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Às vésperas da decisão oficial, sambistas opinam sobre futuro do Carnaval 2021: manter, adiar ou cancelar?

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sambodromo 1A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), junto com os dirigentes das doze agremiações que compõem o Grupo Especial, irão definir, nesta quinta-feira, os rumos do Carnaval 2021. Em função da pandemia do novo coronavírus, que afeta o Brasil e o mundo, é praticamente certo que os desfiles não irão ocorrer em fevereiro do ano que vem. Todavia, resta definir se a folia será realizada em outra data ou se não haverá festa em 2021.

Qualquer que seja a decisão tomada, uma série de fatores terão de ser levados em consideração antes do martelo ser batido. Além das questões de saúde pública, que visam evitar uma maior proliferação de casos da Covid-19, há de ser pesado na balança os aspectos financeiros, que envolvem o sustento de milhares de famílias que vivem direta ou indiretamente do Carnaval; como também a situação dos cofres do estado e da cidade do Rio, que tem nos desfiles das escolas de samba uma importante fonte de receita.

Há poucas horas da plenária que irá decidir o futuro do maior espetáculo da Terra, o site CARNAVALESCO ouviu alguns sambistas, de diferentes segmentos e escolas, para saber as expectativas e a opinião deles acerca dos cenários que despontam para o Carnaval 2021.

viradouro samba2020 18Para Rute Alves, porta-bandeira da Viradouro, a manutenção da realização dos desfiles para o mês de fevereiro é algo completamente fora de cogitação. “Ter um Carnaval no início de 2021 é inviável. Primeiro, por causa do vírus, porque mesmo que tenha uma vacina ao decorrer ainda desse ano, em fevereiro, a população não estaria 100% vacinada, imunizada. Segundo, a questão logística, do tempo que cada escola precisa para se preparar, para fazer um grande espetáculo. Até porque chega também de a cada ano ter de diminuir alguma coisa. Nosso espetáculo não permite que diminua mais nada. Ele tem de crescer e não diminuir”, avaliou.

Na opinião de Rute, o ideal seria o adiamento da folia. “Torço muito para que decidam fazer o Carnaval mais para o meio do ano, em julho por exemplo, para que em agosto e setembro já se iniciem os trabalhos para o próximo. E espero que com os dirigentes chegando em um acordo sobre a data, seja elaborada uma equipe capaz de estudar estratégias e algumas normas para que, mesmo em julho, caso ainda não tenha sido toda a população vacinada, adotem-se protocolos para que quem esteja desfilando, trabalhando e assistindo não corra nenhum risco”, defendeu.

portela emquadra2020 6Quem também segue esta mesma linha de pensamento é Júnior Escafura, um dos integrantes da comissão de carnaval da Portela. “Minha expectativa é para que as escolas entrem em um consenso e, junto da Liesa e do poder público, haja um entendimento pensando em todas as pessoas, tanto na saúde delas perante a pandemia, quanto na segurança financeira daqueles que vivem do carnaval e dependem desse trabalho para sobreviver”, pontuou.

“Hoje, acho que o Carnaval precisa ser ser adiado. Talvez para o mês de maio, que aí de repente a gente já tem um cenário melhor dessa pandemia, uma expectativa maior pela vacina. Mas é claro, se chegar em janeiro e fevereiro com o cenário da pandemia do jeito que está agora ou pior, não vai ter como e aí sim vai ser preciso cancelar. No entanto, neste momento, eu acho que a melhor solução é adiar o Carnaval e a gente continuar criando ideias, para que possamos nos adequar, e se consiga ter a realização do Carnaval em alguma data que o cenário esteja um pouco melhor”, prosseguiu.

Escafura ainda alerta que mesmo que haja os desfiles em 2021, são grandes as possibilidades de serem em um formato ou proporção menores ao espetáculo que estamos acostumados. “Diante do cenário em que a gente se encontra, é preciso buscar soluções. Talvez seja necessária uma mudança de regulamento, uma diminuição de alegorias, porque a gente sabe que a questão financeira vai pesar bastante para as escolas”, destacou.

campeas granderio 91Na visão do mestre de bateria Fafá, da Grande Rio, mesmo em meio ao cenário adverso, a folia carioca não pode passar em branco em 2021. “Não consigo imaginar ou visualizar o Rio de Janeiro sem ter de alguma forma o Carnaval. Acho que as escolas de samba, juntamente com a Liesa e com os órgãos públicos cabíveis, com certeza vão chegar a um denominador comum. De alguma forma ou de outra nós vamos realizar o Carnaval, nem que seja algo mais simples ou que não tenha disputa”, assegurou.

“O povo precisa disso. O carnaval traz alegria, gera emprego, não só para as pessoas que trabalham no barracão, mas para várias pessoas que trabalham no entorno também”, complementou Fafá.

tuiuti cds2020 10Já o diretor de carnaval do Paraíso do Tuiuti, Junior Schall, preferiu adotar um discurso ponderando sobre a realização ou não da festa no ano que vem. “Que tenhamos, dentro de uma condição real de proteção, a realização dos desfiles das escolas de samba. Porém, essa situação é pautada por inúmeros fatores que compõe um grande e intrincado cenário ao redor, que não dependem somente da ação da Liesa. A Liga sempre teve o olhar apurado e toda a preocupação para a melhor realização do espetáculo, que não é nada simples. Deste modo, entendo que mesmo num formato e num tempo de calendário diferente, a Liesa, junto das agremiações, e com a segurança em primeiro plano irá encontrar o caminho para termos um evento que represente a festa popular do Carnaval com os desfiles das escolas de samba”, frisou Schall.

“As agremiações tem buscado apoiar as suas comunidades. O desejo e a ação de todos é em relação a saúde, a preservação da vida”, concluiu o diretor de carnaval

Site CARNAVALESCO ouve sugestões para escolas gerarem receitas com iminente adiamento dos desfiles

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tom maior barracao 2A Liesa deve decidir nesta quinta-feira por um adiamento dos desfiles de 2021, que aconteceriam em fevereiro. Há a possibilidade, caso haja uma vacina em tempo hábil, de realização da festa ainda no ano que vem, mas essa é uma situação ainda muito volátil.

Nesse sentido, trabalhadores das escolas de samba vislumbram um cenário macabro pela frente. Sem desfile as escolas perdem receita e não conseguem arcar com os compromissos com eles. Com chance palpável de desfiles apenas em 2022 é um cenário desolador?

Não se as agremiações, que sempre marcaram a história por sua criatividade, buscarem alternativas para gerarem receita, mesmo com atividades paralisadas e sem realizarem eventos que gerem aglomeração, o que é vedado pelas autoridades sanitárias.

aguiaouro barracao2020 5O site CARNAVALESCO ouviu formadores de opinião para saber o que as escolas podem fazer para sobreviver. Para o escritor, compositor e historiador Luiz Antônio Simas é urgente que cada agremiação coloque definitivamente em mente o seu caráter comunitário e compreenda que o desfile é uma consequência do existir das escolas e não o contrário.

“Eu não tenho uma resposta fechada. O ecossistema das escolas é muito diverso. O poder de engajamento de redes das escolas maiores é muito mais forte. Eu disse uma vez que as escolas precisam definir se elas desfilam porque existem ou se existem porque desfilam. Cotidianamente elas são atuantes. Isso envolve uma economia criativa, pessoas que dependem disso. As agremiações têm que conversar com quem entende disso. De engajamento, de gerar receita em cima disso. É crucial. Tem de criar maneiras de ampliar os debates com diversos segmentos. É necessário inseri-las no contexto da cultura. Tenho visto iniciativas bacanas desse setor e vejo as escolas fora desse debate. Trabalhadores do carnaval são da cultura. Às vezes falta esse pensamento mais amplo. Me parece que as escolas ficam fora do debate das políticas públicas de auxílio aos artistas. É preciso reafirmar que as escolas são instrumentos de cultura de ponta. Se conectar com vários setores da sociedade. Eu não tenho solução. O caráter comunitário vem no sentido de que as escolas desfilam porque existem e não o contrário”, opinou.

serrano barracao2020 3O jornalista Aydano André Motta, que cobre os desfiles há mais de três décadas e possui livros publicados sobre escolas de samba, cobra que as agremiações entrem definitivamente no século XXI, comercialmente falando. E dá suas sugestões de possibilidades de gerar receita sem fazer evento público.

“Podem começar a se valorizar como marca. A Mangueira não pode promover um leilão em uma live do desenho do cristo menino que encantou a todos na avenida esse ano? Quem não quer ter um Leandro Vieira original em sua casa? A águia do Renato para a Portela, que foi linda? Isso é uma outra forma de entender a arte. É uma maneira de gerar receita sem aglomerar. Outra possibilidade seria a criação de maquetes de fantasias e alegorias históricas. Isso demanda um certo capital de giro. As escolas precisam entender que o e-commerce vai ultrapassar a pandemia e elas estão ausentes dessa plataforma. Além disso, a Liesa tem obrigação de socorrer. Qualquer tipo de receita que ela possua, ela tem de repassar para as escolas. O momento é de emergência e requer medidas emergenciais. Depois da pandemia vai existir carnaval mas os profissionais podem ficar com a vida inviabilizada caso só ocorra em 2022”, alertou.

Morte de Diego Tavares gera debate entre compositores por mudanças de protocolo

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Diego TavaresA morte do compositor Diego Tavares, aos 37 anos, vítima da Covid-19, na última segunda-feira, abalou o mundo do samba e gerou uma série de reflexões. Entre elas, sobre a realização de eventos durante a pandemia, como as disputas de samba-enredo, e os cuidados tomados na produção destes. A reportagem do site CARNAVALESCO conversou com os também compositores Diego Nicolau e Samir Trindade para ouvir deles o que muda ou não, a partir desta perda.

Para Diego Nicolau, autor de sambas em diversas escolas e cantor principal da Unidos de Padre Miguel, o falecimento do xará fez com que a preocupação com um possível contágio pelo novo coronavírus aumentasse. “O Tavares era muito próximo, meu parceiro de samba e fora dele. Quando os números de mortes passam a ter rosto, por mais que a gente já se cuide, é natural que reforcemos ainda mais esses cuidados”, destacou.

Na prática, o receio de contrair a Covid-19 tem levado Diego Nicolau a dizer não para alguns trabalhos. “Já venho agradecendo mas declinando de convites à lives e deixando de ir a compromissos pessoais que aglomeram pessoas. É triste ter que mudar nossa vida social e ter de abrir mão de tanta coisa, porém, por enquanto, é o que pode ajudar a nos proteger. Que venha a vacina e que até lá possamos nos manter saudáveis”, relatou o compositor e intérprete.

bonanza4Tal pensamento é similar ao compartilhado por Samir Trindade, responsável pela autoria de diversas obras do carnaval, nas mais variadas agremiações. Ele, que já participou de alguns eventos e disputas ao longo da pandemia, se diz hoje arrependido e crítico a realização.

“Nós, compositores, fazemos tantas letras sobre resistência, sobre luta, sobre história… Sinceramente, embora seja um vício fazer samba, existem coisas mais importantes neste momento. A gente não sabe quando vai ter carnaval, se vai ter carnaval, então é uma coisa sem sentido disputa de samba. Não agrega em nada agora. É uma coisa desnecessária, que realmente pode esperar”, defendeu Samir.

O compositor alega que os protocolos exigidos para evitar o contágio pelo novo coronavírus não são suficientes. “As lives nas quais eu participei o máximo que aconteceu foi medir a temperatura. E isso não é o ideal para saber se a pessoa está com a Covid-19 ou não”, pontua. “Vamos esperar, vamos ser prudentes e vamos ser exemplo. O que aconteceu com o Diego me fez refletir e mudar a minha atitude”, conclui Samir.

Artigo: ‘Razões para ocorrer o Carnaval em 2021, caso a saúde permita’

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Por Marcel Balassiano – Economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE)

Atualmente estamos vivendo, possivelmente, o pior momento da humanidade pós-Segunda Guerra Mundial, em função de uma pandemia global, que tem fortes impactos na economia. Até 20 de setembro de 2020, mais de 30 milhões de pessoas no mundo já pegaram o vírus, com quase um milhão de óbitos. No Brasil, de casos oficiais, já ocorreram mais de 4,5 milhões de casos, e mais de 135 mil falecimentos. Segundo o Banco Mundial, a recessão deste ano será a décima-quarta crise econômica mundial desde 1876, sendo a quarta mais profunda em termos de perda de atividade econômica, ficando atrás “somente” dos períodos das duas Guerras Mundiais e da Grande Depressão, após a Crise de 1929. De acordo com as projeções do Banco Mundial e do FMI, mais de 90% dos países do mundo devem apresentar um recuo do PIB per capita neste ano, fato inédito na história econômica mundial.

Por outro lado, as “principais cabeças” do mundo estão buscando uma solução para esta grave crise sanitária, e possivelmente até o final deste ano/começo de 2021 teremos uma (ou mais) vacina(s) para (assim esperamos!) resolver a situação. Com a vacina pronta e aprovada, o passo seguinte será a logística (no Brasil e no mundo) da sua produção e distribuição para a maior quantidade de pessoas.

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Dado este contexto inicial, listo abaixo algumas razões (econômicas) para ajudar no argumento da possibilidade de ocorrer o carnaval em 2021, caso a saúde permita. Vale frisar que todas as razões listadas abaixo são sob a premissa básica de que a pandemia já terá acabado, seja com a vacina, remédio, enfraquecimento do vírus, entre outros. Sendo assim, poderá haver o carnaval, na data em que for possível. E, também é importante lembrar, que a economia é apenas uma das óticas para se analisar o carnaval, não sendo a principal. Carnaval é cultura, história, festa, entretenimento, turismo, projetos sociais e também economia!

Na hipótese (mais provável) de não poder ocorrer o carnaval em fevereiro próximo, uma das principais dúvidas é sobre a possível nova data, e se cada município vai fazer o seu “carnaval fora de época” quando quiser, se quiser, ou se haverá uma nova data nacional para o evento. O prefeito de Salvador, ACM Neto, propõe uma data conjunta, envolvendo Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, entre outras cidades. Essa ideia do prefeito soteropolitano me agrada bastante, e acredito que o caminho deveria ser esse mesmo, de uma nova data, nacional, a ser definida em conjunto entre as cidades. Porém, vale lembrar que neste ano teremos eleições municipais. Então, neste momento, não sabemos quem serão os(as) prefeitos(as) das cidades no próximo carnaval. Talvez até por isso que uma decisão tão importante (para haver em nova data ou para adiá-la definitivamente e passar para 2022) precise esperar um pouco mais para o martelo definitivo ser batido. Essa incerteza precisa estar presente nos cenários analisados, e também perguntado aos postulantes dos cargos máximos municipais.

O carnaval no Rio de Janeiro envolve, principalmente, desfiles das escolas de samba e blocos. Há diferenças entre os dois movimentos, porém devem se unir como uma coisa só, como ressaltado pela Rita Fernandes, presidente da Sebastiana (Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul, Santa Teresa e Centro da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro), em evento (virtual) do Museu do Samba sobre os rumos do carnaval 2021, realizado em agosto deste ano. Quando é atacado, o carnaval é tratado como uma forma única. Então, na defesa, também deve ser trabalhado conjuntamente. Claro que há enormes diferenças entre as escolas de samba e os blocos, com objetivos distintos, públicos diferentes, tempos de preparação heterogêneos, entre outros. Porém, a (possível) nova data deveria contemplar tanto desfiles quanto blocos, ou no mínimo, no caso das escolas de samba, algum tipo de evento carnavalesco, se aproximando ao máximo dos desfiles tradicionais.

O calendário pré-carnaval é diferente, pois o tempo de preparação para se colocar uma escola de samba para desfilar na Marquês de Sapucaí é muito maior do que o tempo para se organizar um desfile de bloco na rua. Por isso que a data de fevereiro é praticamente impossível, pois mesmo que num cenário hipotético de todos estarem vacinados na época (original) do carnaval, são necessários alguns meses antes para se preparar o desfile. Por isso que a nova data, seja maio, junho ou depois, é o caminho mais viável.

O presidente da LIESA, Jorge Castanheira, disse ao jornal O Globo, no dia 19/09/20, que um carnaval em meados do ano “só será possível se o desfile for num formato alternativo, com menos alegorias e um custo mais baixo. Caso contrário, as escolas teriam dificuldade de fazer a festa de 2021 e planejar a do ano seguinte em tão pouco tempo”. Perfeito! Isso mesmo que se espera, um desfile possível, dentro das limitações impostas pela situação atual, não necessariamente igual ao carnaval deste ano. É importante ressaltar que o carnaval no Rio de Janeiro não ocorre somente na capital, já que há dezenas de blocos e escolas de samba no interior do estado também. E esse “novo calendário” também poderia (e deveria) ser estendido para as cidades do interior do Estado do Rio de Janeiro, não ficando somente na cidade do Rio, movimentando também as economias locais. Além de escolas de samba e blocos de carnaval, também há blocos de enredo, “boi pintadinho”, “boi malhadinho”, entre outras manifestações, o que faz com que a cadeia produtiva do carnaval seja maior ainda, sendo fonte de renda de milhares de famílias.

No caso de o carnaval do Rio de Janeiro ocorrer, e em nova data, acredito que a decisão de como será o evento todo deva ser tomada em conjunto, com vários representantes, sejam eles os governos estadual e municipal; as escolas de samba, representadas pelas ligas (LIESA, LIERJ, LIESB…); os blocos, representados pelas associações; a TV Globo, principal parceira das escolas de samba, que inclusive já renovou o contrato de transmissão pelos próximos anos; patrocinadores, camarotes e parceiros dos desfiles; imprensa, principalmente a especializada; entre outros. O governador precisa ser ouvido, além do prefeito (o atual e o futuro, caso o atual não seja reeleito, o que só vamos saber no fim do ano). Não custa lembrar que o carnaval é o principal evento turístico da cidade do Rio de Janeiro, tendo movimentado quatro bilhões de reais neste ano, e atraído 2,1 milhões de turistas! Só para efeitos de comparação, nas Olimpíadas Rio 2016, a cidade recebeu 1,2 milhão de turistas, pouco mais da metade de turistas recebidos no Carnaval 2020, e número próximo de turistas no carnaval de 2016 (pouco mais de um milhão, segundo a Riotur).

A TV Globo precisa ser consultada, para saber se estaria interessada em fazer as transmissões numa nova data, ou não, se prefere esperar o carnaval de 2022. Aqui vale um ponto interessante: não só os desfiles, mas a apuração na quarta-feira de cinzas é um “evento à parte”, tendo inclusive mais audiência na televisão do que o próprio desfile em si. Esse ponto precisa ser lembrado para, na hipótese de mudanças no regulamento, talvez possa não haver rebaixamento, mas seria importante ter o julgamento, o título, e as seis primeiras colocadas voltando no Sábado das Campeãs (mesmo na hipótese de um “carnaval menor”, o desfile das campeãs deveria ser mantido, com a disputa “na parte de cima”). Sendo assim, a posição da detentora dos direitos de transmissão do carnaval é de grande relevância para a realização ou não dos desfiles em 2021. O mesmo vale para os desfiles da Série A, que a Globo transmite na sexta-feira e sábado de carnaval para o Rio de Janeiro desde 2013.

Os camarotes, que cada vez vem crescendo mais, e realizando diversas festas, também precisam ser consultados para saber se teriam interesse em realizar as festas nesse “carnaval fora de época”, ou não. Aqui vale ressaltar que o setor de eventos foi muito prejudicado na crise do coronavírus, com as medias (corretas) de distanciamento social e não aglomeração. Mas, quando tudo isso passar, o setor de eventos vai precisar se fortalecer. Além do mais, por uma questão de demanda reprimida, as pessoas ficaram muito tempo em casa, sem sair para festas, e quando for possível retornar, é provável que haja um crescimento do setor.

Em artigo publicado no site CARNAVALESCO, antes do carnaval 2020, comentei sobre a importância do carnaval para a economia do Rio de Janeiro, e citei a grande relevância dos camarotes, não só financeira, mas também para levar um público novo e diferente para o Sambódromo. Sobre o setor de eventos, uma das “maiores autoridades no assunto”, Roberto Medina, em entrevista aos jornalistas Bruno Villas Bôas e Francisco Góes para o jornal Valor Econômico do dia 15/09/20, afirmou que está confiante para uma vacina, e que o Rock in Rio, daqui a mais de um ano, será possível de ser realizado, e que “vai ser o maior Rock in Rio de todos os tempos. (…) Na gripe espanhola, o carnaval do ano seguinte foi o maior de todos. As pessoas precisam celebrar.” O mesmo vale para o carnaval pós-coronavírus, nos desfiles das escolas de samba, nas festas nos camarotes e nas centenas de blocos nas ruas.

Em relação ao carnaval de 2020, algumas informações divulgadas pela Riotur, numa pesquisa bastante detalhada, são importantes para levarmos em consideração e entender a magnitude da importância do carnaval para o Rio de Janeiro. Começando pelos desfiles do Grupo Especial, o público era formado por 12,4% de turistas estrangeiros; 55,6% de turistas nacionais; e 32,0% moradores da região metropolitana do Rio de Janeiro. Entre os estrangeiros, os três primeiros países foram a Argentina (19,2%), EUA (17,3%) e Inglaterra (9,6%). E sobre os turistas nacionais, a maior parte veio de São Paulo (31,7%), seguido do Rio Grande do Sul (9,7%) e Minas Gerais (9,0%). Já nos blocos de rua, apenas 0,9% do público era formado por turistas estrangeiros, 14,4% de turistas nacionais e 84,7% de cariocas. Entre os turistas brasileiros, 70,6% vieram da região Sudeste, 18,0% do Sul, 6,5% do Centro-Oeste e 6,5% do Nordeste. Ainda de acordo com a Riotur, entre os estrangeiros, a permanência média na cidade foi de 7 dias, com gasto médio pouco superior aos dois mil reais por pessoa. Já entre os turistas nacionais, a permanência média foi de 6 dias, com gasto médio próximo de mil reais por pessoa. Segundo a pesquisa divulgada pela Hotéis Rio, a ocupação hoteleira da cidade do Rio de Janeiro ficou na média de 93%, tendo regiões que chegaram a quase 100%. No total, mais de dez milhões de foliões circularam nas ruas do Rio de Janeiro no carnaval deste ano.

O que esses números mostram é que a prevalência de turistas estrangeiros é bem pequena (pouco mais de 10% nos desfiles das Escolas de Samba do Grupo Especial e menos de 1% nos blocos de rua). Logo, um argumento de que turistas estrangeiros não vão querer vir para o Brasil no carnaval fora de época, em função da crise sanitária, torna-se menos relevante, pois a grande maioria dos turistas no carnaval do Rio já é de brasileiros. Os turistas estrangeiros gastam, em média, mais do que os brasileiros, mas não são muitos em proporção do total. Mais de 80% dos turistas presentes nos desfiles do Grupo Especial são de turistas nacionais, e 15% do público dos blocos.

Outro ponto interessante é que a maior parte dos turistas brasileiros são da região Sudeste, principalmente de São Paulo, o que facilita o deslocamento. Mais uma questão relevante é que o turismo nacional pode ser bastante beneficiado no pós-crise (já agora, mas também ao longo do ano que vem). Primeiro, por questões sanitárias, pois pode haver uma preferência por viagens para locais próximos, de carro ou ônibus. E, mesmo para viagens de avião, é melhor fazer viagens curtas pelo Brasil (uma, duas, três horas de avião), do que pegar nove, dez horas de avião para ir para a Europa ou EUA, por exemplo. Além disso, com o câmbio brasileiro enfraquecido na comparação com o dólar e o euro, principalmente, viagens nacionais podem ser mais atrativas do que estrangeiras. Sobre esses pontos do dólar alto, e da insegurança sanitária, ambos inibidores de viagens internacionais, Roberto Medina, na entrevista para o Valor, disse que “o turista brasileiro deixa, a cada ano, R$ 78 bilhões no exterior. Se tivéssemos um mínimo de competência e de política pública, poderíamos neste próximo ano pegar um pedaço desses R$ 70 bilhões a R$ 80 bilhões.”

Um fator adicional a ser considerado é que, segundo a pesquisa PNAD Contínua Turismo, do IBGE, com dados do 3º trimestre de 2019, o Rio de Janeiro foi o quinto estado mais procurado para viagens nacionais, atrás de São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul. O RJ recebeu 5,8% dos viajantes brasileiros no período analisado, enquanto SP recebeu 18,9%; MG, 12,8%; BA, 8,7%; e RS, 6,7%. Reforçar o turismo e aumentar a quantidade de viajantes brasileiros para visitar o Rio de Janeiro ao longo de todo o ano, e não somente no verão, é fundamental para o fortalecimento da economia fluminense. Sendo assim, o carnaval, caso seja possível realizar no meio do ano que vem, pode ajudar bastante a aumentar a visitação nesse período. Caso dê certo, até pode-se pensar em movimentar a agenda de eventos nesse período. Roberto Medina, na entrevista recente ao Valor, ao falar que o Rock in Rio tem um impacto de R$ 1,8 bilhão na economia carioca e gera 28 mil empregos diretos e indiretos, frisa que “é natural uma pessoa, um político qualquer de plantão, argumentar que está investindo na creche e não pode tirar esse dinheiro para fazer turismo. Errado. No caso do Rio, cada turista que entra ‘faz’ escola, sala de aula, esparadrapo para o hospital. Nunca vai ter esparadrapo no hospital enquanto a economia principal da cidade estiver adormecida, sem mobilização”.

De acordo com as estimativas da Confederação Nacional do Comércio – CNC, o Rio de Janeiro foi responsável por 1/3 da movimentação financeira das atividades turísticas relacionadas ao carnaval 2020. São Paulo e Bahia, juntos, representaram 1/3 também. Minas Gerais, Pernambuco, Ceará e demais estados foram responsáveis pelo terço final. Bares e restaurantes, empresas de transporte de passageiros (rodoviário, aéreo e de locação de veículos) e hotéis e pousadas representam quase 90% desse faturamento, sendo que o setor de alimentação fora do domicílio (bares e restaurantes), sozinho, representa mais da metade do faturamento total. Além disso, a CNC estimou a contratação de mais de 25 mil trabalhadores temporários nos dois primeiros meses do ano, para atender o aumento sazonal de demanda, sendo que mais de 70% desses novos empregos, no segmento de serviços de alimentação. Números esses que reforçam mais ainda a importância da data nacional do carnaval, e que mostram que o Rio de Janeiro não pode ficar de fora dessa, dado que é o estado com o maior peso na movimentação financeira das atividades turísticas ligadas ao carnaval.

Na crise econômica atual, em função da pandemia, e isso vale para todos os setores, o objetivo principal é tentar minimizar as perdas. Por exemplo, se uma empresa tem dez funcionários e está enfrentando dificuldades, o objetivo deve ser “tentar sobreviver”, mesmo que com menos funcionários. Se precisar demitir metade, por exemplo, isso se faz necessário para manter os outros cinco. Programas para tentar minimizar os problemas no mercado de trabalho foram feitos no Brasil e no mundo, como os de retenção do emprego na Europa (Kurzarbeit, na Alemanha, por exemplo).

Sendo assim, manter minimamente o ciclo do carnaval 2021 é o que deve ser feito, em vez de simplesmente “pular o ano” e pensar no carnaval de 2022 a partir de meados de 2021. Para 2020, as escolas do Grupo Especial puderam levar quatro, cinco ou seis carros alegóricos para a avenida. E, com isso, muitos trabalhadores do barracão puderam ter a sua fonte de renda. Caso não seja possível (por questões financeiras, de tempo para execução etc.) ter a mesma quantidade de carros e fantasias em 2021 do que no carnaval passado, que se reduza, mas que se mantenha alguma coisa para que, se não todos, pelo menos alguns trabalhadores possam ter a sua fonte de renda mantida, mesmo que com um valor menor. O mesmo vale para os intérpretes, por exemplo. Uma das fontes de renda deles é cantar nas disputas de samba enredo das mais variadas escolas. Caso se decida simplesmente por eliminar o carnaval de 2021 e ir direto para 2022, eles vão ficar um ano sem essa fonte extra de renda. No caso dos cantores, as lives surgiram como uma opção também, mas a manutenção do ciclo ainda se mantém válida. E diversos outros exemplos também poderiam ser dados.

Como sempre lembra o Sérgio Almeida Firmino, assessor de Economia Criativa do Carnaval, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, e diretor do Instituto Cultural Cravo Albin, os sapateiros produzem milhares de pares de sapatos para os desfiles. E aqui eu digo. É melhor esses sapateiros produzirem uma quantidade menor de sapatos, mas continuarem a produzir, do que simplesmente esperar 2022 chegar.

O auxílio emergencial, feito pelo governo federal, foi na direção correta de garantir uma renda mínima para quase 70 milhões de brasileiros, apesar dos problemas que ocorreram, como pessoas que não deveriam ter recebido, tiveram acesso ao dinheiro, e pessoas que realmente precisavam, não terem obtido o auxílio. Campanhas solidárias, como as escolas de samba e diversos segmentos das escolas fizeram e estão fazendo (como Barracão Solidário, entre outras), além das lives, que além de ser um entretenimento também têm caráter social, ajudaram bastante e continuam sendo essencial para determinadas pessoas. No artigo “Crise do Coronavírus Ressalta Mais Ainda a Importância das Escolas de Samba”, publicado na edição de maio deste ano da “Samba em Revista”, do Museu do Samba, eu comentei sobre a importância das escolas de samba para a economia do Rio de Janeiro, e também sobre a grande relevância dos projetos sociais, sempre presentes na vida das agremiações, e que se mostrou mais importante ainda no momento atual, seja fazendo máscaras, doando alimentos para os mais vulneráveis, entre outros. Porém, auxílio emergencial, campanhas solidárias, entre outras, são ajudas muito bem-vindas, mas não a solução principal para o problema, pois as pessoas precisam continuar trabalhando para ter a sua fonte de renda e, com isso, sustentar suas famílias.

Mais uma questão relevante para se manter o “ciclo” do carnaval 2021 é sobre a imprensa especializada, tão importante para o fortalecimento do carnaval durante o ano inteiro. Ao simplesmente “pular” o carnaval 2021, menos informações serão noticiadas, menos eventos (virtuais ou presenciais, mais para frente) serão cobertos e, no final, menos empregos para os jornalistas. O Alberto João citou dados interessantes e importantes na live dos 13 anos do CARNAVALESCO: somente na quarta-feira de cinzas, o site recebeu quatro milhões de acessos, mostrando a enorme força do carnaval, principalmente das escolas de samba. No mês de fevereiro deste ano, foram quase sete milhões de leitores no site. Manter o ciclo do carnaval de 2021 e, com isso, a constante atualização de notícias pelos jornalistas, também tem a sua grande relevância.

Sobre o carnaval em fevereiro próximo, o Museu do Samba realizou o (excelente) “Seminário Carnaval 2021: Vamos fazer uma festa?”, para discutir, entre outros temas, a importância de haver alguma manifestação/evento na data “verdadeira” do carnaval, em fevereiro de 2021, para marcar posição e “não deixar o samba morrer”. Claro que com todas as medidas de segurança sanitárias sendo cumpridas. Também concordo integralmente com essa ideia, além de outras discutidas no debate, como eventos virtuais nas quadras das escolas nos dias que aconteceriam os desfiles, caso o coronavírus não tivesse acontecido, entre outras.

Em resumo, este artigo procurou listar algumas razões econômicas para a realização do carnaval no ano que vem, caso seja possível por questões sanitárias. Mas claro que muitos motivos “não econômicos” também existem e são até mais importantes para a realização da festa em 2021, assim que for possível!

Caso aconteça numa nova data (em fevereiro será praticamente impossível), e se for nacional, o Rio de Janeiro e, principalmente as escolas de samba, precisam estar presentes, dada a relevância das agremiações.

Neste ano o impacto econômico do carnaval do Rio foi de quatro bilhões de reais, com mais de dois milhões de turistas, quase o dobro durante as Olimpíadas de 2016. Além do mais, o carnaval do Rio de Janeiro, sozinho, foi responsável por 1/3 de toda a movimentação financeira do carnaval do Brasil em 2020, o equivalente a Salvador e São Paulo juntos. Sendo assim, caso o carnaval ocorra numa “data alternativa”, o Rio de Janeiro, incluindo escolas de samba e blocos, deverá ser peça fundamental, dada a sua grande importância.

A grande maioria dos turistas que vem para o Rio durante o carnaval são brasileiros, e, entre eles, a maior parte veio de lugares próximos, principalmente de São Paulo, o que facilita a vinda deles, e isso deve ser incentivado, dado fatores inibidores de viagens mais longas para o exterior (dólar alto, questões sanitárias etc.).

decisão de se realizar (ou não) um carnaval numa data alternativa precisa ser feita em conjunto, entre os governos estadual e municipal, ligas das escolas de samba, associações de blocos, TV Globo, patrocinadores, camarotes, imprensa (principalmente a especializada), entre outros atores. Minimizar os impactos da crise e manter minimamente o ciclo do carnaval é importante, para que os profissionais que trabalham com isso, como carnavalescos, intérpretes, artesãos, ferreiros, costureiras, imprensa especializada, entre outros, consigam manter suas fontes de renda, se não na totalidade, pelo menos uma parte. Além de uma nova data para o carnaval 2021, nos dias originais, em fevereiro, algum tipo de manifestação também teria que ocorrer, como amplamente debatido no evento do Museu do Samba.

E, como disse o Roberto Medina na entrevista ao Valor, ao se referir ao Rio de Janeiro, “o produto está pronto. É só colocar o artista para cantar. É só colocar a bilheteria na porta e iluminar a cidade, porque ela está pronta para fazer dinheiro.” É só colocar a bateria para tocar, o mestre-sala e a porta-bandeira para bailar, os componentes para evoluir, pois o carnaval estará pronto para alegrar as pessoas no pós-crise e ajudar na retomada econômica!

Sambistas reagem com perplexidade a imagens de quadras cheias no fim de semana

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Leao01As imagens reveladas pelo site CARNAVALESCO com as quadras da Leão de Nova Iguaçu e Acadêmicos de Jacarepaguá recebendo público normalmente no final de semana causaram revolta em sambistas preocupados com repercussão ruim que essas atitudes podem causar.

A prefeitura do Rio e o governo do Estado não liberaram eventos em casas de shows e escolas de samba e pretende fazer isso apenas a partir de novembro e mesmo assim com restrições.

Leia mais: Leão de Nova Iguaçu e Acadêmicos de Jacarepaguá têm quadras lotadas em meio à pandemia de Covid-19

Em suas redes sociais o compositor Samir Trindade fez um longo desabafo e lembrou da morte do jovem Diego Tavares, companheiro de Samir e de tantos outros poetas, vitimado pela traiçoeira Covid-19.

“A passagem do nosso amigo Diego me fez refletir muita coisa errada que eu mesmo fiz nesta pandemia. Me senti muito mal com isso. Amo samba, amo fazer samba, estar no samba, meu lazer, higiene mental, parte de mim. Mas qual o sentido de irmos disputar algo que a gente não sabe quando vai acontecer? Nesse momento não faz sentido algum. Até podemos compor de casa, mas ir às quadras não tem lógica, não tem como prever com a medição de temperatura quem está com Covid, é um risco desnecessário e uma conta alta demais a se pagar. Soube que houve eliminatórias até com torcida no último fim de semana. Chega, na boa. Não dá.
Vamos segurar. Não gostaria de me despedir de mais ninguém”, desabafou.

Diego Tavares
Diego Tavares foi uma das vítimas da Covid-19.

Outro que reagiu com muita indignação foi o intérprete da Unidos do Viradouro, Zé Paulo Sierra. O sambista fez um forte posicionamento usando palavras duras para tentar trazer lucidez às pessoas de que a pandemia não acabou e a Covid-19 mata.

“Inacreditável, inaceitável, criminoso! Passou da hora de encararmos a realidade e parar de financiar esse tipo de coisa, e me incluo nisso também. Perdemos alguns amigos e perderemos ainda mais se não pararmos. Qual o sentindo? Qual a finalidade? Precisamos perder alguém próximo pra entender? Impossivel ver isso (imagens das quadras lotadas), lembrar do Diego e de tantos outros e não refletir sobre o assunto e o quanto já fizemos e estamos fazendo errado. Já deu, chega”, disparou.

Mestre Mug se emociona ao vencer a Covid-19: ‘Felicidade ir para casa’

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Em uma semana com notícias tristes para o mundo do carnaval, os sambistas também tem o que comemorar. O mestre Mug, presidente de honra da bateria da Vila Isabel, teve alta do hospital nesta terça-feira, 22, e está recuperado da Covid-19.

mestre mug

O experiente sambista festejou em um post em suas redes sociais e declarou a felicidade em poder estar de volta para sua casa.

“Eu venci a Covid1-19! Que felicidade poder ir para casa. Agradeço a minha família, a todos os meus fiéis amigos que samba me deu, vocês nunca me abandonam. Obrigado por todas as orações, pensamentos positivos, inúmeras mensagens e ligações. O mestre voltou, obrigado meu Deus!”

Confira abaixo o vídeo postado pelos amigos e familiares de Mug com sua saída do hospital:

 

Publicado por Mestre Mug em Terça-feira, 22 de setembro de 2020

Mancha Verde prepara festa em comemoração aos seus 25 anos

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ManchaA Escola de Samba Mancha Verde não vai deixar passar em branco a comemoração dos seus 25 anos e no dia 17 de outubro fará uma festa na sua quadra, a partir das 14 horas.

Tomando todas as precauções impostas pelas autoridades, a agremiação alviverde vai contar com show do Charlie Dief & banda (Charlie é membro do time de canto da Mancha Verde), além da apresentação da Ala Show da Escola.

Para a festa ser completa, o cardápio será de comida de boteco.

Os ingressos são limitados e em breve iniciaremos as vendas.

Arame de Ricardo apresenta novo pavilhão para o próximo carnaval

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ArameO Arame de Ricardo de Albuquerque está de pavilhão novinho em folha. A apresentação oficial, que conta com a criação artística do designer Thiago Thaller, ocorreu durante a Assembleia Geral Extraordinária realizada no último sábado, 19, na quadra de eventos da Escola. Na ocasião, a azul e branca de Ricardo de Albuquerque elegeu os novos membros do conselho deliberativo.

No próximo Carnaval, o Arame de Ricardo apresentará o enredo “Amor de Carnaval: o que passou, passou!”, desenvolvido pelos carnavalescos Fábio Giampietro e João Vitor. O tema, assim como o samba enredo, é uma reedição do desfile apresentado pela Escola em 1981.

Conheça a sinopse do enredo da Botafogo Samba Clube para 2021

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Botafogo Samba Clube“Meus amigos”, que falta faz a voz de João Saldanha! Os mais jovens provavelmente não conhecem suas fabulosas histórias, mas deveriam. O fato é que a lenda engoliu o fato e se tornou história.

“Entre o fato e a lenda, imprima-se a lenda”

João nasceu envolto em fábula, no revolucionário 1917. Dizem que foi em Porto Alegre, mas ele garante que foi no Alegrete, embora sua certidão seja do Uruguai. Cresceu cercado por facas, ponchos, espingardas, bombachas e chimarrão. Seu pai era um líder Maragato, lenço vermelho no pescoço e sangue de guerreiros. Mesmo em uma família de algumas posses, aprendeu que seguir seus ideais custava a luta de uma vida inteira. Quando criança, cruzava a fronteira trazendo armas do Uruguai para o Rio Grande e dormia sob a cama da mãe, prevenindo represálias dos Chimangos. Acostumou-se ao exílio: a família foge para o Uruguai e volta nos rastros abertos pela Coluna Prestes – do amigo Luis Carlos, que moraria com os nove filhos junto à família de João em seu apê, décadas mais tarde.
Os Saldanha se assentam em Curitiba, de onde seguem em romaria política: com a Revolução de 30, a família se muda para o Rio de Janeiro. Esse encontro de dois Rios em revolução forjariam a identidade de João.

A Estátua do Cristo Redentor chega ao Rio de Janeiro em 1931. Junto com ela, o jovem que se encontra em bares e cafés; na boemia com vedetes, em batalhas de confete; praias, carnaval e futebol. João entrou de penetra em bailes com Heleno de Freitas, com quem dividiria uma garçoniére cujo acesso se dava por uma funerária. Viu o tetracampeonato do Botafogo, sua grande paixão, e passou a integrar o time de praia do lendário Neném Prancha. Diz-se que muitas das famosas frases atribuídas a Neném, eram, na verdade, de João. Vai saber:

“Goleiro bom tem que dormir com a bola…”
“Pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente”
“Se macumba ganhasse jogo, o campeonato baiano terminava empatado”

Flanava entre as Turmas dos Cafajestes e da Bossa Nova, de Vinícius – João atuou em um filme do Poetinha – e de seu primo Tom, que “falavam difícil”. Se identificava com Neném e o pessoal da praia mais popular, a Turma da Miguel Lemos.

Filiado ao PCB, ao participar da Reunião Contra a Bomba Atômica, considerada subversiva pela polícia, não se conteve quando autoridades interromperam o evento. João arremessou uma cadeira no chefe da polícia e tomou um tiro que perfurou seu pulmão. Ainda ensanguentado organizou a fuga com elegância: “mulheres primeiro, por favor”. Detido e levado ao hospital, escapa espetacularmente e passa a ser foragido.
Muda-se para a Vila Formosa, em São Paulo, onde milita pela causa “O Petróleo é Nosso” e é preso e torturado pelo DOPS e depois jogado do Alto do Sumaré.

BotafogoSC Adnet e RicardoMas João não descansa, nem usa seu lugar de privilégio para se acovardar ou acomodar. Logo se envolve no conflito agrário de Porecatu, no Norte do Paraná. Enfrentou polícia, jagunços, fazendeiros e a milícia Mata Pau ao lado dos camponeses posseiros. Entre emboscadas e tiroteios, o misterioso homem agiu sob identidade secreta e arriscou sua vida para fazer aquela Reforma Agrária que assentou cerca de 1600 famílias nas cidades vizinhas.

João ainda participou da Passeata das Panelas Vazias que, para o desespero dos patrões, evoluiu para a Greve dos 300 Mil. Sob o codinome “Souza da Vila Formosa”, cativou o Sindicato das Tecelãs e trouxe junto os Carpinteiros, Gráficos, Metalúrgicos e Vidreiros com quem organizava piquetes e reivindicava aumento salarial e melhores condições de trabalho. Segurou a greve sob sabres e socos da cavalaria paulista.

Anistiado, volta ao Rio de Janeiro e comanda o Botafogo em 1957, sagrando-se Campeão Carioca. O técnico que abriu alas para Garrincha desfilar é carregado nos ombros da torcida que invadiu o gramado do Maracanã. Sem ganhar salário e tirando do bolso para pagar Garrincha, era o líder que tomava uma com os jogadores no bar, escrevia seus esquemas táticos em maços de cigarro e militava pela liberdade: “se concentração ganhasse jogo, o time da penitenciária seria campeão”.

Logo depois se tornaria “o comentarista que o Brasil consagrou” e criou expressões como “a vaca foi para o brejo”, “zona do agrião”, ir pro vinagre”, no bagaço”, “cabeça de bagre”, “mostrar o mapa da mina” e “entregar o tesouro ao bandido”. Sua voz ecoava pelo velho Maracanã, amplificada pelos radinhos de pilha. João comentava olhando nos olhos dos geraldinos, gesticulando e falando a língua do povo.

Pois eis que chega a ditadura e João antevê um “longo e tenebroso inverno”.

Em tempos de repressão e censura, “João Sem Medo, que fazia os abutres calarem as bocas de ódio”, como Nelson Rodrigues definia, fazia as televisões saírem do ar. Assim foi ao vivo na Alemanha ao dizer que “bárbaros são vocês” e ao partir pra cima de Castor de Andrade em uma mesa redonda. Enquanto o AI-5 aprofundava a ditadura, João aceitava o convite para ser técnico da Seleção. Queriam calar um opositor? Aproveitar sua popularidade? Depois da melhor campanha do Brasil em eliminatórias, as arquibancadas do Maracanã explodiram: “Saldanha! Tricampeão!”. O técnico que abriu os caminhos para a conquista do Tri, comandando os “feras do João” era o maior ídolo do país atrás de Pelé.

botafogo2019 6Acontece que Médici assumiu a presidência e João o definiu como “o maior assassino da história do Brasil”, além de denunciar tortura e desaparecimentos nos maiores jornais do mundo. Para piorar, Médici queria Dario na seleção e João disparou: “organize seu Ministério que eu organizo meu time”. Tornou-se um problema de Estado e criou-se uma intervenção para tirar o “comuna” da Seleção. Saiu com bom humor: quando Havelange sentenciou: “está dissolvida a Comissão Técnica”, sem levar desaforo para casa, João respondeu: “não sou sorvete para ser dissolvido”. Acreditava no brasileiro e creditou a vitória a nosso talento, “que não copia ninguém e fez da arte dos seus sua força maior”.

Ainda viu seu Botafogo ser campeão de 89 e sua última Copa na Itália, onde recebeu seu derradeiro parabéns dos emocionados colegas da imprensa. Morreu em Roma, no campo de batalha.

Seus milhões de fãs e amigos juraram: “João, o Rio vai gritar sempre para defender você”

Como a morte não é um fim absoluto, renovamos esta prece e invocamos a voz de indignação que jamais deve se calar. Que João nos inspire a escolher as lutas certas: “eu não brigo para ganhar, eu brigo porque tenho razão”.

Em um tempo em que se renovam o medo, o temor, a injustiça e as desigualdades, a Botafogo Samba Clube move as engrenagens do espaço e do tempo através da memória para sintonizar a poderosa voz de João nos dias de hoje. “Não acendam um fósforo perto do João”, dizia Nelson Rodrigues. Desculpe, Nelson, mas vamos riscar e botar fogo na paixão que arde no peito do brasileiro. A paixão pela justiça, pela igualdade. João era assim: um apaixonado pela verdade caminhando em nuvens – ou seriam tempos? – de ilusão. Embalados pelo samba, pela coragem e a insubmissão, festejemos a luta de João com uma pergunta: o que ele diria se estivesse aqui hoje, armado com um microfone?

A Voz de João hoje é a nossa voz! Viva João Saldanha!

Marcelo Adnet e Ricardo Hessez

Vídeos nas redes sociais mostram quadras cheias na Leão de Nova Iguaçu e Acadêmicos de Jacarepaguá

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Na semana em que o mundo do carnaval chora a morte do jovem compositor Diego Tavares, vitimado pelo vírus da Covid-19, duas escolas de samba que desfilam da Intendente Magalhães parecem não se importar com isso. A Leão de Nova Iguaçu e a Acadêmicos de Jacarepaguá promoveram eliminatórias de samba em suas quadras neste fim de semana. A escola da Zona Oeste inclusive não se preocupou em esconder e fez diversos posts nas redes sociais oficiais da agremiação.

A Prefeitura do Rio de Janeiro vetou qualquer tipo de evento que gere aglomerações devido à pandemia do novo coronavírus. No diário oficial do dia 04 de setembro de 2020 ficou estipulado o dia 01 de novembro como data para que casas de shows, quadras de escola de samba e boates voltem a funcionar, mas com restrições. O governo estadual também não permite eventos com aglomerações.

A reportagem do CARNAVALESCO recebeu diversos vídeos e fotos denunciando os eventos realizados no final de semana. Entramos em contato com as escolas para que elas pudessem explicar tais denúncias. A Acadêmicos de Jacarepaguá não respondeu os contatos de nossa reportagem. A Leão de Nova Iguaçu negou que a quadra tivesse sido aberta ao público mas apenas para uma live.

“Não estamos abrindo, todas as movimentações que fazemos são internas e através de live pelas mídias sociais, com as pessoas de nossa equipe respeitando todas as normas. As pessoas que estavam em nossa quadra todo o momento estiveram com máscara. Quem tirava pedíamos que colocassem e em vários pontos havia álcool em gel”, diz o comunicado da assessoria de imprensa da agremiação.

Entretanto imagens recebidas pela nossa reportagem deixam claro que havia grande aglomeração na quadra e presença de diversos segmentos, bem como intérpretes para realizarem defesa de sambas concorrentes, o que está vetado pela Prefeitura do Rio de Janeiro.

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Quadra da Leão de Nova Iguaçu lotada para eliminatória

Aglomerações fazem média móvel de óbitos subir 69% no Rio

Desde o feriado de 07 de setembro imagens de praias e bares lotados tem circulado pelas redes sociais causando preocupação nas autoridades sanitárias. O resultado do descaso com o isolamento social já pode ser visto na média móvel de óbitos registrados no Rio de Janeiro.

Depois de uma considerável queda a partir de meados de agosto, desde o início de setembro a média voltou a crescer de maneira preocupante. De acordo com o consórcio de imprensa responsável pela divulgação de novos casos e óbitos diários, o Rio registra média de 103 mortes, crescimento de 69% em relação à semana anterior.

Opinião: postura exemplar de agremiações colocada em risco

É sabido que a postura das ligas e escolas de samba desde o início da pandemia tem sido elogiada pelas autoridades sanitárias. Além de não buscar forçar a realização de eventos, as escolas e os sambistas têm se mobilizado para criar projetos sociais que auxiliem aqueles trabalhadores do carnaval que estão passando por necessidades devido à total paralização das escolas.

As posturas da Leão de Nova Iguaçu e Acadêmicos de Jacarepaguá podem comprometer meses de busca por evitar eventos que gerem aglomeração. Basta um deslize para comprometer toda a preocupação do mundo do samba em respeitar os protocolos da OMS e das autoridades sanitárias.