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Confira a sinopse do enredo da Grande Rio

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Enredo: Fala, Majeté: Sete Chaves de Exu

Quem sou eu… Quem sou eu?

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-Câmbio, Exu! Fala, Majeté!

Exu, princípio de tudo: gira, faísca, espiral, movimento, corpo-redemoinho, Okotô!, desterro, fervura, espanto, espuma, axé da Terceira Cabaça, Igbá Ketá. Que abre, então, os caminhos: L’Onan, Legba, Eleguá, Bará, Elegbara, Mavambo – pé na porta, pedrada, com sete chaves nas mãos, o nó das encruzilhadas, tranca, carranca, Calunga Grande, porteiras, ponteiras, diásporas, às travessias na barca, correntes os olhos e as águas. Salve Aluvaiá, Salve Bombogira! “O que se há de?”– mar de dendê! O que será?

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Exu que se fez caboclo, poeira, na cruza, em brasa, chão de terreiro, fora da casa – o mundo inteiro nos pés de andarilhos peregrinantes. Os chifres, os dentes, os búzios, as garras: batalhas! Ali, tanto sacrifício: argila vermelha na praia. Rasgos, penhascos, altares, o orí, a voz de Palmares: os gritos, os mitos, os guizos, a cabeça de Zumbi, “mortal eterno”, “ente coletivo” ao soldo mais verde encanto (porque Zumbi-Exu está em tudo quanto é canto). Agbá! – espraiou-se o culto, firmeza e toque. Sigamos!

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Exu de proezas tantas, pelejas, orikis, Ifá, adivinhação, histórias fragmentadas nas entrelinhas de odús – o destino do rei de Oió e o trono do Engenho Velho. Odusô, o guardião. Erro que vira acerto, certo que brota errado, do outro lado, enigma, tempero, vuco-vuco, o remédio e o veneno. Tendas, feiras, farofas, recados, as lendas da criação debulhadas nos mercados, o corpo que voa fechado e a visão de cada um: ninguém pode viver sem mim. Preceitos, pressentimentos, trotes, fabulações. Trocas, trocadilhos, línguas desgovernadas. Ciscos, lâminas, lágrimas – Olobé, Elebó, cachimbos, caixotes, cachaça. Truques de linguagem: traquinagens. Osijê, Obá Babá! Oferendas d’Eleru. Pimentas!

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“Salve o Sol, salve a estrela, salve a Lua!” Saravá, Seu Tranca Rua! Exu que são muitos em um: corpo em si desdobrável. Fala, falo e falácia: falanges. Alafia! Centenas de sobrenomes que vem de muitos lugares – Rio que leva as gentes, ruas que tudo dragam. Exu, malandro Pelintra, Padilha, fio de Navalha, ponta de agulha, os cacos da noite, as sombras da Lapa, Marias, ciganos, cigarras, jogo e cartas na mesa, rendas, vidrilhos, rasteiras, meio-fio das quebradas, rabos de galo e de saia, também os rabos de arraia, o cheiro bom da cerveja, destreza, sem falar nas gargalhadas. O primeiro gole é dele! Exu, Veludo encarnado, luz de abajur, sonhos bordados – sentimentalmente, visivelmente.

“Exu Caveira, Capa Preta, Sete Catacumbas estavam por ali; Fui convidado pra uma festa nobre; na casa de Exu Tiriri…”

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Exu, potência e gingado, ponto riscado na carne, palco das festas da gente. Brinca o Carnaval em transe, desafia, des(con)fia, desconcerta, bate a bola no asfalto, pisa no sapatinho, samba despudorado, dança inflado de vida, palhaço, e trança a crina do cavalo. Deus de chinelo rasgado, boca beijada, copo na mão, Seu Sete da Lira, bloco lotado, a máscara, Odara!, o baque, o buraco, o cru, o afoxé, o maracatu, o surdo de terceira, a fuzarca dos velhos cordões, o som que vem das favelas, capaz de transver o mundo. Exu, pedra que pulsa, valsa convulsa, mangue que benze, curva, couro, esquina, jorro, ouro e lata no Bal Masqué: não é um robô sanguíneo, não! É santo – mas nem tanto.

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Exu de tinta e de sangue: é dose, tudo come, tudo sabe, tudo viu. De curto pavio! Lamento de poetinhas – porque tudo é perigoso, divino-maravilhoso. Desnuda as frases no muro, sagrado e profano, mundano, pós-contemporâneo, língua ferina, flauta e cajado, casa de bamba, Basquiat no batuque, as letras amadas, a macumba dos modernistas, o piá-Macunaíma, os perfumes rosianos, na saga do Ser-Tão, “Exu nas escolas”, voz estelar, quebrando tabus e “costumes frágeis” – vocês não aprendem na escola. Vocês copiam! Criemos! Novas pedagogias, para os tempos que virão. Verão! Antropofagias, Enugbarijó. “Através das travessuras de Exu / Apesar da travessia ruim…”

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Exu que não é o diabo do teatro colonial, projeto de corpos mortos (culpas, medos, grilhões, carcaças, escravos disfarçados de libertos) – mas força que une os opostos, jongo de ser e não ser. Exu, to be e Tupi! Fome, cada vez mais fome! Insone. Os nervos são fios elétricos. Evoca os profetas do caos, as vozes do lixo, a desconstrução, o avesso do manto, um sem quanto, a costura dos trapos, as aparições, remendos-retalhos, o eterno retorno, a fortuna, os farrapos, o espanto e a possível, por que não?, recriação: Olímpia, Stela, Jardelina, Arthur Bispo do Rosário, Estamira no lixão de Gramacho, às margens da alegria, cantarolando aos vapores, saudando os cometas e o fogo, ao som milenar das estrelas, Yangi, pedras de laterita, bailando, da pá virada, Molambo, Mulamba, ruínas:

“Todo lugar tem uma rainha, lá no lixo também tem…”

Exu, a sacerdotisa:

-Câmbio, Exu! Fala, Majeté, fala! Os além dos além é um transbordo. Tem o eterno, tem o infinito, tem o além dos além. O além dos além vocês ainda não viram. Se eu sou à beira do mundo! Entendeu agora? Quer me desafiar? Você quer saber? Cada pessoa é um astro! Câmbio, Exu! Fala, Majeté, fala!

Falemos! Dancemos! Bebamos! Vivamos! Destranquemos os olhos! Sigamos por outros caminhos! Cantemos até o fim – que não deixa de ser um começo. Ouçamos os atabaques – atentos, plenos, fortes!

Exu, a ancestralidade. Exu, desenredo proposto. Exu, a aposta mais alta. Exu, o padê arriado. Exu, passada ligeira: Exu, Laroiê, Mojubá!

– Câmbio, Exu!

Fala, Grande Rio!

Transbordado com expressões e falas retiradas do documentário “Estamira”, de Marcos Prado, além de fragmentos de poemas, canções e pontos de macumba. Inspirado nas provocações de Conceição Evaristo, Helena Theodoro, Alberto Mussa, Luiz Antonio Simas (“Exu é uma escola de samba!”) e Luiz Rufino; e nas narrativas orais de Luiza Maria e Dib Haddad. Dedicado aos inúmeros torcedores apaixonados que nos ajudaram a tecer este manifesto, fonte de afeto, convite para o diálogo. Axé! Carnavalescos – Gabriel Haddad e Leonardo Bora Pesquisa, costura e texto – Gabriel Haddad, Leonardo Bora e Vinícius Natal. Colaboração de Thiago Hoshino e Luise Campos.

GLOSSÁRIO

Igbá Ketá, L’Onan, Bará, Elegbara, Okotô, Agbá, Odusô, Olobé, Elebó, Osijê, Obá Babá, Eleru, Alafia, Odara, Enugbarijó, Yangi: segundo Luiz Antonio Simas, são os títulos que representam os maiores atributos de Exu, diluídos no sumo do enredo, guardados a sete chaves.

REFERÊNCIAS

Livros, artigos e sítios da Internet:

AMADO, Jorge. Dona Flor e seus dois maridos. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

ANDERSON, Robert. O Mito de Zumbi. Implicações culturais para o Brasil e para a diáspora africana. Revista Afro-Ásia, n. 17, 1996 – Salvador. Disponível em: https://portalseer.ufba.br/index.php/afroasia/article/view/20859

ANDRADE, Mário de. Macunaíma.O herói sem nenhum caráter. Rio de Janeiro: Garnier, 2004. CARYBÉ, Hector; VERGER, Pierre Fatumbi. Lendas africanas dos Orixás. Salvador: Fundação Pierre Verger, 2019.

CUNHA, Maria Clementina Pereira (org.). Carnavais e outras f(r)estas. Campinas: Editora Unicamp, 2005.

FERNANDES, Alexandre de Oliveira. Exu: sagrado e profano. ODEERE, v. 2, n. 3, jul. 2017. Disponível em: http://periodicos2.uesb.br/index.php/odeere/article/view/1573

FUX, Jacques; SANTOS, Darlan. Estamira e Lixo Extraordinário. A arte na terra desolada. Revista Ipotesi – Universidade Federal de Juiz de Fora, 2011. Disponível em: http://www.ufjf.br/revistaipotesi/files/2011/05/14-Estamira-e-Lixo-Extraordin%C3%A1rioIpotesi-1521.pdf

LOPES, Nei. Mandingas da Mulata Velha na Cidade Nova. Rio de Janeiro: Língua Geral, 2009. MENDONÇA, Luciara Leite de; RAMALHO, Christina Bielinski. “Zumbi-Exu”e outras questões identitárias em “A Cabeça de Zumbi”. ODEERE, v. 2, n. 3, jul. 2017. Disponível em:

RIO, João do. As Religiões do Rio. Rio de Janeiro: José Olympio, 2015.

ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

RUFINO, Luiz. Pedagogia das Encruzilhadas. Rio de Janeiro: Mórula, 2019.

RUFINO, Luiz; SIMAS, Luiz Antonio. Flecha no Tempo. Rio de Janeiro: Mórula, 2019.

RUFINO, Luiz; SIMAS, Luiz Antonio. Fogo no Mato. A ciência encantada das macumbas. Rio de Janeiro: Mórula, 2018.

SANTOS, Deoscóredes Maximiliano dos (Mestre Didi). Contos negros da Bahia. Rio de Janeiro: GRD, 1961.

SANTOS, Deoscóredes Maximiliano dos (Mestre Didi); SANTOS, Juana Elbein dos. ÈSÙ. Salvador: Corrupio, 2014.

SILVA, Cidinha da. Um Exu em Nova York. Rio de Janeiro: Pallas, 2018.

SILVA, Vagner Gonçalves da. Exu. O Guardião da Casa do Futuro. Rio de Janeiro: Pallas, 2015.

SIMAS, Luiz Antonio. O Corpo Encantado das Ruas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2020.

SIMAS, Luiz Antonio. Pedrinhas Miudinhas. Ensaios sobre ruas, aldeias e terreiros. Rio de Janeiro: Mórula, 2019.

SODRÉ, Muniz. Samba, o dono do corpo. Rio de Janeiro: Mauad, 1998.

SODRÉ, Muniz. Santugri. Histórias de mandinga e capoeiragem. Rio de Janeiro: José Olympio, 2011.

VENTURA, Leonardo de Souza Lima. Estamira em três miradas. Dissertação de Mestrado em Psicologia – Universidade de Brasília (UNB). Disponível em: https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/3955/1/2008_LeonardoSouzaLimaVentura.pdf

VERGER, Pierre Fatumbi. Orixás. Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo. Salvador: Corrupio, 2013.

YEMONJÁ, Mãe Beata de. Caroço de dendê. A sabedoria dos terreiros. Rio de Janeiro: Pallas, 2002.

YEMONJÁ, Mãe Beata de. Histórias que minha avó contava. São Paulo: Terceira Margem, 2004. https://jornalggn.com.br/musica/seu-sete-no-bloco-de-carnaval/ http://reconstruindoexu.blogspot.com/

REGULAMENTO PARA A DISPUTA DE SAMBA

Considerando o momento singular que passa a sociedade, agregado à possibilidade da realização, sob orientação da LIESA, de evento específico objetivando as escolhas dos sambas das escolas do Grupo Especial através de “Lives” o concurso de samba enredo do G.R.E.S Acadêmicos do Grande Rio para o próximo Carnaval será realizado em duas etapas.

A 1º etapa compreenderá o período de lançamento da sinopse, dia 09 de novembro de 2020, até a divulgação de 10 (dez) sambas classificados à segunda etapa, dia 07 de janeiro de 2021.

A 2º etapa está relacionada ao modelo de concurso a ser definido através de deliberação das escolas em plenária da LIESA.

Portanto, como o formato de disputa referente à 2º etapa está condicionado a evento pendente de regulamentação, os itens relacionados à mesma são considerados normas gerais. Tão logo o modelo seja definido, a direção do G.R.E.S. Acadêmicos do Grande Rio divulgará a complementação do presente Regulamento.

1º ETAPA

1 – Poderão se inscrever na disputa de samba enredo qualquer compositor. Ainda que esteja inscrito em competição de igual natureza em outra agremiação do Grupo Especial do Rio de Janeiro para o próximo Carnaval;

2 – O processo de “tira dúvidas” das parcerias com os carnavalescos ocorrerão nos seguintes dias:

· 12, 19 e 26 de novembro no BARRACÃO, das 15:00 às 18:00 horas

· 16, 23 e 30 de novembro na QUADRA, das 19:00 às 21:00 horas

2.1 – Pedidos fora desses dias apenas serão deferidos mediante disponibilidade e com agendamento prévio;

3 – Para efetivação da inscrição será necessário pagar, quando da entrega da obra, em 22 de dezembro de 2020, a taxa de inscrição no valor de R$100,00 (cem reais) por parceria, independentemente do número de compositores existente na mesma. Este não outorga ao compositor o direito de desfilar no próximo Carnaval na Ala dos Compositores. Pra tanto, o mesmo deverá cumprir os requisitos fixados pela presidência da Ala em consonância com a direção da escola;

4 – Cada obra deverá conter no máximo 05 (cinco) compositores, sendo vedada a “Participação Especial”;

5 – O samba deverá ser de composição inédita;

6 – O samba deverá ser inscrito no dia 22 de dezembro de 2020, das 20:00 às 23:00 horas, na quadra do G.R.E.S. Acadêmicos do Grande Rio;

7 – O número de cada parceria no concurso corresponderá à respectiva ordem de inscrição;

8 – No ato da inscrição cada parceria deverá fornecer: 50 (cinquenta) cópias da letra do samba no formato A4, 04 (quatro) pen drives com o áudio do samba no formato mp3, todos identificados com o nome dos compositores;

8.1 – A gravação referida no item anterior deverá ser realizada pelo Intérprete Oficial do G.R.E.S. Acadêmicos do Grande Rio – Evandro Malandro;

8.2 – Na gravação apenas será permita a participação de demais cantores exercendo a função de coro. Sendo vedada, mesmo nesta qualidade, a utilização de intérprete oficial de escola do Grupo Especial do Rio de Janeiro;

8.3 – A produção e direção da gravação será de responsabilidade da parceria;

8.4 – Caso a parceria realize gravação de clipe, o samba também deverá ser interpretado pelo Evandro Malandro. Ficando mantidas as mesmas exigências do item 8.2 quanto à participação de demais cantores;

8.5 – A marcação das datas de gravação ficará a cargo da parceria e do intérprete Evandro Malandro, sendo respeitada a ordem cronológica de demanda;

9 – As parcerias estão autorizadas a divulgar suas gravações livremente em suas redes sociais;

10 – Não haverá apresentação dos sambas na quadra na 1º etapa;

11 – A divulgação da relação dos 10 (dez) sambas classificados para a 2º etapa será no dia 07 de janeiro de 2021, através das redes sociais da escola;

12 – Fica reservado à direção estabelecer normas e critérios complementares à organização da 1º Etapa.

 

2º ETAPA

13 – Os sambas continuarão com seus números originais de inscrição conferidos na 1º etapa;

14 – A ordem de apresentação dos sambas será definida por sorteio a ser realizado pela Direção e divulgada nas redes sociais oficiais da escola;

15 – Nas apresentações, as parcerias terão a sua disposição até 04 (quatro) microfones e 04 (quatro) canais para cordas ou demais tipos de instrumentos;

16 – Não será permitida a apresentação no palco de pessoas trajando qualquer peça de roupa que caracterize outra agremiação, clubes esportivos, propaganda política ou partidária e marcas comerciais;

17 – As apresentações de palco dos sambas serão de responsabilidade de cada parceria. Competindo às mesmas a disponibilização de cantores e harmonia de cordas. Excetuando o “pedal” no palco que será de responsabilidade da direção;

18 – Não será permitida a apresentação de cantor que seja intérprete oficial de escola do Grupo Especial do Rio de Janeiro;

19 – É vedada a execução de alusivos;

20 – Cada parceria é responsável pelos atos praticados pelos membros de suas torcidas, ainda que em ambiente virtual. Ato impróprio, ofensivo ou desrespeitoso praticado por membro de torcida será a parceria passível de punição imposta pela direção;

21 – Em momento oportuno será detalhado em regulamento complementar a forma de disputa concernente à 2º etapa.

Após reunião plenária na Liesa, escolas avançam na realização dos desfiles do Carnaval 2021 entre maio e julho

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Os presidentes das escolas de samba do Grupo Especial estiveram reunidos na sede da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), na noite desta segunda-feira, e avançaram na realização dos desfiles do Carnaval 2021 entre os meses de maio e julho. Haverá reuniões em outras datas, ainda em 2020, entre os dirigentes para que o martelo seja batido. Enquanto isso é aguardada uma posição das autoridades sanitárias e do resultado da eficácia da vacina contra Covid-19, que pode ser iniciada em janeiro ou fevereiro.

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Ao fim da plenária na Liesa, o presidente Jorge Castanheira revelou como foi o papo entre os dirigentes das escolas de samba do Grupo Especial.

“Estamos em reuniões constantes. Ainda não definimos data para os desfiles. Se for possível acontecer temos uma previsão que seja entre os meses de maio e julho de 2021. Um prazo máximo será 10 de julho. Queremos que tenha uma alternativa para os desfiles em 2021. É possível que seja em um período casado com São Paulo, caso a TV Globo tenha interesse em transmitir”, afirmou.

Sobre a realização das lives para escolhas dos sambas-enredo, Jorge Castanheira também revelou detalhes.

“As lives estão dependendo do projeto da Lei Aldir Blanc. A base de tudo é ter essa verba. Será R$ 120 mil para cada escola. Todas apresentaram seus projetos e terei uma reunião na secretaria de Cultura”.

Para que aconteçam os desfiles em julho de 2021 estão sendo costuradas parceiras com o governo estadual, que pode entrar com R$ 1,5 milhão para cada agremiação, via Lei do ICMS, um apoio financeiro que virá da Prefeitura do Rio, além do aporte da TV Globo, que deve transmitir o espetáculo, e, claro, da venda de ingressos para arquibancadas, frisas e camarotes do Sambódromo da Marquês de Sapucaí, tendo a viabilidade da vacina.

Sossego comemora 51 anos com missa no Largo da Batalha

Missa SossegoO aniversário de 51 anos da Azul e Branco de Niterói não passará em branco. A agremiação, que comemora seu ano de fundação nesta terça-feira, celebrará uma missa na quarta-feira, 11, às 19h30, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no Largo da Batalha.

“Celebrar o aniversário do Sossego com uma missa será uma forma de homenagear à toda nossa comunidade no momento atual que estamos vivendo. Não podemos fazer uma grande festa, mas desta forma será também com maior carinho”, revelou o Diretor de Carnaval Marcelo Chaves.

No próximo carnaval, a agremiação levará para a Sapucaí o enredo “Visões Xamânicas”, desenvolvido pelo carnavalesco André Rodrigues.

Missa de 51 anos do Acadêmicos do Sossego
Dia: 11 de novembro
Horário: 19h30
Local: Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no Largo da Batalha, – Niterói

Império Serrano 2021: samba da parceria de Lúcio Moraes

Compositores: Lúcio Moraes, Luizinho Mendes, Solano Santos, Paulo Ribeiro, Rafael Gonçalves e Mano Gaspar

NO FOGO, NO FERRO, NAS ERVAS DE AXÉ!
UM CORPO FECHADO PELOS ORIXÁS
EXU HÁ DE GUIAR
O CAPOEIRA MAIS TEMIDO DO LUGAR
MIRONGUEIRO DO RECÔNCAVO BAIANO
COMBATENDO OS TIRANOS,
LUTA CONTRA A OPRESSÃO
RABO DE ARRAIA, PRETO CHORA A LIBERDADE
O ENGENHO AINDA MOE A DOR DO IRMÃO

É BESOURO, CORDÃO DE OURO,
NO PESCOÇO PATUÁ,
RESISTÊNCIA DE HERÓI A GUERREAR
Ê MANGANGÁ, UM GOLPE DE MEIA LUA
NA FACE DA ABOLIÇÃO
QUE MAQUIA A ESCRAVATURA

É MAGIA QUE CEGA OS OLHOS
O VULTO DE HOMEM QUE VIRA POEIRA
É BALA QUE NÃO LHE MATA
MATA QUE VIRA TRINCHEIRA
MAS NÃO RESISTIU À FACA TRAIÇOEIRA,
CORTE DE TUCUM, SANGRA O CAPOEIRA
CHORA O BERIMBAU POR TRAIÇÃO
DO PRANTO, FEZ-SE ENCANTO, MEU ENREDO
UM SAMBA DE RODA, SERRANO, VALENTE, SEM MEDO

ABRE A RODA, CAMARÁ, JOGA DE ANGOLA
PANDEIRO E BERIMBAU VIOLA
BESOURO PRETO QUE NUNCA ACEITOU ARGOLA
O MEU IMPÉRIO É RETRATO DA SUA HISTÓRIA

‘Na nossa gestão o carnaval será da secretaria de cultura’, diz Renata Souza

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Renata01O site CARNAVALESCO conversou com a candidata do PSOL à Prefeitura do Rio, Renata Souza, na série de entrevistas com os prefeitáveis. Os cariocas vão às urnas neste domingo para a votação do primeiro turno. As entrevistas com os prefeitáveis têm obedecido ao mesmo critério de perguntas para todos.

Nascida e criada na favela da Maré, Renata Souza participa de movimentos sociais há 12 anos. Fez parte do mandato de Marcelo Freixo na ALERJ, integrando a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Com a eleição de Marielle Franco à Câmara Municipal do Rio de Janeiro em 2016, assumiu a chefia do gabinete do mandato. Em 2018, Renata Souza foi eleita deputada estadual pelo PSOL, se tornando a mais votada da esquerda em todo o estado, com 63 mil votos. Na ALERJ, foi eleita a primeira mulher negra a presidir a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia.

Confira a entrevista com Renata Souza:

Renata02A atual gestão comandou uma cruzada contra o carnaval e as escolas de samba? A sua gestão vai dar apoio institucional e financeiro à festa?

Renata Souza: “É absurda e preconceituosa a forma como a atual gestão trata o carnaval. Na nossa prefeitura, vamos subsidiar os dois grupos, escolas de acesso e grupo especial. Carnaval é direto do povo, é patrimônio cultural e também é investimento. A prefeitura lucra com o carnaval, com patrocínios e impostos que voltam para os cofres públicos. Carnaval não é problema, é solução”

– As escolas da Série A tem cada vez mais dificuldades em construir o seu desfile sem barracões. Qual a sua opinião sobre a Cidade do Samba 2?

Renata Souza: “Ela é necessária e será amplamente discutida com as escolas e representantes da sociedade civil. Não podemos deixar a Série A sem local adequado para trabalhar”

– Como a prefeitura pode fomentar o carnaval de rua e os blocos, que trazem milhares de turistas para a cidade no período de carnaval?

Renata Souza: “Vamos criar a Subsecretaria Municipal do Carnaval, integrando sua estrutura diretamente à Secretaria Municipal de Cultura, tendo como principais funções assumir a organização do desfile das escolas de samba e também do carnaval de rua. Nossa meta é elaborar uma política de incentivo para blocos e grupos carnavalescos tradicionais, com o objetivo de promover a memória e preservar a história do carnaval de rua do Rio de Janeiro. Além disso, definir critérios democráticos para a aplicação da verba de patrocínio destinada aos blocos que está prevista no caderno de encargos, garantindo equidade territorial entre os blocos que desfilam nas diferentes áreas de planejamento da cidade”

Renata03– O que você considera que deva ser feito com o Sambódromo? Passar ao governo estadual ou manter com a prefeitura?

Renata Souza: “Manter na prefeitura. Planejamos uma ampla reforma do Sambódromo, que precisa de melhorias e garantir a acessibilidade de pessoas com deficiência em todos os setores. Também queremos promover a mudança do local das cabines de rádio e televisão para o setor 6 do Sambódromo, de modo a possibilitar uma visão geral do desfile e maior condições de trabalho para os jornalistas”

– Como a sua candidatura enxerga a importância do carnaval para a arrecadação da cidade do Rio de Janeiro?

Renata Souza: “É um patrimônio cultural, é um direito e é emprego para o carioca. Crivella não entende que, para além da intolerância religiosa – que já é inaceitável, o carnaval traz dinheiro para cidade. A prefeitura gasta 32 milhões com carnaval, mas 77 milhões retornam diretamente para os cofres com ISS. E na economia da cidade entram 3 bilhões com turismo, vendas, serviços, e uma série de atividades. Carnaval não é problema, é solução”.

Casagrande e o balanço da reabertura da quadra da Tijuca: ‘Importante para saúde mental dos sambistas’

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A Unidos da Tijuca reabriu sua quadra, na tarde de domingo, para a volta da feijoada mensal, com mesas separadas, medição de temperatura na entrada, além de álcool em gel para o público e um trabalho forte da equipe da escola para limpeza e higienização constante. Anfitrião do evento, mestre Casagrande explicou como conseguiu passar pelo período sem pisar na quadra.

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“Foi um período muito difícil. É o nosso dia a dia sentir o calor do povo que nos acompanha. A pandemia trouxe uma situação difícil para quem vive do samba e eventos. Muita gente vivia disso. Não somos só o desfile. Fazemos um movimento muito grande no âmbito cultural e financeiro. Lá no início, a gente achava que passaria rápido essa doença, foi um negócio muito grave, ainda temos que nos cuidar, e não termos uma segunda onda”, afirmou Casagrande, que ainda completou falando da operação para fazer o evento deste domingo.

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“Pensei muito para reabrir. A ideia era essa de ter um público máximo de 400 pessoas, no local que cabem 4 mil. Fizemos o curso da Vigilância Sanitária. Nossa preocupação maior era atender o público com total segurança sanitária. Uma série de coisas tivemos que nos adaptar, como estar de máscara, protetor facial. É o novo normal, a cada dia uma novidade, a ciência vai avançar e teremos que seguir esse caminho. A escola está trabalhando, os sambas estão sendo confeccionados, vamos receber todas obras em dezembro e pensamos em fazer disputa presencial com um público menor, por exemplo, a bateria terá de 15 a 20 ritmistas. Estamos muito esperançosos que tenha carnaval em julho. O importante é se movimentar. Isso é fundamental também para saúde mental do sambista”, disse Casão.

 

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O intérprete Wantuir não escondeu a felicidade de voltar para quadra e ressaltou a importância do retorno das atividades do samba para pessoas que dependem do carnaval para terem o sustento da família.

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“Estou feliz demais de poder voltar para quadra. Foi um período muito difícil. O sambista é uma pessoa agitada e alegre. Dentro de casa, mesmo vendo live, não é a mesma coisa. Espero que venha logo a vacina para voltarmos para rotina normal. Quando o saiu o enredo já mexeu com a gente e estamos na luta para que seja confirmada logo a data dos desfiles com a vacina. São milhares de pessoas que vivem do carnaval e estavam em casa paradas, sem ajuda de ninguém do governo. Importante respeitar as determinações da área da saúde e voltarmos a viver”.

Lexa, rainha de bateria, esteve na quadra. Ela ficou um tempo no camarote e depois foi para o palco sambar com a bateria. Ao site CARNAVALESCO, a cantora elogiou os cuidados da Unidos da Tijuca na reabertura da quadra.

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“Vim com máscara, álcool em gel, me emocionei quando entrei. Quem ama o carnaval sabe a falta que está fazendo nas nossas vidas. Estou com pessoas que estão sempre comigo. Muita gente vive e respira o carnaval. Estou para apoiar. Não é furdunço. É a minha escola e com responsabilidade social”, comentou a rainha de bateria tijucana.

 

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Uma das atrações da feijoada foi o Arruda. Gustavo e Maria, integrantes do grupo, falaram sobre a volta das feijoadas nas escolas.

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“É uma alegria muito grande e responsabilidade enorme. Fazer uma roda de samba dentro das medidas sanitárias, que essencialmente é de aglomeração é um desafio. Não tem jeito. É o novo normal. Temos que fazer assim até a chegada da vacina”, citou Gustavo. “Foi muito difícil ficarmos sem nossa energia coletiva. O samba é sagrado. Estamos muito felizes porque retomamos o samba”, completou Maria.

Portela reabre quadra com todas normas sanitárias e vice-presidente diz: ‘É fundamental financeiramente’

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Fechada para atividades desde o início de março, devido a pandemia novo Coronavírus, a quadra da Portela foi reaberta neste sábado, seguindo todas normas sanitárias, com a volta da tradição feijoada da família portelense. A maior campeã do carnaval carioca seguiu o protocolo acordado com o poder público e que alterou o espaço físico. Além disso, não houve venda de ingresso de pista, todos os presentes tiveram cadeiras e mesas, e o bar ficou isolado do público.

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Para Fábio Pavão, vice-presidente da Portela, o retorno da quadra e das atividades com público, mesmo que reduzido, foi extremamente positivo.

“Financeiramente, a quadra é fundamental para Portela. Claro, nesse momento que a capacidade é reduzida, e com todos os gastos que a gente teve para reabertura e montagem de uma estrutura, ainda vai ser pequeno o retorno. No entanto, a espera é que, aos poucos, a gente consiga utilizar mais a quadra como fonte de renda e aumentar os recursos da escola”, disse.

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Antes da reabertura da quadra, o capelão da Portela, padre Marcelo Freitas, fez uma benção especial. No falado “novo normal”, a quadra teve um sistema diferente de atendimento. O garçom foi até a mesa pegar o pedido e levar para pessoa. Além disso, houve um rigoroso controle de acesso ao banheiro. Não foi permitido o uso do banheiro químico.

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“Colocamos grades de proteção na parte externa da quadra, justamente para evitar aglomeração, igual estádio de futebol faz. Quando a pessoa entrou na quadra ela teve que passar por aferição de temperatura. Colocamos pontos de higiene, espalhados por toda a quadra, com recipientes de álcool em gel, além de um tapete higienizador”, relatou Fábio Pavão.

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A rainha de bateria Bianca Monteiro, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marlon e Lucinha, o cantor Gilsinho e a bateria de mestre Nilo Sérgio encerraram o evento. Veja abaixo mais fotos da reabertura da quadra da Portela.

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Milton Cunha e os destaques de luxo: Nelcimar Pires

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Por Milton Cunha, Victor Raposo, Thiago Acácio, Reinaldo Alves, Tiago Freitas e João Gustavo Melo

Nilcemar Pires02“TRAVA NA BELEZA: Imaginários sobre o destaque de luxo de escola de samba”, que será publicado no Dossiê da Revista Policromias do LABEDIS, Museu Nacional da UFRJ, com Editoria de Tania Clemente.

Para chegar aos núcleos temáticos, fizemos uma série de entrevistas que passamos a publicar no site CARNAVALESCO, duas vezes por semana. Este material acabou não entrando no corpo do texto, por limitação de espaço, e não queríamos deixar de mostrar. É uma homenagem aos esforços destes luxuosos personagens que habitam nossos sonhos de folia! Viva os Destaques de Luxo, mensageiros do glamour.

Nelcimar Pires – Imperatriz

O que você imagina que a plateia imagina quando te vê passando na avenida durante o desfile?

Nelcimar Pires: Estar como destaque é viver por hora, uma sensação única e indescritível. É se sentir extravagante, sui generis, e ao mesmo tempo se sentir parte num quebra-cabeças de 3.500 peças. É olhar para as arquibancadas e camarotes e ler nos olhares inarredáveis, em fragmentos de segundos, a admiração do belo e da elegância. É notar em rostos desconhecidos, o olhar de deslumbramento diante daquilo que a visão define, mas a boca não consegue descrever. É render-se ao fascínio e glamour que vão além do valor em cifras da fantasia, e se submeter ao valor colossal que só quem concebeu, idealizou e trajou é capaz de delinear. Eh Milton só pra falar aqui aquela parte que eu falo sobre o quebra-cabeça de mil e quinhentas peças, eu me refiro a a ao número de de componentes de uma escola, que é tudo um quebra-cabeça. Eu calcutrês mil e quinhentos componentes, né? Que é uma média, tá? Se achar que deve mudar isso aí, aí você que sabe, tá bom? Mas eu eu citei isso aí, mas eh, dentro dessa situação, tá bom?.

Gostaria de saber como surgiu o seu interesse em ser destaque de luxo? Quando foi o seu primeiro desfile nesse posto? Como e quando foi a sua chegada na Imperatriz? Já desfilou em outras agremiações nesse posto? Se sim, quais?

Nelcimar Pires: Bem, a minha primeira vez que eu resolvi desfilar como destaque de luxo foi lá para 1995 eu montei uma roupa roxo dourado que foi um Imperador Bizantino. Antes disso, eu vinha fazendo fantasias de luxo para minha irmã. Ela desfilava nos Congos em São João da Barra, que hoje virou escola de samba. Era bloco Congos e hoje virou escola, né. Hoje é uma escola de samba lá. E em 1995 resolvi fazer meu primeiro destaque de luxo, que antes eu só fazia para ela e eu falei: “Não, agora eu acho que eu vou fazer para mim também.” Então por alguns anos saímos eu e ela juntos nessa escola, na época era bloco ainda aí a gente passou a desfilar juntos até o meu primeiro ano na Imperatriz ela também me acompanhou, tá. Depois ela seguiu a vida dela, não quis mais desfilar. Então já deixei de fazer as fantasias para ela ir passei a dedicar só em fantasias de luxo para mim. Aí minha entrada na Imperatriz foi em 2006 que foi o Luís 14 o Rei Sol numa roupa toda amarelo com marrom. Foi em 2006 que eu entrei na Imperatriz e daí para cá tô na Imperatriz até hoje. Que eu participei de um desfile no brazilian Carnival Ball, em Toronto no Canadá. E em 2005, que foi o meu encerramento na Portela. Eu levei em torno de 9. Quer dizer 9 anos? Eu entrei na Portela e 98 numa aula em 98, e de 98 para cá não lembro agora quanto que dá, mas eu fiquei na Portela até 2005, foi meu último ano que foi com uma fantasia naquele carro do metal, o carro da guerra que foi um Arcanjo da Paz, uma roupa azul bebê em 2005. Aí eu recebi um convite do Wagner junto com presidente da Rocinha, que era o Maurício Matos. Foi com eles que eu viajei para Toronto. Maurício Matos que começou a me pegar para poder viajar o mundo com ele e ali me fez o convite para eu ser abre alas da Acadêmico da Rocinha e desfilar para a Imperatriz. Deixar Portela e partir para Imperatriz. Foi aí que aceitei o convite e tô na Imperatriz até hoje como na Rocinha. Eu levei quatro anos na Rocinha, acho que foram quatro anos sendo Abre Alas com o símbolo da borboleta. Todos os anos eu desfilei de Borboleta, né. Cada uma vinha em uma história do enredo, mas sempre uma borboleta.

Como é o seu planejamento para desfilar? Qual o seu papel na concepção e elaboração da fantasia? E como é a relação do carnavalesco nesse processo?

Nelcimar Pires: Meu querido, é o seguinte… Qual o meu planejamento para desfilar? Meu planejamento, eu sou uma pessoa muito organizada. Eu trabalho muito. Luto muito, né. Eu sou estilista, de noiva, de roupa de festa e tudo. Então eu venho juntando meu dinheiro eu venho guardando todo meu trabalho como se fosse minha grande preciosidade, né. Porque nos momentos de crise, nos momentos caídos, você tem como fazer uma bela roupa pelo material que eu guardo muito bem guardado. Como agora eu tô nessa pandemia, não estão podendo fazer nada, tá tudo parado, meu ramo tá morto no momento. Então eu tô fazendo uma fantasia toda bordada à mão no estilo antigo. Voltei a década de 70 com aqueles mantos enormes, quatro metros e meio de manto ricamente bordado. Então eu tô fazendo uma roupa da minha ideia como sempre fiz na época dos Congos em São João da Barra. Tô criando a minha própria fantasia e fazendo com todo o material que eu tenho em casa, entendeu? Então tô fazendo uma bela roupa, mas com tudo que eu tenho em casa. Então com esse meu planejamento é o seguinte, eu tenho muito material e quando eu preciso botar uma plumagem nova na roupa eu sempre compro pavão desidratado e pluma branca e vou estocando, vou guardando. Quando chega o figurino de hoje, quando eu sento com o carnavalesco… Que tá aqui nessa pergunta… Qual a minha relação com o carnavalesco? Sempre foi muito boa com todos eles. Eu Sempre respeitei o trabalho deles. E todas as mudanças que eu faço eu tô sempre conversando com eles, dizendo que eu tenho isso, poderia fazer isso, eu sempre pergunto! Então quando eu chego no carnaval o carnavalesco não toma susto com a minha roupa não. Pode tomar um susto e achar que tá boa, tá bonita, mas que eu modifiquei, que eu acabei com figurino dele eu acho que eu nunca tive problema com carnavalesco nenhum não. Eu sempre me dei muito bem com todos eles, eu passei por vários carnavalescos. Como tá aqui na sua pergunta que eu não respondi que a pergunta (Quantas agremiações eu passei? E se eu desfilei sempre de destaque no posto?) Todas elas. Sim! A única vez que eu desfilei em uma ala foi pela primeira vez e 98 na Portela ala da Paz de Seu Bené que ele sim foi meu padrinho, ele quem me apresentou ao seu Carlinhos de Maracanã, que no ano seguinte eu passei ser destaque da Portela. Mas o meu relacionamento sempre foi muito bom. Com relação a todas as escolas, eu passei pelo Porto da Pedra, Viradouro, Portela, Rocinha, Salgueiro, Imperatriz. Não sei se a Porto da Pedra eu falei. Ai não sei se eu falei todas, mas eu acho que foram essas que eu já desfilei, tá? Eu acho que foram essas. Ah, a Vila Isabel! Como eu fui esquecer da Vila Isabel? Tá vendo? Tem escola que eu posso esquecer. Bem enfim, se eu lembrar depois eu vou lembrando eu vou passando para você. Então eu acho que a pergunta 2 eu acho que eu consegui te responder toda. Se tiver alguma dúvida você, por favor, entre em contato comigo novamente. Pode me perguntar, tá? Eu tô totalmente aberto aqui para você.

Nilcemar Pires03E em relação ao personagem/papel que você vai interpretar no desfile. Você faz alguma preparação corporal, nos aspectos de gestual e de semblante? Como que você “encarna” aquilo que está vestindo? Como internaliza as personagens que representa?

Nelcimar Pires: É muito legal essa pergunta… Muitos me perguntam isso. Quando eu recebo o figurino, né qual personagem eu vou representar? Se eu faço caras e bocas? Olha, eu costumo tentar seguir legal meu papel. Por exemplo, teve um ano que eu saí no Salgueiro, “Entre o Céu e o Inferno”, eu fui o diabo. Então tive uma maquiagem diabólica, eu usei lentes brancas nos olhos, lente amarela aliás, amarelo ouro. Eu fiz uma maquiagem maravilhosa, foi maravilhosa essa make, e tudo. Mas os meus trejeitos, a minha resposta com público, que eu sinto aquele público… Aquela energia que eles passam para mim é a que eu quero passar para eles. Uma energia de uma pessoa feliz, uma pessoa que está liberando aquela energia para eles, assim como eu estou pegando. Aquela troca de energias. Então eu sou sempre o mesmo. Canto muito! Tento cantar o enredo. Se eu me perder no samba, minha boca não para de bater. Mas junto com a boca batendo o sorriso travado canto a canto do seu rosto. São poucos momentos que podem me pegar meio sério na avenida. De repente uma cabeça que tá pesando muito aí eu firmo um pouco a cabeça assim, mas depois abro o meu sorriso de novo e ali eu vou levando com os meus gestos, com meu semblante da melhor maneira possível para o meu público. Que eu digo meu público porque, naquela hora, parece que é só você e eles estão só te vendo, entendeu? Eu boto isso na minha cabeça. Então ali eu olho para todos e aceno para todos como se eu conhecesse que eu tivesse vendo alguém ali da minha família ou alguém que me apreciasse, que me amasse tanto, entendeu? E como eu encarno? Eu encarno aquilo que eu visto. Eu visto aquela roupa. Minha maquiagem eu posso carregar um pouco mais. Se é um semblante mais angelical eu vou fazer um angelical, mas nunca deixo de colocar os meus cílios. Fazer aquela maquiagem escandalosa, jogar glitter, jogar pedrarias no rosto, como fazia os antigos, o Clóvis bornay. Você não via o Clóvis bornay erguer uma roupa dele com a cara lavada. Você não via o Evandro de Castro Lima com uma cara lavada. Você não via esses principais antigos do carnaval com cara lavada. Então, eu me afeiçoei muito eles, eu me baseei neles, porque eu passei essa época. Eu passei pela transição, né? Quando eu entrei no Glória para concorrer, eu peguei o último suspiro dos concursos de fantasia, e Deus me premiou, né? Além de eu ganhar e ser último hors concours e depois acabou, morreu. Já entrou uma nova fase. Eu fui premiado por Deus porque era um sonho muito grande eu ter um troféu daquele da Natan joias, aquela máscara que falam em ouro branco torcida com pedras brasileiras. Então não é pelo valor do troféu, mas o valor do simbolismo dele, de ter aquele troféu é maior riqueza! E hoje eu tenho cinco, com a graça de Deus. Então eu acho que é isso e me encanta muito tudo isso.

Você tem apego com as fantasias? Como lida com a ideia de que ela será vista em pouco tempo pelo público?

Nelcimar Pires: Eu me apego sim! Eu me apego as minhas roupas porque um custo muito alto. É uma dor de cabeça muito grande. São noites e dias sem dormir direito preocupado em querer estar bem, em querer fazer o melhor até para mim, entendeu? Isso é para mim não é nem pelo carnavalesco, não pelo público e sim para mim. Porque eu quero estar sempre bem, eu quero estar mantendo o meu nome em alta nisso aí, mesmo que de repente eu possa estar fazendo… Que seja uma roupa mais simples, mas que eu possa estar fazendo uma roupa digna, uma roupa altura, uma roupa que tenha uma boa energia. Então aquela roupa que eu depositei minha energia, eu depositei meu suor, eu vesti aquela roupa eu tenho apego sim. Eu não sou de emprestar roupa para outro vestir. Eu sou muito místico nisso aí. Eu não gosto de outro suor, de outra situação na minha roupa. Eu não gosto. Eu sou uma pessoa meio meio complicadinha nisso aí de botar outra pessoa para vestir. Depois que uma outra pessoa veste eu prefiro vender a roupa, Fazer qualquer negócio dela, desmontar, aproveitar material… Agora vestir aquela roupa novamente eu não visto não. É muito… Eu acho que eu nunca vesti uma roupa que alguém vestiu, entendeu? Por isso que eu não sou de alugar roupa. Se quiser você compra, agora alugar minha roupa para alguém vestir e depois eu tenho que vestir eu não faço não, entendeu? Já é de mim mesmo, já é da minha criação, do que eu aprendi. Eu sou meio complicadinho para isso, entendeu? Então eu me apego sim, e se eu tiver que desfazer eu desfaço sem dó e sem piedade porque eu já usei, já usei muito, e aquela que eu uso menos eu faço uma pequena modificação para poder ter que usar ela mais vezes em algum evento, alguma festa… Que graças a Deus eu sempre fui convidado para várias festas de destaques de premiações no exterior. Já levei muita roupa minha para exposições para tudo. Então são roupas que eu já usei bastante. Então sou bem feliz nisso. Então algumas eu até já vendi, muitas eu já vendi, né. Fiz dinheiro delas e com dinheiro delas eu comprei novos materiais, entendeu? Então eu acho que ele tá aí, a resposta da pergunta 4. Espero ter passado certo aí para você. Tá bom?

Para você, o que faz uma fantasia de destaque se eternizar na mente de quem assiste os desfiles? E o que faz um destaque se distinguir dos demais destaques de luxo do carnaval?

Nelcimar Pires: O que faz uma fantasia se destacar e se eternizar? Ela se eterniza, meu querido, é pela energia eu acho que você passa pela roupa, como você veste… Eu sou um tipo de pessoa, por exemplo, um evento de destaque, eu gosto de vestir a minha roupa e tentar jogar toda minha energia em cima daquilo ali e fazer minhas caras bocas e tentar desfilar aquela roupa como antigamente, como se fosse Lago dos Cisnes você tentando, com o máximo de… por pior peso da roupa, você mostrar que ela tá leve, que você possa mostrar o melhor dela, entendeu? Mostrar cada detalhe. Se você passar parece tá carregando uma cruz ou você se sacode muito, por exemplo. Eu Neucimar não sou fã daquela, daquele você apresentar uma roupa de destaque com um samba-enredo não é a minha, eu não gosto. Até me apresento quando não tem o que fazer, não tem como mudar, eu até me apresento, mas eu sou mais as músicas de tema, o tema que você pode usar sua roupa, entendeu? Eu sou mais esse tempo passado, esse antigo que você desfilava com a sua roupa com o som dos órgãos ou música orquestrada, ou uma valsa, uma Edith Piaf entendeu. Eu gosto disso aí! Então, eu acho que faz eternizar é um modo como você apresenta com sua roupa, entendeu. Eu acho que faz eternizar aí! Você acaba se destacando dos outros destaques quando você mostra uma uma situação diferente entendeu? Eu não gosto de vir me sacolejando com uma fantasia, fazendo meus barulhos com as minhas franjas como se eu fosse uma mulata que to ali, uma passista, entendeu? Não vem fazendo isso. Eu prefiro fazer um desfile exibindo aquele traje ali em mais elegância eu acho que aí tá a diferença que faz até eternizar o seu traje perante os olhos das pessoas.

Nilcemar Pires01Tem alguma fantasia ou fantasias por qual você sempre é lembrado (a) ou que tenha se tornado inesquecível para as pessoas? Se sim, por qual motivo isso aconteceu?

Nelcimar Pires: Qual foi a fantasia que você sempre é lembrado e que tenha tornado inesquecível? Eu acho que a fantasia que se tornou inesquecível para mim e para e para muitas pessoas foi a fantasia que foi o Astro Rei. Aquela fantasia do Sol do enredo da Portela em 2004 em que a Porta falava: “A lua apaixonada chorou tanto que do seu pranto nasceu o rio-mar”. Foi nesse enredo Amazonas, né. Então é essa roupa o sol que eu vim naquele carro da lua chorando e o sol atrás, né. Eu acho que essa roupa ficou eternizada sim na mente de muitos inclusive na minha. E essa roupa foi a que aqui mais eu usei. Eu recebi milhões de Prêmios em Várias escolas de samba que teve festa de destaques e eu fui a quase todas nesse ano. Eu acho que foi o ano que mais teve festa de destaque. Recebi pela beija-flor, recebi pelo Porto da Pedra, recebi por Várias escolas que me chamavam, não lembro agora. Eu lembro do beija-flor porque o troféu foi um colibri verde e esse troféu todos eu tenho até hoje e esse me marcou muito que foi na quadra da beija-flor. Nossa eu fui ovacionado nesse dia com essa roupa quando eu entrei para receber o troféu, não me esqueço e eu tenho até de frente para foto aqui uma foto gigante que eu tenho essa roupa aqui no meu quadro. Foi uma roupa que me marcou muito! E ela combinou demais aquele laranja com dourado quando o sol nasceu que foi aquele, foi durante o dia que eu desfilei então a roupa gritou muito eu acho que foi aí que chamou muita atenção, entendeu? Então eu acho que a roupa de 2004, o Astro Rei, foi a roupa que mais, eu acho que foi inesquecível sim, tá bom?

Você considera o luxo essencial para a festa? Se sim, por qual motivo?

Nelcimar Pires: Se eu considero o luxo essencial? Sim eu acho que o luxo é essencial. Eu acho que o luxo é luxo. Todas as pessoas gostam de riqueza, gostam de ver muito brilho, muito tudo em cima de uma pessoa. Eu acho que o luxo é super essencial e o motivo é que traz a riqueza para o Carnaval, né. Eu acho que o carnaval cresce muito com o destaque de luxo. Por isso que os destaques de luxo saiam dos clubes oficiais e iam para Avenida com todas as pompas e circunstâncias. Vinham para o chão, para uma avenida e eram idolatrados, e tinha cordões a volta do destaque para que ele pudesse passar numa avenida, não sei se você chegou a ver isso, já soube dessas histórias, né. Então era um espetáculo! Então eu acho que o luxo é essencial sim!

Antigamente, cada destaque vinha em uma alegoria. Hoje, com a diminuição do número de carros, isso tem sido menos frequente. Como você enxerga essa mudança? É um problema pra você dividir a atenção do público?

Nelcimar Pires: Essa pergunta é bem complicada, né? Porque no momento que nós vivemos é uma guerra de ego muito grande, né. Principalmente entre os destaques. Com essa diminuição de carros e destaque tem que se dividir, virar destaque lateral e não Central. Às vezes tem um Central e 2 laterais, mas eu acho que, por exemplo, um destaque Central é o destaque Central fica sendo como oficial. Os outros dois será que ele sabe que eles vão ser lateral? Eles tem que saber disso na hora. Você quer desfilar? Então aqui o destaque Central é Fulano. A escola tem que ver quem faz até uma melhor roupa, eu acho, eu penso assim. Porque o ego, a briga de ego é muito grande e para dividir é bem complicado, né. Porque você gasta, você vira suas noites, como já falei. Você se mata. Muitos eu sei que deixa de fazer mil coisas para poder ter que fazer o seu destaque, né. Se prejudicam até, mas faz seu destaque para depois passar ali e às vezes nem aparece o nome porque quando é um destaque lateral não aparece nem um nome numa tela de TV. Hoje nós temos até o Milton Cunha que além de aparecer o nome o Milton fala sobre aquele destaque. Então o Milton ele enaltece muito. O Milton é como se fosse um anjo da guarda dos destaques de hoje, é o que eu considero. Mas como diminuir o muito carro que hoje também tá sendo muito dividido os carros, eu acho que também diminuiu muito destaque, porque muito destaque bom já se foi. Eu acho que muito se foram, muitos deixaram de desfilar e os novos eu sinto, eu Nelcimar eu sinto, que muitos novos não querem estar sentado como eu tô sentado aqui bordando, vamos dizer com… Ah desculpa o termo a bunda doendo, entendeu? Bordando, e aqueles trabalhos repetitivos, entendeu. Muitos não querem isso. Querem fazer ali “chapô-colô”, fez, aconteceu, puxou o tecido e virou destaque, entendeu. Eu não sei se eu penso que destaque é isso para mim. Eu acho que destaque é às vezes uma roupa pequena, bem feita, muito bem bordada, com muito carinho, muita gente meteu a mão ali para poder bordar pelo menos um pedacinho, como a lantejoula, o paetê, a miçanga. São materiais nativos, vamos dizer assim, que quase ninguém ouve mais falar, mas que para mim aquilo ali é grande luxo do carnaval porque virou um, para mim é hiper luxo hoje você fazer uma roupa bordada com paetê e miçanga porque são mãos, bordado à mão. É a maior riqueza que hoje você não encontra. Então, para mim, o verdadeiro luxo tá nisso aí, entendeu? Às vezes você, com uma pequena roupa, tá mostrando mais luxo do que uma grande roupa.

Pra você o que a figura do destaque simboliza para os demais componentes da escola? E como é a relação deles com você?

Nelcimar Pires: Para mim aqui nessa sua pergunta, o que ele simboliza? Ele simboliza o enredo, a história que é contada, entendeu? Às vezes vem uma ala toda de Dom Pedro, mas o Dom Pedro principal, que tá contando a história, que tá trazendo aquela ala ou fechando a ala, é o Dom Pedro que tá no carro, que eu acho que é a maior riqueza, o maior símbolo, aonde ele tem mais foco. É como se fosse um foco direcionado naquela peça-chave, aquela peça principal. Então, o símbolo maior é aquele foco ali. É o destaque que está simbolizando a história do enredo onde vem aqueles componentes que podem estar com a mesmo segmento de roupa, mas ali são vários componentes com uma roupa. E o símbolo maior ele tá ali no isolamento, ele tá isolado sendo focado. Então eu acho que é o símbolo maior, né do enredo tá ali. E a minha relação com eles… Nossa, é a energia, é que você olha ou para trás ou olha e ver na sua frente aquela ala toda é vibrando, cantando sambando, carregando aquele enredo, aquela história que é você que naquela hora ali eu esqueço que eu sou Nelcimar, eu lembro que eu sou o rei sol, eu sou Dom Pedro eu sou aquele anjo, eu sou aquela figura que está ali que eles estão cantando. Então é como se eu ali eu sou um símbolo maior, entendeu. E sendo aquele destaque. Não sei se dá para você entender a minha, o meu jeito, né, o que eu estou falando, né.

O carnaval vem passando por uma crise financeira e muito se fala que as escolas precisam voltar às suas raízes. Você acha que a comunidade se sente representada quando vê vocês nos dias de hoje? Sentiu alguma mudança na relação entre você e a comunidade nos últimos anos?

Nelcimar Pires: Olha eu sempre soube que a alma de uma escola tá na comunidade. Eu sempre gostei de escolas que tenham uma comunidade, uma comunidade forte. Eu sempre tive um grande sonho de desfilar numa Mangueira da vida. Por conta daquela energia da comunidade, mas sei que lá na Mangueira é tudo muito difícil, tudo muito complicado. Então foi que me fez até desistir de ter que desfilar em uma Mangueira na vida, né. Mas a comunidade é tudo! E eu bato palma que eu acho que a escola que mais traz uma comunidade eu acho, eu não sei, se entender muito, porque eu sou apenas um destaque, eu acho que a Mangueira e eu bato muita palma para isso. Então a comunidade é importantíssima para uma escola. E a minha relação com eles é tirar o chapéu, a roupa inteira para esses deslumbres, esses poderosos chamado os componentes de uma comunidade, porque eles para mim é a alma da escola. Então é o meu… Como que eu falo? Ai, espera aí, como que você falou aqui? É que eu leio e vou falando, né. A minha relação com uma comunidade é essa de ver a comunidade como as grandes estrelas daquela escola, porque a escola sobrevive por conta deles, entendeu? Muitos até quando botam as pessoas que vêm de fora, turista, a escola vem fria. Não é uma escola com garra, ela não vem forte, entendeu? Então eu vejo na comunidade uma peça fundamental para uma escola de samba.

Você falou, na resposta ao Milton, sobre os olhares de contemplação da beleza pelo público. Conte mais um pouco sobre esse momento de troca entre você e quem está te contemplando?

Nelcimar Pires: Bem, aquele pequeno texto que eu mandei por Milton. Aquilo ali é assim, como eu já te falei, é uma energia muito forte em você viver aquele momento, aquela hora aquilo é uma sensação única. Todo ano é a mesma coisa que eu sinto quando dá queima de fogos, que você vai entrar na Avenida, o coração bate na boca. Então você se sente, você vira o grande rei, aquela peça, aquela pequena peça, como eu falei lá aquela peça de um quebra-cabeça. Em média de 3500 pessoas peças, né. Então você é uma peça daquelas 3500 que estão todas se unindo para poder montar aquele quebra-cabeça para poder passar em uma avenida e roubar aqueles olhares de arquibancadas, camarotes, aqueles olhares que passam em segundos e muito pouco tempo, mas que é uma admiração e um sentimento que não sei descrever. Então você olha aqueles rostos desconhecidos, aquelas pessoas que você nunca viu na vida e que estão olhando, deslumbrando com aquela visão, né que é você. Você é a grande visão. Então não dá para descrever aquilo tudo, aquele fascínio e você ser aquele glamour. Que você esquece de tudo que você passou, as suas noites mal dormidas, seus dias mal vividos, é o valor que você gastou da sua roupa, que você acaba gastando por mais que você tenha materiais, que você guarde muita coisa como eu, eu cuido muito dos meus materiais, eu trato dos meus materiais como ninguém. Então eu tenho uma riqueza! Eu tenho broches que hoje ninguém tem esses broches, que eu comprei e que hoje eu nem sei se eu consigo comprar nos lugares onde eu comprei. Tem uns que eram na antiga Silmer que nem existe mais. Eu comprava meu material na antiga Silmer era maior… Mas então eu tenho esses materiais que eu sei que eu não vou ter mais, eu não desfaço, se eu tiver que vender uma roupa eu arranco esse material e guardo, entendeu? E eu tô eu tô fazendo isso. É o que eu acho dessa sua pergunta, e respondendo à pergunta passada sobre a crise… Eu acho que a crise ela pode até acontecer… Você lembra quando a ilha do governador veio toda colorida com aquele enredo: “Colorir, Olha aí o colorir…” Aquele enredo o que tinha… Gente, foi a maior riqueza aquilo ali para mim. Aquilo ali, na crise que a escola estava passando, ninguém dizia que ela tinha uma crise naquela época, porque ela veio… Eu me arrepio só em ter que te contar, falar isso, conversar isso aí com você… Então eu acho que a crise não existe quando você tem uma grande comunidade.

Também falou que o valor do destaque está além dos valores gastos com a fantasia. Qual o valor seria esse? O que ser destaque simboliza para você?

Nelcimar Pires: O valor que eu falei ali naquele texto que eu passei para o Milton, é um valor não é só financeiro que você tem. Os seus gastos, você abre mão, como já disse, abre mão de mil coisas para poder você ter que montar o seu destaque, para você ser aquele destaque ali. Então você abre mão de muitas coisas. Inclusive, quantas noites eu deixei de estar curtindo meu verão, de estar indo a um show com os meus amigos de beber, de fazer o que eu tenho vontade de fazer, porque eu tinha que tá montando meu destaque para poder desfilar na escola. E aqui o nosso verão é maravilhoso. Então tem vários shows, vários tudo! Então eu não tenho… Eu deixava de fazer tudo isso para poder eu estar terminando meu destaque. Então o grande valor do destaque é isso aí. É o valor além de financeiro que você tem um gasto absurdo para você ser aquele destaque, para você ser aquela peça que eu te falei, aquela peça fundamental de uma escola. E que o meu simbolismo desse destaque é isso, de você ser aquela estrela fazendo jus àquele enredo que foi oferecido, que foi entregue na tua mão. Aquela história que você é como um artista, um ator de uma novela que vai representar aquele papel, ele vai olhar aquele script, ela e vai ter que encarnar, ele vai ter que ser um louco, ele vai ter que ser um pobre, ele vai ser um milionário, ele vai ser uma pessoa do mal, uma pessoa do bem, ele vai ser uma coisa que não é ele. Então eu acho que o símbolo maior do destaque é isso aí de você representar uma história, eu acho. É mais ou menos por aí.

Com quanto tempo de antecedência você chega no sambódromo? Em qual tipo de carro você chega? Quantas bolsas você carrega? Como são feitas essas bolsas? Tem pessoas para dar apoio? Na hora que chega e vê as alegorias desmontadas, de tarde, muito antes de qualquer pessoa, o que você sente? O que você pode contar desse processo de montagem e depois de desmontagem da alegoria? Sente tristeza de jogar lá de cima os plumeiros? Como é essa sensação?

Nelcimar Pires: Olha, como eu saio daqui de Campos, eu enfrento 5h30 em torno de viagem, né? Então, eu saio daqui de Campos geralmente 10 horas da manhã e vou direto para a Marquês de Sapucaí. Quando eu não vou direto, eu passo antes no barracão da escola para poder pegar alguma coisa que eu preciso ou saber de alguma coisa que ainda tem pessoas lá no barracão como todo ano eu faço, entendeu? Aí eu vou direto para avenida. Lá na avenida, eu procuro um lugar para ficar que geralmente eu fico, quando é no lado do Balança, eu fico lá naquele estacionamento que tem ali, na boca da avenida, na boca da concentração, né? Do curral, né, que a gente chama de curral de entrada. Tem um estacionamento maravilhoso que tem banheiro. Tem a TV que eu fico me controlando pela TV passando os desfiles. E ali a gente fica à vontade, a gente lancha, a gente come, conversa e fica batendo papo e ali a gente monta nossa rodinha, né, de desfile, aguardando a hora. Independente da hora da escola que geralmente é raro, eu acho que é raro de eu chegar lá que a escola é a primeira a entrar na avenida. Aí é sempre mais cedo, mas quando é da terceira escola para lá, eu sempre chego ali tipo 6h. Eu já vou descendo tudo do meu carro e vou carregando para o meu carro, o carro que eu vou desfilar. Então eu tento montar entre 6h/7h e eu deixo minha roupa montada, independente de eu estar dentro do curral ou fora, eu monto a minha roupa todinha logo e já deixo pronta e vou para me maquiar, entendeu?! Levo minhas roupas todas nas bolsas de nylon dublado para proteger. Quando é carrinho, eu não faço bolsa e tento fazer uma arrumação ali no meio do meu resplendor. Uma sacolinha dentro que eu adapto no resplendor para embrulhar bem as sacolas e saco de lixo e enfio tudo nessa bolsa, tá?! Para quando terminar o desfile, lá, porque não é a concentração e sim a dispersão. Que quando termina que você tem segundos para vir desmontando aquela roupa, porque os carros alegóricos estão indo embora. Então, às vezes, eu só vou terminar de desmontar minha roupa lá numa esquina, lá embaixo, entendeu? E, geralmente, por exemplo, eu na Imperatriz […] A Imperatriz me dá três apoios e minha mãe, como desfila também na escola, eles dão um apoio para minha mãe. Então, na verdade, eu fico com quatro apoios. E depois que tá tudo pronto nós vamos para avenida. Três ficam comigo e um fica com a minha mãe, entendeu? Mas na hora da montagem, que eu sempre gosto de arrumar tudo cedo, eu […] os quatro estão trabalhando comigo. Eu trago daqui de Campos, levo de Campos, tá? Não, não pego ninguém de lá e tudo. São pessoas que já estão totalmente preparadas aqui comigo, entendeu? Que sai daqui de Campos e quando tá um tempo complicado com chuva, alguma coisa assim, eu monto toda ferragem, todo bordado, e deixo tudo pronto lá no carro, né? E as embalagens de plumas todas dentro dos sacos de lixos amarrados e tudo em cima do carro. Quando já chego maquiado e que já está no curral e, passou um pouco a chuva, eu vou monto a plumagem toda que ainda eu tenho uma hora para poder antes de começar […] eu cálculo mais ou menos uma hora para mim, entendeu, só para botar pluma. Porque eu já tô pronto e botar a roupa eu me visto rápido. Minha roupa, graças a Deus, eu sempre faço de um modo que eu posso […] que eu me visto bem rápido, apesar de ser muito pesada, eu deixo para vestir quase no último furo, né? A desmontagem é aquela loucura, né? Desmontar roupa é como eu te disse, é como desmontar uma alegoria andando. Eu saio daqui de Campos em uma Sprinter. Eu sempre alugo uma Sprinter que fica comigo à disposição, o motorista que ele me cobra R$ 1.500. Eu pago essa Sprinter, ela fica comigo direto até terminar o desfile, para poder voltar para Campos. Terminou o desfile, catei tudo, enfiei tudo dentro do saco, joguei dentro da Sprinter que a Sprinter eu levo com reboque, entendeu? Então geralmente[…] aí eu divido parte no reboque, parte dentro da Sprinter. Eu tento colocar o máximo de coisa no reboque que o meu reboque é muito grande. Ele cabe todas as peças maiores, pedaços das armações. Tudo que eu faço é bem desmontado, mas cabe tudo no reboque para dar mais conforto aos meus auxiliares, né? As pessoas estão indo para os meus apoios para poder […] que na volta é muito cansativo, né? Porque são 5h de volta, 5h30 de volta. Aí quando chego, eu tenho que parar o carro e tirar tudo da Sprinter, botar para dentro da minha casa para essa Sprinter ir embora com Deus. E assim é durante […] foi […] são mais de 20 anos de carnaval no Rio de Janeiro, fazendo essa brincadeira de viagem, né, com relação com o carnaval. Tem que amar muito, gostar muito disso.

‘Não há motivo para colocar dinheiro numa atividade privada’, diz Fred Luz sobre subvenção para o carnaval

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Fred Luz01Dando sequência à série de entrevistas com os candidatos à Prefeitura do Rio, o site CARNAVALESCO conversou com Fred Luz, postulante ao Palácio da Cidade pelo Partido Novo. Os cariocas decidem no próximo dia 15 de novembro quem vai administrar o município entre 2021 e 2024.

Fred Luz é o que se costuma dizer em política, outsider, ou seja não possui carreira na política, nunca ocupou qualquer cargo público no legislativo ou executivo e participa pela primeira vez de um pleito eleitoral. O empresário foi CEO do Clube de Regatas do Flamengo entre 2014 e 2018, além de diretor comercial das Lojas Americanas.

Confira abaixo a entrevista com Fred Luz:

Fred Luz02A atual gestão comandou uma cruzada contra o carnaval e as escolas de samba. A sua gestão vai dar apoio institucional e financeiro à festa?

Fred Luz: “Era de se esperar a cruzada, quando o Rio escolheu um Bispo da Igreja Universal. Uma cruzada estúpida, porque o carnaval faz parte da história e da cultura do carioca. Mas, o outro extremo, a posição de colocar dinheiro nos desfiles, também é ruim para uma Prefeitura que tem a obrigação de garantir ao povo os direitos fundamentais. A minha posição é não atrapalhar a realização dos desfiles e entender que eles são negócios altamente lucrativos para a iniciativa privada com repercussões positivas para a imagem do Rio. Não há motivo para colocar dinheiro numa atividade privada ou em eventos que por si sós são autossustentáveis.”

As escolas da Série A tem cada vez mais dificuldades em construir o seu desfile sem barracões. Qual a sua opinião sobre a Cidade do Samba 2?

Fred Luz: “Sou a favor da criação de um calendário de eventos de carnaval para o ano inteiro que contemple também a Cidade do Samba. Depois que passa o evento, o Sambódromo fica praticamente sem nada o ano inteiro! Isso é um absurdo! A Prefeitura pode ajudar os organizadores do Carnaval a criar este calendário para eventos durante todo o ano, no Sambódromo e na Cidade do Samba, e envolvendo todos os grupos de escolas. Atraindo patrocinadores, todos terão renda para melhorar seus sistemas de produção e criação e ainda poderão empregar muito mais gente nestas atividades.”

Fred Luz03Como a prefeitura pode fomentar o carnaval de rua e os blocos, que trazem milhares de turistas para a cidade no período de carnaval?

Fred Luz: “Fazendo o que uma administração que se preocupa com a população e os turistas deve fazer: dando segurança, ajudando na organização e mantendo um serviço de limpeza eficiente.”

O que você considera que deva ser feito com o Sambódromo? Passar ao governo estadual ou manter com a prefeitura?

Fred Luz: “O Sambódromo é um equipamento da Prefeitura mas os eventos devem ser realizados pelos organizadores do Carnaval. Não é possível que um evento deste porte, que desperta a atenção do mundo inteiro, não possa ser sustentável financeiramente. É questão de planejamento e gestão. Além disso, temos que lembrar que a Prefeitura se encontra em dificuldades financeiras sérias e a prioridade precisa ser prestar serviços públicos de qualidade para quem mais precisa, na saúde, na educação, na segurança e no transporte público.”

Fred Luz04Como a sua candidatura enxerga a importância do carnaval para a arrecadação da cidade do Rio de Janeiro?

Fred Luz: “O Carnaval é um evento importantíssimo para a cidade. Fonte de atração de turistas, de arrecadação de impostos e de movimentação da economia do município. Minha proposta é que a Prefeitura apoie o Carnaval prestando serviços de alta qualidade na preparação da cidade para que a população e os visitantes possam aproveitar ao máximo, com conforto e segurança. O Carnaval é um evento internacional e tem todas as condições de ser maravilhoso, sem a necessidade de gastar os recursos públicos com os desfiles.”

Após oito meses, Feijoada da Família Portelense retorna neste sábado

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Portela Novembro01Depois de oito meses sem realizar eventos por conta da pandemia, a maior campeã do carnaval carioca vai reabrir suas portas neste sábado (7), a partir das 13h, com a tradicional Feijoada da Família Portelense. No intuito de receber o público com segurança, a diretoria elaborou um rígido protocolo, contemplando todas as “Regras de Ouro” da Vigilância Sanitária e da Secretaria Municipal de Saúde. Profissionais dos dois órgãos estiveram na quadra especialmente para uma reunião com a equipe que atuará no evento. Para quem ainda não se sente à vontade para sair de casa, a escola, que será a primeira do Grupo Especial a retomar shows de grande porte, vai continuar oferecendo o prato de feijoada pelo sistema delivery.

Assim como aconteceu em teatros, cinemas e casas de shows da cidade, a Portela promoveu mudanças na estrutura e na organização do evento, visando atender às normas da prefeitura. Os ingressos, por exemplo, só serão vendidos pela internet. O público deverá optar pela compra de mesas ou camarotes, e não haverá pista. Vale ressaltar, ainda, que não serão vendidos ingressos no dia do evento, que teve sua capacidade de público reduzida pela metade.

As mesas estarão dispostas respeitando a distância mínima de dois metros entre cada uma, e não será autorizada a junção de mesas. Camarotes inferiores e superiores vão receber apenas oito pessoas. Além disso, a compra de bebidas e de feijoada deverá ser feita diretamente com garçons, que vão levar os produtos até o cliente.

Funcionários e integrantes de uma comissão montada exclusivamente para a Feijoada estarão identificados e prontos para orientar o público, evitando qualquer tipo de aglomeração. Com o auxílio de grades, haverá controle de entrada e saída na portaria principal e nos banheiros. O Portelão vai receber dispensers de álcool em gel, sinalização especial e tapetes higienizadores, e o uso de máscaras será obrigatório durante todo o evento.

A Velha Guarda Show, tradicional anfitriã da festa, será poupada. Mas o cardápio musical está recheado de talentos portelenses: grupo Samba dos Crias, grupo Tempero Carioca, Flavia Saolli, Sandra Portella e Wanderley Monteiro. O encerramento será com um grande show dos segmentos da Portela, reunindo ritmistas, intérpretes, passistas e casal de mestre-sala e porta-bandeira. No repertório, pérolas de compositores da Azul e Branco, clássicos do samba e sambas-enredos antológicos.

Cercada de todos os cuidados, a Majestade do Samba está ansiosa para reencontrar seus componentes e torcedores. Chega de saudade, não é mesmo? No entanto, se você preferir encomendar a feijoada pelo sistema delivery, basta acessar o site www.sociosdaportela.com.br/feijoada e garantir seu kit, que também poderá ser retirado na quadra (opção drive thru).

O documento completo com o protocolo sanitário de segurança está disponível no site oficial da Azul e branco.

Serviço:

Feijoada da Família Portelense – edição especial de novembro
Data: Sábado, dia 7 de novembro de 2020
Horário de início: 13h
Término: 22h
Atrações: grupo Samba dos Crias, grupo Tempero Carioca, Flavia Saolli, Sandra Portella, Wanderley Monteiro e Portela Show

Preços:

Mesa com quatro lugares: R$ 100 (+ taxa de R$ 10)
Camarote inferior (oito lugares): R$ 300 + (taxa de R$ 30)
Camarote superior (oito lugares): R$ 500 + (taxa de R$ 50)
Classificação etária: 16 anos
O prato de feijoada custa R$ 25 e é vendido à parte. Nenhum setor inclui a feijoada no preço do ingresso!

Venda de ingressos (somente pela internet)
www.ingressocerto.com/feijoada-da-familia-portelense07-11

Venda de feijoada delivery
www.sociosdaportela.com.br/feijoada

Avisos importantes:

– A bilheteria da quadra estará fechada no dia do evento.
– Sócios estatutários (beneméritos, proprietários e contribuintes) da Portela deverão entrar em contato com a secretaria antecipadamente para receber o voucher de entrada. A mesma regra vale para sócios-torcedores das categorias que têm direito à entrada.
– Como a organização do evento precisa ter um controle prévio do número de ingressos disponibilizados, não serão aceitas carteirinhas de agremiações coirmãs na portaria.
– Não será permitida a entrada de menores de 16 anos.