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Porto da Pedra promove ciclo de bate papo sobre os bastidores do carnaval

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porto da pedra desfile 2020 124A Unidos do Porto da Pedra, juntamente com sua direção de harmonia, realizam nesta terça-feira, 27 de outubro, as 20 horas, na quadra da Porto da Pedra, um ciclo de bate papo com os segmentos da agremiação, e terá como palestrante o coreógrafo Paulo Pinna.

“Estamos fazendo um ciclo de bate papo com nossos harmonias para desenvolver melhor nosso grupo. Na última edição, tivemos uma palestra sobre final de samba e sobre harmonia em geral. E amanhã teremos a presença ilustre do nosso coreógrafo, Paulo Pinna, falando sobre todo o trabalho de uma comissão de frente pro desfile”, contou o diretor de harmonia da Porto da Pedra, Miguel Jr.

O evento é gratuito e aberto ao público interessado em carnaval.

“Estão todos convidados a participar. E inclusive gostaríamos de contar com a experiência de vocês nesse bate papo. É importante pra nossa harmonia conhecer a preparação do nosso casal, da nossa bateria, a parte musical e também sobre o trabalho da nossa carnavalesca na hora de construir um desfile”, concluiu o diretor.

A quadra da Unidos do Porto da Pedra está localizada na Travessa João Silva, 84, Porto da Pedra.

Primeiro casal da Grande Rio relata desafios e adaptações na volta aos ensaios presenciais

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granderio live1607 3Apesar da pandemia da Covid-19 não cessar no Rio e nem no Brasil como um todo, a vida começa a ganhar ares de normalidade, com a retomada das atividades e o retorno de muitos trabalhos ao modelo presencial. E no universo do carnaval não é diferente. Mesmo sem a previsão de quando irá acontecer o próximo desfile, casais de mestre-sala e porta-bandeira já voltaram aos ensaios e aos preparativos para uma folia que ainda se faz distante.

Anteriormente, o site CARNAVALESCO conversou com Diogo Jesus e Bruna Santos, primeiro casal da Mocidade Independente, sobre o retorno aos treinos. Hoje, o bate-papo é com outra dupla que também já voltou aos ensaios presenciais: Daniel Werneck e Taciana Couto, responsáveis por defender o pavilhão principal da Acadêmicos do Grande Rio.

“A retomada dos ensaios é importante para manter o ritmo, pois quando houver data para retorno das atividades ou definição de quando haverá o próximo desfile, nós estarmos preparados. Continuar na caminhada em busca de aperfeiçoamento é fundamental para mantermos o resultado do último carnaval”, afirmou Taciana.

“Quando acaba o carnaval, a gente fica um bom período parado e até o corpo se adaptar novamente aquela rotina de ensaio é preciso tempo. E mesmo a gente tendo essa indefinição de datas referente ao desfile, procuramos de alguma forma também matar um pouco dessa saudade. Esta seria a época das disputas de samba, que é quando começamos a se aproximar mais um do outro e a se dedicar aos ensaios. Então, um dos motivos primordiais foi justamente isso, para não perder o ritmo que a gente veio trabalhando ano passado, desde cedo até o carnaval. Por isso resolvemos se preparar desde agora, mesmo que seja só para o carnaval de 2022. A gente quer é estar sempre seguro, então é muito importante isso”, complementou Daniel.

grande rio desfile 2020 044 CopyTodavia, a volta às atividades em conjunto, durante a pandemia, exige cuidados por parte da dupla, para evitar riscos de contaminação pelo novo coronavírus. Por isso, Daniel e Taciana garantem estarem seguindo todos os protocolos sanitários recomendados pelas autoridades de saúde, mas não escondem que enfrentam dificuldades.

“Infelizmente, a gente não tem como evitar o contato. Até porque a dança do casal de mestre-sala e porta-bandeira é uma dança a dois. Então o mestre-sala, a todo momento, precisa estar cortejando a sua dama. Ele precisa estar de alguma forma sendo galanteador. Ou seja, tem o contato da mão. A gente se previne com álcool em gel, tem a utilização de máscara. Porém, até o corpo se adaptar a dançar com máscara, é muito difícil. Estamos tentando se adaptar a esse estilo, porque é complicado. Ainda mais quando a gente fica um tempo parado, quando volta a dançar, o ritmo não é o mesmo, a gente fica com a respiração ofegante. Tudo isso a gente está trabalhando, justamente para se adaptar a esse ‘novo normal'”, relatou Daniel.

Já Taciana fez ainda uma revelação. “Fui contaminada e acredito ter ficado assintomática, descobri nos exames ao retornar para o estágio na faculdade. Depois de cumprir a quarentena, comecei a participar de algumas ações, atividades relacionadas ao carnaval, mas tomando todos os devidos cuidados, tenho retornado aos poucos a uma rotina adaptada ao ‘novo normal’ e decidi que o próximo passo a ser dado seria a retomada dos encontros presenciais para ensaio, com uso de máscara e álcool em gel”, contou.

A dupla ainda avaliou como está sendo esta volta aos treinos, em meio às incertezas que rondeiam o futuro da folia carioca. “Mesmo não tendo samba e nem data definida, a gente procura fazer exercícios que sejam voltados para dança, que possam futuramente ajudar na questão de postura, de condicionamento físico. Por exemplo, a gente tem feito aulas online de ballet. Além disso, agora estamos tendo também o contato presencial com a nossa coreógrafa, uma vez na semana, para trabalharmos os três juntos. Então assim, a gente está buscando sempre outros contextos para inserir na dança. Como o nosso enredo para o próximo carnaval é sobre Exú, a gente vai repetir as aulas de dança afro com um dos bailarinos da comissão de frente da Grande Rio, para aprender novas técnicas de movimentos, até para a gente poder inserir na nossa coreografia futura”, falou Daniel.

grande rio desfile 2020 046 CopyTaciana seguiu o mesmo discurso do parceiro de dança. “Como dito anteriormente, seguimos em busca de aperfeiçoamento, sempre há algo para melhorar, aprender… Ainda tenho limitações a serem superadas e só com trabalho isso pode ser feito”, complementou a porta-bandeira da Grande Rio.

Os dois ainda falaram acerca do trabalho realizado por eles durante o período de isolamento social. “Foram raros os encontros na pandemia, apenas pra lives que foram realizadas presencialmente. No início, só com dança sem toque, totalmente adaptada ao atual momento. Estive também fazendo alguns exercícios físicos em casa: primeiro ballet e agora acrescentei o pilates”, contou Taciana.

“Como a gente teve o nosso primeiro contato agora, voltando aos ensaios, conseguimos perceber que precisamos trabalhar mais, porque o corpo meio que desacostumou. A gente diz que o corpo relaxa até voltar para rotina que é de costume dos ensaios. Particularmente, sempre mantive atividades físicas: faço musculação, faço aeróbica… Por conta da quarentena, as academias estavam fechadas, mas mesmo assim eu estava fazendo exercício em casa, para não perder o ritmo”, concluiu Daniel.

Milton Cunha e os destaques de luxo: Luanda Ritz

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Por Milton Cunha, Victor Raposo, Thiago Acácio, Reinaldo Alves, Tiago Freitas e João Gustavo Melo

Luanda Ritz03“TRAVA NA BELEZA: Imaginários sobre o destaque de luxo de escola de samba”, que será publicado no Dossiê da Revista Policromias do LABEDIS, Museu Nacional da UFRJ, com Editoria de Tania Clemente.

Para chegar aos núcleos temáticos, fizemos uma série de entrevistas que passamos a publicar no site CARNAVALESCO, duas vezes por semana. Este material acabou não entrando no corpo do texto, por limitação de espaço, e não queríamos deixar de mostrar. É uma homenagem aos esforços destes luxuosos personagens que habitam nossos sonhos de folia! Viva os Destaques de Luxo, mensageiros do glamour.

Luanda Ritz – Estácio de Sá

O que você imagina que a plateia imagina quando te vê passando na avenida durante o desfile?

Luanda Ritz: Acho que despertamos o imaginário luxuoso de cada um, através das fantasias de nossas personagens. Pensam que somos íntimos de cada uma dessas personagens, que temos ligação com os deuses, personalidades históricas, os elementos da natureza que representamos em cada apresentação. Daí a importância de vesti-las por dentro, interiorizá-las.

Gostaria de saber como surgiu o seu interesse em ser destaque de luxo? Quando foi o seu primeiro desfile nesse posto? Como e quando foi a sua chegada na Estácio? Já desfilou em outras agremiações nesse posto? Se sim, quais?

Luanda Ritz: Surgiu da vontade de têr um lugar diferenciado na escola. Meu primeiro desfile como destaque foi no GRES Vizinha Faladeira em 1996. Já desfilei Caprichoso de Pilares, Portela, M. I de Padre Miguel, Império Serrano, Mangueira e Estácio de Sá. Eu sempre estive na Estácio. Fui nascido e criado no morro de S. Carlos. Mesmo passando por outras escolas sempre estive na Estácio, me afastei em alguns anos por questão de gestão de coordenação de destaques, mas nunca saí. Fui passista, saí em alas e me tornei destaque no ano em que a Estácio teve Grande Otelo “A prata da noite” como enredo (1986).

Luanda Ritz02Como é o seu planejamento para desfilar? Qual o seu papel na concepção e elaboração da fantasia? E como é a relação do carnavalesco nesse processo?

Luanda Ritz: Primeiramente financeiro e depois adequação do espaço em minha casa conforme o tamanho da fantasia, uma vez que toda parte de adereços (bordados) são feitos por mim exceto costura, ferragem e resplendor são realizados fora. O carnavalesco é o criador do figurino da ideia central da personagem e é consultado quando há necessidade de adequar o desenho a realidade da confecção.
E em relação ao personagem/papel que você vai interpretar no desfile. Você faz alguma preparação corporal, nos aspectos de gestual e de semblante? Como que você “encarna” aquilo que está vestindo? Como internaliza as personagens que representa?

Luanda Ritz: A pesquisa é fundamental para se criar a personagem a partir da maquiagem e gestual para interpretação adequada, sem essas etapas não há “incorporação”.

Você tem apego com as fantasias? Como lida com a ideia de que ela será vista em pouco tempo pelo público?

Luanda Ritz: Minha fantasia é feita para aquele momento, só faz sentido naquele contexto, portanto o pouco tempo passa a ter valor associado ao conjunto das alas, a alegoria, a bateria. A importância da minha roupa está ligada ao valor de beleza que ela pode agregar a escola.

Pra você, o que faz uma fantasia de destaque se eternizar na mente de quem assiste os desfiles? E o que faz um destaque se distinguir dos demais destaques de luxo do carnaval?

Luanda Ritz: O que faz uma fantasia se eternizar é quando ela completa uma alegoria de forma que uma é associada a outra estão atreladas se uma é sucesso a outra também. Os destaques têm características peculiares, não são comparáveis, as cores são diferentes, o material é diferente, a personagem é diferente e a concepção de cada uma delas por cada um também. Cada um têm um processo diferenciado. Eu sou adicionado pela interpretação, não gosto de “manequins” enfeitados sobre a alegoria. Essa, pra mim, é a diferença.

Luanda Ritz01Tem alguma fantasia ou fantasias por qual você sempre é lembrado (a) ou que tenha se tornado inesquecível para as pessoas? Se sim, por qual motivo isso aconteceu?

Luanda Ritz: Lembram muito da Malévola (Estácio 2016), devido minha performance durante o desfile.

Você considera o luxo essencial para a festa? Se sim, por qual motivo?

Luanda Ritz: Considero e muito. Complementam as alegorias e dão vidas as personagens citadas no enredo.

Antigamente, cada destaque vinha em uma alegoria. Hoje, com a diminuição do número de carros, isso tem sido menos frequente. Como você enxerga essa mudança? É um problema pra você dividir a atenção do público?

Luanda Ritz: Pior que o número de integrantes no carro, são as esculturas que muitas vezes escondem o destaque. Isso têm sido um dos maiores motivos de queixas do grupo destaque do RJ.

Pra você o que a figura do destaque simboliza para os demais componentes da escola? E como é a relação deles com você?

Luanda Ritz: Para os demais componentes da escola o destaque é a figura que simboliza o luxo e riqueza, sou tratada com muito respeito e deferências, até mesmo mais do que pelos gestores em alguns casos.

O carnaval vem passando por uma crise financeira e muito se fala que as escolas precisam voltar às suas raízes. Você acha que a comunidade se sente representada quando vê vocês nos dias de hoje? Sentiu alguma mudança na relação entre você e a comunidade nos últimos anos?

Luanda Ritz: Não represento a realidade e sim a fantasia, o sonho do luxo e da riqueza, afinal esse é o sentido do Carnaval, a troca de papéis, a ilusão, o imaginário.

Você falou, na pergunta ao Milton, que vocês despertam o imaginário luxuoso de cada pessoa que os assiste. Poderia falar um pouco mais sobre isso?

Luanda Ritz: Quem não se encanta com a possibilidade de ver o Rei Sol, A Lua, A mãe d’agua, A imperatriz, os Guardiões do reino não sei das quantas, o Senhor desse ou daquele universo, e tantos outros Deuses e figuras importante que habitam o imaginário da maioria das pessoas?!

Com quanto tempo de antecedência você chega no sambódromo? Em qual tipo de carro você chega? Quantas bolsas você carrega? Como são feitas essas bolsas? Tem pessoas para dar apoio? Na hora que chega e vê as alegorias desmontadas, de tarde, muito antes de qualquer pessoa, o que você sente? O que você pode contar desse processo de montagem e depois de desmontagem da alegoria? Sente tristeza de jogar lá de cima os plumeiros? Como é essa sensação?

Luanda Hitz: Moro na esquina do Sambódromo vou à tarde com meus apoios (amigos) e monto as ferragens e plumeiro e depois retorno pelo menos 2h antes do desfile, transporto minha fantasia em 6 bolsas específicas feitas de lona para suportar pesos e de tamanho proporcional ao tamanho dos ferros e da fantasia propriamente dito. Sempre conto com os mesmos apoios, são meus amigos, pessoas de confiança que focam no mesmo objetivo, para essa função não podem ser pessoas dispersas para que tudo dê certo, checam ferragens ajeitam a roupa com perfeição ao meu corpo. Os carros estão sempre semidesmontados, mas não estranho porque acompanho o projeto no barracão e sei do resultado final, só lamento a falta de estrutura na concentração e dispersão do nosso sambódromo para a proporção das alegorias e das nossas fantasias. É doído ter que arrancar de forma abrupta as pessoas de nós do resplendor que levou dias para ficar pronto a um custo alto de cima dos carros e por vezes maltratados por funcionários da empresa responsável por nos conduzir e não têm a menor ideia do valor material e muito menos afetivo que têm para nós.

 

Diogo Jesus e Bruna Santos falam dos cuidados e precauções no retorno aos ensaios presenciais

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campeas mocidade 42Apesar da pandemia da Covid-19 não cessar no Rio e nem no Brasil como um todo, a vida começa a ganhar ares de normalidade, com a retomada das atividades e o retorno de muitos trabalhos ao modelo presencial. E no universo do carnaval não é diferente. Mesmo sem a previsão de quando irá acontecer o próximo desfile, casais de mestre-sala e porta-bandeira já voltaram aos ensaios e aos preparativos para uma folia que ainda se faz distante.

O site CARNAVALESCO conversou com Diogo Jesus e Bruna Santos, primeiro casal da Mocidade Independente, que reiniciaram os treinos juntos na última semana. No bate-papo, a dupla responsável por defender o pavilhão da Estrela-Guia de Padre Miguel falou um pouco sobre como está sendo a rotina de ensaios e os cuidados que estão tomando para preservar a saúde de todos.

Acerca da decisão de voltar neste momento, Bruna defendeu: “Não podemos parar. Independente de qualquer coisa, defendemos o pavilhão da Mocidade e temos comprometimento com isso. Então simplesmente ficar parados certamente nos prejudicaria. Temos o objetivo de dançarmos em alto nível sempre, então não dá para não ensaiar e se preparar, mesmo sem data prevista para o próximo desfile”.

O discurso de Bruna é similar ao do parceiro de dança, Diogo Jesus. “A nossa coreógrafa Vânia Reis prega o trabalho árduo como ferramenta principal da nossa preparação. Não temos ainda data para o próximo desfile, mas somos o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Mocidade. Há um significado imenso nisso. Além do que será apenas o nosso segundo desfile juntos. Temos que ter humildade para evoluir mais, e só faremos isso com muito ensaio”, alegou o mestre-sala.

A dupla também falou sobre as medidas e as precauções que estão tomando para evitar uma possível contaminação pelo novo coronavírus. “Estamos tomando os cuidados previstos no protocolo que é passado, há alguns meses, pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Usamos máscara, álcool em gel e o contato corporal acontece dentro da distância de prevenção”, assegurou Bruna. “Temos seguidos todos os cuidados básicos que qualquer profissional tem ao sair de casa para trabalhar”, complementou Diogo.

Sobre o treino propriamente, o primeiro casal da Mocidade relatou como ele tem funcionado. “Temos um trabalho de praticamente 12 meses de preparo. Isso inclui preparação física, psicológica, pilates, aulas de ballet, correção em movimentos padrão… Tem muita coisa pra se fazer mesmo sem o samba-enredo”, afirmou Bruna Santos.

“Nosso dia a dia já é puxado antes mesmo da escolha do samba. São fases de preparação. Se tudo estivesse normal, também teríamos começado a ensaiar bem antes da final de samba. Temos apresentações na quadra, nas coirmãs, e precisamos nos manter com o foco em alta”, explicou Diogo Jesus.

E mesmo durante o isolamento social, a rotina de treinos parou em nenhum momento. “Fizemos alguns ensaios online, por vídeo. E independente de estarmos perto do carnaval ou não, é preciso entender a dimensão que é defender o pavilhão da Mocidade. Isso requer cuidados com a parte física, alimentação e postura na vida como um todo. Então estávamos concentrados no nosso trabalho”, garantiu Diogo.

“Na realidade é algo que queríamos (o retorno aos treinos). Mesmo entendendo a questão da quarentena, trabalhamos com o corpo, estamos sempre em movimento, então é um alívio poder retomar os ensaios. Fizemos alguns online e isso nos mantinha de uma certa forma ativos, mas não é exatamente como os ensaios presenciais”, pontuou Bruna.

Em Cima da Hora reabre a quadra para início dos ensaios

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Em Cima da HoraApós a liberação dos eventos nas quadras das escolas de samba por parte da Prefeitura, a Em Cima da Hora organiza o início dos seus ensaios para a sexta-feira do dia 06 de novembro, a partir das 20h. Com entrada gratuita, a escola de Cavalcanti vai fazer o tradicional ensaio de segmentos.

Segundo Flávio Azevedo, Diretor de Carnaval da agremiação, toda uma logística será preparada para receber o público: “A Em Cima da Hora está tomando todas as precauções com relação ao decreto da prefeitura, onde só teremos metade da capacidade de público e também de segmentos. E assim vamos dar o ponta pé inicial para o carnaval de 2021, com muita garra para que possamos manter a Em Cima da Hora no patamar das grandes escolas que ela sempre esteve. Esse é só o início de um grande trabalho e de grandes ensaios que vamos fazer para a nossa comunidade.”

Para o próximo carnaval, a Em Cima da Hora vai fazer a releitura do samba “33 – Destino Dom Pedro II”, do enredo originalmente apresentado em 1984, e que será desenvolvido pelo carnavalesco Marco Antônio Falleiros, marcando seu retorno a Marquês de Sapucaí pela Série A. A quadra de ensaios da escola fica na Rua Zeferino da Costa, 556 – Cavalcanti.

‘Não interessa a cópia, interessa saber como o Severo e o Cahê refazem’, afirma Milton Cunha sobre reedição de ‘Fatumbi’

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Fotos: Wifger Frota/ Reprodução Internet

Fatumbi01A União da Ilha do Governador anunciou, na noite da última quinta-feira, que irá reeditar o enredo “Fatumbi – A ilha de todos os Santos” no próximo carnaval. O tema, originalmente apresentado em 1998, é de autoria do ex-carnavalesco e atual comentarista da TV Globo Milton Cunha. Trata-se de um dos trabalhos mais emblemáticos de toda a carreira de Milton e que rendeu um dos maiores sambas da discografia da tricolor insulana. Apesar da modesta nona colocação no Grupo Especial naquela ocasião, o desfile entrou para história da escola e marcou época na folia carioca.

“Há 22 anos, a gente fez este belo trabalho, este belo enredo. É um enredo robusto, é um enredo profundo, é um enredo daqueles tradicionais mesmo, vida e obra, e que traz junto a grandeza da negritude. Então, escolher reeditar isso é tocar de novo no momento emocionante, que deu Estandarte de Ouro de enredo, de revelação… Acho que eles retornam a um momento de poesia muito grande. Essa vontade de rever grandes tempos é o que leva a Ilha a tocar nesse momento importante da história dela. É um samba que está ali no coração de todo mundo. Foi um momento muito feliz da história da Ilha. Então, acho que eles querem voltar a serem felizes”, avaliou Milton Cunha, em entrevista ao site CARNAVALESCO.

Para reportagem, Milton relatou que antes do anúncio oficial da reedição, ele foi procurado por Cahê Rodrigues e Severo Luzardo para uma sondagem inicial. “A Ilha foi muito respeitosa. Primeiro me ligou os dois carnavalescos, meus amigos íntimos, e me falaram que havia uma possibilidade de fazer. Mas ainda era uma conversa entre artistas, então era assim muito introdutório: se for, se escolherem, se baterem o martelo… E aí eu ia dizendo: ‘Nossa, vocês dois são um máximo, vocês dois são fantásticos para revisitar um tema desse’. Até porque os dois acompanharam a minha carreira toda. O Cahê, ainda de cabelo longo, de cabelo enorme, era presidente de ala de comunidade no desfile sobre a Margareth Mee (Beija-Flor 1994),  então é uma criatura que viu tudo. E o Severo, lá de longe, acompanhou e, quando chegou aqui no Rio, me apresentaram para ele. Isso é ano 2000. Ele desenhava moda e já tava ali comigo, olhando barracão e tal. São dois artistas que me conhecem muito, conhecem a obra e sabem agora da importância de revisitar. Tudo que a gente conversa, eu e eles, é sobre como que você recria os clássicos. O bacana da recriação é que é uma versão nova, fresca, moderna, sobre algo que está na memória. Então é lindo gente com entendimento recriar. Não interessa a cópia, interessa saber como o Severo e o Cahê refazem essa trilha dessa vida linda”, contou.

Já com o martelo batido internamente na escola, foi a vez do presidente insulano, Djalma Falcão, procurar Milton para uma conversa. “Quando chegou agora, o Wilsinho (Alves, diretor de carnaval e harmonia) me ligou dizendo: ‘Milton, querido, o Djalma vai lhe ligar’. E aí eu disse: ‘Nossa, Wilsinho! Diga ao Djalma que eu abençoou, que eu aplaudo, que eu estou muito feliz e que eu estou louco para ver o resultado lá na Avenida’. Não quero participar de processo, quero participar de obra final. Eu quero estar lá, aplaudindo eles da plateia, e cantando junto. Agora, o processo da recriação eu não posso estar, porque justamente eu não pertenço a ele. Eu pertenço ao universo que ficou lá atrás. E o bacana é eu dar o espaço, permitir que a obra cresça, que essa nova visita aconteça e que eu a veja. Porque a intenção não é a recriação a partir da minha intromissão. Deixa a Ilha enorme, se fazer linda, e eu vejo lá o resultado. Então, quando Djalma ligou, eu disse: ‘Que beleza, é uma obra linda da União da Ilha’. O desfile, o enredo, o samba é da União da Ilha”, declarou Milton Cunha.

O ex-carnavalesco e atual comentarista ainda expôs o seu ponto de vista de que a reedição não deve ficar presa ao que foi apresentado no desfile de 1998. “É lindo ver a assinatura agora da emissão vocal do poderoso Ito, no samba que foi cantado divinamente pelo Rixxah. Assim como é lindo ver também a assinatura dos dois carnavalescos em cima destes temas que eu já trabalhei, lá atrás. E aí como os diretores de bateria vão refazer os caminhos do Mestre Paulão? Então, é lindo deixar todo mundo livre para as novas assinaturas, sem comparação. Não é comparar, é deixar a obra nova viver, como deixou a obra antiga existir. Isso é liberdade, é democracia, é convivência, é possibilidade, é obra em construção, é processo não fechado”, alegou.

Quem é Pierre Verger? Quem é Fatumbi?

Fatumbi03No entanto, apesar de já ter tido a história contada na Marquês de Sapucaí, muitas pessoas não conhecem  e nem ouviram falar de Pierre Verger e/ou de Fatumbi. Por este motivo, o site CARNAVALESCO pediu para que Milton explicasse, nas palavras dele, quem são estas duas figuras que norteiam todo este enredo da Ilha.

“Fatumbi foi a força do espírito maior que o corpo. O corpo era branco, a pele era clara, mas quando ele está defronte da grandeza da negritude, ele sucumbe a esse nascimento, a esse passado branco francês. Ali morre Pierre Verger, o branco, já aos 22 anos de idade. E quando defronte da negritude, ele ingressa no universo negro onde ele vai passar 70 anos. Ele permite que o espírito de Ifá faça ele renascer. Então, para além da cor da pele, para além do nascimento, Fatumbi tinha um entendimento sobre a beleza e a grandeza da negritude que fizeram com que ele se entregasse de corpo e alma a esse trabalho mítico, místico, epopeico de documentação da negritude. Portanto, Fatumbi foi o mais negro dos brancos. Fatumbi foi o que entendeu totalmente o deslumbre que é a grandeza da negritude africana. Fatumbi viveu o mistério negro, o mistério de Ifá que se manifestou nele, mudou o destino dele. Afinal, que homem é esse que branco nascido, negro transforma seu trabalho? Diria para as novas gerações que Fatumbi é um humano que dedicou sua obra para documentação da grandeza da negritude. É importante naquele momento em que o mundo estava dividido pelo colonialismo, as colônias e os colonizadores, e ele saí desse ponto de vista do colonizador e vai viver e morar a realidade daquela gente. E aquela gente o assume como um filho de outra cor, mas na alma, no mistério, de dentro do sistema africano”, explanou.

Importância da reedição e o legado de Fatumbi

Fatumbi02Na visão de Milton, revisitar “Fatumbi” no atual momento é algo extremamente pertinente, já que a temática chama a atenção para temas ainda carentes e/ou necessários na sociedade em 2020. “Qual é o ensinamento de Fatumbi historicamente? É o fato de que um aristocrata branco se apaixona de tal forma pela grandeza da africanidade, que ele se muda e vai morar 40 anos ali no Golfo do Benim. A vida dele, o existencialismo dele, é quatro décadas vivendo no meio daquela população. Então, ele não se coloca naquela posição do branco observador, ele é o branco vivenciador da outra cultura. São 40 anos lá e mais 30 aqui em Salvador, no Brasil. Dão 70 anos de experimentação da negritude. Isso é uma ode de amor, de respeito, de entendimento de que o tempo te dará a dimensão da grandeza da negritude. Ele ficou 20 anos em Paris, experimentou todos aqueles luxos brancos e isso não bastou para vida dele. Ele então vai ao destino, ao Ifá. E é aí que ele chega nessa configuração que o fazia feliz: estar no meio dos negros. É um encontro de cor de pele, de alma, entendimento”, iniciou.

“Isso importa hoje demais, porque ele é a não exotização, ele é a não espetacularização. Ele está tão dentro desse universo, que ele fica em um canto fotografando, e as pessoas continuam fazendo suas atividades naturalmente. Ele já não é um elemento de fora. As fotos de Fatumbi são fotos de dentro. Isso muito nos ensina sobre vivenciar a verdade, a realidade. Já que ele não tinha o lugar de fala, porque era branco, ele vai entender este lugar de fala negro se jogando dentro da sociedade para olhar como um morador, como um existenciador. E quando ele é aceito e sagrado babalawo, ele então escreve a obra dele, os livros dele, de dentro. É um conhecimento interno, não é um conhecimento do etnólogo de fora. Claro que isso também tem, a pesquisa histórica e tal todo mundo pode fazer sobre os fluxos da escravidão, mas é um conhecimento de dentro”, completou Milton.

Questionado acerca do que há de mais significativo e simbólico na história de Fatumbi, Milton Cunha respondeu: “O mais marcante de Verger é o amor dele pela negritude, que foi transformado em documentação, em pesquisa histórica muito atenciosa e muito criteriosa. A partir das vivências, ele estrutura uma obra. A benção da mãe senhora, a grande ialorixá do Axé do Opó Afonjá, a amizade dela com Fatumbi, é um aval da negritude sobre as pesquisas e as questões levantadas por Pierre Verger. Então, o mais importante é a autorização, a aceitação que a negritude deu ao Pierre Verger para documentar e escrever a obra. Ou seja, é uma obra autorizada pelas grandes autoridades negras do Candomblé da época, em Salvador. Esse ponto de vista de dentro é que naturaliza a documentação do Pierre Verger. Ele é um abraçado pela negritude para fazer a sua obra de dentro. Então, não é uma obra que explora, que espetaculariza. É uma obra que documenta as verdades da negritude, expostas pela própria, para ele. Então, Verger como um transporte do lugar de fala, da negritude, do Candomblé da Bahia dos anos 50,

Milton Cunha e os destaques de luxo: Enoque Silva

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Por Milton Cunha, Victor Raposo, Thiago Acácio, Reinaldo Alves, Tiago Freitas e João Gustavo Melo

Enoque03“TRAVA NA BELEZA: Imaginários sobre o destaque de luxo de escola de samba”, que será publicado no Dossiê da Revista Policromias do LABEDIS, Museu Nacional da UFRJ, com Editoria de Tania Clemente.

Para chegar aos núcleos temáticos, fizemos uma série de entrevistas que passamos a publicar no site CARNAVALESCO, duas vezes por semana. Este material acabou não entrando no corpo do texto, por limitação de espaço, e não queríamos deixar de mostrar. É uma homenagem aos esforços destes luxuosos personagens que habitam nossos sonhos de folia! Viva os Destaques de Luxo, mensageiros do glamour.

Enoque Silva – Grande Rio

O que você imagina que a plateia imagina quando te vê passando na avenida durante o desfile?

Enoque Silva: Ao contemplar um destaque de luxo as pessoas certamente são envolvidas em uma áurea de encantamento e êxtase. O uso de inusitadas e extravagantes fantasias despertar em quem as aplaudem a possibilidade de também fazer parte da viagem entre ficção e realidade.

Gostaria de saber como surgiu o seu interesse em ser destaque de luxo? Quando foi o seu primeiro desfile nesse posto? Como e quando foi a sua chegada na Grande Rio? Já desfilou em outras agremiações nesse posto? Se sim, quais?

Enoque Silva: Meu interesse surgiu em meados dos anos 70 ao ver as imagens de grandes nomes do carnaval como Evandro de Castro Lima, Clóvis Bornay e outros nas capas das revistas Manchetes e Fatos e Fotos. Meu primeiro desfile foi em 1979 na Turma do Quinto, em São Luís do Maranhão. Na cidade desfilei até 1993 e em 94 estreio no Rio de Janeiro na Unidos da Ponte, depois Vila Isabel, Estácio de Sá e, em 1998, ingresso na Grande Rio com o carnavalesco Max Lopes.

Como é o seu planejamento para desfilar? Qual o seu papel na concepção e elaboração da fantasia? E como é a relação do carnavalesco nesse processo?

Enoque Silva: Metade do ano é dedicado a todo o processo que envolve a confecção das roupas. Os carnavalescos criam os meus figurinos respeitando meu estilo e perfil. A minha relação com eles é de respeito, abertura e liberdade em todo o processo de construção até a finalização da roupa na sua totalidade.

E em relação ao personagem/papel que você vai interpretar no desfile. Você faz alguma preparação corporal, nos aspectos de gestual e de semblante? Como que você “encarna” aquilo que está vestindo? Como internaliza as personagens que representa?

Enoque Silva: Quando recebo o figurino faço um estudo sobre o personagem tema. A preparação é mais psicológica do que física. E a performance é espontânea. Flui de acordo com a receptividade e comportamento da plateia, que é sempre muito positiva.

Você tem apego com as fantasias? Como lida com a ideia de que ela será vista em pouco tempo pelo público?

Enoque Silva: Eu acredito que todo desfilante na função de destaque tem apego e amor pela fantasia criada e confeccionada. Ela é resultante de muitos dias e horas de dedicação. O pouco tempo do desfile nos dar a sensação de eternidade por conta da resposta sempre positiva que o público nos dá durante e após o desfile.

Enoque02Pra você, o que faz uma fantasia de destaque se eternizar na mente de quem assiste os desfiles? E o que faz um destaque se distinguir dos demais destaques de luxo do carnaval?

Enoque Silva: Antigamente era muito comum uma fantasia, ou um destaque, se eternizar. Eram poucos e muito talentosos. Era a época dos bordados. Atualmente é muito difícil um se distinguir do outro. A não ser que exagere no tamanho da roupa, peque pelo excesso de material abandonando completamente a estética final e concepção inicial do figurino.

Tem alguma fantasia ou fantasias por qual você sempre é lembrado (a) ou que tenha se tornado inesquecível para as pessoas? Se sim, por qual motivo isso aconteceu?

Enoque Silva: Acredito que todas as fantasias que já usei têm suas particularidades e encantamentos distintos. Todos os anos ouço das pessoas a seguinte exclamação “é a mais bela de todas!”. Mas, vale citar “Anjo Barroco” e “Lições de Amor da Índia milenar” de João Trinta, o “Feirante Nordestino” de Roberto Szaniecki, “Imperador Chinês” de Max Lopes, “Superação de Mandela” de Cahê Rodrigues, “Céu Estrelado de Juazeiro” de Fábio Ricardo e “Rei do Candomblé” do Gabriel Haddad e Leonardo Bora.

Você considera o luxo essencial para a festa? Se sim, por qual motivo?

Enoque Silva: Sim. O luxo é essencial e fundamental para qualquer festa. Com o carnaval não poderia ser diferente por conta do luxo e da criatividade dos artistas e principais atores envolvidos nesse que é o maior espetáculo da terra.

Enoque01Antigamente, cada destaque vinha em uma alegoria. Hoje, com a diminuição do número de carros, isso tem sido menos frequente. Como você enxerga essa mudança? É um problema pra você dividir a atenção do público?

Enoque Silva: Com a diminuição do número de alegorias as escolas diminuem os números de destaques. Os critérios ficaram mais seletivos e os lugares passaram a ser ocupados pelos melhores e maiores destaques. O restante em nada concorre com uma bela e grande fantasia.

Pra você o que a figura do destaque simboliza para os demais componentes da escola? E como é a relação deles com você?

Enoque Silva: Os componentes da escola, entre diretores, composições e desfilantes de alas, se sentem representados quando contemplam e admiram uma roupa de destaque pronta ocupando a principal posição em uma alegoria. Os olhares sempre são de alegria e satisfação.

O carnaval vem passando por uma crise financeira e muito se fala que as escolas precisam voltar às suas raízes. Você acha que a comunidade se sente representada quando vê vocês nos dias de hoje? Sentiu alguma mudança na relação entre você e a comunidade nos últimos anos?

Enoque Silva: Acredito que a comunidade se sente bem representada quando o carnaval da escola está dentro da expectativa de um bom desfile e a sua estética está irrepreensível e apta para a briga por um campeonato. O destaque é só a cereja do bolo. A comunidade se sente prestigiada por ver que o destaque não se abate com crise e nem dificuldade financeira. Como diria minha madrinha de carnaval, Leci Brandão: “Destaque que é destaque é assim”.

Você falou, na resposta ao Milton, que as pessoas ficam encantadas e em êxtase ao ver vocês. Que embarcam junto com vocês em uma viagem de ficção e realidade. Como é esse processo de troca entre você e o público?

Enoque Silva: No meu caso em especial acho que é um pouco diferente dos demais. Sou maranhense e represento o meu Estado há 26 anos na passarela do maior espetáculo da terra. Sempre levo na minha bagagem uma legião de fãs e admiradores que me seguem todos esses anos. E conto com uma plateia já conquistada na Marquês de Sapucaí e retribuo a todos com sorrisos, acenos e gestos de carinho porque consigo enxergar todos que se esforçam muito para serem notados por mim. Tudo isso estabelece uma indescritível relação de troca. Essa é a grande cena e mágica do carnaval.

Com quanto tempo de antecedência você chega no sambódromo? Em qual tipo de carro você chega? Quantas bolsas você carrega? Como são feitas essas bolsas? Tem pessoas para dar apoio? Na hora que chega e vê as alegorias desmontadas, de tarde, muito antes de qualquer pessoa, o que você sente? O que você pode contar desse processo de montagem e depois de desmontagem da alegoria? Sente tristeza de jogar lá de cima os plumeiros? Como é essa sensação?

Enoque Silva: No dia do desfile, costumo chegar na concentração até 5 horas antes do horário previsto para o início do desfile. Meu deslocamento do hotel para a Sapucaí faço em carros grandes, geralmente vans, onde transporto em média 05 volumes de peças das fantasias e os meus apoios, que são em número de 03. As bolsas que acondicionam a fantasia são fabricadas com nylon dublado, forração de plástico bolha e sob medida para cada peça. O meu primeiro contato com a alegoria se dá no barracão da escola, onde experimento o acesso ao queijo e testo o apoio de resplendor e Santo Antônio. O segundo momento já acontece na Sapucaí, na concentração. Já está tudo pronto e a expectativa pelo início do desfile é sempre muito grande. Cada ano é um ano com suas diferenças e surpresas. Conto também com o auxílio do diretor do carro e sua equipe. Sempre dá tudo certo. Pela minha antecipação de horas toda a montagem da fantasia acontece de forma tranquila e precisa. A emoção do desfile é diferente a cada ano podendo ser surpreendente e impactante. Já o final, na dispersão, é sempre igual. Sigo o ritual de uma desmontagem veloz porque o tempo é muito curto. Não existe espera, não existe paciência e muito menos tolerância. As peças são todas jogada de cima para baixo contando com a experiência e habilidade dos apoios que já estão de prontidão para executar esse trabalho. Feito tudo isso, desfile concluindo e missão cumprida. Essa é minha frenética e prazerosa trajetória no dia desfile oficial.

Cubango levará divindade feminina do Candomblé para o desfile no próximo carnaval

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No próximo carnaval, o Acadêmicos do Cubango levará para a avenida o enredo Onilé Cubango. Conhecida por ser divindade feminina, Onilé é, no Candomblé, a representação da senhora da terra, a verdadeira mãe.

Sob o título de Onilé Cubango, o enredo de autoria dos carnavalescos Alexandre Rangel e Raphael Torres pretende levar à Sapucaí um diálogo sobre a importância da proteção e a preservação da própria humanidade, além de tudo que há no planeta terra. “Vamos falar sobre a divindade feminina (orixá) que representa a base de toda a vida e é fundamental na tradição yorubá. Onilé é a dona da Terra e representa o nosso planeta como um todo, o mundo em que vivemos. O enredo surgiu na busca de falarmos sobre um tema de matriz africana, característica da escola, e na vontade de falar sobre um tema atual, que tivesse conexão com o que estamos vivenciando (queimadas das florestas, tráfico de animais silvestres e a questão da pandemia)”, explica Torres.

“A necessidade de comentar sobre os atuais acontecimentos veio através do que sabemos e gostamos de fazer: falar sobre matriz africana. Tudo vem da terra e à ela retorna! O objetivo do enredo é mostrar a preocupação com a preservação da própria humanidade e de tudo que há na Terra. Queremos que as pessoas entendam a questão da preservação do Planeta Terra é que possam repensar suas atitudes com a finalidade de revertermos essa série de acontecimentos que viraram o mundo de cabeça para baixo”, conta Rangel.

O presidente da agremiação, Rogério Belisário, festeja o enredo. “Os carnavalescos foram muito felizes na escolha desse enredo, que vai permitir que, ao pisarmos novamente na Sapucaí, possamos levar algo com a cara da Cubango, algo que a nossa comunidade vai desfilar com tranquilidade pois tem um chão forte. O tema é contemporâneo e traz história na medida certa. Acredito que vai ser um desfile histórico para a nossa escola e os nossos desfilantes”, finaliza.

Império Serrano 2021 – samba da parceia de Tico do Gato

Compositores: Tico do Gato, Victor Mendes, Rodrigo Feiju, Jacopetti, Andreia Araújo, Beto Marçal

HÁ DE SE CONTAR
QUE A MELODIA MORA LÁ
ONDE A IGUALDADE É NOSSA VOZ
PRETO É O SANGUE E O NOSSO SANGUE TEM HISTÓRIA
HOJE A RESISTÊNCIA SOMOS NÓS
IMPERIANO
O TREM DE LUXO VAI PARTIR
PARA DEIXAR NA ETERNIDADE
MAIS UM HERÓI DA LIBERDADE

Ê CAPOEIRA CAMARÁ
RESISTÊNCIA DA SERRINHA
VASO RUIM DE SE QUEBRAR

MANOEL HENRIQUE PEREIRA
TEVE O CAMINHO
ENCANTADO POR EXU
OSSAIN TROUXE A ERVA NA MEDIDA
E XANGÔ COM SEU OXÊ
DEU O SENSO DA JUSTIÇA
DA MATA A FLECHA
QUE VIROU NAVALHA
E NO RABO DE ARRAIA
SOPRAVA A VOZ DO ORIXÁ
DIZENDO AO NOSSO HERÓI CAMARÁ:
FILHO DE OGUM
NÃO PODE APANHAR

Ê CAPOEIRA CAMARÁ
RESISTÊNCIA DA SERRINHA
VASO RUIM DE SE QUEBRAR

AO LEMBRAR SEU “VIGA MESTRE” NÃO CURVOU SE A CAPATAZ
ENFRENTOU A ESCRAVIDÃO
NEGRO VALENTE DO CAIS
DEU PERNADA NO DESTINO
NEM À BALA FOI CALADO
SÓ A FACA DE TUCUN
FERIU O SEU CORPO FECHADO
TOCA AMAZONAS
E DEIXA O MEU HERÓI VOAR
BESOURO PRETO COROADO
CORDÃO DE OURO MANGANGÁ

VEM NA GINGA DO POVO
SOU IMPÉRIO SERRANO
VEM AMOR
NO ZUM ZUM ZUM EU VOU JOGAR
PATICUMBUM PRA TE EMBALAR…
MADUREIRA ANUNCIOU

Império Serrano 2021 – samba da parceria de Juarez

Compositores: Juarez Amizade, Rodolfo Caruso, Juca, Wagner Zanco, Zé Maria , Edu D’Avila

Intérprete: Digão Audaz E Felipe Nazário

HOJE TEM GIRA E CAPOEIRA
PAI OGUM ESTÁ DE RONDA
SERRINHA DESCE A LADEIRA
NASCIDO NO RECÔNCAVO BAIANO
VALENTE, DESTEMIDO, JUSTICEIRO, MANGANGÁ
ABRE A RODA, MESTRE ALÍPIO VAI JOGAR
ORI BORDADO PELAS MÃOS DAS IABÁS
AS ERVAS DE ÒSÁNYIN, PARAÍSO JUREMÁ
EXU ABRIU CAMINHOS, XANGÔ PROTEÇÃO
FIDELIDADE À SUA RELIGIÃO

É GINGA PRA LÁ, É GINGA PRA CÁ
É RABO DE ARRAIA, Ê CAMARÁ
CORDAO DE OURO, CORPO FECHADO
CARREGAVA O SEU PATUÁ

LIBERDADE É UM DIREITO, SINHÔ
TRABALHOU TEM QUE GANHAR
“QUEBRAR PRA SÃO CAETANO”
ERA UM DITO POPULAR
O NEGRO NADA TEMIA
NO SEIO DA MATA SE PROTEGIA
LUTOU, RESISTIU
COM A FACA DE TUCUM
O BRAVO BESOURO SUCUMBIU
VIROU POESIA E LADAINHA
“CALÇA, CULOTE, PALETÓ, ALMOFADINHA”

BATE PANDEIRO, CHORA VIOLA
VEM LEVANTAR POEIRA
PRA VOLTAR AO SEU LUGAR
REIZINHO DE MADUREIRA