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Cubango lança projeto educacional online para comunidade

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Em meio ao cenário de pandemia, o Cubango buscou formas de ajudar a sua comunidade e encontrou a resposta em um projeto educacional. O #EducaCubango vai recrutar profissionais da área da educação que queiram trabalhar de forma voluntária para a transmissão online de aulas e palestras para quem vai prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Além dos famosos aulões, que terão conteúdo das disciplinas que serão testadas na prova, haverá palestras com a intenção de tranquilizar os alunos através de dicas para tirar um pouco do peso que é fazer um teste como esse.

O projeto foi idealizado pelo diretor coreográfico da agremiação, Pablo Guerreiro, e conta com a participação de especialistas em educação como coordenadores pedagógicos e professores.

“A nossa intenção é resgatar a ideia de que a agremiação é uma escola, que através da agremiação podemos ensinar pessoas, só que dessa vez vamos além das aulas de samba no pé, de ritmo ou de quaisquer outras atividades que são fundamentais à uma escola, queremos ajudar essas pessoas a chegarem às universidades. Queremos provar, acima de tudo, que preto e pobre também tem o direito de estudar, que pessoas periféricas podem, sim, ter um diploma de ensino superior. Também quero que tenhamos a adesão de professores pretos, inclusive mulheres, para que essas pessoas sejam inspiração não só para jovens, mas para aqueles que têm o sonho de estudar adormecido ou colocado num canto por conta do preconceito”, explica Guerreiro.

O projeto, que está programado para ter início em meados de agosto, foi dividido em três fases: convocação de profissionais, convite para parceiros e cadastro de alunos.

“Precisamos de profissionais e parceiros que estejam dispostos a nos ajudarem nesse projeto. Já temos alguns professores cadastrados, mas precisamos de mais profissionais. Nós iremos oferecer as aulas através do Facebook, mas pensamos em, mais para a frente, utilizar uma plataforma mais específica para ministrarmos essas aulas. Também buscamos apoio de empresas que queiram doar materiais escolares para os alunos, que nos ajudem a imprimir material e disponibilizar para os alunos em nossa sede, que possam pagar internet para esses jovens. Enfim, há muitas possibilidades, podemos fazer muito, mesmo, mas vamos precisar da ajuda de pessoas e empresas para realizar tudo isso em uma escala maior”, diz Guerreiro.

O presidente da agremiação, Rogério Belisário, acredita na importância do projeto para a comunidade.

“O Acadêmicos do Cubango é uma escola que leva muito a sério a temática afro, principalmente porque nossos componentes são, em sua maioria, pessoas pretas, e queremos que essas pessoas saibam que nosso lugar é onde a gente quiser. Sabemos que, para além da pandemia, os jovens periféricos quase sempre não têm acesso a esse tipo de conteúdo e queremos usar as nossas redes para ajudá-los de alguma maneira”, diz Belisário.

Selminha Sorriso é convidada para viver o papel de Xica da Silva no cinema

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Enquanto o carnaval não vem, Selminha Sorriso tem brilhado em outras frentes. A porta-bandeira da Beija-Flor já estreou como apresentadora em lives solidárias, e, agora parte para mais um desafio: interpretar Xica da Silva no cinema. Selminha faz parte do elenco de “Zumbi Quilombo dos Palmares”, de Lula de Oliveira, que tem estreia prevista para o segundo semestre deste ano. Por conta da pandemia da Covid-19, as gravações do longa foram suspensas, mas com a flexibilização, no Rio de Janeiro, as filmagens devem ser retomadas em breve, seguindo todos os protocolos de segurança estipulados pelos órgãos de saúde. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, a artista falou sobre a felicidade e a responsabilidade de interpretar a escrava alforriada em 1754.

“A atriz Daniella Dias me convidou para participar da sua live, no Instagram, e conforme a nossa conversa fluiu, ela viu que eu poderia fazer o papel facilmente e me indicou ao diretor Lula de Oliveira. Ele fez uma entrevista comigo e fui aprovada”, relembra a porta-bandeira que encara o novo trabalho como mais um desafio em sua vida, sobretudo, em poder desenvolver um papel feito por grandes nomes da televisão brasileira.

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“Tivemos grandes atrizes encarnando essa personagem como Zezé Motta e Taís Araújo, isso é algo mágico poder trazer para o telespectador essa nova releitura e eu dando vida a Xica da Silva, e para isso estou me preparando há mais de um mês com encontros e ensaios junto da direção. Mas todo esse trabalho só vem para reafirmar a representatividade do povo negro e a voz das escolas de samba sobre esse assunto”, disse Selminha Sorriso.

Ao todo, seis narrativas – desde a época do Brasil Colônia até o início do século XXI -, contam a história do lendário Zumbi dos Palmares, famoso abolicionista que comandou o Quilombo dos Palmares e lutou pelo fim da escravatura. Uma das histórias que cerca o então líder é a de Xica da Silva, interpretada pela porta-bandeira da Beija-Flor. O elenco conta ainda com Mário Gomes, André Gonçalves, Paulão Duplex, Danielle Dias, entre outros autores. O documentário tem concepção e direção de Lula de Oliveira e mistura realidade e ficção para contar histórias do negro no processo de formação cívica do Brasil até os dias de hoje.

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“Iremos mostrar o negro vencedor, o negro que sempre passou por humilhação e vergonhas, mas que essas situações fizeram eles serem vistos como vitoriosos. Mas, o mais importante é retratar a religião humana, extraída da alma entre um ser humano ao outro com suas ações de proximidade e compaixão”, conclui o diretor.

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Além de Selminha Sorriso, outro grande ícone da Beija-Flor estará presente no filme, Silvestre David da Silva, o Cabana, um dos fundadores da agremiação de Nilópolis, terá sua história narrada no filme como um dos vitoriosos do século. O filme conta com apoio do Governo do Estado de Alagoas e da Beija-Flor de Nilópolis. As filmagens foram feitas no Rio, União dos Palmares e Atalaia, em Alagoas. O lançamento será feito em 18 estados, de forma simultânea, com exibição no Cine Odeon, no Rio e, logo em seguida passando para as plataformas de streaming.

Acompanhe agora: Game do CARNAVALESCO São Paulo

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Prefeito Bruno Covas recebe Liga-SP para discutir o próximo carnaval

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A pandemia de Covid-19 no Brasil mexeu com a rotina dos preparativos para o próximo Carnaval. Desde o fim do Carnaval 2020, as escolas de samba têm adaptado seus processos para respeitar as recomendações das autoridades de saúde e evitar a disseminação do coronavírus. Diante deste cenário, nesta quarta-feira, a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo se reuniu com o prefeito Bruno Covas para chegar a um entendimento de como e quando realizar o próximo Carnaval.

Além de Covas, participaram do encontro: Orlando Faria, secretário da Casa Civil; Milton Leite, vereador; Solange Cruz, presidente da Mocidade Alegre; Sidnei Carriuolo, presidente da Liga-SP e da Águia de Ouro; Paulo Serdan, presidente da Mancha Verde; e Jairo Roizen, gerente de Comunicação da Liga.

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Neste primeiro momento, a Liga-SP levou ao prefeito os pilares do planejamento do desfile de uma escola de samba. Ainda não há uma decisão oficial sobre o próximo Carnaval.

“Essa é a primeira rodada [de conversas com o prefeito], vamos aguardar sermos chamados novamente, para que possamos acertar alguns detalhes a respeito do próximo Carnaval”, diz Sidnei Carriuolo.

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A partir desta primeira conversa, Bruno Covas vai dialogar com as outras partes envolvidas no processo de preparação para entender a possibilidade de viabilizar o desfile das escolas de samba de São Paulo.

A Liga acredita que mais importante do que fazer um Carnaval, é garantir que ele aconteça com segurança e sem ameaçar a saúde dos envolvidos. As coisas têm acontecido com muita velocidade e, neste momento, as escolas de samba entendem que ainda há tempo para observar e estudar como será daqui pra frente.

Presidente da Mangueira sobre suspensão de pagamentos: ‘não temos mais recursos e precisamos de ajuda’

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Após a Estação Primeira de Mangueira anunciar a suspensão dos pagamentos de todos os funcionários e colaborados devido à pandemia do novo Coronavírus e a falta de receita o presidente mangueirense, Elias Riche, conversou com o site CARNAVALESCO.

“Tomamos essa medida porque as escolas de samba dependem dos ensaios, shows e apresentações. Estamos totalmente parados devido à pandemia. Fizemos um trabalho para começarmos o Carnaval de 2021 e conseguimos até julho cumprir nossas obrigações. Porém, agora não temos mais recursos. Conversei com todos da escola, informei que os contratos estão suspensos e pedi que aguardem um pouco. Entenderam e foram solícitos com a gente. Vamos ver agora o desenrolar do carnaval”, disse.

Elias Riche citou que nos próximos dias será criada uma campanha virtual em benefício da Mangueira e seus funcionários e colaboradores.

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“Precisamos agora de ajuda para pagar os salários e manter todo mundo. Nossa folha de pagamento, mais os acordos judiciais e as contas de consumo geram um valor de gastos de R$ 117 mil por mês. Estamos preparando uma campanha de doação para superarmos um mês, cada mês será um mês”

O dirigente da Mangueira citou o trabalho social realizado pela verde e rosa e o que a Liesa deve fazer nos próximos dias.

“Fizemos lives para ajudar a comunidade com cestas básicas e máscaras. Se a pandemia continuar será uma situação muito difícil. Mesmo que a Liga tente dar algum adiantamento vamos segurar um mês ou dois. Estamos numa encruzilhada muito grande. A Liesa está tentando ajudar e se sair vamos sobreviver mais uns meses. Fora isso, a gente precisa se reinventar. Conseguir receita, independente de qualquer negócio. Colocarmos a cabeça funcionar e pensarmos em algo”.

Elias Riche lamentou o momento vivido pelas escolas de samba e os funcionários que trabalham e vivem do carnaval.

“É muito triste essa situação. Não sei qual é o caminho do carnaval. Cada escola tem uma diretriz. Sei que todo mundo está sem atividade. Todo mundo que trabalha com eventos está passando uma situação muito difícil. Temos que enfrentar e nos redescobrimos. Não é fácil encontrar o caminho, mas vamos tentar. Fico muito preocupado para não termos escolas enrolando bandeira (encerrando suas atividades). Vamos pedir ajuda aos mangueirenses para realizarmos uma mobilização em prol da Mangueira”.

Justiça indefere pedido da Tradição para ser reconhecida na Série A

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Em decisão da 2ª Vara Cível do Rio de Janeiro, o juiz Sergio Wajzenberg indeferiu o requerimento de tutela antecipada da Tradição para ser reconhecida como integrante da Série A para o próximo carnaval. A escola foi a campeã da Livres, que foi criada após o rompimento com a Liesb.

“A Riotur reconhece que a Lierj é a responsável pela organização e realização dos desfiles da Série A. Não se afigura que a Lierj esteja obrigada a acatar o resultado do desfile de carnaval organizado e realizado pela 2ª e 3ª autoras”, informa a decisão judicial.

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Procurada pelo site CARNAVALESCO, a direção da Tradição enviou uma nota sobre o caso. Confira abaixo na íntegra. A Lierj informou que não vai se pronunciar.

“A Liga LIVRES RJ e o GRES TRADIÇÃO vêm à público informar que a decisão proferida na data de hoje, divulgada pela imprensa antes mesmo da sua publicação em Diário Oficial, NÃO DECIDIU O MÉRITO DO PROCESSO que pleiteia o reconhecimento do GRES TRADIÇÃO como escola da Série A, em razão do seu campeonato no Carnaval 2020, no Grupo B da LIVRES.

Como esclarecido na própria decisão, trata-se de análise preliminar (ou inicial) do processo, o qual, no entendimento do Juiz Sergio Wajzenberg, da 2ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, depende da análise de documentos que devem ser juntados pela LIERJ e pela RIOTUR no prazo de 15 dias

A decisão proferida não se manifestou sobre os seguintes importantes argumentos, devidamente comprovados:

(i) a LIVRES é uma Liga oficialmente reconhecida pela Procuradoria Geral do Município do Rio de Janeiro e pela RIOTUR para administrar a disputa dos desfiles carnavalescos das escolas de samba a ela filiadas;

(ii) no Regulamento Específico dos Desfiles da LIVRES, homologado pela RIOTUR, consta em seu art. 40 que a agremiação campeã ascenderá à Série A;

(iii) a RIOTUR assinou Contrato de Apoio Cultural com a Associação da Liga de Blocos e Bandas da Zona Portuária do Rio de Janeiro, que atuou em parceria com a LIVRES no Carnaval 2020, publicado em Diário Oficial, para a realização dos desfiles do Grupo B, onde, expressamente consta que o Regulamento dos Desfiles tratará da ascensão e do descenso de agremiações e que a RIOTUR aprovará a ata de apuração do resultado;

(iv) a RIOTUR participou de todo o processo relacionado ao Carnaval 2020, estando presente no dia dos desfiles e, também, na apuração;

(v) a RIOTUR aprovou e homologou a planilha de notas e o resultado oficial da apuração dos desfiles da LIVRES, reconhecendo o GRES TRADIÇÃO como campeã do Carnaval;

(vi) a legislação (Lei Municipal nº 1.276/88 e alterações da Lei Municipal nº 2.720/98) e o Estatuto Social da LIERJ (arts. 2º; 3º, § 6º; e 19, § 2º) impedem que referida Liga interfira na ascensão de agremiações, pois, do contrário, estará interferindo na disputa, “escolhendo” a agremiação campeã.

O Departamento Jurídico da LIVRES RJ já está adotando as medidas cabíveis para o oferecimento de recursos, visando a reforma da decisão.

Sabemos da dificuldade que é trazer ética e transparência ao Carnaval dos Grupos de Acesso da Cidade do Rio de Janeiro, mas nossa luta por dias melhores está apenas no início. Não desistiremos, pois temos certeza que a verdade prevalecerá e a justiça será feita”.

Mangueira anuncia suspensão dos pagamentos de seus colaboradores

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A direção da Estação Primeira de Mangueira fez reuniões com os funcionários da quadra e do barracão e anunciou a suspensão dos pagamentos de todos os seus colaboradores. O presidente Elias Riche informou para os integrantes que devido à pandemia da Covid-19 e a indefinição sobre a data dos próximo desfile não conseguirá cumprir os compromissos financeiros da Verde e Rosa.

Em nota publicada pela coluna do jornalista Ancelmo Gois, de O Globo, nesta quarta-feira, a decisão de suspensão do pagamento seguirá até que a escola encontre uma possibilidade de receita ou aconteça alguma definição sobre os desfiles para o próximo ano.

A Estação Primeira de Mangueira foi a primeira escola de samba do Grupo Especial que anunciou a total suspensão dos pagamentos dos colaboradores. O site CARNAVALESCO apurou que o número de pessoas envolvidas no corte está entre 40 e 50 funcionários.

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Com a declaração mangueirense, infelizmente, o caminho deve ter tomado por outras escolas de samba. Nos bastidores da Cidade do Samba, a notícia era esperada por quase todas agremiações, inclusive, algumas já não estão pagando contas de consumo de luz e água de seus barracões.

Alguns profissionais ouvidos pelo site CARNAVALESCO, que pediram para não serem citados, revelaram que não receberam nenhum valor desde fevereiro de 2020. Alguns artistas já venderam bens, como automóveis, e pensam em trabalhar em aplicativos de transporte como solução para o abandono financeiro.

Os dirigentes já pensam em uma nova plenária na Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) para que seja debatida a questão financeira. Muitos já são favoráveis que a Liga converse com a TV Globo, detentora dos direitos de transmissão dos desfiles, e pegue a primeira parcela da cota da emissora ou que a Liga faça um empréstimo/doação para suas 12 agremiações do Grupo Especial.

São Clemente escolhe enredo afro para o próximo carnaval

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Em uma live nas redes sociais a São Clemente anunciou seu enredo para o próximo carnaval. O anúncio foi feito com o presidente Renatinho e Tiago Martins, que assinará o desfile com João Vitor Araújo, que também participou do papo. O enredo recebeu o nome de “Ubuntu”.

“A ideia do enredo é a São Clemente que se lança como voluntária da filosofia Ubuntu, que significa humanidade. Mostraremos diversas ações humanitárias no Brasil e mundo. Trazendo conteúdo plástico conectado. Grandes líderes, instituições internacionais, homens e mulheres que marcaram seus feitos. Precisamos esquecer o singular para viver o plural. Vamos aguardar a pandemia acabar para lançar sinopse”, disse Tiago.

Ao falar sobre o enredo, João Vitor falou que não pode trair seu povo.

dupla clemente

“Carnaval é uma festa preta e carente de pessoas pretas na festa. A gente precisa de voz. Quando penso em humanismo e solidariedade eu penso no meu povo negro. O que mais sofre, chora e está carente de representatividade e liderança. Falar de solidariedade, para mim, como representante negro dentro do carnaval, é muito forte”, explicou João Vitor.

Um dos responsáveis pela idealização do enredo, Renato terá os carnavalescos Tiago Martins e João Vitor Araújo no desenvolvimento plástico de “Ubuntu”, além do historiador-enredista Marcos Roza, responsável pela pesquisa de conteúdo do tema. O presidente da São Clemente falou sobre a proposta da escola.

“Esse enredo engloba tudo. É um enredo de amor. Não tenho patrocínio de ninguém. Está incluída minha família e amigos de infância. Teremos escolha de samba-enredo, mas sem vacina não vou fazer carnaval. Vou seguir todas autoridades sanitárias”, afirmou Renatinho.

São Clemente Ubuntu

Sabe aquele amor tão genuíno do “nós”, e que deveria ser aprendido no seio da família? Aquele que, de tão concreto, se estende à coletividade e alcança o próximo? É esse amor que inunda a São Clemente e transforma a agremiação em “escola de vida”, voluntária de uma grande missão social dos ensinamentos da filosofia Ubuntu, com origem nos povos Bantus e que significa humanidade.

Ubuntu é uma ética social africana que tem origem na língua Zulu e é sustentada por pilares como solidariedade, partilha, respeito, acolhimento e generosidade, entre outras ações que realizadas em sintonia com a alma, buscando o bem-estar coletivo à expansão do conceito de humanização.

Resenha dos Sambistas: Junior Escafura recebe Anderson do Molejo

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    Pensar, produzir e dançar comissão de frente no carnaval carioca

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      Nada jamais continua, tudo vai recomeçar!
      Mario Quintana

      Assim como outras linguagens artísticas, a dança integra um conjunto de heranças culturais de um povo, tribo ou comunidade. Dançar constitui um vetor muito poderoso de identidade social, hierárquica, econômico, sexual, étnica, cultural, físico e até econômico. Com isso, falar do quesito comissão de frente no carnaval faz-se quase que obrigatoriamente abordar via dança todos estes diferentes aspectos.

      Destaca-se também, ao falar de comissão de frente, elementos como: história, transformações, funções, número de coreografias, formação dos coreógrafos, componentes do quesito, audição, figurino, maquiagem, adereços/elementos cênicos, tripé, efeitos especiais, andamento do samba, tempo na avenida e tempo de apresentação ao jurado, regulamento específico, justificativas dos jurados, relação com o enredo, função do diretor de harmonia, apoios de comissão de frente, ensaios (gerais, quadra, barracão, avenida e rua), processos de criação, teatralização, movimentação espacial e desenhos, sinopse para o jurado, pré-produção, produção e pós-produção, ética profissional. Ufa!

      Explicar com riqueza e fundamento estes detalhes no quesito comissão de frente é sim um trabalho árduo e complexo, o qual envolve uma fatia da dança e suas vertentes culturais. Quase que um rizoma onde um fio puxa ao outro. É um tema muito amplo, já que pode ser abordado não somente pela força cultural, abrange inclusive seus contorces regionais, quanto à gênese do quesito e suas mudanças históricas, os processos criativos diversos e a produção da obra em diferentes grupos. Afinal, não podemos esquecer que é desproporcional produzir uma comissão de frente no grupo especial do Rio de Janeiro em relação aos outros grupos de acesso (A, B, C, D e E).

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      Muitos alunos, amigos, jornalistas, interessados no assunto me questionam as dificuldades encontradas na elaboração de um projeto de comissão de frente. Os principais obstáculos se constituem em momentos diferentes das fases de criação da comissão de frente e também vão se modificando durante carreira. Atualmente duas me chamam atenção.

      A primeira é aprender a lidar em pouco tempo, dentro de um processo efêmero, com a diversidade de formação dos profissionais envolvidos, no tocante às relações que precisam ser estabelecidas nesta ordem com: gestores, carnavalesco, assistentes, profissionais que produzem o tripé e/ou adereços, figurinistas, maquiadores e principalmente os intérpretes artistas. Um espaço de negociação constante e que todo ano precisamos recomeçar do zero. A segunda com a preocupação na difusão e divulgação do que é feito dentro dos processos de criação. Que são múltiplos com vários formatos e bem fartos.

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      Sabemos que são poucos os materiais encontrados sobre o quesito. Poucos pesquisadores direcionam seu olhar e se debruçam em artigos, mapeamentos, ensaios, publicações, trabalhos de conclusões de curso e pesquisas acadêmicas como dissertações e teses. Por outro lado, poucos artistas estão preocupados em disseminar o resultado de seus processos de construção na íntegra. É o que temos debatido no Encontro Nacional de Pesquisadores, Coreógrafos e Bailarinos de comissão de frente. O encontro surge para amenizar tal inquietação.

      Como dito, o tema é muito vasto e, por se tratar de um campeonato, penetra neste debate também, assuntos recentes como, tendências anuais das comissões de frente. Isto é, como o quesito vem se moldando ano após ano. Como a escola que ganha, ou a comissão com nota máxima dita tendências para novas produções no carnaval seguinte. Entra também na discussão, a forma com que os jurados olham, avaliam e justificam suas retiradas de pontuações nas apresentações das comissões de frente. Nota-se que, a cada ano, alguns jurados reinventam seu modo de julgar. Isso é bom ou ruim?

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      Se entendermos o quesito a partir deste sentido amplo, na perspectiva de atender interesses da cultura popular, produção do espetáculo, inter-relações, econômicos e avaliativos, surgem um turbilhão de dúvidas, dificuldades, campos de tensão e possibilidades de pesquisa, debate, conversas e diálogos. Dessa forma, certifica-se que o ambiente é fértil e vem suplicando atenção, holofotes nos tempos atuais. Principalmente no que tange a políticas trabalhistas para os profissionais que trabalham no quesito.

      O que venho refletindo constantemente é a necessidade de mais pesquisadores artistas, mais artistas pesquisadores, ou que estes pesquisadores possam se aproximar cada vez mais de nós artistas que produzimos comissão de frente. Assim, poderíamos tornar público e fazer serem conhecido todos os processos que envolvem este quesito dentro do desfile de uma escola de samba.

      Vivemos um momento de propagação de informações. É obsoleto nos tempos de hoje se guardar conhecimento. Ainda mais quando se trata de pesquisas acadêmicas. Ressalta-se aqui a importante relevância dos atuais grupos de pesquisas que se debruçam em pesquisar, fundamentar, incentivar, divulgar pesquisas, pensamentos e posicionamentos diversos.

      Muito antes, mas intensamente desde 2007, ao ingressar como aluno do curso de Bacharel em Dança da Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ, direciono meu olhar para o quesito, o que me projetou hoje estar em cena como pesquisador, julgador, coreógrafo e produtor de comissão de frente. Mas sinto e percebo que pouco sei. Todo ano descubro coisas novas nos barracões, ensaiando, e, principalmente nas avenidas. Cada agremiação me ensina mais. Os encontros me fortalecem. Os desencontros me direcionam para novas possibilidades.

      Sigo indagando, pesquisando, investigando, perguntando, interrogando, examinando, divulgando, postando, fazendo, dançando, produzindo, procurando brechas, e é claro proporcionando aberturas e novos ciclos. Parafraseando Mario Quintana, sigo atestando que as fatalidades e fiascos são a oportunidade para recomeçar com mais sabedoria. E que venham novas sementes, dúvidas, certezas, agremiações, novos sambas, assistentes, componentes, profissionais e novas publicações.

      Autor: Jardel Augusto Lemos – Bailarino, julgador e coreógrafo de comissão de frente do carnaval carioca desde 2008. Já coreografou mais 15 comissões de frente (em diversos grupos e regiões), além de trabalhar com casais de mestre-sala e porta-bandeira, alas e carros coreografados no Rio de Janeiro e outros Estados. Doutorando em Educação/UFRJ. Mestre em Educação, Cultura e Comunicação/UERJ. Graduado em Dança/UFRJ e Geografia/UERJ. Docente do Centro Nacional de Ensino Superior, Pesquisa, Extensão, Graduação e Pós-Graduação – Joinville/SC, nos cursos de Especializações em Dança Educacional e Artes Cênicas. Coordenador nesta mesma instituição do curso de especialização Latu Sensu em Gestão e Design em Carnaval. Pesquisador convidado do Observatório de Memória, Educação, Gesto e Artes – OMEGA/UFPEL. Pesquisador-orientador do grupo de pesquisa Observatório de Carnaval – OBCAR/UFRJ, orientando trabalhos na linha de Corpo, Movimento e Dança. Membro da comissão artística do Encontro Nacional de Pesquisadores, coreógrafos e bailarinos de comissão de frente.

      Referências Bibliográfica
      FARIAS, Julio Cesar, 1996. Comissão de Frente: alegria e beleza pedem passagem. Rio de Janeiro. Litterias. Ed. 2009, 208p.
      LEMOS, Jardel Augusto Lemos. SARMENTO, Luiz Thomaz. Dois caminhos de uma mesma rua: Auto do Círio (Pa) e carnaval
      (RJ) – Este Palco é nosso. In; Deixa a rua me levar/Organização: Instituto Festival de dança de Joinville e Thereza Rocha. Joinville:
      Nova Letra, 2015. 237p.