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Milton Cunha e os destaques de luxo: Enoque Silva

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Por Milton Cunha, Victor Raposo, Thiago Acácio, Reinaldo Alves, Tiago Freitas e João Gustavo Melo

Enoque03“TRAVA NA BELEZA: Imaginários sobre o destaque de luxo de escola de samba”, que será publicado no Dossiê da Revista Policromias do LABEDIS, Museu Nacional da UFRJ, com Editoria de Tania Clemente.

Para chegar aos núcleos temáticos, fizemos uma série de entrevistas que passamos a publicar no site CARNAVALESCO, duas vezes por semana. Este material acabou não entrando no corpo do texto, por limitação de espaço, e não queríamos deixar de mostrar. É uma homenagem aos esforços destes luxuosos personagens que habitam nossos sonhos de folia! Viva os Destaques de Luxo, mensageiros do glamour.

Enoque Silva – Grande Rio

O que você imagina que a plateia imagina quando te vê passando na avenida durante o desfile?

Enoque Silva: Ao contemplar um destaque de luxo as pessoas certamente são envolvidas em uma áurea de encantamento e êxtase. O uso de inusitadas e extravagantes fantasias despertar em quem as aplaudem a possibilidade de também fazer parte da viagem entre ficção e realidade.

Gostaria de saber como surgiu o seu interesse em ser destaque de luxo? Quando foi o seu primeiro desfile nesse posto? Como e quando foi a sua chegada na Grande Rio? Já desfilou em outras agremiações nesse posto? Se sim, quais?

Enoque Silva: Meu interesse surgiu em meados dos anos 70 ao ver as imagens de grandes nomes do carnaval como Evandro de Castro Lima, Clóvis Bornay e outros nas capas das revistas Manchetes e Fatos e Fotos. Meu primeiro desfile foi em 1979 na Turma do Quinto, em São Luís do Maranhão. Na cidade desfilei até 1993 e em 94 estreio no Rio de Janeiro na Unidos da Ponte, depois Vila Isabel, Estácio de Sá e, em 1998, ingresso na Grande Rio com o carnavalesco Max Lopes.

Como é o seu planejamento para desfilar? Qual o seu papel na concepção e elaboração da fantasia? E como é a relação do carnavalesco nesse processo?

Enoque Silva: Metade do ano é dedicado a todo o processo que envolve a confecção das roupas. Os carnavalescos criam os meus figurinos respeitando meu estilo e perfil. A minha relação com eles é de respeito, abertura e liberdade em todo o processo de construção até a finalização da roupa na sua totalidade.

E em relação ao personagem/papel que você vai interpretar no desfile. Você faz alguma preparação corporal, nos aspectos de gestual e de semblante? Como que você “encarna” aquilo que está vestindo? Como internaliza as personagens que representa?

Enoque Silva: Quando recebo o figurino faço um estudo sobre o personagem tema. A preparação é mais psicológica do que física. E a performance é espontânea. Flui de acordo com a receptividade e comportamento da plateia, que é sempre muito positiva.

Você tem apego com as fantasias? Como lida com a ideia de que ela será vista em pouco tempo pelo público?

Enoque Silva: Eu acredito que todo desfilante na função de destaque tem apego e amor pela fantasia criada e confeccionada. Ela é resultante de muitos dias e horas de dedicação. O pouco tempo do desfile nos dar a sensação de eternidade por conta da resposta sempre positiva que o público nos dá durante e após o desfile.

Enoque02Pra você, o que faz uma fantasia de destaque se eternizar na mente de quem assiste os desfiles? E o que faz um destaque se distinguir dos demais destaques de luxo do carnaval?

Enoque Silva: Antigamente era muito comum uma fantasia, ou um destaque, se eternizar. Eram poucos e muito talentosos. Era a época dos bordados. Atualmente é muito difícil um se distinguir do outro. A não ser que exagere no tamanho da roupa, peque pelo excesso de material abandonando completamente a estética final e concepção inicial do figurino.

Tem alguma fantasia ou fantasias por qual você sempre é lembrado (a) ou que tenha se tornado inesquecível para as pessoas? Se sim, por qual motivo isso aconteceu?

Enoque Silva: Acredito que todas as fantasias que já usei têm suas particularidades e encantamentos distintos. Todos os anos ouço das pessoas a seguinte exclamação “é a mais bela de todas!”. Mas, vale citar “Anjo Barroco” e “Lições de Amor da Índia milenar” de João Trinta, o “Feirante Nordestino” de Roberto Szaniecki, “Imperador Chinês” de Max Lopes, “Superação de Mandela” de Cahê Rodrigues, “Céu Estrelado de Juazeiro” de Fábio Ricardo e “Rei do Candomblé” do Gabriel Haddad e Leonardo Bora.

Você considera o luxo essencial para a festa? Se sim, por qual motivo?

Enoque Silva: Sim. O luxo é essencial e fundamental para qualquer festa. Com o carnaval não poderia ser diferente por conta do luxo e da criatividade dos artistas e principais atores envolvidos nesse que é o maior espetáculo da terra.

Enoque01Antigamente, cada destaque vinha em uma alegoria. Hoje, com a diminuição do número de carros, isso tem sido menos frequente. Como você enxerga essa mudança? É um problema pra você dividir a atenção do público?

Enoque Silva: Com a diminuição do número de alegorias as escolas diminuem os números de destaques. Os critérios ficaram mais seletivos e os lugares passaram a ser ocupados pelos melhores e maiores destaques. O restante em nada concorre com uma bela e grande fantasia.

Pra você o que a figura do destaque simboliza para os demais componentes da escola? E como é a relação deles com você?

Enoque Silva: Os componentes da escola, entre diretores, composições e desfilantes de alas, se sentem representados quando contemplam e admiram uma roupa de destaque pronta ocupando a principal posição em uma alegoria. Os olhares sempre são de alegria e satisfação.

O carnaval vem passando por uma crise financeira e muito se fala que as escolas precisam voltar às suas raízes. Você acha que a comunidade se sente representada quando vê vocês nos dias de hoje? Sentiu alguma mudança na relação entre você e a comunidade nos últimos anos?

Enoque Silva: Acredito que a comunidade se sente bem representada quando o carnaval da escola está dentro da expectativa de um bom desfile e a sua estética está irrepreensível e apta para a briga por um campeonato. O destaque é só a cereja do bolo. A comunidade se sente prestigiada por ver que o destaque não se abate com crise e nem dificuldade financeira. Como diria minha madrinha de carnaval, Leci Brandão: “Destaque que é destaque é assim”.

Você falou, na resposta ao Milton, que as pessoas ficam encantadas e em êxtase ao ver vocês. Que embarcam junto com vocês em uma viagem de ficção e realidade. Como é esse processo de troca entre você e o público?

Enoque Silva: No meu caso em especial acho que é um pouco diferente dos demais. Sou maranhense e represento o meu Estado há 26 anos na passarela do maior espetáculo da terra. Sempre levo na minha bagagem uma legião de fãs e admiradores que me seguem todos esses anos. E conto com uma plateia já conquistada na Marquês de Sapucaí e retribuo a todos com sorrisos, acenos e gestos de carinho porque consigo enxergar todos que se esforçam muito para serem notados por mim. Tudo isso estabelece uma indescritível relação de troca. Essa é a grande cena e mágica do carnaval.

Com quanto tempo de antecedência você chega no sambódromo? Em qual tipo de carro você chega? Quantas bolsas você carrega? Como são feitas essas bolsas? Tem pessoas para dar apoio? Na hora que chega e vê as alegorias desmontadas, de tarde, muito antes de qualquer pessoa, o que você sente? O que você pode contar desse processo de montagem e depois de desmontagem da alegoria? Sente tristeza de jogar lá de cima os plumeiros? Como é essa sensação?

Enoque Silva: No dia do desfile, costumo chegar na concentração até 5 horas antes do horário previsto para o início do desfile. Meu deslocamento do hotel para a Sapucaí faço em carros grandes, geralmente vans, onde transporto em média 05 volumes de peças das fantasias e os meus apoios, que são em número de 03. As bolsas que acondicionam a fantasia são fabricadas com nylon dublado, forração de plástico bolha e sob medida para cada peça. O meu primeiro contato com a alegoria se dá no barracão da escola, onde experimento o acesso ao queijo e testo o apoio de resplendor e Santo Antônio. O segundo momento já acontece na Sapucaí, na concentração. Já está tudo pronto e a expectativa pelo início do desfile é sempre muito grande. Cada ano é um ano com suas diferenças e surpresas. Conto também com o auxílio do diretor do carro e sua equipe. Sempre dá tudo certo. Pela minha antecipação de horas toda a montagem da fantasia acontece de forma tranquila e precisa. A emoção do desfile é diferente a cada ano podendo ser surpreendente e impactante. Já o final, na dispersão, é sempre igual. Sigo o ritual de uma desmontagem veloz porque o tempo é muito curto. Não existe espera, não existe paciência e muito menos tolerância. As peças são todas jogada de cima para baixo contando com a experiência e habilidade dos apoios que já estão de prontidão para executar esse trabalho. Feito tudo isso, desfile concluindo e missão cumprida. Essa é minha frenética e prazerosa trajetória no dia desfile oficial.

Cubango levará divindade feminina do Candomblé para o desfile no próximo carnaval

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No próximo carnaval, o Acadêmicos do Cubango levará para a avenida o enredo Onilé Cubango. Conhecida por ser divindade feminina, Onilé é, no Candomblé, a representação da senhora da terra, a verdadeira mãe.

Sob o título de Onilé Cubango, o enredo de autoria dos carnavalescos Alexandre Rangel e Raphael Torres pretende levar à Sapucaí um diálogo sobre a importância da proteção e a preservação da própria humanidade, além de tudo que há no planeta terra. “Vamos falar sobre a divindade feminina (orixá) que representa a base de toda a vida e é fundamental na tradição yorubá. Onilé é a dona da Terra e representa o nosso planeta como um todo, o mundo em que vivemos. O enredo surgiu na busca de falarmos sobre um tema de matriz africana, característica da escola, e na vontade de falar sobre um tema atual, que tivesse conexão com o que estamos vivenciando (queimadas das florestas, tráfico de animais silvestres e a questão da pandemia)”, explica Torres.

“A necessidade de comentar sobre os atuais acontecimentos veio através do que sabemos e gostamos de fazer: falar sobre matriz africana. Tudo vem da terra e à ela retorna! O objetivo do enredo é mostrar a preocupação com a preservação da própria humanidade e de tudo que há na Terra. Queremos que as pessoas entendam a questão da preservação do Planeta Terra é que possam repensar suas atitudes com a finalidade de revertermos essa série de acontecimentos que viraram o mundo de cabeça para baixo”, conta Rangel.

O presidente da agremiação, Rogério Belisário, festeja o enredo. “Os carnavalescos foram muito felizes na escolha desse enredo, que vai permitir que, ao pisarmos novamente na Sapucaí, possamos levar algo com a cara da Cubango, algo que a nossa comunidade vai desfilar com tranquilidade pois tem um chão forte. O tema é contemporâneo e traz história na medida certa. Acredito que vai ser um desfile histórico para a nossa escola e os nossos desfilantes”, finaliza.

Império Serrano 2021 – samba da parceia de Tico do Gato

Compositores: Tico do Gato, Victor Mendes, Rodrigo Feiju, Jacopetti, Andreia Araújo, Beto Marçal

HÁ DE SE CONTAR
QUE A MELODIA MORA LÁ
ONDE A IGUALDADE É NOSSA VOZ
PRETO É O SANGUE E O NOSSO SANGUE TEM HISTÓRIA
HOJE A RESISTÊNCIA SOMOS NÓS
IMPERIANO
O TREM DE LUXO VAI PARTIR
PARA DEIXAR NA ETERNIDADE
MAIS UM HERÓI DA LIBERDADE

Ê CAPOEIRA CAMARÁ
RESISTÊNCIA DA SERRINHA
VASO RUIM DE SE QUEBRAR

MANOEL HENRIQUE PEREIRA
TEVE O CAMINHO
ENCANTADO POR EXU
OSSAIN TROUXE A ERVA NA MEDIDA
E XANGÔ COM SEU OXÊ
DEU O SENSO DA JUSTIÇA
DA MATA A FLECHA
QUE VIROU NAVALHA
E NO RABO DE ARRAIA
SOPRAVA A VOZ DO ORIXÁ
DIZENDO AO NOSSO HERÓI CAMARÁ:
FILHO DE OGUM
NÃO PODE APANHAR

Ê CAPOEIRA CAMARÁ
RESISTÊNCIA DA SERRINHA
VASO RUIM DE SE QUEBRAR

AO LEMBRAR SEU “VIGA MESTRE” NÃO CURVOU SE A CAPATAZ
ENFRENTOU A ESCRAVIDÃO
NEGRO VALENTE DO CAIS
DEU PERNADA NO DESTINO
NEM À BALA FOI CALADO
SÓ A FACA DE TUCUN
FERIU O SEU CORPO FECHADO
TOCA AMAZONAS
E DEIXA O MEU HERÓI VOAR
BESOURO PRETO COROADO
CORDÃO DE OURO MANGANGÁ

VEM NA GINGA DO POVO
SOU IMPÉRIO SERRANO
VEM AMOR
NO ZUM ZUM ZUM EU VOU JOGAR
PATICUMBUM PRA TE EMBALAR…
MADUREIRA ANUNCIOU

Império Serrano 2021 – samba da parceria de Juarez

Compositores: Juarez Amizade, Rodolfo Caruso, Juca, Wagner Zanco, Zé Maria , Edu D’Avila

Intérprete: Digão Audaz E Felipe Nazário

HOJE TEM GIRA E CAPOEIRA
PAI OGUM ESTÁ DE RONDA
SERRINHA DESCE A LADEIRA
NASCIDO NO RECÔNCAVO BAIANO
VALENTE, DESTEMIDO, JUSTICEIRO, MANGANGÁ
ABRE A RODA, MESTRE ALÍPIO VAI JOGAR
ORI BORDADO PELAS MÃOS DAS IABÁS
AS ERVAS DE ÒSÁNYIN, PARAÍSO JUREMÁ
EXU ABRIU CAMINHOS, XANGÔ PROTEÇÃO
FIDELIDADE À SUA RELIGIÃO

É GINGA PRA LÁ, É GINGA PRA CÁ
É RABO DE ARRAIA, Ê CAMARÁ
CORDAO DE OURO, CORPO FECHADO
CARREGAVA O SEU PATUÁ

LIBERDADE É UM DIREITO, SINHÔ
TRABALHOU TEM QUE GANHAR
“QUEBRAR PRA SÃO CAETANO”
ERA UM DITO POPULAR
O NEGRO NADA TEMIA
NO SEIO DA MATA SE PROTEGIA
LUTOU, RESISTIU
COM A FACA DE TUCUM
O BRAVO BESOURO SUCUMBIU
VIROU POESIA E LADAINHA
“CALÇA, CULOTE, PALETÓ, ALMOFADINHA”

BATE PANDEIRO, CHORA VIOLA
VEM LEVANTAR POEIRA
PRA VOLTAR AO SEU LUGAR
REIZINHO DE MADUREIRA

 

Império Serrano 2021 – samba da parceia de Henrique César

Compositores: Henrique César, Nazah, Eraldo Cae, Leandro Thomaz, Nego de Ramos e Yara Matias.

Laroyê meu sentinela!
Ogunhê! Sou valentia
Encantaria e malandragem
Corpo fechado, ousadia
Fui rei na Capoeira
Mestre Alípio me forjou
No cais de Santo Amaro
Minha fama se espalhou
Vingador e justiceiro
Lutava contra a opressão
Enfrentava regimento
Dava surra em patrão

Dou-lhe uma rasteira quero ver tu se esquivar.
Sou Besouro preto,
Cordão de Ouro , Mangangá!

Desafeto se aperreia
Intenta a morte matada
O olhar que me espreita
Cilada em Maracangalha
Faca de tucum,
Vergou meu corpo ao chão.
O que mais doeu foi a traição.
Mano meu chore não!!!
Voei pra eternidade
Fiquei no coração
Renasci na levada do pandeiro,
No canto mirongueiro,
Na ginga do partideiro

Ê camará! Ê camará!
O meu Império acaba de chegar!
Berimbau chama pra roda
Com o toque do agogô
Um novo jogo na Serrinha começou
Um novo jogo na Serrinha começou
Área de anexos

Império Serrano 2021 – samba da parceia de Márcio André

Compositores: Márcio André, Tem-Tem Jr, Turko, Jotaérre, Maradona,Fabio Souza, Daniel Katar, Rafa Do Cavaco, Mingalzinho, Vaguinho, Gigi Da Estiva.

Intérpretes : Bruno Ribas E Tem-Tem Jr.

ABRE A RODA
TEM TOQUEDE ANGOLA NA SERRINHA
MADUREIRA É CAPOEIRA
MOSTRA A SUA VALENTIA
TEM O SEU CORPO FECHADO E A GUARDA DE EXÚ
O AXÉ DOS ORIXÁS VEM DAS MÃOS DAS YABÁS
NO OXÊ É DE XANGÔ, ORDENA “SEU” ARRANCA TOCO
A NAVALHA É A FLECHA DO CABOCLO
NO PEITO O ESCUDO A FORJA DE OGUM
Ê ZUM ZUM ZUM, VAI GUERREAR
Ê ZUM ZUM ZUM, BÊNÇA CAMARÁ

Ê BERIMBAU CAVALARIA SEGURA A PEMBA QUE CHEGOU
O BESOURO DA BAHIA NÃO SE CURVA PRA “SINHÔ”
SE “QUEBRAR” PRA CAETANO ELE TIRA ATÉ A PENA
JUSTICEIRO E VINGADOR ESSE ERA O SEU LEMA

IDALINA RESSOA PRAS BANDAS DE MARACANGALHA
NA CARTA AO PORTADOR A DERRADEIRA BATALHA
BALAS NÃO PODEM DETER O PROTEGIDO DE OGUM
FORA 40 HOMENS CONTRA UM
A TRAIÇÃO VEIO DA FACA DE TUCUN
É NA PALMA DA MÃO QUE EU QUERO VER
TEM AGOGÔ, PANDEIRO E VIOLA
VEM DOS MESTRES DO ARERÊ
JÁ VIROU SAMBA DE RODA
MIRONGUEIRO BOM NÃO MORRE
VAI VIVER NA LADAINHA, POR FAVOR MANO NÃO CHORE
QUANDO EU MORRER ME ENTERRE NA LAPINHA

AÊ BESOURO
BESOURO PRETO MANGANGÁ CORDÃO DE OURO
BATE MARIMBA MEU IMPÉRIO VEM AÍ
CAPOEIRA… A POEIRA VAI SUBIR

AÊ BESOURO
BESOURO PRETO, MANGANGÁ, CORDÃO DE OURO
BATE MARIMBA É CAPOEIRA CAMARÁ
VOA MEU IMPÉRIO, VAI BUSCAR O SEU LUGAR

 

Império Serrano 2021 – samba da parceia de Aluísio Machado

Compositores: Aluísio Machado, Carlos Senna, Renan R. Valença, Ambrosio De Deus, Carlitos Bahiano e Beto Br De Souza

Intérpretes: Marquinho Art Samba e Diego Nicolau

EXU DÁ CAMINHO E FECHA O CORPO
FAZ DO MEU CORDÃO DE OURO ‘PATUÁ’ CONTRA EGUN
FLECHA CERTEIRA DE CABOCLO É NAVALHA
SOU BESOURO DE BATALHA
LADO A LADO DE OGUM
XANGÔ! OXÊ JUSTICEIRO!
COURAÇA DE SANGUE PRETO NO JOGO DE ANGOLA
NEM SE ATREVA PRECONCEITO
QUE O NEGO DÁ DE SOLA
QUER DOCUMENTO? DOU VALENTIA!
TOQUE DE CAVALARIA ENFRENTA O REGIMENTO
VEM OPRESSÃO, EU VOU ‘SEM BRAÇO’ E VAI RASTEIRA
O CATIVEIRO NÃO TEM VOZ EM MADUREIRA

CAMARÁ, CAMARÁ
QUEBRA O CÔCO NO JONGO
MANGANGÁ, MANGANGÁ
A SERRINHA É QUILOMBO

A PELE BRILHA, NA IDALINA O CORPO FALA
A CASAGRANDE É PEQUENA PRA SENZALA
O PRANTO ROLA VENDO IRMÃO SENDO CARRASCO
MAS CAPOEIRA DOBRA O TOURO E TRAZ NO CASCO
VOEI NAS TERRAS DE MARACANGALHA
HOJE A ESCRAVIDÃO AINDA É TOCAIA
E A LUZ DA RESISTÊNCIA ENTIDADE
ABRI O LIVRO QUE O BRASIL NÃO QUIS CONTAR
O MEU IMPÉRIO ACENDE A CHAMA DA VERDADE
PRA ME ETERNIZAR HERÓI DA LIBERDADE

BATE MARIMBA, TOCA Ê MARIMBA AÊ
BERIMBAU, AGOGÔ, MEU SAMBA É BATUQUEGÊ
IMPERIANO NÃO SE ENTREGA SEM LUTAR
VOLTA REIZINHO, INCORPORA CAMARÁ

Mauro Leite e Wagner Gonçalves revelam detalhes da reedição da homenagem ao Flamengo pela Estácio de Sá

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Estacio01Cobra coral, papagaio vintém. No próximo carnaval, a Estácio de Sá irá vestir rubro-negro novamente para homenagear o Clube de Regatas do Flamengo. A reedição do samba-enredo de 1995 foi anunciada pela Vermelha e Branca do Morro do São Carlos na última segunda-feira. Após o anúncio, o site CARNAVALESCO conversou com a dupla de artistas que será responsável por desenvolver o novo desfile em tributo ao clube carioca, Mauro Leite e Wagner Gonçalves.

“Do desfile original só vai ser mantido o samba, que tem uma letra bem direta e subjetiva. O desfile de 95 não tem uma linearidade no tipo de enredo, como era comum na década de 1990. Era um enredo episódico. Então, a gente tem daquele carnaval de 95 só o samba. E mesmo assim com alteração na frase sobre o centenário. Em relação ao nosso olhar para o carnaval original, ele é simplesmente inspiração. Vamos fazer algo totalmente novo, aproveitando o gerúndio e as reticências da frase, para nas entrelinhas construir uma coisa nova. É um momento diferente, tanto do Flamengo, quanto da Estácio”, adiantou Wagner.

O anúncio da reedição foi feito na quadra da agremiação, com a presença do presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, ao lado de Leziário Nascimento, presidente da Estácio de Sá. De acordo com Wagner Gonçalves, a proposta de fazer uma nova homenagem ao time rubro-negro partiu justamente da direção estaciana.

“Dentro do cenário de possibilidades, surgiu esta. Mas eu acho que não pela reedição em si, e sim pela aproximação com Flamengo e a possibilidade de apresentar um carnaval sobre o clube. Como a Estácio já tinha feito esse carnaval, então a escola meio que era dona de poder narrar essa história. Já tínhamos apresentados outros temas, outros enredos, e a direção sugeriu essa possibilidade de reedição do samba com uma nova leitura, com um olhar atual”, relatou o carnavalesco.

Estacio02Mauro Leite fará sua estreia

Este será o primeiro trabalho de Mauro Leite e Wagner Gonçalves juntos. Sobre a parceria inédita, eles fizeram questão de destacar que ambos ainda estão se conhecendo, mas asseguraram que farão todo o possível para que o resultado do que irá para Avenida seja o melhor para Estácio de Sá.

“Como eu e o Wagner nunca trabalhamos juntos, acho que tem um processo de conhecimento e adaptação. Mas estamos super abertos e queremos pensar juntos, sem divisões rígidas, pra que o resultado tenha coesão e unidade”, garantiu Mauro.

“Tudo vai ser feito a quatro mãos. Claro que a gente vai inclinando para aquilo que mais gosta, então talvez o Mauro arte finalize mais os figurinos e eu os carros. Porém, a gente já combinou que vai desenhar junto, criar junto, discutir junto… Acho que vai ser bacana, podem ser olhares diferentes que se complementam”, completou Wagner.

Estacio03O desfile irá marcar o primeiro trabalho de Mauro Leite como carnavalesco, sem a presença de Rosa Magalhães. Antes, o artista já havia assinado um carnaval no Império Serrano, ao lado da professora e de Andréa Vieira, no ano de 2010, pelo então Grupo de Acesso A, que é a atual Série A.

“Estou muito feliz, fiquei muito honrado com o convite da Estácio. Acho que é uma grande responsabilidade, tanto pela escola que estou defendendo, quanto pelo tema. Mas estou confiante e espero fazer um trabalho à altura”, declarou Mauro.

Além de Mauro, o próximo carnaval também será simbólico para Wagner Gonçalves. Depois de ficar pelos últimos dois anos longe da Marquês de Sapucaí, o carnavalesco irá retornar para o palco do maior espetáculo da Terra com a Estácio de Sá.

“Quando eu deixei a Inocentes de Belford Roxo em 2018, eu já estava apalavrado com a Águia de Ouro e até desenvolvendo um enredo. Mas, com a chegada de um novo diretor de carnaval, ele levou outro carnavalesco, fiquei desconfortável e achei melhor não continuar. Em 2020, estava bem focado em fazer o carnaval de Nova York, que seria agora em julho que passou. Mas esse cenário de pandemia desconfigurou, e daí eu tinha essa dimensão de que o próprio carnaval de Nova York seria remarcado e que eu não podia ficar tanto tempo longe da Sapucaí ou do Anhembi, de qualquer lugar que eu pudesse mostrar o meu trabalho com potencialidade. Surgiu o convite da Estácio, outros convites também tinham surgido, mas estou bem agora, feliz aqui e vou fazer o trabalho com força total”, relembrou.

No entanto, o retorno de Wagner e a estreia de Mauro ainda não tem uma data para acontecer, devido a indefinição quanto aos rumos da festa, gerada pela pandemia da Covid-19. Em setembro, a Liesa, entidade que administra o carnaval do Grupo Especial, adiou os desfiles. Porém, a Lierj, responsável pela Série A, ainda irá realizar uma plenária para decidir o seu destino em 2021. Em meio às incertezas, não se sabe como ficará o regulamento e nem mesmo qual será o modelo de disputa.

“Acho que nesse momento, a gente tem de estar preparado pra tudo, até porque estamos vivendo uma realidade nova. Então, com certeza, vamos ter que nos adaptar a modificações”, avaliou Mauro.

“Devemos estruturar o projeto com base no regulamento do ano passado. Adequações vão ser necessárias ou não, de acordo com o cenário epidemiológico, a vacina, enfim. Vamos ter que estar muito atentos e dispostos para fazer qualquer alteração. E nós temos essa disponibilidade, esse tempo, até porque não temos nem a data do desfile mesmo. Então, isso tudo vai influenciar: o momento, a data, o período… E depois ainda vai vir o horário, o sorteio, a configuração da disputa…”, complementou Wagner.

União da Ilha decide reeditar ‘Fatumbi’ no próximo carnaval

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469E7A13 2100 4C5F 9CA3 633510FC1F62A União da Ilha do Governador bateu finalmente o martelo. A tricolor insulana irá reeditar o enredo ‘Fatumbi – A ilha de todos os Santos’ quando houver carnaval. A escola confirmou a escolha nesta quinta-feira através de suas redes sociais. Durante a semana o presidente Djalma Falcão negou que a escola estaria voltando atrás, pois ‘Festa Profana’ não fora em nenhum momento confirmado como enredo.

A União da Ilha apresentou o enredo no Carnaval 1998. A temática é de autoria do carnavalesco e hoje comentarista de carnaval, Milton Cunha. O samba é um dos mais famosos e belos da história da agremiação e foi defendido na avenida pelo lendário intérprete Rixxa. A escola terminou na 9a. colocação.

Imperatriz confirma homenagem a Arlindo Rodrigues em seu retorno ao Grupo Especial

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Imperatriz21A Imperatriz Lepoldinense confirmou nesta quinta-feira que apresentará no próximo carnaval um enredo em homenagem ao carnavalesco Arlindo Rodrigues. O desenvolvimento fica a cargo de sua maior discípula, Rosa Magalhães.

“Arlindo, assim como Gonçalves Dias (autor de Canção do Exílio, que serviu de referência para o desfile da Imperatriz em 1982 – “Onde canta o Sabiá”), foi um representante do romantismo em sua obra; em cada carnaval um novo Brasil nos era apresentado através de suas interpretações das culturas nos nossos povos”, explicou a professora.

Foi na Imperatriz Leopoldinense que Arlindo Rodrigues talhou o inconfundível estilo de luxo e elegância que marcam a estética da verde e branca da Leopoldina. Na agremiação de Ramos ele permaneceu entre 1980 e 1983 e em 1985 e 1987, ano de seu último trabalho. Na escola Arlindo ganhou os carnavais de 1980 e 1981.