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Beija-Flor dá ‘start’ em concurso de sambas para o próximo carnaval

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Beija Flor Casal Hollanda
Foto: Eduardo Hollanda

Com o próximo carnaval no horizonte, ainda sem data definida por causa da pandemia de Covid-19, a Beija-Flor de Nilópolis aproveita o mês de outubro para iniciar o processo de escolha do samba-enredo que irá contar na Marquês de Sapucaí o enredo “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”. O concurso terá início em novembro, com preparação desde agora através de diálogos entre o carnavalesco Alexandre Louzada e compositores. A escolha será dividida em duas fases, a primeira delas marcada para começar em novembro. A segunda delas, prevista para englobar apenas os dez melhores sambas entregues à agremiação, contará com participação ativa do intérprete Neguinho da Beija-Flor.

Os cuidados necessários para evitar a infecção de artistas, poetas e funcionários pelo coronavírus levaram a azul e branco optar por uma disputa com o menor número de pessoas possíveis em eventos presenciais. Serão estabelecidos protocolos sanitários para todos os encontros programados para o concurso, incluindo o uso de máscaras faciais e álcool em gel, bem como o distanciamento social e a escolha de locais arejados para receber compositores, intérpretes e percussionistas. Esses cuidados são válidos desde o início da empreitada, marcada para começar nesta terça-feira, 20.

“Queremos que os compositores explorem mais o conteúdo do enredo contido na sinopse. Ela foi entregue em junho e vamos relembrá-la através do Louzada. Por isso, convidamos os poetas a irem ao barracão, em horários alternados e pré-marcados. O encontro será no pátio, um espaço amplo, posiconaremos as cadeiras separadas umas das outras e permitiremos apenas dois representantes de cada parceria”, explica o diretor de carnaval Dudu Azevedo, destacando que as reuniões de Louzada com os compositores acontecerão também na quarta e na quinta, 21 e 22.

Como principal novidade, o concurso irá vedar a gravação em áudio e vídeo das obras inscritas durante a primeira etapa. Eles serão executados ao vivo pela primeira vez no Dia da Consciência Negra (20 de novembro), data relevante para o enredo escolhido pela Deusa da Passarela. A apresentação começará às 13h e os sambas já estarão sujeitos a cortes. Antes disso, na véspera, dia 19, letra e nomes dos autores deverão ser entregues na quadra, entre 18h e 23h. O novo modelo irá valorizar as principais qualidades das obras e reduzir desigualdades financeiras entre parcerias.

Depois da estreia, o concurso terá pelo menos outras nove datas disponíveis para apresentações e cortes de samba. Elas serão amplamente divulgadas às parcerias através dos canais de comunicação oficiais da escola.

Na segunda etapa da disputa, com apenas dez sambas, os compositores vão gravar as obras em estúdio, interpretadas por Neguinho da Beija-Flor.

Dúvidas e marcações de horários para o encontro com o carnavalesco Alexandre Louzada serão atendidas pelo presidente da ala de compositores, Jorge Veloso, através do telefone (21) 96425-6826.

CRONOGRAMA: PRIMEIRA FASE DA DISPUTA DE SAMBA DA BEIJA-FLOR

19, 20 e 21 de outubro — Conversas entre compositores e o carnavalesco no barracão
19 de novembro — Inscrição na quadra (18h às 23h, apenas letra e nome dos autores)
20 de novembro — Primeira apresentação e corte na quadra (13h)
26/11 em diante, segundas e quintas — Apresentações e cortes até que restem dez sambas

Jorge Aragão deixa UTI e vai para o quarto

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aragaoInternado no hospital da Unimed na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, o cantor e compositor Jorge Aragão vai vencendo a luta contra a Covid-19. Nesta terça-feira, o sambista deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e foi para o quarto.

Jorge Aragão deu entrada na UTI em 13 de outubro com um quadro de pneumonia viral por Covid-19. De acordo com a assessoria de Aragão, “o sambista está em processo de recuperação”. Não há previsão de alta hospitalar.

Quitéria Chagas abrirá o próximo desfile do Império Serrano como rainha da escola

Quiteria Chagas 5Quem é Rainha nunca perde a majestade! Quitéria Chagas retorna ao posto de Rainha da Escola, abrindo o desfile do Império Serrano no próximo Carnaval. A beldade, que reinou à frente da Bateria Sinfônica do Samba no último ano, será coroada no próximo sábado, 24, na Live de Apresentação dos Sambas-Enredo do Reizinho de Madureira.

“Quero agradecer toda a Diretoria do Império Serrano, representada por Sandro Avelar e Rildo Seixas, pois estou muito feliz. Dizem que o Império cura e cicatriza feridas, e é verdade, pois o Império é vida. Não vejo a hora de poder abraçar todos na quadra novamente.” – Destacou Quitéria.

No próximo sábado, o Império Serrano vai apresentar através de sua WebTV no youtube, em simultâneo ao Canal FitAmarela, todos os sambas-enredo concorrentes para o próximo Carnaval. No evento, nenhuma das obras será cortada. A live começa a partir das 18h.

Milton Cunha e os destaques de luxo: Monique Lamarque

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Por Milton Cunha, Victor Raposo, Thiago Acácio, Reinaldo Alves, Tiago Freitas e João Gustavo Melo

Lamarque03“TRAVA NA BELEZA: Imaginários sobre o destaque de luxo de escola de samba”, que será publicado no Dossiê da Revista Policromias do LABEDIS, Museu Nacional da UFRJ, com Editoria de Tania Clemente.

Para chegar aos núcleos temáticos, fizemos uma série de entrevistas que passamos a publicar no site CARNAVALESCO, duas vezes por semana. Este material acabou não entrando no corpo do texto, por limitação de espaço, e não queríamos deixar de mostrar. É uma homenagem aos esforços destes luxuosos personagens que habitam nossos sonhos de folia! Viva os Destaques de Luxo, mensageiros do glamour.

Monique Lamarque – Salgueiro

O que você imagina que a plateia imagina quando te vê passando na avenida durante o desfile?

Monique Lamarque: Acredito que as pessoas achem as roupas dos destaques lindas e ao mesmo tempo devem pensar: Que loucos! Tanto trabalho e dinheiro para um desfile de 40 minutos.

Gostaria de saber como surgiu o seu interesse em ser destaque de luxo? Quando foi o seu primeiro desfile nesse posto? Como e quando foi a sua chegada no Salgueiro? Já desfilou em outras agremiações nesse posto? Se sim, quais?

Monique Lamarque: Vamos lá! Vou te contar a história rapidinho. Eu nasci e me criei no Santo Cristo, que é aqui ao lado da cidade do samba. Então eu desde criança eu tive muito acesso porque aqui não é longe da Marquês, não é longe de onde era o desfile antigamente, que era na Presidente Vargas, né. Eu era vizinha do Dacopê que foi diretor, vice-diretor de Bateria da Portela muitos anos. Depois ele foi diretor de bateria da tradição e eu frequentava muito a Unidos de São Carlos, que depois virou Estácio de Sá. Então eu saí algumas vezes assim na, tipo de destaque de chão, na Unidos de São Carlos, né. Com o passar dos anos, que eu fui meio infiltrando mas assim no meio do Samba eu conheci o Luiz Fernando que era carnavalesco da Caprichosos de Pilares e fez um ou dois anos a União da Ilha, então eu comecei a desfilar com ele. Ele me dava um figurino não desenhado e me dizia: “eu quero isso, isso, e isso”. E eu seguir a base do que ele queria. Um ano existiu o concurso de rainha do carnaval e eu fui ser jurada e no júri estava o Roberto Szaniecki, que na época era carnavalesco do Salgueiro. Então, neste ano, tava sobrando um figurino e ele perguntou se eu tava interessada. Isso aí foi em 1995. E aí eu peguei esse figurino e de lá para cá eu tô no Salgueiro até hoje. Entrei no ano de 1995, numa época que no Salgueiro tinham quase 50 destaques, e com o passar do tempo né foram peneirando, peneirando nós nos tornamos seis destaques, que era um para cada carro durante quase 14 anos. E de uns 3, 4 anos para cá nós somos nove destaques na Academia do Samba. E eu sempre gostei muito de carnaval porque, como eu fui nascida e criada aqui, aqui tinham blocos de carnaval muito antigos. Na época que tinha o Banho de Mar à Fantasia, o Fala Meu Louro, o Coração das Meninas, o Eles que Digam e o Estácio, que hoje é Estácio, mas era São Carlos, era só atravessar o viaduto e tava na quadra deles né. Então foi assim que surgiu minha paixão pelo carnaval e eu sempre fui muito apaixonada pelo carnaval assim desde criança até pela área em que eu nasci, que eu me criei, né. E, porque você sabe que aqui nesse bairro, antes da cidade do samba, foi sempre onde existiu todos os barracões de escolas de samba, né. Todos de barracão de escola de samba eram aqui na Zona Portuária. E hoje tem a Cidade do Samba, então foi aí que surgiu minha paixão de carnaval. Mas isso foi desde criança, criança mesmo entendeu? Até eu acho que por influência do bairro. De todas as pessoas que tinham aqui. Aqui tem muita gente envolvida com carnaval muita gente Da Unidos da Tijuca, muita gente da Portela. Muita gente principalmente da bateria da Unidos da Tijuca. Aqui moram muitas pessoas que trabalham na Cidade do Samba. O chefe de ferragem, o Sandro, mora aqui, entendeu? O Bruno que faz as placas de acetato é meu amigo de infância. Então, por aí eu fui me integrando, né, e ficando cada dia mais sólida essa minha coisa dentro do carnaval, entendeu? Não sei se isso atende a pergunta que você fez, qualquer dúvida você me fala que eu respondo de novo, tá meu amor? beijo!

Lamarque02Como é o seu planejamento para desfilar? Qual o seu papel na concepção e elaboração da fantasia? E como é a relação do carnavalesco nesse processo?

Monique Lamarque: O carnavalesco ele dá o desenho, né. Você depois leva um papo com ele falando sobre o material, cores, etc e tal, ideias. Depois o menino que costura, e o que borda e eu nos reunimos e pensamos outras ideias, e assim vai adiante o processo de criação.

E em relação ao personagem/papel que você vai interpretar no desfile. Você faz alguma preparação corporal, nos aspectos de gestual e de semblante? Como que você “encarna” aquilo que está vestindo? Como internaliza as personagens que representa?

Monique Lamarque: Não faço preparação nenhuma não só gosto de malhar. Agora, infelizmente com essa pandemia, nem malhar você pode, né. Mas eu não faço preparação nenhuma não. A não ser os detalhes para que a roupa fique bem dentro do esquema do personagem que vou interpretar na Avenida, entendeu?

Você tem apego com as fantasias? Como lida com a ideia de que ela será vista em pouco tempo pelo público?

Monique Lamarque: Eu não tenho apego pela fantasia não, muito pelo contrário. As minhas roupas, normalmente… Eu morei muitos anos na Suíça aí eu morei com uma amiga, e lá o carnaval da Suíça é no mês de maio e a minha amiga usa minha roupa quando termina o carnaval, ou ela ou alguém. Normalmente ela está aqui porque ela vem assistir o carnaval, ou as poucas vezes que ela não veio alguém levou para ela a roupa. E ela usa roupa lá e depois ela me devolve só as penas, porque normalmente o resto pouco se aproveita entendeu?

Pra você, o que faz uma fantasia de destaque se eternizar na mente de quem assiste os desfiles? E o que faz um destaque se distinguir dos demais destaques de luxo do carnaval?

Monique Lamarque: Eu acho que o que faz eternizar uma fantasia de carnaval é o lugar, a posição que você vem, e o carro quando ele é muito marcante. Por exemplo, nesses 25 anos de Salgueiro, eu tive muita sorte. Eu vim em vários carros que marcaram o carnaval assim, entendeu? Impactou muito, como o carro todo de néon com Renato fez o que eu vim de Fênix e o carro era todo de néon e no topo do carro eu tava sozinha vestida de Fênix. Outros carros que tiveram como Candaces que eu vim de Guerreira, que era o último carro. E outros carros. O do King Kong, muitos outros carros. O que faz distinguir dos demais destaques de luxo? Eu acho que cada um tem seu estilo, o seu comportamento. Alguns fazem personagens e saem com a cara, com rosto coberto e realmente se transforma. Então cada um tem o seu estilo, entendeu?

Tem alguma fantasia ou fantasias por qual você sempre é lembrado (a) ou que tenha se tornado inesquecível para as pessoas? Se sim, por qual motivo isso aconteceu?

Monique Lamarque: Sim! Tem fantasias que ficam marcadas, como eu falei na pergunta anterior a da Fênix pelo carro ser todo de néon e eu estar sozinha. Normalmente o sempre venho sozinha, né. Agora no Salgueiro que tão botando dois destaques por carro, porque durante 16 anos no Salgueiro era um destaque para cada carro. O enredo de Candaces, que eu vim de guerreira, a roupa ficou muito marcada também porque eu vim de seios de fora. No ano que Salgueiro foi campeão que eu vim no carro de rainha do Maracatu, que era uma sombrinha maravilhosa e o carro todo em vime. Várias fantasias ficam marcada assim no desfile, pelas pessoas que assistem e é comentários sempre na roda e todo mundo comenta sobre essas roupas, entendeu?

Você considera o luxo essencial para a festa? Se sim, por qual motivo?

Monique Lamarque: O luxo é essencial para festa porque se não tiver aquela figura com aquela roupa gloriosa e tudo mais… O destaque ele compõe o personagem e ele é a figura central do carro, ele que faz o acabamento do carro, ele que acrescenta algo mais no carro, entende? Então eu acho que acrescenta sim. O luxo ele é importante porque ele dá um arremate final naquela obra que já é o carro, entendeu? Ele é o X da questão ali no carro é o destaque de luxo!

Antigamente, cada destaque vinha em uma alegoria. Hoje, com a diminuição do número de carros, isso tem sido menos frequente. Como você enxerga essa mudança? É um problema pra você dividir a atenção do público?

Monique Lamarque: Em relação ao número de destaques eu não sei, eu acho que o Salgueiro era uma das escolas que vinham assim… Eu acho que quando tem muito destaque, muita composição fica meio meio poluído. Porque fica muita coisa, fica o destaque fica um monte de composição. Quando é um destaque só com as composições eu acho que fica uma coisa mais clean. Você consegue visualizar melhor a roupa do destaque, as composições, o carro em si… Porque quer o que que adianta você fazer um carro maravilhoso, glamouroso se tiver 800 mil pessoas em cima? Não sei se você concorda comigo. O menos é o mais, né? Quanto mais coisas você botar em cima, menos visível, menos você consegue entender o que quer dizer uma coisa ou outra. E o Salgueiro, de um tempo para cá, tá botando dois destaques por carro. Quanto a isso eu não tenho problema nenhum porque eu tô de boa, entendeu? Mas eu acho que quanto mais clean mais bonito. Flui melhor o desfile, entendeu? Fica mais legível o enredo, o entendimento do que significam as coisas.

Pra você o que a figura do destaque simboliza para os demais componentes da escola? E como é a relação deles com você?

Monique Lamarque: As pessoas elas ficam alucinadas durante a montagem da roupa, entende? Principalmente quando você já tá muitos anos na escola, como eu que já estou há 25, que todo mundo te conhece, as pessoas com sempre… As pessoas sempre esperam mais, e mais, e mais, e mais entendeu? Só que também você não pode inventar muito né, porque pena é pena e, no fundo, no fundo, as roupas ela mudam né, de uma para outra, mudam e mudam muito, mas não tem mais muito o que inventar, né. Você vai tentando criar em cima, cada vez mais, mas as pessoas elas ficam muito impactadas com as roupas. Eu acho que a escola normalmente tem uma relação muito boa com os destaques, entendeu? Tô te falando no meu caso, no Salgueiro, entendeu?

O carnaval vem passando por uma crise financeira e muito se fala que as escolas precisam voltar às suas raízes. Você acha que a comunidade se sente representada quando vê vocês nos dias de hoje? Sentiu alguma mudança na relação entre você e a comunidade nos últimos anos?

Monique Lamarque: Não! Em relação a mudança da comunidade em relação a gente, eu acho que eu não tem. Mudou muito não porque todo mundo sabe que o grande investimento dos destaques são as artes plumárias, as penas, faisão, etc e tal, né. E isso tudo a gente reaproveita, né? Se bem que às vezes os carnavalescos dão uma uma piradinha, “viajam na batatinha”, como diz o outro. Inventam umas coisas que ficam meio impossível de você realizar, entendeu? Mas normalmente os destaques eles têm a parte mais cara da roupa que são as penas em si, né.

Lamarque01Você falou, na resposta ao Milton, que as pessoas devem pensar que vocês são loucos quando os vêm no desfile. Como você vê essa relação entre destaque de luxo e loucura?

Monique Lamarque: Eu falei as pessoas devem achar que nós somos tudo loucos é porque, na realidade, porque a gente fica 40 minutos na Avenida, né. Então é uma é um corre-corre é uma antecipação. Você começa a fazer roupa quatro, cinco meses antes e pensando no monte de coisa, se preocupando com um monte de coisa para uma coisa tão, tão curta, né. Porque você, na realidade, você se arruma meia hora, 40 minutos antes e você passa na Avenida 40 minutos. Então é uma uma doideira muito grande para muito pouco tempo ser aproveitada, para ter essa sensação durante muito pouco tempo. 40 minutos é muito pouco, para quem ficar três, quatro, cinco meses trabalhando numa roupa, entendeu? Mas eu acho que isso é mais uma coisa de ego, uma coisa realmente é para quem realmente gosta e gosta muito, sabe, de desfilar! É nesse sentido que eu me referi a louco. E as pessoas falam mesmo: “Vocês são tudo maluco! Gastam muito dinheiro! É muito trabalho para muito pouco tempo de desfile!”

Com quanto tempo de antecedência você chega no sambódromo? Em qual tipo de carro você chega? Quantas bolsas você carrega? Como são feitas essas bolsas? Tem pessoas para dar apoio? Na hora que chega e vê as alegorias desmontadas, de tarde, muito antes de qualquer pessoa, o que você sente? O que você pode contar desse processo de montagem e depois de desmontagem da alegoria? Sente tristeza de jogar lá de cima os plumeiros? Como é essa sensação?

Monique Lamarque: Eu sempre chego no Sambódromo antes de começar a primeira escola. Porque mesmo que a minha escola que é o Salgueiro, eu só desfilo no Salgueiro, seja a última ou a penúltima. Eu sempre chego […]. Por exemplo, se o desfile começar 9h15, como é hoje em dia, 9h30. Eu 9h tô no Sambódromo porque depois fica muito tumultuado, entendeu? As minhas bolsas são feitas de nylon dublado, bem grandonas, uma para o esplendor; uma para as penas; outra para os adereços e encaixes; outra para a roupa; e eu levo uma bolsinha menor minha que eu já tenho, normal, onde eu boto calcinha, perfume, maquiagem, meia, sapato, grampo, spray, essas coisas assim que você precisa de último momento para finalizar para poder desfilar. Dependendo, às vezes, são quatro bolsas: três grandonas com as roupas todas e uma menor com a minhas coisas de uso mais pessoal. Os apoios vão comigo, me ajudam, que são três, mais eu quatro. Eu quando chego, os carros já estão em fase de teste, como eu te falei eu chego quase na hora de entrar a primeira escola e eu nunca vou de tarde, eu nunca vou de tarde. Eu sinto um pouquinho de tristeza assim às vezes, sabe? Tá sujo, mas eu sempre levo uma canga, eu pego uma garrafinha d’água e molho a canga e passo no queijo para poder começar a botar roupa. Forro com uma canga que é para poder não ficar sujo, por causa de poeira. Para não estragar, né, as penas, a roupa em geral, entendeu?! As coisas poderiam ser mais organizadas, mas enfim é carnaval, né, sempre foi assim. Eu acho que até se mudar vai ficar estranho, né, sabe?

Quadras das escolas de samba estão liberadas para eventos

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Um decreto será publicado nesta terça-feira no Diário Oficial liberando as quadras das escolas de samba para realização de eventos.

reuniao fiocruz

Seguindo todas normas sanitárias, as agremiações fizeram um acordo com o poder público. Assim, a Prefeitura do Rio, através da Vigilância Sanitária, fará todas quartas e sextas um curso de capacitação da para os funcionários das escolas.

O presidente da Liesa, Jorge Castanheira, o diretor de carnaval, Elmo José dos Santos, e, o representante da Beija-Flor, Gabriel David, além do vereador Felipe Michel, estiveram em reunião com representantes da Fiocruz para trabalharem juntos na autorização das autoridades sanitárias visando a realização dos desfiles das escolas de samba em 2021. A presidente da Fiocruz Nísia Trindade e a secretária municipal de Saúde Bia Busch também estiveram no encontro.

Ouça o samba-enredo da Estácio para o Carnaval 2022

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Compositores: Adilson Torres, Caruso, David Correa e Deo
Intérprete: Serginho do Porto

O céu rasgou
Na noite que reluzia
Um show de estrelas
Brilhou nos olhos
De um novo dia
A poesia
Enfeitada de luar
Encantou o Estácio (ó paixão)
Paixão que arde sem parar

É mengo tengo
No meu quengo é só Flamengo
Uh! Tererê
Sou Flamengo até morrer

Seis jovens remadores
Fundam o grupo de regatas
Campeão o seu destino (ô)
É ganhar em terra e mar
Fazendo sol
Pode queimar, pode chover
Vou ver Fla-Flu
Fla-Vas vou ver
Diamante negro, Fio Maravilha
Domingos da Guia, Zizinho, Pavão
Gazela negra
Corre o tempo no olhar
Será que você lembra
Como eu lembro o mundial
Que o Zico foi buscar
Só amor
Na alegria e na dor (ô ô)
Parabéns dessa galera
Campeã da nova era

Cobra coral
Papagaio vintém
Vesti rubro-negro
Não tem pra ninguém

Outro patamar! Estácio de Sá decide reeditar homenagem ao Flamengo no próximo carnaval

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Fla Estacio
Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

A Estácio de Sá anunciou nesta segunda-feira o seu enredo para o próximo desfile, que ainda não tem data para acontecer em virtude da pandemia de Covid-19. A vermelha e branca do morro do São Carlos decidiu reeditar um marcante desfile de sua história: a homenagem ao Clube de Regatas do Flamengo, de 1995, quando o rubro-negro completou 100 anos de existência. A informação foi veiculada primeiro pela jornalista Fábia Oliveira no Jornal O Dia.

O presidente do clube, Rodolfo Landim, marcou presença na quadra ao lado de Leziário Nascimento, presidente da Estácio, no momento do anúncio. A Estácio tirou o sétimo lugar no desfile de 1995 com o enredo “Uma vez Flamengo…”. Na ocasião a Estácio vivia um momento glorioso, pois havia vencido o Grupo Especial apenas três anos antes. Foi também o último desfile do casal Claudinho e Selminha Sorriso pela escola antes de iniciarem uma era de desfiles pela Beija-Flor.

EstacioEmbora tenha passado distante do campeonato, o samba entrou para a história e é sempre cantado na quadra. A torcida do Flamengo também abraçou a composição nas arquibancadas e sempre entoa o samba-enredo na íntegra nos jogos do clube.

No desfile houve uma profusão de estrelas e personalidades do clube. Na ocasião, o Flamengo montara um time ambicioso que acabou não conquistando nenhum título. Mas isso não impediu a presença de figuras como Romário, Vanderlei Luxemburgo, Zico, Júnior, Edmundo e Sávio, craques do passado e do então presente do clube. Em 1995 o desenvolvimento do tema ficou a cargo do carnavalesco Mário Borriello. No próximo desfile o trabalho fica a cargo de Wagner Gonçalves.

Live do ‘Barracão Solidário’ reúne sambistas em nome da solidariedade e exalta trabalhadores que produzem o carnaval

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O “Barracão Solidário” realizou uma live, nesse domingo, que reuniu diversos nomes da folia carioca em prol do projeto. O objetivo do evento foi angariar recursos e doações para auxiliar os trabalhadores dos barracões das escolas de samba do Rio, que atualmente se encontram em um cenário de muitas dificuldades, devido a pandemia do novo Coronavírus. O site CARNAVALESCO, parceiro da iniciativa, transmitiu a live, além de acompanhar os bastidores e a repercussão da ação.

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Idealizador do “Barracão Solidário”, Wagner Gonçalves conversou com a reportagem após o evento e fez um balanço do trabalho realizado. “Essa live significou a realização de um sonho, pois quando imaginei esse projeto, era pra criar algo possível dentro de um cenário pandêmico. Era um momento em que estávamos com menos flexibilização, as pessoas podiam sair menos, cheias de restrições com a saúde, além de uma maior incerteza quanto a posição do carnaval. Entendi que a galera precisava ficar reunida, se movimentar, manter viva a chama do samba. Reunimos muitos sambistas, artistas de outras áreas, empresas e, assim, vemos o quanto o carnaval é potente. É uma marca que atrai outras marcas, o quanto comercialmente ele é importante e isso pode gerar renda e trabalho para as pessoas. Uma live dessa envergadura, além de todas as doações, gerou emprego. Muitos aqui tiveram seus cachês doados”, destacou.

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Acerca do valor arrecadado com a live, Wagner Gonçalves diz não ter ainda um número exato, mas acredita que as expectativas tenham sido alcançadas. “Não sei ao certo o quanto arrecadamos, mas já soube que a Sabrina Sato e a Luma de Oliveira entraram e ajudaram. A vaquinha virtual ficará aberta até o final do mês de outubro, para as doações serem contínuas. Precisamos atender as 350 pessoas cadastradas e tentar abrir mais novas cadastros. Essa é a nossa inspiração”, afirmou.

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Wagner ainda aproveitou para agradecer todos os parceiros que tornaram a live possível. “Quem deu credibilidade foram os artistas e profissionais que abraçaram o projeto. Quando esboçamos o ‘Barracão Solidário’, para apresentar as empresas e movimentar uma live dessa, apontando quais os profissionais que estariam, como eu mesmo, o Carlinhos (Eberius, produtor), a Selminha (Sorriso, porta-bandeira da Beija-Flor), o Milton (Cunha, comentarista da TV Globo), a Sabrina (Sato, apresentadora) e tantos outros que encheram os olhos dos patrocinadores. Pessoas sérias que trabalham e militam pela causa do samba. Porém, sempre é muito difícil. Ainda não temos a economia aquecida, é um cenário de muitas incertezas. Mas, conseguimos trazer boas e grandes parcerias”, frisou.

‘Quem trabalha em barracão tem que ser olhado e citado’, diz Milton Cunha

Quem também conversou com a reportagem do site CARNAVALESCO, logo após o encerramento da live, foram os apresentadores do evento Milton Cunha e Selminha Sorriso. Para Milton, o grande diferencial da ação está na valorização dos funcionários dos barracões.

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“É prestar o tributo de existência, de visibilidade para o empregado. É dizer assim: ‘Sem vocês, a escola não vai para Avenida’. Os funcionários são estrelas, junto com todo mundo. Quem trabalha em barracão tem que ser olhado, citado, trabalhado para conseguir cesta básica, porque é uma gente que está no perrengue total. A importância desta causa é dizer ‘obrigado barracão, vocês existem’. E parabéns aos funcionários de barracão que estão no perrengue, mas não deixam a peteca cair”, defendeu Milton.

Para ele, a presença dos carnavalescos das agremiações na transmissão, mesmo que sem conseguir realizar o bate-papo previsto devido a uma falha técnica, foi de extrema importância. “Ainda que eles não tenham conseguido falar, mas eles surgiram na imagem. É importante ver o Alex (de Souza, carnavalesco do Salgueiro), o Leandro (Vieira, carnavalesco da Mangueira e do Império Serrano), o Tarcísio (Zanon, carnavalesco da Viradouro), o Marcos (Ferreira, carnavalesco da Viradouro), o Fabinho (Fábio Ricardo, carnavalesco da Mocidade), o Bora (Leonardo Bora, carnavalesco da Grande Rio), o Gabriel (Haddad, carnavalesco da Grande Rio)… Isso mostra que eles estão trabalhando, fazendo, empreendendo pelos seus funcionários, eles sabem da grandeza desta causa”, avaliou Milton.

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Em seu balanço do evento, Selminha também chamou a atenção para a união dos sambistas no atual momento de adversidades. “Mais uma realização, mais uma vitória do samba, que tem se unido e se mostrado solidário uns com os outros. São várias iniciativas de lives para ajudar os nossos irmãos e amigos sambistas em vários segmentos. Hoje foi mais uma demonstração que temos que agradecer pela solidariedade das pessoas que colaboraram, que nos assistiram, pois, foi um número bem considerável de pessoas interagindo conosco. E poder apresentar ao lado do Milton Cunha, e ter sido convidada pelo Wagner, idealizador desse projeto, e os empresários, que ajudaram a realizar essa live solidária, é uma honra poder doar um pouquinho da minha alegria, da minha imagem, que está sendo construída ao longo dos anos pelo samba. É motivo de gratidão. Espero que tudo isso passe logo e que em breve possamos estar juntos, mas, enquanto isso não passar, enquanto não haver vacina, as ações e iniciativas solidárias para com os nossos irmãos valem muito a pena”, declarou.

Intérpretes falam da importância do ‘Barracão Solidário’

E ao longo da live, diversas atrações musicais se apresentaram, incluindo alguns intérpretes das escolas de samba, como Gilsinho (Portela), Marquinho Art’ Samba (Mangueira), Wantuir (Unidos da Tijuca), Emerson Dias (Salgueiro), e Serginho do Porto (Estácio). O site CARNAVALESCO também conversou com eles sobre a relevância da causa do “Barracão Solidário”.

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“São milhares e milhares de pessoas que estão em casa, aguardando uma notícia se vai ter carnaval ou não. A gente sabe, mais ou menos, que se sair a vacina vai ter carnaval. Mas, de algum modo, é sempre importante a gente poder participar e ajudar, dar um pouquinho de custo para essas pessoas que estão sem trabalhar, passando dificuldade com toda certeza. E não podia ser diferente: a gente é resistência desde que o samba apareceu, e vai continuar sendo. O nosso samba é a nossa cultura, é isso que nos representa”, opinou Wantuir.

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“Pra mim é muito importante! É como diz, ser solidário a essa necessidade, que não só o povo do barracão, como os ritmistas solidários, as vozes do samba também, todos os segmentos do carnaval estão passando um momento muito difícil. E, a gente se uniu, tentando fazer lives para que possamos vir a angariar fundos que consiga tentar dar um pouco de sustância pra todos nós”, disse Serginho do Porto.

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Quem também seguiu esta mesma linha de raciocínio foi Emerson Dias, que comanda o carro de som do Salgueiro, ao lado de Quinho, desde 2019. “Eu já fiz lives para vários segmentos. E a gente não tinha pensado ainda no que fica por trás das cortinas: aderecistas, costureiras, artesãos, carpinteiros, ferreiros, carnavalescos, diretores de carnaval, que tanto contribuem para a folia. Eu vou englobar nesse grupo, diretores de harmonia, que são tão importantes também e são esquecidos, são os que chegam primeiro e os últimos a sair. Então, foi uma iniciativa muito boa do Site Carnavalesco, junto com o Wagner, do Barracão Solidário, o Milton Cunha e a Selminha, apresentadores dessa live e a Ingrid, produtora da live, de fazer a oportunidade da gente buscar recursos que possam ajudar essas pessoas que estão em casa, nesse momento tão complicado ainda”, afirmou.

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“O samba tem união. Nós estamos unidos em prol de várias pessoas, várias lives que aconteceram, Barracão Solidário, Bateria Solidária, está faltando o Puxador Solidário (risos), daqui a pouco iremos inventar isso. Mas está sendo legal, nós estamos nos unindo cada vez mais. Eu estou aí, a disposição de qualquer live, seja pra quem for, que precise das escolas de samba, estarei sempre dando a minha voz, prestando a minha solidariedade. É um momento legal, muito bacana e que todo mundo está focado em uma coisa só, de conseguirmos nos manter e conseguir manter a chama do nosso carnaval”, declarou Gilsinho.

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“É uma satisfação danada poder participar em nome da Estação Primeira de Mangueira. Fico muito lisonjeado pelo convite e espero sempre estar na próxima e próxima por esta causa maravilhosa e de muita importância, ainda mais que as pessoas se encontram sem um salário, sem previsão de voltar ao trabalho, então qualquer ajuda é muito bem-vinda para eles, mas logicamente que não é tudo. Nós sambistas esperamos um futuro mais próspero aí em breve. Isso tudo está acabando e daqui a pouco todo mundo já vai estar podendo voltar para o seu trabalho, levar seu pão de cada dia, inclusive eu”, comentou Marquinhos Art’Samba.

Por Diogo Sampaio e Rennan Laurente

Jorge Aragão é internado na UTI com Covid-19

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A jornalista Fábia Oliveira, do jornal O DIA, informou que o cantor Jorge Aragão, o Poetinha do Samba, está internado com Covid-19 na UTI do Unimed Barra.

“O paciente Jorge Aragão da Cruz foi admitido em nosso hospital em 13 de outubro com quadro de pneumonia viral Covid-19. Desde então, encontra-se em unidade de terapia intensiva sob monitorização contínua e cuidados específicos para a condição clínica, apresentando boa resposta ao tratamento. Ainda não há previsão de alta da UTI”, informa o boletim médico do hospital.

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Acompanhe agora: live do Barracão Solidário

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