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Fantasias das escolas de samba seguem para exposição do carnaval do Rio na França

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As escolas de samba do Grupo Especial estão paradas devido à pandemia da Covid-19 e o cancelamento dos desfiles de 2021, mas o carnaval do Rio de Janeiro segue como referência cultural e artística no mundo. Exemplo é a exposição que acontecerá no Centro Nacional do Figurino de Cena, famoso museu de figurinos, na cidade de Moulins, na França.

Nesta quinta-feira, uma tonelada e 600kg de fantasias do carnaval do Rio seguiram em direção ao exterior. A exposição é produzida por Alexis de Vaulx e tem curadoria do carnavalesco e figurinista Alexandre Couto.

A exposição terá duração de seis meses e poderá ser, inclusive, estendida a outras países, dependendo da evolução da pandemia e da vacinação em andamento na Europa.

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Casais de mestre-sala e porta-bandeira das escolas de samba do Grupo Especial participaram de uma cerimônia, na tarde desta quarta-feira, no Fairmont Hotel, em Copacabana. Veja imagens abaixo:

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Ritmo Solidário intensifica apoio aos ritmistas após a confirmação do cancelamento do Carnaval 2021

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Criado em abril de 2020 pelo sambista China, contando com a participação e supervisão dos mestres de bateria, o projeto Ritmo Solidário já distribuiu mais de duas mil cestas básicas para ritmistas cadastrados. No total, já foram cerca de 40 toneladas de alimentos que beneficiaram famílias de integrantes de baterias das 27 agremiações que desfilam na Marquês de Sapucaí.

Neste momento em que há a confirmação por parte da prefeitura de que não há a possibilidade de haver o Carnaval em 2021, diversos profissionais do samba estão impedidos de trabalhar por conta da escassez de shows e eventos devido às restrições impostas pela pandemia do novo coronavírus. Neste sentido, o Ritmo Solidário reforça o apelo por mais doações e se prontifica a continuar a missão de não deixar as centenas de famílias de ritmistas desamparadas.

“Muitos componentes moram em comunidades e estão passando por um momento delicado em suas residências. A intenção é que nós possamos nos unir nessa ação de solidariedade. Após as festas de fim de ano o desemprego aumentou e não se tem mais o auxílio emergencial. Agora a dificuldade é maior, mas a nossa esperança é de que o Prefeito Eduardo Paes e a Riotur, que estão ao nosso lado, possam trazer ações que ajudem os profissionais do carnaval”, explica o sambista China, organizador do projeto.

O Ritmo Solidário conta com o apoio de renomadas personalidades do samba, entre mestres de bateria como Odilon, Marcão, Rodney e Ciça; a porta-bandeira Selminha Sorriso; as rainhas de bateria Viviane Araújo, Aline Riscado, Leila Barros e Gracyanne Barbosa; além dos cantores Dudu Nobre, Elimar Santos e Xande de Pilares; e do apresentador e jornalista da Rede Globo Escobar.

“Olá meus amigos queridos, a ação do Ritmo Solidário não parou, a pandemia não passou, temos que continuar nos ajudando, em breve estaremos juntos. O Ritmo Solidário está arrecadando mantimentos para os ritmistas das escolas de samba, é muito fácil doar, só dar uma passadinha no Sambódromo, Setor 10. Juntos somos mais fortes” pede Selminha Sorriso.

Ao longo do ano de 2020, foram realizadas algumas ações para captar recursos para a continuação do projeto. Entre elas, o leilão de peles usadas em instrumentos das baterias do Grupo Especial e Série A, assinadas por cada respectivo mestre, além de apresentações virtuais com intérpretes e mestres de bateria de escolas de samba do Especial e da Série A. Neste momento, há também a rifa de uma camisa autografada por jogadores do atual elenco de futebol profissional do Clube de Regatas Flamengo.

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As doações podem ser realizadas no Setor 10 na Sapucaí, entrada pela Avenida Salvador de Sá, de segunda a sexta, das 10h às 17h. O espaço foi cedido pela Riotur para que o projeto pudesse receber e armazenar os alimentos, além de realizar a montagem e distribuição dos mantimentos seguindo um protocolo de higiene, mantendo o distanciamento e a segurança de todos. Também é possível ajudar sem sair de casa através do site de doações, “vakinha”, no endereço www.vakinha.com.br/vaquinha/ritmo-solidario-jose-roberto-monteiro-bitar.

Priscilla Mota e Rodrigo Negri lançam Workshop online sobre realização de comissão de frente

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Priscilla Mota e Rodrigo Negri, dois nomes de referência do quesito de comissão de frente, dividirão suas experiências na realização de seus trabalhos artísticos no carnaval no Workshop “Qual é o Segredo?”. No encontro dividido em dois módulos, o casal de coreógrafos, bailarinos e produtores abordarão temas essenciais na construção de um projeto de excelência para as escolas de samba.

Com 12 anos de dedicação ao segmento, Priscilla e Rodrigo conquistaram mais de 40 prêmios de carnaval e 4 títulos. Com sólida contribuição à história dos desfiles das escolas de samba, foram responsáveis por um momento de transformação na folia ao realizarem a comissão de frente do desfile “É Segredo!”, da Unidos da Tijuca, em 2010. Após mais de 10 anos do marco, conseguiram se reinventar e adaptar aos enredos e às propostas das escolas que defenderam, aprimorando suas competências de dança e de gestão. No Workshop, dividirão os segredos por detrás do sucesso de público, crítica e júri dos seus trabalhos.

O Workshop ocorrerá na simbólica data do dia em que seria o Sábados das Campeãs de 2021, 20 de fevereiro, e será dividido em dois módulos: concepção e realização. No primeiro momento, Rodrigo Negri será responsável por falar de temáticas como gatilhos criativos, referências e definição de ideias, movimentação corporal e todos os assuntos sobre a criação artística de uma comissão de frente. Após pausa para almoço, Priscila Motta assumirá a conduta do Workshop, dividindo as experiências e lições do casal acerca da produção de seus trabalhos, a fim de orientar os profissionais no que tangencia a gestão de equipe, os desafios orçamentários impostos pelo universo do carnaval e a logística do evento.

O encontro é uma realização da produtora Art+, com colaboração da KBMK Empreendimentos Culturais, produtora historicamente parceira de Priscilla e Rodrigo nos projetos de carnaval, do Carnavalize, projeto multiplataforma que se dedica todo o ano às escolas de samba, e da Hologran, empresa de marketing e publicidade que traz um conceito inovador de sinalização digital. A mediação do evento online, via plataforma Zoom, será dividida por Tenara Gabriela, da KBMK, e Felipe Tinoco, do Carnavalize.

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Serviço:
Qual é o Segredo? – Workshop de Criação e Realização de um projeto de Sucesso.
20/02/2021, das 11 às 16 horas, com uma hora de intervalo para almoço.
Realizado via plataforma Zoom.
Link para compra: https://www.sympla.com.br/qual-e-o-segredo—workshop-de-criacao-e-realizacao-de-um-projeto-de-sucesso__1113974

Cantora Pipa Brasey lança EP Forte e Ascendente nas Principais plataformas digitais

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A cantora Pipa Brasey, Madrinha do carro de som da Portela, lançará dia 29 de janeiro, nas principais plataformas digitais seu EP Forte e Ascendente. Ele vem recheado
com três novos singles: Forte e Ascendente, Pode Chorar e a Releitura da Música Sangrando.

Forte e Ascendente e Pode Chorar são de autoria da Cantora e Sangrando é uma releitura da consagrada composição de um dos maiores poetas, Gonzaguinha.

Como sempre, Pipa Brasey participou ativamente de todo o processo de gravação. Sobre isso ela adianta: “São músicas para sentir e se entregar. Essas levadas são demais, porque além da essência ser romântica, traz também elementos pulsativos de pura paixão. Ela vai ao encontro de muitas histórias de amor”.

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Faça agora o pre-save no seu aplicativo de música preferido e seja o primeiro a ouvir:
https://distrokid.com/hyperfollow/pipabrasey/forte-e-ascendente

E pra você que também gosta de uma EXCLUSIVIDADE, o clipe estreia no YouTube Brasil algumas horas antes de entrar em todas as plataformas digitais, dia (28), às 19h: https://www.youtube.com/channel/UCUc2FmBEtxVrJW4J0Fzp1vQ (ative o lembrete e se inscreva no canal).

Ouça o samba-enredo da Colorado do Brás na voz de Chitão Martins

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A Colorado do Brás divulgou seu samba-enredo para o próximo carnaval na voz do intérprete Chitão Martins. “Carolina — A Cinderela Negra do Canindé” é o enredo, que será desenvolvido pelo carnavalesco André Machado. Os compositores são Thiago Sukata, Turko, Rafa Do Cavaco, Claudio Mattos, Maradona, Valêncio, Luan e Thiago Meiners.

SALVE O POVO DA RUA
ABRE CAMINHOS, MINHA HISTÓRIA VOU CONTAR
SOU EU, CAROLINA DE JESUS
A VOZ DA PELE PRETA A ECOAR
BITITA! VOA LIVRE FEITO BORBOLETA
NO QUILOMBO DE FORÇA E CORAGEM
HÁ FOME DE ESPERANÇA E IGUALDADE
MENINA! POEMA DE ASFALTO À LUZ DO LUAR
EM CASA DE MADAME PRA GANHAR O PÃO
SONHOS ESCRITOS NÃO FORAM EM VÃO

LÁ VOU EU PRA BATALHA, NÃO TINHA O QUE COMER
FIZ VERSO E POESIA RETRATANDO MEU VIVER
QUANDO CHEGUEI A SÃO PAULO SEM RUMO, NEM RENDA
FALEI DE JUSTIÇA PRA QUE O MUNDO ENTENDA

EXTRA! A NEGRA ENRIQUECEU
SOU EU… A MÃE PRETA RESISTÊNCIA
BORDANDO EM MEU QUARTO SENTIMENTOS
MAZELA QUE REFLETE A CONSCIÊNCIA
NAS FOLHAS DE CADERNO A VERDADE SE TRADUZ
EM MEU SOBRENOME UMA PRECE… JESUS
SER A CINDERELA… DO MEU CANINDÉ
A FLOR MAIS BELA… QUEM É QUE NÃO QUER?!
VENCER…O PRECONCEITO…LUTAR…É NOSSO DIREITO
NÃO DUVIDE DA BRAVURA DA MULHER

SAMBA DA FAVELA… NEGA BATUCADA
A COLORADO É A VOZ DA EMOÇÃO
UM GRITO DE CORAGEM PRA CANTAR O AMOR
RESPEITA A MINHA COR

Série ‘Navegando nas histórias dos carnavais’: o polêmico ‘Cama, Mesa e Banho de Gato’, da Unidos da Tijuca

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O polêmico enredo da escola de samba do Morro do Borel é uma mistura de irreverência, machismo, catarse e até inocência. A Unidos da Tijuca no seu primeiro carnaval após a redemocratização parece ter incorporado os ventos de liberdade que que sopravam pelo país a fora e levou para Marquês de Sapucaí um carnaval que parecia ser um grito geral de tudo é permitido.

Antes de tudo temos que contextualizar o momento da época. Após 21 anos de ditadura e repressão muitas escolas (merecidamente ou não) incorporaram o “a moral e os bons costumes” implementadas pelo período militar. Muitas se tornaram adesistas ao sistema e cantaram pela passarela a fora enredos chamados oficiais como: Educação para o desenvolvimento (1973), Brasil ano 2000 (1974) e o pesadíssimo O Grande Decênio (1975); todos protagonizados pela Beija-Flor. E outros nem tão adesistas, mas claramente incorporando componentes pouco carnavalescos como: De Nonô a JK (1981) e Os modernos Bandeirantes (1971) trazidos pela Mangueira.

Quebrando um elo da corrente oficial as escolas de samba, que nada mais são reflexo da sociedade e suas transformações, o ano de 1986 desceu na Sapucaí de uma forma mais leve enredos que já não tratavam de exaltar feitos de heróis de ocasião e plataformas governamentais. Enredos como “Caymmi Mostra ao Mundo o que a Bahia e a Mangueira Tem”, “Assombrações” União da Ilha e até questionamentos como “Brazil, não seremos Jamais ou Seremos? ” Da Caprichosos de Pilares.

É dentro desse contexto que a Unidos da Tijuca se apresenta com “Cama, Mesa e Banho de Gato”, do carnavalesco Wany Araújo. O início do samba a escola já mostra a que veio e diz: “o homem orgulhoso como o quê, não se sente feliz com a sua matriz (não, não, não) monta uma filial, mostra os pecados capitais no carnaval”. E realmente mostrou. Os componentes da escola mais aproveitando o tema jocoso trazido pela escola parecem desfilar em um grande bloco de carnaval de rua. Passistas soltos sambavam, pulavam, se abraçavam em clima de tudo é permitido. A comissão de frente trazia componentes fantasiados de gatos, dando uma impressão singular de uma fábula inocente, quase infantil, mas na verdade a história era outra, bem mais polêmica, politicamente incorreta e de vertente controversa olhando aos dias de hoje.

Lançando os olhos sobre o que foi a Tijuca 1986 o samba segue na sua toada de ser um elemento crucial para o que realmente expõe o pensamento comum de uma sociedade que ali na passarela não se esconde atrás de falsas dialéticas. A Tijuca veio como franca atiradora de uma escola que até ali não parecia se importar muito não estar inserida no grupo das grandes, talvez isso tenha ajudado no relaxamento de mostrar um enredo que não se preocupava em esconder isso ou aquilo que poderia ou não chocar o júri.

Com uma sinceridade própria o samba diz em outro trecho: “A hora é essa vamos e admitir, uma só mulher é pouco, deixa o homem no sufoco com muitas que andam por aí. O Arroz com feijão lá de casa é bom, mas o cozido da vizinha é melhor (é melhor)”.

Pronto, está aí a mensagem do enredo e pouco importava o que os outros iam dizer. A Tijuca faz uma grande convocação, em rede nacional, o que grande parte daquela sociedade reprimida pensava lá no fundo, mas sem expor, e esboçando aquele sorrido constrangido de canto de boca no expectador que estava assistindo em casa com a família, até as gargalhadas nas mesas de botequins, onde sempre foi visto como um local de homens e machista, até então. Essa é a graça do Carnaval, essa é a conexão que as escolas de samba tinham com a sociedade em plena era de ouro do samba-enredo.

Passados 35 anos desse desfile a gente pensa no como ele seria recebido hoje pela sociedade? Que escola hoje se propõe a abrir uma discussão dessas na avenida? Não faço aqui juízo de valor sobre a qualidade da obra e o gosto sobre o tema e da forma como foi abordado, o papel aqui é abrir luz a história do carnaval e suas peculiaridades.

Era outra sociedade, havia uma inocência de esperança, liberdade, e eu acho que nada mais carnavalesco que essa abordagem, esse tema. Goste ou não a Tijuca fez sua cama, mesa, banho de gato, passou brincando, teve problemas pagou o preço e foi rebaixada. Seria esse um recado do júri ao tema? Talvez, mas o recado estava dado e a escola deu uma grande banana para o resultadismo mostrando seu desfile dionisíaco e sem amarras. Isso é Carnaval!

Letra do samba Unidos da Tijuca em 1986

O homem orgulhoso como quê
Não se sente feliz com a sua matriz
Montou uma filial
Mostra os pecados capitais no carnaval
A hora é essa e vamos admitir
Uma só mulher é pouco
Deixa o homem no sufoco
Com tantas que andam por aí
O arroz com feijão
Lá de casa é bom
Mas o cozido da vizinha é melhor
Dizem que eu sou machista
Com pinta de egoísta
Polígamo conquistador
Mas isso vem do tempo do vovô
Lá vai o trouxa
Crente que está numa boa
Mas não sabe que a patroa
Está com o Ricardão
E sua filha tem fama de sapatão

Tem piranha no almoço
Tem virado no jantar
Pra quem tem fome
Qualquer prato é caviar

Vida, palco desses acontecimentos
Desfilando pelo tempo
Hoje eu quero me banhar
No prazer mais prolongado
Que o banho de gato dá
Gingam cabrochas e ritmistas
Passistas e vigaristas
Artistas de revista e TV
Que não se importam
Com o que vocês vão dizer

Bota o prato na mesa
Tudo que vier eu traço
Prepare a cama
Que hoje tem banho da gato

Cláudio Vieira: ‘E o sorriso virou enredo’

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O carnavalesco Mauro Quintaes contava como nasceu a ideia do enredo “A Viradouro é Só Sorriso”, levado para a Avenida em 2005.

Dominguinhos do Estácio se consultava com a dentista Marisa Maline. Enquanto esperavam a anestesia fazer efeito, trocavam opiniões sobre a importância de um sorriso. Daí surgiu a ideia de se criar um enredo, aprovada pelo presidente José Carlos Monassa, que pediu a Quintaes para desenvolver o tema.

Ao contrário do que se imagina, não se foi um enredo patrocinado. A Viradouro firmou convênio com a Associação Brasileira de Odontologia, que se comprometeu a tratar dos dentes de mais de 400 componentes da Escola, entre ritmistas, baianas e pessoal do barracão.

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Sabe-se que, ao menos, 90 dentistas desfilaram – 80 na Ala Capitão Sorriso e dez como figurantes de uma encenação na sexta alegoria, onde dentistas enfrentaram os germes que provocam as cáries.

Detalhe: a Fundação Pedro Leon Bessil, mantida pelo presidente Monassa, já desenvolvia um trabalho de prevenção à cárie, tratando dos dentes de cinco mil crianças carentes do Barreto e adjacências.

Obra de arte! ‘Bandeira Brasileira’, criada por Leandro Vieira, ocupa salão monumental do Museu de Arte Moderna do Rio

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A “Bandeira Brasileira”, criada pelo carnavalesco Leandro Vieira, para o desfile campeão da Estação Primeira de Mangueira em 2019 está a partir de hoje no salão monumental do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio). O artista comentou ter sua obra exposta no MAM.

Após quase seis meses de portas fechadas, o MAM Rio foi reaberto com várias novidades: cuidadoso protocolo de segurança, novas exposições, novos horários e nova forma de interagir com o museu – sem cobrança obrigatória de ingresso.

De acordo com os melhores procedimentos adotados em outros museus, durante esta primeira fase da reabertura, o MAM Rio passa a funcionar em horário reduzido, aberto ao público de quinta a domingo. Nas quintas e sextas, a partir das 13h, e aos sábados e domingos, a partir das 10h. Por outro lado, passou a fechar uma hora mais tarde, às 18h, ampliando o acesso para quem trabalha no Centro.

O MAM Rio fica na Av. Infante Dom Henrique, 85, no Parque do Flamengo.

Artigo: ‘Diálogos que o samba estabelece com a cidade’

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Milton Cunha: “O texto confessional de Vicente nos leva ao encontro de uma visão pessoal sobre os diálogos que o samba estabelece com a cidade. A partir de um memorial o autor nos leva a seu olhar sobre as possibilidades da escola de samba e suas aplicações no dia a dia do em torno das quadras e barracões. Esses textos reunidos mostram um painel de interesses e preocupações vontades dos autores. Uns mais acadêmicos, outros mais emocionados e pessoais, mas todos reunidos sob um guarda-chuva: O amor pelo samba e a vontade de expressar a opinião sobre ele”.

Me chamo Vicente de Souza Azevedo Lima. Sou professor de Artes Visuais, formado pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pós graduado em Figurino e Carnaval pela Universidade Veiga de Almeida. Atuo junto aos Ensinos Fundamental I e II e Ensino Médio nas Redes Públicas Municipais do Rio de Janeiro e Cabo Frio. No Rio de Janeiro, leciono no bairro de Santa Cruz na Zona Oeste da cidade. O bairro mais distante do centro, refém da brincadeira jocosa: lugar aonde até o trem chega cansado.

A distância física quase sempre perfura, marca a alma e o destino de tantos alunos promissores que pelas minhas mãos e olhar passam todos os anos. Há tempos sou refém de uma inquietude que já me trouxe problemas.

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Acredito na escola como um par de asas e adoraria poder permitir que os meus alunos provassem a sensação do voo livre, lépido, fagueiro, sem amarras, sem gaiolas, sem limites, sem a sina que a distância física, sempre ela, impõe.

Em lugares onde a distância física é presente, é latente a ausência do poder público. A precariedade nos serviços ofertados, as oportunidades cada vez mais remotas, a escassez de horizontes, servem como premissa para que líderes religiosos de fala mansa e índole duvidosa, como o prefeito que nos jogou no abismo recentemente, se estabeleçam como fonte de saber quase sempre distorcido e inoportuno. Bem como, pavimentam a estrada para que poderes paralelos se enraízem, tornando essas áreas, reféns de sua ação nefasta, que involuntariamente impõe destinos e jornadas.

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Vivemos nos últimos quatro anos a demonização do carnaval. O discurso raivoso e maciço inúmeras vezes veiculado pelo ex alcaide Marcelo Crivella, implantou em uma parcela significativa da população, resistência a uma festa que nos exibe para o mundo e que tantas divisas e desdobramentos é capaz de nos trazer.

Se há distorções na distribuição de verbas que fomentam a festa, que se corrija como clama a massa. O que não pode ocorrer, é a marginalização de uma festa que é fonte de sustento para inúmeros trabalhadores que ajudam a lhe dar voz, brilho e alma ano após ano.

Festa capaz de revelar talentos, modificar destinos, oferecer oportunidades de trabalho e formação profissional. Festa que pode recrutar de maneira produtiva e assertiva inúmeros meninos e meninas que por morarem em áreas carentes, distantes, sucumbem ao cansaço da procura, seduzidos pela facilidade do tráfico, pela letargia imposta por entorpecentes, pelo ganho imediato do furto que por vezes lhes rouba a própria vida.

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Infelizmente, ao longo desses anos de magistério, vi muitos talentos natos desperdiçados pela falta de oportunidades. Certa vez, em uma das minhas aulas nos dias que antecedem a folia momesca, em um bate papo informal com os alunos sobre o carnaval, os blocos, as escolas de samba, seus sambas, seus enredos, recebi com profunda tristeza o total desprezo dos alunos de Santa Cruz, pela agremiação que defende bravamente seu bairro todos os anos. Alguns dos alunos, sequer sabiam da sua própria existência.

Pouco antes da pandemia que se estabeleceu e nos assolou a todos em março de 2020, pensei na possibilidade de uma espécie de intercâmbio entre à agremiação Acadêmicos de Santa Cruz e as escolas públicas do entorno, garantindo a sua sobrevida como instituição cultural relevante no cenário carioca, a fim de corrigir de uma vez por todas tamanha distorção.

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Uma festa como o carnaval, necessita urgentemente que as suas raízes sejam preservadas e celebradas. Todas as agremiações carnavalescas precisam estar em plena sintonia com seu povo de origem, cintilando em suas localidades como um Doce Refúgio, parafraseando a canção do Grupo Fundo de Quintal.

Se o samba nos descreve, ele precisa recuperar seu espaço no coração das comunidades em consonância com o funk também oriundo do seu dia a dia. O avanço de um ritmo necessariamente não inviabiliza o outro.

Uma agremiação carnavalesca como a Acadêmicos de Santa Cruz com seus 61 anos de história, não pode ser ignorada por seus pares, jamais. Escola que brigou desde o seu primeiro dia para manter-se de pé, pois era tida como a escola de samba representante da Zona Rural do Rio de Janeiro. Fato este que se traduzia em preconceito por grande parte da mídia e de sambistas de outras escolas. Ainda assim, em seu quarto ano de desfiles no Rio de Janeiro, já figurava entre as grandes do carnaval carioca. Feito que se repetiria por mais oito (08) vezes.

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O Rio tal qual o samba, agoniza, mas não morre.

Em um cenário pós pandemia, não é possível soerguer a economia, ignorando Momo por mais quatro (04) anos.

Sigamos todos Jackson do Pandeiro em seu chamamento universal: A Ordem é Samba. Talentos uni-vos, já não há mais distâncias.

Voemos todos “malandramente” rumo à avenida mais charmosa do Brasil. Afinal, como decretou em 1993 a Rosa que floresceu como maior campeã desta avenida:

Marquês que é Marquês
Do Sassarico é Freguês!!!

Cláudio Vieira: ‘Momento de inspiração’

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A Mocidade Independente atravessava um momento difícil, sem poder contar com o apoio da família Andrade, e, ao mesmo tempo, precisava fazer bonito no desfile.

O carnavalesco Renato Lage foi convidado a almoçar com o presidente José Roberto Tenório para trocar ideias sobre o enredo, que ainda não tinha nome, mas objetivava resgatar a autoestima dos componentes.

De um lado, Renato vibrava com as suas propostas; do outro, Tenório não parava de se lamentar sobre os obstáculos enfrentados por sua administração – e o pior deles, sem dúvida, era a falta de dinheiro.

O carnavalesco pediu licença para ir ao banheiro e o presidente foi atrás, chorando mais dificuldades. Lá dentro, com os ouvidos transbordando de lamúrias, Renato desabafou:

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– Padre Miguel, olhai por nós!

Zé Roberto vibrou, eufórico:

-É isso aí! É o nome do enredo!

E foi mesmo. Carnaval de 1995, quarto lugar.