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Passarela do Samba: ‘Acerto de contas’

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Jovelina Pérola Negra estava fazendo uma temporada no Teatro João Caetano. Uma noite, convidou um casal amigo para assistir ao show.

– E os convites? – perguntou o porteiro do teatro, questionando o casal.

– Ela não nos deu nada – respondeu o convidado, explicando: – A Jovelina apenas pediu que a gente viesse.

O porteiro:

– Ela convidou só de boca?

O convidado:

– Sim, se o senhor duvidar, pode perguntar a ela.

– Como?! – reagiu o porteiro:- A Jovelina já vai entrar no palco.

O porteiro acabou agindo com bom senso. Deixou que o casal entrasse e, depois do espetáculo, acertaria com a pagodeira.

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E assim fez. Terminado o show, o porteiro foi a Jovelina falar sobre o casal. Explicou que os dois estavam sem convites, mas mesmo assim deixou que entrassem.

Jovelina agradeceu. Mas o porteiro prosseguiu, insinuante:

– Sim, mas eu vou ter que botar no seu borderô.

A pagodeira virou-se, ofendida, a ponto de virar a mão no sujeito:

– Ora, vá botar no borderô da tua mãe!

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Em chapa única, Ney Filardi será novamente presidente da União da Ilha

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Na noite desta segunda-feira encerrou-se o prazo para inscrição das chapas para as eleições da diretoria da União da Ilha para o próximo triênio.

Como apenas uma chapa foi inscrita (única) que terá como candidato o ex-presidente Ney Filardi, a eleição em abril será realizada por aclamação. Ney Filardi terá como seu vice, Sávio Neves, empresário que sempre foi ligado à escola, com grande experiência e relacionamento, fato que deverá fortalecer a nova gestão.

Djalma Falcão será o presidente de honra, numa administração que terá como desafio principal a volta ao Grupo Especial.

Ministério Público obtém decisão determinando a interdição da Cidade do Samba

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O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Cidadania da Capital, obteve na Justiça decisão determinando a interdição da Cidade do Samba até que as instalações sejam reestruturadas de forma a minimizar os riscos de incêndio.

A decisão em recurso proferida pelo Juízo da Terceira Câmara Cível ocorre no âmbito de ação civil pública ajuizada pela 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Cidadania da Capital contra o Município do Rio, a Riotur, a Empresa Municipal de Urbanização (RioUrbe) e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). A ação ressalta que vistorias realizadas pelo Corpo de Bombeiros em diferentes anos identificaram não só irregularidades no estado das instalações, como também a ausência de plano de controle e prevenção contra incêndios.

“Infere-se, portanto, que estão presentes os requisitos autorizadores do deferimento da tutela recursal, tendo em vista que a farta documentação anexada aos autos demonstra o descumprimento das determinações para implementação de plano de prevenção e controle de incêndios na Cidade do Samba. Além disso, eventual demora no julgamento do feito prolongará a situação de risco a que estão expostos não só os trabalhadores, como todas as pessoas que frequentam o local”, afirma o Juízo na decisão.

Diante disso, foi determinada a interdição da Cidade do Samba até que suas instalações sejam reestruturadas de forma a minimizar os riscos de incêndio, adequando-se às normas de prevenção e controle de fogo descritas no Decreto Estadual nº 897/76 – sob pena de multa diária no valor de R$ 10 mil reais.

Projeto videoaulas: Passistas em Camarotes com Dhu Costa – Capítulo 1

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O site CARNAVALESCO abre espaço para os passistas. Dhu Costa, em um projeto de videoaulas, fala sobre a relação profissional entre passistas e os camarotes. Veja abaixo o primeiro capítulo.

Papo pra sambista: atividades sociais das escolas de samba de São Paulo para amenizar o drama da pandemia

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A coluna “Papo pra sambista” volta falando das ações fundamentais das escolas de samba de São Paulo para suas comunidades. As mobilizações foram essenciais e evitaram o sofrimento de muitas pessoas envolvidas na produções dos eventos e desfiles das agremiações.

Abaixo, o repórter Matheus Mattos apresenta essas ações e discute como a sociedade está vivendo no processo de pandemia da Covid-19.

Passarela do Samba: ‘A rival de Tiazinha’

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A Tradição estava na ponta dos cascos, chamando a atenção da mídia com as peripécias de Suzana Alves, a Tiazinha, a nova rainha de bateria.

Tiazinha era o novo sucesso da TV, encarnando uma personagem sado-masoquista, que usava máscara, lingerie preta e um chicote, com o qual batia nos rapazes da plateia que erravam as perguntas feitas por ela; ou então, os obrigava a depilar parte do próprio corpo. Era a estrela do Programa H, da Band.

Na noite de apresentação de Tiazinha para a imprensa, a quadra da Estrada Intendente Magalhães lotou. Havia equipes dos principais jornais, revistas, emissoras de rádio e TV do país. Entre os convidados lá estava o presidente do Império Serrano, Marquinhos dos Anéis, acompanhado da rainha de bateria da Serrinha, Thaís – uma jovem bem alta e corpulenta.

E foi nos atributos de sua mulatona que Marquinhos deixou escorrer o veneno que lhe consumia, ao ver toda aquela badalação na Escola vizinha e rival. Comentou com os jornalistas, tentando minimizar o sucesso de Suzana:

– A Tradição tem a Tiazinha, mas o Império tem a Thaizona!

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Fábio Pavão defende planejamento para os desfiles em julho: ‘Muitos trabalhadores na quadra e barracão dependem do carnaval’

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Na abertura do primeiro dia de eliminatória de samba-enredo da Portela para o desfile de 2021 o vice-presidente Fábio Pavão falou sobre o planejamento portelense para o futuro com ou sem carnaval no mês de julho. * OUÇA AQUI OS SAMBAS CONCORRENTES

“Enquanto tiver esperança que a gente possa realizar o carnaval em julho, a gente tem que estar aqui lutando. Escolher o samba é parte desse processo. Estamos na fase que avançamos no planejamento e recuamos quando for necessário”, disse.

Pavão aproveitou também para reagir ao discurso contra os sambistas e escolas de samba.

“Algumas pessoas acham que escola de samba é brincadeira. Não. Pra gente não é brincadeira. Para gente é muito sério. É parte da nossa identidade. Muitos trabalhadores na quadra e barracão dependem do carnaval”.

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Segundo o vice-presidente da Portela, autoridades sanitárias dizem que é possível vacinar o maior número possível de pessoas para realização dos desfiles em julho.

“É fundamental olharmos para frente. Ninguém é maluco de fazer carnaval sem que haja vacina. As autoridades sanitárias dizem que há possibilidade das pessoas estarem vacinadas e nós temos que apostar e investir nas pessoas que trabalham no carnaval em nome da história da Portela”.

Cantora do Boi Garantido morre por complicações da Covid-19

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A cantora Roci Mendonça, 39 anos, backing vocal do grupo do Boi-Bumbá Garantido, faleceu no sábado, após o parto de seu primeiro filho. Ela teve três paradas cardíacas e estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da maternidade Ana Braga, em Manaus, após testar positivo para Covid-19.

Outros integrantes do Boi Garantido também estão com Covid-19, entre eles, David Assayag, de 52 anos. Seu estado de saúde é estável.

O Boi Garantido fez uma publicação em suas redes sociais pelo falecimento da cantora:

Canta rouxinol, já é dia no céu

Foi então que Lindolfo Monte Verde se queixou a São João: ‘Desde que cheguei aqui, tenho sentido rouquidão’. São João Batista, santo de proteção, chamou um querubim e lhe ordenou a missão: traga um rouxinol que seja afinado e que dê conta do recado. Ele respondeu: ‘Só tem a Roci Mendonça’. E ela já está pronta.

E lá se foi a Roci, ensinar cantigas no céu. Sem antes cobrar do Santo Menestrel: ‘Quem vai cuidar do Max, enquanto não estou aqui? Ele respondeu: ‘Teus parentes que te amam e o pai dele, o Raony’.

Agora ensina Roci, aos mestres que ela tanto decantou, as notas em ‘Lá’. As claves de ‘Sol’. Sem esquecer de solfejar que o Garantido é o ‘verbo amar’.

Canta rouxinol na porteira. Canta rouxinol na ribeira. Canta a Roci no céu. Aplausos pedimos agora, a quem o Supremo escolheu. Não cabe ao Boi Garantido, selecionar a voz de Deus. Canta Roci. Canta no ‘bem querer’. Canta para sempre: teu boi Garantido nunca vai te esquecer.

Antônio Andrade – Presidente
Ida Silva – vice

Desfiles da década: Mangueira volta ao topo do carnaval em 2016 com o talento de Leandro Vieira e o axé de Bethânia

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A série do site CARNAVALESCO de matérias dos “Desfiles da Década”, segue relembrando apresentações marcantes que passaram pela Marquês de Sapucaí, entre os anos de 2011 e 2020. Teremos neste episódio, um desfile que impressionou o Sambódromo e consagrou o carnavalesco Leandro Vieira em sua estreia no Grupo Especial. O carnaval da Mangueira de 2016 saltou aos olhos do público com uma estética diferente da habitual usada por carnavalescos antecessores a ele na escola – menos verde e rosa – com muita beleza, criatividade e ousadia. Além da estética, as alegorias impressionavam pelo acabamento primoroso e fantasias de saltar os olhos. * OUÇA AQUI A RÁDIO CARNAVALESCO

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Desfilando com o enredo “Maria Bethânia, a menina dos olhos de Oyá”, a Estação Primeira abriu o desfile saudando a senhora dos ventos, a comissão composta por quatorze mulheres negras com seios desnudos, dançando forte com uma coreografia marcada por passos afros. Além das guerreiras, tínhamos Iansã dançando com seus apetrechos prendendo a atenção do público que vibrou a cada giro no alto do tripé, que representava o bambuzal.

“Quando fui conversar com o Leandro sobre o carnaval da Mangueira de 2016 lembro das nossas ideias coincidirem imediatamente. Os dois tinham em mente trazer mulheres negras para a avenida. Ele foi audacioso em querer elas com os seios de fora e bancou a proposta para a direção da escola, que relutou um pouco mas achou pertinente para o que tínhamos pensado. Trabalhar com mulheres, negras e representando Oyá foi e sempre será uma honra”, apontou Scapin.

O axé da Mangueira seguiu firme e logo após a passagem da comissão tivemos um dos pontos mais altos do desfile, a imagem do carnaval: Squel representando uma iaô desfilando careca. Dançando junto com Raphael Rodrigues, apenas com uma pena na cabeça fazendo referência a realeza, fizeram uma apresentação impecável, cheia de emoção atrelada ao bailado do casal com muito entrosamento e força, além de usarem uma fantasia deslumbrante. Certamente, todo sambista apaixonado se lembrará desse momento daqui a 50 anos. Desde a entrada do setor um até o fim do desfile a passagem do casal causou um frisson sendo um dos pontos cruciais para levantar o público durante o desfile. Manter a concentração e preparar a surpresa do desfile – para ficar careca a porta-bandeira precisou de cinco horas de preparação – consumiu Squel, que explicou que não percebeu a dimensão da comoção que causou.

“A responsabilidade que cerca uma porta-bandeira é tão grande, que os preparativos para me tornar uma iaô me consumiram. Com tanta coisa acontecendo e eu tendo que estar atenta à tudo para manter o sigilo, me enxergar e observar a reação do público foi algo que não consegui absorver na hora. Só fui ter dimensão do que aconteceu ao fim do desfile. A emoção e a energia eram intensas demais e, com isso, acabei esquecendo que estava careca em alguns momentos. A energia que nos cercou me conduziu durante todo o processo entre a concentração e o desfile. É algo que até hoje ainda não consigo achar palavras para descrever o que foi viver esse desfile mágico”, comentou a porta-bandeira mangueirense.

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Foram 29 alas, 6 carros e mais de 4 mil componentes. No carro abre-alas tínhamos novamente Iansã mas dessa vez acompanhada por Oxum, outro orixá que faz parte da vida de Bethânia. Na frente do carro, búfalos em bronze. Era a Mangueira abrindo o seu carnaval com tons em palha e ouro, sem o habitual verde e rosa, mais um impacto para o carnaval que via nascer o ‘estilo’ Leandro Vieira. Nas alas seguintes o carnavalesco saudou os orixás até chegar ao catolicismo encarnado pela cantora.

Na segunda alegoria da escola a devoção católica é coroada, representada pelo coração sagrado de Jesus, detalhes do carro com ladrilhos das antigas igrejas e anjos barrocos. Beth Carvalho em destaque no carro marcando seu retorno em um dos seus últimos desfiles pela verde e rosa.

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O conjunto de fantasias do, até então jovem, carnavalesco encheu os olhos de quem assistia. Figurinos com uma beleza impressionante utilizando materiais alternativos como o vime e acetato. Aparentemente leves que facilitaram a evolução dos componentes que atravessaram o Sambódromo extasiados de alegria cantando forte o samba da agremiação. Destaque para a ala das baianas com uma fantasia luxuosa em ouro velho, representando as igrejas antigas de Salvador, a imagem de Santa Bárbara e rosas vermelhas lembrando a orixá dona da cabeça de Bethânia. Além das baianas, a ala das crianças que representava Cosme e Damião foi outra que podemos citar como exemplo de beleza.

Na terceira alegoria temos o início da vida artística de Bethânia representada. O palco do Opinião, onde a cantora se apresentou ganhando notoriedade nacional com a canção ‘carcará’ apresentada pelo animal que dá nome a música de forma estilizada.

Os mestres Rodrigo Explosão e Vitor Art tiveram papel fundamental na disputa pelo título, garantindo a nota máxima do quesito e dando um show de rendimento com a bateria. Fantasiados de ‘Fera Ferida’ a bateria ousou com bossas e paradinhas, que chamavam o componente e o público para cantar forte o samba, outro quesito que teve papel de grande importância para escola sendo um dos melhores daquele ano. Evelyn Bastos, a rainha do samba, desfilando pelo terceiro ano à frente da ‘Tem que Respeitar meu Tamborim’ deixou o público sem ar com sua apresentação com entrosamento e muito samba no pé.

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“Em 2016 tive a oportunidade de pegar a fantasia dias antes, experimentei quatro ou cinco vezes. Levei no meu centro, deixei aos pés da minha mãe Oxum e Iansã. O processo desse carnaval pra mim foi muito mais completo, a fantasia estava cheia de axé e foi uma das que me deixou mais à vontade, estava leve, muito feliz. Ela é predileta de muita gente e dou toda razão pra isso. Digo que de beleza e produção é a mais completa, eu amo”, explicou a rainha.

No carro em que celebrava os cinquenta anos da carreira musical de Maria Bethânia, com o título de ‘Abelha Rainha da MPB’ , personalidades da música e da televisão que fazem parte da vida e carreira da cantora vieram levantando o público. Em dourado, a alegoria carrega o luxo na simplicidade, na frente uma abelha que por si só entregava a narrativa do desfile.

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O quinto setor apresenta outra faceta da menina de Oyá que passou a colocar em cima do palco obras literárias, atuando através de poesias. O único problema do desfile vem adiante, o carro que apresentava o palco de Bethânia em cena teve problemas com iluminação apagando algumas vezes durante o desfile. Por sorte a situação passou despercebida pelos julgadores e a escola não despontuou no quesito.

O último setor apresentou os aspectos culturais da cidade natal da cantora, Santo Amaro da Purificação – no Recôncavo Baiano. O desfile encerra com a passagem de um grande circo, colorido em verde e rosa, fazendo referência ao circo que Bethânia se encantou durante a infância. Os detalhes do carro, com elefantes azuis, cavalos e animais em volta do ‘céu de lona verde e rosa’ dão um efeito lúdico ao fim do desfile da campeã de 2016. No centro, a homenageada passa na avenida aclamada e emocionada. Encerra a sua mais que justa homenagem brindando e saudando todos com o axé que só ela tem.

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Na quarta-feira de cinzas, a surpresa se confirmou e a escola terminou a apuração em primeiro lugar. O quesito comissão de frente foi o único que não alcançou os 30 pontos, foram duas notas 9.9, uma nota 10 e um 9.8 (nota descartada), ainda assim as notas não foram capazes de atrapalhar a agremiação que fechou a apuração com 269.8, apenas um décimo a frente da Unidos da Tijuca, com 269.7. Em terceiro lugar Portela, 269.7, seguida de Salgueiro, Beija-Flor, Imperatriz, Grande Rio, Vila Isabel, São Clemente, Mocidade, União da Ilha e a rebaixada para a Série A foi a Estácio de Sá com 265.

Contexto do ano

Depois de amargar o décimo lugar no ano anterior, perder o intérprete oficial durante o pré-carnaval, o saudoso Luizito, e apostar num carnavalesco que assinaria seu primeiro carnaval no Grupo Especial, o desfile da Mangueira era muito esperado, também, por conta do enredo. Mas existia uma interrogação na cabeça do sambista: O que esperar da Mangueira?

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“A Mangueira vinha de resultados ruins e eu imaginava que caso eu conseguisse ter uma colocação um pouquinho melhor já seria um ganho. Imaginei que o julgamento iria desprestigiar um novato que até aquele momento só tinha um único carnaval – em 2015, na Caprichosos de Pilares – no currículo. Eu imaginava, na busca de um conforto pessoal, que uma colocação melhor do que o nono ou décimo lugar seria um ganho. Voltar nas campeãs era, pra mim, algo distante mediante ao cenário. Foram longos meses de olhares atravessados e muita desconfiança em cima do trabalho de um desconhecido que tinha como agravante no currículo a juventude e a inexperiência. Eu cheguei na Mangueira sem ter ‘nome’. Apesar de me chamar Leandro, eu era o rapaz, o menino ou o garoto da Mangueira. Depois do resultado que rompeu o jejum da escola e me trouxe o primeiro campeonato, passei a ser chamado de Leandro Vieira”, explicou o carnavalesco em entrevista ao site CARNAVALESCO.

Num ano de grandes enredos e sambas, a Mangueira fechou o segundo dia de desfiles mantendo o alto nível. Era o retorno de uma das principais instituições culturais do país ao pódio. Estácio de Sá, União da Ilha, Beija-Flor, Grande Rio, Mocidade, Unidos da Tijuca, Vila Isabel, Salgueiro, São Clemente, Portela e Imperatriz abrilhantaram a disputa do Grupo Especial no último ano do mandato do prefeito Eduardo Paes, no ano em que a cidade do Rio de Janeiro receberia as Olimpíadas.

“Esse campeonato foi muito resiliente para nós mangueirenses que vivemos o processo inteiro. O Leandro trouxe uma esperança de renovação pra gente. Esse carnaval, a dor que a perda do Luizito causou pra gente, um cara que foi muito participativo, muito presente que acompanhou meu início como rainha de bateria me dando muita força e diretriz. Eu aprendi muito com ele. Então, ganhar o carnaval de 2016 coroou a Mangueira, era como se nós tivéssemos sido abraçados por Deus e nossa ancestralidade, foi um momento incrível. Jamais vou esquecer da energia do desfile, foi algo inenarrável. Todo mundo que presenciou, dentro ou fora, sabe que a energia daquele desfile foi surreal. Eu lembro do início, quando a sirene tocou e do final, eu só senti. Mas um momento que jamais vou esquecer foi da chegada do troféu no morro, aos pés do morro da Mangueira. Foi o que mais me marcou”, encerra Evelyn.