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Tatuapé 2021: samba concorrente da parceria de Fabiano Tennor

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Compositores: Fabiano Tennor, Mike Candido, Luiz Fernando Ramos e Dominguinhos do Estácio

ACENDE O CANDIEIRO
FIO DE CONTA NO PESCOÇO E PATUÁ… (Ô IÁ ÍÁ)
TEM CANJIRA NO TERREIRO
VOU ABRIR MEU CAZUÁ… SARAVÁ
ELE VEIO DE LONGE… ADORÊ..Ê Ê
VELAS NO CONGÁ… ADORÊ …Ê Ê
ARRUDA E GUINÉ… BENZE FILHO DE AXÉ
PRETO VELHO MANDINGUEIRO CONTA A SAGA DO CAFÉ
AH MEU “FIO” … LICENÇA VOU PROSEAR
O CAFE É MEU IRMÃO.. FRUTO DA MÃE ÁFRICA
GIRA MUNDO PELO MUNDO GIROU
VENDIDO, TROCADO, PILADO NA DOR
CHORAVA A SENZALA UM CANTO NEGRO ECOOU

TANACILÊ… TANASANÃ
INA INÊ… TANUOTÃ

LERÊ LERÊ
NA LABUTA DO CAFEZAL
CRESCE MEU BRASIL MENINO
LERÊ LERÊ
O PROGRESSO TRILHOU
RELUZIU OURO NEGRO SIM SINHÔ

ÊITA CHEIRO BOM… O VENTO LEVA
ESSA MIRONGA DO AMANHÃ O QUE SERÁ?
INSPIRA ARTE… POESIA
EMOLDURANDO A CULTURA POPULAR
ARUANDA… ARUANDA
EU VOU EMBORA… VOU NOS BRAÇOS DE YEMANJÁ
MAS DEIXO A PAZ, O AMOR, A ESPERANÇA
EU VOU EMBORA… VOU NOS BRAÇOS DE YEMANJÁ
ADEUS MEU FIO.. OXALÁ MANDOU CHAMAR

PRETO VELHO VAI BENZER… VAI ”TRABAIÁ”
PÓ DE CAFÉ PRA DEFUMAR
FIRMA O BATUQUE HOJE TEM CANJERÊ
TATUAPÉ SAMBORÊ… SAMBORÊ

Tatuapé 2021: samba concorrente da parceria de Macaco Branco

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Compositores: Macaco Branco, Carlos Bebeto, Guilherme Leste e Bruno Ribas

Em Casuá no Ayê de Aruanda
Os Ogans chegam pra Batucar
É Jakutá, Saravá Umbanda
Adorê as Almas e Obatala
Semeando amor a Vida
No exemplo que Zambi ensinou
Ouro Negro Ancestralidade
Arôma dos Deuses quão doce sabor
Cresceu e viajou pelo mundo inteiro
Coroa e Luz, Reluz em Solo Brasileiro

ESCORRE NA ENXADA MEU SANGUE E SUOR
AO SOM DO BATUQUE DE POVO JONGUEIRO
DE MÃOS CALEJADAS CLAMANDO “ÓH SENHOR”
FIRMA PRETO VELHO CURANDEIRO
ESCORRE NA ENXADA MEU SANGUE E SUOR
AO SOM DO BATUQUE DE UM POVO JONGUEIRO
DE MÃOS CALEJADAS CLAMANDO “ÓH SENHOR”
FIRMA PRETO VELHO MIRONGUEIRO

Lerê, Lerê Senzala
Viu o Progresso e a miscigênação
A queda do Monarca ramifica o Barão
No Ciclo do Café que governou nosso País
Este motor durante a crise foi descarte
Inspira canção e a Arte e torna o Dia Feliz
Poder de cura, amargura, oferenda em ritual
NA ZONA LESTE O CAFÉZINHO É ESPECIAL
MEU PARAÍSO ESPIRITUAL ( Ô YAÔ )

OÔ YAÔ! VIVA AS ALMAS, VIVA A SAGA DO CAFÉ
ECOOU UM CANTO FORTE NA SENZALA
SOU PRETO VELHO, SOU TATUAPÉ

Prefeitura anuncia inicio da segunda fase das obras no Sambódromo

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    A Prefeitura do Rio anuncia que a segunda fase das obras do Sambódromo começará nos próximos dias com um aporte de cerca de R$ 8 milhões do Governo Federal via Ministério do Turismo. A obra, que visa a obtenção definitiva do Certificado de Autorização pelo Corpo de Bombeiros, integra as frentes estruturais e elétricas e prevê o plano de emergência contra incêndio e pânico, a instalação de nova canalização do sistema preventivo contra incêndio e pânico, a instalação de hidrantes, chuveiros automáticos, sistema de bombas, sistema de proteção contra descargas atmosféricas.

    PRIMEIRA FASE CONCLUÍDA

    Cumprindo as devidas exigências do Ministério Público do Estado e do Corpo de Bombeiros, a Riotur concluiu a primeira fase das obras junto com a Rioluz e a Rio-Urbe, obtendo a autorização específica para a realização do Carnaval Rio 2020. A fase pré-carnavalesca durou três meses e envolveu a implementação de normas de combate à incêndio e pânico, a parte elétrica e a reforma estrutural.

    sambodromo 1

    A primeira fase da obra incluiu a recuperação das arquibancadas com o tratamento químico nas ferragens e armação e troca de argamassa nos pontos vulneráveis; a instalação de 1572 novos degraus, sendo eles intermediários para melhor acessibilidade em todas as arquibancadas; os reparos das juntas de dilatação; as pinturas dos pisos das arquibancadas; a intervenção da parte estrutural interna; a recuperação e pintura dos guarda corpos; e as medidas de combate a incêndio e pânico, como a pintura das áreas de escape na cor amarela, instalação de luzes de emergência, instalação de 1345 das placas de sinalização de emergência, aquisição dos extintores de incêndio e brigada de incêndio disponível no local no período carnavalesco.

    Em comum acordo, Cid Carvalho não é mais carnavalesco da Beija-Flor

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    A Beija-Flor de Nilópolis informou na tarde desta segunda-feira que Cid Carvalho não é mais carnavalesco da azul e branco. Segundo informações da assessoria de imprensa, a decisão foi em comum acordo.

    “O GRES Beija-flor de Nilópolis comunica o desligamento do carnavalesco Cid Carvalho do quadro de funcionários da agremiação. A diretoria da escola agradece pela dedicação e o profissionalismo sempre demonstrados por Cid. Desejamos sucesso na continuidade de sua carreira”, informa o comunicado.

    barracao beija2020 9

    O artista que brilhou na comissão de carnaval, comandada por Laíla, entre 1998 e 2006, e voltou para a Beija-Flor para o Carnaval 2018 e conquistou o título. Fora de Nilópolis, Cid já fez os carnavais de outras grandes escolas, como a Mangueira, Mocidade, Cubango e Estácio de Sá.

    Em 2020, Cid Carvalho desenvolveu o desfile da Beija-Flor com o carnavalesco Alexandre Louzada, que segue na azul e branco nilopolitana. Pelo formato de equipe, a escola tem Bianca Behrends como responsável pelo departamento cultural. Léo Mídia, Victor Santos, Ubiratan Silva e Rodrigo Mendes no departamento de carnaval.

    Tatuapé 2021: samba concorrente da parceria de Samir Trindade

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    Compositores: Samir Trindade, Alexandre Moreira, JR Beija-Flor, Rômulo, Thiago Alves, Zé Nogueira e Chiquinho L.S

    Me chamam de “Preto Véio”
    Zambi é meu pai maior
    São Benedito me guia
    E nunca me deixa só
    Candeeiro, candeeiro
    Acende que eu vou contar
    A saga do mirongueiro
    Da África ao “cafezá”
    Fui pisado, pilado e vendido em leilão
    Já chorei no cativeiro (ôô) no meio da plantação

    Ê ê ê ô ê á …. Preto era cor do ouro
    Sol a sol a lavorar
    Casa grande era riqueza
    Na senzala era chibata
    Liberdade era jongo
    E meu povo se alegrava

    Ayê um novo dia, auê me alumia
    Na estrada o progresso …. imigração
    Mãos calejadas ergueram essa nação
    Já sonhei com o regresso, fui o poder dos barões
    Artista em poesia, manhã de inspirações
    Negro leva fé no meu cachimbo
    Desenha e faz seu destino
    Planta a missão de Oxalá
    Levanta que é hora de acordar
    Vou voltar pra Aruanda, o agogô vai ressoar

    Ê samborê! O louvor, as palmas, meu irmão café
    Ê saruê!, Adorê as almas! Saravá Tatuapé!

    Porto da Pedra arrecada duas toneladas de alimentos em live beneficente

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    Em um show de mais de três horas transmitido ao vivo pelo YouTube, na tarde deste sábado, a Unidos do Porto da Pedra arrecadou 2 toneladas de alimentos, 400 cestas básicas e 400 kits de limpeza. O show foi transmitido na quadra da agremiação.

    O presidente em exercício do tigre de São Gonçalo, Godzilla, aproveitou o momento para se solidarizar com todas as famílias brasileiras, que perderam seus entes e amigos e lembrou da importância de todos se unirem para ajudarem ao próximo.

    “Obrigado a todos que estão participando e ajudando essa iniciativa de solidariedade com essa população gonçalense que sofre tanto com o abandono e descaso dos governantes”, disse Godzilla.

    Durante a apresentação, foram exibidos vídeos de personalidades do carnaval como o presidente da Lierj, Wallace Palhares, a carnavalesca do tigre, Annik Salmon, a rainha de bateria Kamila Reis, a porta bandeira, Cintya Santos, do recém contratado coreografo da comissão de frente da Porto da Pedra, Paulo Pinna e do ator, Antonio Pitanga, homenageado da agremiação, no carnaval 2019. Eles fizeram participações reforçando os pedidos de doações e conscientizando a população para se prevenirem contra a Covid-19.

    live porto

    O intérprete, Pitty de Menezes recebeu diversos convidados, entre eles, os intérpretes: Nêgo, do Império Serrano, Igor Vianna, da Unidos de Bangu, Thiago Britto, da Cubango e Nino do Milênio, da Sossego. As apresentações contaram com a presença de passistas da escola, que fizeram um show ao som da bateria Ritmo Feroz, do mestre Pablo. A apresentadora, Carol Nunes interagiu com Pitty durante toda a apresentação, a dupla lembrou sobre a importância das medidas de proteção, como o uso de máscaras e álcool gel, e do isolamento social, como ação para minimizar os efeitos do novo coronavírus e a arrecadação de doações para a população mais necessitada.

    Por motivos técnicos, os espectadores não puderam fazer as doações através da tecnologia do QR-Code, presente na tela da transmissão. Por isso, a direção da vermelha e branca de São Gonçalo, pede para que as doações sejam entregues na quadra do tigre, localizada na Travessa João Silva, 84, Porto da Pedra, de segunda a sexta, a partir das 17 horas.

    Os alimentos e produtos não perecíveis serão distribuídos para a comunidade de São Gonçalo.

    Marcelo Chaves se junta a Alexandre Dias na direção de carnaval do Sossego

    O Acadêmicos do Sossego terá uma dupla na direção de carnaval para o próximo desfile. Marcelo Chaves é o reforço do quesito e trabalhará ao lado de Alexandre Dias, renovado com a agremiação. Amigos de longa data, os dois já fazem planejamento com a escola e, mesmo remoto, já iniciaram os trabalhos da Azul e Branco do Largo da Batalha.

    Marcelos Chaves tem passagens pela Imperatriz Leopoldinense, Grande Rio, Salgueiro, Unidos de Bangu e Unidos da Ponte. Também foi o primeiro diretor de carnaval da Liesb e promete realizar grande trabalho na escola.

    “Chego com garra que a comunidade merece, para desenvolver um belo trabalho ao lado do meu amigo Alexandre. Somos amigos de vida e isso será um casamento perfeito”, revelou Chaves.

    direcao sossego21

    Renovado com a agremiação, Alexandre Dias comentou a chegada no parceiro e comemorou a oportunidade de poder trabalhar ao lado de um parceiro.

    “Trabalhar em dupla é um verdadeiro casamento. Cada um tem seu ponto de vista, sua maneira de pensar, mas juntos colocamos em prática e pesa na balança o melhor para nossa escola. Podem aguardar um belo desfile no próximo carnaval, pois nosso trabalho já começou”, finalizou Chaves.

    No próximo carnaval, o Acadêmicos do Sossego levará o enredo “Visões Xamânicas”, desenvolvido pelo carnavalesco André Rodrigues.

    Rainha de bateria da Unidos da Tijuca, Lexa doa cestas básicas para os ritmistas da bateria Pura Cadência

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    Em meio as tantas dificuldades impostas pela pandemia do novo coronavírus com medidas que exigem o isolamento social e consequentemente a redução drástica de oportunidades de trabalho informal às famílias sem renda, a solidariedade tem auxiliado a alimentação nesse momento tão difícil que o Rio de Janeiro e o mundo enfrentam.

    Neste sábado, sensibilizada com o drama social criado pela pandemia, a Unidos da Tijuca fez o repasse de uma tonelada e 600 quilos de alimentos através de 80 cestas básicas doadas pela rainha de bateria Lexa aos ritmistas da bateria Pura Cadência do mestre Casagrande em situação de vulnerabilidade. A entrega aconteceu na quadra de ensaios situada no Santo Cristo e seguiu as orientações de segurança para evitar aglomeração e contaminação pelo vírus.

    Cestas Lexa

    Desde o início da pandemia mestre Casagrande não vem medindo esforços para auxiliar os ritmistas que tiveram sua renda familiar reduzida devido à quarentena. Além da doação dos alimentos obtidos através da rainha de bateria, Lexa, o mestre buscou e recebeu através de parceiros doação de: alimentos, álcool em gel, produtos de limpeza, higiene pessoal e cartão alimentação. O compositor Dudu Nobre, a empresária e ritmista Tanit Galdeano, a ONG Viva Rio e a Academia Pérolas Negras foram alguns dos parceiros.

    A azul e amarela tijucana planeja novas ações enquanto permanecer os impactos sociais devido ao vírus. A rainha de bateria já se comprometeu a realizar novas doações para os meses de julho e agosto e a escola segue com seu calendário de eventos suspenso devido ao isolamento social.

    Alberto João: ‘Carnaval das escolas de samba e o descaso com a quarentena da Covid-19’

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    O Editor do site CARNAVALESCO, jornalista Alberto João, gravou um vídeo para falar da questão que está gerando forte debate entre os sambistas. Vai ter Carnaval em 2021?

    “Vamos parar de demonizar as escolas de samba e o carnaval. Ninguém é irresponsável de pensar em ter desfile com pessoas lotando UTIs e morrendo nos hospitais”, disse o jornalista Alberto João, que completa.

    Veja abaixo o vídeo completo:

    “O carnaval, com as escolas de samba, desde o início está ajudando muito a mitigar os efeitos da pandemia na vida das pessoas e nos hospitais. Seja com alimentos e materiais de higiene ou produzindo máscaras e aventais. Faltam oito meses para o carnaval e pelo menos cinco meses até novembro quando teremos um panorama de como está a Covid-19 por aqui. É óbvio que se estivermos como hoje não existe jeito nenhum de ter carnaval em fevereiro, mas caso tenha algum remédio ou vacina surgindo é possível pensar em levar para o feriado de junho, Corpus Christi, e aí ter tempo de ensaiar (a partir de abril) e produzir o desfile a partir de março. Deixo reflexão para vocês. Quem por aí está preocupado com os trabalhadores dos barracões, o zelador da quadra, o mestre-sala, a porta-bandeira, o mestre de bateria e o cantor? Todos estão sem renda e caso não tenha nada nas escolas de samba como vão botar o pão em casa?”.

    Conheça a sinopse do enredo da Beija-Flor

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    Título: “EMPRETECER O PENSAMENTO É OUVIR A VOZ DA BEIJA-FLOR”

    Este enredo é de autoria coletiva. Foi escrito pelas mãos, vozes e memórias de cada componente da nossa comunidade.

    A imagem do Pensador, a bela estatueta do povo tchowkwe, que habita a região Nordeste de Angola, inspira-nos a levar para a Avenida um enredo sobre a contribuição intelectual negra para construção de um Brasil mais africano.

    Nossa civilização conhece e respeita os pensamentos esculpidos em mármore greco-romano. Mas por que não talhar os saberes em ébano? Empretecer o pensamento do mundo é dar a toda a humanidade a oportunidade de uma visão diferente e original, com novos caminhos para o futuro, estabelecendo outras rotas possíveis.

    Ao longo do tempo, foram grafadas em pedras duras imagens estereotipadas da África como um ajuntamento de sociedades tribais destituídas de pensamentos e tecnologias. Isto nos impede de ver o legado e a diversidade dos povos e refletir sobre a possibilidade de empretecer o conhecimento humano.

    Muitas vezes enquadrada no campo do primitivo e do exótico, nossa forma sofisticada de ver o mundo é desvalorizada por estruturas coloniais racistas que desprezam a riqueza intelectual que produzimos.

    Por isso, mais do que nunca, é hora de inspirar mentes, trabalhar pelo “reencantamento” de tudo, e talhar em madeira forte nossos saberes, feito sementes espalhadas por soberanos pássaros de ébano.

    “No caminho da luz, todo mundo é preto”
    (Emicida)

    A diáspora do pensamento negro é um jogo de espelhos que faz refletir por muitas e muitas terras, povos e gerações o valor da nossa gente. Um negrume multicor que construiu monumentos em eras gloriosas, e que também passou a sofrer constantes tentativas de apagamento e silenciamento. Mas o legado dos nossos ancestrais persiste nas cores e nas formas que se afirmam pujantes, assim como a saga do nosso povo. Em muitos tons de negro, erguemos totens, esculpimos imagens de adoração de muitas fés, trançamos palha e fibra, entrelaçamos referências, bordamos a geometria das coisas e dobramos o tempo. Como num colar multicor, colocamos nos fios das artes visuais as mais raras pérolas e as contas mais sagradas dos nossos antepassados.

    A costura de um tecido de pensamentos sofisticados se dá a partir dos ensinamentos dos antigos para constituirmos a “afrosofia” de hoje. Em memórias transmitidas de geração a geração, somos sujeitos de poder, guiados pelos ancestrais. Produzimos jeitos diversos de pensar o sentido de um mundo plural, mesmo que máscaras brancas sejam colocadas sobre a pele negra. Falamos e escrevemos em bom “pretuguês”, para o mundo inteiro ouvir, o valor das nossas reflexões que se desdobram em ações afirmativas. A voz da intelectualidade altiva e forte se ergue contra as desigualdades, propondo novos caminhos para transformar a realidade em que vivemos. É o levante quilombista em nome de uma sociedade mais justa!

    A escrita de nós sobre nós faz emergir uma literatura que não se limita à entronização de heróis coloniais. Nossos personagens são escritos nas frestas, somos filhas e filhos do cotidiano e do épico, da dor e do prazer, dos movimentos sociais e das reflexões coletivas. As fraturas do processo escravocrata se manifestam na inquietação das palavras de azeviche. Imagens “poétnicas” de potência avassaladora, original e amplificadora de sentimentos e revoltas. São faíscas literárias que encandeiam ideias retintas e permitem reescrever mais e mais Brasis.

    Sob as luzes – e às vezes sob as sombras – da ribalta, encenamos a liberdade como texto primordial. Nos palcos do Teatro Experimental do Negro, invocamos a energia vital dos antepassados, espelhando a fúria e a brandura das divindades. Alegria e manifestação! Articulações engajadas fazem com que se multipliquem nomes e mais nomes entre a “grande constelação das estrelas negras”. São a essência do vigor dos nossos passos, da expressão maior dos nossos sonhos e dos nossos corpos instruídos de energia e técnica. Somos constante movimento, pois somos filhos de deuses que dançam!

    Agora cessem tudo o que antiga musa canta, porque uma flor nasceu no asfalto… E será cortejada por um pássaro de ébano, mestre-sala dos ventos a lufar sementes do samba, criação preta em essência. Filosofia em tambor sincopado que se transformou no maior espetáculo do ayê. Que possamos celebrar a arte que se afirma em cada Carnaval quando uma voz canta e um corpo responde “ao ressoar do som de um tambor”.

    Maravilhosa e soberana é a nação que anualmente ritualiza e espalha seus saberes ancestrais. Em Apoteose, vamos elevar nosso cantar feliz a Cabana, o pensador de ébano que, com suas composições e enredos, ajudou a esculpir o Beija-flor no terreiro sagrado do Carnaval.

    A ele e todos os ancestrais do samba, dedicamos nosso desfile, exaltando a memória e o trabalho intelectual do povo preto, e evocando o símbolo adinkra do pássaro que, com os pés fincados no chão, olha para trás para poder agir no presente e seguir rumo ao futuro.