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Milton Cunha e os destaques de luxo: Simara Sukarno

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Por Milton Cunha, Victor Raposo, Thiago Acácio, Reinaldo Alves, Tiago Freitas e João Gustavo Melo

Simara Sukarno 02“TRAVA NA BELEZA: Imaginários sobre o destaque de luxo de escola de samba”, que será publicado no Dossiê da Revista Policromias do LABEDIS, Museu Nacional da UFRJ, com Editoria de Tania Clemente.

Para chegar aos núcleos temáticos, fizemos uma série de entrevistas que passamos a publicar no site CARNAVALESCO, duas vezes por semana. Este material acabou não entrando no corpo do texto, por limitação de espaço, e não queríamos deixar de mostrar. É uma homenagem aos esforços destes luxuosos personagens que habitam nossos sonhos de folia! Viva os Destaques de Luxo, mensageiros do glamour.

Simara Sukarno: Salgueiro

O que você imagina que a plateia imagina quando te vê passando na avenida durante o desfile?

Simara Sukarno: “Primeiro olho e sinto a beleza daquele destaque, é tão lindo e me transporto para aquela cena e o destaque passa a ser eu. Quando observo e contemplo um destaque na avenida penso no sonho realizado, vivencio com ele a emoção, penso também no tempo e trabalho que dedicou na confecção daquele figurino belíssimo e aplaudo. Meu aplauso vem da apreciação, aprovação, do sentimento de fazer parte daquele momento, arrebatado pela visão do belo. O aplauso é a confirmação de que “você está fazendo ter valido a pena eu estar aqui para te ver “ Ao vislumbrar tanta beleza me sinto homenageado por ele compartilhar o momento tão especial dele com as pessoas que o assistem e eu faço parte disso tudo, nesse momento minha imaginação viaja com ele destaque representando aquele personagem e eu extasiado me sinto pleno, Feliz!!!”

Gostaria de saber como surgiu o seu interesse em ser destaque de luxo? Quando e como foi o seu primeiro desfile nesse posto? Como e quando foi a sua chegada no Salgueiro? E no Carnaval de SP? Já desfilou em outras agremiações nesse posto? Se sim, quais?

Simara Sukarno: “A primeira vez eu já comecei como destaque a convite do carnavalesco Jorge Freitas meu amigo, que ele tinha vindo para São Paulo. Já tinha começado a fazer a primeira escola que era Gaviões. Eu até falo no meu na minha reportagem, eu sou corinthiana e sou Flamengo no Rio. Desculpa! E acabei desfilando por gostar e eu disse que o dia que eu começasse a desfilar seria realmente na Gaviões. E, por coincidência, Jorge foi fazer o carnaval de 2000 lá. Eu desfilei já como destaque de chão. Não! Eu desfilei mais uma vez. Não desfilo na mesma agremiação. Acho que são mais acho que 18 anos eu desfilo pelo Rosas de Ouro que também a Angelina Basílio que é a Presidente do Rosas, minha amiga, o vice-presidente é meu amigo. Me identifico muito com a escola, gosto muito deles e tenho desfilado esses anos. Já desfilei em outras escolas por um ano, por dois, ou por conta de ser muito amiga do carnavalesco, como aconteceu na Pérola que eu fiz dois anos por causa do Fábio Borges, como já desfilei para ajudar outras agremiações. Sempre saio em tripé, já sai em Abre-Alas, ou no Rosas, por exemplo, há alguns anos eu saio no segundo carro do Rosas de Ouro embaixo. Desfilo agora hoje em dia no Salgueiro e devo agora permanecer por muito tempo, porque eu gosto demais e tenho Salgueiro, como as escolas de samba do Rio de Janeiro, como a minha preferida.”

Como é o seu planejamento para desfilar? Qual o seu papel na concepção e elaboração da fantasia? E como é a relação do carnavalesco nesse processo?

Simara Sukarno: “Na verdade, o meu planejamento começa no momento que eu recebo o figurino, certo? Eu que faço! Eu faço a parte de costura, eu faço toda a ampliação dos moldes, eu idealizo, faço as medidas, faço às vezes uma maquete, ou eu vou com desenho para o serralheiro. Sento com ele e literalmente eu desenvolvo a fantasia, passo a passo. Por causa das medidas às vezes temos que tirar alguma coisa, por causa do tamanho no papel. Na verdade, você consegue colocar o que você quiser, muitas vezes eu vejo que falta algum detalhe, falta mais uma parte em ferro para fantasia ter uma plástica melhor. Eu acompanho, além de acompanhar passo a passo, uma parte da minha arte plumária aí eu faço. A maior normalmente eu faço questão de dar para um amigo meu que é o Naldo Cavalcante que ele tem um ateliê só que gosto muito do trabalho dele em arte plumária, tá. E às vezes, isso já aconteceu o ano passado, meu amigo também João Páscoa que tem um Ateliê e eu precisava fazer uns tufos em Faisão e os Faisões eles eram grandes aquele albino branco. Então o que que aconteceu? Eu tava já sem tempo, eu precisava terminar minha última fantasia. Então, pedi para ele porque é uma concepção, uma montagem bem diferenciada. Então, ele que fez. João Pascoal montou para mim. Então, assim sempre tem pessoas participando, serralheiros… Ao carnavalesco? Sim! Ele participa todo tempo. Dependendo do carnavalesco, na verdade a maneira, a dinâmica dele de trabalho tem alguns que eu mando a foto das etapas no que eu estou fazendo. Outros não, eu mando uma outra foto. Então a relação é minha sempre direta com o carnavalesco, porque, afinal de contas, eu tô na verdade materializando um personagem que ele criou. Então, eu acho muito importante seguir que o carnavalesco te pede porque ele tem a concepção completa dessas alegorias o qual você vai fazer parte.”

Simara Sukarno 03E em relação ao personagem/papel que você vai interpretar no desfile. Você faz alguma preparação corporal, nos aspectos de gestual e de semblante? Como que você “encarna” aquilo que está vestindo? Como interioriza a personagem que está representando?

Simara Sukarno: “Na terceira pergunta você me pergunta da minha relação e se eu faço na verdade algum gestual alguma coisa que eu encarne esse personagem? Sim, com certeza! Porque, por exemplo, eu já saí de Nossa Senhora do Pilar. Na época eu saí na Tucuruvi com Fábio Borges, no abre-alas, e eu vinha com menino Jesus na mão, no meu braço. Até tive uma distensão porque eu não pude me movimentar, me mexer. Então, é óbvio que se você tá ali encarnando uma uma santa, você não pode sair sambando. Então é muito importante a maneira e o comportamento do destaque em relação ao personagem que ele vai representar na Avenida. Com certeza todo tempo, além de estudar, de pesquisar. Já começo a pesquisar lá na frente, no começo, na verdade, e depois eu pesquiso quem é, o porquê, se é uma santa. Como já saí também como Princesa Isabel. Recebi um figurino que tinha os laçarotes. Não era da época. Eu, na verdade, no momento que eu recebi eu percebi que tinha um erro ali em termos de época, de tempo. Até conversei com esse meu amigo que também gosta muito de história da arte, Fábio Borges. Ele me falou: ‘fofa, isso aqui não’ É, eu pensei mais ou menos 80, 90 anos e ele falou: ‘Exatamente há 100 anos esses laçarotes. Nunca foram usados. E até porque eu sempre trabalhei com moda e a história da arte’. História geral você tem que acompanhar. Então, sempre tenho muito cuidado de quando eu vou construir essa fantasia fazer com que a roupa e de que todos os elementos que estejam lá, possam condizer com a época de que o meu carnavalesco está falando.”

Você tem apego com as fantasias? Como lida com a ideia de que ela será vista em pouco tempo pelo público?

Simara Sukarno: “Se eu tenho apego à fantasia? Não! Eu que tenho uma sinergia, eu tenho uma relação. E é claro que cria um amor. Você trabalha três, quatro meses bordando, noite a fio, você tá construindo, né. Aquele teu personagem, aquela tua fantasia, ela é ligada às suas emoções, né. Você colocou ali todo seu trabalho, suas noites sem dormir, o prazer de fazer, de materializar aquele desenho. Sim, é essa relação. Não tem uma relação de apego, de ficar com ela, até porque eu acho que no momento que eu estou fazendo é para ela ser vista. Ela faz parte de um todo que é o nosso enredo. Ela faz parte de uma alegoria. Então, ela tá ali para ser vista, para compartilhar, na verdade, as minhas emoções. Continuando na pergunta quatro… Claro que é importante todo seu comportamento gestual, tanto que quando eu saí de de Princesa Isabel com carnavalesco Sidnei França, que foi na Vila Maria e que nós estamos falando de Nossa Senhora, eu precisava realmente ter um comportamento. Até por causa da minha fantasia que precisaria ser fechada, ou cuidar de todos os detalhes porque Princesa Isabel foi uma mulher muito pudica, né, muito séria, ela usava muito mais preto, inclusive. Tanto que a gente observa que os vestidos dela de festa, né, eles eram sempre muito sérios, muito sóbrios, né. Então, também tive, como é muito quente, eu fiz até algumas peças, e fiz um bolero bem ajustado ao corpo que quando eu me montei na Avenida parecia que era uma roupa só, mas de verdade, não. Não era por causa do próprio calor, né, que a gente sente, mas sempre tenho cuidado sim de vestir, tanto como na Nossa Senhora do Pilar a minha roupa ela inteirinha fechada. Esses detalhes são muito importantes. E encarno sim! Encarno muito o personagem.”

Para você, o que faz uma fantasia de destaque se eternizar na mente de quem assiste os desfiles? E o que faz um destaque se distinguir dos demais destaques de luxo do carnaval?

Simara Sukarno: “Você me pergunta aqui: ‘O que uma fantasia de destaque, né. O que seria para ser eternizar e na mente de quem assiste. O que distingue essa fantasia de outros destaques?’ Na verdade, eu acho que é também uma questão de sorte porque… Isso para quem faz. Assim, o que todas as minhas colocações aqui é porque como eu faço a minha fantasia não vai para um atelier. Então, não vai ficar com a personalidade com aquele traço característico daquele atelier. As minhas fantasias… Entre nós, todo mundo sabe o que é meu porque eu gosto muito de acabamento, gosto muito do bordado… Sou ainda das antigas, né, que gosta de construir, bem forrada, bem estruturada. Então, isso já é uma característica minha, né. E principalmente do bordado e do Luxo que eu gosto muito. E a maneira limpa como eu trabalho. Limpa que eu digo, eu coloco os elementos necessários, mas eu eu tenho muito cuidado de não poluir a minha fantasia. E a questão de ficar eternizada também vem uma questão de sorte. É no lugar onde você está. A fantasia em si, ela de repente tem um conjunto de cores, ela tem uma montagem, tem um equilíbrio uma plástica tão bonita que aquilo você grava. Eu acho que é por aí porque é muito difícil. Eu até tô pensando aqui e ia comentar em relação a parte do carro alegórico, mas eu já vi também fantasia do carro alegórico não ser uma coisa que pudesse dizer: ‘Uau, que maravilha!’ E a fantasia do destaque ser tão divina, tão divina de eu me focar e prender a minha atenção só naquela fantasia, na riqueza, nos detalhes. Eu acho que é um conjunto de coisas. Eu acredito que seja um conjunto de coisas. Uma sorte também, de repente a cor que você usou aquele ano, a maneira como você confeccionou, como você montou a estrutura da ferragem, aquilo deu uma termos de plástica, de se olhar, ficou mais bonito… Não sei isso é uma questão aí eu acho que é sorte, eu acho que a maneira de fazer, eu acho que é a parte também sempre de como você trabalha, e sempre tem ali né? Tem a sua assinatura. Mesma coisa que a maneira de escrever, a escrita…Você pega ai um autor e o escritor você percebe a maneira de lhe escrever também existe a arte da gente, cada um tem o seu traço, a sua maneira de confeccionar.”

Simara Sukarno 01Tem alguma fantasia ou fantasias por qual você sempre é lembrado (a) ou que tenha se tornado inesquecível para as pessoas? Se sim, por qual motivo isso aconteceu?

Simara Sukarno: “Tem uma fantasia que todo mundo lembra. Eu fui muito feliz na concepção, na criação ali do desenho que eu recebi e como eu fiz essa fantasia. Até porque eu uso um pavão atrás do faisão branco rosa chiclete. E era uma fantasia que, na verdade, é uma cor que foi uma cor inusitada. Ela ficou, não sei, ela ficou maravilhosa! Ela é uma fantasia leve. É uma guerreira! É uma guerreira! Eu tenho um escudo, mas ela ficou muito feminina, ela ficou muito leve, ela ficou muito bonita. Eu até depois se você quiser te mando a foto. E teve uma outra fantasia que é um estilo completamente diferente também que eu saí num tripé no Rosas de Ouro, (as duas são do Rosas, por coincidência) no Rosas de Ouro que quem me desenhou foi o André Cezari, que foi o ano que ele foi carnavalesco. Eu vim como uma divindade Maia. Ela só tem cores primárias, quentes, né. Só que ela ficou de uma beleza, é uma fantasia realmente muito imponente que chama atenção, chama porque quando passou aquele tripé na Avenida eu percebi assim os olhares, sabe, de êxtase. A fantasia realmente deu certo a receita, eu posso te dizer assim. E eu tenho também muito, muito cuidado na parte de trás dos meus costeiros, né. Inclusive eu sempre começo trabalhando, depois da forração, eu começo colocando detalhes, aplicações, fazendo a parte de trás do costeiro porque eu sei que é importante. É importante quando você passa e quando o teu carro alegórico vai indo as pessoas têm uma visão também equilibrada, bonita da parte de trás.”

Você considera o luxo essencial para a festa? Se sim, por qual motivo?

Simara Sukarno: ” Olha, se você diz que é uma festa, dependendo de que festa, ou se você vai um baile, você vai no carnaval… No carnaval você é um destaque de luxo aí já da sua característica. Ou se você vai numa festa, realmente eu acho importantíssimo! Importantíssimo você está luxuosa! Isso não quer dizer que você estar luxuosa você tenha que parecer uma árvore de natal, tá certo? Eu acho que o sinônimo do luxo vem o requinte, o equilíbrio, e o bom gosto em tudo que você faz. Então, luxo não é você pegar e jogar tudo que você viu, ou se você tá numa festa, você tá com vestido, você tá no baile de gala que seja, você jogar tudo em cima de você e achar que você está luxuosa. Isso não é luxo, né! Luxo é requinte, bom gosto, equilíbrio.”

Antigamente, cada destaque vinha em uma alegoria. Hoje, com a diminuição do número de carros, isso tem sido menos frequente. Como você enxerga essa mudança? É um problema pra você dividir a atenção do público?

Simara Sukarno: “Na verdade, diminuíram os carros alegóricos, e vai diminuir mais um. Normalmente algumas poucas escolas que eu posso te destacar como: Salgueiro no rio e Rosas em São Paulo que tem, na verdade, uma quantidade de bons destaques. Então, passa a ser uma preocupação e um problema para colocar dois destaques em um carro? Sim! O que eu vejo é que antigamente tinha-se destaques realmente de carnaval que vinham no chão. Isso, para mim, complementava, né a decoração do enredo, né, com mais esse personagem. Agora, em relação a dividir atenção… Não! Eu acho que complementa, eu sempre penso no complementar. Complementa sim num carro alegórico, na maioria das vezes. Pode ser que a estrutura, a ideia do carnavalesco em relação a esse carro que de repente só caiba um destaque. Um destaque. Aí eu acho que é muito mais eu acho que tem que tirar a coisa do ego, e sim pensar no todo de novo para escola, né? Nessa montagem que o carnavalesco idealiza, em relação às alas, em relação aos personagens, e como ele monta isso. Então, não acredito não que tire, porque são fantasias diferentes normalmente são em cores diferentes e eu entendo sim que quando vem dois destaques em um carro, como essa que eu vim de branco e rosa chiclete, o meu amigo destaque que veio no alto que era o destaque alto, ele veio nos tons de pink um pouco fúcsia. Então, na verdade, o carro era todo dourado. Ficou uma obra de arte! Eu acredito sim que um complemente o outro. Não tem essa de tirar atenção. Porque, até, quem faz é uma outra pessoa, a arte é uma outra arte, a arte daquele destaque, ou daquele atelier que fez para ele… No nosso caso, eu fiz a minha e ele fez a dele. Então, coisas completamente diferentes, estruturas diferentes, montagem diferente, mas que ficaram extremamente equilibradas naquele carro dourado que fez uma moldura para gente, até por causa das cores que a gente vinha. Não vejo assim. Vejo sempre um destaque complementando o outro. Eu acho aí sempre não é uma questão de você querer estar só porque você acha que você brilha mais. Não, ao contrário. É no conjunto da obra que de repente você se destaca.”

Pra você o que a figura do destaque simboliza para os demais componentes da escola? E como é a relação deles com você?

Simara Sukarno: ” Essa pergunta nova é uma pergunta delicada. Por que? O destaque ele é único, né? Ele é um componente da escola como todos os outros componentes. O que diferencia esse destaque? Que a fantasia dele é única. Ele vem num lugar único, né, que é um queijo. Se existe uma diferença entre os outros componentes? Existe! Existe! Os destaques é meio segregado, ele fica meio ao lado. Parece que as pessoas, é muito complicado, até quando vem no destaque novo para uma escola, a maneira dele ser recebido, afetuosidade… É como se eles entendessem que: “Ah, eu sou de ala, eu sou composição, e o destaque fica lá.” Não deveria ser assim! Deveria ter uma acolhida melhor. Deveria ter uma relação, uma sinergia melhor entre todos porque nós somos componentes, nós temos posições diferenciadas e trabalhos sim diferenciados, só que temos que pensar que nós somos componentes de uma mesma agremiação. Então, existe ainda, é muita diferença, tá dependendo também de novo da escola que, por exemplo, no Salgueiro cada destaque que chega quando a gente se monta o pessoal de ala, as pessoas, os componentes, as meninas que são composições, a gente troca sempre idéias. Fala: ‘Que linda sua fantasia!’ ‘Gostei como você fez.’ Por exemplo vieram as meninas da composição do meu carro que eu vim de cigano: ‘Olha, você está toda de dourado, que você é a cigana… Olha, nós também viemos de cigana vermelha. Que legal’ Quer dizer, tem uma relação muito boa e tem escolas que não, que quando chegam destaque, ele só falta virar e dar as costas. Aqui, para complementar Victor, eu percebo assim falando das escolas e a relação do comportamento que é o espelho, né, da agremiação que você pertence, você percebe essa diferença por exemplo no Salgueiro porque é muito forte. Eu acredito que seja também pela união a maneira do Salgueiro se comportar. Eu acho que é uma coisa cultural dentro daquela escola. É pontual, não é o geral, entendeu? Então, os dirigentes, o seu diretor, o seu diretor de carnaval, os diretores que você tem, depois os coordenadores de composição. Eu vejo que é muita essa relação cultural dentro daquela comunidade, que é bem pontual isso.”

O carnaval vem passando por uma crise financeira e muito se fala que as escolas precisam voltar às suas raízes. Você acha que a comunidade se sente representada quando vê vocês nos dias de hoje? Sentiu alguma mudança na relação entre você e a comunidade nos últimos anos?

Simara Sukarno: “Sim. O carnaval já vem passando por problemas financeiros e isso aí a gente percebe também que é muito questão de organização. Porque como escolas que conseguem fazer seu carnaval sem patrocínio, sem uma série de outras coisas e outras conseguem? Isso aí eu vejo que é um problema estrutural dentro da escola de gestão financeira também. Agora, o que eu percebo com esse momento que a gente está passando muito sério é que começou a voltar a se ter um olhar de novo para comunidade, até porque a comunidade nesse momento tá dependendo muito das ações sociais que as escolas vão fazer e que isso reverta em alguma coisa para a própria sobrevivência deles. Espero e acredito que nesse momento e de reflexão profunda, que muitos também a gente percebe que não tem, porque eles sentem que eles estão presos e não estão percebendo que existe aí uma coisa maior, um pensamento maior… você tem que depurar um pouco as coisas, os sentimentos, a maneira de você pensar, pensar de novo na relação entre as pessoas como um todo, com a empatia, você se colocar no lugar dela, perceber o momento que ela tá passando…Enfim, espero que sim que isso venha trazer mais união, menos diferença e, posso te dizer, que eu tenho sorte de sair em escolas que eu tenho uma relação muito antiga e apesar do Salgueiro ser uma relação de poucos anos, quatro anos, mas tem diferença sim. Porque? Pela estrutura dele. Pela maneira dele se comportarem, pela diretoria… Eles trazem essa comunidade junto com eles. Então, de novo eu te repito, depende muito da escola, depende muito do comportamento. E quando você está na Avenida, é óbvio que daí eles dissociam muito. Eu acho que dissociam bastante o fato de você ser destaque, eles pensam: ‘Ah, minha escola está bonita, isso que importa! Todo mundo tá vindo bonito.’ Naquele momento eu percebo sim que existe uma sinergia maior… ‘Nossa, a escola está bonita!’ Aí sim, nesse momento eles pensam como um todo.”

Você falou, na resposta ao Milton, sobre os olhares de contemplação da beleza pelo público. Conte mais um pouco sobre esse momento de troca entre você e quem está te contemplando?

Simara Sukarno: ” Milton é o seguinte… É uma emoção única quando você está ali na Avenida e você vê pessoas que estão na arquibancada, outros no camarote, que eles te aplaudem. Eles te aplaudem de verdade e que sempre me passa na cabeça, queira ou não queira, aquelas pessoas deixaram os seus filhos em casa, ou juntaram um dinheiro para ficar no camarote, dependendo da sua condição financeira. Ou ganharam, ou pagaram e foram lá só por prazer realmente para ver aquela maravilha que é o desfile de escola de samba, e eu também vejo aquelas comunidades juntas com aquela sacolinha comendo o seu sanduíche na arquibancada e de repente você passa e elas param de beber, elas param de comer, elas te aplaudem e elas se sentem fazendo parte daquilo. Então essa, me emociono até quando eu falo… É uma emoção única porque ali você vê que a pessoa, ela sente que você fez aquele trabalho, que você tá apresentando aquela maravilha, aquela beleza de esplendor de fantasia para ela, para ela se deleitar com aquele momento, e exatamente nesse momento parece que todos nós ficamos muito próximos, juntos, né? Então, é emocionante, mas eu quando passo sempre observo muito, apesar da gente estar naquele gestual ou naquela mímica fazendo aquele trabalho todo, e que eu mando beijos… Olha, teve um ano que tinha uma senhora, eu acho que ela tava com os netos ali, ela tava no meio da comunidade com a camiseta e aí ela pegou e me jogou um beijo, ela com sanduíche na mão, ela me jogou um beijo e aí eu fiz uma reverência ela e mandei um beijo. Você acredita que a sacola dela até caiu, ela ficou tão emocionada que ela te deixou a sacolinha dela do sanduíche que estava no colo dela caiu no chão. Então, você vê como é impactante para mim, que nesse momento acabo também sendo um observador, e ela também como observadora, é emocionante! É emocionante! São momentos que você não esquece. Eu tenho alguns momentos que eu passei na Avenida que eu não esqueço, como o outro que nós distribuímos os tercinhos. Eu fiz uma sacola de veludo, foram bordadas com uma alça todas do mesmo tecido que eu fiz a minha roupa da Princesa, da minha fantasia de Princesa Isabel e aí eu precisei de mais apoio, a escola me disponibilizou. E cada sacola tinham, mais ou menos, em média 600 terços. Foi uma loucura! E eu tive ali momentos que eles falavam: “Princesa Isabel está te dando esse tercinho com oração”, e depois foi uma loucura! Não dava mais tempo de falar, até a Globo conversou com esses meus apoios e tudo e foi uma loucura, mas eu vi muitas pessoas que elas pegavam o tercinho, choravam e me agradeciam. Então, ali você vê que elas interagem demais com personagem que você tá apresentando.”

Com quanto tempo de antecedência você chega no sambódromo? Em qual tipo de carro você chega? Quantas bolsas você carrega? Como são feitas essas bolsas? Tem pessoas para dar apoio? Na hora que chega e vê as alegorias desmontadas, de tarde, muito antes de qualquer pessoa, o que você sente? O que você pode contar desse processo de montagem e depois de desmontagem da alegoria? Sente tristeza de jogar lá de cima os plumeiros? Como é essa sensação?

Simara Sukarno: “Em São Paulo uso o hotel como apoio. Monto o resplendor 5 a 6 horas antes (depende da previsão do tempo), volto para o hotel com a minha filha e os apoios, a me arrumo, makeup, etc. Comemos algo, e voltamos para a concentração. No Rio já vou com a maquiagem pronta 4 a 5 horas antes depende no nosso coordenador Eduardo do Salgueiro, se ele me pede 4 horas antes sempre adiciono mais 1 hora pensando nos imprevistos. No Rio vou e já fico com os meus apoios e não volto para o hotel. OBS: sempre levamos lanchinhos, água, bebida e água de coco. Quando chego e vejo o carro alegórico sempre é aquela emoção, assim que terminamos a montagem admiro o carro com o meu resplendor que complementa a alegoria, minha tranquilidade vem qdo literalmente estou com fantasia já posicionada no meu queijo aí sim vem aquela sensação de trabalho realizado, quando inicia a movimentação dos carros, e começa o esquenta é só emoção. Quando começa o esquenta dá um ziriguidum no coração. Em São Paulo tenho 4 apoios, minha filha e mais 3 apoios sempre amigos que acompanham todo o processo de construção do meu figurino. No Rio tenho 3 apoios contando com a minha filha, no Salgueiro minha escola somos 4 destaques de São Paulo que desfilamos e todos nós juntamente com os nossos apoios ajudamos uns aos outros e também se necessário outros componentes da escola. As sacolas que vai as ferragens e a fantasia sempre precisam estar bem embaladas para não danificar nada, e sempre levo uma bolsinha com tudo, cola fria, tesoura, linha, agulha, alfinete, lacres de tamanhos diversos, etc para qualquer tipo de necessidade que tenhamos. Na montagem antes na fixação da base sempre acompanho e ajudo é importantíssimo para a minha segurança. Na desmontagem, faço todo o processo em cima do queijo, não jogo nada, as bolsas que uso vão dobradas dento de uma sacola decorada que é presa no meu resplendor e faz parte da decoração, as peças não podem ser jogadas pois são trabalhadas com muitas pedras e deram danificadas com o manuseio errado. Quando retorno sempre no outro dia reviso tudo para ver se estão em perfeito estado pois preciso estar preparada se formos para o desfile das campeãs. No Rio levo um carrinho que é guardado embaixo da alegoria, nesse carrinho levamos as sacolas das ferragens que são pesadas.”

Luto salgueirense! Morre Bira do R

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Ubiratan Senjori de Souza Ferreira, o Bira do R, faleceu na noite de sábado, após sofrer um infarto. O enterro será neste domingo, às 15h30, no cemitério de Inhaúma.

Por mais de 30 anos, ele comandou o microfone da quadra do Salgueiro. Em entrevista ao jornal O Dia, em 2017, Bira do R contou um pouco da relação com o Salgueiro.

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“A bateria do Salgueiro batia igualzinha a banda marcial dos Fuzileiros Navais. Quando eu vi, falei: ‘caramba, rapaz, que escola é essa?!’ Aí me apaixonei por ela”.

Veja abaixo o post do Salgueiro sobre Bira do R:

“Conversa de sambista é samba! E, como se em um sinal divino, você escolheu um sábado, dia de samba a Academia, para nos deixar. Ubirajara, que para nós será sempre BIRA DO R já não estará mais fisicamente conosco mas, sua voz e alegria inconfundíveis, seguirão ali, a cada sábado, esperando o momento de se manifestarem. Descanse em paz, já estamos com saudades”.

Tuiuti ‘sonha grande’, apresenta Paulo Barros e outras novidades na equipe para o próximo carnaval

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O Paraíso do Tuiuti abriu as portas da sua quadra, na tarde de sexta-feira, no Dia da Consciência Negra, para realizar a volta da tradicional feijoada da escola, além de apresentar os novos reforços da equipe para o próximo carnaval. Dentre eles, o de principal destaque, é o do carnavalesco Paulo Barros, que despontou para o grande público em 2003, assinando um desfile da azul e amarelo de São Cristóvão, pelo então Grupo A, correspondente a atual Série A. Logo no começo das apresentações dos contratados no palco, o presidente da agremiação, Renato Thor, fez questão de falar acerca deste retorno de Paulo Barros para o Tuiuti, depois de 17 anos, já consagrado como um dos maiores artistas da festa.

“O Tuiuti sonha grande e sempre está em busca desses sonhos e objetivos. A gente aqui não pode pensar pequeno. Devido ao que aconteceu no nosso último carnaval, sabíamos que tínhamos de fazer um grande investimento, investir pesado, e o primeiro nome que veio na nossa cabeça foi o do Paulo Barros. Um carnavalesco muito cobiçado, mas que graças ao Papai do Céu, hoje é do Paraíso do Tuiuti”, comemorou Renato Thor.

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Em seu discurso, antes de passar a palavra ao novo contratado, o dirigente ainda aproveitou para comentar brevemente acerca do atual momento de incertezas que vive a festa. “Todos nós estamos morrendo de saudade do carnaval, todos nós queremos fazer um bom desfile, mas antes de tudo temos que nos cuidar. Sabemos que a festa só poderá acontecer assim que chegar a vacina. Estamos aqui, incansavelmente, torcendo para que ela chegue o mais rápido possível, para que a gente possa fazer o nosso tão esperado carnaval”, declarou.

O momento atípico da folia carioca, provocado pela pandemia da Covid-19, também foi um dos tópicos abordados por Paulo Barros. O artista, que discursou na sequência do presidente Renato Thor, conversou com a reportagem do site CARNAVALESCO um pouco antes de subir ao palco. No bate-papo, Paulo fez questão de se mostrar esperançoso com o futuro do espetáculo, mesmo com as indefinições e dificuldades existentes.

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“De uma certa maneira, esta incerteza de data é até confortável, porque você tem um pouco mais de tempo. O carnaval, teoricamente, você acaba um e já tem que trabalhar em cima do outro. Com a pandemia, o lado positivo que eu enxerguei foi exatamente esse: um pouco mais de tempo. Mas é muito ruim. Eu já estou pirando dentro de casa, já não tenho mais parede para pintar, já não tenho mais coisas para fazer, tudo que tinha já fiz. Obviamente, a gente saiu do nosso normal e é muito complicado. A situação ainda é preocupante e as pessoas, infelizmente, começaram a relaxar. A gente está aí com os dedos cruzados para que venha logo essa solução, para que essa vacina seja aprovada, e se Deus quiser consiga fazer o carnaval, independente ser for em julho de 2021 ou em fevereiro de 2022”, defendeu Paulo Barros.

Ao ser questionado se estaria preparado para fazer alterações e adaptações no projeto de desfile, caso haja mudanças no regulamento ou no modelo de competição, Paulo afirmou ser algo difícil de responder. O artista relatou que tem elaborado o trabalho para o próximo carnaval baseado no formato vigente em 2020, mas que o ideal é ter estas definições o quanto antes.

“O que me preocupa hoje é que eu tenho um planejamento, um carnaval preparado nos moldes que são os tradicionais, dentro do regulamento, e isso de repente pode mudar. Não sei como é que vai ser. Se for no meio do ano, nosso tempo é escasso. A gente leva, em média, sete meses para construir um carnaval normal. Temos essa preocupação agora de: Como vai ser daqui para frente? Que tempo que a gente vai ter? Como vão ser essas adaptações? Se você tira um carro alegórico do enredo, você já muda toda o esquema da preparação do seu desfile. São perguntas que eu também estou me fazendo. Estou bastante preocupado com isso. Torço para que essa definição de qual vai ser o formato do desfile saia o mais rápido possível”, ponderou o carnavalesco.

‘Sensação é de voltar em um momento de outro patamar’, diz Paulo Barros

Sobre o retorno ao Paraíso do Tuiuti, Paulo Barros demonstrou, na entrevista, estar confiante no sucesso deste novo casamento com a escola. Na avaliação do artista, tanto ele, quanto a agremiação, cresceram desde a primeira passagem dele em 2003 e o reencontro agora será positivo para ambos.

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“A sensação de estar de volta é muito boa. O Tuiuti foi meu passaporte para o Grupo Especial. Logo depois que saí daqui, eu ingressei na Unidos da Tijuca e conquistei um vice-campeonato. E eu tenho certeza que aquele processo começou no grupo de acesso. Fiz grupo de acesso alguns anos e o desfile do Tuiuti foi no Grupo A, sendo que na época eu vinha de trabalhos no Grupo B. E o Grupo A era uma grande vitrine. Graças a Deus aquele desfile me trouxe muitas felicidades, foi um desfile de estética que eu já praticava há algum tempo. Logicamente que, se eu fosse repetir aquele enredo, talvez eu repetisse algumas fórmulas e outras eu pudesse adequar e modernizar, por conta até de uma época que era tudo muito difícil. Ainda hoje o grupo de acesso é difícil de você conseguir realizar um sonho de colocar um projeto na Avenida como você imagina”, pontuou.

Na sequência, Paulo Barros ainda prosseguiu o relato. “A sensação é de voltar em um momento de outro patamar, o patamar do Grupo Especial. O Tuiuti já vem se mantendo, conquistou um vice-campeonato, então é uma escola que na minha concepção está fortalecida. Até porque hoje todos desfilam para disputar o título. Então, se a gente tiver que brigar para disputar um título também, a gente vai fazer o possível”, completou.

Outras novidades e retornos

Porém, Paulo Barros não foi o único novo contratado apresentado pelo Paraíso do Tuiuti. Além dele, o intérprete Carlos Júnior, o mestre de bateria Marcão e o diretor de harmonia Luiz Carlos Amâncio também foram oficialmente anunciados para a comunidade. Este último, no entanto, um velho conhecido dos componentes, que volta para agremiação de São Cristóvão depois de três anos.

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“Para mim, é uma felicidade retornar. Fiquei no Tuiuti três anos, e estava os últimos três afastado, mas na verdade parecia até que eu estava aqui dentro. As pessoas me encontravam no meio da rua, pediam para que eu voltasse, e graças a Deus, depois do carnaval de 2020, o presidente Thor me chamou. Nós sentamos, conversamos e estou aqui feliz, a comunidade feliz, o pessoal feliz. Vamos trabalhar para fazer um grande desfile”, assegurou Amâncio, em entrevista ao site CARNAVALESCO.

Estreia no carnaval do Rio e parceria inédita

Vindo do carnaval de São Paulo, Carlos Júnior traz uma vasta experiência no currículo, comandando a mais de uma década o carro de som do Império da Casa Verde. Em sua estreia em terras cariocas, ele dividirá o microfone principal com outro nome oriundo da folia paulistana, no caso Celsinho Mody, que irá para o seu quarto ano consecutivo no Paraíso do Tuiuti. A reportagem do site CARNAVALESCO conversou com os dois sobre esta chegada, além da nova e inédita parceria.

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“Estou vivendo meio que um sonho. Falo meio, porque quando a gente compara, em São Paulo, estou lá há 20 anos. Então, parece que quando você chega tão longe, entra em um processo de final de carreira, dá esse sentimento. Mas quando venho para o Rio de Janeiro, para estrear, parece que voltei a ser criança. É como se estivesse começando tudo de novo. Estou tendo uma possibilidade, uma chance, de quem sabe reviver a coisa do carnaval com mais alegria, mais solto, não de perder a responsabilidade, porém de fazer uma coisa com felicidade, de ter um projeto que todo mundo esteja com um tesão enorme”, iniciou Carlos Júnior.

O novo intérprete do Tuiuti teve, na sexta-feira, a primeira oportunidade de se apresentar na quadra da azul e amarelo com a presença de público. Um momento que, segundo o próprio, ficará marcado em sua vida.

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“Vê a comunidade cantando, a bateria do Marcão tocar ao vivo, é algo inexplicável. Tinha feito algumas apresentações de estreia, como teste, mas eu não tive esse calor humano, de conhecer a quadra, de conhecer a comunidade, de conhecer a história que o Celso estava me contando. Tenho certeza que não estava todo mundo aí, então estou imaginando, lá na frente, como é que vai ser. É uma pena que a gente está nessa época de pandemia, porque queria viver isso aqui intensamente mesmo. Mas, tenho certeza de que o que Deus tem para mim, para nós, é de bom tamanho e a coisa certa, do jeito que tem que ser. Vou realizar um sonho aí, se eu chegar na Sapucaí vou até chorar de alegria”, afirmou.

Para Celsinho Mody, a chegada de Carlos Júnior e a parceria entre os dois tem tudo para ajudar o Paraíso do Tuiuti a ir ainda mais longe nos resultados. Além disso, segundo o intérprete, trata-se da oportunidade dele trabalhar com um amigo de longa data.

“A gente se conhece há muito tempo. Quando eu comecei a cantar, o Carlão já era uma estrela em São Paulo e continua sendo. Tive a oportunidade de vir para o Rio de Janeiro, sou muito grato ao presidente Thor, estou indo para meu quarto ano cantando na Marquês de Sapucaí e receber um amigo é um prazer imenso. Trata-se de um cara muito talentoso, um profissional de excelência, que sempre apresentou grandes resultados. Então, é unir com que eu já estava trabalhando, e aprender com ele também essa excelência. Nós já temos um combinado, vamos fazer o nosso melhor para levar o Tuiuti ao campeonato, com toda humildade, pé no chão e respeito. É como no futebol: se você entrar pensando que você não vai ganhar, você não arruma nada. Nosso intuito é juntar os nossos talentos, nossas qualidades, para que o Tuiuti alcance o ponto mais alto do carnaval do Rio de Janeiro”, declarou Celsinho.

Bateria Super Som sob nova direção

Outra novidade no time da escola é a presença de Mestre Marcão no comando da bateria Super Som. Depois de dois anos sem estar à frente de nenhuma bateria no carnaval do Rio, Marcão recebeu o convite do Tuiuti e aceitou encarar o desafio.

“É um enorme prazer, uma satisfação sem tamanho estar de volta. Quero dizer um muito obrigado ao presidente Thor, por me dar essa chance de abrilhantar a Marquês de Sapucaí novamente”, disse Marcão, durante conversa com o site CARNAVALESCO.

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O renomado mestre, que comandou por 14 anos a bateria Furiosa do Acadêmicos do Salgueiro, tem como missão suceder o Mestre Ricardinho, que estava há cinco anos à frente da Super Som, nessa última passagem. Para reportagem, Marcão adianta que vai implementar a própria filosofia na bateria do Paraíso do Tuiuti, mas sem copiar o que realizou anteriormente.

“Cada um tem o seu trabalho, cada um tem o seu propósito, sua filosofia, e eu tenho uma própria, como tive lá no Salgueiro. Vou tentar colocar aqui também a minha filosofia, não o que fazia lá, mas sim aquilo que pretendo fazer junto com a diretoria e com a rapaziada daqui”, garantiu.

‘Sou eu, Império da patente de Ogum’. Parceria de Paulo César Feital vence samba no Império Serrano

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O Império Serrano já tem um hino definido para embalar seu desfile no Carnaval 2021. Após final realizada na noite desta sexta-feira, o samba escolhido pelo corpo de jurados formado por Grandes Beneméritos, personalidades imperianas e membros da nova geração da escola, foi a composição de Paulo César Feital, Henrique Hoffman, Andinho Samara STS., André do Posto 7, Jefferson Oliveira e Ronaldo Fininho.

“Estamos muito felizes! Nosso samba mereceu ser campeão por sua autenticidade, pela qualidade musical, pela pérola de alguns versos dessa letra maravilhosa. É um samba que emociona. O Império Serrano merece um samba que passe pela avenida emocionando e apaixonando quem o ouve”, declarou o compositor Paulo César Feital.

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“Leandro Vieira é o camisa 10”, diz presidente imperiano

Ao site CARNAVALESCO, o presidente Sandro Avelar falou sobre o resgate da escola.

“As escolas de samba precisam buscar mecanismos para mostrarem a sua força. Ainda mais o Império Serrano, que estava desacreditada, que sofreu no desfile de 2020 e com a comunidade totalmente chateada com a gestão anterior. Então, eu tento mostrar o Império Serrano vivo e também mostrar o que é o Império Serrano, independente de definição de data para o próximo carnaval. Império continua forte, vivo e competitivo”.

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Sandro também comentou sua a volta de Nêgo para o carro de som e a chegada do carnavalesco Leandro Vieira.

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“O Leandro é o camisa 10 desse time, é a pessoa pela qual entregamos o carnaval pra ele. É o autor desse enredo que é um grande enredo por sinal, está projetando fantasias lindíssimas, é o que o Império precisava e eu tenho total confiança no trabalho dele. O Nêgo tem um identificação com o Império Serrano e os imperianos gostam de ouvir a voz dele. Mostramos a todos os imperiano o que realmente a gente quer”.

Renovação na bateria

A Sinfônica do Samba tem mestre Vitinho no comando. Ele conversou com o site CARNAVALESCO e revelou detalhes do trabalho com os ritmistas.

“A gente está procurando trazer de volta algumas características da bateria que com o tempo foi se perdendo e a minha maior missão é trazer isso. Estou com a maior missão da minha vida a frente da bateria do Império Serrano”, disse Vitinho, que terá 270 ritmistas no próximo desfile.

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No meio de uma pandemia, Vitinho explicou como pensa ensaiar sua bateria para o Carnaval 2021.

“É um pouquinho complicado, a gente está tomando todo cuidado, por conta desse momento que a gente está vivendo, mas devagar a gente tem que estar trabalhando, reformulando as coisas”.

Dupla no carro de som

Ganhador do Estrela do Carnaval 2020, como melhor intérprete da Série A, Igor Vianna chegou ao Império Serrano e estará ao lado de Nêgo no desfile do ano que vem. Ele disse o que está sentindo de assumir um posto tão cobiçado no carnaval carioca.

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“Cantar no Império Serrano é uma sensação, uma emoção diferente, é um jeito diferente. É uma honra imensa. O convívio com o Nêgo é o melhor possível”.

Com toda sua experiência, Nêgo comentou o momento da volta para nação imperiana.

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“Estou muito feliz de ter voltado para o Império. Foi o convite feito por um irmão, um amigo que é o Sandro Avelar, conheci toda a família dele e o conheço desde pequeno, tenho um carinho enorme por eles e por toda a diretoria da escola também. Pra mim é uma satisfação, estou voltando para casa, um bom filho a casa torna”.

Casal ansioso para desfilar com uma fantasia de Leandro Vieira

Matheus e Verônica formam o casal de mestre-sala e porta-bandeira do Império Serrano para o desfile de 2021. A dupla possui juventude dele com a experiência dela. Ao site CARNAVALESCO, Verônica revelou ansiedade para vestir uma fantasia feita pelo carnavalesco Leandro Vieira.

“O Leandro é um carnavalesco maravilhoso, respeitado, conceituado e para nós é uma honra estar com ele aqui na escola. Ele desenvolveu um enredo maravilhoso, estamos ansiosos para ver nossa fantasia, vamos ver o que de maravilhoso ele vai criar pra gente”, disse.

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“A expectativa de ter o Leandro na escola é muito grande, ainda mais pra mim, que nasci aqui e sou cria da casa. A expectativa é muito grande para ver nossas fantasias, ontem ele já soltou algumas de determinadas alas, mas não vejo a hora de ver a nossa. Estou muito curioso”, completou o mestre-sala.

Questionados como estão ensaiando devido a pandemia da Covid-19, a dupla revelou detalhes do que estão conseguindo desenvolver.

“Nos programamos para ensaiar três vezes na semana com o nosso coreógrafo. Seguindo todos os cuidados, usando máscara, álcool em gel e fazendo tudo direitinho para que o nosso trabalho não pare. Como profissional da área da saúde nunca pensei em passar por isso e nem como profissional do carnaval também”, citou a porta-bandeira.

Talento no comando da comissão de frente

O coreógrafo Patrick Carvalho é mais um reforço do Império Serrano para o desfile do ano que vem. Ao site CARNAVALESCO, ele disse o que representar fazer uma comissão de frente ao lado de Leandro Vieira.

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“A expectativa é muito grande, a primeira é de ser campeão no Império Serrano e a segunda de trabalhar com o Leandro Vieira, eu sou muito fã. E nós já estamos trabalhando, estamos trocando muito coisa, eu sempre quis falar disso e eu vou levar para avenida uma coisa que eu já tenho guardada a um tempo. É um presente trabalhar com ele Eu montei uma sala de ensaio e de estudos dentro da minha casa”.

Darlin Ferrattry, mãe da cantora Lexa é a rainha de bateria do Império Serrano. Quitéria Chagas é a rainha da escola. Ao site CARNAVALESCO, Darlin falou sobre o momento e projetou o desfile.

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“Vir para o Império Serrano era algo sonhado na minha vida desde sempre. Acho que qualquer mulher se sentiria muito especial de estar a frente dessa bateria. Tem noção do tamanho da minha responsabilidade de ser a primeira Rainha de bateria do Império a
usar o figuro do Leandro? Já sei que minha fantasia já está desenhada, quando eu cheguei na quadra fiquei sabendo e caiu a ficha de que agora é tudo de verdade, meu sonho está sendo realizado”.

O Império Serrano vai levar para a Marquês de Sapucaí, no próximo Carnaval, o enredo Mangangá, que vai contar a história de vida de Manoel Henrique Pereira, capoeirista baiano conhecido como Besouro Mangangá, célebre através de mitos e lendas dentre as quais as que diziam que lutava com o auxílio dos orixás. O tema será desenvolvido pelo Carnavalesco Leandro Vieira. (Por Lucas Santos e Thaise Lima)

Veja ao vivo: final de samba-enredo do Império Serrano

Único carnavalesco negro no Especial, João Vitor fala sobre saída da São Clemente: ‘Que os caminhos dela sejam os do Ubuntu’

João Vitor Araújo, único carnavalesco negro no Grupo Especial do Rio de Janeiro, recebeu a informação que foi desligado da equipe da São Clemente para o próximo carnaval. No Dia da Consciência Negra, João Vitor, que é um dos grandes artistas da nova geração do carnaval, fez um post falando da saída.

“Dos muitos sonhos que tenho, e estou podendo realizar poucos deles, por hora, recebi hoje a notícia que infelizmente a partir de agora não sonharei junto com a São Clemente. Escola exímia na arte de falar aquilo que o povo quer ouvir. Eu ouvi e compreendi os motivos e desejo à agremiação toda sorte do mundo e que os caminhos dela sejam os caminhos do Ubuntu”, escreveu João.

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Em uma publicação nas suas redes sociais, a São Clemente anunciou que Tiago Martins seguirá como carnavalesco solo. “Reorganizamos nosso planejamento e entendemos como será a melhor forma de nos portarmos mediante aos impactos gerados. Reduzimos custos, mas mantendo a certeza que será uma jornada de muito trabalho e sucesso. A São Clemente segue forte e prestes a escrever novas páginas de sucesso em sua trajetória com uma equipe determinada a marcar seu nome na história”, diz o post da escola.

A São Clemente definiu também o cronograma do concurso de samba-enredo para o próximo carnaval. A sinopse será divulgada no dia 02 de dezembro através das redes sociais da agremiação. As parcerias terão duas datas para tirarem as dúvidas de suas composições. A inscrição e entrega dos sambas acontecerá no dia 11 de janeiro de 2021. A apresentação e final de samba ocorrerão em formato de live. Mais informações e regulamento completo serão divulgados na próxima semana.

Veja abaixo a íntegra do post de João Vitor

“Eu sempre pensei na coletividade e, por isso, amo fazer carnaval. Sou um artista criado no chão do barracão e minha maior faculdade foi a vida, foram as pessoas com quem me encontrei por esse caminho com quem aprendi para cheguei até onde estou.

Esse caminho me apresentou curvas muito sinuosas. Fico pensando sempre que, se eu não pensasse nos que caminharam comigo, duvido que teria passado da primeira delas. Este caminho é o caminho de tantos irmãos e irmãs que não tiveram a mesma sorte que eu, a sorte do lar, da família que, mesmo nas derrapadas deste caminho, não me deixou andar para trás.

Neste dia da tal “consciência negra”, estamos tão feridos com a morte absurda que nos agride todos os dias mas que, na última madrugada, teve um simbolismo maior. Foi um sinal para nos colocar em nossos “devidos lugares”? Se foi, entendam, continuaremos duros e fortes neste caminho. Eu continuarei. Continuarei porque muitos me inspiram a continuar e eu sei que minha luta vai inspirar muitos outros. Continuarei porque meu maior combustível é o sonho e nesta estrada não se sonha sozinho.

Dos muitos sonhos que tenho, e estou podendo realizar poucos deles, por hora, recebi hoje a notícia que infelizmente a partir de agora não sonharei junto com a São Clemente. Escola exímia na arte de falar aquilo que o povo quer ouvir. Eu ouvi e compreendi os motivos e desejo à agremiação toda sorte do mundo e que os caminhos dela sejam os caminhos do Ubuntu.

Acredito que o Brasil ainda precisa entender o que é Ubuntu. Ubuntu é uma lição de comunidade, de compartilhar espaços, de amor e gratidão. Ubuntu é uma filosofia que diz que pessoas são mais importantes que coisas, valorizar a comunhão e vencer na coletividade, é ter maturidade para desvalorizar o preconceito e valorizar a essência.
Ubuntu é um pensamento PRETO, Ubuntu está todo dia nos terreiros, nas nossas casas. Ubuntu é tudo, menos este país que nos exclui e mata. Quando o Brasil se enxergar como preto, talvez, nem seremos mais Brasil. Pelo menos não este que aí está.

boa sorte pro caminho de todos”.

Parceria de Aluísio Machado é apontada favorita para vencer samba no Império Serrano

A parceria de Aluísio Machado, Carlos Senna, Renan R. Valença, Ambrosio De Deus, Carlitos Bahiano e Beto Br De Souza foi eleita favorita para vencer a disputa de samba-enredo do Império Serrano, que acontece nesta sexta-feira, na quadra da escola. Eles receberam 82% dos votos.

* OUÇA AQUI OS SAMBAS FINALISTAS

A parceria de Paulo Cesar Feital, Henrique Hoffmann, Andinho Samara STS, André do Posto 7, Jefferson Oliveira e Ronaldo Fininho ficou com 6,8%. Quinzinho, Samir Trindade, Elson Ramires, Lopita 77, Beto R e Bello teve 5,2%.

As parcerias de Alípio Carmo, Franco Cava, Bujão, Fernando Barbosa, Fábio Barbosa e Jorge Quintal e de Lúcio Moraes, Luizinho Mendes, Solano Santos, Paulo Ribeiro, Rafael Gonçalves e Mano Gaspar terminaram com 3% cada.

No próximo Carnaval, o Império Serrano vai levar para a Marquês de Sapucaí o enredo “Mangangá”, de autoria do Carnavalesco Leandro Vieira.

Salgueirenses aprovam novo formato das eliminatórias de samba, sem aglomeração e projetam desfile em julho de 2021

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O Salgueiro abriu na noite de quinta-feira, em sua quadra, a fase de disputa de samba-enredo para o próximo carnaval. Até agora, sabemos que o Carnaval 2021 tem data prevista entre os dias 08 e 11 de julho, porém, para de fato acontecer, precisa da vacina contra Covid-19. Sendo assim, a vermelho e branco saiu na frente e realizou a primeira eliminatória, seguindo todas normas sanitárias e sem aglomeração.

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Foram 12 apresentações das 24 obras concorrentes. Apenas para diretoria salgueirense. Sem torcida das parcerias. Todos os presentes, inclusive, a imprensa tiveram que apresentar exame negativo da Covid-19 para entrarem na quadra. Todo o espaço estava com dispositivo de álcool em gel, informações sobre o uso de máscara e o cuidado com o próximo, além de banners com regras de ouro no combate ao novo Coronavírus.

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“Estar aqui significa muito para a gente. São as pessoas voltando aos trabalhos, esperança de dias melhores. Agora já temos uma data para os desfiles que é julho de 2021, o que nos traz ânimo para trabalharmos e acordarmos com mais força ainda. Não tenho dúvidas de que será um sucesso o carnaval em julho”, disse o presidente André Vaz, que também abordou o lado financeiro para a vida da escola de samba.

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“Nossa quadra sempre foi o nosso maior patrocinador, nossa maior fonte de renda. Assim como nossa boutique que se encontra aberta ao público de segunda a sábado e com vendas online, através do site do Salgueiro. Além do nosso programa de sócio torcedor. A tendência agora é triplicar o nosso faturamento”.

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O diretor de carnaval, Alexandre Couto, após todas apresentações dos 24 sambas concorrentes haverá o corte das obras para o próximo desfile.

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“Estamos trabalhando cada dia de uma vez. Estamos começando a nos readaptarmos na quadra e o próximo passo será o barracão. Fizemos uma parceria com um laboratório para fazermos exames com todas as pessoas envolvidas nas eliminatórias. Além disso, temos totens de álcool em gel, higienização nos microfones, tapetes de higienização. Tudo vai ser diferente, é o novo normal. Escutaremos mais o emocional, não temos o calor do público, da torcida”.

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Presentes no primeiro dia de eliminatórias de sambas, o casal de mestre-sala e porta-bandeira do Salgueiro, Sidclei e Marcella Alves, contou como está trabalhando em tempos de pandemia.

“Estamos fazendo reuniões por internet e se programando para voltar a essa rotina de ensaio. Já dançamos juntos há 7 anos, então, conhecemos bem um ao outro. Nosso carnaval 2021, começa hoje. Estou muito feliz por escutar a bateria, rever os amigos e pisar aqui”, disse Sidclei. Marcella completou: “Somos amigos. Fizemos os estudos e assistimos vídeos. Cada um está fazendo os exercícios em casa para se preparar ainda mais”.

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A dupla salgueirense aprovou a ideia dos desfiles acontecerem no mês de julho de 2021.

“É muito importante para o carnaval num todo, para se programar e preparar”. Marcella completou: “Nossa alimentação também é saudável e tranquila. É óbvio que durante o tempo de quarentena, virei boleira, doceira (risos). Mas, tudo já voltou ao normal, até a prática de atividade física. A palavra-chave é esperança, de tudo isso ir logo embora, da vacina chegar, de conseguirmos fazer um carnaval 2021 na altura dos sambistas, que o carioca, o Brasil merece e que a Liesa sabe realizar”, afirmou a porta-bandeira.

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Emerson Dias e Quinho, que formam a dupla de cantores do Salgueiro, também comemoraram a volta aos eventos na quadra.

Senti falta dessa energia, de rever os amigos, do próprio Quinho. Estamos cheio de vontade, 2021 será o carnaval do alívio. Temos uma direção sensacional, que esteve conosco durante toda essa pandemia”, disse Emerson.

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“Reencontrar pessoas que gostamos, pois respiramos isso. Encontrar a quadra aberta é imensurável, cumprindo as normas de saúde e segurança da OMS. Temos um canto e um chão forte, uma bateria coesa. Voltou a alegria da Salgueiro com essa nova administração”, citou Quinho.

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Os irmãos Gustavo e Guilherme, comandantes da bateria Furiosa, falaram da dificuldade para realização dos ensaios e como foi feita a seleção dos ritmistas para essa fase de disputa de samba.

“Os ensaios ainda não voltaram. Estávamos nos virando com muitas aulas online e agora aguardando um pouco mais para voltarmos definitivo no começo de 2021. Nosso critério foi escolher pela diretoria e alguns ritmistas, com uma bateria reduzida. Explicamos para cada nape e revezaremos. Tudo muito bem explicado e entendido”, garantiu Gustavo. “É colocar na cabeça que Julho será fevereiro, pisar forte na avenida e ir atrás do nossos objetivos”, completou.

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Dia da Consciência Negra: escolas de samba do Rio caminham para reaproximação com a origem e o espaço em que vivem

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Não existe no mundo forma mais democrática de conciliação entre os povos, classes, religiões e orientações sexuais do que o carnaval. Quatro dias de folia são capazes de unir a Zona Sul ao subúrbio carioca das mais diversas formas. Porém, basta chegar a segunda-feira pós folia que voltamos a ver a realidade do Rio de Janeiro que nos foi embaçada outrora pela festa. Apenas em 2019, segundo dados do Instituto de Segurança Pública do RJ (ISP-RJ), 78% dos mortos em ações policiais eram pretos e pardos. Um dado que assusta, incomoda e liga um alerta para qualquer pessoa que queira pensar num estado democrático de direito.

O professor Silvio de Almeida, autor do livro Racismo Estrutural, que explica com detalhes como pretos vivem num sistema criado para que eles não existam, apenas sobrevivam, afirmou em uma de suas entrevistas que “não se pode falar em democracia sem falar da questão racial”. E, ao que parece, as entidades carnavalescas cariocas entenderam que o assunto está em voga. Dos enredos já anunciados para o próximo carnaval, com exceção de Mangueira que ainda não definiu, Viradouro, Tuiuti, Tijuca e Imperatriz, todos os demais possuem temática afrocentrada. Seja homenageando seu mais ilustre torcedor, Martinho, na Vila Isabel, ou a homenagem aos deuses negros, como é o caso de Grande Rio e Mocidade, com Exu e Oxóssi respectivamente. Com a intenção de promover o debate a respeito do assunto no Dia da Consciência Negra, o site CARNAVALESCO ouviu alguns personagens do carnaval que fizeram parte da construção desses temas.

Para Helena Theodoro, autora e curadora do enredo do Salgueiro 2021, é necessário entender antes de tudo o processo de invasão em terra Brasilis e como foi a construção do que entendemos hoje como país.

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“Para exemplificar, vamos citar os EUA. Houve um projeto de nação muito diferente do Brasil desde sua fundação. Quando os fundadores dos EUA pra lá foram, tinham o propósito de criar um território para eles. Onde houvesse igualdade de oportunidades, sem a supremacia de um grupo que se dizia nobre e outro não. Eles saíram da Inglaterra para criar uma nova Inglaterra, dentro de valores e padrões diversos da que existia em seu lugar de origem. Criaram então o sonho de um espaço de liberdade onde não haveria por exemplo uma diferença de castas, e nenhum preconceito. Essa proposta vai fazer com que se valorizasse muito o espaço e território. Porque foram para lá construir algo, criar uma nação onde todos pudessem efetivamente viver e conviver. Já o Brasil, parte de uma outra premissa. Quando o português chega em terra brasilis vem com o objetivo de extrair e enriquecer. Nunca de fazer um novo Portugal. O Brasil construiu um projeto de nação excludente para negros e índios. Construiu inclusive uma mentalidade que começou no início do século XVI, quando pessoas de pele clara, através da guerra, dominaram as pessoas de pele escura ou amarela, e criaram um biopoder no sentido de dizer que já que são vencedores, eram melhores que os demais”, explicou.

Para Helena Theodoro, o debate sobre negritude no carnaval demonstra a valorização do verdadeiro dono da festa e da escola de samba.

“O convite para completar a vontade do Salgueiro de falar sobre resistência negra vem exatamente do estudo que eu e outros intelectuais negros fazemos da forma de resistência do movimento e da comunidade negra. como um todo. Para mostrar que a gente nunca aceitou a maneira de ser, viver e pensar que nos foi imposta pela comunidade europeia. E que esses elementos que para cá vieram sempre buscaram preservar seus valores e maneira de ser. O que as escolas de samba basicamente estão fazendo, e acrescento Salgueiro nisso, foi dar visibilidade ao povo negro que sempre esteve invisível. Uma escola de samba parte do principio de família extensiva, onde cantam e contam sua maneira de viver. É um terreiro na marques de Sapucaí com a família salgueirense, portelense e por aí vai. Tem uma implicação de responsabilidade de cada um com o coletivo, representando o território em que vivem e louvam a determinado Orixá. Esses são as forças da natureza que caracterizam aquela própria natureza. Quando Salgueiro se veste de vermelho e branco, representa o dono da pedreira que é o Morro do Salgueiro, Xangô. Sua bateria furiosa toca o alujá do rei da cidade de Oyo. A inteligência da comunidade negra faz com que mesmo dentro de uma aparência dos valores europeus, você está louvando Orixás, mantendo-os em pensamento, cuidando do seu território a sua maneira própria de viver”.

Nos últimos anos a dupla Gabriel Haddad e Leonardo Bora exaltou na Sapucaí pessoas pretas e suas representatividades. Ao lado da dupla, sempre esteve o antropólogo e enredista Vinicius Natal, que colaborou na construção dos enredos. Para ele, é preciso entender que mesmo com alguns enredos que talvez se afastem de sua origem, mas ainda assim são manifestações negras.

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“Primeiro a gente precisa compreender a escola de samba como um organismo plural. Ela pode ser várias coisas ao mesmo tempo. A minha visão de escola pode ser de que escolas podem e devem estar ligada a sociabilidades negras, dos morros e favelas, a produção musical, sua afirmação de identidade negra na cidade. Já para outras pessoas pode estar vinculada a uma visão comercial e empresarial. Gosto de pensar sempre como organismos e instituições negras, produtos da diáspora africana onde seus fundadores foram filhos e netos de negros escravizados. Então, beber nessa fonte e entender escola como esse organismo é fundamental para entender que ela tem influencia de diversas outras manifestações e festas. Acima de tudo é uma manifestação afrobrasileira, porque em suma maioria foi criada por sujeitos frutos, filhos e netos da abolição jurídica da escravidão negro-brasileira”.

Natal também afirma que o diálogo com pautas atuais sempre foram prioridades nas escolas de samba. Sejam essas pautas de direita ou esquerda no campo político.

“Acho que as escolas sempre negociaram com o tempo presente. Se precisasse falar de Vargas e exaltar o nacionalismo, muitas escolas fariam e outras talvez não. Caso fosse necessário se associar ao partido comunista, muitas também flertariam. Se fosse pra cantar abertura política, várias cantariam. Elas sempre negociam com o tempo. É fundamental para entender esse período que estamos cada vez mais debatendo a questão racial, é fruto de muita luta dos movimentos negros desde o século XIX até hoje. Negros como Abdias do Nascimento tem seus pensamentos refletidos até hoje no mundo inteiro. Também é necessário entender que as escolas são fruto da diáspora negra africana. Assim, elas não precisam necessariamente falar de um enredo de cultura negra para serem manifestações da cultura negro popular. O que quero dizer é que elas não precisam se afirmar somente pela narrativa de carnaval. Ser escola de samba já é um reflexo ancestral. Claro que acho muito positivo esses temas serem debatido e torço que mais e mais as temáticas cantadas na avenida venham junto de uma ação prática de dentro das escolas para combater o racismo que está dentro delas mesmas. Não podemos esquecer e muito menos romantizar que diversas escolas estão isoladas do mundo social e ainda são machistas, homofóbicas e também racistas dentro de sua estrutura. Além dos enredos as agremiações têm que assumir uma missão prática para combater o racismo na sociedade visto que elas são formadas no seio de comunidades afro brasileiras e representam majoritariamente essas comunidades”, concluiu o antropólogo.

André Rodrigues, integrante do departamento de criação da Beija-Flor, considera o momento importante para a história da festa, mas também exalta a contribuição diária das escolas para além do carnaval.

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“Eu parto do princípio de que o Brasil não acordou só agora. A luta antirracista, pela sobrevivência da população preta, não só das pessoas mas também de seus pensamentos feitos e contribuição é diária. O movimento está acontecendo desde sempre. Tem o movimento negro, movimento das mulheres pretas, das feministas pretas. Um povo que luta todo dia contra o racismo. Essa ideia que a branquitude afirma que a gente nunca vai pra rua, é bem simples de quebrar. Quando vamos pra rua levamos tiro. Essa infelizmente é a grande verdade. Muitas pessoas só enxergaram a luta antirracista agora porque viram o movimento lá de fora e quiseram colocar aqui de uma maneira mais bacana de se debater. Escola de samba é e sempre será eternamente um grande instrumento disso. Muita gente esquece que é um movimento preto, com cultura de preto. Totalmente nosso e que ninguém faz igual. Até quando a escola negocia seu espaço e voz para falar de outras coisas, como os enredos CEP, ainda sim está sendo um mecanismo de levar o corpo preto de suas comunidades para visitar outros lugares”.

O artista finaliza dizendo que enredos com temáticas afro diaspóricas são uma forma de reaproximação das escolas com seu próprio lugar e origem de nascimento.

“Acredito que o movimento das escolas estarem voltadas para enredos mais afros, como é e sempre foi o caso da Beija-Flor, é um meio de busca pela reaproximação com a origem. Faz com que as escolas olhem para dentro delas mesmas, num movimento de procurar falar mais sobre isso e entender do espaço que vivem. As agremiações voltaram a ver que com essas pautas mais progressistas, são uma forma de dialogar com seu público antes, durante e depois do carnaval. Essas escolhas de enredo se devem a esse fato. Sabem que o diálogo será melhor com sua comunidade e também com a sociedade. A partir disso, o desempenho na Sapucaí é muito melhor, obviamente”, finalizou André.

Império Serrano divulga fantasias de seu enredo Mangangá

Em meio à preparação para a final de seu concurso de samba-enredo, que acontece nesta sexta-feira, o Império Serrano divulgou uma pequena mostra das fantasias de alas que irão representar a africanidade e o caráter lúdico do enredo “Mangangá”, de autoria e que será desenvolvido pelo Carnavalesco Leandro Vieira.

Nos figurinos divulgados (batizados de Exú, Mestre Alípio e Jagunço) as fantasias são uma apresentação visual dos personagens envolvidos na história.

JAGUNCO DIVULGACAO

“De um modo geral as fantasias que desenvolvi são a apresentação visual dos ‘atores’ envolvidos na trama que me serve de enredo. Em desfile, os orixás que guardavam um homem que diziam ter ‘o corpo fechado’, a figura de Mestre Alípio (espécie de griot dos saberes da capoeira no Recôncavo da Bahia e mestre de Besouro), bem como a força bruta e violenta dos jagunços que atendiam aos desmandos de senhores de engenho descontentes com a abolição da escravatura”, define o carnavalesco.

MESTRE ALIPIO DIVULGACAO

Sobre o visual geral que Leandro pretende imprimir em sua estreia no Império, o artista diz que “o enredo permite a escolha de um visual que mescla a africanidade com o caráter lúdico e fantasioso dos que contam histórias colhidas no terreno fértil do imaginário popular. Em Mangangá, sou um contador de histórias. Um homem atento aos ‘causos’ que ouvi. Meu trabalho como criador carnavalesco se deu como uma espécie de desenhista que dá contorno plástico aos personagens que atuam na trama que envolve a figura do capoeirista que apresento como enredo”, completou.

EXU DIVULGACAO DANCA

Besouro nasceu em Santo Amaro/Bahia, no ano de 1895, sendo o principal líder da luta contra a permanência do pensamento escravagista nos primeiros anos após a abolição. O hino oficial do Império Serrano, que embalará a comunidade da Serrinha com o enredo Mangangá será conhecido nesta sexta-feira, 20, a partir das 20h, na quadra da escola e ainda contará com transmissão ao vivo da TV Império Serrano e Canal FitAmarela a partir das 22h.