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‘Sem vacina é impossível ter carnaval’, diz carnavalesco da Unidos de Bangu

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barracao rocinha2020 1Sem previsão de data e nem mesmo de como irá acontecer, tudo que envolve o próximo desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro trata-se de uma incógnita. Porém, mesmo em meio às incertezas, diversos artistas da festa seguem ativos e atuantes, no processo de criação e desenvolvimento do espetáculo.

O site CARNAVALESCO dá prosseguimento a série de entrevistas especiais acerca da produção e do planejamento do Carnaval de 2021. O segundo nome entrevistado é Marcus Paulo, que no próximo desfile, irá assinar a Unidos de Bangu na Série A e a Rocinha no Grupo Especial da Intendente. Confira abaixo:

CARNAVALESCO: Como tem sido o período de pandemia para você?

Marcus Paulo: “O período da pandemia tem sido bastante produtivo, mas com muita preocupação. Estamos todos na espera de que se resolva logo as datas para o nosso espetáculo, independente de como ele seja feito ou em que moldes. Essa é a grande apreensão, mas eu ando produzindo bastante, produzido muito. Antes, a gente saia de casa para trabalhar no barracão, mesmo fazendo projeto escrito, construindo a narrativa, os elementos que compõem ela, os desenhos e tudo mais. A gente saia de casa, com todo o nosso material, batia o nosso cartão lá no barracão e trabalhava na sala das escolas. Algo que sempre fiz nos 16 anos na Unidos da Tijuca e nos últimos seis ou sete carnavais como carnavalesco. Tudo era desenvolvido no barracão. Com a pandemia, o home office ficou muito forte também para a gente do carnaval. E assim como várias áreas, tivemos a experiência de trabalhar de casa. No começo foi meio embolado, até porque a gente não estava acostumado. Parece fácil trabalhar em casa, mas não é. Se você não faz uma rotina correta, mantém tudo regrado com o horário e os afazeres, você acha que está fazendo muito e não está fazendo nada. Você acaba se enrolando. Com o tempo e a prática, consegui criar uma rotina e me habituar com os afazeres, tanto do lado pessoal, quanto profissional”.

CARNAVALESCO: Como funciona o seu processo de criação do desfile em meio a tudo que está acontecendo?

Marcus Paulo: “Tive que me habituar a um novo processo de criação. A gente acaba não dormindo quando está criando, quando a tal da inspiração vem. Mesmo que algumas pessoas não entendam, é real. Ela vem, fica martelando na sua cabeça várias ideias, explodem imagens, pensamentos ficam circulando na sua mente, e se você não parar o que estiver fazendo para colocar no papel, você não consegue se concentrar em alguma outra coisa para fazer. E esse processo tinha a ida e volta para casa, era feito a maior parte no barracão, como funcionário mesmo que tinha que ser, e agora está sendo feito em casa, de uma forma bem mais tranquila. Eu consegui fazer uma rotina de trabalho, conciliando minhas funções como carnavalesco e como professor de pós-graduação, mesmo trabalhando para duas escolas de samba. Então, tenho meus horários diários dividindo o tempo do desenvolvimento de enredo e o tempo da estruturação das minhas aulas. Acabou que no caso do Acadêmicos da Rocinha, como fui contratado primeiro pela escola, eu já tinha feito todo projeto pronto quando fui contratado para realizar o carnaval da Unidos de Bangu. Então, minha rotina continuou a mesma, só saiu a criação da Rocinha e entrou a criação da Bangu”

CARNAVALESCO: No próximo carnaval, você irá fazer jornada dupla ao assinar a Unidos de Bangu (ao lado do Clécio Régis) e a Rocinha. Como é isso para você?

Marcus Paulo: “Irei fazer jornada dupla assim como no carnaval de 2020, quando estava na Unidos da Tijuca, assinando com o Hélcio Paim e o Paulo Barros, e também na Acadêmicos da Rocinha. Então está sendo tranquilo isso. Na Rocinha, assim que acabou o carnaval, a diretoria me chamou para renovar o vínculo, devido a repercussão do trabalho. Mesmo com o rebaixamento da escola, eles resolveram continuar com meu trabalho lá. E eu, como só tinha a Rocinha, me dediquei totalmente a ela e terminei muito rápido os figurinos, as alegorias, as fantasias de casais, dos integrantes da comissão de frente. Foi rápido para mim fazer o desenvolvimento do enredo também. Então, a Acadêmicos da Rocinha eu acabei o grosso mesmo da criação em cerca de dois meses. Tanto que quando eu fui contatado pela Unidos de Bangu, eu já tinha terminado a Rocinha. E quando eu fui chamado pela Bangu, a proposta era que eu fizesse todo o desenvolvimento artístico da escola: sinopse de enredo, conversa com os compositores, desenho de todas as alas da escola, figurinos dos casais de mestre-sala e porta-bandeira, dos destaques, das composições de carro… Hoje, a Unidos de Bangu também está toda pronta. A escola quando me contratou queria que eu fizesse em tempo recorde. Essa foi a proposta que me fizeram, que eu tentasse ser o mais breve possível, porque o projeto da Bangu estava bem atrasado. Como quando eles me contataram era uma época de alta pandemia, todo mundo estava muito apavorado e muito preocupado, então a gente estava totalmente isolado mesmo e foi aonde eu consegui produzir muito, tanto na parte escrita, quanto nos elementos que compõem a parte visual. Em relação ao Clécio, ainda não tivemos contato, por conta da pandemia e da correria para eu poder terminar esta parte artística da escola. Mas a jornada dupla está sendo muito bacana novamente para mim, uma grande experiência. Sou um apaixonado pelo carnaval e procuro transferir sempre toda essa paixão para o meu trabalho”.

rocinha samba2020 9CARNAVALESCO: Qual a sua opinião acerca do adiamento dos desfiles de 2021?

Marcus Paulo: “Sou muito apaixonado pelo carnaval. Cresci dentro do carnaval e tudo que sou ou que eu tenho devo ao carnaval e a este trabalho que desenvolvo em troca com as escolas de samba. Sempre me dedico muito. Quem faz a festa é uma mão de obra muito dedicada, inspirada e apaixonada. Em contrapartida, a escola vêm e nos mantém financeiramente, ou pelo menos tenta nos manter. E eu queria tanto que tivesse desfile, que já tivesse uma definição para isso, mas não temos, acertadamente. Essa posição de não ter enquanto não surge uma vacina é correta. Infelizmente, o carnaval é como as olimpíadas, é como o festival de Parintins, é como o São João de Campina Grande e Caruaru, o carnaval é como vários outros eventos que foram cancelados e transferidos para uma nova data. Não tem como não aglomerar, não tem como manter um afastamento, não adianta querer buscar uma fórmula de fazer um desfile paliativo, não tem como, não dá. Sem a vacina acho impossível. As pessoas tem que ser preservadas, vidas tem que ser protegidas, mesmo que elas não queiram ou que não tenham essa consciência. É papel dos poderes públicos proteger as pessoas, mesmo que todos estejam de saco cheio dessa pandemia ou de ficar em casa. E não vejo nenhuma outra coisa que pode ser feita para apresentar um enredo de escola de samba, de outra forma que não seja um cortejo na Marquês de Sapucaí, com aglomeração”.

CARNAVALESCO: Está preparado para fazer alterações no projeto, caso haja redução no número de alegorias ou outras mudanças no regulamento por exemplo?

Marcus Paulo: “Como a gente está vivendo épocas tão diferentes e tão difíceis, temos que estar preparado para tudo, o tempo todo. A gente não sabe ainda o que vem pela frente e nem sabe quando isso vai acabar. Então, toda e qualquer mudança que tiver de certa feita no projeto vai ser bem aceita e será feita. Estou preparado para mudar, para diminuir alegoria, diminuir o número de setores. Por exemplo, no tipo de desenvolvimento que eu faço, uma alegoria sempre encerra o setor. Particularmente, é algo que eu gosto visualmente, acho bonito você ter uma alegoria fechando a cena. Neste modelo, as alas começam a discorrer o que tem de escrito ali naquele setor e a alegria fecha esse cenário. Então, se eu tiver de tirar uma alegoria, provavelmente eu tiraria também um setor. Mas estou preparado sim, para essa ou qualquer outra eventual mudança que se discuta”.

Império Serrano 2021 – samba da parceria de Zé Glória

Compositores: Zé Glória, Ricardo Simpatia, Lauro Silva, Julio Page, Dr. Castilho e Bachini

Intérprete: Wantuir

SOU IMPERIANO DE FÉ QUE NÃO FOGE À LUTA
FILHO DE OGUM MINHA SINA É GUERREAR
DEIXA EXU CORRER NA GIRA
CORPO FECHADO EU SOLTEI MEU MANGANGÁ
NO TOQUE DE ANGOLA, NO JOGO MANDINGUEIRO
QUE TEM NO ORI A MÃO DA YABÁ
ERVAS DE OSSAIN AXÉ CURANDEIRO
OXÊ DE XANGÔ, FLECHA PRA CORTAR

SKIN DIM DIM… BERIMBAU CHAMOU CAPOEIRA
CORDÃO DOURADO NO PEITO, PEGANDO SINHÔ NA LAPELA
SKIN DIM DIM… HERANÇA EXIGE RESPEITO
AMANSOU BURRO BRABO NO JEITO, QUANDO TILINTOU PLATINELA

AO TOQUE DE IDALINA DESAFIA QUEM DOMINA
E AS LÂMINAS QUE BRILHAM NOS FACÕES
HUMILHAÇÃO SE FEZ TOCAIA
ASSUSTOU MARACANGALHA, GEMIDOS, ESTAMPIDOS, TRAIÇÕES
VOOU, INCERTO NAS ASAS DA MEMÓRIA
LIBERTO FOI-SE UM FIO DA HISTÓRIA
MISTÉRIO NOS PORTÕES DE ARUANDA
VOLTOU, EM CADA GOLPE DE UM VALENTE MIRONGUEIRO
NOS CONTRA GOLPES DE VIOLAS E PANDEIROS
ESSÊNCIA MAIOR DO SAMBA
RESISTÊNCIA MAIOR É SAMBA

FORMOSA SERRINHA, “MALANDROS MANEIROS”
TOCA O AGOGÔ CAMARÁ! OGUNHÊ!
PRO HERÓI DA LAPINHA
BESOURO GUERREIRO, O COURO VAI COMER

Império Serrano 2021 – samba da parceria de Mario Junior

Compositores: Mário Júnior, Renê F. Andrade, Pakato do Cavaco e Caio de São Jorge

Intérprete: Daniel Silva

PARANAUÊ!
PARANAUÊ, PARANÁ
É NESSE CLIMA QUE A SERRINHA VAI PASSAR
EU SOU RAIZ E NÃO ME ENGANO
TEM CAPOEIRA NO IMPÉRIO SERRANO

DESTAMPEI MINHA PANELA
E SOLTEI MEU MANGANGÁ… MANGANGÁ
SEU CORPO FOI FECHADO
COM REZA FORTE, LADAINHA E PATUÁ

TOCA ANGOLA
CORDÃO DE OURO
OGUM ERA SEU CAMARÁ BESOURO

NA CRENÇA AOS ORIXAS
FORTALECEU SUA ALMA GUERREIRA
RABO DE ARRAIA, MEIA LUA E RASTEIRA
SALVE ALÍPIO JUSTICEIRO E VINGADOR
A SUA ARTE AO MENINO ENSINOU
IDALINA É COM FACÃO
FOI MADEIRA DE TUCUM
QUE LEVOU O NOSSO IRMÃO
METE A MÂO NO PANDEIRO
FIRMA NO BERIMBAL
NOSSO BATUQUE É TRADICIONAL
VEM BAIANA SERRANA
O TAMBOR QUE CHAMOU
RESPEITE O AÇO DO MEU AGOGÔ

EU VOU CANTAR PRA NÃO CHORAR
POIS SEI QUE UM DIA ELE VAI VOLTAR

Império Serrano 2021 – samba da parceria de Eduardo Poeta

Compositores: Eduardo Poeta, André Gustavo, Leo Ribeiro e Cícero Simões

Intérprete: Tiãozinho Cruz

A ALVORADA RAIOU
AO SOM DE CHULA LÁ NO AREAL
BEIRA-MAR COCOREOU, AJOELHOU AOS PÉS DO BERIMBAU
JOGO MANEIRO, RASTEIRO… É QUILOMBOLA
OI DESCE MARTELO, GIRA MEIA-LUA, BOTA PRA GINGAR
QUE A MIRONGA É À VERA, OLHA O RABO-DE-ARRAIA PARA DERRUBAR

TOQUE DE ANGOLA PRA RODA FORMAR
VIVA MEU MESTRE BESOURO (Ê BAHIA…)
TOQUE AMAZONAS PRA TE EXALTAR
AVÔA, MANGANGÁ…
E LÁ DO LARGO DA LAPINHA
SUA BENÇÃO, MEU RESPEITO
À RESISTÊNCIA DO POVO PRETO

LAROYÊ…

SOB A PROTEÇÃO DE EXU (MOJUBÁ)
ABRE CAMINHOS NAS LUTAS QUE VÃO SURGIR
DOBRE O RUN, MEU CAMARÁ (OGUN YÊ!)
CORPO FECHADO NINGUÉM VAI FERIR
NA CINTA UMA NAVALHA E NA MÃO, O OXÊ DE XANGÔ
MESTRE ALÍPIO DEU A MANHA E BATIZOU
CORDÃO DE OURO, O GUERREIRO NAGÔ
JUSTICEIRO, VENCEDOR DE DEMANDA
MANDINGUEIRO, NA BANANEIRA PODIA VIRAR

NÃO TINHA PRA FEITOR, JAGUNÇO OU CAPITÃO
SÓ FOI VENCIDO PELA TRAIÇÃO

ZUM, ZUM, ZUM
FOI FEITIÇO DE TICUM
E O CAPOEIRA FOI MORAR LÁ NO ORUM
RENASCEU NOS BRAÇOS DA SERRINHA E VAI VOAR
O MEU IMPÉRIO HOJE É BESOURO MANGANGÁ

Unidos de Manguinhos divulga logo do enredo em homenagem à Maria Helena

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ManguinhosPreparando uma bela homenagem à Porta-bandeira Maria Helena, a Unidos de Manguinhos apresentou a identidade visual do enredo “Maria Helena – a Imperatriz da Passarela”. No próximo desfile a verde e rosa exaltará a carreira de um dos maiores nomes do nosso carnaval carioca.

Para dar o pontapé inicial, a escola prepara uma festa no próximo dia 8 de novembro, em sua quadra, seguindo todas as recomendações de saúde, onde a homenageada estará presente recebendo o carinho de toda a direção da escola.

“Precisávamos de uma identidade visual à altura da nossa homenageada. Conseguimos reunir grandes momentos e ela aprovou de cara. Sabemos que será uma grande responsabilidade, mas estamos preparando tudo com muito carinho do jeito que a homenageada merece” revelou o Presidente da escola Carlos Alberto.

A Unidos de Manguinhos desfila pelo Grupo de Acesso da Intendente Magalhães.

Porto da Pedra promove ciclo de bate papo sobre os bastidores do carnaval

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porto da pedra desfile 2020 124A Unidos do Porto da Pedra, juntamente com sua direção de harmonia, realizam nesta terça-feira, 27 de outubro, as 20 horas, na quadra da Porto da Pedra, um ciclo de bate papo com os segmentos da agremiação, e terá como palestrante o coreógrafo Paulo Pinna.

“Estamos fazendo um ciclo de bate papo com nossos harmonias para desenvolver melhor nosso grupo. Na última edição, tivemos uma palestra sobre final de samba e sobre harmonia em geral. E amanhã teremos a presença ilustre do nosso coreógrafo, Paulo Pinna, falando sobre todo o trabalho de uma comissão de frente pro desfile”, contou o diretor de harmonia da Porto da Pedra, Miguel Jr.

O evento é gratuito e aberto ao público interessado em carnaval.

“Estão todos convidados a participar. E inclusive gostaríamos de contar com a experiência de vocês nesse bate papo. É importante pra nossa harmonia conhecer a preparação do nosso casal, da nossa bateria, a parte musical e também sobre o trabalho da nossa carnavalesca na hora de construir um desfile”, concluiu o diretor.

A quadra da Unidos do Porto da Pedra está localizada na Travessa João Silva, 84, Porto da Pedra.

Primeiro casal da Grande Rio relata desafios e adaptações na volta aos ensaios presenciais

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granderio live1607 3Apesar da pandemia da Covid-19 não cessar no Rio e nem no Brasil como um todo, a vida começa a ganhar ares de normalidade, com a retomada das atividades e o retorno de muitos trabalhos ao modelo presencial. E no universo do carnaval não é diferente. Mesmo sem a previsão de quando irá acontecer o próximo desfile, casais de mestre-sala e porta-bandeira já voltaram aos ensaios e aos preparativos para uma folia que ainda se faz distante.

Anteriormente, o site CARNAVALESCO conversou com Diogo Jesus e Bruna Santos, primeiro casal da Mocidade Independente, sobre o retorno aos treinos. Hoje, o bate-papo é com outra dupla que também já voltou aos ensaios presenciais: Daniel Werneck e Taciana Couto, responsáveis por defender o pavilhão principal da Acadêmicos do Grande Rio.

“A retomada dos ensaios é importante para manter o ritmo, pois quando houver data para retorno das atividades ou definição de quando haverá o próximo desfile, nós estarmos preparados. Continuar na caminhada em busca de aperfeiçoamento é fundamental para mantermos o resultado do último carnaval”, afirmou Taciana.

“Quando acaba o carnaval, a gente fica um bom período parado e até o corpo se adaptar novamente aquela rotina de ensaio é preciso tempo. E mesmo a gente tendo essa indefinição de datas referente ao desfile, procuramos de alguma forma também matar um pouco dessa saudade. Esta seria a época das disputas de samba, que é quando começamos a se aproximar mais um do outro e a se dedicar aos ensaios. Então, um dos motivos primordiais foi justamente isso, para não perder o ritmo que a gente veio trabalhando ano passado, desde cedo até o carnaval. Por isso resolvemos se preparar desde agora, mesmo que seja só para o carnaval de 2022. A gente quer é estar sempre seguro, então é muito importante isso”, complementou Daniel.

grande rio desfile 2020 044 CopyTodavia, a volta às atividades em conjunto, durante a pandemia, exige cuidados por parte da dupla, para evitar riscos de contaminação pelo novo coronavírus. Por isso, Daniel e Taciana garantem estarem seguindo todos os protocolos sanitários recomendados pelas autoridades de saúde, mas não escondem que enfrentam dificuldades.

“Infelizmente, a gente não tem como evitar o contato. Até porque a dança do casal de mestre-sala e porta-bandeira é uma dança a dois. Então o mestre-sala, a todo momento, precisa estar cortejando a sua dama. Ele precisa estar de alguma forma sendo galanteador. Ou seja, tem o contato da mão. A gente se previne com álcool em gel, tem a utilização de máscara. Porém, até o corpo se adaptar a dançar com máscara, é muito difícil. Estamos tentando se adaptar a esse estilo, porque é complicado. Ainda mais quando a gente fica um tempo parado, quando volta a dançar, o ritmo não é o mesmo, a gente fica com a respiração ofegante. Tudo isso a gente está trabalhando, justamente para se adaptar a esse ‘novo normal'”, relatou Daniel.

Já Taciana fez ainda uma revelação. “Fui contaminada e acredito ter ficado assintomática, descobri nos exames ao retornar para o estágio na faculdade. Depois de cumprir a quarentena, comecei a participar de algumas ações, atividades relacionadas ao carnaval, mas tomando todos os devidos cuidados, tenho retornado aos poucos a uma rotina adaptada ao ‘novo normal’ e decidi que o próximo passo a ser dado seria a retomada dos encontros presenciais para ensaio, com uso de máscara e álcool em gel”, contou.

A dupla ainda avaliou como está sendo esta volta aos treinos, em meio às incertezas que rondeiam o futuro da folia carioca. “Mesmo não tendo samba e nem data definida, a gente procura fazer exercícios que sejam voltados para dança, que possam futuramente ajudar na questão de postura, de condicionamento físico. Por exemplo, a gente tem feito aulas online de ballet. Além disso, agora estamos tendo também o contato presencial com a nossa coreógrafa, uma vez na semana, para trabalharmos os três juntos. Então assim, a gente está buscando sempre outros contextos para inserir na dança. Como o nosso enredo para o próximo carnaval é sobre Exú, a gente vai repetir as aulas de dança afro com um dos bailarinos da comissão de frente da Grande Rio, para aprender novas técnicas de movimentos, até para a gente poder inserir na nossa coreografia futura”, falou Daniel.

grande rio desfile 2020 046 CopyTaciana seguiu o mesmo discurso do parceiro de dança. “Como dito anteriormente, seguimos em busca de aperfeiçoamento, sempre há algo para melhorar, aprender… Ainda tenho limitações a serem superadas e só com trabalho isso pode ser feito”, complementou a porta-bandeira da Grande Rio.

Os dois ainda falaram acerca do trabalho realizado por eles durante o período de isolamento social. “Foram raros os encontros na pandemia, apenas pra lives que foram realizadas presencialmente. No início, só com dança sem toque, totalmente adaptada ao atual momento. Estive também fazendo alguns exercícios físicos em casa: primeiro ballet e agora acrescentei o pilates”, contou Taciana.

“Como a gente teve o nosso primeiro contato agora, voltando aos ensaios, conseguimos perceber que precisamos trabalhar mais, porque o corpo meio que desacostumou. A gente diz que o corpo relaxa até voltar para rotina que é de costume dos ensaios. Particularmente, sempre mantive atividades físicas: faço musculação, faço aeróbica… Por conta da quarentena, as academias estavam fechadas, mas mesmo assim eu estava fazendo exercício em casa, para não perder o ritmo”, concluiu Daniel.

Milton Cunha e os destaques de luxo: Luanda Ritz

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Por Milton Cunha, Victor Raposo, Thiago Acácio, Reinaldo Alves, Tiago Freitas e João Gustavo Melo

Luanda Ritz03“TRAVA NA BELEZA: Imaginários sobre o destaque de luxo de escola de samba”, que será publicado no Dossiê da Revista Policromias do LABEDIS, Museu Nacional da UFRJ, com Editoria de Tania Clemente.

Para chegar aos núcleos temáticos, fizemos uma série de entrevistas que passamos a publicar no site CARNAVALESCO, duas vezes por semana. Este material acabou não entrando no corpo do texto, por limitação de espaço, e não queríamos deixar de mostrar. É uma homenagem aos esforços destes luxuosos personagens que habitam nossos sonhos de folia! Viva os Destaques de Luxo, mensageiros do glamour.

Luanda Ritz – Estácio de Sá

O que você imagina que a plateia imagina quando te vê passando na avenida durante o desfile?

Luanda Ritz: Acho que despertamos o imaginário luxuoso de cada um, através das fantasias de nossas personagens. Pensam que somos íntimos de cada uma dessas personagens, que temos ligação com os deuses, personalidades históricas, os elementos da natureza que representamos em cada apresentação. Daí a importância de vesti-las por dentro, interiorizá-las.

Gostaria de saber como surgiu o seu interesse em ser destaque de luxo? Quando foi o seu primeiro desfile nesse posto? Como e quando foi a sua chegada na Estácio? Já desfilou em outras agremiações nesse posto? Se sim, quais?

Luanda Ritz: Surgiu da vontade de têr um lugar diferenciado na escola. Meu primeiro desfile como destaque foi no GRES Vizinha Faladeira em 1996. Já desfilei Caprichoso de Pilares, Portela, M. I de Padre Miguel, Império Serrano, Mangueira e Estácio de Sá. Eu sempre estive na Estácio. Fui nascido e criado no morro de S. Carlos. Mesmo passando por outras escolas sempre estive na Estácio, me afastei em alguns anos por questão de gestão de coordenação de destaques, mas nunca saí. Fui passista, saí em alas e me tornei destaque no ano em que a Estácio teve Grande Otelo “A prata da noite” como enredo (1986).

Luanda Ritz02Como é o seu planejamento para desfilar? Qual o seu papel na concepção e elaboração da fantasia? E como é a relação do carnavalesco nesse processo?

Luanda Ritz: Primeiramente financeiro e depois adequação do espaço em minha casa conforme o tamanho da fantasia, uma vez que toda parte de adereços (bordados) são feitos por mim exceto costura, ferragem e resplendor são realizados fora. O carnavalesco é o criador do figurino da ideia central da personagem e é consultado quando há necessidade de adequar o desenho a realidade da confecção.
E em relação ao personagem/papel que você vai interpretar no desfile. Você faz alguma preparação corporal, nos aspectos de gestual e de semblante? Como que você “encarna” aquilo que está vestindo? Como internaliza as personagens que representa?

Luanda Ritz: A pesquisa é fundamental para se criar a personagem a partir da maquiagem e gestual para interpretação adequada, sem essas etapas não há “incorporação”.

Você tem apego com as fantasias? Como lida com a ideia de que ela será vista em pouco tempo pelo público?

Luanda Ritz: Minha fantasia é feita para aquele momento, só faz sentido naquele contexto, portanto o pouco tempo passa a ter valor associado ao conjunto das alas, a alegoria, a bateria. A importância da minha roupa está ligada ao valor de beleza que ela pode agregar a escola.

Pra você, o que faz uma fantasia de destaque se eternizar na mente de quem assiste os desfiles? E o que faz um destaque se distinguir dos demais destaques de luxo do carnaval?

Luanda Ritz: O que faz uma fantasia se eternizar é quando ela completa uma alegoria de forma que uma é associada a outra estão atreladas se uma é sucesso a outra também. Os destaques têm características peculiares, não são comparáveis, as cores são diferentes, o material é diferente, a personagem é diferente e a concepção de cada uma delas por cada um também. Cada um têm um processo diferenciado. Eu sou adicionado pela interpretação, não gosto de “manequins” enfeitados sobre a alegoria. Essa, pra mim, é a diferença.

Luanda Ritz01Tem alguma fantasia ou fantasias por qual você sempre é lembrado (a) ou que tenha se tornado inesquecível para as pessoas? Se sim, por qual motivo isso aconteceu?

Luanda Ritz: Lembram muito da Malévola (Estácio 2016), devido minha performance durante o desfile.

Você considera o luxo essencial para a festa? Se sim, por qual motivo?

Luanda Ritz: Considero e muito. Complementam as alegorias e dão vidas as personagens citadas no enredo.

Antigamente, cada destaque vinha em uma alegoria. Hoje, com a diminuição do número de carros, isso tem sido menos frequente. Como você enxerga essa mudança? É um problema pra você dividir a atenção do público?

Luanda Ritz: Pior que o número de integrantes no carro, são as esculturas que muitas vezes escondem o destaque. Isso têm sido um dos maiores motivos de queixas do grupo destaque do RJ.

Pra você o que a figura do destaque simboliza para os demais componentes da escola? E como é a relação deles com você?

Luanda Ritz: Para os demais componentes da escola o destaque é a figura que simboliza o luxo e riqueza, sou tratada com muito respeito e deferências, até mesmo mais do que pelos gestores em alguns casos.

O carnaval vem passando por uma crise financeira e muito se fala que as escolas precisam voltar às suas raízes. Você acha que a comunidade se sente representada quando vê vocês nos dias de hoje? Sentiu alguma mudança na relação entre você e a comunidade nos últimos anos?

Luanda Ritz: Não represento a realidade e sim a fantasia, o sonho do luxo e da riqueza, afinal esse é o sentido do Carnaval, a troca de papéis, a ilusão, o imaginário.

Você falou, na pergunta ao Milton, que vocês despertam o imaginário luxuoso de cada pessoa que os assiste. Poderia falar um pouco mais sobre isso?

Luanda Ritz: Quem não se encanta com a possibilidade de ver o Rei Sol, A Lua, A mãe d’agua, A imperatriz, os Guardiões do reino não sei das quantas, o Senhor desse ou daquele universo, e tantos outros Deuses e figuras importante que habitam o imaginário da maioria das pessoas?!

Com quanto tempo de antecedência você chega no sambódromo? Em qual tipo de carro você chega? Quantas bolsas você carrega? Como são feitas essas bolsas? Tem pessoas para dar apoio? Na hora que chega e vê as alegorias desmontadas, de tarde, muito antes de qualquer pessoa, o que você sente? O que você pode contar desse processo de montagem e depois de desmontagem da alegoria? Sente tristeza de jogar lá de cima os plumeiros? Como é essa sensação?

Luanda Hitz: Moro na esquina do Sambódromo vou à tarde com meus apoios (amigos) e monto as ferragens e plumeiro e depois retorno pelo menos 2h antes do desfile, transporto minha fantasia em 6 bolsas específicas feitas de lona para suportar pesos e de tamanho proporcional ao tamanho dos ferros e da fantasia propriamente dito. Sempre conto com os mesmos apoios, são meus amigos, pessoas de confiança que focam no mesmo objetivo, para essa função não podem ser pessoas dispersas para que tudo dê certo, checam ferragens ajeitam a roupa com perfeição ao meu corpo. Os carros estão sempre semidesmontados, mas não estranho porque acompanho o projeto no barracão e sei do resultado final, só lamento a falta de estrutura na concentração e dispersão do nosso sambódromo para a proporção das alegorias e das nossas fantasias. É doído ter que arrancar de forma abrupta as pessoas de nós do resplendor que levou dias para ficar pronto a um custo alto de cima dos carros e por vezes maltratados por funcionários da empresa responsável por nos conduzir e não têm a menor ideia do valor material e muito menos afetivo que têm para nós.

 

Diogo Jesus e Bruna Santos falam dos cuidados e precauções no retorno aos ensaios presenciais

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campeas mocidade 42Apesar da pandemia da Covid-19 não cessar no Rio e nem no Brasil como um todo, a vida começa a ganhar ares de normalidade, com a retomada das atividades e o retorno de muitos trabalhos ao modelo presencial. E no universo do carnaval não é diferente. Mesmo sem a previsão de quando irá acontecer o próximo desfile, casais de mestre-sala e porta-bandeira já voltaram aos ensaios e aos preparativos para uma folia que ainda se faz distante.

O site CARNAVALESCO conversou com Diogo Jesus e Bruna Santos, primeiro casal da Mocidade Independente, que reiniciaram os treinos juntos na última semana. No bate-papo, a dupla responsável por defender o pavilhão da Estrela-Guia de Padre Miguel falou um pouco sobre como está sendo a rotina de ensaios e os cuidados que estão tomando para preservar a saúde de todos.

Acerca da decisão de voltar neste momento, Bruna defendeu: “Não podemos parar. Independente de qualquer coisa, defendemos o pavilhão da Mocidade e temos comprometimento com isso. Então simplesmente ficar parados certamente nos prejudicaria. Temos o objetivo de dançarmos em alto nível sempre, então não dá para não ensaiar e se preparar, mesmo sem data prevista para o próximo desfile”.

O discurso de Bruna é similar ao do parceiro de dança, Diogo Jesus. “A nossa coreógrafa Vânia Reis prega o trabalho árduo como ferramenta principal da nossa preparação. Não temos ainda data para o próximo desfile, mas somos o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Mocidade. Há um significado imenso nisso. Além do que será apenas o nosso segundo desfile juntos. Temos que ter humildade para evoluir mais, e só faremos isso com muito ensaio”, alegou o mestre-sala.

A dupla também falou sobre as medidas e as precauções que estão tomando para evitar uma possível contaminação pelo novo coronavírus. “Estamos tomando os cuidados previstos no protocolo que é passado, há alguns meses, pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Usamos máscara, álcool em gel e o contato corporal acontece dentro da distância de prevenção”, assegurou Bruna. “Temos seguidos todos os cuidados básicos que qualquer profissional tem ao sair de casa para trabalhar”, complementou Diogo.

Sobre o treino propriamente, o primeiro casal da Mocidade relatou como ele tem funcionado. “Temos um trabalho de praticamente 12 meses de preparo. Isso inclui preparação física, psicológica, pilates, aulas de ballet, correção em movimentos padrão… Tem muita coisa pra se fazer mesmo sem o samba-enredo”, afirmou Bruna Santos.

“Nosso dia a dia já é puxado antes mesmo da escolha do samba. São fases de preparação. Se tudo estivesse normal, também teríamos começado a ensaiar bem antes da final de samba. Temos apresentações na quadra, nas coirmãs, e precisamos nos manter com o foco em alta”, explicou Diogo Jesus.

E mesmo durante o isolamento social, a rotina de treinos parou em nenhum momento. “Fizemos alguns ensaios online, por vídeo. E independente de estarmos perto do carnaval ou não, é preciso entender a dimensão que é defender o pavilhão da Mocidade. Isso requer cuidados com a parte física, alimentação e postura na vida como um todo. Então estávamos concentrados no nosso trabalho”, garantiu Diogo.

“Na realidade é algo que queríamos (o retorno aos treinos). Mesmo entendendo a questão da quarentena, trabalhamos com o corpo, estamos sempre em movimento, então é um alívio poder retomar os ensaios. Fizemos alguns online e isso nos mantinha de uma certa forma ativos, mas não é exatamente como os ensaios presenciais”, pontuou Bruna.

Em Cima da Hora reabre a quadra para início dos ensaios

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Em Cima da HoraApós a liberação dos eventos nas quadras das escolas de samba por parte da Prefeitura, a Em Cima da Hora organiza o início dos seus ensaios para a sexta-feira do dia 06 de novembro, a partir das 20h. Com entrada gratuita, a escola de Cavalcanti vai fazer o tradicional ensaio de segmentos.

Segundo Flávio Azevedo, Diretor de Carnaval da agremiação, toda uma logística será preparada para receber o público: “A Em Cima da Hora está tomando todas as precauções com relação ao decreto da prefeitura, onde só teremos metade da capacidade de público e também de segmentos. E assim vamos dar o ponta pé inicial para o carnaval de 2021, com muita garra para que possamos manter a Em Cima da Hora no patamar das grandes escolas que ela sempre esteve. Esse é só o início de um grande trabalho e de grandes ensaios que vamos fazer para a nossa comunidade.”

Para o próximo carnaval, a Em Cima da Hora vai fazer a releitura do samba “33 – Destino Dom Pedro II”, do enredo originalmente apresentado em 1984, e que será desenvolvido pelo carnavalesco Marco Antônio Falleiros, marcando seu retorno a Marquês de Sapucaí pela Série A. A quadra de ensaios da escola fica na Rua Zeferino da Costa, 556 – Cavalcanti.