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Futuro da Imperatriz Leopoldinense: ‘Pretendemos levar o legado do nosso pai’, afirma Vinícius Drumond

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A Imperatriz Leopoldinense define segunda-feira, por meio de uma assembleia geral, quem irá ocupar oficialmente a presidência da escola, após a renúncia de Marcos Drumond, filho de Luizinho Drumond, do cargo. A expectativa é que Cátia Regina Drumond Freitas, vice-presidente executiva e atual presidente interina, seja oficializada no posto.

filho leopoldina

O site CARNAVALESCO esteve presente na quadra da agremiação gresilense na última quarta-feira, para acompanhar a divulgação da sinopse do enredo para o próximo carnaval, e conversou com Vinícius Drumond (de camisa preta na imagem acima), atual vice-presidente interino e representante da Imperatriz na Liesa. Para reportagem, o dirigente confirmou que ele e a irmã Cátia Drumond pretendem permanecer no comando da escola e falou sobre os planos deles na direção.

“Pretendemos levar o legado do nosso pai. Minha irmã, como já vinha de frente há anos no barracão, vai continuar e vamos fazer todo o possível para que a escola entre na Avenida com um bom samba, sempre disputando títulos… Nosso objetivo é tentar chegar a fazer bons carnavais igual o nosso pai”, afirmou.

A ideia da dupla, segundo Vinícius Drumond, é manter o que já vinha sendo realizado nos últimos meses pelo irmão, Marcos Drumond.

“O projeto é da família Drummond em si. Vamos continuar mantendo a mesma linha”, assegurou. Quanto as maiores metas para o futuro, Vinícius declarou: “O maior sonho nosso é ganhar carnaval, homenagear nosso pai e poder dar essa alegria para ele, onde quer que ele esteja”.

Questionado pela reportagem sobre o atual momento de indefinição na folia, por conta da pandemia do novo Coronavírus, o filho de Luizinho Drumond garante que a escola segue os preparativos vislumbrando a realização dos desfiles no meio do ano que vem.

“Estamos trabalhando com a hipótese do carnaval 2021. Não pensamos ainda o caso de ter somente em 2022. Claro, dependemos também de que tenha uma vacina. Se não tiver vacina, não tem condições de ter carnaval”, relatou.

Na sequência, o dirigente contou como a agremiação tem lidado com este atual momento. “A Imperatriz fez a redução de custos, assim como todas as escolas. Tentamos manter o máximo dos segmentos, dando uma ajuda de custo. E pretendemos continuar com a quadra fechada, enquanto estiver essa pandemia. Lógico que, mais para frente, a gente vai ter que começar os ensaios, assim que tiver vacina, que forem chegando novidades, a gente pretende fazer o carnaval normal para 2021”, disse Vinícius.

Uma medida adotada por algumas escolas para permanecerem em atividade durante a pandemia foram as lives, que servem também como uma possível fonte de renda. Indagado se a Imperatriz cogitou a possibilidade de apostar no formato como forma de angariar recursos, Vinícius Drumond admite que sim, mas revela que a ideia não foi para frente.

“A gente já discutiu isso e não chegamos a nenhuma decisão, por enquanto. Vamos aguardar mais um pouco para saber como é que vai ficar, se vai ter ensaio presencial, se vai ser feito por live, o que vai ser. Hoje, a gente não tem como dar uma decisão a respeito da Imperatriz, porque o cenário do Rio de Janeiro não tem uma definição. Os hospitais estão todos lotados, mas a gente está trabalhando na esperança de que Deus nos ilumine com uma vacina e que tenha carnaval. A gente está dependendo de televisão, patrocínio… Mas estamos correndo atrás de tudo, tentando o máximo possível arrumar alguma renda para escola”, complementou.

Conheça o samba do Cubango para o próximo carnaval

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Enredo: Onilé
Compositores: Robson Ramos, Sardinha, Anderson Lemos, Jr Fionda, Duda Tonon, Rildo Seixas, Sérgio Careca, Samir Trindade, Alessandro Falcão
Participação especial: Léo Castro, Manolo
Intérpretes: Tinga e Diego Nicolau

Olorum criou Aye do Orum
Odudua fez a Terra
Deu poder a cada um
Dos Orixás
Agô Mamãe Senhora abençoa meu Ylê
Onde o meu samba faz morada
Valei-me feminina divindade
O ventre da fertilidade
O aço, o vento, o tempo, o destino
Velho ou Menino na flecha ou no barro
Da água ao raio, por guerra e paz
Derrama o Ejé em seus rituais

Atotô meu pai, Obaluaê
Oluaê Oluaê

A vida é Rio que corre
pro mar
Só colhe axé quem semeia
A fé é pra quem acreditar
Há fé pro amor enraizar
Eu quero ver de volta o verde nessas matas
A branca espuma em cachoeiras e cascatas
O chão sagrado refletir a poesia
Pra liberdade ver raiar um novo dia
Meu povo de joelhos evoca o poder
O solo e teu gongá, Yaalé!

Ibá awo Ibá awo Mojuba Onilé
É fundamento e raiz do Candomblé
Ibá awo Ibá awo é Cubango teu chão
Eles queimam tua terra, nós

Devido ao aumento da Covid-19 no Rio, Portela cancela feijoada presencial e faz somente delivery

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Diante do aumento na média móvel de casos de Covid-19 no Rio, nas últimas semanas, e da crescente demanda por leitos nos hospitais da cidade, a diretoria do Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, comunicou que a edição de dezembro da Feijoada da Família Portelense, que seria realizada neste sábado, está cancelada. Apenas o serviço delivery (ou retirada na quadra) da feijoada será mantido. Venda de feijoada delivery: www.sociosdaportela.com.br/feijoada

A decisão da Portela foi tomada com base na publicação da ata da última reunião do Comitê Científico da Prefeitura do Rio, que sugeriu a volta de medidas restritivas para conter o avanço da doença. No documento, publicado no Diário Oficial do Município, os membros do Comitê recomendam a suspensão de eventos em geral, o fechamento de escolas e creches municipais, além da restrição do uso áreas comuns de condomínios para festas e reuniões. Os especialistas também querem que a Prefeitura não autorize mais a permanência nas praias nem o banho de mar.

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Para quem já havia comprado ingresso, existem duas opções: a devolução do dinheiro (via site Ingresso Certo), ou guardar tíquete e usá-lo quando o evento for realizado, já em condições sanitárias mais seguras.

Caso tenha interesse em encomendar a feijoada pelo sistema delivery, basta acessar o site www.sociosdaportela.com.br/feijoada e garantir seu combo, que também poderá ser retirado na quadra (opção drive thru).

Inocentes aposta em prata da casa para comandar ritmistas

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A Inocentes de Belford Roxo anunciou que mestre Juninho, 22 anos, é o novo comandante dos ritmistas. O novo diretor teve seu primeiro contato com instrumentos musicais, aos 14 anos, quando aprendeu a tocar surdo de terceira, tendo como instrutor Carcará, que era um dos diretores de bateria da Inocentes.

Em seguida foi aprimorando seus conhecimentos, e logo estava tocando outros instrumentos que compõe a bateria, nos projetos da quadra. Assumiu o surdo de terceira, na estreia da Tricolor no Grupo Especial. Há quatro anos, passou a fazer parte da direção de bateria.

mestre Inocentes

“Foi uma enorme surpresa receber esse honrado convite. Estou muito feliz. Minha trajetória no samba começou na escola de Belford Roxo, há oito anos. Sempre sonhei com esse momento, por isso me dediquei ao máximo em aprender tudo sobre como dirigir uma bateria. É um novo desafio que estarei encarando na minha vida, mas sei que poderei contar com meus amigos da Cadência da Baixada e com toda a diretoria da escola que depositou a confiança, num jovem morador de Belford Roxo. Agradeço ao mestre Washington Paes e com certeza darei continuidade ao trabalho com grau de excelência em busca das notas máximas”, declarou mestre Juninho.

O presidente Reginaldo Gomes também comentou sobre a mudança na bateria:

“Serei sempre grato ao mestre Washington Paz pela sua história de sucesso em nossa escola. Hoje com muito orgulho entregamos o comando dos ritmistas, a um jovem formado no nosso projeto, uma prata da casa, que soube aproveitar os ensinamentos e tornou-se um grande profissional. Sei que essa ação é um incentivo para outros jovens irem em busca do seu objetivo com responsabilidade, sabedoria e força de vontade. Deposito toda minha confiança em mestre Juninho, como já depositei em outros artistas que estrearam na Inocentes e agora são consagrados. O mestre brevemente iniciará seu trabalho na quadra”.

A Inocentes de Belford Roxo terá como enredo para o próximo carnaval, “A meia-noite dos tambores silenciosos’, do carnavalesco Lucas Milato.

Leandro Vieira revela fantasia do Império Serrano com ‘plumas fake’

O carnavalesco do Império Serrano, Leandro Vieira, resolveu antecipar mais um detalhe de seu projeto criativo de fantasias onde utiliza materiais alternativos para o próximo carnaval. Bicampeão do Grupo Especial do Rio de Janeiro, ele divulgou recentemente algumas das fantasias criadas para o Reizinho de Madureira, que mesmo diante da pandemia, vem trabalhando visando os desfiles do ano que vem.

Há alguns anos, Leandro se desdobra na produção de visual para seus desfiles buscando alternativas plásticas que garantam beleza e possibilidades viáveis de reprodução. Segundo o carnavalesco do Império Serrano, em regra, seus projetos para o carnaval trabalham com orçamentos limitados e isso de forma inevitável, marca sua produção como artista.

fantasia leandro

“Meu processo de pesquisa visual envolve o aprofundamento de recursos plásticos que me garantam beleza competitiva. Desde a Caprichosos de Pilares, passando pela Mangueira e pela Imperatriz, uma das marcas do meu trabalho tem sido esse aprofundamento no que diz respeito ao uso da pena artificial utilizando-a como recurso plástico e busca de assinatura. Aprofundar o uso desse artigo é uma busca de aperfeiçoamento tanto do material, quanto da forma de utilizar”, destaca o carnavalesco.

Diante do desafio de produzir um visual para a sua estreia no Império Serrano, Leandro Vieira diz ter pensado uma escola que em alguns momentos pudesse se apresentar com uma “pinta clássica” que tivesse diálogo com o imperiano que gosta de ver a escola com aquele visual “classudo” de escolas tradicionais. O artista debruçou-se então nos estudos para a utilização de um antigo desejo: a utilização do que chama de ‘pluma fake’.

O artigo, recorrente na estética carnavalesca, é comumente associado ao luxo de escolas abastadas e raramente visto em escolas que não desfrutam de uma condição financeira estruturada e sua utilização marca o visual do que é considerado a estética carnavalesca mais tradicional no imaginário coletivo.

“A produção e o uso da ‘pluma fake’ é um desejo antigo que me levou há muitas tentativas sem sucesso em anos anteriores. No Império Serrano, a parceria de desenvolvimento com o que o fornecedor batizou de ‘ecopluma’ me agradou e eu resolvi usá-la de forma definitiva. De longe é a velha e luxuosa pluma importada. De perto, um tecido picotado que fica enrijecido ao ser aplicado numa fina estrutura que pode ser moldada com as mãos”, explica Leandro.

Questionado sobre o motivo que o levou a fazer o uso do artigo no Império, o carnavalesco exalta a escola.

“O Império é uma escola de vanguarda. Em muitos aspectos ‘saiu na frente’ lançando inovações que se tornaram tendência no carnaval. Pensar o Império é crer que o Império pode, e deve contribuir com alternativas para a festa, sobretudo, em tempos de dificuldades. Uma escola como o Império Serrano, seja lá em que grupo estiver, sempre deve se comportar como ‘um farol’ para as possibilidades de se pensar como fazer carnaval”, finaliza Leandro Vieira.

O Império Serrano escolheu, no último dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, seu hino oficial para o próximo Carnaval, quando o Glorioso vai levar para a Marquês de Sapucaí o enredo Mangangá, que contará a história do Mestre Besouro Mangangá, capoeirista baiano, enredo de autoria do próprio carnavalesco Leandro Vieira.

Ouça o samba-enredo oficial do Acadêmicos do Sossego para o Carnaval 2022

Compositores: Diego Tavares (in memoriam), Marcelo Adnet, Junior Fionda, Marcelinho Santos, Thiago Martins, Yago Pontes, Diego Nogueira, Rod Torres, Deodônio Neto, Gabriel Machado e Paulo Beckham

PAJÉ VOLTOU PARA CONTAR QUE O CÉU DESABOU
FUMAÇA TRAZIAM SAGRADAS VISÕES
NA DANÇA ANCESTRAL ME REVELOU
DAS ERVAS EVOCOU OS GUARDIÕES

XAPIRI ME PERDOE DO QUE NÓS FIZEMOS DE URIHI
XAPIRI ENSINOU A CUIDAR E VAMOS DESTRUIR
A RAZÃO ANCESTRAL EVOCOU SUA VOZ
SÓ NÃO DEIXE O MUNDO CAIR SOBRE NÓS

OMAMA ESCONDEU NA FLORESTA
PEDAÇOS DO CÉU CONTRA OS OLHOS DA AMBIÇÃO
A GANÂNCIA SENTE FOME
E O MAL QUE NOS CONSOME MATA O HOMEM E O QUINHÃO

XAMÃ CURA A TERRA DA GUERRA DA GENTE
DOS MITOS QUE DEIXAM A TRIBO DOENTE
ENFIM DESCERÁ DE UMA ESTRELA UM ÍNDIO GUERREIRO
DE PELE VERMELHA CABOCLO FLECHEIRO

OKÊ OKÊ ARÔ… ODÉ ODÉ
A JUREMA QUE DESMATA TEM A CURA E O AXÉ
OKÊ OKÊ ARÔ… ODÉ ODÉ
“APESAR DE VOCÊ” EU AINDA MANTENHO A FÉ

EU NÃO LARGO DA BATALHA… SOSSEGO
NOSSA ALDEIA NUNCA FALHA… AUÊ AUÊ
SACUDINDO A POEIRA DAS CINZAS VOU RENASCER

Portela 2021: parceria de Caixa D’Água

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Compositores: Caixa D’Água, Madalena, Ângelo Campeão, Carlinhos Dias, Zé Guerra, Dora, Júnior

Ê, BAOBÁ… DIZ PRO TEMPO TER SOSSEGO
QUE SEU TEMPO É DEVAGAR
Ê, BAOBÁ… DIZ PRO POVO NÃO TER MEDO
QUANDO O VENTO ESBRAVEJAR
Ê, BAOBÁ… MOSTRA QUE O QUE VEM DE DENTRO
NINGUÉM VAI ACORRENTAR

FLOR DE OLORUM NO AYÊ DE MADUREIRA
TIA BAIANA QUANDO ERÊ BAIXOU
MENINA MOÇA, MÃO DE BATUQUEIRA
COM TALABARTE DO SEU BISAVÔ
A VELHA GUARDA
GUARDA A HISTÓRIA INTEIRA
QUE EM PEDAÇOS O GURI CATOU

ÁGUA DE NANÃ BALDEOU NO VENTRE
SEMEOU NA GENTE A FORÇA DOS QUADRIS
TODO IGI OSÈ É COMO UM PORTELENSE
SEGUE EM FRENTE PORQUE TEM RAIZ

MARÉ VEM, MARÉ VAI
MARÉ NÃO DEIXA
ESQUECER A DOR DO CAIS

E NO CHÃO DE OBALUAIÊ, ATOTÔ
A SEMENTE DO BAOBÁ SE ESPALHOU
MARACATU, CAXAMBU, JONGO, EMBOLADA
CAPOEIRA E CONGADA
BATUCADA É NOSSA LEI
E LOGO ALI
DEBAIXO DO VIADUTO
IMBONDEIRO JÁ DEU FRUTO NA GINGA DO DJ

É MADEIRA, É MADEIRA
PAULO, CAETANO, RUFINO E NATAL
É MADEIRA A VELHA JAQUEIRA
GUARDIÃ DO MEU CARNAVAL

Milton Cunha e os destaques de luxo: Nabil Habib

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Por Milton Cunha, Victor Raposo, Thiago Acácio, Reinaldo Alves, Tiago Freitas e João Gustavo Melo

Entrevista realizada para o artigo “TRAVA NA BELEZA: Imaginários sobre o destaque de luxo de escola de samba” publicado no Dossiê da Revista Policromias realizado em parceria com o Observatório de Carnaval do LABEDIS/Museu Nacional da UFRJ.

Para chegar aos núcleos temáticos, fizemos uma série de entrevistas que passamos a publicar no site CARNAVALESCO, duas vezes por semana. Este material acabou não entrando no corpo do texto, por limitação de espaço, e não queríamos deixar de mostrar. É uma homenagem aos esforços destes luxuosos personagens que habitam nossos sonhos de folia! Viva os Destaques de Luxo, mensageiros do glamour.

Nabil Habib: Estação Primeira de Mangueira

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O que você imagina que a plateia imagina quando te vê passando na avenida durante o desfile?

Nabil Habib: “Pensamento da pessoa me assistindo: “Meu Deus… Que loucura esse rapaz… Um trabalho com um gasto de dinheiro desses em uma fantasia, para somente 1h desfilando… Olha a altura que ele vem… E ainda sacode, canta e dança… Só louco mesmo… hahaha”.

Gostaria de saber como surgiu o seu interesse em ser destaque de luxo? Quando foi o seu primeiro desfile nesse posto? Como foi a sua chegada na Mangueira? Já desfilou em outras agremiações nesse posto? Se sim, quais?

Nabil Habib: “Meu interesse começou desde os meus 10 anos que assistia pela televisão a transmissão. Virava a noite e as vezes até dormia com a TV ligada. Mas não tinha interesse nenhum nas alas. Gostava mesmo era dos carros alegóricos e os destaques em cima. Ficava doido e sempre dizia: Um dia estarei lá em cima! Nunca desfilei em ala na minha vida. O 1º ano que desfilei, foi de composição de carro, na Caprichosos de Pilares no carnaval do Cinema com Renato Lage. Isso foi em 1988 no enredo sobre Cinema, “Luz, Câmera, Ação”. Já em 1989 peguei um figurino de destaque na Caprichosos de Pilares com Renato Lage e na Unidos de Vila Isabel com o carnavalesco Ilvamar Magalhães. Minha chegada na Mangueira, aconteceu juntamente com Eduardo Leal, no ano de 1993, Enredo
“Dessa fruta eu como até o caroço”, do carnavalesco Ilvamar Magalhães. Viemos nós dois de Bobos da Corte, no carro da Manga Espada. E estamos até hoje na Mangueira e em outras agremiações, mas sempre Mangueira como prioridade. Já desfilei em várias agremiações… Graças a Deus sempre recebi convites de amigos queridos para desfilar. Mas sempre esperando a ordem do desfile para saber se dá tempo devido a Mangueira. Já desfilei Beija Flor, Salgueiro, Vila Isabel, Império Serrano, Unidos da Tijuca, Mocidade Independente de Padre Miguel, São Clemente, Caprichoso de Pilares, Lins Imperial, Estácio de Sá, Unidos da Ponte, Arranco do Engenho de Dentro. Todas sempre como destaque. Muito amor pela arte de fazer fantasias. Um sonho realizado”.

Você falou, na resposta ao Milton, que as pessoas devem pensar que você é louco quando o vem no desfile. Como você vê essa relação entre destaque de luxo e loucura?

Nabil Habib: “Hahaha total! Quem em sã consciência gasta uma fortuna de $$$ e tempo, para em 50 minutos com uma fantasia pesada e que sempre se machuca de alguma forma e ainda, tem que se empoleirar no alto de uma alegoria, que Deus sabe se é segura ou não e ainda se sacudir e cantar o samba? Só louco mesmo. Mas isso é um vício grande. Quem experimenta um ano, com certeza, vai querer repetir no ano seguinte e seguinte e assim vira o vício”.

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Você se planeja anualmente para manter esse vício? E como é a sua relação com a fantasia?

Nabil Habib: “Sempre trabalhei na área de turismo aqui no Brasil e até no exterior. Morei 4 anos em Nova York e perdi meu emprego lá, pq queria estar aqui no carnaval. Trabalhei em Hotel aqui no Rio de Janeiro e sempre trabalhava todos os feriados para compensar no Carnaval. Nunca trabalhei durante o carnaval. Sou eu quem organiza e faz todas as minhas fantasias. Não sei costurar, então delego a uma costureira a parte da costura. O resto de decoração toda sou eu quem executa. A partir de setembro tudo é fantasia na minha cabeça”.

E como é a relação do carnavalesco nesse processo?

Nabil Habib: “O carnavalesco é quem dá o ponta pé inicial através do figurino. O carnavalesco já conhece meu tipo de roupa e ele me encaixa no personagem do enredo dele. Todo carnavalesco quando entrega um figurino a um destaque, tem a confiança que o Destaque fará a roupa a altura do desejado ou melhor. Eu muitas das vezes modifico o figurino, mas sempre para melhor. E eles sempre depois do carnaval, com toda modéstia à parte, agradecem e comentam que ficou além do desejado”.

E em relação ao personagem/papel que você vai interpretar no desfile. Você faz alguma preparação corporal, nos aspectos de gestual e de semblante? Como que você “encarna” aquilo que está vestindo?

Nabil Habib: “Hahaha. Eu me vejo como em uma grande boca de cena de um teatro. Fez a curva da concentração para entrar na avenida, o personagem vem na hora. Geralmente, meus personagens são bem másculos devido ao meu biotipo. Mas também já encarnei o Ney Matogrosso me requebrando todo na Mangueira que artistas amigos dele? Acharam que fosse ele mesmo… Saudoso Emilio Santiago foi um deles. Hahaha. Nesse ano eu não tive figurino e pedi aos carnavalescos para vir como ele. Foi o ano da Música na Mangueira. Então copiei o figurino do show dele no Canecão mas em rosa”.

Então tem anos em que a ideia do figurino é toda sua?

Nabil Habib: “De vez em quando e quando o carnavalesco dá essa moral…”.

Você falou da relação entre o gasto com a roupa e o pouco tempo de desfile. Como você lida com o apego com a roupa e com essa ideia dela ser efêmera por conta do desfile?

Nabil Habib: “Eu tenho muito carinho com meu material de Carnaval. Todos esses anos fizeram eu ter um grande acervo, pois sempre que viajo ao exterior compro mais e mais. Algumas fantasias minhas, eu vendi para um colecionador belga, que faz exposições na Europa de Fantasias de Destaque do Carnaval carioca. Outras roupas ainda as tenho. Mas os chapéus tenho todos ainda guardados e embalados. Tenho muito apego a eles, pois foram criados pelo Mago dos Chapéus Edmilson Lima e decorados por mim com o melhor do que tenho de cristais e broches. No Carnaval sou muito conhecido pelas Calcas de franja canutilhos. Já fiz praticamente em todas as cores básicas. Fiz mais de 10 calças. Hoje ainda tenho umas 5. Algumas vendi e outras se desfizeram devido ao tempo e uso… Sempre que posso as incluo nos meus figurinos”.

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Pra você o que faz uma fantasia de destaque se eternizar na mente de quem assiste os desfiles? E o que faz um destaque se distinguir dos demais destaques de luxo do carnaval?

Nabil Habib: “Para se eternizar, tem que ter uma marca registrada sua, que independente da sua vontade. Hoje em dia se você falar em calça de canutilhos ou de qualquer tipo de franja, as pessoas associam comigo. Tem concursos no Rio de Janeiro que quando o concorrente entra com qualquer peça de franja de canutilho, a galera conhecida do salão tida se vira para mim. Acho engraçado. O que faz um Destaque se distinguir dos demais é sua performance, seja na avenida ou nos salões… Cada um tem sua luz própria e sua forma de se expressar com sua fantasia”.

Tem alguma fantasia ou fantasias por qual você sempre é lembrado ou que tenha se tornado inesquecível para as pessoas? Se sim, por qual motivo isso aconteceu?

Nabil Habib: “Pior que tem!!! O “Carcará”, no Ano de “Maria Betânia do Brasil”, na Estação Primeira de Mangueira. Essa roupa era toda com pontinhas de penas e as pessoas acharam que fosse mais de 3.000 Faisões e não tinha mais de 1.000 unidades. Quando eu sacudia, a galera entrava em Delírio… Milton Cunha cita isso na narração do desfile”.

Sacodir as penas realmente causa um delírio!

Nabil Habib: “Sim e a maioria dos Destaques trazem o resplendor preso no carro e eu só trago encaixado nas minhas costas”.

Então seria uma marca sua? Por que optou por usar dessa forma?

Nabil Habib: “Isso sempre foi assim comigo. No começo não existia essa história de prender na alegoria. Era nas costas mesmo e com o tempo, por ser muito grande o que os Destaques gostam de ostentar, começaram a prender na alegoria. Eu não gosto. Acho que perde o balanço e caimento da arte plumária. Eu só trago o que eu consigo carregar nas costas. Essas paredes enormes com esculturas e uma imensidão de arte plumaria são lindas, mas não fazem meu estilo”.

Entendi. Uma escolha pelo conforto, mas também mantém uma tradição.

Nabil Habib: “Sim. O balanço da arte plumaria é imprescindível na minha opinião”.

Você considera o luxo essencial para a festa? Se sim, por qual motivo?

Nabil Habib: “Com Certeza! Vou te responder com uma frase conhecida do “Papa”Joãozinho Trinta, que acho perfeita: “O Povo gosta de Luxo, quem gosta de miséria é intelectual”. Pura verdade”.

Pra você o que a figura do destaque simboliza para os demais componentes da escola? E como é a relação deles com você?

Nabil Habib: “Como te disse um Louco milionário hahaha. Mal sabem eles. A relação é de Idolatria. Eles adoram ver de perto”.

Como se fosse algo divino?

Nabil Habib: “Sim. Eles adoram olhar de perto como se fosse uma obra de arte de Museu do Luxo”.

Antigamente, cada destaque vinha em uma alegoria. Hoje, com a diminuição do número de carros, isso tem sido menos frequente. Como você enxerga essa mudança? É um problema pra você dividir a atenção do público?

Nabil Habib: “Problema nenhum em vir com outro Destaque no mesmo. Muito pelo contrário, gosto de vir com outros Destaques Amigos na mesma alegoria sim. Não consigo me divertir sozinho na mesma alegoria”.

O carnaval vem passando por uma crise financeira e muito se fala que as escolas precisam voltar às suas raízes. Você acha que a comunidade se sente representada quando vê vocês nos dias de hoje? Sentiu alguma mudança na relação entre você e a comunidade nos últimos anos?

Nabil Habib: “Acho que a comunidade nos vê como representante da mesma, sim. Isso depende de Destaque para Destaque. Não vi mudança nenhuma em nossa relação nos últimos anos”.

Com quanto tempo de antecedência você chega no sambódromo? Em qual tipo de
carro você chega? Quantas bolsas você carrega? Como são feitas essas bolsas? Tem pessoas para dar apoio? Na hora que chega e vê as alegorias desmontadas, de tarde, muito antes de qualquer pessoa, o que você sente? O que você pode contar desse processo de montagem e depois de desmontagem da alegoria? Sente tristeza de jogar lá de cima os plumeiros? Como é essa sensação?

Nabil Habib: “Chego na concentração tipo 3 horas antes do horário do Desfile. Geralmente vou de metrô ou de táxi, depende de qual lado seja a concentração. Normalmente, carrego uma média de 4 bolsas de Brim que mando minha costureira fazer nas medidas necessárias da fantasia. Sempre tenho 2 apoios. Minhas roupas não são muito grandes… Só faço fantasia que possa carregar presas em mim. Não uso ferragem presa no carro alegórico. Quando subo na alegoria, geralmente já subo pronto. Sempre levo comigo um banco de plástico que sento lá em cima e aguardo sentado até o momento de entrar na Avenida. Antes da curva de entrada, levanto e jogo o banco fora lá de cima. E no momento da descida. Sempre desço de Carvalhão com a roupa em mim. Para mim é tranquilo”.

Beija-Flor 2021: samba da parceria de Sidney de Pilares

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COMPOSITORES: SIDNEY DE PILARES, RIBEIRINHO, DOMINGOS OS, CLAUDIO GLADIADOR, MINEIRO SAVANNA E CLAUDIO MATTOS
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL: THIAGO MEINERS

BATUQUE DE JÊJE E NAGÔ
SOU QUILOMBOLA. DESCENDENTE DE ZUMBI
CARREGO A BRAVURA DE DAOMÉ
MEU SOBRENOME É RESISTIR
SE SE E VOCÊ…
O MESMO SANGUE E A MESMA COR
NA GARGANTA, PRESO UM CLAMOR
CORREM NAS VEIAS TANTOS IDEIAIS
QUEM DERA, IRMÃO…
VOASSE LIVRE FEITO UM BEIJA-FLOR
E ECOASSE AO TOQUE DO TAMBOR
A HERANÇA QUE VEM DOS MEUS ANCESTRAIS

SE A JUSTIÇA DE XANGÔ PUDER REINAR
OS SABERES DE NANÃ VÃO PERMITIR
QUE AS ÁGUAS DE OXUM LAVEM TODA INTOLERÂNCIA
SÓ OXALÁ PODE ENTENDER O QUE SOFRI

MORDAÇAS JÁ NÃO CALAM MINHA VOZ
A NEGRA POESIA DA FAVELA
SE A ARTE CURA E DESATA NÓS
“MEU SONHO” É O ESPELHO DE MANDELA
ÓH MEU SENHOR!
PERDOE TANTA IGNORÂNCIA
SOMOS UM MATIZ DE ESPERANÇA
NA LUTA CONTRA O MUNDO DESIGUAL
SOU FILHO DE OGUM!
A ESPADA QUE VENCE A DEMANDA
MAIS UMA VEZ EU VOU PROVAR O MEU VALOR
NO TERREIRO DE NEGUINHO E CABANA

É O CANTO DA RAÇA, GUEDO DE IGUALDADE
TER PRIVILÉGIO É VIVER DIGNIDADE
LIBERDADE É O TOM DO MEU CLAMOR
MINHA PELE É PRETA, EU SOU BEIJA-FLOR