Início Site Página 1458

Casal da Vila Isabel celebra retorno dos ensaios com segurança sanitária: ‘Corpo sente falta de dançar e se movimentar’

0

Apesar da pandemia da Covid-19 não cessar no Rio e nem no Brasil como um todo, a vida começa a ganhar ares de normalidade, com a retomada das atividades e o retorno de muitos trabalhos ao modelo presencial. No universo do carnaval não é diferente. Nesta semana, a Liesa decidiu que, caso haja vacina até lá, os desfiles de 2021 irão ocorrer entre os dias 08 e 11 de julho. Casais de mestre-sala e porta-bandeira já voltaram aos ensaios. Anteriormente, o site CARNAVALESCO conversou com Diogo Jesus e Bruna Santos, da Mocidade Independente, além de Daniel Werneck e Taciana Couto, da Grande Rio, para falar sobre o retorno destes casais aos ensaios presenciais. Desta vez, o bate-papo é com outra dupla que também já voltou aos treinos juntos: Marcinho Siqueira e Cristiane Caldas, responsáveis por defenderem o pavilhão principal da Unidos de Vila Isabel.

“O que levou a gente a tomar essa decisão de retomar os ensaios foi a saudade, primeiramente, e a necessidade. A gente já estava há muito tempo parado. O martelo foi batido agora, mas a princípio eles (a Liesa e os dirigentes das escolas) tinham colocado como janeiro para isso acontecer, para a gente saber se teria carnaval ou não, e estava chegando o prazo. Já estamos em novembro e a Vila começou a se movimentar também. Até então, nossa escola estava parada, a gente não via muita necessidade de estar trabalhando, de fazer algo sem a perspectiva de uma volta definitiva. Com a retomada do processo todo do carnaval na escola, de uma forma em geral, a gente viu a necessidade de voltar, de começar devagarzinho, esperando que o carnaval realmente aconteça. E, logo no nosso primeiro dia de ensaio, a Liesa já bateu o martelo! Oremos, começamos bem, e vamos que vamos”, afirmou Marcinho.

“Muitos foram os fatores que nos motivaram. A escola já esta aos poucos retomando algumas atividades, por exemplo. Mas o principal motivo desta volta aos ensaios é a falta que o corpo sente de dançar, de se movimentar. Estávamos acostumados com essa rotina durante o ano”, completou Cristiane Caldas.

marcinho cris

Por conta da pandemia da Covid-19, a volta aos ensaios presenciais exigem uma série de cuidados. Para evitar o contágio pelo novo Coronavírus, medidas como o uso da máscara de proteção se tornaram fundamentais. “Estamos tomando todos os cuidados necessários, como álcool em gel a todo o momento, além da limpeza necessária de todo local e material utilizado”, destacou Cristiane.

Marcinho citou a mudança de ter de lidar com as medidas de prevenção na prática da dança. “A academia em que ensaiamos está bem focada na proteção dos alunos. A gente ali está seguindo os protocolos deles”.

Devido aos meses parados, por conta da quarentena, a falta de ritmo é outro obstáculo para dupla.

“Mesmo com toda sintonia que existe entre nós, ficamos bastante tempo parados, então é começar devagar pra retomar o ritmo. Voltar aos treinos juntos é ótimo, porque um dá apoio e suporte ao outro. No início da quarentena até a metade, confesso que não fiz nenhum tipo de atividade, me dei um descanso dessa cobrança, mas logo eu consegui alugar uns aparelhos que eu pudesse estar fazendo exercícios em casa mesmo e fui retomando aos poucos”, relatou Cristiane.

marcinho cris2

“Assim como a maioria das pessoas, eu achei que a pandemia iria durar duas semanas. Então, acabei relaxando e engordei. Fiquei de um jeito que eu nunca tinha ficado antes, em toda a minha vida, em relação ao corpo. E a partir de um momento percebi que tinha de me segurar, porque na hora que as coisas voltassem a funcionar, como é que eu iria estar? Foi aí que comecei a fazer algumas atividades em casa”, contou Marcinho.

Devido a estes desafios, a ausência de um samba oficial para o próximo carnaval não é algo que afeta aos ensaios da dupla. “Nesse início, o samba em si não é de grande relevância, porque a gente precisa voltar a forma primeiro. Para isso, não precisa de samba definido, não tem coreografia, nem nada disso. A ideia é a gente dançar solto, buscar o improviso, fazer realmente o nosso cérebro e o nosso corpo voltar a essa realidade da dança. E eu acho que essa volta vai ser ainda mais trabalhosa, porque a gente nunca ficou tanto tempo sem dançar. A gente geralmente fica, no máximo, dois meses parados. Vamos trabalhar bastante a questão do corpo, a parte física. E apesar de já estarmos fazendo outras atividades, a dança realmente, os movimentos específicos, são o nosso foco agora”, assegurou o mestre-sala.

“Nosso ensaio não é baseado somente no samba campeão do ano, ensaiamos o samba do último carnaval e outros que nós possamos vir a dançar na quadra ou em uma apresentação. Depois que o samba é escolhido, nós focamos em trabalhar só nele e sempre montamos nossa coreografia de desfile e quadra. E isso serve para todos os anos”, disse a porta-bandeira também.

Questionados pela reportagem do site CARNAVALESCO sobre a definição da data para os desfiles do ano que vem, que ocorreu nesta semana, Marcinho Siqueira e Cristiane Caldas encararam como algo positivo.

“A notícia é maravilhosa. A gente sabe que há a necessidade de uma vacina ainda, mas é torcer para que ela saia logo e que todo o processo da realização do carnaval aconteça normalmente. A gente espera que isso ocorra o mais rápido possível”, declarou Marcinho.

“Estávamos nervosos para essa decisão, isso é um fato, mas desejo que essa vacina possa aparecer o quanto antes para que tudo possa acontecer da melhor forma. Ainda não sabemos como vai funcionar esse desfile no meio do ano, como vai ser o desenvolvimento de tudo isso, ainda tem muita coisa pra ser pensada. Quanto a previsão de data, temos um tempo pra pensar, nos adaptar a esse novo que está por vir, e acredito que será lindo, feito com todo amor de todos nós sambistas”, garantiu Cristiane.

Portela 2022: samba da parceria de Valtinho Botafogo

0

Autores: Valtinho Botafogo, Rogério Lobo, José Carlos, Zé Miranda, Beto Aquino, Pecê Ribeiro e D´Sousa
Intérpretes: Zé Paulo Sierra, Diogão Pereira, Juliana Pagung e Flávio Martins.

Portela
Carrego o teu nome
Aonde quer que eu vá
Em vida e por vidas
Hei de te honrar (bis)
Só por te amar meu Baobá

Árvore sagrada
Força Yoruba
Luz divina de Obatalá

Oba oba oba oba

Oranian sou eu
Paulo Benjamim de Oliveira
Nobre feito palha de Omulu
Reencarnado nos braços de Nânã
Imortal por natureza
Negra realeza dos meus orixás
Tronco enraizado pelos ancestrais
Chama ensolarada de fulgor
Ilumina a “Jaqueira”, enfeita o azul
No céu do Cruzeiro do Sul

Igi osè oh Baobá
Reflete o lindo arrebol
Envolto pela cor lilás
És cura pra dor, és fonte de paz
Igi osè oh Baobá
Mãe África quem enviou
Santa semente, alma viva, liberdade
Que floresceu brasilidade.

Maculelê, Maracatu, tem capoeira
Nas rodas de Madureira vem dançar o Caxambu
Firma no canto Surica
Ciata vai se orgulhar
O nosso samba também é religião
Vi Natal baixar terreiro
Assentando o pavilhão
Salve o Rio de Janeiro
Resistência desse chão
Portela revela…
Preto da favela é bacharel

Um “Marco” na história
Monarco de glória
Sou Paulo da Portela o menestrel

Portela 2021: samba da parceria de Edynel

0

Compositores: Edynel, Marcos Lauriano, Gadinelli, Sérginho Cataguases, Márcio Oliveira, Gylnei Bueno e Marcelo Marrom
Intérprete: Serginho Porto

IGI O$È SAGRADO ILÊ
O TEMPLO DOS MEUS ORIXÁS
UM ELO ENTRE ORUN AIYÈ
RESGUARDA A HISTÓRIA DOS MEUS ANCESTRAIS
O ONTEM, O HOJE, O AMANHÃ
SENHORA DO TEMPO A SEIVA DA VIDA
SALUBA NANÃ TEUS OLHOS CONTEMPLAM CHEGADAS E IDAS
ATOTÔ AJUBERÔ A CURA DO MAL RESTAURAÇÃO
MOTUMBÁ MEU PAI XANGÔ
NA FORÇA DO OXÊ A PROTEÇÃO

CRUZARAM O MAR DE YEMANJÁ
LEMBRANÇAS RESISTENTES DO YLÊ
EM GRÃOS PARA SEMEAR
HERANÇAS DE ILU AIYÊ

ALÉM DO ARCO-ÍRIS DE OXUMARÊ
A AFRICANIDADE APORTA AO CAIS
ONDE O NEGRO PISA O SOLO PRA VENCER
ALASTRAM-SE RAÍZES CULTURAIS
SURGE O MACULELÊ, CAXAMBÚ, CONGADA, O MARACATÚ
VERTENTES DE TODO LUGAR
E NA PEQUENA ÁFRICA O SAMBA
DE TRONCO FORTE NÃO SE DEIXOU DERRUBAR… JAMAIS

VAI VOAR
A MAJESTOSA ÁGUIA ETERNAMENTE
SOMOS RESISTÊNCIA DA CORRENTE
TÃO FORTE QUAL RAÍZ DO BAOBÁ
SOU PORTELA E VOU CANTAR
FAZER O MEU POVO VOLTAR A SORRIR
ANCESTRALIDADE NAGÔ YORUBÁ
A ÁRVORE DA VIDA VAI FLORIR

Portela 2021: samba da parceria de Bita da Portela

0

Compositores: Bita da Portela, Jorge Nascimento, Joseth Rodrigues, Wagner Escóssia, Jorge Pqd, Roberto Brandão e Roberto Garrido
Intérpretes: Clóvis Pê e Lid de Souza

PORTELA, PEDE AGÔ AO ORIXÁ
IGI OSÈ BAOBÁ ÁRVORE SAGRADA DA VIDA
DO YLÊ DE YOURUBÁ SOU NEGRO DE LÁ
GUERREIRO DE OYÓ COM MUITO RESPEITO
NO ABRAÇO TE BEIJO, PRA SORTE ALCANÇAR
ESTRELA QUE BRILHA NO CÉU, CONDUZ O MEU CAMINHAR
MINHA ÁGUIA ALTANEIRA TÃO LINDA FAZ ARREPIAR
SALUBA NANÃ! OH, MÃE DE TODOS NÓS
EM SUAS ÁGUAS PODER DIVINAL
ATOTÔ, PAI OMULU, CURA O AIYÊ DE TODO MAL

BAOBÁ! BAOBÁ! É QUEM ME DÁ PROTEÇÃO
ESTENDE A MÃO, PRA ME LEVANTAR
COM A PERMISSÃO DE OXALÁ, O TEMPO DÁ, O TEMPO TIRA
BATENDO PALMA, FIRMA PONTO NESSA GIRA

É FONTE PRA MATAR A SEDE, PRA FOME DÁ FRUTOS E ACOLHE OS ANIMAIS
JOGADO AO MAR FOI REFÉM DA ESCRAVIDÃO
DOR, LAMENTO E PRECE, O ADEUS NÃO APAGA A SAUDADE
VIDAS, SEMENTES E RELIGIÃO
EM TERRAS DISTANTES A GERMINAR
NA FÉ DE OXUMARÉ, O ARCO-ÍRIS VEM ABENÇOAR
O RIO DE JANEIRO, MOVIMENTOS CULTURAIS
E O SAMBA NA PRAÇA ONZE REINARÁ
NAS RAÍZES DE PAULO DA PORTELA EM OSWALDO CRUZ
A EMOÇÃO EMBALA
O CORAÇÃO DA VELHA GUARDA E DAS BAIANAS
NO BATUQUE DO TAMBOR DA TABAJARA

CHEGOU A HORA PORTELA DE MADUREIRA CANTAR
O SHOW JÁ VAI COMEÇAR, COMUNIDADE
É TEMPO DE DEVOÇÃO, HOJE TEM SAMBA NO PÉ
MAGIA E MUITO AXÉ!

Leia a sinopse do enredo da Unidos da Tijuca para o Carnaval 2021

WARANÃ – A REEXISTÊNCIA VERMELHA

Tupana, criador das boas coisas do mundo, reinava no alto do céu na forma de A’at, o sol, enquanto seu irmão oposto, Yurupari, sob a proteção de Waty, a lua, regia as más na escuridão. Assim, as ações entre os dois deuses estabeleceriam o equilíbrio cíclico de Monã, as forças cósmicas geradoras do universo.

Contam que três irmãos, os varões Yucumã e Ukumã’wató e a bela Anhyã-Muasawê, viviam em Nusokén, uma floresta encantada, abundante, onde até as pedras poderiam falar.

Anhyã-Muasawê era a guardiã, a dona de Nusokén, pois detinha o conhecimento das plantas medicinais. Não existia folha que ela não conhecesse o poder. De tão bonita e habilidosa, todos os animais de Nusokén se enamoraram por ela, o que mergulhava seus irmãos no ciúme.

Certo dia, uma cobra verde tomada de amor usou o perfume de uma flor para atrair Anhyã-Muasawê e com apenas um toque em seu pé a fez engravidar. Quando Yucumã e Ukumã’wató descobriram a gravidez indesejada por eles, possuídos pela má energia de Yurupari, expulsaram a irmã e tomaram para si o controle do paraíso Nusokén, a proibindo de voltar. Ela e a criança que nasceria.

Anhyã-Muasawê vai para uma mata distante dar à luz a Kahu’ê, o kurumin mais bonito e alegre que já existiu. Kahu’ê era uma criança prodigiosa, dizem que começou a tagarelar bem cedo. Olhos vivos, atentos para as muitas perguntas que brotavam de sua curiosidade inocente. Fartava-se dos frutos que a floresta com bom grado lhe dava, mas havia uma iguaria que não era permitida a ninguém e que Kahu’ê se apetitou: a castanha da castanheira sagrada de Nusokén. Aquela, primeira, brotada das patas de uma onça e que estava sendo vigiada pela cotia e pelo macaco, Hanuã-Xuin, a mando dos irmãos Yucumã e Ukumã’wató.

Chegando lá, o kurumin arteiro subiu na árvore e saciou a fome até o cair da noite como se dono fosse daquele fruto proibido. Na verdade, era mesmo herdeiro daquelas terras, já que sua mãe seria senhora de Nusokén por direito.

Ao saberem pelos vigias da violação da castanheira sagrada, os tios de Kahu’ê, obsediados pelo espirito da inveja, invocaram Yuyrupari, que se transformou em uma serpente terrível e tirou a vida do pequeno índio.

Anhyã-Muasawê ouviu o grito de longe, correu em socorro a seu filho, mas não pôde evitar o pior. Uma tristeza súbita tomou aquela terra. O mal de Yurupari parecia ter vencido ao exterminar a existência de Kahuê quando os raios de Tupana rasgaram as nuvens. Ao tocarem o solo, falaram ao coração da mãe ferida que aquela maldade se tornaria bênção. Anhyã-Muasawê se transformou num pássaro, levou seu filho para os arredores do rio Maráw, enterrou os olhos do kurumin e os regou com suas lágrimas.

O olho esquerdo plantou em terras amarelas, do qual nasceu uma planta que não prestava. Era o Waraná-Hôp, o falso guaraná. O olho direito, plantado em terras pretas, gerou o Waraná-Sése, o verdadeiro guaraná. Com ele, Anhyã-Muasawê fez um elixir mágico para longa vida ao povo que floresceria das entranhas de Kahu’ê, enterrado embaixo de uma Abiu’rana. Seu ajudante, o passarinho Karaxué, cantava sua mais bela melodia quando Mary-Aypók nasceu do corpo de Kahu’ê. Era o “originador”, o primeiro Mawé. Tupana deu a ele de presente a língua que só era falada pelos seres de bem que o acompanhavam, chamada Sateré, a lagarta de fogo.

O segundo Mawé nascido da criança enterrada foi Wasary-Pót, o irmão gêmeo do “originador”.

Os irmãos cresceram. Mary-Aypók se casou com Ahút-Piã, a filha do papagaio, e concebeu o significado da palavra Mawé, o papagaio falante. Wasary-Pót desposou com Hano’onapiã’hop, filha da arara-piranga, e seus descendentes dariam as mais belas penas para adornar o povo que surgia.

O bendito kurumin Kahu’ê, fruto da união entre a ancestralidade indígena e os animais, renascia em uma raça de pele vermelha como a cor da pele do sagrado Waranã. Estava iniciada a nação Sateré-Mawé, o povo do guaraná. Descendente do fruto que cura as doenças das almas cansadas, dos fracos, que fortalece e devolve a força, a juventude. Revive.

Organizaram-se em clãs, construíram identidade e desenvolveram ritos e mitos regados a guaraná, pintados e gravados com branco do barro taguatinga, preto do jenipapo e vermelho urucum no remo sagrado Puratig.

Do bastão de guaraná ralado criaram o Çapó para beber nas festas, pajelanças e no Waymat, onde as tucandeiras iniciam os jovens para a vida adulta como símbolo de renascimento sob o comando dos Tuxauas.

Porém, não se engane em pensar que Yurupari descansou de sua maldade predatória, que deixou a vida na floresta em harmonia. Ele se fez ressurgir ao longo do tempo em colonizadores, missionários religiosos enviados às aldeias, caçadores, garimpeiros e madeireiros ilegais, grileiros de terras… Pelos desmatamentos e queimadas, os filhos-demônios de pele clara de Yurupari seguem semeando o caos em nome do capetal.

Mas os filhos do guaraná, peles vermelhas do Brasil, são predestinados, pois apenas povos sábios, de espiritualidade elevada, são capazes de reexistirem encantados pelas matas, acaboclados nos terreiros onde bradam sua força e encontrarem com os espíritos infantis de erês e ibejadas que, quando “chegam”, gostam de tomar guaraná.

Assim, completando o ciclo da eterna renovação, enfim o curumim Kahu’ê é elevado ao paraíso prometido Mawé, Nusokén, ou à Jurema, ou à Aruanda, quando na gira as crianças bebem seu guaraná e vão brincar.

Elas são a prova que o espírito do amor é muito maior que o ódio semeado por Yurupari.

Ele não vai vencer. Ele nunca irá nos exterminar.

Yiurupari jamais triunfará.

Jack Vasconcelos

 

ALGUMAS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ALVAREZ, Gabriel O. O ritual da Tocandeira entre os Sateré-Mawé: aspectos simbólicos do Waumat. Série Antropológica, Departamento de Antropologia, UnB, Brasília, 2005.

AMORIM, Claudia; PALADINO, Mariana. Cultura e literatura africana e indígena. Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2012.

BRITTO, Leonardo Lucas; SOUZA, Sérgio Luiz de. Entre práticas e saberes: Incorporação de encantados na Umbanda. Centro Interdisciplinar de Estudo e Pesquisa do Imaginário Social, Universidade Federal de Rondônia. Porto Velho: Revista Labirinto, 2018.

FIGUEROA, Alba Lucy Giraldo. Guaraná, a máquina do tempo dos Sateré-Mawé. Belém: Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi – Ciências Humanas, 2016.

FITTIPALDI, Ciça. A lenda do guaraná: mito dos índios Sateré-Maué. São Paulo: Melhoramentos, 1986.

FRABONI, Mauricio. Waraná: o legítimo guaraná dos Sateré-Mawé.

In: RICARDO, Carlos A. (Ed.). Povos indígenas no Brasil: 1996-

São Paulo: Instituto Socioambiental, 2000.
JARDIM, Tatiana. Umbanda: História, cultura e resistência. Centro de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: 2017.

LORENZ, Sônia M. da S. Sateré-Mawé, os filhos do Guaraná. São Paulo: Centro de Trabalho Indigenista, 1992.

OLIVEIRA, José Henrique Motta de. Das Macumbas à Umbanda: uma análise histórica da construção de uma religião brasileira. Limeira, SP: Editora do Conhecimento, 2008.

UGGÉ, Enrique. As bonitas histórias Sateré-Mawé. Manaus: Secretaria da Educação e Cultura do Amazonas, 1993.

YAMÃ, Yaguarê. Sehaypóri: O livro sagrado do povo Saterê-Mawé. São Paulo: Editora Peirópolis, 2007.

Portela 2022: samba da parceria de Marquinhos de Oswaldo Cruz

0

Compositores: Marquinhos de Oswaldo Cruz e Rogerio Lessa
Intérprete: Bico Doce

Oh Baobá
Senhor do tempo, raiz da memória
Hoje sou forte Guerreiro de Oyó
O samba navega nas águas da história

Nanã, Saluba mãe de todos Orixás
Estais, no axé de todos nossos ancestrais
De Paulo BenjamIm de Oliveira
Omulu abençoou
Oswaldo Cruz e Madureira

Laroiê Mojubá
Meu destino entreguei ao mensageiro
Oke Arô Oh meu Pai
Somos seus batuqueiros

Portela respira o samba como um velho baobá
Pilar da arte nas periferias
Supera tormentas de mares e males
Gira a baiana roda o tempo
Que o vento não carregou
São muitos os frutos de todas as cores
Amores de Igi Osé
Arco-iris de Oxumaré

Pequena ou grande África
Quilombos do dia a dia
Jongos, Maculelês
Vou me banhar nessa energia
Resiste e não esquece
Quem no berço se aquece
Meu samba Une Aiyê e Orum
Ora ye ye Ora ye ye ô mamãe Oxum

Portela 2022: samba da parceria de Muguinho

0

Compositores: Muguinho, Alexandre Fernandes, Mattos, Tião Sapê, Pirique, Bianca Ramos e Herbert Silva
Intérpretes: Bruno Ribas, Tiganá e Muguinho

Voa…
Minha Águia, meu eterno amor
À velha África pra revelar
A magia do sagrado Baobá
Vai soberana…
Cruzar savanas sob a luz dos Orixás
Com o azul e branco do seu véu
Ligar a Terra ao céu
Feito a árvore da vida
Nessa avenida encantada
Perfumada de ojás
Peço licença…ofereço a louvação nos rituais

Ê, Saluba ê, Nanã!
Nos alimenta e mata sede deste chão
Atotô meu Pai! Traz a cura pro Aiyê!
Impossível esquecer toda essa devoção

No mar…
Tronco forte enfim chegou
Ao novo mundo… semeou
Floresceu resistência e fé
Igi Osè! A negritude é herança
À sombra esperança, afeto e axé

Suas raízes, são meus ancestrais
Me dão proteção, curam os meus ais…
Chega de intolerância e desilusão
Sob arco-íris do novo tempo
Brotam em seus galhos tantos rebentos…
E a certeza que nós somos todos irmãos

Portela é paixão no Quilombo Madureira
É pura raiz, fruto da jaqueira
Batuque do meu tambor, ninguém jamais vai calar
O samba é forte feito o velho Baobá

Portela 2021: samba da parceria de Márcio André Filho

0

Compositores: Márcio André Filho, Rafa do Cavaco, Gisele Kattar, Gonçalves e Fábio TK
Intérprete: Nêgo

LASCA DE TEMPO NA COURAÇA DE MADEIRA
NA SAGRADA MADUREIRA
DEUS SENHOR É BAOBÁ
MACHADO QUE BATE NA TERRA NÃO CORTA RAIZ
TEMPLO DA ALMA , OLHO ESPREITO DE JUIZ
OH MÃE QUE PINTA O CHÃO COM TEUS GALHOS
NA VESTE LILÁS DO ORVALHO
QUE REFLETE SEU OJÁ

NÃO HÁ MAL QUE PREVALEÇA ONDE MORA ORIXÁ

CONVERSA O VENTO NO AZUL DO HORIZONTE
PEDE QUE O SOL LHE CONTE
ONDE NASCEM AS SEMENTES
SOB A TUA SOMBRA CERTAMENTE
CADA ENSINAMENTO GUARDA UMA DIREÇÃO

PELAS VOLTAS DO DESTINO , ME LEVA
PRA ESQUECER O DESATINO, SE ENTREGA
É FORÇA QUE VEM DE LÁ
LEMBRANÇA DE AJUDÁ
NA ESPERANÇA DE UM DIA RETORNAR

PRECE EM DESALENTO NO OCEANO
NAVEGA MINHA ALMA , NAS ÁGUAS DO BANZO
QUANDO O CASCO NÃO AGUENTA MAIS
HÁ UM SOLO ALÉM DO CAIS
NAS CORES QUE PINTOU OXUMARÉ
PORTELA… DE PAULO MANACEIA E CANDEIA
CLARA E SEUS CONTOS DE AREIA
HERANÇA DE RUFINO E NATAL
TEM MACULELÊ , JONGO E MARACATU
TAMBOR DE CRIOULA NA DANÇA DO CAXANBU
TIA CIATA MANDOU AVISAR …
DEIXA O MEU POVO CANTAR

EU SOU PORTELA
FILHO DE MADUREIRA
SOU EU NÓ NA MADEIRA
ÁGUIA DE BAOBÁ
BRILHA NO CÉU MAIS UMA ESTRELA
NO TRONCO FORTE QUE NINGUÉM VAI DERRUBAR

Portela 2021: samba da parceria de Rafael Faustino

0

Compositores: Rafael Faustino, Raphael Gravino, Mika Arigoni, Celsinho de Andrade, Paulo Marechal, Júnior Diniz e Gustavo Manhente.
Intérpretes: Carlos Júnior e Rafael Faustino.

Igi floresce no Aiyê
Feito Estrela que brilha no Orun
Sagrado, divino poema de obá Olorum
No tronco, a seiva da vida
Que nutre a terra e cura feridas
Em toda raiz há fundamento
Há nossa história, tanto sentimento
É força que nos leva a caminhar
Quem testemunha o tempo é baobá!
Voz que sopra como o vento é baobá!

Deixa a gira girar, chama a mãe pra benzer!
Ervas pra defumar, é dia de xirê!
Tem águas de Oxalá e Nanã Buruquê
A sua sombra fundamenta meu Ilê!

Se um dia nos tentaram ocultar
Falsificar nossa verdade
Mas a missão foi de perpetuar
A nossa africanidade
No meio de tantas sementes
O samba brotou, se fez resistente
“Em cada palmo de chão”, foi linha de frente
Ah, minha Portela!
Lindo é ver os frutos que você plantou
E se for falar de nossa história
São tantas memórias, nem vou terminar
“Sou nó na madeira”, raiz, baobá!

Salve a Velha Guarda… ôô, ôô
Sou o legado de um passado vencedor
Eu quero ver tombar a nossa jaqueira
Onde mora o ninho da Águia Altaneira

Portela 2021: samba da parceria de Tadeuzinho

0

Compositores: Tadeuzinho, Sidinho da Cuíca Pernambuco, Orlando Freitas, Luiz Carlos D’Avenida, Joca Amaral, Fagundinho e Cláudia Neves
Intérprete: Silas Leléu

VOU VOAR… NAS ASAS DA ÁGUIA ALTANEIRA
ATÉ O BERÇO DA HUMANIDADE, UMA VIAGEM CULTURAL
NA BUSCA DE GANHAR O CARNAVAL
SALUBÁ! NANÃ BURUKU, SENHORA MÃE DE TODOS NÓS!
SALVE ELA A NATUREZA, A RARA IGÍ INSPIRAÇÃO!
FONTE DE VIDA, RESERVA D’ÁGUA, A FRUTEIRA QUE NUTRI, ALIMENTA A ALMA
RELUZ O SOL… EM TUA VOLTA OS RITUAIS DE AXÉ
ENTRE O AIYÊ E O ORUN, ENTOA A VOZ DE MEUS ORIXÁS
EM SINTONIA NA FÉ, A MAIS PURA VIBRAÇÃO
QUE FAZ O CORPO ARREPIAR

ÉS A GRANDEZA DE UM POVO
NA SAVANA MARCANTE BELEZA
SEMEADA PELAS MÃOS DO CRIADOR
GIGANTE PELA PRÓPRIA NATUREZA

CRUZEI OS MARES E DE VOCÊ NÃO ESQUECI
PELOS PORÕES QUE PASSEI, ACORRENTADO SOFRI
E NOS JARDINS ESCUTO OS PASSSÁROS SAGRADOS GORGEAR
SOPRA OS VENTOS, CAEM AS ÁGUAS, BROTAM-SE AS SEMENTES
RELIGIOSIDADE MEU CANTAR…
SOU NEGRO SIM! ME ORGULHO DA COR
E DE TANTOS NOMES, QUE NA ARTE ECOOU
HOJE SOU PORTELA, RAIZ DO SAMBA, A RESISTÊNCIA
TRAGO NO PEITO A SAUDADE
LEMBRANÇAS DE UM PASSADO QUE FICOU
RECORDAR A MINHA HISTÓRIA É VIVER!
DAS GLÓRIAS, UM AMANHÃ MELHOR

BATE O TAMBOR… BATUQUEIRO!
À ESSÊNCIA DE UM POVO GUEIRREIRO
É EXEMPLO DE VIDA, ANCESTRALIDADE MILENAR
TRONCO FRONDOSO, IGI OSÈ BAOBÁ