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Tuiuti ‘sonha grande’, apresenta Paulo Barros e outras novidades na equipe para o próximo carnaval

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O Paraíso do Tuiuti abriu as portas da sua quadra, na tarde de sexta-feira, no Dia da Consciência Negra, para realizar a volta da tradicional feijoada da escola, além de apresentar os novos reforços da equipe para o próximo carnaval. Dentre eles, o de principal destaque, é o do carnavalesco Paulo Barros, que despontou para o grande público em 2003, assinando um desfile da azul e amarelo de São Cristóvão, pelo então Grupo A, correspondente a atual Série A. Logo no começo das apresentações dos contratados no palco, o presidente da agremiação, Renato Thor, fez questão de falar acerca deste retorno de Paulo Barros para o Tuiuti, depois de 17 anos, já consagrado como um dos maiores artistas da festa.

“O Tuiuti sonha grande e sempre está em busca desses sonhos e objetivos. A gente aqui não pode pensar pequeno. Devido ao que aconteceu no nosso último carnaval, sabíamos que tínhamos de fazer um grande investimento, investir pesado, e o primeiro nome que veio na nossa cabeça foi o do Paulo Barros. Um carnavalesco muito cobiçado, mas que graças ao Papai do Céu, hoje é do Paraíso do Tuiuti”, comemorou Renato Thor.

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Em seu discurso, antes de passar a palavra ao novo contratado, o dirigente ainda aproveitou para comentar brevemente acerca do atual momento de incertezas que vive a festa. “Todos nós estamos morrendo de saudade do carnaval, todos nós queremos fazer um bom desfile, mas antes de tudo temos que nos cuidar. Sabemos que a festa só poderá acontecer assim que chegar a vacina. Estamos aqui, incansavelmente, torcendo para que ela chegue o mais rápido possível, para que a gente possa fazer o nosso tão esperado carnaval”, declarou.

O momento atípico da folia carioca, provocado pela pandemia da Covid-19, também foi um dos tópicos abordados por Paulo Barros. O artista, que discursou na sequência do presidente Renato Thor, conversou com a reportagem do site CARNAVALESCO um pouco antes de subir ao palco. No bate-papo, Paulo fez questão de se mostrar esperançoso com o futuro do espetáculo, mesmo com as indefinições e dificuldades existentes.

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“De uma certa maneira, esta incerteza de data é até confortável, porque você tem um pouco mais de tempo. O carnaval, teoricamente, você acaba um e já tem que trabalhar em cima do outro. Com a pandemia, o lado positivo que eu enxerguei foi exatamente esse: um pouco mais de tempo. Mas é muito ruim. Eu já estou pirando dentro de casa, já não tenho mais parede para pintar, já não tenho mais coisas para fazer, tudo que tinha já fiz. Obviamente, a gente saiu do nosso normal e é muito complicado. A situação ainda é preocupante e as pessoas, infelizmente, começaram a relaxar. A gente está aí com os dedos cruzados para que venha logo essa solução, para que essa vacina seja aprovada, e se Deus quiser consiga fazer o carnaval, independente ser for em julho de 2021 ou em fevereiro de 2022”, defendeu Paulo Barros.

Ao ser questionado se estaria preparado para fazer alterações e adaptações no projeto de desfile, caso haja mudanças no regulamento ou no modelo de competição, Paulo afirmou ser algo difícil de responder. O artista relatou que tem elaborado o trabalho para o próximo carnaval baseado no formato vigente em 2020, mas que o ideal é ter estas definições o quanto antes.

“O que me preocupa hoje é que eu tenho um planejamento, um carnaval preparado nos moldes que são os tradicionais, dentro do regulamento, e isso de repente pode mudar. Não sei como é que vai ser. Se for no meio do ano, nosso tempo é escasso. A gente leva, em média, sete meses para construir um carnaval normal. Temos essa preocupação agora de: Como vai ser daqui para frente? Que tempo que a gente vai ter? Como vão ser essas adaptações? Se você tira um carro alegórico do enredo, você já muda toda o esquema da preparação do seu desfile. São perguntas que eu também estou me fazendo. Estou bastante preocupado com isso. Torço para que essa definição de qual vai ser o formato do desfile saia o mais rápido possível”, ponderou o carnavalesco.

‘Sensação é de voltar em um momento de outro patamar’, diz Paulo Barros

Sobre o retorno ao Paraíso do Tuiuti, Paulo Barros demonstrou, na entrevista, estar confiante no sucesso deste novo casamento com a escola. Na avaliação do artista, tanto ele, quanto a agremiação, cresceram desde a primeira passagem dele em 2003 e o reencontro agora será positivo para ambos.

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“A sensação de estar de volta é muito boa. O Tuiuti foi meu passaporte para o Grupo Especial. Logo depois que saí daqui, eu ingressei na Unidos da Tijuca e conquistei um vice-campeonato. E eu tenho certeza que aquele processo começou no grupo de acesso. Fiz grupo de acesso alguns anos e o desfile do Tuiuti foi no Grupo A, sendo que na época eu vinha de trabalhos no Grupo B. E o Grupo A era uma grande vitrine. Graças a Deus aquele desfile me trouxe muitas felicidades, foi um desfile de estética que eu já praticava há algum tempo. Logicamente que, se eu fosse repetir aquele enredo, talvez eu repetisse algumas fórmulas e outras eu pudesse adequar e modernizar, por conta até de uma época que era tudo muito difícil. Ainda hoje o grupo de acesso é difícil de você conseguir realizar um sonho de colocar um projeto na Avenida como você imagina”, pontuou.

Na sequência, Paulo Barros ainda prosseguiu o relato. “A sensação é de voltar em um momento de outro patamar, o patamar do Grupo Especial. O Tuiuti já vem se mantendo, conquistou um vice-campeonato, então é uma escola que na minha concepção está fortalecida. Até porque hoje todos desfilam para disputar o título. Então, se a gente tiver que brigar para disputar um título também, a gente vai fazer o possível”, completou.

Outras novidades e retornos

Porém, Paulo Barros não foi o único novo contratado apresentado pelo Paraíso do Tuiuti. Além dele, o intérprete Carlos Júnior, o mestre de bateria Marcão e o diretor de harmonia Luiz Carlos Amâncio também foram oficialmente anunciados para a comunidade. Este último, no entanto, um velho conhecido dos componentes, que volta para agremiação de São Cristóvão depois de três anos.

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“Para mim, é uma felicidade retornar. Fiquei no Tuiuti três anos, e estava os últimos três afastado, mas na verdade parecia até que eu estava aqui dentro. As pessoas me encontravam no meio da rua, pediam para que eu voltasse, e graças a Deus, depois do carnaval de 2020, o presidente Thor me chamou. Nós sentamos, conversamos e estou aqui feliz, a comunidade feliz, o pessoal feliz. Vamos trabalhar para fazer um grande desfile”, assegurou Amâncio, em entrevista ao site CARNAVALESCO.

Estreia no carnaval do Rio e parceria inédita

Vindo do carnaval de São Paulo, Carlos Júnior traz uma vasta experiência no currículo, comandando a mais de uma década o carro de som do Império da Casa Verde. Em sua estreia em terras cariocas, ele dividirá o microfone principal com outro nome oriundo da folia paulistana, no caso Celsinho Mody, que irá para o seu quarto ano consecutivo no Paraíso do Tuiuti. A reportagem do site CARNAVALESCO conversou com os dois sobre esta chegada, além da nova e inédita parceria.

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“Estou vivendo meio que um sonho. Falo meio, porque quando a gente compara, em São Paulo, estou lá há 20 anos. Então, parece que quando você chega tão longe, entra em um processo de final de carreira, dá esse sentimento. Mas quando venho para o Rio de Janeiro, para estrear, parece que voltei a ser criança. É como se estivesse começando tudo de novo. Estou tendo uma possibilidade, uma chance, de quem sabe reviver a coisa do carnaval com mais alegria, mais solto, não de perder a responsabilidade, porém de fazer uma coisa com felicidade, de ter um projeto que todo mundo esteja com um tesão enorme”, iniciou Carlos Júnior.

O novo intérprete do Tuiuti teve, na sexta-feira, a primeira oportunidade de se apresentar na quadra da azul e amarelo com a presença de público. Um momento que, segundo o próprio, ficará marcado em sua vida.

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“Vê a comunidade cantando, a bateria do Marcão tocar ao vivo, é algo inexplicável. Tinha feito algumas apresentações de estreia, como teste, mas eu não tive esse calor humano, de conhecer a quadra, de conhecer a comunidade, de conhecer a história que o Celso estava me contando. Tenho certeza que não estava todo mundo aí, então estou imaginando, lá na frente, como é que vai ser. É uma pena que a gente está nessa época de pandemia, porque queria viver isso aqui intensamente mesmo. Mas, tenho certeza de que o que Deus tem para mim, para nós, é de bom tamanho e a coisa certa, do jeito que tem que ser. Vou realizar um sonho aí, se eu chegar na Sapucaí vou até chorar de alegria”, afirmou.

Para Celsinho Mody, a chegada de Carlos Júnior e a parceria entre os dois tem tudo para ajudar o Paraíso do Tuiuti a ir ainda mais longe nos resultados. Além disso, segundo o intérprete, trata-se da oportunidade dele trabalhar com um amigo de longa data.

“A gente se conhece há muito tempo. Quando eu comecei a cantar, o Carlão já era uma estrela em São Paulo e continua sendo. Tive a oportunidade de vir para o Rio de Janeiro, sou muito grato ao presidente Thor, estou indo para meu quarto ano cantando na Marquês de Sapucaí e receber um amigo é um prazer imenso. Trata-se de um cara muito talentoso, um profissional de excelência, que sempre apresentou grandes resultados. Então, é unir com que eu já estava trabalhando, e aprender com ele também essa excelência. Nós já temos um combinado, vamos fazer o nosso melhor para levar o Tuiuti ao campeonato, com toda humildade, pé no chão e respeito. É como no futebol: se você entrar pensando que você não vai ganhar, você não arruma nada. Nosso intuito é juntar os nossos talentos, nossas qualidades, para que o Tuiuti alcance o ponto mais alto do carnaval do Rio de Janeiro”, declarou Celsinho.

Bateria Super Som sob nova direção

Outra novidade no time da escola é a presença de Mestre Marcão no comando da bateria Super Som. Depois de dois anos sem estar à frente de nenhuma bateria no carnaval do Rio, Marcão recebeu o convite do Tuiuti e aceitou encarar o desafio.

“É um enorme prazer, uma satisfação sem tamanho estar de volta. Quero dizer um muito obrigado ao presidente Thor, por me dar essa chance de abrilhantar a Marquês de Sapucaí novamente”, disse Marcão, durante conversa com o site CARNAVALESCO.

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O renomado mestre, que comandou por 14 anos a bateria Furiosa do Acadêmicos do Salgueiro, tem como missão suceder o Mestre Ricardinho, que estava há cinco anos à frente da Super Som, nessa última passagem. Para reportagem, Marcão adianta que vai implementar a própria filosofia na bateria do Paraíso do Tuiuti, mas sem copiar o que realizou anteriormente.

“Cada um tem o seu trabalho, cada um tem o seu propósito, sua filosofia, e eu tenho uma própria, como tive lá no Salgueiro. Vou tentar colocar aqui também a minha filosofia, não o que fazia lá, mas sim aquilo que pretendo fazer junto com a diretoria e com a rapaziada daqui”, garantiu.

‘Sou eu, Império da patente de Ogum’. Parceria de Paulo César Feital vence samba no Império Serrano

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O Império Serrano já tem um hino definido para embalar seu desfile no Carnaval 2021. Após final realizada na noite desta sexta-feira, o samba escolhido pelo corpo de jurados formado por Grandes Beneméritos, personalidades imperianas e membros da nova geração da escola, foi a composição de Paulo César Feital, Henrique Hoffman, Andinho Samara STS., André do Posto 7, Jefferson Oliveira e Ronaldo Fininho.

“Estamos muito felizes! Nosso samba mereceu ser campeão por sua autenticidade, pela qualidade musical, pela pérola de alguns versos dessa letra maravilhosa. É um samba que emociona. O Império Serrano merece um samba que passe pela avenida emocionando e apaixonando quem o ouve”, declarou o compositor Paulo César Feital.

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“Leandro Vieira é o camisa 10”, diz presidente imperiano

Ao site CARNAVALESCO, o presidente Sandro Avelar falou sobre o resgate da escola.

“As escolas de samba precisam buscar mecanismos para mostrarem a sua força. Ainda mais o Império Serrano, que estava desacreditada, que sofreu no desfile de 2020 e com a comunidade totalmente chateada com a gestão anterior. Então, eu tento mostrar o Império Serrano vivo e também mostrar o que é o Império Serrano, independente de definição de data para o próximo carnaval. Império continua forte, vivo e competitivo”.

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Sandro também comentou sua a volta de Nêgo para o carro de som e a chegada do carnavalesco Leandro Vieira.

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“O Leandro é o camisa 10 desse time, é a pessoa pela qual entregamos o carnaval pra ele. É o autor desse enredo que é um grande enredo por sinal, está projetando fantasias lindíssimas, é o que o Império precisava e eu tenho total confiança no trabalho dele. O Nêgo tem um identificação com o Império Serrano e os imperianos gostam de ouvir a voz dele. Mostramos a todos os imperiano o que realmente a gente quer”.

Renovação na bateria

A Sinfônica do Samba tem mestre Vitinho no comando. Ele conversou com o site CARNAVALESCO e revelou detalhes do trabalho com os ritmistas.

“A gente está procurando trazer de volta algumas características da bateria que com o tempo foi se perdendo e a minha maior missão é trazer isso. Estou com a maior missão da minha vida a frente da bateria do Império Serrano”, disse Vitinho, que terá 270 ritmistas no próximo desfile.

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No meio de uma pandemia, Vitinho explicou como pensa ensaiar sua bateria para o Carnaval 2021.

“É um pouquinho complicado, a gente está tomando todo cuidado, por conta desse momento que a gente está vivendo, mas devagar a gente tem que estar trabalhando, reformulando as coisas”.

Dupla no carro de som

Ganhador do Estrela do Carnaval 2020, como melhor intérprete da Série A, Igor Vianna chegou ao Império Serrano e estará ao lado de Nêgo no desfile do ano que vem. Ele disse o que está sentindo de assumir um posto tão cobiçado no carnaval carioca.

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“Cantar no Império Serrano é uma sensação, uma emoção diferente, é um jeito diferente. É uma honra imensa. O convívio com o Nêgo é o melhor possível”.

Com toda sua experiência, Nêgo comentou o momento da volta para nação imperiana.

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“Estou muito feliz de ter voltado para o Império. Foi o convite feito por um irmão, um amigo que é o Sandro Avelar, conheci toda a família dele e o conheço desde pequeno, tenho um carinho enorme por eles e por toda a diretoria da escola também. Pra mim é uma satisfação, estou voltando para casa, um bom filho a casa torna”.

Casal ansioso para desfilar com uma fantasia de Leandro Vieira

Matheus e Verônica formam o casal de mestre-sala e porta-bandeira do Império Serrano para o desfile de 2021. A dupla possui juventude dele com a experiência dela. Ao site CARNAVALESCO, Verônica revelou ansiedade para vestir uma fantasia feita pelo carnavalesco Leandro Vieira.

“O Leandro é um carnavalesco maravilhoso, respeitado, conceituado e para nós é uma honra estar com ele aqui na escola. Ele desenvolveu um enredo maravilhoso, estamos ansiosos para ver nossa fantasia, vamos ver o que de maravilhoso ele vai criar pra gente”, disse.

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“A expectativa de ter o Leandro na escola é muito grande, ainda mais pra mim, que nasci aqui e sou cria da casa. A expectativa é muito grande para ver nossas fantasias, ontem ele já soltou algumas de determinadas alas, mas não vejo a hora de ver a nossa. Estou muito curioso”, completou o mestre-sala.

Questionados como estão ensaiando devido a pandemia da Covid-19, a dupla revelou detalhes do que estão conseguindo desenvolver.

“Nos programamos para ensaiar três vezes na semana com o nosso coreógrafo. Seguindo todos os cuidados, usando máscara, álcool em gel e fazendo tudo direitinho para que o nosso trabalho não pare. Como profissional da área da saúde nunca pensei em passar por isso e nem como profissional do carnaval também”, citou a porta-bandeira.

Talento no comando da comissão de frente

O coreógrafo Patrick Carvalho é mais um reforço do Império Serrano para o desfile do ano que vem. Ao site CARNAVALESCO, ele disse o que representar fazer uma comissão de frente ao lado de Leandro Vieira.

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“A expectativa é muito grande, a primeira é de ser campeão no Império Serrano e a segunda de trabalhar com o Leandro Vieira, eu sou muito fã. E nós já estamos trabalhando, estamos trocando muito coisa, eu sempre quis falar disso e eu vou levar para avenida uma coisa que eu já tenho guardada a um tempo. É um presente trabalhar com ele Eu montei uma sala de ensaio e de estudos dentro da minha casa”.

Darlin Ferrattry, mãe da cantora Lexa é a rainha de bateria do Império Serrano. Quitéria Chagas é a rainha da escola. Ao site CARNAVALESCO, Darlin falou sobre o momento e projetou o desfile.

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“Vir para o Império Serrano era algo sonhado na minha vida desde sempre. Acho que qualquer mulher se sentiria muito especial de estar a frente dessa bateria. Tem noção do tamanho da minha responsabilidade de ser a primeira Rainha de bateria do Império a
usar o figuro do Leandro? Já sei que minha fantasia já está desenhada, quando eu cheguei na quadra fiquei sabendo e caiu a ficha de que agora é tudo de verdade, meu sonho está sendo realizado”.

O Império Serrano vai levar para a Marquês de Sapucaí, no próximo Carnaval, o enredo Mangangá, que vai contar a história de vida de Manoel Henrique Pereira, capoeirista baiano conhecido como Besouro Mangangá, célebre através de mitos e lendas dentre as quais as que diziam que lutava com o auxílio dos orixás. O tema será desenvolvido pelo Carnavalesco Leandro Vieira. (Por Lucas Santos e Thaise Lima)

Veja ao vivo: final de samba-enredo do Império Serrano

Único carnavalesco negro no Especial, João Vitor fala sobre saída da São Clemente: ‘Que os caminhos dela sejam os do Ubuntu’

João Vitor Araújo, único carnavalesco negro no Grupo Especial do Rio de Janeiro, recebeu a informação que foi desligado da equipe da São Clemente para o próximo carnaval. No Dia da Consciência Negra, João Vitor, que é um dos grandes artistas da nova geração do carnaval, fez um post falando da saída.

“Dos muitos sonhos que tenho, e estou podendo realizar poucos deles, por hora, recebi hoje a notícia que infelizmente a partir de agora não sonharei junto com a São Clemente. Escola exímia na arte de falar aquilo que o povo quer ouvir. Eu ouvi e compreendi os motivos e desejo à agremiação toda sorte do mundo e que os caminhos dela sejam os caminhos do Ubuntu”, escreveu João.

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Em uma publicação nas suas redes sociais, a São Clemente anunciou que Tiago Martins seguirá como carnavalesco solo. “Reorganizamos nosso planejamento e entendemos como será a melhor forma de nos portarmos mediante aos impactos gerados. Reduzimos custos, mas mantendo a certeza que será uma jornada de muito trabalho e sucesso. A São Clemente segue forte e prestes a escrever novas páginas de sucesso em sua trajetória com uma equipe determinada a marcar seu nome na história”, diz o post da escola.

A São Clemente definiu também o cronograma do concurso de samba-enredo para o próximo carnaval. A sinopse será divulgada no dia 02 de dezembro através das redes sociais da agremiação. As parcerias terão duas datas para tirarem as dúvidas de suas composições. A inscrição e entrega dos sambas acontecerá no dia 11 de janeiro de 2021. A apresentação e final de samba ocorrerão em formato de live. Mais informações e regulamento completo serão divulgados na próxima semana.

Veja abaixo a íntegra do post de João Vitor

“Eu sempre pensei na coletividade e, por isso, amo fazer carnaval. Sou um artista criado no chão do barracão e minha maior faculdade foi a vida, foram as pessoas com quem me encontrei por esse caminho com quem aprendi para cheguei até onde estou.

Esse caminho me apresentou curvas muito sinuosas. Fico pensando sempre que, se eu não pensasse nos que caminharam comigo, duvido que teria passado da primeira delas. Este caminho é o caminho de tantos irmãos e irmãs que não tiveram a mesma sorte que eu, a sorte do lar, da família que, mesmo nas derrapadas deste caminho, não me deixou andar para trás.

Neste dia da tal “consciência negra”, estamos tão feridos com a morte absurda que nos agride todos os dias mas que, na última madrugada, teve um simbolismo maior. Foi um sinal para nos colocar em nossos “devidos lugares”? Se foi, entendam, continuaremos duros e fortes neste caminho. Eu continuarei. Continuarei porque muitos me inspiram a continuar e eu sei que minha luta vai inspirar muitos outros. Continuarei porque meu maior combustível é o sonho e nesta estrada não se sonha sozinho.

Dos muitos sonhos que tenho, e estou podendo realizar poucos deles, por hora, recebi hoje a notícia que infelizmente a partir de agora não sonharei junto com a São Clemente. Escola exímia na arte de falar aquilo que o povo quer ouvir. Eu ouvi e compreendi os motivos e desejo à agremiação toda sorte do mundo e que os caminhos dela sejam os caminhos do Ubuntu.

Acredito que o Brasil ainda precisa entender o que é Ubuntu. Ubuntu é uma lição de comunidade, de compartilhar espaços, de amor e gratidão. Ubuntu é uma filosofia que diz que pessoas são mais importantes que coisas, valorizar a comunhão e vencer na coletividade, é ter maturidade para desvalorizar o preconceito e valorizar a essência.
Ubuntu é um pensamento PRETO, Ubuntu está todo dia nos terreiros, nas nossas casas. Ubuntu é tudo, menos este país que nos exclui e mata. Quando o Brasil se enxergar como preto, talvez, nem seremos mais Brasil. Pelo menos não este que aí está.

boa sorte pro caminho de todos”.

Parceria de Aluísio Machado é apontada favorita para vencer samba no Império Serrano

A parceria de Aluísio Machado, Carlos Senna, Renan R. Valença, Ambrosio De Deus, Carlitos Bahiano e Beto Br De Souza foi eleita favorita para vencer a disputa de samba-enredo do Império Serrano, que acontece nesta sexta-feira, na quadra da escola. Eles receberam 82% dos votos.

* OUÇA AQUI OS SAMBAS FINALISTAS

A parceria de Paulo Cesar Feital, Henrique Hoffmann, Andinho Samara STS, André do Posto 7, Jefferson Oliveira e Ronaldo Fininho ficou com 6,8%. Quinzinho, Samir Trindade, Elson Ramires, Lopita 77, Beto R e Bello teve 5,2%.

As parcerias de Alípio Carmo, Franco Cava, Bujão, Fernando Barbosa, Fábio Barbosa e Jorge Quintal e de Lúcio Moraes, Luizinho Mendes, Solano Santos, Paulo Ribeiro, Rafael Gonçalves e Mano Gaspar terminaram com 3% cada.

No próximo Carnaval, o Império Serrano vai levar para a Marquês de Sapucaí o enredo “Mangangá”, de autoria do Carnavalesco Leandro Vieira.

Salgueirenses aprovam novo formato das eliminatórias de samba, sem aglomeração e projetam desfile em julho de 2021

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O Salgueiro abriu na noite de quinta-feira, em sua quadra, a fase de disputa de samba-enredo para o próximo carnaval. Até agora, sabemos que o Carnaval 2021 tem data prevista entre os dias 08 e 11 de julho, porém, para de fato acontecer, precisa da vacina contra Covid-19. Sendo assim, a vermelho e branco saiu na frente e realizou a primeira eliminatória, seguindo todas normas sanitárias e sem aglomeração.

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Foram 12 apresentações das 24 obras concorrentes. Apenas para diretoria salgueirense. Sem torcida das parcerias. Todos os presentes, inclusive, a imprensa tiveram que apresentar exame negativo da Covid-19 para entrarem na quadra. Todo o espaço estava com dispositivo de álcool em gel, informações sobre o uso de máscara e o cuidado com o próximo, além de banners com regras de ouro no combate ao novo Coronavírus.

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“Estar aqui significa muito para a gente. São as pessoas voltando aos trabalhos, esperança de dias melhores. Agora já temos uma data para os desfiles que é julho de 2021, o que nos traz ânimo para trabalharmos e acordarmos com mais força ainda. Não tenho dúvidas de que será um sucesso o carnaval em julho”, disse o presidente André Vaz, que também abordou o lado financeiro para a vida da escola de samba.

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“Nossa quadra sempre foi o nosso maior patrocinador, nossa maior fonte de renda. Assim como nossa boutique que se encontra aberta ao público de segunda a sábado e com vendas online, através do site do Salgueiro. Além do nosso programa de sócio torcedor. A tendência agora é triplicar o nosso faturamento”.

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O diretor de carnaval, Alexandre Couto, após todas apresentações dos 24 sambas concorrentes haverá o corte das obras para o próximo desfile.

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“Estamos trabalhando cada dia de uma vez. Estamos começando a nos readaptarmos na quadra e o próximo passo será o barracão. Fizemos uma parceria com um laboratório para fazermos exames com todas as pessoas envolvidas nas eliminatórias. Além disso, temos totens de álcool em gel, higienização nos microfones, tapetes de higienização. Tudo vai ser diferente, é o novo normal. Escutaremos mais o emocional, não temos o calor do público, da torcida”.

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Presentes no primeiro dia de eliminatórias de sambas, o casal de mestre-sala e porta-bandeira do Salgueiro, Sidclei e Marcella Alves, contou como está trabalhando em tempos de pandemia.

“Estamos fazendo reuniões por internet e se programando para voltar a essa rotina de ensaio. Já dançamos juntos há 7 anos, então, conhecemos bem um ao outro. Nosso carnaval 2021, começa hoje. Estou muito feliz por escutar a bateria, rever os amigos e pisar aqui”, disse Sidclei. Marcella completou: “Somos amigos. Fizemos os estudos e assistimos vídeos. Cada um está fazendo os exercícios em casa para se preparar ainda mais”.

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A dupla salgueirense aprovou a ideia dos desfiles acontecerem no mês de julho de 2021.

“É muito importante para o carnaval num todo, para se programar e preparar”. Marcella completou: “Nossa alimentação também é saudável e tranquila. É óbvio que durante o tempo de quarentena, virei boleira, doceira (risos). Mas, tudo já voltou ao normal, até a prática de atividade física. A palavra-chave é esperança, de tudo isso ir logo embora, da vacina chegar, de conseguirmos fazer um carnaval 2021 na altura dos sambistas, que o carioca, o Brasil merece e que a Liesa sabe realizar”, afirmou a porta-bandeira.

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Emerson Dias e Quinho, que formam a dupla de cantores do Salgueiro, também comemoraram a volta aos eventos na quadra.

Senti falta dessa energia, de rever os amigos, do próprio Quinho. Estamos cheio de vontade, 2021 será o carnaval do alívio. Temos uma direção sensacional, que esteve conosco durante toda essa pandemia”, disse Emerson.

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“Reencontrar pessoas que gostamos, pois respiramos isso. Encontrar a quadra aberta é imensurável, cumprindo as normas de saúde e segurança da OMS. Temos um canto e um chão forte, uma bateria coesa. Voltou a alegria da Salgueiro com essa nova administração”, citou Quinho.

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Os irmãos Gustavo e Guilherme, comandantes da bateria Furiosa, falaram da dificuldade para realização dos ensaios e como foi feita a seleção dos ritmistas para essa fase de disputa de samba.

“Os ensaios ainda não voltaram. Estávamos nos virando com muitas aulas online e agora aguardando um pouco mais para voltarmos definitivo no começo de 2021. Nosso critério foi escolher pela diretoria e alguns ritmistas, com uma bateria reduzida. Explicamos para cada nape e revezaremos. Tudo muito bem explicado e entendido”, garantiu Gustavo. “É colocar na cabeça que Julho será fevereiro, pisar forte na avenida e ir atrás do nossos objetivos”, completou.

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Dia da Consciência Negra: escolas de samba do Rio caminham para reaproximação com a origem e o espaço em que vivem

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Não existe no mundo forma mais democrática de conciliação entre os povos, classes, religiões e orientações sexuais do que o carnaval. Quatro dias de folia são capazes de unir a Zona Sul ao subúrbio carioca das mais diversas formas. Porém, basta chegar a segunda-feira pós folia que voltamos a ver a realidade do Rio de Janeiro que nos foi embaçada outrora pela festa. Apenas em 2019, segundo dados do Instituto de Segurança Pública do RJ (ISP-RJ), 78% dos mortos em ações policiais eram pretos e pardos. Um dado que assusta, incomoda e liga um alerta para qualquer pessoa que queira pensar num estado democrático de direito.

O professor Silvio de Almeida, autor do livro Racismo Estrutural, que explica com detalhes como pretos vivem num sistema criado para que eles não existam, apenas sobrevivam, afirmou em uma de suas entrevistas que “não se pode falar em democracia sem falar da questão racial”. E, ao que parece, as entidades carnavalescas cariocas entenderam que o assunto está em voga. Dos enredos já anunciados para o próximo carnaval, com exceção de Mangueira que ainda não definiu, Viradouro, Tuiuti, Tijuca e Imperatriz, todos os demais possuem temática afrocentrada. Seja homenageando seu mais ilustre torcedor, Martinho, na Vila Isabel, ou a homenagem aos deuses negros, como é o caso de Grande Rio e Mocidade, com Exu e Oxóssi respectivamente. Com a intenção de promover o debate a respeito do assunto no Dia da Consciência Negra, o site CARNAVALESCO ouviu alguns personagens do carnaval que fizeram parte da construção desses temas.

Para Helena Theodoro, autora e curadora do enredo do Salgueiro 2021, é necessário entender antes de tudo o processo de invasão em terra Brasilis e como foi a construção do que entendemos hoje como país.

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“Para exemplificar, vamos citar os EUA. Houve um projeto de nação muito diferente do Brasil desde sua fundação. Quando os fundadores dos EUA pra lá foram, tinham o propósito de criar um território para eles. Onde houvesse igualdade de oportunidades, sem a supremacia de um grupo que se dizia nobre e outro não. Eles saíram da Inglaterra para criar uma nova Inglaterra, dentro de valores e padrões diversos da que existia em seu lugar de origem. Criaram então o sonho de um espaço de liberdade onde não haveria por exemplo uma diferença de castas, e nenhum preconceito. Essa proposta vai fazer com que se valorizasse muito o espaço e território. Porque foram para lá construir algo, criar uma nação onde todos pudessem efetivamente viver e conviver. Já o Brasil, parte de uma outra premissa. Quando o português chega em terra brasilis vem com o objetivo de extrair e enriquecer. Nunca de fazer um novo Portugal. O Brasil construiu um projeto de nação excludente para negros e índios. Construiu inclusive uma mentalidade que começou no início do século XVI, quando pessoas de pele clara, através da guerra, dominaram as pessoas de pele escura ou amarela, e criaram um biopoder no sentido de dizer que já que são vencedores, eram melhores que os demais”, explicou.

Para Helena Theodoro, o debate sobre negritude no carnaval demonstra a valorização do verdadeiro dono da festa e da escola de samba.

“O convite para completar a vontade do Salgueiro de falar sobre resistência negra vem exatamente do estudo que eu e outros intelectuais negros fazemos da forma de resistência do movimento e da comunidade negra. como um todo. Para mostrar que a gente nunca aceitou a maneira de ser, viver e pensar que nos foi imposta pela comunidade europeia. E que esses elementos que para cá vieram sempre buscaram preservar seus valores e maneira de ser. O que as escolas de samba basicamente estão fazendo, e acrescento Salgueiro nisso, foi dar visibilidade ao povo negro que sempre esteve invisível. Uma escola de samba parte do principio de família extensiva, onde cantam e contam sua maneira de viver. É um terreiro na marques de Sapucaí com a família salgueirense, portelense e por aí vai. Tem uma implicação de responsabilidade de cada um com o coletivo, representando o território em que vivem e louvam a determinado Orixá. Esses são as forças da natureza que caracterizam aquela própria natureza. Quando Salgueiro se veste de vermelho e branco, representa o dono da pedreira que é o Morro do Salgueiro, Xangô. Sua bateria furiosa toca o alujá do rei da cidade de Oyo. A inteligência da comunidade negra faz com que mesmo dentro de uma aparência dos valores europeus, você está louvando Orixás, mantendo-os em pensamento, cuidando do seu território a sua maneira própria de viver”.

Nos últimos anos a dupla Gabriel Haddad e Leonardo Bora exaltou na Sapucaí pessoas pretas e suas representatividades. Ao lado da dupla, sempre esteve o antropólogo e enredista Vinicius Natal, que colaborou na construção dos enredos. Para ele, é preciso entender que mesmo com alguns enredos que talvez se afastem de sua origem, mas ainda assim são manifestações negras.

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“Primeiro a gente precisa compreender a escola de samba como um organismo plural. Ela pode ser várias coisas ao mesmo tempo. A minha visão de escola pode ser de que escolas podem e devem estar ligada a sociabilidades negras, dos morros e favelas, a produção musical, sua afirmação de identidade negra na cidade. Já para outras pessoas pode estar vinculada a uma visão comercial e empresarial. Gosto de pensar sempre como organismos e instituições negras, produtos da diáspora africana onde seus fundadores foram filhos e netos de negros escravizados. Então, beber nessa fonte e entender escola como esse organismo é fundamental para entender que ela tem influencia de diversas outras manifestações e festas. Acima de tudo é uma manifestação afrobrasileira, porque em suma maioria foi criada por sujeitos frutos, filhos e netos da abolição jurídica da escravidão negro-brasileira”.

Natal também afirma que o diálogo com pautas atuais sempre foram prioridades nas escolas de samba. Sejam essas pautas de direita ou esquerda no campo político.

“Acho que as escolas sempre negociaram com o tempo presente. Se precisasse falar de Vargas e exaltar o nacionalismo, muitas escolas fariam e outras talvez não. Caso fosse necessário se associar ao partido comunista, muitas também flertariam. Se fosse pra cantar abertura política, várias cantariam. Elas sempre negociam com o tempo. É fundamental para entender esse período que estamos cada vez mais debatendo a questão racial, é fruto de muita luta dos movimentos negros desde o século XIX até hoje. Negros como Abdias do Nascimento tem seus pensamentos refletidos até hoje no mundo inteiro. Também é necessário entender que as escolas são fruto da diáspora negra africana. Assim, elas não precisam necessariamente falar de um enredo de cultura negra para serem manifestações da cultura negro popular. O que quero dizer é que elas não precisam se afirmar somente pela narrativa de carnaval. Ser escola de samba já é um reflexo ancestral. Claro que acho muito positivo esses temas serem debatido e torço que mais e mais as temáticas cantadas na avenida venham junto de uma ação prática de dentro das escolas para combater o racismo que está dentro delas mesmas. Não podemos esquecer e muito menos romantizar que diversas escolas estão isoladas do mundo social e ainda são machistas, homofóbicas e também racistas dentro de sua estrutura. Além dos enredos as agremiações têm que assumir uma missão prática para combater o racismo na sociedade visto que elas são formadas no seio de comunidades afro brasileiras e representam majoritariamente essas comunidades”, concluiu o antropólogo.

André Rodrigues, integrante do departamento de criação da Beija-Flor, considera o momento importante para a história da festa, mas também exalta a contribuição diária das escolas para além do carnaval.

LOGO BEIJAFLOR

“Eu parto do princípio de que o Brasil não acordou só agora. A luta antirracista, pela sobrevivência da população preta, não só das pessoas mas também de seus pensamentos feitos e contribuição é diária. O movimento está acontecendo desde sempre. Tem o movimento negro, movimento das mulheres pretas, das feministas pretas. Um povo que luta todo dia contra o racismo. Essa ideia que a branquitude afirma que a gente nunca vai pra rua, é bem simples de quebrar. Quando vamos pra rua levamos tiro. Essa infelizmente é a grande verdade. Muitas pessoas só enxergaram a luta antirracista agora porque viram o movimento lá de fora e quiseram colocar aqui de uma maneira mais bacana de se debater. Escola de samba é e sempre será eternamente um grande instrumento disso. Muita gente esquece que é um movimento preto, com cultura de preto. Totalmente nosso e que ninguém faz igual. Até quando a escola negocia seu espaço e voz para falar de outras coisas, como os enredos CEP, ainda sim está sendo um mecanismo de levar o corpo preto de suas comunidades para visitar outros lugares”.

O artista finaliza dizendo que enredos com temáticas afro diaspóricas são uma forma de reaproximação das escolas com seu próprio lugar e origem de nascimento.

“Acredito que o movimento das escolas estarem voltadas para enredos mais afros, como é e sempre foi o caso da Beija-Flor, é um meio de busca pela reaproximação com a origem. Faz com que as escolas olhem para dentro delas mesmas, num movimento de procurar falar mais sobre isso e entender do espaço que vivem. As agremiações voltaram a ver que com essas pautas mais progressistas, são uma forma de dialogar com seu público antes, durante e depois do carnaval. Essas escolhas de enredo se devem a esse fato. Sabem que o diálogo será melhor com sua comunidade e também com a sociedade. A partir disso, o desempenho na Sapucaí é muito melhor, obviamente”, finalizou André.

Império Serrano divulga fantasias de seu enredo Mangangá

Em meio à preparação para a final de seu concurso de samba-enredo, que acontece nesta sexta-feira, o Império Serrano divulgou uma pequena mostra das fantasias de alas que irão representar a africanidade e o caráter lúdico do enredo “Mangangá”, de autoria e que será desenvolvido pelo Carnavalesco Leandro Vieira.

Nos figurinos divulgados (batizados de Exú, Mestre Alípio e Jagunço) as fantasias são uma apresentação visual dos personagens envolvidos na história.

JAGUNCO DIVULGACAO

“De um modo geral as fantasias que desenvolvi são a apresentação visual dos ‘atores’ envolvidos na trama que me serve de enredo. Em desfile, os orixás que guardavam um homem que diziam ter ‘o corpo fechado’, a figura de Mestre Alípio (espécie de griot dos saberes da capoeira no Recôncavo da Bahia e mestre de Besouro), bem como a força bruta e violenta dos jagunços que atendiam aos desmandos de senhores de engenho descontentes com a abolição da escravatura”, define o carnavalesco.

MESTRE ALIPIO DIVULGACAO

Sobre o visual geral que Leandro pretende imprimir em sua estreia no Império, o artista diz que “o enredo permite a escolha de um visual que mescla a africanidade com o caráter lúdico e fantasioso dos que contam histórias colhidas no terreno fértil do imaginário popular. Em Mangangá, sou um contador de histórias. Um homem atento aos ‘causos’ que ouvi. Meu trabalho como criador carnavalesco se deu como uma espécie de desenhista que dá contorno plástico aos personagens que atuam na trama que envolve a figura do capoeirista que apresento como enredo”, completou.

EXU DIVULGACAO DANCA

Besouro nasceu em Santo Amaro/Bahia, no ano de 1895, sendo o principal líder da luta contra a permanência do pensamento escravagista nos primeiros anos após a abolição. O hino oficial do Império Serrano, que embalará a comunidade da Serrinha com o enredo Mangangá será conhecido nesta sexta-feira, 20, a partir das 20h, na quadra da escola e ainda contará com transmissão ao vivo da TV Império Serrano e Canal FitAmarela a partir das 22h.

Portela 2022: samba da parceria de Marquinhos Diniz

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Compositores: Marquinhos Diniz, João Martins, Zé Luiz, Flavinho Bento e Willian Santanna
Intérpretes: Pixulé e Marquinho Art Samba

É Baobá
Tronco forte do destino
Que nas terras de Rufino ganhou forma de Jaqueira
O Canzuá da sagrada criação
Onde Paulo é Guardião, Orixá de Madureira
Mas o pilar, que une o céu e a terra, mora
Por onde aflora a cultura ancestral
Há tantos galhos matizados de lilás
Pra que avó dos orixás viva seu templo Natal
Quantas sementes desse meu lugar
Floriram da seiva do axé, Baobá
O Quilombo de Candeia pede Okolofé
Babá Igi Osé

Valei-me Nanã Buruquê! É hora!
Traz flores que Xapanã mandou
Pra cura da chaga de nossa gente
Tem reza de Preto Velho, mandinga de Marabô
Das cores de Oxumarê, a copa
Floresce muzimba, Jeje e Nagô
Brotam acordes de Paulinho da viola
Num amor azul e branco que Monarco me ensinou

Por esses mares de uma vida inteira
Corriam rios de sangue
Quem sabe as dores do Valongo Ressoam nas pedras do Mangue
Do chão pisado da Velha Gamboa Resiste a alma africana
Árvore sagrada, yorubana
O embondeiro que guarda a raiz do samba
Onde vi Casquinha, Argemiro e tantos mais
Ogans, yaôs, yabás
Portela é resistência, é meu dever lembrar
Fincada sob os pés de Olorum
Cajado de Oxalá

Meu baobá é flecha de Odé
Machado de Xangô, axé!
Se a vida é um jardim, Portela é a flor
Mais perfumada de um poeta sonhador

Portela 2021: samba da parceria de Denice Candeias

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Compositores: Denice Candeias, Robinho, Dimas Mello, Bia Lopes, Nana Alves, Lício Pádua e Alexandre Osório
Intérprete: Daniel Silva

IGI OSÈ BAOBÁ
NO AZUL VAI BROTAR SENHORA DO TEMPO
SEUS FILHOS SÃO LAÇOS SAGRADOS
E JUNTO A JAQUEIRA, RAIZ, FIRMAMENTO
VESTI, TEUS GALHOS DE OJÁS LILÁS
COM OS ORIXÁS, A ÁGUIA CANTA EM FORMA DE ORAÇÃO
A NATUREZA EMANA A LUZ
NO ALTAR DO SAMBA OSWALDO CRUZ

PORTELA… O VENTO SOPRA NA ALDEIA
A LUA DORME E O SOL SEMEIA
E COLHE OS FRUTOS PARA ALMA ALIMENTAR

TU ÉS…
A MÃE QUE VAI MATAR A NOSSA SEDE
TU ÉS…
A FONTE PARA FOME SACIAR
NAS SOMBRAS RENASÇO
DA SECA E DA DOR
NO SOLO SAGRADO, O NEGRO ESPLENDOR
UM FRUTO ANCESTRAL
RAÍZES QUE O HOMEM NÃO CORTOU
MUDA QUE NÃO SE CALOU
NOS QUILOMBOS E FAVELAS, BROTAM FLORES DE ESPERANÇA
JONGOS E MARACATUS, A CULTURA MINHA HERANÇA
FOLHAS SECAS, O PASSADO, SEMEAR SABEDORIA
E CULTIVAR O MEU JARDIM DE POESIA

SALUBA NANÃ BURUQUÊ
SOU FILHO DE OBALUAÊ
SAMBISTA DE MADUREIRA
QUANDO A SIRENE TOCAR
E A TABAJARA PASSAR
PORTELA NÃO É BRINCADEIRA

SALUBA NANÃ BURUQUÊ
SOU FILHO DE OBALUAÊ
SAMBISTA DE MADUREIRA
QUANDO A SIRENE TOCAR
E A VELHA GUARDA PASSAR
PORTELA VAI LEVANTAR POEIRA