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Forte presença da ala musical é destaque no primeiro ensaio técnico do Camisa Verde e Branco

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Por Gustavo Lima, Eduardo Frois e Will Ferreira

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

O Camisa Verde e Branco viveu tempos de turbulência nos últimos meses. A bolha do carnaval paulistano se perguntava se a escola iria ensaiar ou até mesmo desfilar, mas eis que o Trevo da Barra Funda pisou no Anhembi firme e forte, com um dos melhores sambas do ano. O primeiro ensaio do Camisa teve como destaque a ala musical, liderada pelo intérprete Charles Silva. A condução do samba-enredo, juntamente com a bateria de mestre Jeyson, se sobressaiu no treino. Outros quesitos apresentaram pontos positivos, mas há ponderações a serem feitas. Fato é que, com essa potência de samba, a escola deve voltar melhor para o Anhembi no dia 31 de janeiro. O Camisa Verde e Branco encerra os desfiles do Grupo Especial com o enredo “Abre Caminhos”, que abordará a entidade Exu. O tema é desenvolvido pelo carnavalesco Guilherme Estevão.

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COMISSÃO DE FRENTE

Comandada por Luiz Romero, a comissão de frente do Camisa Verde e Branco ainda tem alguns pontos a serem desvendados. Havia, claro, a figura central de Exu circulando o tempo todo pela pista, que por vezes era venerada pelos demais integrantes, além de bailarinos realizando diferentes coreografias, como danças de terreiro e saudações ao público.

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Paralelamente, outros componentes carregavam uma espécie de pilares, que se juntavam e se separavam ao caminhar com a evolução. Resta saber se isso terá algum efeito quando for confeccionado ou se pode ser revelado no próximo ensaio. Contudo, foi uma comissão de frente que ocupou a pista de maneira satisfatória e saudou Exu, deixando a mensagem explícita ao público.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Marquinhos Costa e Lys Grooters realizou um ensaio seguro. Devido à pista bastante molhada pela forte chuva que caiu momentos antes do ensaio do Trevo, a dupla optou por realizar seus movimentos mais amplos nos pontos estratégicos, especialmente nas cabines de jurados. Pelo restante da pista, foram evoluindo tranquilamente, com leves giros horários e anti-horários. O terreno molhado impossibilitou a dupla de realizar um treino intenso, característica dos dançarinos. É o primeiro ano juntos, mas ambos já dançavam dessa forma com seus antigos parceiros.

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“Antes da responsabilidade eu acho que vem o prazer porque eu vi Gabi, eu vi Cláudia e Cláudia, eu vi Léo dançando com a Joyce, Pâmela e Douglas, eu vi muita gente que foram espelhos para mim dançando no Camisa. O Douglas, ao mesmo tempo que ele era mestre-sala mirim no Camisa, eu era mirim também na São Lucas. São grandes amigos que eu vi nessa escola tradicional, acho que é uma responsabilidade e um prazer imenso por causa disso. A nota, cada um ano, mas é uma responsabilidade defender essa nota 40. A gente teve uma passagem de quatro anos e dois carnavais na X-9, na época da pandemia e no ano que ela quebrou o pé no ensaio. Os dois anos na avenida foram nota máxima. Estamos recuperando esse trabalho que foi muito gostoso”, disse o mestre-sala.

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“Nessa reta final fica um pouco mais puxada, já começaram os nossos ensaios específicos aqui. Hoje, a gente fez as marcações muito rápido. Testamos e graças a Deus funcionou. É claro que a gente tem mais o que melhorar, mais o que aperfeiçoar, mas a gente está muito feliz com o que a gente apresentou hoje”, completou a porta-bandeira.

EVOLUÇÃO

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A escola evoluiu corretamente; não se viram espaçamentos nem buracos entre as alas. É um samba-enredo que permite à comunidade ficar solta, sem coreografias, apenas na repetição do meio: “Eu sou da rua, macumbeiro, sim, senhor”. Nesse trecho, os componentes batem palmas, como se estivessem em um ponto de matriz africana dedicado ao orixá. Algumas alas carregavam lenços e outras, bexigas nas cores da escola, mas a maioria priorizou as camisas igualitárias. Entretanto, não se sabe se a direção de carnaval e a harmonia do Camisa priorizaram um maior preenchimento da pista. O fato é que faltou uma intensidade maior de movimentação dos componentes, algo que o samba pede.

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HARMONIA

Nitidamente, a comunidade do Camisa Verde e Branco está habituada ao samba-enredo e não se intimidou com palavras que fogem da língua portuguesa. Contudo, especificamente neste ensaio, faltou vigor no cantor. Assim como no quesito evolução, a intensidade foi deixada de lado.

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A melodia do samba é de guerra e pede força e garra, o que não ocorreu. Talvez isso não configure erro, mas, com as caixas de som completas no Anhembi, pode ser difícil para os julgadores escutarem o canto. Ainda há mais um ensaio técnico para correções, além dos ensaios de rua e de quadra.

SAMBA-ENREDO

Um ponto positivo foi o carro de som comandado pelo intérprete Charles Silva. O carioca é estreante no Camisa Verde e Branco e no carnaval de São Paulo, chegando para substituir o renomado Igor Vianna. Viu-se, no primeiro ensaio técnico, um cantor promissor, que pode se identificar com a comunidade tanto quanto o “Gordão” conquistou seu afeto. Desde o esquenta, com os hinos e o histórico samba-enredo de 1988, o alto desempenho foi notório, levantando o Setor A, que consegue ouvir todos os esquentas.

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Durante o ensaio, Charles mostrou um entrosamento consistente com sua ala musical. Executou os cacos nos momentos certos, chamou a comunidade e conduziu bem a obra com sua voz potente.

OUTROS DESTAQUES

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Criada na escola, Camila Prins, reconhecida por sua luta LGBTQIAPN+ no carnaval, foi coroada rainha do Camisa Verde e Branco. O ato aconteceu momentos antes do ensaio.
A bateria “Furiosa”, liderada pelo mestre Jeyson Ferro, teve a estreia de sua dupla, Jeferson da Conceição. Os dois comandarão juntos a batucada do Trevo no Carnaval 2026. No ensaio, destaque para uma longa bossa, que ocupou todo o refrão de cabeça e terminou na primeira parte do samba.

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Ensaio com cara de desfile: Beija-Flor exibe coesão e canto potente em Nilópolis

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Por Marielli Patrocínio e Maria Estela Costa

Nilópolis viveu mais do que um ensaio. No encontro de quilombos, tendo como convidada a Unidos de Vila Isabel, a Beija-Flor levou para a rua um treino com cara de desfile e força de comunidade. O canto veio tão potente que, em diversos momentos, se sobrepôs ao carro de som.

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O enredo “Bembé”, que carrega espiritualidade, ancestralidade e resistência como eixo central, já se impõe no corpo da escola, não sendo apenas cantado, mas também vivido. Cada ala parecia compreender o que estava sendo contado, e isso se refletiu diretamente na entrega, no canto e na postura da comunidade.

“Eu estava com o rádio no ouvido e estava com dificuldade de ouvir o rádio porque o canto estava mais alto”, contou o diretor de carnaval Marino, visivelmente impactado com o rendimento da escola. “Desde que eu cheguei na Beija-Flor, eu nunca vi um ensaio como o de hoje em termos de canto”, afirmou.

A sensação geral era de uma comunidade cantando por vontade própria, sem ser empurrada, sem ser cobrada. “A Beija-Flor tem uma aura diferente, uma energia diferente. Isso é natural, não é forçado. Se você tentar forçar, é brigar à toa. Hoje a energia estava explodindo sem a gente pedir”, completou Marino.

COMISSÃO DE FRENTE

Assinada pelos coreógrafos Saulo e Jorge, a comissão de frente, composta por 15 integrantes, quatorze homens e uma mulher, mostrou um trabalho já bem assentado. Coreografia clara, demarcação de espaço bem definida e uso inteligente da área. O grupo entrou organizado, sem dispersão, sem atropelo e com leitura limpa da proposta.

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Os movimentos foram executados com sincronia e precisão, facilitando a compreensão do público e valorizando o impacto visual. Mesmo em contexto de rua, a comissão apresentou segurança e controle, mostrando que o desenho coreográfico está fechado e bem assimilado pelo grupo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selminha Sorriso, dupla que tem mais de três décadas de parceria, apresentou entrosamento absoluto, muito carisma e comunicação constante. Os giros foram seguros, os deslocamentos limpos e a proteção à porta-bandeira foi feita com precisão.

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Claudinho manteve postura elegante e condução firme, enquanto Selminha girava com leveza e domínio, mantendo o pavilhão sempre aberto e valorizado. Uma apresentação segura, madura e tecnicamente muito bem resolvida.

HARMONIA

A harmonia foi, sem exagero, um dos grandes destaques do ensaio. Todas as alas cantaram forte, sem oscilações perceptíveis entre setores. Não houve alas apagadas, nem queda de volume ao longo do percurso. O canto veio coeso, claro e afinado.

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A comunidade respondeu com entrega total, sem confusão de letra, sem troca de versos, sem dispersão. Os intérpretes e o carro de som, mesmo em volume mais baixo, conseguiram se entrosar com a escola e sustentar o andamento. Ainda assim, foi nítido que quem carregou o ensaio foi o povo.

Marino reforça essa leitura emocional do ensaio. “Para mim, o que valeu hoje não foi só a técnica, que foi ótima. O ensaio valeu pela emoção. Ver o componente sorrindo, feliz, cantando, gritando… mais espontâneo do que isso é impossível.”

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EVOLUÇÃO

A escola mostrou organização e maturidade, com uma evolução bem fluida, de forma coesa, sem embolos, sem correrias e sem lentidão. Não se observaram buracos na pista nem necessidade de retorno de alas para correção de espaço.

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O andamento foi regular, com boa ocupação da rua e leitura clara de fluxo. Destaque também para as alas soltas, sambando, alegres, sem rigidez excessiva de fileira, trazendo vida ao conjunto e valorizando o desfile. Uma evolução limpa, segura e confortável.

SAMBA

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O samba apresentou bom rendimento ao longo de todo o ensaio, com encaixe confortável no andamento e resposta imediata da comunidade. Os refrões vieram fortes, a letra sustentada e não houve queda de energia, o que mostra uma obra já assimilada pela escola.

A bateria, dos mestres Rodney e Plínio, foi um dos grandes motores da noite. Além da potência e da precisão, chama bastante atenção o uso dos atabaques, que dialogam diretamente com o “Bembé” e reforçam a identidade ancestral da proposta. O toque traz densidade, intensidade, fundamento e um clima ritualístico.

As bossas e paradinhas foram bem executadas, levantaram o público e empurraram ainda mais o canto da comunidade, criando uma resposta imediata da pista.

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O mestre de bateria Rodney fez um balanço positivo, mesmo apontando a limitação do som. “Foi o segundo ensaio de rua e, mais uma vez, a escola veio muito coesa, cantando muito, harmonia perfeita, bateria muito bem. O problema foi a deficiência do carro de som. A bateria estava na íntegra, com 160 ritmistas, e o carro não suportou. Mas, na diversidade do som, a escola se comportou maravilhosamente bem. Isso é um grande sinal”. Ele completa: “A escola supre. Isso mostra que a gente está preparado para fazer um grande desfile.”

OUTROS DESTAQUES

Entre os destaques, a rainha de bateria Lorena Raissa chamou atenção logo no início ao enfrentar um problema com o salto, chegando a sambar por um momento descalça. A situação foi rapidamente resolvida, e ela seguiu sambando com ainda mais entrega, presença e energia, mantendo a interação com o público e a bateria.

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O ator Samuel de Assis, destaque da escola, foi outro nome que brilhou. Mostrou samba no pé, carisma e envolvimento real com a comunidade. Samuel não fica em postura protocolar; pelo contrário, vive o ensaio, interage, sorri, samba e se conecta com o público, reforçando o clima de alegria e pertencimento.

Entre os destaques da noite, também está a prata da casa, o sambista Cássio, que entregou um espetáculo à parte. Com samba no pé afiado, irreverência natural e carisma de quem conhece cada centímetro da escola, ele incendiou a pista com leveza, personalidade e identidade em movimento.

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Vila Isabel transforma Mirandela em Pequena África e impressiona pelo vigor do samba

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Por Maria Estela Costa e Marielli Patrocínio

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Fotos: Maria Estela Costa e Marielli Patrocínio/CARNAVALESCO

Sob o luar nilopolitano, Vila Isabel e Beija-Flor de Nilópolis se juntaram no último sábado para um Encontro de Quilombos na principal avenida de Nilópolis. A agremiação apresentou seu enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África”, idealizado pelos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, além do enredista Vinícius Natal, que homenageia o sambista Heitor dos Prazeres, com foco na “Pequena África”, localizada na região central do Rio de Janeiro. O ensaio foi marcado pela potência da comunidade, responsável por animar o público.

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“Há dois anos a gente esteve presente aqui, é uma honra muito grande. Fomos muito bem recebidos, não só por toda a escola, mas por toda a população. Trazer um pouco do que a gente faz no 28, toda quarta-feira, para cá. Bem reduzido, mas vai ser energia positiva, com a força do nosso samba, da nossa bateria, dos nossos segmentos. Feliz pra caramba e só agradecer à Beija-Flor de Nilópolis pelo convite”, declara Moisés Carvalho, diretor de carnaval da Vila.

COMISSÃO DE FRENTE

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Abrindo o ensaio, a comissão de frente, comandada por Márcio Jahú e Alex Neoral, iniciou mostrando uma dança em que um integrante representava a figura homenageada, enquanto os demais dançavam em movimentos circulares e em fileiras, além de baterem palmas em sintonia com o samba. Era possível notar referências às danças da cultura afro, com uma mistura de capoeira e danças típicas dos cultos religiosos. Os dançarinos não estavam fantasiados, mas suas roupas estavam combinando: todos de short branco e camisa que os identificava como integrantes desse quesito.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane, se apresentou com figurinos elegantes: ele com um terno em tom de amarelo-dourado claro e sapato social branco com detalhes dourados; já ela estava com um vestido amarelo-dourado escuro e, no esquenta, botas douradas, mas logo trocou por um saltinho aberto, também dourado.

O casal vem trabalhando a expressividade, e isso foi algo muito bem lapidado. No ensaio, os passos estavam sincronizados. Raphael orbitava em volta de Dandara sem perder o foco nela e no pavilhão. Havia uma comunicação por olhares que antecipava os movimentos seguintes, tudo isso com muita fluidez.

HARMONIA

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O ensaio da Vila Isabel não contou com muitas alas completas, pois alguns desfilantes se ausentaram. A solução da escola foi misturar alas para que o ensaio pudesse ser realizado  e deu certo. Mesmo misturadas, as alas cantavam o samba com potência. É claro que houve incentivo dos componentes da harmonia, mas os desfilantes estavam à vontade, o que potencializou ainda mais o canto.

Além disso, a participação do carro de som, junto à bateria, foi responsável por facilitar a compreensão da letra pelo público. Havia uma boa sintonia entre ambos.

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EVOLUÇÃO

As alas, apesar de misturadas, estavam bem posicionadas e seguiram de acordo com as instruções dos diretores. Duas alas localizadas no setor 1 estavam coreografadas, com passos fáceis, que não exigiam tanto esforço físico dos desfilantes.

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Um aspecto que chamou atenção foi que, talvez por estarem acostumados a ensaiar com uma quantidade maior de desfilantes, a agremiação acabou acelerando no início do ensaio e, da metade para o final, desacelerou, fazendo pausas para prolongar o desfile. No entanto, isso também pode ter ocorrido pelo fato de a Avenida Mirandela ser mais extensa que a 28 de Setembro, local habitual dos ensaios da escola.

SAMBA

A comunidade estava bem familiarizada com o samba, cantando a canção de ponta a ponta. Além disso, o público nilopolitano apresentou maior facilidade em cantar apenas o refrão.

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A presença do carro de som foi crucial para o rendimento dos desfilantes e também para testar o conhecimento do samba, já que, por estarem em um local majoritariamente ocupado por torcedores da coirmã Beija-Flor de Nilópolis, nos momentos de paradinha era necessário entregar mais vocais e domínio da letra para conduzir o canto e ensiná-la ao público.

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OUTROS DESTAQUES

A rainha de bateria, Sabrina Sato não esteve presente neste Encontro de Quilombos. Assim, as estrelas da noite foram as musas, que desfilaram com looks produzidos, repletos de pedrarias, decotes e miçangas, além de interagirem com a comunidade nilopolitana, demonstrando respeito. E, claro, o samba no pé não ficou de fora.

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A bateria, comandada pelo mestre Macaco Branco, apresentou paradinhas junto aos intérpretes, além de dancinhas dos ritmistas, sincronizadas com a batida dos instrumentos. O mestre falou sobre os preparativos para o desfile.

“A Vila Isabel já está pronta para desfilar e defender esse grande enredo sobre Heitor dos Prazeres. Se o desfile fosse hoje, a Vila Isabel estaria muito bem representada. É um prazer imenso poder visitar nossa coirmã aqui na Mirandela e realizar o nosso ensaio, que foi maravilhoso. Foi uma energia surreal”.

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Harmonia em alto nível e comunidade em sintonia: Mocidade Alegre se destaca no ensaio técnico para o Carnaval 2026

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Por Gustavo Lima, Eduardo Frois e Will Ferreira

A Mocidade Alegre realizou seu primeiro ensaio técnico, no último sábado, visando à preparação para o desfile oficial de 2026. O treino foi marcado pelo alto nível em todos os quesitos, sobretudo, o conjunto musical, com destaque para a harmonia da escola. A comunidade da Morada do Samba sempre abraçou seus sambas-enredo, mas, desta vez, viu-se algo que não se notava desde o ciclo do Carnaval 2023: uma mistura de garra com leveza. Os apagões no refrão de cabeça foram respondidos de forma lúcida e influenciaram diretamente na arquibancada. A volta de uma evolução mais sólida e a criatividade misturada com uma fácil leitura da comissão de frente também se destacam. A Mocidade Alegre será a terceira a desfilar no sábado de carnaval, com o enredo “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”, desenvolvido pelo carnavalesco Caio Araújo.

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COMISSÃO DE FRENTE

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Coreografados por Jhean Allex, profissional longevo na agremiação, os integrantes da comissão de frente da Mocidade Alegre se dividiram em dois atos. O primeiro foi realizado no chão, onde eles se alinhavam, dançavam e evoluíam de um lado para o outro no ritmo do samba, cumprindo requisitos como saudar o público, além de ocupar a pista com um belo visual, visto que parte dos integrantes estava vestida com a fantasia da comissão de frente do desfile oficial de 2025.

O outro ato acontecia sobre o elemento alegórico, no qual os dançarinos representavam alguns papéis que a homenageada Léa Garcia executou ao longo de sua carreira de atriz. Ao todo, foi uma demonstração padrão de Jhean Allex: uma encenação de fácil entendimento para o público. Porém, vale destacar que o coreógrafo sempre apronta novidades nos dias de desfile oficial.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Como é costumeiro na Mocidade Alegre, o casal de mestre-sala e porta-bandeira sempre desfila com a fantasia do carnaval anterior. Isso é importante, pois ambos podem passar pelo Anhembi sentindo o peso da indumentária, somado à evolução da escola. O casal Diego Motta e Natália Lago realizou os movimentos padrões do quesito, junto com a coreografia dentro do samba. Vale ressaltar que as cabines do Anhembi estão espalhadas por diversas áreas. É uma nova forma de julgamento, e todos os casais estão se adaptando ao novo formato.

“A gente teve muita sorte mesmo desde o primeiro momento que a Mocidade juntou a dupla. Eu acho que a nossa sinergia aconteceu antes da pista, antes da parte de ensaio, dança, a gente conseguiu se entender e equalizar os pensamentos. O primeiro ano meio no susto, porque até a gente se adaptar na dança… Mas o ano passado já foi um ano extremamente tranquilo, parece que a gente dança muitos anos mesmo. A expectativa entregar mais ainda do que no ano passado, bem mais”, disse o mestre-sala.

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“A gente se conhecia antes, mas não tinha essa relação, essa conexão e o primeiro momento que a gente sentou para conversar foi o ponto principal. Além da parceria na dança, a gente é amigo, companheiro, se ajuda, passa por tudo junto e isso é muito importante, é muito especial. A preparação exige e é fundamental que a gente esteja de fantasia. A gente tem que aproveitar todas as oportunidades para ser mais próximo da realidade”, completou a porta-bandeira.

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Enfim, foi vista uma evolução padrão Mocidade Alegre. Voltou aquela sina de colocar a escola compacta para evitar espaçamentos e buracos, que foram problemas durante todo o ciclo de 2025 (ensaios técnicos e desfile oficial). Como em todo ano, a escola apostou bastante em alas coreografadas, algumas com coreografias mais detalhadas e outras apenas no ritmo do samba. Outro ponto que proporcionou um belo contraste foram os adereços de mão. Quase todas as alas estavam segurando algum objeto (pompom, lenço ou item ligado ao enredo), com cores que deram um visual satisfatório à pista.

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HARMONIA

Foi o quesito de destaque do ensaio da Mocidade Alegre. Aparentemente, aquele “rolo compressor” de canto, somado a um grande samba, voltou com tudo para o Limão em 2026. Ainda não há caixas de som no Anhembi, e todos os presentes se baseiam apenas no carro de som e na bateria. Devido a isso, nos apagões realizados pelo mestre Sombra, dava para ouvir de longe a potência das alas, o que influenciou nas arquibancadas.

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O refrão de cabeça tem ótima qualidade, o que culmina muito bem para o sucesso da harmonia: curto, mas explosivo, principalmente na frase “Ô Malunga ê…”. Por fim, destaca-se também o entrosamento da comunidade com o carro de som e as bossas. Logo na primeira parte do samba havia algo interessante: “Laroyê, bate três vezes”. Os componentes batiam três palmas. São detalhes que podem parecer pequenos, mas dialogam diretamente com o público e não podem passar despercebidos.

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SAMBA-ENREDO

Na voz de Igor Sorriso, a obra foi muito bem sustentada, além do renomado carro de som. Como dito acima, o refrão de cabeça provocava uma “explosão” na comunidade, o que passava a sensação de entrosamento entre os três quesitos musicais: samba-enredo, harmonia e bateria. Como citado anteriormente, ainda não há caixas de som no Anhembi e, mesmo assim, as alas não embolavam o canto. Ele foi sustentado com êxito durante todo o ensaio.

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OUTROS DESTAQUES

A bateria “Ritmo Puro”, comandada pelo mestre Sombra, mais uma vez, provou porque é uma das melhores há vários anos. Andamento e bossas funcionaram perfeitamente, dialogando diretamente com o carro de som e a comunidade. Simpática, a rainha Aline Oliveira interagiu bastante com o público, além de mostrar todo o seu samba no Anhembi.

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A ala de passistas, liderada pelo coreógrafo Gustavo Siqueira, sambou bastante no pé. Em todos os setores, arrancou aplausos e gritos do público presente.

Se teve canto forte, pode colocar a ala das baianas nesse meio. As mães do samba, vestidas todas de branco, cantaram com vigor na avenida.

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Samba cresce, comunidade responde e Mocidade afirma identidade em primeiro ensaio de rua de 2026

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Por Marcos Marinho e Juliane Barbosa

A Mocidade Independente de Padre Miguel realizou, na noite do último sábado, seu primeiro ensaio de rua de 2026, na Avenida Ministro Ary Franco, em Bangu. Embalada por um samba que exalta a liberdade e pela resposta consistente da comunidade, a escola apresentou um canto bem sustentado nos momentos centrais da obra, uma condução segura do intérprete Igor Vianna e uma evolução marcada pela alegria, espontaneidade e interação constante com o público. O conjunto revelou uma Mocidade que se diverte, brinca e se reconhece na homenagem a Rita Lee, imprimindo desde cedo o tom libertário do enredo. Primeira escola a desfilar na segunda-feira de carnaval, a Verde e Branco levará para a Sapucaí o enredo “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”, assinado pelo carnavalesco Renato Lage.

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SAMBA E HARMONIA

O samba da Mocidade tem uma característica muito interessante: ele é, de fato, uma ode a Rita Lee. A obra assume o tom de homenagem e imprime com clareza o espírito libertário que atravessou a trajetória da artista, seja por meio de citações diretas de suas músicas, seja por referências ao seu comportamento e às suas falas. Rita Lee não foi apenas uma grande cantora e compositora brasileira, mas uma figura que alargou debates sobre liberdade e comportamento, e isso está presente no samba.

Musicalmente, a obra se estrutura em momentos muito bem definidos. O primeiro refrão, “Sou Independente, fácil de amar / Livre de qualquer censura / Vem, baila comigo / Só de te olhar, posso imaginar loucuras”, é cantado como um verso de afirmação. O “independente” dialoga com a postura libertária de Rita Lee, mas também afirma a própria identidade da Mocidade neste processo de reconstrução. Não é um canto explosivo como o refrão principal, mas é bem sustentado pela comunidade. A retomada desse refrão, no trecho iniciado por “Amor é pra sempre”, aparece com fôlego e entrega, evidenciando uma obra bem sustentada nos refrões e nas retomadas ao longo do samba.

Nesses momentos de retomada, a atuação do intérprete Igor Vianna é decisiva. Com leitura inteligente da dinâmica do samba, Igor entrou sempre com vigor nos pontos cruciais, chamando a comunidade para sustentar o canto coletivo. Essa condução fortalece diretamente a harmonia da escola e potencializa a resposta das alas, sobretudo nos momentos em que o samba precisa ser retomado.

No refrão principal, o samba explode. É o trecho de maior extravasamento, em que o canto cresce, a escola se solta e a comunidade responde com mais intensidade. Ainda assim, há um momento intermediário da obra em que o samba perde força e parte dos componentes deixa de cantar, como nos versos “A Tropicalista do verbo sem freio / Pra farda uma língua e o dedo do meio / Cabelo de fogo e a lente encarnada / Mutante da pele marcada”. É um ponto que merece atenção para que o samba seja sustentado com intensidade do início ao fim da passagem pela avenida.

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Vale destacar, por fim, o mérito da equipe musical que defendeu o som com categoria. Mesmo diante de problemas insistentes de microfonia no início do ensaio, Igor Vianna e sua equipe conduziram a obra com segurança e souberam contornar as dificuldades técnicas sem comprometer o rendimento do canto.

EVOLUÇÃO

A Mocidade evoluiu com alegria, espontaneidade e liberdade. Essa liberdade produziu um efeito claro: uma escola que quer evoluir. Os componentes querem pular, brincar, interagir o tempo todo, entre si e com o público. Há um jogo constante com quem assiste, e isso estabelece um tom muito importante para o desfile: o da brincadeira, da festa, do carnaval enquanto espontaneidade. Esse é, sem dúvida, um trunfo da evolução da Mocidade.

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Fotos: Juliane Barbosa e Marcos Marinho/CARNAVALESCO

Por outro lado, esse mesmo impulso precisa ser um pouco ajustado tecnicamente. Em alguns momentos, a escola avança com passos mais lentos, parecendo segurar o andamento e, logo depois, acelera de maneira acentuada. O resultado é uma progressão um pouco irregular na pista.

O desafio, portanto, será o de equilibrar essa energia espontânea, trunfo da evolução da escola, com maior precisão técnica, para que a escola consiga manter o clima de festa sem perder organização e fluidez.

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OUTROS DESTAQUES

A bateria “Não Existe Mais Quente”, comandada pelo mestre Dudu, segue como um dos pilares do ensaio. Precisa, pulsante e comunicativa, a bateria levantou o público presente na Avenida Ministro Ary Franco. No momento final, protagonizou uma cena muito bonita de comunhão: direção de harmonia, harmonias da escola e passistas vibraram juntos com a bateria, criando um clima de celebração que sintetiza bem o espírito do ensaio.

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Tanto a comissão de frente quanto o casal de mestre-sala e porta-bandeira não participaram deste ensaio, pois estavam realizando testes de luz na Sapucaí. Ambos os quesitos retornarão à Avenida Ministro Ary Franco no próximo sábado, dia 17.

“Agora está na reta final e não tem mais o que ser colocado. Eu tentei até colocar na bateria mais uma paradinha, mas não deu e eu não vou correr esse risco de botar neste momento, o ideal é deixar como está. Tudo bem encaixado, dentro do tempo e da melodia. Eu sou um tipo de mestre que tento trabalhar sempre assim para ter um atendimento melhor. Quando você trabalha em cima de melodia fica fácil o entendimento. Tenho a oportunidade de fazer belos arranjos, tentei botar bem ‘ritilizado’ e quem curtiu e curte Rita Lee vai entender um pouco das nossas bossas. Coloquei bem a cara dela mesmo e eu também sou meio louco como Rita Lee. Para finalizar, os últimos ajustes agora é com o meu diretor Pimentão, as bossas, os desenhos e os arranjos. Todo mundo sem dormir o tempo todo construindo o trabalho e agora está aí a resposta: entregue! O samba da Mocidade eu tenho certeza que vai fazer um belo carnaval, se depender da minha bateria e de mim, vai fazer um belo carnaval se Deus quiser”, explicou mestre Dudu ao CARNAVALESCO.

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OPINIÃO DO DIRETOR

Para o diretor de carnaval da Mocidade, Wallace Capoeira, o rendimento apresentado no primeiro ensaio de rua de 2026 confirma que a escola reencontrou um caminho de identidade e pertencimento. Segundo ele, a resposta da comunidade ao samba e à condução musical tem sido um dos sinais mais claros desse processo.

“A minha avaliação é sempre a mais positiva. A gente encontrou o caminho, encontrou a receita. A comunidade abraçou o samba, e o Igor está cantando de uma forma muito empolgante, com muita vibração, querendo cantar, vibrar e emocionar”, afirmou.

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Na leitura do dirigente, o samba tem papel central nesse momento de reconexão da escola consigo mesma. “Eu acho que a Mocidade se reconecta com ela mesma, com a sua essência, com as suas raízes. O samba traz essa sensação de pertencimento, de liberdade. Viva o samba”, declarou Capoeira, destacando o alinhamento entre obra, intérprete e comunidade.

Apesar do tom positivo, o diretor de carnaval reforçou que o trabalho segue em construção e que o processo de avaliação é permanente. “A gente sempre precisa melhorar. Eu nunca estou satisfeito. A gente brinca, se diverte, mas amanhã já tem reunião para avaliar o que foi hoje. Filmamos tudo para entender o que a gente produziu de melhor e o que ainda precisa avançar”, explicou.

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Capoeira destacou ainda os quesitos de chão como prioridade estratégica da Mocidade neste início de temporada. “A gente entende que ainda precisa subir alguns degraus, mas, quesito a quesito, temos uma comissão de frente muito forte, um casal de mestre-sala e porta-bandeira que dispensa comentários, uma bateria que não existe mais quente e um trabalho muito forte em evolução e harmonia. Esses quesitos precisam pontuar, independentemente de qualquer outra coisa”, avaliou.

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Confiante no conjunto apresentado, o dirigente também citou o trabalho visual como um trunfo para o desfile oficial. “Com alegoria, fantasia e enredo, a gente tem muita fé e chances reais, pelo que já vem sendo apresentado. Eu cobro muito a minha galera, sou chato, mas hoje é dia de dar parabéns. A comunidade comprou a nossa causa, comprou a nossa ideia, e a gente vai fazer um grande espetáculo”, concluiu.

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Morre o compositor Myngau, autor de nove sambas da Grande Rio

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O mundo do samba amanheceu de luto neste sábado, com a morte do compositor Myngau, nome marcante da história recente das disputas de samba-enredo. Até o momento, a causa do falecimento não foi divulgada. Figura respeitada entre as parcerias e conhecido por sua escrita sensível e popular, Myngau construiu uma trajetória vitoriosa em diferentes praças do carnaval. Na Acadêmicos do Grande Rio, deixou sua marca em nove sambas-enredo, assinando as obras apresentadas nos carnavais de 2000, 2003, 2004, 2005, 2008, 2009, 2010, 2013 e 2023, ajudando a contar capítulos importantes da história da tricolor de Duque de Caxias.

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Foto: Divulgação/Grande Rio

Além da Grande Rio, o compositor também colecionou conquistas em outras agremiações. Na União da Ilha do Governador, foi um dos autores do samba-enredo de 2019. Já na Unidos de Padre Miguel venceu as disputas nos carnavais de 2022 e 2023. Em São Paulo, Myngau também teve destaque recente ao integrar a parceria vencedora da Mancha Verde no último carnaval.

A Grande Rio utilizou as redes sociais para prestar uma homenagem ao compositor, publicando a seguinte mensagem:

“Um dos maiores poetas da nossa escola partiu para outro plano. Foram 9 sambas que ajudaram a escrever a história da Grande Rio, com talento, alma e amor. Nosso eterno carinho, respeito e gratidão por cada verso, cada capítulo vivido juntos. Descanse em paz”.

Com samba assimilado e evolução solta, União de Maricá dá ótimos sinais em ensaio de rua para o Carnaval 2026

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A União de Maricá retomou seus ensaios de rua na noite da última sexta-feira, no Centro da cidade. Mesmo sem a apresentação da comissão de frente, a escola mostrou pontos que chamaram atenção positivamente logo neste primeiro encontro rumo ao Carnaval 2026. Com o enredo “Berenguendéns e Balangandãs”, criação do carnavalesco Leandro Vieira, a agremiação será a sexta a desfilar no sábado de carnaval, dia 14 de fevereiro, e volta a ensaiar no mesmo local, sempre às sextas-feiras.

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Fotos: Rhyan de Meira/Divulgação

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal, Fabrício Pires e Giovanna Justo, foi um dos destaques da noite. Mesmo em ensaio, os dois apresentaram um bailado marcado por sintonia e leitura clara do samba. Ele conduziu a dança com atenção constante à porta-bandeira, mantendo o diálogo corporal durante toda a apresentação, enquanto ela girou com leveza e controle da bandeira, sem registros de enrolamento ou perda de eixo. O casal explorou bem os movimentos em relação à melodia, reforçando momentos do samba com giros e deslocamentos precisos, o que contribuiu para o impacto visual do ensaio.

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HARMONIA

O canto foi um dos pontos que mais chamaram atenção ao longo do percurso. Por se tratar de um samba de fácil assimilação, diversas alas apresentaram rendimento consistente, com destaque para setores posicionados no meio da escola, onde o volume de canto se manteve firme.

O intérprete Zé Paulo Sierra, junto ao carro de som, teve papel fundamental na condução do canto, mantendo a escola ligada ao andamento do samba e estimulando a resposta dos componentes. Não houve registro de irregularidade acentuada entre setores, e o canto se manteve relativamente homogêneo durante o ensaio.

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Zé Paulo comentou ao CARNAVALESCO sobre o rendimento da escola nos ensaios, destacando a evolução percebida ao longo das apresentações e o planejamento adotado pela direção para a reta final da preparação. Ele também ressaltou a importância dos ensaios de rua como ferramenta para simular o ambiente real do desfile.

“A gente está indo para o nosso ensaio de rua e acho que a evolução é muito nítida. O que a gente mostrou no minidesfile já é um fruto que a gente está colhendo do que foi feito aqui na nossa avenida. O balanço é muito positivo”.

EVOLUÇÃO

A evolução apareceu como o ponto mais alto da noite. A escola desfilou de forma organizada, com alas caminhando soltas e demonstrando conforto no samba. Não foram observados buracos relevantes ao longo do percurso, e a fluidez entre as alas chamou atenção.

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Houve destaque para alas que sambaram com alegria, mantendo o ritmo sem recorrer excessivamente à formação em fileiras, o que valorizou o conjunto. A movimentação da escola reforçou a sensação de um ensaio bem controlado e com leitura clara de espaço.

SAMBA

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O samba apresentou rendimento crescente ao longo do ensaio. A obra mostrou boa resposta tanto no canto quanto na evolução, favorecida por uma melodia acessível e refrões que rapidamente foram assimilados pelos componentes. O carro de som sustentou bem o andamento, permitindo que a escola mantivesse o canto sem quedas perceptíveis. O conjunto entre bateria, intérprete e alas contribuiu para que o samba se desenvolvesse de forma constante durante todo o percurso.

OUTROS DESTAQUES

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A bateria “Maricadência”, sob o comando do mestre Paulinho Steves, apresentou bossas bem executadas, mostrando que o dever de casa foi feito. As convenções surgiram com clareza e diálogo com o samba, sem comprometer o andamento do desfile. A rainha de bateria, Rayane Dumont, marcou presença interagindo com o público e acompanhando o ritmo da bateria durante o ensaio. A condução geral do trabalho, liderada pelo diretor de carnaval Wilsinho Alves e pelo diretor de harmonia Mauro Amorim, refletiu uma escola organizada neste primeiro ensaio de rua.

Em entrevista ao CARNAVALESCO, o mestre de bateria, Paulinho Steves, responsável por conduzir a Maricadência, avaliou o momento vivido pela escola após a retomada dos ensaios de rua. Segundo ele, o trabalho desenvolvido desde a virada de temporada tem sido marcado por crescimento gradual, com foco na construção coletiva e na preparação técnica para o dia do desfile oficial.

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“O balanço até agora é o melhor possível. Nós viramos aí de 2025 para 2026 com ótimos ensaios de rua. Fizemos um minidesfile muito bom. Eu costumo conversar com a minha rapaziada que é um degrau de cada vez, e esse degrau está chegando ao fim, graças a Deus, para patrilhar e tirar aquela batucada linda no dia do desfile”.

Comunidade canta junto e faz do samba para o Carnaval 2026 o protagonista no ensaio da Unidos de Padre Miguel

Por Ana Júlia Agra e Maria Estela Costa

Em preparação para o Carnaval 2026, a agremiação Unidos de Padre Miguel realizou seu segundo ensaio de rua na última sexta-feira. Entre tantos aspectos que chamaram atenção, a troca do local dos ensaios de rua foi um dos principais. Antes, os ensaios eram realizados na Rua Barão do Triunfo, na Vila Vintém, mas agora passam a acontecer na Praça Guilherme da Silveira, em frente à estação de trem de Guilherme da Silveira. O enredo “Kunhã-Eté – O sopro sagrado da Jurema”, criado pelo carnavalesco Lucas Milato, falará sobre Clara Camarão, símbolo da força da mulher indígena potiguara. O ensaio foi marcado pela harmonia entre o público e o samba-enredo.

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“É um samba guerreiro. Acho que deu para perceber. É um samba que fala de uma guerreira e que já está na boca da comunidade. O diferencial da Unidos é isso aí, a comunidade cantante. Até o dia do desfile ainda temos algumas coisas para acertar, acho que ainda temos uns quatro ensaios aqui na rua até o carnaval. Com certeza agora durante a semana vamos conversar bastante, pontuar o que houve de erros e acertar até o dia do desfile. Que o mundo do samba espere uma Unidos valente, uma Unidos feliz e querendo buscar o seu retorno ao Especial”, disse Cícero Costa, diretor de carnaval.

COMISSÃO DE FRENTE

Abrindo o ensaio, a comissão de frente, comandada por Paulo Pinna, chegou demonstrando uma coreografia bem estruturada e conectada ao enredo, com diversas referências às danças típicas de tribos indígenas. Enquanto o grupo seguia em direção à simulação da primeira cabine, havia muitos movimentos em círculos, momentos em que levantavam as mãos como forma de resistência e até a simulação de flechas com os braços, como se estivessem unidos em defesa de algo.

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Na cabine, os passos mantiveram essa mesma proposta, sempre em sincronia com o samba-enredo. Além das referências já citadas, os dançarinos cantavam e gritavam para incentivar o público e, principalmente, os próprios colegas. O maior diferencial da coreografia foi o momento em que o grupo se organiza em círculo e uma das integrantes surge sendo erguida, em clara referência à homenageada.

Não houve utilização de tripé, o que não fez muita falta no ensaio, apenas aumentou a curiosidade para o dia do desfile. Também não havia fantasia, mas os integrantes vestiam a mesma camisa que os identificava como comissão de frente, além de short branco.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcinho Siqueira e Cris Caldas, demonstrou grande respeito pelo pavilhão. Os passos estavam bem sincronizados e valorizavam a bandeira da escola. O mestre-sala, mesmo girando ao redor da porta-bandeira, manteve o foco nela e no pavilhão, reflexo de uma comunicação clara e objetiva entre o casal.

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Eles se apresentaram com figurino funcional para o ensaio: Marcinho usava calça amarelo-manteiga e camisa de botão com as cores da agremiação, enquanto Cris vestia um traje com decote discreto na altura do peito, fenda na perna e o destaque para as duas cores da escola, uma de cada lado.

“O balanço é super positivo. A gente está numa pegada de ensaio bem legal, intensa. Estamos trabalhando junto com o Bruno Germano, que é o nosso preparador físico, e a Ana Formighieri, que é a nossa coreógrafa. Ensaiando praticamente todos os dias. A expectativa é melhor, tenho certeza que a gente vai fazer um desfile lindo”, disse a porta-bandeira.

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“Estamos já nos pequenos detalhes. Já fechamos a coreografia, na verdade, desde antes de virar o ano. E aí agora é só massacrar. Assim, fazer entrar no corpo e a gente poder mostrar para o público com toda a graça, o que a galera gosta de ver”, completou o mestre-sala.

HARMONIA E SAMBA

O samba-enredo foi a grande estrela da noite, com todas as alas, componentes e o público cantando a letra na ponta da língua. Não é novidade que a Unidos de Padre Miguel mantém uma relação forte com sua comunidade, e o ensaio reforçou ainda mais essa conexão.

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Em diversos momentos, o intérprete Bruno Ribas e a equipe da ala musical, junto à bateria, realizaram as tradicionais paradinhas, e a rua vibrava com a potência do canto popular. A junção da bateria com o carro de som e o público fez com que o samba se expandisse com muita energia. Além disso, não houve problemas de equilíbrio entre bateria e carro de som, que estavam no mesmo nível, facilitando a escuta e o acompanhamento do samba.

O único problema de canto ocorreu já no final, na ala 18, quando o samba atrasou e os responsáveis pela harmonia precisaram interromper o andamento para retomar todos do mesmo ponto.

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O refrão é de fácil assimilação, e as demais partes da canção se tornam mais simples de aprender acompanhando as batidas e paradinhas da bateria. A comunidade cantou o samba do início ao fim e, ao término do ensaio, público e componentes se reuniram para aproveitar mais um pouco da obra, evidenciando a sintonia, a conexão e o respeito pela agremiação e pelo enredo apresentado.

EVOLUÇÃO

As alas vieram animadas e, com o auxílio dos diretores, seguiram de forma organizada. Havia preocupação com as filas, mas sem excesso de rigidez, permitindo que os desfilantes ficassem mais à vontade para viver o momento. Algumas alas apresentaram adereços: a primeira ala desfilou com cocares, fazendo referência à cultura indígena. As alas 3 e 4 se apresentaram segurando duas bolas com as cores da agremiação.

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A ala 12, além de adereços como cabos de vassoura, lanças feitas de EVA emborrachado e arminhas de brinquedo, trouxe coreografia mais elaborada. Os adereços faziam parte da dança, que exigia esforço e atenção dos desfilantes, o que acabou reduzindo um pouco a potência do canto. Em contrapartida, a ala 17 também apresentou coreografia, porém com passos mais leves e em sincronia com a batida da bateria, sem prejudicar o canto.

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OUTROS DESTAQUES

O ensaio contou com a presença da rainha de bateria, Andressa Marinho, e das musas Mari Mola, Jaquelline e Lorena Maria, que mostraram muito samba no pé e deixaram claro o carinho e o respeito pela agremiação e sua comunidade.

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‘Cada mulher tem sua Carolina’: ala cênica da Tijuca faz sucesso com emoção e protesto

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Com emoção à flor da pele e discursos que atravessam gerações, a ala cênica que fechou o minidesfile da Unidos da Tijuca transformou “Quarto de Despejo” em gesto coletivo. Em entrevista ao CARNAVALESCO, a diretora artística da escola do Borel e três componentes que fizeram parte da ala “Canindé” falaram de Carolina Maria de Jesus, homenageada no enredo assinado pelo carnavalesco Edson Pereira, como espelho e reafirmação. Para elas, há algo em comum: “cada uma tem uma Carolina dentro de si”.

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Fotos: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

Emoção e protesto no centro da encenação

Responsável pelo grupo cênico, a diretora artística Flávia Leal resumiu a noite como uma experiência difícil de colocar em palavras. “Eu não consigo nem falar de tão emocionada que estou. Acho que a Carolina é um pouquinho de todas as mulheres. A gente está trazendo muita verdade, muita emoção”, afirmou. Para ela, a homenagem é também um grito político: “A gente vem em forma de um protesto também. Aguardem o desfile que está chegando. É sobre isso”.

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Fechando o cortejo, a ala é apresentada como uma síntese do enredo e uma forma de colocar Carolina “lá em cima”, como disse Flávia, com entrega e intensidade.

Vânia Pinheiro: reviver no desfile a Carolina que estudou no teatro

A fisioterapeuta, professora de dança e atriz Vânia Pinheiro, de 60 anos, vive uma relação direta com a autora homenageada pela escola do Borel. Em outubro, ela interpretou Carolina Maria de Jesus no espetáculo “A Invasão”, apresentado na Expo Favela 2025. No mini-desfile, reencontra essa preparação de forma ampliada.

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“Ela me representa. Representa a mãe solo, a mulher que corre atrás e não tem medo de barreiras. É uma mulher atual, mesmo tendo nascido lá em 1914”, afirmou. Para Vânia, desfilar homenageando Carolina Maria de Jesus é também devolver à avenida o estudo que fez da autora: “É reviver tudo isso. Estou muito feliz por estar aqui”.

A expectativa, segundo ela, é mostrar a dignidade das mulheres brasileiras e a dor coletiva que atravessa mães e cuidadoras. “Mostrar ao povo a súplica das mães que perderam seus filhos, das mães solo que lutam pelo pão de cada dia. Cada dia nós, mulheres, matamos um leão”.

Maria Leotério: ‘cada uma de nós carrega uma Carolina’

Produtora de eventos, Maria Leotério de Souza, 61 anos, reforça que a homenagem nasce de um reconhecimento profundo. “A Carolina passou o que nós, mulheres pretas, também passamos. A arte que estamos fazendo é dedicada a isso”, contou.

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Para ela, a força da ala está no encontro entre mulheres que reconhecem sua própria história na da escritora. “Cada uma tem uma Carolina na vida, trazemos no coração. É importante mostrar quantas Carolinas deveriam estar na avenida também”.

A intérprete destaca que a escolha da direção por três mulheres pretas na linha de frente dialoga diretamente com o sentido do enredo. “Cada Carolina está dentro de nós, cada uma do seu jeitinho, com o seu pensamento”.

Camila Moreira: da Baixada ao Teatro Municipal, uma Carolina de 20 anos

A bailarina Camila Moreira, 20 anos, do corpo técnico do Teatro Municipal, chegou à ala “de paraquedas”, após convite de Flávia Leal. Não pretendia desfilar em 2026 por conta dos compromissos com o balé clássico, mas não conseguiu recusar o chamado.

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“Eu sempre me senti representada pela Carolina. Estar aqui descreve a minha história, da minha mãe, da minha avó e de tantas mulheres da comunidade”, disse. Camila vê sua presença como um gesto de representatividade para meninas da Baixada Fluminense. “Eu vim da Baixada. estou mostrando para as meninas mais novas que todo mundo tem uma Carolina dentro de si”.

Sobre a encenação preparada para o mini-desfile, a bailarina adianta que o grupo retrata a favela do Canindé. “É tudo muito sofrido, mas vocês vão se surpreender. A mensagem é que cada um descubra a Carolina que existe dentro de si”.

Força final do cortejo

Ao encerrar o minidesfile, a ala cênica da Tijuca transformou a dor e a potência de Carolina Maria de Jesus em presença coletiva. Gerações e trajetórias distintas representaram a escritora que denunciou a fome e registrou a vida na favela do Canindé, em São Paulo, com precisão e coragem.

Como resumiu Maria Leotério, “Carolina está dentro de nós”. No minidesfile do “Pavão”, cada uma delas decidiu trazê-la de um modo específico para a avenida.