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Viradouro 2022: parceria de Lucas Neves

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Compositores: Lucas Neves, Claudio Mattos, Thiago Meiners, Luiz Anderson, Rodrigo Rolla, Teteco, Rodrigo Alves, Thiago Savanna e Marquinho Mineiro
Intérpretes: Fredy Vianna e Pitty di Menezes

Deixa a tristeza pra lá (lalaiá)
A luz da esperança não se apagou
Nas ruas, mil enfeites de cetim
Em traços de Nanquim, alma de Pierrot
Fui ao tempo onde todo mascarado
No baile, qual mais um apaixonado
Peguei o bonde pra te ver chegar
Será que eu vou mergulhar num “mar a fantasia”
Um Rio inspirado à flor da poesia
Vai ter serpentina e confete no ar

QUANDO A BANDA PASSAR QUERO ESTAR COM VOCÊ
ME PERDER POR AÍ, MEU BEM QUERER (Ô)
A ALEGRIA NO EMBALO DO CORDÃO
E A MAGIA DO SALÃO PRA RIBALTA ACENDER

Em cada batuque, eu sou sentinela
Cubro na palha a dor das mazelas
Nas praças e ranchos, por onde for
Levanto o estandarte em prova de amor
Samba, que cura meu pranto
Faz do meu canto voz da redenção
Quando a barca partir pra afastar a solidão
(Um baile na tristeza)
Esperei tanto tempo pra reencontrar
Tão bom poder te abraçar
Milhões de corações eu vou emocionar

QUEM NÃO ENTENDE O MEU VALOR
HÁ DE SENTIR ESSA PAIXÃO
PRA SEMPRE VIRADOURO, O CARNAVAL É DO POVO
É A VOZ DESSA MULTIDÃO

Viradouro 2022: parceria de Argentina Caetano

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COMPOSITORAS: ARGENTINA CAETANO, LIANE HARMONIA, MARLI JANE, PROFESSORA TÂNIA, SOL DIAS E TIA LÚCIA
INTÉRPRETE: LENA ALVES

RESPLANDECEU, NUMA FORMOSA MANHÃ
BOA NOTÍCIA TROUXE PIERROT
GLORIFICADO, MOMO É ENDEUSADO
O MUNDO NÃO SE ACABOU
SOU FOLIÃO EXTASIADO DE ALEGRIA
COMEÇO A DESFORRA DA VIDA
MANDEI A TRISTEZA EMBORA
ENTOO O MEU CANTO
É HORA DE VESTIR MEU MANTO
TEM PETIT MELINDROSA
SEDUZINDO NELSINHO
NO CORDÃO, MARCA MEU CORAÇÃO
BRINCO NO BLOCO DO EU SOZINHO
SAMBANDO E CANTANDO TRANZENDO A MÁGIA DIVINAL

O CARIOCA, NÃO TEM DOR QUE O DERRUBE
CUIDA DA SAÚDE, DE FÉ VAI SE CERCAR
APLAUSOS AOS HEROIS DA CRUZ VERMELHA
E AS TIAS CURANDEIRAS, COM ERVAS, A REZAR

COM MÚSICA DE ALMA PRETA
BORBOLETAS NEGRAS FAZENDO A IGUALDADE
E OS BATUTAS, AO SABOR DO VENTO,
A CONSOLIDAR O SAMBA COMO O SOM DO CARNAVAL
ATÔTO OMULU! OJENIIWA BABA!
Ó SENHOR DA CURA AFASTE AS MAZELAS COM SEU XAXARÁ
NESTA LIBERTAÇÃO DE EUFORIA ATÉ QUARTA-FEIRA DE CINZAS
SOMOS TRAPEIROS, O LIXO VIRA OURO
COM CONFETE E SERPENTINA

REGRESSO A VIDA NESSE PALCO DE ILUSÃO
REGRESSO A VIDA COM EXPLOSÃO DE EMOÇÃO

ESTÁ NA HORA DA FOLIA COMEÇAR
SOU VIRADOURO E VOU SAMBAR
COM FANTASIA DE ESPERANÇA
BRINCAR FEITO CRIANÇA

Viradouro 2022: parceria de Professor Dias

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COMPOSITORES: PROFESSOR DIAS, VERÔNICA LIMA, KARINA RODRIGUES E GUSTAVO DIAS
INTÉRPRETE: JUAN BRIGGS

VESTE O RISO, PIERROT
VAI RAIAR O NOVO DIA
NÃO HÁ TRISTEZA
QUE POSSA SUPORTAR TANTA ALEGRIA
A VIRADOURO É A RAINHA DA FOLIA

AO CÉU, MOMO INCENSADO PELA MULTIDÃO
PELA CIDADE, TEU PERFUME É QUE ME LANÇA
NA GALHOFA DA FESTANÇA, A “HESPANHOLA” É ALEGORIA
NAS SOCIEDADES, TUA FACE IMPONENTE
CALIBIRINA DESCE QUENTE, REVANCHE QUE INEBRIA

VOU NO BONDE DA VINGANÇA, COM JAMANTA FAÇO A DANÇA
TODO O POVO A DELIRAR
SIGO OS CORSOS, A LUXÚRIA, SOU PAIXÃO EM TODA FÚRIA
VOU BATALHAR (FLORES NO AR)

DESEJO, ENROLADO EM SERPENTINA
“EU SOZINHO” NA AVENIDA E MILHÕES A ENLOUQUECER
DESTINO, BOLA PRETA
ACOMPANHO CAVEIRINHA, DA AURORA AO ENTARDECER

E SUBINDO A ESCADARIA, A COMOÇÃO
VALSAM BRUXAS E MORCEGOS, EXALTAÇÃO
A CRUZ VERMELHA VAMOS HOMENAGEAR
PELOS SALÕES A EMOÇÃO FALA NO OLHAR

CORRI PARA VER AS TIAS NO TERREIRO
E CANTAR COM PIXINGUINHA
O SAMBA É ARTE E LIBERDADE
OGÃS SÃO OS GUERREIROS PALADINOS
OMULU MEU PAI QUERIDO
NA GIRA EVOCO A DIVINDADE

ACORDO
E A SAUDADE JÁ ME DÓI
REENCONTRO EM MIL ABRAÇOS
FOLIÕES DE NITERÓI
TRAPEIROS VÃO LEVANDO TUDO QUE RESTOU
DO CARNAVAL QUE A VIDA RESGATOU (2X)

 

Viradouro 2022: parceria de Thalita Santos

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COMPOSITORES: THALITA SANTOS, BIA TINOCO, ALANA VALENTE, ANDRÉ RAMOS, LEANDRO HENRIQUE E PHELIPE ORNELLAS
INTÉRPRETE: THIAGO BRITO

AMANHECEU
DEUS MOMO REVELADO EM NANQUIM
DESPERTA O FOLIÃO QUE EXISTE EM MIM
PRA DAR UM FIM NAQUELA LONGA ESPERA
DEIXEI ENTRAR PELA JANELA
A LUZ DO CARNAVAL QUE RENASCEU
AS RUAS DÃO LUGAR À ALEGRIA
NUMA INVASÃO DE ALEGORIAS
O MEDO SE RENDEU À ESPERANÇA
A SOLIDÃO… MORREU NO BONDE DA VINGANÇA
VESTI A VELHA FANTASIA
UM PIERROT INEBRIADO DE MAGIA

NO AR O SOM DAS CORNETAS
CHEGOU BOLA PRETA
ME PERDI NA MULTIDÃO
NO AR O PERFUME DAS FLORES
AMORES QUE MARCAM O MEU CORAÇÃO

PELOS BAILES, TEATROS, SALÕES
A NOITE ME EMBALA COM SEUS LAMPIÕES
MORCEGOS, DIABOS, PALHAÇOS VALENTES
APLAUSOS À TURMA DA LINHA DE FRENTE
NA PRAÇA ONZE FIRMEI A BATUCADA
E VI UM NOVO COLORIDO NA SACADA
TIA CURANDEIRA MANDA EMBORA TODA DOR
MEU CORPO É FECHADO… ATOTÔ!
EU FIZ DAS CINZAS SERPENTINAS PELO CHÃO
SINAIS DA NOSSA REDENÇÃO
AO LONGE UM APITO ANUNCIA
LÁ VEM A BARCA DA EMOÇÃO

DEIXA A MÁSCARA CAIR AGORA
VAMOS SAIR POR AÍ AFORA
VEM ME BEIJAR, SOU VIRADOURO, AMOR
O QUE PASSOU, PASSOU!

Viradouro 2022: parceria de Alcides Gargalhada

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COMPOSITORES: ALCIDES GARGALHADA, MARCELLO NASCIMENTO, ELENICE CARVALHO, DEIA FREITAS E JUACIARA
INTÉRPRETE: GLEISON

SENHOR OLHAI POR NÓS
SOU PIERROT EM LIBERDADE
MEU SONHO É BRINCAR O CARNAVAL
SOU MOMO VOU ABRIR ESTA CIDADE!
COM MEUS FOLIÕES VOU COMEMORAR
APLAUSOS AOS BAILES DE FANTASIAS
COM CONFETES E SERPENTINA
ATÉ O RAIAR DO DIA

NA PASSARELA VOU EXTRAVASAR
DEIXANDO A DOR PRA LÁ
E NESTE MUNDO NOVO, EVOLUIR
RELEMBRAR CANTAR SORRIR

PERSONAGEM CULTURAL
TRANSFORMANDO ESSA AVENIDA, BEIRA MAR
FIGURAS SE ESPALHAM COM AMOR
NUM DELÍRIO EMOCIONANTE
VAMOS ENTRAR NO EMBALO DA FOLIA
CIDADE MARAVILHOSA
TU ÉS A RAZÃO DO MEU VIVER
PRAÇA ONZE COMO POSSO TE ESQUECER

ATÔTÔ OBALUAÊ VOU PEDIR AOS ORIXÁS
PRA ME PROTEGER (BIS )

NO BALANÇO DA BARCA ATRAVESSEI
NAS CINZAS ME REALIZEI

MINHA TRISTEZA
MANDEI EMBORA
A ALEGRIA VAI FICAR
A VIRADOURO ENTRA PRA HISTÓRIA
TENTANDO A VITÓRIA CONQUISTAR

Ó SENHOR!!!

Viradouro 2022: parceria de Luiz Felipe Soares

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COMPOSITORES: LUIZ FELIPE SOARES, CRISTIAN OLIVEIRA, FRANCO CAVA, LUCIANO ALVES, RODRIGO OLIVEIRA, RUAN PONTES, RODRIGO MAROTO,ROULLIEN MARQUES E ADRIANO LIMA
INTÉRPRETES: PIXULÉ E TUNINHO JÚNIOR

O RIO AMANHECEU SORRINDO
NO HORIZONTE EU VI RAIAR A VIDA
ALVORADA VESTIDA DE CETIM
DESPERTA NO CLARIM VERSOS DE UM PIERROT
O SOL CORTEJA A COLOMBINA,
DO PAÇO À BEIRA MAR, MERGULHO À FANTASIA
DO ALTO DEUS MOMO ANUNCIOU
O LUTO SE ACABOU NO BONDE DA ALEGRIA
AS VENTAROLAS NO CÉU DA OUVIDOR
BEIJAM SERPENTINAS NA CIDADE
MISTURO NO CHÁ DO DISSABOR
A CALIBRINA DA FELICIDADE

BATALHA DE FLORES, PLANTADAS NO OLHAR
CADA LÁGRIMA É UM CONFETE PELO AR }
“SOZINHO” NO BLOCO, EU SOU MULTIDÃO
O CAVEIRINHA PASSA A BOLA PRO CORDÃO

A LUA “EQUILIBRISTA” NOS SALÕES
ILUMINA FOLIÕES, BRILHAM BAILES IMORTAIS
DA LINHA DE FRENTE A LEMBRANÇA
BORDADA PELA MÃO DA ESPERANÇA NA PRAÇA ONZE, ONDE O SAMBA FOI MORAR
TEM BATUQUE NO TERREIRO, REZA FORTE E CAXANGÁ

ATOTÔ MEU ORIXÁ! BALANÇA TEU XAXARÁ
ATOTÔ QUEM BENZE O COURO, TRAZ A PALHA PRA CURAR (BIS)

A BARCA CRUZA O MAR DA POESIA
DERRAMA SUAS RIMAS,
NO CHÃO DA MINHA ESCOLA
FAZENDO DESSA NOITE DE FOLIA
O MAIOR CARNAVAL DA HISTÓRIA

O TEMPO NÃO PARA, A VIDA É TÃO BELA
MESMO IMPERFEITA, ELA SEMPRE TE ESPERA
CHEGA DE SAUDADE, VEM SAMBAR DE NOVO
QUERO VIVER E RENASCER VIRADOURO!

Viradouro 2021: parceria de Cabral

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Compositor: Cabral

O MUNDO NÃO VAI SE ACABAR… UMA LUZ BRILHOU…MAIS UM NOVO DIA
O QUE SERÁ DO CARNAVAL? CORAÇÕES A ESPERA
SÓ A VIRADOURO TEM ESSA
3° ENERGIA CHAMADA ALEGRIA

VEM, VAMOS BRINCAR… EU SOU O PIERROT CONTANDO HISTÓRIAS
DESDE…O BAILE DOS DEMOCRATAS, POR CRÔNICAS E CHARGES
VIVI PERSONAGENS ATÉ A QUARTA-FEIRA SEM FIM… ME DESPEÇO DAS TREVAS
MAS, PELA GRIPE ESPANHOLA, COM O VÍRUS, O POVO AFASTOU…
FAÇO PARTE DESSA NATA E REVELO EM NANQUIM
SAUDOSOS, MAS NÃO ESQUECIDOS FOLIÕES
NA FESTA DA PENHA, INSPIRAÇÃO… COM MÚSICAS LEVES
DE BONDE PASSO PELA BATALHA DAS FLORES… RANCHOS, BLOCOS E CORDÕES
NOS CABARÉS, FIGURAS DA SOCIEDADE, AMORES COM RENDAS E CETIM
JÁ ESTAVA LÁ, A PEQUENA ÁFRICA, TUDO PRA VOCÊ E PRA MIM

VAMOS BRINCAR, COM EMOÇÃO, A MAGIA ESTÁ NO AR
O EXALTADO REI MOMO ANUNCIA… O CARNAVAL É DA REVANCHE…
NÃO HÁ …TRISTEZA NESSE LUGAR

OMULU…CLAMAM AS TIAS CURANDEIRAS
PIPOCAS AO CÉU…CUBRAM OS DOENTES COM SUA PALHA…
BORBOLETAS NEGRAS PEDEM IGUALDADE
CAXANGAS, SUCESSOS…LANÇAS TRIBAIS PEDEM LEGALIZAÇÃO
MÉDICOS FANTASIADOS SÃO APLAUDIDOS DE PÉ…
DO LENÇO NEGRO NOS SOBRADOS, AS CORES…TRAPEROS
QUE O SEU XAXARÁ (ÔÔÔ) AFASTE AS MAZELAS DOS SAMBISTAS
NOSSO BALÃO ATRAVESSA A BAIA… DE BARCA NITERÓI TRAZ A FOLIA
POIS A ALEGRIA ESTÁ DENTRO DE NÓS… ESTÁ ENTRE NÓS
NA MAIS PROFUNDA E “NÃO” SILENCIOSA ALEGRIA

Selminha: ‘Como mulher negra, de origem humilde, encontrei no samba toda projeção que eu não teria se não fosse sambista’

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“Eu nasci com o samba, no samba me criei, do danado do samba nunca me separei”. Com mais de 30 anos de carnaval, os versos se encaixam perfeitamente na vida da carioca Selminha Sorriso, 50 anos, porta-bandeira da Beija-Flor de Nilópolis. Hoje, após vários obstáculos superados e com o passar dos anos, Selma de Mattos Rocha, esbanja alegria, simpatia e encanta por onde desfila. Ela é a personagem do “Lugar de Fala” nesta semana e recebeu o site CARNAVALESCO para o bate-papo. Os primeiros passos da sambista foram conduzidos por dona Jacira de Matos, mãe e grande mentora das escolhas da filha desde pequena, quando ela frequentava a quadra da Unidos de Lucas (1986-1991).

Selminha também passou no Império Serrano (1991-1992), Estácio de Sá (1992-1995) e desde 1996 é a porta-bandeira da Beija-Flor com o mestre-sala Claudinho. A parceria surgiu após um convite de Anísio Abraão David e de Laíla.

“Me encantei, porque eu já tinha esse perfil de dançar, de ser muito vaidosa, estava no sangue. Comecei aos oito anos, depois passei pra ala das passistas, me encantei com a porta-bandeira e disse que era essa função que eu queria exercer”.

A visão clara dos objetivos, a competência e dedicação para comunidade justificam o apoio dos fãs. O talento incomparável de Selminha a consagrou entre uma legião de pessoas que amam a festa e participam intensamente antes, durante e depois dos desfiles.

“Eu sou muito feliz quando eu ganho muitos afilhados, filhos, sou abençoada por ter essa fama de madrinha. Isso já acontece há anos, e o que eu puder fazer para contribuir, seja qual idade for, se precisar eu estarei sempre às ordens”, conta a porta-bandeira, que é mãe do jovem Igor Rocha.

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Mulher, negra, trabalhadora e porta-bandeira. Cada conquista foi alcançada na base da disciplina, estudo e preparo para cumprir com os compromissos pessoais e profissionais, dinâmica essa que ela tira de letra ao acordar cedo, sorrindo. Com todo esse brilho ela leva alegria, ânimo e esperança, mostrando que não resume apenas ao dia do desfile, mas durante um ano inteiro de trabalho, planejamento e organização. Ao ser questionada sobre a importância da cultura na própria vida, Selminha não esconde a paixão.

“O samba deu voz ao povo negro. Nós conseguimos ser ouvidos, de certa maneira ser respeitados. Como mulher negra, de origem humilde, encontrei no samba toda projeção que eu não teria se não fosse sambista. A minha gratidão por essa manifestação popular é muito grande”.

Essa declaração dialoga com a proposta apresentada no livro da autora Djamila Ribeira na qual ela diz: “O lugar social não determina uma consciência discursiva sobre esse lugar. Porém, o lugar que ocupamos socialmente nos faz ter experiências distintas e outras perspectivas”. Ou seja, as sensações e os sentimentos que embalam os sambistas são de fato diferentes, únicas, sendo capazes de contagiar aos que vivenciam de forma intensa. Sobre as oportunidades proporcionadas, Selminha, não esconde as lutas para alcançar e compartilha com orgulho.

“Por ser porta-bandeira e sambista, portas se abriram. O samba é muito agregador. E, ao longo dos anos, com a sua postura, sua maneira de se comportar, de tratar os seus semelhantes, mostrando que você tem competência para exercer determinada função, não abusando dos benefícios que essa tal função te traga, você sempre vai encontrar forças para se posicionar e se manter de pé”.

Ela ainda afirma que os maiores desafios vem da pessoa, e cabe a cada um ter o controle sobre a interferência do próximo na vida pessoal.

“Quando você não permite que te magoem, você não vai se magoar, ninguém te põe pra baixo se você não permitir”

Mesmo com o autocuidado há divergências no cenário social. Os padrões sustentados por status, poder aquisitivo, posição e vaidade, influenciam na escolha de quem pode estar em determinados lugares onde a minoria está presente e o capital fala mais alto. Tal situação ocorre em diversas áreas da vida de uma pessoa e com frequência, devido às desigualdades que só em 2018 atrasou em 20% o progresso do desenvolvimento humano de acordo com o índice da ONU. Nesse quesito a porta-bandeira diz não ter sofrido ou presenciado qualquer tipo de discriminação e desabafa:

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“Uma coisa que eu percebo, em algumas pessoas, e não é só de pessoas brancas para as pessoas negras, são as coisas do ser humano, se você tem um certo papel, ou uma certa condição social, financeira, o preconceito é bem menor. E eu nunca presenciei, graças a Deus, de verdade, algo que fosse me incomodar tanto, mas eu vejo o quanto é diferente, quando você tem projeção social, artística, visibilidade, benefícios. Tem que ser legal, por ser legal, humilde e educado com todos”.

Essa postura vem dos antepassados que, Selminha, não esconde o poder e a interferência até hoje. Ter referências no carnaval pode ser importante para auxiliar na jornada, porém, os mais de 30 anos de carreira, trazem um número incontável de contribuições. Sem falar dos aprendizados adquiridos no Corpo de Bombeiros, na maternidade, como ser humano, que impulsionam o desenvolvimento pessoal formando uma mulher forte, madura, premiada dentro e fora da avenida. Ouvir a voz da experiência é uma escolha que pode render bons frutos aos que escutam com atenção, no mundo do samba também não é diferente, em muitos integrantes das escolas é comum encontrar os famosos “griôs”, pessoas mais velhas que compartilham as experiências da vida com o objetivo de ajudar o próximo.

“A mulher negra continua caminhando, progredindo, prosperando, se mostrando forte, com fibra. Essa mulher dos dias de hoje é muito mais empoderada, decidida, Tem mais voz, imagem. Isso tudo é uma construção ao longo de muitos anos não é de uma hora para outra”

Esse entusiasmo contribui para o autodescobrimento e a verdadeira essência da vida. Quando perguntada sobre ter tido algum caso de abuso ou assédio sexual, Selminha, negou ter sofrido qualquer tipo de violência física, mas relatou um tipo de opressão comum sofrida entre as mulheres: a psicológica.

“Vivi um relacionamento onde eu permiti ficar trancada em uma caixinha e só saia da quando eu recebia essa permissão. Você acaba se permitindo e nem percebe, acho que muitas mulheres já passaram por isso. A gente confunde, amor, proteção, com autoritarismo e excesso de domínio, perdendo algo que seja prazeroso como a liberdade, respeito, carinho”

Novos projetos são almejados, assim como os planos de buscar o aperfeiçoamento, iniciativa básica para quem deseja se lançar em outros mares.

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“Meu projeto é continuar me movimentando em prol do carnaval, compartilhando os meus humildes saberes principalmente para crianças e jovens interessados na nossa cultura, tentando mostrar para o meu filho, que ele pode ter um futuro muito melhor, mediante aos seus esforços. Além de valorizar a minha casa que é o meu castelo, e eu preciso manter esse castelo com trabalho, com amor, união, sempre zelando por todos, então eu sempre vou procurar crescer, nunca vou estacionar, nunca vou me acomodar”, finaliza a porta-bandeira.

Cláudio Vieira: ‘Salve São Sebastião!’

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Já tinha tomado um monte quando a procissão passou. Tião estava confuso com tantas roupas vermelhas e brancas ao seu redor. Tentava se localizar:

– Que ala é essa?

Aproximou-se do andor e gritou com dois beatos que carregavam a imagem do santo nos ombros:

– Cuidado com a alegoria!

Os fiéis olhavam para Tião com um misto de revolta e espanto. Mas o mulato ainda não havia se mancado. Gesticulava, gritava, exigindo mais empenho dos componentes:

– Vamos cantar, minha gente! Vamos cantar!

Era o próprio diretor de harmonia. Puxava as velhas pelo braço:

– Roda aí, minha baiana!

Bronqueava com as filhas de Maria:

– Tem que dizer no pé! No pé! – tirou o apito do bolso: – Sacode a carola! – apontava para os moradores debruçados nas sacadas e comentava com as noviças: – Estamos passando em frente aos jurados…

Um sujeito de terno branco veio tomar satisfações:

– Ponha-se no seu lugar!

Tião soprou o apito, novamente:

– Aqui é o meu lugar! Só não entendi por que a bateria ainda não entrou. Vai lá perguntar ao Louro se tá tudo em cima.

20jan Louro

O sujeito, boquiaberto:

– Perguntar a quem?

Tião deu-lhe um empurrão:

– Ao Louro, pô! Demorou! Demorou!

Enquanto o homem de terno branco correu procurando um louro que nunca tinha visto na irmandade, Tião subiu no andor e ficou olhando lá para a frente:

– Como é que é, Quiiiiinho?! Vai puxar o samba ou não vai? – e ele mesmo resolveu
dar o grito de guerra: – Arrepiiiiiiia, Salgueeeeiro!!!!

(Publicada no Romance Policial, em 1995 – Homenagem ao padroeiro do Rio e ao grande amigo e botafoguense, Lourival de Souza Serra, Mestre Louro, que sempre fazia uma grande festa para celebrar a data)

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Viradouro 2022: parceria de Dominguinhos do Estácio

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Autores: Dominguinhos do Estácio, PC Portugal, Márcio André, Lucas Macedo, Matheus Gaúcho, Lico Monteiro, Mocotó Neves, M. Valença Lepiane, Julio César Rocco e João Perigo.
Intérprete Oficial: Marquinhos Art Samba

Sou eu… O velho Pierrot da alegria
Que pelas mãos do artista ganha vida
Desenhos inspirados em Nanquim
Me lembro bem das cinzas da distante quarta-feira
As páginas tomadas por trincheiras
Que hoje transformo em Carnaval
Vejo que nos traços meus
Um Rei pode ser Deus
E a solidão, só fantasia
O céu mostrou pra mim
A bela dama, rosto de cetim… tanta beleza!
Não há tristeza que não tenha fim

Essa alegria do bloco me chamou
Deixa a vingança do bonde te levar
Ó colombina, sou o seu Pierrot
Nessa revanche o amor esta no ar

Num mar de crepom
Mil fantasias embalavam o cordão
Meu samba é de alma preta
Festa do povo que arrasta a multidão
Pedi com fé, Senhor
A bênção meu palheiro curador
Cheio de esperança, voltei
Não há máscara que impeça que eu sorria
Me abraça… Me beija… na barca da vitória
Ser Viradouro: é outra vez fazer história!

Vem meu amor, me abraçar, chegou o dia
Que saudade desse chão, Ô.. dessa folia
Agradecer a vida e reencontrar meu povo
Nessa avenida, Viradouro!