite surgiu um pouco antes do Carnaval de 2025. Era uma possibilidade, caso a escola viesse a subir. Naquele momento, eu falei: ‘me interessa o acesso’, porque eu já vivi esse processo na Viradouro, pegar uma escola no grupo de acesso, fazer um trabalho e conquistar coisas grandes”, contou.

Mesmo com a União de Maricá permanecendo no Grupo de Acesso, o desejo de Zé Paulo em viver novamente esse processo de crescimento falou mais alto.

“Quando acabou o carnaval e a Maricá não subiu, voltamos a conversar. Eu disse que minha proposta para o acesso continuava de pé, e eles também tinham esse interesse. Então, achei melhor, com todo respeito ao lugar onde eu estava, viver isso aqui novamente. Queria fazer parte de algo que me desse mais competitividade, que me tirasse da zona de conforto”, afirmou.

O intérprete assinou um contrato de dois anos, que pode ser estendido, e destacou o caráter de projeto estruturado que o motivou a aceitar o desafio.

“Cheguei com um projeto mais longevo: um contrato de dois anos, podendo ser estendido, junto com a construção de uma quadra nova, novas parcerias, grandes sambas, novas amizades e pessoas para conhecer. Estou muito feliz de estar aqui”.

Bagagem de sucesso e experiência no Acesso

Com uma trajetória consolidada no Grupo Especial, Zé Paulo carrega a experiência de quem participou de uma verdadeira virada de chave na história da Viradouro.

“Acho que a minha experiência no Grupo de Acesso é fundamental. Eu estava no Especial, mas minha história nele começa de fato em 2019, quando a Viradouro sobe e eu permaneço com a escola. Já tinha cantado em outras, mas a minha trajetória sólida no Especial começou lá”, relembra.

O intérprete ressalta que o aprendizado na escola de Niterói será essencial para o novo ciclo.

“Trago essa bagagem: saber movimentar uma comunidade que tem o desejo de crescer. Quando cheguei à Viradouro, a escola tinha caído, estava há algum tempo no acesso, e conseguimos desenvolver um trabalho antes e depois da chegada dos Marcelos, que ampliaram ainda mais. São pessoas que entendem muito de gestão e de lidar com gente. Essa experiência me dá tranquilidade para ajudar a Maricá a criar sua casca, sua própria identidade. Tenho certeza de que, em breve, a escola estará brilhando e figurando entre as grandes”.

Sintonia musical e reencontros

Além da nova fase, Zé Paulo destaca a alegria de reencontrar amigos e parceiros musicais de longa data no time da União de Maricá.

“O Paulinho Steves (mestre de bateria) é um irmão. Filho de quem é, talentoso demais. Já conhecia muita gente da bateria, até porque boa parte é de Niterói. O pessoal do carro de som, por exemplo, é gente com quem trabalhei na Viradouro. O Jota Pê é um amigo de longa estrada. O Victor Alves, nosso violonista, toca comigo desde moleque, desde a época da escola mirim”, contou.

Com esse clima de amizade e cumplicidade, o cantor aposta em um resultado forte e emocional para o próximo desfile:

“Estamos juntando tudo isso, colocando em um potinho, misturando bem, para fazer um grande trabalho em 2026”.