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Salgueiro 2021: samba da parceria de Rafa Hecht

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Compositores: Rafa Hecht, Djalma Ferreira, Pixulé, Rodrigo Porto, Nunes e Thiago Daniel

Vamos pisar forte nesse chão
Evocar nossa nação
Desce o morro, é tempo de lutar!
Sou eu, senhor da minha própria existência
Alma preta sem grilhões
Sentinela e voz da resistência
Sou eu, filho bastardo da alforria
Mãos libertas da agonia
Acorrentadas ao silêncio da história
Será a liberdade, sonho ou realidade?
Nessa pátria que não soube ser gentil
Carregado de axé, assentei meus Orixás
E no toque do tambor meu “Quilombo” incorporou!

Saravá, Jongo, saravá
Olha vamos na dança do Caxambu
Vou chamar Zé Tambozeiro
Pra firmar no meu terreiro
Capoeira mata um, Zum zum zum

Dendê e pimenta de cheiro
Atiça o tempero da mãe quituteira
Respeita, senhor, minha fé
Meu povo resiste, é nó na madeira
A arte o meu talento revelou
Nos palcos da vida consagrei a minha cor
Na pele o tom do samba, em poesia ancestral
Fui pioneiro, nessa terra fiz raiz

Eu sou Salgueiro, minha história é quem diz!

Ê ê, meu canto livre a ecoar é preto
Punho cerrado contra a opressão
Ninguém cala a voz que vem do gueto
O meu Salgueiro vai cumprir sua missão
(O meu Salgueiro vai cumprir sua missão)

Salgueiro 2022: samba da parceria de Antônio Gonzaga

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Compositores: Antônio Gonzaga, Diego Tavares, Maurício Japa, Marcio de Deus, Gilca Soares e Martins

MOLEQUE,
PRETO É COR DE LIBERDADE
TODO PRETO É MAJESTADE
NÃO HÁ MORDAÇA QUE VÁ NOS CALAR
MOLEQUE, PRETO QUE ENFRENTA AS MAZELAS
CRIA DA DOR DA FAVELA
O MUNDO INTEIRO É SEU LUGAR

O AXÉ VEM DOS TERREIROS
VAI COMEÇAR O XIRÊ
NO QUILOMBO DO SALGUEIRO, NEGRITUDE TEM PODER!
GIRA A NEGA MÃE BAIANA
PRA XANGÔ SEU ORIXÁ
KABESSILE PRA JUSTIÇA NÃO FALTAR
KABESSILE PRA JUSTIÇA NÃO FALTAR

PAI,
NOSSA ARTE NÃO SE RENDE
QUEBRA CELAS E CORRENTES PRA VENCER A OPRESSÃO
PAI, DIREITO NENHUM É ESMOLA
NÃO LEIO SEU NOME NA HISTÓRIA
MAS PISAM SEU CORPO NO CHÃO
BASTA DE SER LIVRE SÓ NA MORTE
E VIVER REFÉM DA SORTE
SOMOS A REVOLUÇÃO
SALGUEIRO DE GLORINHAS E HAROLDOS
É A VOZ QUE DESCE O MORRO PRA HONRAR SEUS ANCESTRAIS
SALGUEIRO DE DJALMAS E ZUZUCAS
TEU MOLEQUE VAI A LUTA, NÃO SE CURVA AO CAPATAZ

NÃO ME CURVO NÃO! JAMAIS ME ENTREGUEI
NASCI RESISTÊNCIA, COM SANGUE DE REI
DE PUNHOS CERRADOS, EU SOU SALGUEIRO
PRETO NA PELE, ORGULHO NO PEITO
(QUERO IGUALDADE! EU QUERO RESPEITO!)

Salgueiro 2021: samba da parceria de Chacal do Sax

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Compositores: Chacal do Sax, Adriana Chapelien, Alê Zuk, Roberto Zuk, Divoney Perasa, Kaká Sol, Alexandre Rivero e Felipe Mussili

Sou do Morro do Salgueiro, cria da comunidade!
A essência do meu povo, preto na identidade!
E ninguém vai calar a nossa voz:
Da negritude, resistência somos nós!

Ô, ô, será que a casa grande não findou?
Ainda sinto a herança do feitor:
O tronco social do dia a dia
E a chibata que açoita nossa cor!
Senhor, sempre resisti contra a maldade
Na Pequena África ergui
O meu quilombo em liberdade
“Nega baiana”, tem quindim no tabuleiro
E o aroma do tempero é de enfeitiçar…
“Nega baiana”, do axé, eu sou herdeiro
Batizado no terreiro, coroado no congá!

Atabaque ressoou! Ê, camará!
No toque do Caxambu, Preto Velho vem jongar!
E abre a roda que tem capoeira:
Do preconceito não levo rasteira!

Meu black é poder, o pente liberta
E a mente do povo tá em “transição”…
Tô na passarela, sou destaque na tela
Mostrando pro mundo minha vocação
Um baile no racismo pra comemorar…
Tem charme à luz do luar…
No sorriso negro dessa gente
No passo da massa, swing da raça é diferente…
Salgueiro, ousar em resistir foi pioneiro
Na luta que jamais será em vão:
Exaltar os heróis desse amado torrão!

Salgueiro 2021: samba da parceria de Leonardo Bessa

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Compositores: Leonardo Bessa, Benjamin Figueiredo, Marcelo Valencia, Osvaldo Cruz, Bruno Papão, Vagner Silva, Pereira e André Ronaldo

MEU RESISTIR
É INTRANSITIVO E DIRETO
NÃO SE CALAR..
A INJUSTIÇA SUFOCA IRMÃOS
INSISTIR..
HÁ PRETOS AINDA SEM TETO
REAGIR A TODA E QUALQUER FORMA DE OPRESSÃO
LEGADO MAIOR QUE HERDEI DE MEUS PAIS
CABEÇA ERGUIDA, ORGULHO DA COR
RASGAR A MORDAÇA, NÃO SER CAPATAZ
HONRAR MINHA RAÇA E A TEZ DOS ORIXÁS

OOOOO SALGUEIRO É TERREIRO, É REI NEGRO, É GRIÔ. (BIS)

CIATA DE OXUN, IYRAKEKERÊ
ARRASTA-SAIA, BAIANA, NO XIRÊ
ZOMBA DOS “HOMI”, JONGA DIVINA MULHER BIS
RESILIÊNCIA NEGRA DO SAMBA NO PÉ

MANDINGAS, AJEUNS E ORAÇÕES QUE SE MISTURAM
CANTIGAS DE UMBANDA, EM ATABAQUES DO OMOLOKÔ
MÃE PRETA VEM ME BENZER.
MÃE DA MEMÓRIA DOURADA EM DENDÊ
O OGAN ABRE A RODA, VEM O CAPOEIRA
FAZENDO BRILHAR OS OLHOS DO ERÊ
DOS PÉS AOS CABELOS EM TODAS AS PARTES
NOS PALCOS E TEXTOS, NEGRA É A ARTE
DESÇAM PARA A FESTA OS QUILOMBOS
DESTE E DE OUTROS PLANOS
GUARDIÕES DA NEGRITUDE
RESPEITO É QUESTÃO DE ATITUDE

SOU A VOZ DO POVO PRETO, EVOCAÇÃO
SOB A LUZ DO FIRMAMENTO, GUETO EM COMUNHÃO BIS
IGUALDADE É MINHA LUTA, É MINHA ESSÊNCIA
SALGUEIRO… RESISTÊNCIA

Salgueiro 2022: samba da parceria de Sereno (Fundo de Quintal)

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Compositores: Sereno (Fundo de Quintal), Josemar Manfredini, Tico do Gato, Alexandre Cabeça, Serginho do Porto, Walter Honorato, Alê Dutra e Manelão do Vilar

NA PELE A COR DA NOITE
A ESPERANÇA NO BRILHO DO OLHAR
MEU POVO FOI CASTIGADO NO AÇOITE
AINDA HOJE SINTO A LÁGRIMA ROLAR
MAS VOU SONHAR, LUTAR POR IGUALDADE
ACREDITAR QUE O SOL DE UM NOVO DIA VAI RAIAR
ESTOU VIVENDO DESSE JEITO SUFOCADO
PELO RACISMO, PELA DISCRIMINAÇÃO
“VIDAS NEGRAS IMPORTAM”
CHEGA DESSA FALSA ABOLIÇÃO

FAZ DE NOVO TAMBOR, MINHA ALMA CANTAR
A BAIANA GIRAR, PRA ME ABENÇOAR
CADA QUILOMBO, MEU LEGADO, MEU TERREIRO
PEQUENA ÁFRICA NO RIO DE JANEIRO

CELEBRAR A VIDA…
ALIMENTAR O CORPO SEMEAR A PAZ
A ARTE NEGRA É RAIZ PLANTADA NESSE CHÃO
SABEDORIA DOS ANCESTRAIS
SAMBA, JONGO, CAXAMBU, CAPOEIRA
A NEGRITUDE ESTA EM CADA UM DE NÓS
NA INSPIRAÇÃO DO “MESTRE SABIÁ”
ECOA A NOSSA VOZ

“EU SÓ QUERO É SER FELIZ”, LIVRE DE VERDADE
E DAR UM FIM NESSA DESIGUALDADE
ENQUANTO A LUA BRILHAR, O VENTO SOPRAR
O RIO CORRER PRO MAR E A CHUVA CAIR
PUNHO CERRADO SOU RESISTÊNCIA
JAMAIS VOU DESISTIR

ÒFI ÀLÁ WE O, ILE LEWA
MEU GRIÔT MEU AXÉ …SALGUEIRO
ÒFI ÀLÁ WE O, ILE LEWA
ÊTA PRETO DE FÉ … SALGUEIRO

ÒFI ÀLÁ WE O , ILE LEWA
Incidental da “cantiga de Oxalá” (domínio público) = UM PEDIDO DE PROTEÇÃO.
OXALÁ NOS CUBRA E CUBRA NOSSA CASA COM SEU MANTO SAGRADO

Salgueiro 2021: samba da parceria de Viny Machado

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Compositores: Viny Machado, Lucas Donato, Rony Sena, Rafinha, Gabriel Tadeu, Marcos Vinicius e Romeu

Não venha me enganar com seu discurso
Vou desmascarar o preconceito
Não quero ser melhor e nem pior
Cansei de sofrer, exijo respeito
Sou “livre”, mas ainda aprisionado
Semeio meu legado nesse chão
Sobrevivendo em Quilombos criados
Encontro a minha proteção
Na força ancestral do candomblé
Que alimenta a cultura brasileira
Mãe baiana, mãe da fé!
Derrama seu axé, na minha bandeira!

Salgueiro é religião!
Toca batuqueiro, firma ponto no congá!
Na ladeira tem capoeira!
Zum, zum, zum!
Zum, zum, zum… capoeira, camará!

Cabelo black é identidade
A rua se transforma em passarela
Talento e representatividade
Sou protagonista brilhando na tela
Eu só quero é ser feliz
Festejar a vida, as vezes sofrida
Firma na palma da mão
Tem funk no caldeirão
Charme é viver sem opressão
O sonho não será silenciado
A minha luta vai continuar
Sou preto, sim! De punho cerrado!
Por quem já se foi e por quem virá!

O que seria da minha vida sem você?
Salgueiro, Griot do samba!
Sou resistência, com licença, vou passar
Uma escola diferente
Deixa quem quiser falar!

Salgueiro 2021: samba da parceria de T’nem

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Compositores: T’nem, Batista Coqueiral, Alexandre Xuxu, Luciano Godoi, Marquinho Mineiro, Betinho Pezão, Gilmar Monteiro, Tem-Tem Jr.

Indulgente liberdade, mascara a abolição
Resistir consolida a existência
Negritude em minh’alma é essência
Herança dos meus ancestrais,
Vermelho do sangue negro
Que luta contra opressão
É firmamento em meu amado torrão!
O brado da paz leva igualdade à minha bandeira
Punho cerrado, comunidade guerreira!

A favela é meu Quilombo… deixa a baiana girar
Cai a noite, vem o dia, é Xangô a nos guiar
O batuqueiro firma o coro e pede axé
Kabecilê! Povo de fé!

Na cozinha do saber, alimento o meu ser
Com oferendas aos meus orixás
Ao descortinar meu palco sonegado
A imaginação “partiu do alto”
Em meio ao choro e tanta repressão
Com criatividade e disfarçado
Escuto o som de preto e favelado
Salgueiro…
Desce o morro e vem mostrar o seu valor
Dar a cara a tapa sim senhor
Quebrar as muralhas desse cativeiro!

Sou Academia, toca partideiro
Sou a resistência, filho desse terreiro
Ecoa a voz do coração pro mundo inteiro
Salgueiro… Salgueiro!

Salgueiro 2021: samba da parceria de Guilherme Sá

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Compositores: Guilherme Sá, Zé Paulo, Bil-Rait “Buchecha”, Felipe Filósofo, Leandro Paulo, Belle Lopes, Paulo Oliveira e Alan Rabelo

Resistir pra existir sem medo!
Punho cerrado pelo mundo inteiro
Na Academia do povo preto
Me manifesto porque sou Salgueiro!

Nasci do tronco e do ventre em agonia
No temor da travessia
Abayomi ninou sussurros de dor
Sobrevivi, persisti e lutei
Na contramão da história branca me criei
Legado deste chão que me pertence
Sou griô na insurreição da nossa gente
Batuqueiro Quilombola, não aceito esmola
Na minha gira, pus racismo na poeira
A negritude não é uma fantasia
Que se desfaz no amanhecer da quarta-feira

“Cinzas voam no rosto de quem as jogou”
Recuso o abuso que silencia o tambor
Se a pedra rolar, Xangô vai segurar
Risco pemba, ergo a bandeira de Oxalá

Sou fundamento, o saber das Yabás
Preservo o sabor pelas mãos de quem faz
Lá no alto do Morro… Caxambu me ensinou
A desafiar a vida, ser um versador
E driblar preconceitos tendo a luz de um vencedor
A liberdade ainda terá seu papel principal
Minha escola é Palmares, onde canta um negro Sabiá
Sou verso de amor de Mãe Conceição
A trilha sonora da favela
Revela na paz que não me inclui “Um defeito de cor”
Transformando luto em luta contra a segregação
Racistas não passarão!

Salgueiro 2022: samba da parceria de Guinga do Salgueiro

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Compositores: Guinga do Salgueiro, Marcelo Motta, Fred Camacho, Getulio Coelho, Ricardo Neves, Fabricio Fontes, Ralfe Ribeiro

O morro ainda clama liberdade!
Existe apesar dessa gente
A voz do Salgueiro … PRESENTE!
Onde Calça Larga é resistência
Brilha o olhar de Anastácia
Uma escola de samba com essência
Não tem mordaça e nem senhor
De tantos terreiros, um elo ancestral
Encontra refúgio na Pedra do Sal
Tem fundamento de Candomblé
Omoloko, Axé! Saruê, baiana!
Pro meu Rio de Janeiro Saravá Umbanda!

SOU CORAGEM LÁ DO GUETO
NO TEMPERO DE LUANDA
DIZ QUE É “COISA DE PRETO”
MAS REQUEBRA NO MEU SAMBA
JONGA JONGUEIRO, BATE O TAMBOR
NOSSA CULTURA, NA SAIA RODOPIÔ

Arte que resiste ao “sistema”
Dom de quem desarma o discurso
Poesia contra quem condena
Dita quem carece de recurso
Chega de chorar bala perdida
Chega dessa justiça predisposta
Basta, somos os pais da despedida
Eternos filhos de perguntas sem resposta
Enquanto houver um negro punho erguido
Meu vermelho é a luta dos que tanto já suportam
Aqui vidas negras importam

CASA DE PRETO, REINA XANGÔ!
SALGUEIRO É VERBO DE CALAR FEITOR
RESISITIR É VOCAÇÃO DO MEU LUGAR
SALVE O QUILOMBO DE GUINETO E SABIÁ!