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Ministério Público e Liesa fazem acordo para evitar o vazamento de som dos camarotes do Sambódromo

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O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Capital, firmou, junto à Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa), Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para evitar o vazamento de som interno dos camarotes do Sambódromo.

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Pelo termo assinado com o MPRJ, a Liesa se compromete a: inserir nos contratos que vier a celebrar com os compradores de camarotes no Sambódromo, cláusula obrigando-os a reduzir o som interno durante o desfile das escolas de samba; inserir nos contratos cláusula penal para o caso do inadimplemento da obrigação; e promover as adequações contratuais referidas a partir do carnaval de 2022.

O descumprimento do compromisso implicará na aplicação de multa no valor de R$ 1.000 por ocorrência ou infração comprovada.

Milton Cunha e os destaques de luxo: Robson Garrido

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Por Milton Cunha, Victor Raposo, Thiago Acácio, Reinaldo Alves, Tiago Freitas e João Gustavo Melo

ROBSON GARRIDO“TRAVA NA BELEZA: Imaginários sobre o destaque de luxo de escola de samba”, que será publicado no Dossiê da Revista Policromias do LABEDIS, Museu Nacional da UFRJ, com Editoria de Tania Clemente.

Para chegar aos núcleos temáticos, fizemos uma série de entrevistas que passamos a publicar no site CARNAVALESCO, duas vezes por semana. Este material acabou não entrando no corpo do texto, por limitação de espaço, e não queríamos deixar de mostrar. É uma homenagem aos esforços destes luxuosos personagens que habitam nossos sonhos de folia! Viva os Destaques de Luxo, mensageiros do glamour.

Robson Garrido – Vila Isabel

O que você imagina que a plateia imagina quando te vê passando na avenida durante o desfile?

Robson Garrido: No primeiro momento, a beleza da fantasia que impacta o olhar da plateia, somada a representatividade do personagem ao enredo.

Gostaria de saber como surgiu o seu interesse em ser destaque de luxo? Quando e como foi o seu primeiro desfile nesse posto? Como e quando foi a sua chegada na Vila Isabel? Já desfilou em outras agremiações nesse posto? Se sim, quais?

Robson Garrido: Me considero um destaque luxo performático. Retornei aos desfiles após alguns anos fora do desfile mais sempre na folia. Cheguei na Vila Isabel em 2019. Quando a escola vinha falando da minha cidade Petrópolis e recebi o convite para vir representando D. Pedro. Desfilo no meu império da tijuca como primeiro destaque e já desfilei na Estação Primeira de Mangueira e Unidos da Tijuca.

Como é o seu planejamento para desfilar? Qual o seu papel na concepção e elaboração da fantasia? E como é a relação do carnavalesco nesse processo?

Robson Garrido: Meu planejamento não é muito complicado, pois tenho apoios, bons profissionais que me cercam e local dentro da Sapucaí para me arrumar. Meu papel na concepção é apenas acompanhar a execução para que fique como eu gosto. Já que eu mando confeccionar em um ateliê em Macaé.

ROBSON GARRIDO02E em relação ao personagem/papel que você vai interpretar no desfile. Você faz alguma preparação corporal, nos aspectos de gestual e de semblante? Como que você “encarna” aquilo que está vestindo? Como interioriza a personagem que está representando?

Robson Garrido: Preparação de uma boa maquiagem com um dos melhores profissionais em maquiagem artística. E, na hora do desfile, sai o Garrido entra o personagem. O grande respeito ao que me foi confiado.

Você tem apego com as fantasias? Como lida com a ideia de que ela será vista em pouco tempo pelo público?

Robson Garrido: Apego nenhum. Faço para aquele momento. Entra o meu prazer com o melhor a apresentar ao público, principalmente ao que fica na arquibancada e que chega cedo sem conforto aguardando a sua agremiação de coração.

Pra você, o que faz uma fantasia de destaque se eternizar na mente de quem assiste os desfiles? E o que faz um destaque se distinguir dos demais destaques de luxo do carnaval?

Robson Garrido: A proposta do personagem, a execução da roupa, faz que marque quem está assistindo. Acho que cada destaque tem a sua representatividade e sua importância sua luz própria.

ROBSON GARRIDO03Tem alguma fantasia ou fantasias por qual você sempre é lembrado (a) ou que tenha se tornado inesquecível para as pessoas? Se sim, por qual motivo isso aconteceu?

Robson Garrido: Sim. Foi no ano de 2017. Mangueira abre alas. São Lázaro, todo caracterizado. Foi um impacto.

Você considera o luxo essencial para a festa? Se sim, por qual motivo?

Robson Garrido: Considero o luxo sempre essencial não só no carnaval. Mais também faço uso de materiais alternativos.

Antigamente, cada destaque vinha em uma alegoria. Hoje, com a diminuição do número de carros, isso tem sido menos frequente. Como você enxerga essa mudança? É um problema pra você dividir a atenção do público?

Robson Garrido: Problema algum. É uma festa democrática, o brilho será para todos sempre.

ROBSON GARRIDO04Pra você o que a figura do destaque simboliza para os demais componentes da escola? E como é a relação deles com você?

Robson Garrido: Simboliza o luxo, o complemento de uma alegoria. Ótimo relacionamento com o pavilhão.

O carnaval vem passando por uma crise financeira e muito se fala que as escolas precisam voltar às suas raízes. Você acha que a comunidade se sente representada quando vê vocês nos dias de hoje? Sentiu alguma mudança na relação entre você e a comunidade nos últimos anos?

Robson Garrido: Nunca senti mudança alguma. Pelo contrário, sempre todos muito solícitos.

Você falou, na resposta ao Milton, sobre os olhares de impacto com a beleza da fantasia pelo público. Conte mais um pouco sobre esse momento de troca entre você e quem está te contemplando?

Robson Garrido: Quando toca a sirene e nos preparamos para entrar ali, eu deixo incorporar o personagem e levo a quem está assistindo todo respeito que tenho ao pavilhão que estou representando, agregado a beleza pois bom gosto é fundamental.

Com quanto tempo de antecedência você chega no sambódromo? Em qual tipo de carro você chega? Quantas bolsas você carrega? Como são feitas essas bolsas? Tem pessoas para dar apoio? Na hora que chega e vê as alegorias desmontadas, de tarde, muito antes de qualquer pessoa, o que você sente? O que você pode contar desse processo de montagem e depois de desmontagem da alegoria? Sente tristeza de jogar lá de cima os plumeiros? Como é essa sensação?

Robson Garrido: A minha chegada geralmente é quando está começando a primeira Agremiação a desfilar. Lógico dependendo da colocação de desfile que a Escola que eu vou sair. Tenho local na Sapucaí para deixar todo meu material e fazer a produção. Vou para a Sapucaí de metrô, já que fico na Tijuca. Tenho 02 apoios. A tarde vou fazer a vistoria do carro do queijo do santo Antônio. Estando tudo ok volto para casa. Caso tenha algo diferente procuro algum diretor responsável no local. O processo de montagem a sensação do nascimento de um filho, a desmontagem a sensação do dever cumprido. A desmontagem da arte plumaria quando tem deixo os apoios responsáveis e já me retiro de toda correria na dispersão.

Martha Rocha: ‘Vamos implementar um novo modelo de gestão e ordenamento do carnaval de rua’

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Martha01O site CARNAVALESCO encerra nesta terça-feira a série de reportagens que fez com os candidatos à Prefeitura do Rio. Durantes as últimas semanas nossa reportagem buscou os candidatos para que eles expusessem suas propostas relacionadas ao carnaval. A última a ser entrevistada é a candidata do PDT, a delegada Martha Rocha.

Martha Rocha está na vida pública há 18 anos. Iniciou sua trajetória no PSB, tentando se eleger deputada estadual em 2002, não obtendo a votação necessária. Nas eleições de 2004 foi vice-prefeita na chapa de Jorge Bittar (PT), terminando em 5º lugar. Dois anos mais tarde tentou uma vaga na ALERJ e também não se elegeu. No segundo governo de Sérgio Cabral se tornou a primeira mulher a assumir a chefia da Polícia Civil, em 2011. Em 2014, se elegeu deputada estadual pelo PSD, se reelegendo em 2018, pelo PDT, seu atual partido.

Martha02Confira a entrevista com Martha Rocha:

– A atual gestão comandou uma cruzada contra o carnaval e as escolas de samba? A sua gestão vai dar apoio institucional e financeiro à festa?

Martha Rocha: “O discurso que tenta criar uma contradição entre o investimento no carnaval e a prioridade a serviços públicos como saúde e educação não é verdadeiro. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas, em 2018, mostrou que o carnaval foi responsável pela criação de mais de 70 mil postos de trabalho, gerou uma arrecadação de aproximadamente R$ 179 milhões em impostos e injetou mais de R$ 3 bilhões na economia do estado. Para cada um real investido, foram movimentados R$ 17,61 na economia. Portanto, vamos apoiar o carnaval, mas este apoio será condicionado ao desenvolvimento de atividades culturais nos bairros e comunidades ao longo do ano, visando o fortalecimento dos laços comunitários das agremiações e a participação em projetos sociais e educacionais da rede municipal”.

– As escolas da Série A tem cada vez mais dificuldades em construir o seu desfile sem barracões. Qual a sua opinião sobre a Cidade do Samba 2?

Martha Rocha: “É uma das propostas de nosso plano de ação. Construir, por meio de parceria com o setor privado e mediante estudo de viabilidade econômica, uma nova Cidade do Samba para abrigar as Escolas do Grupo de Acesso. A gestão da nova e da atual Cidade do Samba devem ser profissionais, assegurando a abertura de novos negócios relacionados ao carnaval, funcionamento regularmente ao longo do ano, com atividades culturais de modo a garantir sua sustentabilidade”.

Martha03– Como a prefeitura pode fomentar o carnaval de rua e os blocos, que trazem milhares de turistas para a cidade no período de carnaval?

Martha Rocha: “Os blocos de rua fazem parte da festa e da cultura da cidade, mas precisam ser melhor organizados e não devem ficar concentrados nos mesmos pontos e horários. Vamos apoiar e facilitar a organização dos Blocos de Rua. Com muito diálogo com os representantes dos blocos e dos moradores dos bairros, a Prefeitura vai ter um novo modelo de gestão e ordenamento do carnaval de rua. Para conciliar segurança, mobilidade e preservação do patrimônio público”.

Martha04– O que você considera que deva ser feito com o Sambódromo? Passar ao governo estadual ou manter com a prefeitura?

Martha Rocha: “Com a Prefeitura, com certeza. Vamos revisar o atual modelo de gestão do Sambódromo de modo que se torne um equipamento cultural disponível ao longo do ano, compondo o Circuito do Carnaval e se tornando uma grande área de lazer aberta às comunidades do entorno do Sambódromo. Quando Brizola inaugurou o sambódromo havia até escola. Vamos voltar a ter uma destinação também educacional e cultural no período fora do Carnaval”.

– Como a sua candidatura enxerga a importância do carnaval para a arrecadação da cidade do Rio de Janeiro?

Martha Rocha: “A atenção ao carnaval não pode estar sujeita aos caprichos e orientações ideológicas ou religiosas deste ou daquele prefeito. A cidade precisa de estratégias sólidas, permanentes, que sejam avaliadas periodicamente e submetidas ao controle público. Somente assim o Rio poderá explorar todo o potencial do carnaval carioca, e não só em fevereiro ou março. Mas durante o ano inteiro”.

Morre Djalma Sabiá, presidente de honra e um dos fundadores do Salgueiro

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Faleceu na noite desta segunda-feira Djalma de Oliveira, o Djalma Sabiá, presidente de honra e um dos fundadores do Salgueiro. Ainda não foi divulgada a causa da morte.

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Filho da porta-bandeira, Alzira de Oliveira, ele estava lá quando foi oficializada em 3 de março de 1953, o Acadêmicos do Salgueiro. Aos 12 anos desfilou pela primeira vez na Escola Azul e Branco, uma das três que mais tarde, em 1953, viria a formar o Acadêmicos do Salgueiro.

Meu torrão amado, onde nasci e fui criado…
Quando eu morrer, levarei comigo dentro do meu coração, Salgueiro querido….

Publicado por G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro – Original em Segunda-feira, 9 de novembro de 2020

O apelido “Sabiá” surgiu nos tempos em que jogava futebol nas peladas do morro do Salgueiro. Foi casado com a passista Estandília, porta-bandeira do Salgueiro nas décadas de 1960 e 70.

No ano de 1957 ganhou com o samba-enredo “Navio Negreiro” o 4º lugar do Grupo I no desfile de carnaval daquele ano para a Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro. Dois anos depois, em 1959, o Salgueiro classificou-se em segundo lugar do Grupo 1 com o samba-enredo “Viagens pitorescas ao Brasil ou Exaltação a Debret”, em parceria com Duduca do Salgueiro. No ano de 1964 a escola Acadêmicos do Salgueiro obteve o 2º lugar no Grupo I com o samba-enredo “Chico Rei”, de sua autoria em parceria com Geraldo Babão e Jarbas Soares de Carvalho, mas conhecido como Binha, irmão de Geraldo Babão.

No ano de 1976 voltou a ganhar a disputa de samba-enredo no Salgueiro, desta vez com a composição “Valongo”, com a qual a escola classificou-se em 5º lugar do Grupo I no desfile daquele ano. Em 2002 Martinho da Vila incluiu “Chico Rei” no disco “Voz e coração”, com a participação especial do percussionista Naná Vasconcelos.

No ano de 2013 foi lançado, pela Verso Brasil Editora, o livro “Explode, coração”, do jornalista Leonardo Bruno, sobre a trajetória do Acadêmicos do Salgueiro, no qual o compositor colaborou retirando dúvidas e cedendo seu material de pesquisa acumulado a partir do início da década de 1950. Neste mesmo ano de 2013 a escola anunciou a construção de um centro cultural com o nome do compositor.

Confira a sinopse do enredo da Grande Rio

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Enredo: Fala, Majeté: Sete Chaves de Exu

Quem sou eu… Quem sou eu?

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-Câmbio, Exu! Fala, Majeté!

Exu, princípio de tudo: gira, faísca, espiral, movimento, corpo-redemoinho, Okotô!, desterro, fervura, espanto, espuma, axé da Terceira Cabaça, Igbá Ketá. Que abre, então, os caminhos: L’Onan, Legba, Eleguá, Bará, Elegbara, Mavambo – pé na porta, pedrada, com sete chaves nas mãos, o nó das encruzilhadas, tranca, carranca, Calunga Grande, porteiras, ponteiras, diásporas, às travessias na barca, correntes os olhos e as águas. Salve Aluvaiá, Salve Bombogira! “O que se há de?”– mar de dendê! O que será?

logo grio2021

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Exu que se fez caboclo, poeira, na cruza, em brasa, chão de terreiro, fora da casa – o mundo inteiro nos pés de andarilhos peregrinantes. Os chifres, os dentes, os búzios, as garras: batalhas! Ali, tanto sacrifício: argila vermelha na praia. Rasgos, penhascos, altares, o orí, a voz de Palmares: os gritos, os mitos, os guizos, a cabeça de Zumbi, “mortal eterno”, “ente coletivo” ao soldo mais verde encanto (porque Zumbi-Exu está em tudo quanto é canto). Agbá! – espraiou-se o culto, firmeza e toque. Sigamos!

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Exu de proezas tantas, pelejas, orikis, Ifá, adivinhação, histórias fragmentadas nas entrelinhas de odús – o destino do rei de Oió e o trono do Engenho Velho. Odusô, o guardião. Erro que vira acerto, certo que brota errado, do outro lado, enigma, tempero, vuco-vuco, o remédio e o veneno. Tendas, feiras, farofas, recados, as lendas da criação debulhadas nos mercados, o corpo que voa fechado e a visão de cada um: ninguém pode viver sem mim. Preceitos, pressentimentos, trotes, fabulações. Trocas, trocadilhos, línguas desgovernadas. Ciscos, lâminas, lágrimas – Olobé, Elebó, cachimbos, caixotes, cachaça. Truques de linguagem: traquinagens. Osijê, Obá Babá! Oferendas d’Eleru. Pimentas!

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“Salve o Sol, salve a estrela, salve a Lua!” Saravá, Seu Tranca Rua! Exu que são muitos em um: corpo em si desdobrável. Fala, falo e falácia: falanges. Alafia! Centenas de sobrenomes que vem de muitos lugares – Rio que leva as gentes, ruas que tudo dragam. Exu, malandro Pelintra, Padilha, fio de Navalha, ponta de agulha, os cacos da noite, as sombras da Lapa, Marias, ciganos, cigarras, jogo e cartas na mesa, rendas, vidrilhos, rasteiras, meio-fio das quebradas, rabos de galo e de saia, também os rabos de arraia, o cheiro bom da cerveja, destreza, sem falar nas gargalhadas. O primeiro gole é dele! Exu, Veludo encarnado, luz de abajur, sonhos bordados – sentimentalmente, visivelmente.

“Exu Caveira, Capa Preta, Sete Catacumbas estavam por ali; Fui convidado pra uma festa nobre; na casa de Exu Tiriri…”

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Exu, potência e gingado, ponto riscado na carne, palco das festas da gente. Brinca o Carnaval em transe, desafia, des(con)fia, desconcerta, bate a bola no asfalto, pisa no sapatinho, samba despudorado, dança inflado de vida, palhaço, e trança a crina do cavalo. Deus de chinelo rasgado, boca beijada, copo na mão, Seu Sete da Lira, bloco lotado, a máscara, Odara!, o baque, o buraco, o cru, o afoxé, o maracatu, o surdo de terceira, a fuzarca dos velhos cordões, o som que vem das favelas, capaz de transver o mundo. Exu, pedra que pulsa, valsa convulsa, mangue que benze, curva, couro, esquina, jorro, ouro e lata no Bal Masqué: não é um robô sanguíneo, não! É santo – mas nem tanto.

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Exu de tinta e de sangue: é dose, tudo come, tudo sabe, tudo viu. De curto pavio! Lamento de poetinhas – porque tudo é perigoso, divino-maravilhoso. Desnuda as frases no muro, sagrado e profano, mundano, pós-contemporâneo, língua ferina, flauta e cajado, casa de bamba, Basquiat no batuque, as letras amadas, a macumba dos modernistas, o piá-Macunaíma, os perfumes rosianos, na saga do Ser-Tão, “Exu nas escolas”, voz estelar, quebrando tabus e “costumes frágeis” – vocês não aprendem na escola. Vocês copiam! Criemos! Novas pedagogias, para os tempos que virão. Verão! Antropofagias, Enugbarijó. “Através das travessuras de Exu / Apesar da travessia ruim…”

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Exu que não é o diabo do teatro colonial, projeto de corpos mortos (culpas, medos, grilhões, carcaças, escravos disfarçados de libertos) – mas força que une os opostos, jongo de ser e não ser. Exu, to be e Tupi! Fome, cada vez mais fome! Insone. Os nervos são fios elétricos. Evoca os profetas do caos, as vozes do lixo, a desconstrução, o avesso do manto, um sem quanto, a costura dos trapos, as aparições, remendos-retalhos, o eterno retorno, a fortuna, os farrapos, o espanto e a possível, por que não?, recriação: Olímpia, Stela, Jardelina, Arthur Bispo do Rosário, Estamira no lixão de Gramacho, às margens da alegria, cantarolando aos vapores, saudando os cometas e o fogo, ao som milenar das estrelas, Yangi, pedras de laterita, bailando, da pá virada, Molambo, Mulamba, ruínas:

“Todo lugar tem uma rainha, lá no lixo também tem…”

Exu, a sacerdotisa:

-Câmbio, Exu! Fala, Majeté, fala! Os além dos além é um transbordo. Tem o eterno, tem o infinito, tem o além dos além. O além dos além vocês ainda não viram. Se eu sou à beira do mundo! Entendeu agora? Quer me desafiar? Você quer saber? Cada pessoa é um astro! Câmbio, Exu! Fala, Majeté, fala!

Falemos! Dancemos! Bebamos! Vivamos! Destranquemos os olhos! Sigamos por outros caminhos! Cantemos até o fim – que não deixa de ser um começo. Ouçamos os atabaques – atentos, plenos, fortes!

Exu, a ancestralidade. Exu, desenredo proposto. Exu, a aposta mais alta. Exu, o padê arriado. Exu, passada ligeira: Exu, Laroiê, Mojubá!

– Câmbio, Exu!

Fala, Grande Rio!

Transbordado com expressões e falas retiradas do documentário “Estamira”, de Marcos Prado, além de fragmentos de poemas, canções e pontos de macumba. Inspirado nas provocações de Conceição Evaristo, Helena Theodoro, Alberto Mussa, Luiz Antonio Simas (“Exu é uma escola de samba!”) e Luiz Rufino; e nas narrativas orais de Luiza Maria e Dib Haddad. Dedicado aos inúmeros torcedores apaixonados que nos ajudaram a tecer este manifesto, fonte de afeto, convite para o diálogo. Axé! Carnavalescos – Gabriel Haddad e Leonardo Bora Pesquisa, costura e texto – Gabriel Haddad, Leonardo Bora e Vinícius Natal. Colaboração de Thiago Hoshino e Luise Campos.

GLOSSÁRIO

Igbá Ketá, L’Onan, Bará, Elegbara, Okotô, Agbá, Odusô, Olobé, Elebó, Osijê, Obá Babá, Eleru, Alafia, Odara, Enugbarijó, Yangi: segundo Luiz Antonio Simas, são os títulos que representam os maiores atributos de Exu, diluídos no sumo do enredo, guardados a sete chaves.

REFERÊNCIAS

Livros, artigos e sítios da Internet:

AMADO, Jorge. Dona Flor e seus dois maridos. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

ANDERSON, Robert. O Mito de Zumbi. Implicações culturais para o Brasil e para a diáspora africana. Revista Afro-Ásia, n. 17, 1996 – Salvador. Disponível em: https://portalseer.ufba.br/index.php/afroasia/article/view/20859

ANDRADE, Mário de. Macunaíma.O herói sem nenhum caráter. Rio de Janeiro: Garnier, 2004. CARYBÉ, Hector; VERGER, Pierre Fatumbi. Lendas africanas dos Orixás. Salvador: Fundação Pierre Verger, 2019.

CUNHA, Maria Clementina Pereira (org.). Carnavais e outras f(r)estas. Campinas: Editora Unicamp, 2005.

FERNANDES, Alexandre de Oliveira. Exu: sagrado e profano. ODEERE, v. 2, n. 3, jul. 2017. Disponível em: http://periodicos2.uesb.br/index.php/odeere/article/view/1573

FUX, Jacques; SANTOS, Darlan. Estamira e Lixo Extraordinário. A arte na terra desolada. Revista Ipotesi – Universidade Federal de Juiz de Fora, 2011. Disponível em: http://www.ufjf.br/revistaipotesi/files/2011/05/14-Estamira-e-Lixo-Extraordin%C3%A1rioIpotesi-1521.pdf

LOPES, Nei. Mandingas da Mulata Velha na Cidade Nova. Rio de Janeiro: Língua Geral, 2009. MENDONÇA, Luciara Leite de; RAMALHO, Christina Bielinski. “Zumbi-Exu”e outras questões identitárias em “A Cabeça de Zumbi”. ODEERE, v. 2, n. 3, jul. 2017. Disponível em:

RIO, João do. As Religiões do Rio. Rio de Janeiro: José Olympio, 2015.

ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

RUFINO, Luiz. Pedagogia das Encruzilhadas. Rio de Janeiro: Mórula, 2019.

RUFINO, Luiz; SIMAS, Luiz Antonio. Flecha no Tempo. Rio de Janeiro: Mórula, 2019.

RUFINO, Luiz; SIMAS, Luiz Antonio. Fogo no Mato. A ciência encantada das macumbas. Rio de Janeiro: Mórula, 2018.

SANTOS, Deoscóredes Maximiliano dos (Mestre Didi). Contos negros da Bahia. Rio de Janeiro: GRD, 1961.

SANTOS, Deoscóredes Maximiliano dos (Mestre Didi); SANTOS, Juana Elbein dos. ÈSÙ. Salvador: Corrupio, 2014.

SILVA, Cidinha da. Um Exu em Nova York. Rio de Janeiro: Pallas, 2018.

SILVA, Vagner Gonçalves da. Exu. O Guardião da Casa do Futuro. Rio de Janeiro: Pallas, 2015.

SIMAS, Luiz Antonio. O Corpo Encantado das Ruas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2020.

SIMAS, Luiz Antonio. Pedrinhas Miudinhas. Ensaios sobre ruas, aldeias e terreiros. Rio de Janeiro: Mórula, 2019.

SODRÉ, Muniz. Samba, o dono do corpo. Rio de Janeiro: Mauad, 1998.

SODRÉ, Muniz. Santugri. Histórias de mandinga e capoeiragem. Rio de Janeiro: José Olympio, 2011.

VENTURA, Leonardo de Souza Lima. Estamira em três miradas. Dissertação de Mestrado em Psicologia – Universidade de Brasília (UNB). Disponível em: https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/3955/1/2008_LeonardoSouzaLimaVentura.pdf

VERGER, Pierre Fatumbi. Orixás. Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo. Salvador: Corrupio, 2013.

YEMONJÁ, Mãe Beata de. Caroço de dendê. A sabedoria dos terreiros. Rio de Janeiro: Pallas, 2002.

YEMONJÁ, Mãe Beata de. Histórias que minha avó contava. São Paulo: Terceira Margem, 2004. https://jornalggn.com.br/musica/seu-sete-no-bloco-de-carnaval/ http://reconstruindoexu.blogspot.com/

REGULAMENTO PARA A DISPUTA DE SAMBA

Considerando o momento singular que passa a sociedade, agregado à possibilidade da realização, sob orientação da LIESA, de evento específico objetivando as escolhas dos sambas das escolas do Grupo Especial através de “Lives” o concurso de samba enredo do G.R.E.S Acadêmicos do Grande Rio para o próximo Carnaval será realizado em duas etapas.

A 1º etapa compreenderá o período de lançamento da sinopse, dia 09 de novembro de 2020, até a divulgação de 10 (dez) sambas classificados à segunda etapa, dia 07 de janeiro de 2021.

A 2º etapa está relacionada ao modelo de concurso a ser definido através de deliberação das escolas em plenária da LIESA.

Portanto, como o formato de disputa referente à 2º etapa está condicionado a evento pendente de regulamentação, os itens relacionados à mesma são considerados normas gerais. Tão logo o modelo seja definido, a direção do G.R.E.S. Acadêmicos do Grande Rio divulgará a complementação do presente Regulamento.

1º ETAPA

1 – Poderão se inscrever na disputa de samba enredo qualquer compositor. Ainda que esteja inscrito em competição de igual natureza em outra agremiação do Grupo Especial do Rio de Janeiro para o próximo Carnaval;

2 – O processo de “tira dúvidas” das parcerias com os carnavalescos ocorrerão nos seguintes dias:

· 12, 19 e 26 de novembro no BARRACÃO, das 15:00 às 18:00 horas

· 16, 23 e 30 de novembro na QUADRA, das 19:00 às 21:00 horas

2.1 – Pedidos fora desses dias apenas serão deferidos mediante disponibilidade e com agendamento prévio;

3 – Para efetivação da inscrição será necessário pagar, quando da entrega da obra, em 22 de dezembro de 2020, a taxa de inscrição no valor de R$100,00 (cem reais) por parceria, independentemente do número de compositores existente na mesma. Este não outorga ao compositor o direito de desfilar no próximo Carnaval na Ala dos Compositores. Pra tanto, o mesmo deverá cumprir os requisitos fixados pela presidência da Ala em consonância com a direção da escola;

4 – Cada obra deverá conter no máximo 05 (cinco) compositores, sendo vedada a “Participação Especial”;

5 – O samba deverá ser de composição inédita;

6 – O samba deverá ser inscrito no dia 22 de dezembro de 2020, das 20:00 às 23:00 horas, na quadra do G.R.E.S. Acadêmicos do Grande Rio;

7 – O número de cada parceria no concurso corresponderá à respectiva ordem de inscrição;

8 – No ato da inscrição cada parceria deverá fornecer: 50 (cinquenta) cópias da letra do samba no formato A4, 04 (quatro) pen drives com o áudio do samba no formato mp3, todos identificados com o nome dos compositores;

8.1 – A gravação referida no item anterior deverá ser realizada pelo Intérprete Oficial do G.R.E.S. Acadêmicos do Grande Rio – Evandro Malandro;

8.2 – Na gravação apenas será permita a participação de demais cantores exercendo a função de coro. Sendo vedada, mesmo nesta qualidade, a utilização de intérprete oficial de escola do Grupo Especial do Rio de Janeiro;

8.3 – A produção e direção da gravação será de responsabilidade da parceria;

8.4 – Caso a parceria realize gravação de clipe, o samba também deverá ser interpretado pelo Evandro Malandro. Ficando mantidas as mesmas exigências do item 8.2 quanto à participação de demais cantores;

8.5 – A marcação das datas de gravação ficará a cargo da parceria e do intérprete Evandro Malandro, sendo respeitada a ordem cronológica de demanda;

9 – As parcerias estão autorizadas a divulgar suas gravações livremente em suas redes sociais;

10 – Não haverá apresentação dos sambas na quadra na 1º etapa;

11 – A divulgação da relação dos 10 (dez) sambas classificados para a 2º etapa será no dia 07 de janeiro de 2021, através das redes sociais da escola;

12 – Fica reservado à direção estabelecer normas e critérios complementares à organização da 1º Etapa.

 

2º ETAPA

13 – Os sambas continuarão com seus números originais de inscrição conferidos na 1º etapa;

14 – A ordem de apresentação dos sambas será definida por sorteio a ser realizado pela Direção e divulgada nas redes sociais oficiais da escola;

15 – Nas apresentações, as parcerias terão a sua disposição até 04 (quatro) microfones e 04 (quatro) canais para cordas ou demais tipos de instrumentos;

16 – Não será permitida a apresentação no palco de pessoas trajando qualquer peça de roupa que caracterize outra agremiação, clubes esportivos, propaganda política ou partidária e marcas comerciais;

17 – As apresentações de palco dos sambas serão de responsabilidade de cada parceria. Competindo às mesmas a disponibilização de cantores e harmonia de cordas. Excetuando o “pedal” no palco que será de responsabilidade da direção;

18 – Não será permitida a apresentação de cantor que seja intérprete oficial de escola do Grupo Especial do Rio de Janeiro;

19 – É vedada a execução de alusivos;

20 – Cada parceria é responsável pelos atos praticados pelos membros de suas torcidas, ainda que em ambiente virtual. Ato impróprio, ofensivo ou desrespeitoso praticado por membro de torcida será a parceria passível de punição imposta pela direção;

21 – Em momento oportuno será detalhado em regulamento complementar a forma de disputa concernente à 2º etapa.

Após reunião plenária na Liesa, escolas avançam na realização dos desfiles do Carnaval 2021 entre maio e julho

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Os presidentes das escolas de samba do Grupo Especial estiveram reunidos na sede da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), na noite desta segunda-feira, e avançaram na realização dos desfiles do Carnaval 2021 entre os meses de maio e julho. Haverá reuniões em outras datas, ainda em 2020, entre os dirigentes para que o martelo seja batido. Enquanto isso é aguardada uma posição das autoridades sanitárias e do resultado da eficácia da vacina contra Covid-19, que pode ser iniciada em janeiro ou fevereiro.

jorge castanheira

Ao fim da plenária na Liesa, o presidente Jorge Castanheira revelou como foi o papo entre os dirigentes das escolas de samba do Grupo Especial.

“Estamos em reuniões constantes. Ainda não definimos data para os desfiles. Se for possível acontecer temos uma previsão que seja entre os meses de maio e julho de 2021. Um prazo máximo será 10 de julho. Queremos que tenha uma alternativa para os desfiles em 2021. É possível que seja em um período casado com São Paulo, caso a TV Globo tenha interesse em transmitir”, afirmou.

Sobre a realização das lives para escolhas dos sambas-enredo, Jorge Castanheira também revelou detalhes.

“As lives estão dependendo do projeto da Lei Aldir Blanc. A base de tudo é ter essa verba. Será R$ 120 mil para cada escola. Todas apresentaram seus projetos e terei uma reunião na secretaria de Cultura”.

Para que aconteçam os desfiles em julho de 2021 estão sendo costuradas parceiras com o governo estadual, que pode entrar com R$ 1,5 milhão para cada agremiação, via Lei do ICMS, um apoio financeiro que virá da Prefeitura do Rio, além do aporte da TV Globo, que deve transmitir o espetáculo, e, claro, da venda de ingressos para arquibancadas, frisas e camarotes do Sambódromo da Marquês de Sapucaí, tendo a viabilidade da vacina.

Sossego comemora 51 anos com missa no Largo da Batalha

Missa SossegoO aniversário de 51 anos da Azul e Branco de Niterói não passará em branco. A agremiação, que comemora seu ano de fundação nesta terça-feira, celebrará uma missa na quarta-feira, 11, às 19h30, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no Largo da Batalha.

“Celebrar o aniversário do Sossego com uma missa será uma forma de homenagear à toda nossa comunidade no momento atual que estamos vivendo. Não podemos fazer uma grande festa, mas desta forma será também com maior carinho”, revelou o Diretor de Carnaval Marcelo Chaves.

No próximo carnaval, a agremiação levará para a Sapucaí o enredo “Visões Xamânicas”, desenvolvido pelo carnavalesco André Rodrigues.

Missa de 51 anos do Acadêmicos do Sossego
Dia: 11 de novembro
Horário: 19h30
Local: Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no Largo da Batalha, – Niterói

Império Serrano 2021: samba da parceria de Lúcio Moraes

Compositores: Lúcio Moraes, Luizinho Mendes, Solano Santos, Paulo Ribeiro, Rafael Gonçalves e Mano Gaspar

NO FOGO, NO FERRO, NAS ERVAS DE AXÉ!
UM CORPO FECHADO PELOS ORIXÁS
EXU HÁ DE GUIAR
O CAPOEIRA MAIS TEMIDO DO LUGAR
MIRONGUEIRO DO RECÔNCAVO BAIANO
COMBATENDO OS TIRANOS,
LUTA CONTRA A OPRESSÃO
RABO DE ARRAIA, PRETO CHORA A LIBERDADE
O ENGENHO AINDA MOE A DOR DO IRMÃO

É BESOURO, CORDÃO DE OURO,
NO PESCOÇO PATUÁ,
RESISTÊNCIA DE HERÓI A GUERREAR
Ê MANGANGÁ, UM GOLPE DE MEIA LUA
NA FACE DA ABOLIÇÃO
QUE MAQUIA A ESCRAVATURA

É MAGIA QUE CEGA OS OLHOS
O VULTO DE HOMEM QUE VIRA POEIRA
É BALA QUE NÃO LHE MATA
MATA QUE VIRA TRINCHEIRA
MAS NÃO RESISTIU À FACA TRAIÇOEIRA,
CORTE DE TUCUM, SANGRA O CAPOEIRA
CHORA O BERIMBAU POR TRAIÇÃO
DO PRANTO, FEZ-SE ENCANTO, MEU ENREDO
UM SAMBA DE RODA, SERRANO, VALENTE, SEM MEDO

ABRE A RODA, CAMARÁ, JOGA DE ANGOLA
PANDEIRO E BERIMBAU VIOLA
BESOURO PRETO QUE NUNCA ACEITOU ARGOLA
O MEU IMPÉRIO É RETRATO DA SUA HISTÓRIA

‘Na nossa gestão o carnaval será da secretaria de cultura’, diz Renata Souza

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Renata01O site CARNAVALESCO conversou com a candidata do PSOL à Prefeitura do Rio, Renata Souza, na série de entrevistas com os prefeitáveis. Os cariocas vão às urnas neste domingo para a votação do primeiro turno. As entrevistas com os prefeitáveis têm obedecido ao mesmo critério de perguntas para todos.

Nascida e criada na favela da Maré, Renata Souza participa de movimentos sociais há 12 anos. Fez parte do mandato de Marcelo Freixo na ALERJ, integrando a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Com a eleição de Marielle Franco à Câmara Municipal do Rio de Janeiro em 2016, assumiu a chefia do gabinete do mandato. Em 2018, Renata Souza foi eleita deputada estadual pelo PSOL, se tornando a mais votada da esquerda em todo o estado, com 63 mil votos. Na ALERJ, foi eleita a primeira mulher negra a presidir a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia.

Confira a entrevista com Renata Souza:

Renata02A atual gestão comandou uma cruzada contra o carnaval e as escolas de samba? A sua gestão vai dar apoio institucional e financeiro à festa?

Renata Souza: “É absurda e preconceituosa a forma como a atual gestão trata o carnaval. Na nossa prefeitura, vamos subsidiar os dois grupos, escolas de acesso e grupo especial. Carnaval é direto do povo, é patrimônio cultural e também é investimento. A prefeitura lucra com o carnaval, com patrocínios e impostos que voltam para os cofres públicos. Carnaval não é problema, é solução”

– As escolas da Série A tem cada vez mais dificuldades em construir o seu desfile sem barracões. Qual a sua opinião sobre a Cidade do Samba 2?

Renata Souza: “Ela é necessária e será amplamente discutida com as escolas e representantes da sociedade civil. Não podemos deixar a Série A sem local adequado para trabalhar”

– Como a prefeitura pode fomentar o carnaval de rua e os blocos, que trazem milhares de turistas para a cidade no período de carnaval?

Renata Souza: “Vamos criar a Subsecretaria Municipal do Carnaval, integrando sua estrutura diretamente à Secretaria Municipal de Cultura, tendo como principais funções assumir a organização do desfile das escolas de samba e também do carnaval de rua. Nossa meta é elaborar uma política de incentivo para blocos e grupos carnavalescos tradicionais, com o objetivo de promover a memória e preservar a história do carnaval de rua do Rio de Janeiro. Além disso, definir critérios democráticos para a aplicação da verba de patrocínio destinada aos blocos que está prevista no caderno de encargos, garantindo equidade territorial entre os blocos que desfilam nas diferentes áreas de planejamento da cidade”

Renata03– O que você considera que deva ser feito com o Sambódromo? Passar ao governo estadual ou manter com a prefeitura?

Renata Souza: “Manter na prefeitura. Planejamos uma ampla reforma do Sambódromo, que precisa de melhorias e garantir a acessibilidade de pessoas com deficiência em todos os setores. Também queremos promover a mudança do local das cabines de rádio e televisão para o setor 6 do Sambódromo, de modo a possibilitar uma visão geral do desfile e maior condições de trabalho para os jornalistas”

– Como a sua candidatura enxerga a importância do carnaval para a arrecadação da cidade do Rio de Janeiro?

Renata Souza: “É um patrimônio cultural, é um direito e é emprego para o carioca. Crivella não entende que, para além da intolerância religiosa – que já é inaceitável, o carnaval traz dinheiro para cidade. A prefeitura gasta 32 milhões com carnaval, mas 77 milhões retornam diretamente para os cofres com ISS. E na economia da cidade entram 3 bilhões com turismo, vendas, serviços, e uma série de atividades. Carnaval não é problema, é solução”.

Casagrande e o balanço da reabertura da quadra da Tijuca: ‘Importante para saúde mental dos sambistas’

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A Unidos da Tijuca reabriu sua quadra, na tarde de domingo, para a volta da feijoada mensal, com mesas separadas, medição de temperatura na entrada, além de álcool em gel para o público e um trabalho forte da equipe da escola para limpeza e higienização constante. Anfitrião do evento, mestre Casagrande explicou como conseguiu passar pelo período sem pisar na quadra.

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“Foi um período muito difícil. É o nosso dia a dia sentir o calor do povo que nos acompanha. A pandemia trouxe uma situação difícil para quem vive do samba e eventos. Muita gente vivia disso. Não somos só o desfile. Fazemos um movimento muito grande no âmbito cultural e financeiro. Lá no início, a gente achava que passaria rápido essa doença, foi um negócio muito grave, ainda temos que nos cuidar, e não termos uma segunda onda”, afirmou Casagrande, que ainda completou falando da operação para fazer o evento deste domingo.

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“Pensei muito para reabrir. A ideia era essa de ter um público máximo de 400 pessoas, no local que cabem 4 mil. Fizemos o curso da Vigilância Sanitária. Nossa preocupação maior era atender o público com total segurança sanitária. Uma série de coisas tivemos que nos adaptar, como estar de máscara, protetor facial. É o novo normal, a cada dia uma novidade, a ciência vai avançar e teremos que seguir esse caminho. A escola está trabalhando, os sambas estão sendo confeccionados, vamos receber todas obras em dezembro e pensamos em fazer disputa presencial com um público menor, por exemplo, a bateria terá de 15 a 20 ritmistas. Estamos muito esperançosos que tenha carnaval em julho. O importante é se movimentar. Isso é fundamental também para saúde mental do sambista”, disse Casão.

 

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O intérprete Wantuir não escondeu a felicidade de voltar para quadra e ressaltou a importância do retorno das atividades do samba para pessoas que dependem do carnaval para terem o sustento da família.

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“Estou feliz demais de poder voltar para quadra. Foi um período muito difícil. O sambista é uma pessoa agitada e alegre. Dentro de casa, mesmo vendo live, não é a mesma coisa. Espero que venha logo a vacina para voltarmos para rotina normal. Quando o saiu o enredo já mexeu com a gente e estamos na luta para que seja confirmada logo a data dos desfiles com a vacina. São milhares de pessoas que vivem do carnaval e estavam em casa paradas, sem ajuda de ninguém do governo. Importante respeitar as determinações da área da saúde e voltarmos a viver”.

Lexa, rainha de bateria, esteve na quadra. Ela ficou um tempo no camarote e depois foi para o palco sambar com a bateria. Ao site CARNAVALESCO, a cantora elogiou os cuidados da Unidos da Tijuca na reabertura da quadra.

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“Vim com máscara, álcool em gel, me emocionei quando entrei. Quem ama o carnaval sabe a falta que está fazendo nas nossas vidas. Estou com pessoas que estão sempre comigo. Muita gente vive e respira o carnaval. Estou para apoiar. Não é furdunço. É a minha escola e com responsabilidade social”, comentou a rainha de bateria tijucana.

 

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Uma das atrações da feijoada foi o Arruda. Gustavo e Maria, integrantes do grupo, falaram sobre a volta das feijoadas nas escolas.

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“É uma alegria muito grande e responsabilidade enorme. Fazer uma roda de samba dentro das medidas sanitárias, que essencialmente é de aglomeração é um desafio. Não tem jeito. É o novo normal. Temos que fazer assim até a chegada da vacina”, citou Gustavo. “Foi muito difícil ficarmos sem nossa energia coletiva. O samba é sagrado. Estamos muito felizes porque retomamos o samba”, completou Maria.