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Ouça o samba-enredo oficial do Acadêmicos do Sossego para o Carnaval 2022

Compositores: Diego Tavares (in memoriam), Marcelo Adnet, Junior Fionda, Marcelinho Santos, Thiago Martins, Yago Pontes, Diego Nogueira, Rod Torres, Deodônio Neto, Gabriel Machado e Paulo Beckham

PAJÉ VOLTOU PARA CONTAR QUE O CÉU DESABOU
FUMAÇA TRAZIAM SAGRADAS VISÕES
NA DANÇA ANCESTRAL ME REVELOU
DAS ERVAS EVOCOU OS GUARDIÕES

XAPIRI ME PERDOE DO QUE NÓS FIZEMOS DE URIHI
XAPIRI ENSINOU A CUIDAR E VAMOS DESTRUIR
A RAZÃO ANCESTRAL EVOCOU SUA VOZ
SÓ NÃO DEIXE O MUNDO CAIR SOBRE NÓS

OMAMA ESCONDEU NA FLORESTA
PEDAÇOS DO CÉU CONTRA OS OLHOS DA AMBIÇÃO
A GANÂNCIA SENTE FOME
E O MAL QUE NOS CONSOME MATA O HOMEM E O QUINHÃO

XAMÃ CURA A TERRA DA GUERRA DA GENTE
DOS MITOS QUE DEIXAM A TRIBO DOENTE
ENFIM DESCERÁ DE UMA ESTRELA UM ÍNDIO GUERREIRO
DE PELE VERMELHA CABOCLO FLECHEIRO

OKÊ OKÊ ARÔ… ODÉ ODÉ
A JUREMA QUE DESMATA TEM A CURA E O AXÉ
OKÊ OKÊ ARÔ… ODÉ ODÉ
“APESAR DE VOCÊ” EU AINDA MANTENHO A FÉ

EU NÃO LARGO DA BATALHA… SOSSEGO
NOSSA ALDEIA NUNCA FALHA… AUÊ AUÊ
SACUDINDO A POEIRA DAS CINZAS VOU RENASCER

Portela 2021: parceria de Caixa D’Água

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Compositores: Caixa D’Água, Madalena, Ângelo Campeão, Carlinhos Dias, Zé Guerra, Dora, Júnior

Ê, BAOBÁ… DIZ PRO TEMPO TER SOSSEGO
QUE SEU TEMPO É DEVAGAR
Ê, BAOBÁ… DIZ PRO POVO NÃO TER MEDO
QUANDO O VENTO ESBRAVEJAR
Ê, BAOBÁ… MOSTRA QUE O QUE VEM DE DENTRO
NINGUÉM VAI ACORRENTAR

FLOR DE OLORUM NO AYÊ DE MADUREIRA
TIA BAIANA QUANDO ERÊ BAIXOU
MENINA MOÇA, MÃO DE BATUQUEIRA
COM TALABARTE DO SEU BISAVÔ
A VELHA GUARDA
GUARDA A HISTÓRIA INTEIRA
QUE EM PEDAÇOS O GURI CATOU

ÁGUA DE NANÃ BALDEOU NO VENTRE
SEMEOU NA GENTE A FORÇA DOS QUADRIS
TODO IGI OSÈ É COMO UM PORTELENSE
SEGUE EM FRENTE PORQUE TEM RAIZ

MARÉ VEM, MARÉ VAI
MARÉ NÃO DEIXA
ESQUECER A DOR DO CAIS

E NO CHÃO DE OBALUAIÊ, ATOTÔ
A SEMENTE DO BAOBÁ SE ESPALHOU
MARACATU, CAXAMBU, JONGO, EMBOLADA
CAPOEIRA E CONGADA
BATUCADA É NOSSA LEI
E LOGO ALI
DEBAIXO DO VIADUTO
IMBONDEIRO JÁ DEU FRUTO NA GINGA DO DJ

É MADEIRA, É MADEIRA
PAULO, CAETANO, RUFINO E NATAL
É MADEIRA A VELHA JAQUEIRA
GUARDIÃ DO MEU CARNAVAL

Milton Cunha e os destaques de luxo: Nabil Habib

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Por Milton Cunha, Victor Raposo, Thiago Acácio, Reinaldo Alves, Tiago Freitas e João Gustavo Melo

Entrevista realizada para o artigo “TRAVA NA BELEZA: Imaginários sobre o destaque de luxo de escola de samba” publicado no Dossiê da Revista Policromias realizado em parceria com o Observatório de Carnaval do LABEDIS/Museu Nacional da UFRJ.

Para chegar aos núcleos temáticos, fizemos uma série de entrevistas que passamos a publicar no site CARNAVALESCO, duas vezes por semana. Este material acabou não entrando no corpo do texto, por limitação de espaço, e não queríamos deixar de mostrar. É uma homenagem aos esforços destes luxuosos personagens que habitam nossos sonhos de folia! Viva os Destaques de Luxo, mensageiros do glamour.

Nabil Habib: Estação Primeira de Mangueira

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O que você imagina que a plateia imagina quando te vê passando na avenida durante o desfile?

Nabil Habib: “Pensamento da pessoa me assistindo: “Meu Deus… Que loucura esse rapaz… Um trabalho com um gasto de dinheiro desses em uma fantasia, para somente 1h desfilando… Olha a altura que ele vem… E ainda sacode, canta e dança… Só louco mesmo… hahaha”.

Gostaria de saber como surgiu o seu interesse em ser destaque de luxo? Quando foi o seu primeiro desfile nesse posto? Como foi a sua chegada na Mangueira? Já desfilou em outras agremiações nesse posto? Se sim, quais?

Nabil Habib: “Meu interesse começou desde os meus 10 anos que assistia pela televisão a transmissão. Virava a noite e as vezes até dormia com a TV ligada. Mas não tinha interesse nenhum nas alas. Gostava mesmo era dos carros alegóricos e os destaques em cima. Ficava doido e sempre dizia: Um dia estarei lá em cima! Nunca desfilei em ala na minha vida. O 1º ano que desfilei, foi de composição de carro, na Caprichosos de Pilares no carnaval do Cinema com Renato Lage. Isso foi em 1988 no enredo sobre Cinema, “Luz, Câmera, Ação”. Já em 1989 peguei um figurino de destaque na Caprichosos de Pilares com Renato Lage e na Unidos de Vila Isabel com o carnavalesco Ilvamar Magalhães. Minha chegada na Mangueira, aconteceu juntamente com Eduardo Leal, no ano de 1993, Enredo
“Dessa fruta eu como até o caroço”, do carnavalesco Ilvamar Magalhães. Viemos nós dois de Bobos da Corte, no carro da Manga Espada. E estamos até hoje na Mangueira e em outras agremiações, mas sempre Mangueira como prioridade. Já desfilei em várias agremiações… Graças a Deus sempre recebi convites de amigos queridos para desfilar. Mas sempre esperando a ordem do desfile para saber se dá tempo devido a Mangueira. Já desfilei Beija Flor, Salgueiro, Vila Isabel, Império Serrano, Unidos da Tijuca, Mocidade Independente de Padre Miguel, São Clemente, Caprichoso de Pilares, Lins Imperial, Estácio de Sá, Unidos da Ponte, Arranco do Engenho de Dentro. Todas sempre como destaque. Muito amor pela arte de fazer fantasias. Um sonho realizado”.

Você falou, na resposta ao Milton, que as pessoas devem pensar que você é louco quando o vem no desfile. Como você vê essa relação entre destaque de luxo e loucura?

Nabil Habib: “Hahaha total! Quem em sã consciência gasta uma fortuna de $$$ e tempo, para em 50 minutos com uma fantasia pesada e que sempre se machuca de alguma forma e ainda, tem que se empoleirar no alto de uma alegoria, que Deus sabe se é segura ou não e ainda se sacudir e cantar o samba? Só louco mesmo. Mas isso é um vício grande. Quem experimenta um ano, com certeza, vai querer repetir no ano seguinte e seguinte e assim vira o vício”.

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Você se planeja anualmente para manter esse vício? E como é a sua relação com a fantasia?

Nabil Habib: “Sempre trabalhei na área de turismo aqui no Brasil e até no exterior. Morei 4 anos em Nova York e perdi meu emprego lá, pq queria estar aqui no carnaval. Trabalhei em Hotel aqui no Rio de Janeiro e sempre trabalhava todos os feriados para compensar no Carnaval. Nunca trabalhei durante o carnaval. Sou eu quem organiza e faz todas as minhas fantasias. Não sei costurar, então delego a uma costureira a parte da costura. O resto de decoração toda sou eu quem executa. A partir de setembro tudo é fantasia na minha cabeça”.

E como é a relação do carnavalesco nesse processo?

Nabil Habib: “O carnavalesco é quem dá o ponta pé inicial através do figurino. O carnavalesco já conhece meu tipo de roupa e ele me encaixa no personagem do enredo dele. Todo carnavalesco quando entrega um figurino a um destaque, tem a confiança que o Destaque fará a roupa a altura do desejado ou melhor. Eu muitas das vezes modifico o figurino, mas sempre para melhor. E eles sempre depois do carnaval, com toda modéstia à parte, agradecem e comentam que ficou além do desejado”.

E em relação ao personagem/papel que você vai interpretar no desfile. Você faz alguma preparação corporal, nos aspectos de gestual e de semblante? Como que você “encarna” aquilo que está vestindo?

Nabil Habib: “Hahaha. Eu me vejo como em uma grande boca de cena de um teatro. Fez a curva da concentração para entrar na avenida, o personagem vem na hora. Geralmente, meus personagens são bem másculos devido ao meu biotipo. Mas também já encarnei o Ney Matogrosso me requebrando todo na Mangueira que artistas amigos dele? Acharam que fosse ele mesmo… Saudoso Emilio Santiago foi um deles. Hahaha. Nesse ano eu não tive figurino e pedi aos carnavalescos para vir como ele. Foi o ano da Música na Mangueira. Então copiei o figurino do show dele no Canecão mas em rosa”.

Então tem anos em que a ideia do figurino é toda sua?

Nabil Habib: “De vez em quando e quando o carnavalesco dá essa moral…”.

Você falou da relação entre o gasto com a roupa e o pouco tempo de desfile. Como você lida com o apego com a roupa e com essa ideia dela ser efêmera por conta do desfile?

Nabil Habib: “Eu tenho muito carinho com meu material de Carnaval. Todos esses anos fizeram eu ter um grande acervo, pois sempre que viajo ao exterior compro mais e mais. Algumas fantasias minhas, eu vendi para um colecionador belga, que faz exposições na Europa de Fantasias de Destaque do Carnaval carioca. Outras roupas ainda as tenho. Mas os chapéus tenho todos ainda guardados e embalados. Tenho muito apego a eles, pois foram criados pelo Mago dos Chapéus Edmilson Lima e decorados por mim com o melhor do que tenho de cristais e broches. No Carnaval sou muito conhecido pelas Calcas de franja canutilhos. Já fiz praticamente em todas as cores básicas. Fiz mais de 10 calças. Hoje ainda tenho umas 5. Algumas vendi e outras se desfizeram devido ao tempo e uso… Sempre que posso as incluo nos meus figurinos”.

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Pra você o que faz uma fantasia de destaque se eternizar na mente de quem assiste os desfiles? E o que faz um destaque se distinguir dos demais destaques de luxo do carnaval?

Nabil Habib: “Para se eternizar, tem que ter uma marca registrada sua, que independente da sua vontade. Hoje em dia se você falar em calça de canutilhos ou de qualquer tipo de franja, as pessoas associam comigo. Tem concursos no Rio de Janeiro que quando o concorrente entra com qualquer peça de franja de canutilho, a galera conhecida do salão tida se vira para mim. Acho engraçado. O que faz um Destaque se distinguir dos demais é sua performance, seja na avenida ou nos salões… Cada um tem sua luz própria e sua forma de se expressar com sua fantasia”.

Tem alguma fantasia ou fantasias por qual você sempre é lembrado ou que tenha se tornado inesquecível para as pessoas? Se sim, por qual motivo isso aconteceu?

Nabil Habib: “Pior que tem!!! O “Carcará”, no Ano de “Maria Betânia do Brasil”, na Estação Primeira de Mangueira. Essa roupa era toda com pontinhas de penas e as pessoas acharam que fosse mais de 3.000 Faisões e não tinha mais de 1.000 unidades. Quando eu sacudia, a galera entrava em Delírio… Milton Cunha cita isso na narração do desfile”.

Sacodir as penas realmente causa um delírio!

Nabil Habib: “Sim e a maioria dos Destaques trazem o resplendor preso no carro e eu só trago encaixado nas minhas costas”.

Então seria uma marca sua? Por que optou por usar dessa forma?

Nabil Habib: “Isso sempre foi assim comigo. No começo não existia essa história de prender na alegoria. Era nas costas mesmo e com o tempo, por ser muito grande o que os Destaques gostam de ostentar, começaram a prender na alegoria. Eu não gosto. Acho que perde o balanço e caimento da arte plumária. Eu só trago o que eu consigo carregar nas costas. Essas paredes enormes com esculturas e uma imensidão de arte plumaria são lindas, mas não fazem meu estilo”.

Entendi. Uma escolha pelo conforto, mas também mantém uma tradição.

Nabil Habib: “Sim. O balanço da arte plumaria é imprescindível na minha opinião”.

Você considera o luxo essencial para a festa? Se sim, por qual motivo?

Nabil Habib: “Com Certeza! Vou te responder com uma frase conhecida do “Papa”Joãozinho Trinta, que acho perfeita: “O Povo gosta de Luxo, quem gosta de miséria é intelectual”. Pura verdade”.

Pra você o que a figura do destaque simboliza para os demais componentes da escola? E como é a relação deles com você?

Nabil Habib: “Como te disse um Louco milionário hahaha. Mal sabem eles. A relação é de Idolatria. Eles adoram ver de perto”.

Como se fosse algo divino?

Nabil Habib: “Sim. Eles adoram olhar de perto como se fosse uma obra de arte de Museu do Luxo”.

Antigamente, cada destaque vinha em uma alegoria. Hoje, com a diminuição do número de carros, isso tem sido menos frequente. Como você enxerga essa mudança? É um problema pra você dividir a atenção do público?

Nabil Habib: “Problema nenhum em vir com outro Destaque no mesmo. Muito pelo contrário, gosto de vir com outros Destaques Amigos na mesma alegoria sim. Não consigo me divertir sozinho na mesma alegoria”.

O carnaval vem passando por uma crise financeira e muito se fala que as escolas precisam voltar às suas raízes. Você acha que a comunidade se sente representada quando vê vocês nos dias de hoje? Sentiu alguma mudança na relação entre você e a comunidade nos últimos anos?

Nabil Habib: “Acho que a comunidade nos vê como representante da mesma, sim. Isso depende de Destaque para Destaque. Não vi mudança nenhuma em nossa relação nos últimos anos”.

Com quanto tempo de antecedência você chega no sambódromo? Em qual tipo de
carro você chega? Quantas bolsas você carrega? Como são feitas essas bolsas? Tem pessoas para dar apoio? Na hora que chega e vê as alegorias desmontadas, de tarde, muito antes de qualquer pessoa, o que você sente? O que você pode contar desse processo de montagem e depois de desmontagem da alegoria? Sente tristeza de jogar lá de cima os plumeiros? Como é essa sensação?

Nabil Habib: “Chego na concentração tipo 3 horas antes do horário do Desfile. Geralmente vou de metrô ou de táxi, depende de qual lado seja a concentração. Normalmente, carrego uma média de 4 bolsas de Brim que mando minha costureira fazer nas medidas necessárias da fantasia. Sempre tenho 2 apoios. Minhas roupas não são muito grandes… Só faço fantasia que possa carregar presas em mim. Não uso ferragem presa no carro alegórico. Quando subo na alegoria, geralmente já subo pronto. Sempre levo comigo um banco de plástico que sento lá em cima e aguardo sentado até o momento de entrar na Avenida. Antes da curva de entrada, levanto e jogo o banco fora lá de cima. E no momento da descida. Sempre desço de Carvalhão com a roupa em mim. Para mim é tranquilo”.

Beija-Flor 2021: samba da parceria de Sidney de Pilares

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COMPOSITORES: SIDNEY DE PILARES, RIBEIRINHO, DOMINGOS OS, CLAUDIO GLADIADOR, MINEIRO SAVANNA E CLAUDIO MATTOS
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL: THIAGO MEINERS

BATUQUE DE JÊJE E NAGÔ
SOU QUILOMBOLA. DESCENDENTE DE ZUMBI
CARREGO A BRAVURA DE DAOMÉ
MEU SOBRENOME É RESISTIR
SE SE E VOCÊ…
O MESMO SANGUE E A MESMA COR
NA GARGANTA, PRESO UM CLAMOR
CORREM NAS VEIAS TANTOS IDEIAIS
QUEM DERA, IRMÃO…
VOASSE LIVRE FEITO UM BEIJA-FLOR
E ECOASSE AO TOQUE DO TAMBOR
A HERANÇA QUE VEM DOS MEUS ANCESTRAIS

SE A JUSTIÇA DE XANGÔ PUDER REINAR
OS SABERES DE NANÃ VÃO PERMITIR
QUE AS ÁGUAS DE OXUM LAVEM TODA INTOLERÂNCIA
SÓ OXALÁ PODE ENTENDER O QUE SOFRI

MORDAÇAS JÁ NÃO CALAM MINHA VOZ
A NEGRA POESIA DA FAVELA
SE A ARTE CURA E DESATA NÓS
“MEU SONHO” É O ESPELHO DE MANDELA
ÓH MEU SENHOR!
PERDOE TANTA IGNORÂNCIA
SOMOS UM MATIZ DE ESPERANÇA
NA LUTA CONTRA O MUNDO DESIGUAL
SOU FILHO DE OGUM!
A ESPADA QUE VENCE A DEMANDA
MAIS UMA VEZ EU VOU PROVAR O MEU VALOR
NO TERREIRO DE NEGUINHO E CABANA

É O CANTO DA RAÇA, GUEDO DE IGUALDADE
TER PRIVILÉGIO É VIVER DIGNIDADE
LIBERDADE É O TOM DO MEU CLAMOR
MINHA PELE É PRETA, EU SOU BEIJA-FLOR

Beija-Flor 2021: parceria de Jorge Aila

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COMPOSITOR: Jorge Aila

ALTIVA VOZ
COMUNIDADE ABRIU A PORTA DA SENZALA
E REIVINDICA O SEU LUGAR DE FALA
SER RESPEITADA PELA “ALVA” ERUDIÇÃO
SOU PORTA VOZ… DO MATIZADO SOCIAL
ME VI BORDADO SOB OS MOLDES DA OPRESSÃO
FORJADO EM PALHA TRAÇO A LIBERTAÇÃO
QUILOMBO DO ARDOR DA JUSTIÇA
O POVO NAS TRINCHEIRAS PRA IMANAR
AS MENTES TÃO VIOLENTADAS, HOJE ENCORAJADAS,
VÃO SE LEVANTAR

MEU DIPLOMA FOI TALHADO NO BAOBÁ
O MEU TRONCO É RESISTÊNCIA, É LUTA
AUÊ AUÊ VEM VENCER NO CATIVEIRO
REESCREVE A SUA HISTÓRIA E DO NEGRO BRASILEIRO

ILUMINA O AIÊ
A VOZ DO CANTOR VEM ECOAR
NO SEU BAILADO, UM SORRISO, UM LINDO PAR
COMUNIDADE ATRAVÉS DE GERAÇÕES
PELE É REI, CABANA SENHOR
LEGADO NEGRO QUE O MUNDO NOS DEIXOU
LUTHER KING O NOBEL DA PAZ
MANDELA E TANTOS AFROS NOS ANAIS

VAI REVOAR (LÁLÁLÁ) O MEU ÉBANO ESPELHA O AGÔ
NO TERREIRO UM BEIJA-FLOR VEM SEMEAR
LIÇÕES QUE O POVO PRETO ENSINOU
VAI RESSOAR E DESPERTAR
A CONSCIÊNCIA DE QUEM HOUVE O MEU TAMBOR

VOU EXALTAR O CHÃO DA MINHA ESCOLHA
É “COISA DE PRETO” MOSTRAR O SEU VALOR
EMPRETECER O PENSAMENTO É ATITUDE
SOU BEIJA-FLOR (EU SOU)
A GUARDIÃ DA NOSSA NEGRITUDE

Beija-Flor 2021: parceria de Almir Sereno

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COMPOSITORES: ALMIR SERENO, LEO DE SOUZA, NEGO LINDO, MOISÉS DI SAMBA, EGILDO DE NILÓPOLIS, TIO ZÉ
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL: MÁRCIO CASTRO

SOU NILOPOLITANO, A PRETA VOZ DESSA HISTÓRIA
ESCREVO EM MEU SAMBA UM PROTESTO
UM ALERTA PROS DIAS ATUAIS
NÃO LEMBRAR OS LAMENTOS DE OUTRORA
ROMPI BARREIRAS, VENCI O MEDO
SOLTEI AS ALGEMAS, DESCI O MORRO PRA LUTAR
COM A ANCESTRALIDADE EM MIM, SOU GERREIRO SIM
“AFROSOFIA” É POSITIVA ATITUDE
A REFERÊNCIA É O BATUQUE DO TAMBOR,
DO MEU POVO VENCEDOR

POR MAIS QUE POSAM TENTAR
NÃO VÃO MASCARAR NOSSA IDENTIDADE
E NEM CALAR NOSSO GRITO POR IGUALDADE
SOU HERDEIRO DE CABANA DE VERDADE

SEGUE IRMÃO SUA MISSÃO
COMO UM HERÓI DA LIBERDADE
VEM SE UNIR A BEIJA-FLOR
QUE É ESSÊNCIA DA COMUNIDADE
RESGATE SEU ORGULHO E A AUTOESTIMA
DÊ A VOLTA POR CIMA
MOSTRE A CARA, JÁ É HORA
NUM FUTURO DE ESPERANÇA
PODER DIZER SOU PRETO SIM SENHOR
ENALTEÇA A SUA HERENÇA
VEM MOSTRAR O SEU VALOR

EXPRESSAR O SENTIMENTO
É HONRAR A NOSSA COR
EMPRETECER O PENSAMENTO
OUVIR A VOZ DA BEIJA-FLOR
DE PUNHO CERRADO, DIZER NÃO AO PRECONCEITO
TENHO A PELE PRETA, EXIJO RESPEITO

Beija-Flor 2021: parceria de Dener do Reco

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COMPOSITORES: DENER DO RECO, MAURÍCIO JULIANO, ANTONIO AMARAL, PROFESSOR ALUÍSIO, OCIMAR E RÔ BARCELOS

NA IMAGEM DO PENSADOR… A INSPIRAÇÃO
EMPRETECENDO A PASSARELA, CULTURA E TRADIÇÃO
POR UM BRASIL MAIS AFRICANO
UM CANTO NEGRO A ECOAR
PRA AUTOESTIMA DA RAÇA ETERNIZAR
NUM NEGRUME MULTICOR
A DIVERSIDADE EM ESPLENDOR
DRAMAS E GLÓRIAS DE UM POVO GUERREIRO
QUEBRANDO AS CORRENTES DO CATIVEIRO
“SE NO CAMINHO DA LUZ, TUDO É PRETO…” Ó SENHOR
NO CAMINHO DO PRETO BRILHA A LUZ DO AMOR

DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO
A AFROSOFIA EM CONSTRUÇÃO
NOVOS QUILOMBOS LUTAM PELA IDENTIDADE
EM “PRETUGUÊS” O GRITO DE IGUALDADE

SOMOS FILHOS DA DOR E DO PRAZER
PESSOAS RETINTAS… VIDAS A REENSCREVER
SOB A LUZES DA RIBALTA
ENCENANDO A LIBERDADE
COM AS BÊNÇÕES DA ANCESTRALIDADE
NA DEUSA DA PASSARELA
MARAVILHOSAS E SOBERANAS
NEGRAS ESTRELAS NILOPOLITANAS
NUMA APOTESOSE TRIUNFAL
NO PALCO SAGRADO DO CARNAVAL

EMPRETECER O PENSAMENTO É… DIVINA MISSÃO
OUVIR SUA VOZ… SUBLIME EMOÇÃO
AO RESSOAR DO TAMBOR… CANTA FELIZ BEIJA-FLOR!

Beija-Flor 2021: parceria de Lia de Itamaracá

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COMPOSITORES: LIA DE ITAMARACÁ, JORGINHO MOREIRA, MARCELO LEPIANE, RAFAEL GONÇALVES, MAURÍCIO AMORIM E VIEIRA
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL: WALNEI ROCHA E ROCCO

MARCADO, FERIDO NAS DOBRAS DO TEMPO
BRAVURA TRANÇADA DE FIBRA ANCESTRAL
NA MAGIA O RITUAL
NOS TAMBORES A ESSÊNCIA
ENTRE ESPINHOS A RESISTÊNCIA
MEU AXÉ SEMEOU
EM CADA TOM DE NEGRO A COR DA LIBERDADE
ARMADURA DE VERDADE
A MEMÓRIA DE UM GRIOT

NAS ENTRELINHAS, “EM CENA” O ARTISTA….
PROTAGONISTA DAS MAZELAS SOCIAIS
UM DIA CAIS DO VALONGO
HOJE FAVELA, QUILOMBO
RESISTE O CANTO DOS ORIXÁS

NO AYÊ, UMA FLOR AO RELENTO
CORTEJA O VENTO FEITO MESTRE-SALA
NÃO RESISTIRÁ FEITOR NENHUM
QUANDO A COR DO ORUN
DESFILAR EM SUAS ALAS
SIM… AINDA OUÇO OS VERSOS DE CABANA
CARREGO A ALMA NILOPOLITANA
NO “SORRISO” DA PORTA BANDEIRA
COMUNIDADE EU SOU
A MAIOR RAZÃO DO MEU CANTAR
NUNCA DESAFIE UM BEIJA-FLOR
QUANDO ELE VOA, SABE AONDE VAI CHEGAR

NÃO SOU REI SÓ POR UM DIA
TEM LINGUAGEM MEU TAMBOR
É MINHA FILOSOFIA: BEIJA-FLOR!!
É MINHA BEIJA-FLOR MINHA FILOSOFIA
TEM LINGUAGEM MEU TAMBOR
NÃO SOU REI SÓ POR UM DIA
SOU DA CORTE BEIJA-FLOR

Beija-Flor 2021: parceria de Lucas Gringo

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COMPOSITORES: LUCAS GRINGO, JULIO PAGE, NEY BAIANO E BEATRIZ QUINTINO
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL: MARLON CAPOEIRA E EDGARD CORRÊA JUNIOR

EU SOU O POVO DA BAIXADA, MINHA VOZ ESTÁ CANSADA, MAS É HORA DE GRITAR!
PRETO, TANTAS VEZES OPRIMIDO, CHAMANDO DE PRIMITIVO, QUESTIONARAM MEU VALOR.
OLHE DENTRO DOS MEUS OLHOS, POR FAVOR! E NEGUE A MINHA CONTRIBUIÇÃO
NÃO SOU SÓ MAIS DE BRAÇO FORTE
POIS, É DA MINHA MENTE O PODER DE VENCER A OPRESSÃO
NEGRA VOZ QUE NUNCA SE CALA, QUILOMBO VALENTE DECLARA: LEVANTA, QUE A LUTA
AINDA NÃO ACABOU!

“AUÊ, MEU IRMÃO CAFÉ”
MESMO EM MEIO A BALAS PERDIDAS E TANTO DESCASO ESTAMOS DE PÉ
“OLHA NÓS AI, MEU IRMÃO CAFÉ”
MESMO EM MEIO A TANTO DESCASO ESTAMOS DE PÉ.

ÓH MÃE ÁFRICA, MEU ILÊ (ILÊ, ILÊ, ILÊ)
ESPELHA, CONGRAÇA NA PELE, NA RAÇA, NOSSO CLAMOR
SOU MAIS UM FILHO DA NAÇÃO NAGÔ,
EU SOU TEU FILHO, OH! NAÇÃO NAGÔ
(CABANA!) QBA CABANA, LÊ VIVA MEU MESTRE CAMARÁ
DO TEU SABER HERDEI A ESPERANÇA, QUE UM DIA MAIS FELIZ IREI CANTAR.
O GRITO FORTE NIPOLITANO É REI, DESSA AVENIDA, VENCEDOR!!
BEIJO A FLOR DA IGUALDADE, JÁ RAIOU A LIBERDADE!

ABRÊ O XIRÉ, BATE O TAMBOR,
LYÁLÓDE, ALÁMOYÊ, AGÔ
QUANDO OUVIR A VOZ, É ELA
AGBARÁ DÛNDÛN É BEIJA FLOR NA PASSARELA