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Excelência em cada quesito: minidesfile impecável da Unidos de Padre Miguel

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Fotos: S1 Comunicação

De volta à Série Ouro após o contestado rebaixamento em 2025, a Unidos de Padre Miguel mostrou mais uma vez o nível de apresentação que alcançou. Uma escola redonda em todos os quesitos: comissão de frente com boa coreografia e ótima execução, casal experiente e entrosado, ótimo samba, organização e uma comunidade vibrante, resultando em um excelente minidesfile, sem pontos falhos. O enredo da escola da Zona Oeste para o próximo Carnaval é “Kunhã-Eté: O Sopro Sagrado da Jurema”.

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A comissão de frente, coreografada por Paulo Pinna, trouxe os componentes vestidos com roupas em diferentes tons de vermelho, numa coreografia visceral e com excelente sincronia. Uma dança de temática indígena, com nível de dificuldade extremamente bem executado. O casal Marcinho e Cris Caldas exibiu o entrosamento de anos de parceria, com uma apresentação bonita. Cris tem giros muito graciosos, combinando com o bailado gingado de Marcinho.

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A comunidade de Padre Miguel pisou forte para mostrar que o rebaixamento do Grupo Especial não diminui a excelência da escola nos últimos dez anos. O que se viu foi um chão pulsante durante toda a apresentação da vermelho e branco, com todas as alas cantando muito o ótimo samba da agremiação. O canto não apresentou quedas, com sustentação do início ao fim. A qualidade do samba ajudou nesse canto explosivo, com grande construção melódica e letra inspirada, e uma interpretação firme de Bruno Ribas em conjunto com seus apoios. A evolução dos componentes seguiu o ritmo quente do canto, com alas avançando brincando e pisando com muita energia. Mestre Laion, em seu primeiro ano na Unidos de Padre Miguel, já imprimiu sua marca na bateria, com bossas ousadas e coreografias entre os ritmistas.

Porto da Pedra mostra vigor, sincronia e samba em grande noite de Wantuir

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A Porto da Pedra fez um minidesfile enérgico na Cidade do Samba, com uma comunidade que se entregou ao enredo sobre as prostitutas e cantou muito forte. A agremiação contou também com Wantuir inspirado e um bom desempenho de seu casal para realizar uma ótima apresentação. O enredo da vermelho e branco é “Das mais antigas da vida, o doce e amargo beijo da noite”.

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Fotos: S1 Comunicação

Aline Kelly trouxe uma comissão bem-humorada, com homens e mulheres representando prostitutas, uma pomba-gira permeando a coreografia e um homem deitado em uma cama sendo seduzido. O momento do tripé acabou não concatenando tão bem com a coreografia dançada, que fluiu melhor. Rodrigo França e Joyce Santos realizaram uma bela apresentação; Joyce encaixou uma série de giros com muita energia e precisão. Rodrigo exibiu seu bailado extremamente ágil e bonito; ambos apresentaram uma ótima sincronia.

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A escola de São Gonçalo cantou forte em sua passagem, com destaque para os dois refrães e o trecho “uma puta mulher, que sabe o que quer”, mas todo o samba foi entoado pelos componentes, que mostraram muita garra. A obra teve bom rendimento com um belo desempenho de Wantuir, em grande noite. A bateria de mestre Pablo veio com sua tradicional pegada, contribuindo para um bom desempenho do samba. A Porto da Pedra evoluiu com qualidade e organização, ao mesmo tempo em que avançava pela pista com muito entusiasmo, tomando todo o espaço para si.

Mestre Dennys detalha trabalho da ‘Chapa Quente’ para 2026 e comemora samba da MUM: ‘De zero a dez, é nota onze’

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Estrear no Grupo Especial é sempre um momento único para uma escola de samba. Não é diferente para a Mocidade Unida da Mooca, que debutará no pelotão de elite do carnaval paulistano em 2026. Para cumprir as expectativas depositadas na agremiação da Zona Leste, a instituição já está a mil por hora nos preparativos – e a “Chapa Quente”, bateria comandada por mestre Dennys, está inclusa em tal planejamento. Na apresentação oficial do samba-enredo de “Géledés- Agbara Obinrin”, mestre Dennys conversou com o CARNAVALESCO sobre o planejamento feito para os ritmistas da MUM – e, também, falou sobre a canção apresentada pela Mocidade Unida da Mooca.

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Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Objetivo traçado

Sem meias palavras, mestre Dennys destacou a meta da MUM para 2026: “Nesse ano, a gente tem um grande desafio: permanecer no Grupo Especial – e vai dar tudo certo, se Deus quiser. Assim que acabou a apuração, nós comemoramos, claro. Mas eu e o presidente Rafael Falanga (a quem tenho que agradecer muito, porque ele sempre acredita no projeto musical e no projeto artístico) já pedimos celeridade. Ele correu atrás do enredo e já pediu para irmos em cima do samba para a gente ganhar tempo e ensaiar”, destacou, aproveitando para elogiar o mandatário da Mocidade Unida da Mooca.

Um período de 2025, em especial, foi importante para recarregar as energias: “É o meu quinto ano, estou indo para meu quinto carnaval na MUM e esse foi o ano em que nós quase não paramos. Paramos na quaresma e, depois, nós não paramos. Ele já tinha o enredo na quaresma, respeitamos o período e, no primeiro dia pós-quaresma, a gente já começou a construir o projeto”, relembrou Dennys.

Samba-enredo elogiado

Perguntado sobre o que achava do samba-enredo da MUM para 2026, Dennys mostrou empolgação: “De um a dez, esse samba é onze. Nesse ano, o nosso desafio e o desafio dos compositores era conseguir colocar o protagonismo feminino na canção. Esse samba é de um protagonismo feminino que fala muito das minhas raízes. Me emociona muito, por isso que eu falo que é um samba onze”, comemorou.

Pouco depois, ele destacou o quanto é acostumado com a força feminina desde o berço: “Ele fala da minha avó, ele fala da minha mãe que trabalhava em três empregos e, se hoje eu estou aqui, é por causa dela. Toda vez que começam os trechos ‘A voz que espalha o bem/Ninguém solta a mão de ninguém’ e ‘Vem ser mais uma mulher’, você está falando das minhas ancestrais. Me emociona muito. Eles foram muito felizes na melodia, nas divisões melódicas. Eu tenho certeza que a comunidade vai gritar esse samba”, prometeu.

Agradecendo aos poetas da MUM, mestre Dennys aproveitou para falar um pouco sobre o cronograma da Chapa Quente: “Quero agradecer a todos os compositores, que viraram nossos amigos. A gente passou um mês fazendo mais de oito encontros e foi legal a construção do samba. Eu e os diretores de bateria já fomos aproveitando para fazer os desenhos dos naipes, a introdução…”, revelou.

Intérprete mais longevo do Brasil, Ernesto Teixeira exalta equipe, samba-enredo e baluartes

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Desde 1985, uma voz tornou-se conhecida no carnaval paulistano. Quando os Gaviões da Fiel ainda eram um bloco, Ernesto Teixeira assumiu o microfone principal da instituição e, desde então, fez história na folia da cidade de São Paulo. Acompanhou a transformação da instituição em escola de samba, acompanhou os quatro títulos de Grupo Especial da Torcida Que Samba, os três rebaixamentos e os três canecos do Grupo de Acesso I – além, é claro, de inúmeros momentos especiais. Em 2025, mais um desses instantes eternos aconteceu por conta do desfile que tinha como enredo “Irin Ajó Emi Ojisé – A Viagem do Espírito Mensageiro”, que sagrou-se terceiro colocado no Grupo Especial. A Voz da Fiel, como Ernesto Teixeira é conhecido, conquistou o Estrela do Carnaval, premiação organizada e entregue pelo CARNAVALESCO, na categoria Melhor Intérprete. A reportagem conversou com o cantor sobre uma série de assuntos.

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História na passarela

Um dos grandes fatos acerca do carnaval paulistano de 2025 envolvia os Gaviões da Fiel. Pela primeira vez na história, a instituição teria um enredo afro. Por conta da temática tão especial, muitos se perguntaram como a apresentação seria e o rendimento da Torcida Que Samba nos quesitos. Além da terceira colocação na apuração (melhor colocação da instituição desde o último título da alvinegra, em 2003), a escola foi a que mais premiações teve no Estrela do Carnaval – além de Melhor Intérprete, também foram conquistados os prêmios de Melhor Conjunto de Fantasias e Melhor Ala das Baianas. A resposta aos questionamentos, como ficou evidente, veio na pista.

Ernesto, por sinal, destacou que a preparação realizada ao longo de todo o ciclo carnavalesco foi fundamental para que o desempenho dele próprio e da canção fosse tão alto: “O enredo afro, o primeiro da história dos Gaviões, não trouxe nenhuma dificuldade para mim enquanto intérprete. Eu sou muito familiarizado com o tema, eu gosto muito de tudo que fala das coisas da África, tudo que tem um batuque mais acentuado. Não tenho dificuldade em relação às palavras em iorubá, também. Muita gente falou que o samba era difícil durante o processo dos ensaios. Mas, para mim, não tem samba difícil. A questão é você se dedicar um pouquinho, decorar o samba e ensaiar. Toda música tem necessidade de ser estudada. Esse tema afro coincidiu com o fato do samba ser um bom samba, isso ajuda bastante. Eu tive um prazer ainda maior ainda em cantar essa obra. Você canta com mais desenvoltura. Acho que foi tudo isso que acabou levando a essa premiação”, pontuou.

Lembrança de baluartes

Completando 40 anos à frente do microfone principal dos Gaviões da Fiel, Ernesto Teixeira tem mais um recorde para chamar de seu. Após a aposentadoria de Neguinho da Beija-Flor da agremiação nilopolitana, ele passou a ser o intérprete mais longevo em uma escola de samba no eixo Rio de Janeiro-São Paulo.

Antes de comentar sobre si próprio, ele fez questão de falar sobre outros dois grandes nomes da folia carioca: “Ser o mais longevo intérprete nesse eixo é um detalhe interessante. A gente tem que, primeiramente, parabenizar o Neguinho por toda a trajetória. São 74 anos de idade e 50 anos de carnaval. Uma história, com certeza, cheia de adversidades e, também, de grandes glórias. A gente tem que lembrar do Jamelão, também: outro grande artista que cantou por muitos anos na Mangueira. Só deixou o microfone com 94 anos de idade”, homenageou.

Ele ainda aproveitou para dar um pitaco sobre Luiz Antônio Feliciano Neguinho da Beija-Flor Marcondes: “Eu não acredito que o Neguinho vai parar! Embora eu esteja vendo muita coisa dele ir para a Europa, abrindo uma Beija-Flor em Portugal. Estou vendo que ele tem um grande trabalho comercial para o futuro”, disse.

Sobre si próprio

Ao falar da própria caminhada nos Gaviões, Ernesto, novamente relembrou Neguinho da Beija-Flor e Jamelão, mas destacou o quanto se preparou para chegar tão longe: “A gente vem nessa linhagem, e eu vinculado a minha Gaviões desde sempre, desde quando eu cheguei lá na entidade, com 13 anos de idade. Dois ou três anos depois já estava na bateria, já estava na ala musical. E, desde quando assumi o microfone principal, em 1985, procurei me aperfeiçoar, estudar um pouquinho, aprender alguma coisa e me espelhar nesses grandes nomes que a gente falou aqui – e, também, de tantos outros que passaram pelo samba. O samba-enredo é uma arte a parte dentro do gênero samba e dentro da nossa cultura. Deus quis que a gente chegasse até aqui”, agradeceu.

Equipe marcante

Para encerrar a entrevista, sempre falando de positividade (palavra que o intérprete tem como um mantra), Ernesto Teixeira fez questão de citar todo o carro de som da “Torcida Que Samba” – chegando a colocar todos os integrantes em patamar de igualdade a ele: “Estou muito lisonjeado pela premiação, mas eu quero estendê-la a toda a ala musical dos Gaviões. Todo o trabalho que foi feito durante todo o ano teve a direção do Rafa do Cavaco, do maestro Valdir dos Santos, Dodô no Cavaquinho, Beba no Cavaquinho e o Pirata no violão sete cordas. Nas vozes, tem o Luciano Costa, o João 10, tem a Fernanda Borges, tem a Fernanda Souza e a Zanza Simião. Esse é o time da Gaviões que, na verdade, foi premiado em meu nome, mas eu estendo a todo o trabalho da ala”, finalizou.

Liesa define a ordem de desfiles das escolas de samba mirins para o Rio Carnaval 2026

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As escolas de samba mirins já têm data e posição para desfilar no Rio Carnaval 2026. Em sorteio realizado nesta quinta-feira, na sede da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIESA), os dirigentes das agremiações conheceram os detalhes do novo formato, que contará com a divisão em mais dias. Agora, além da sexta-feira, 20 de fevereiro, véspera do Sábado das Campeãs, haverá desfiles na abertura dos ensaios técnicos dos dias 31 de janeiro, 1º e 8 de fevereiro.

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Foto: Divulgação/Liesa

“As escolas mirins são a base do nosso Carnaval. É aqui que nascem futuros ritmistas, passistas, intérpretes, casais de mestre-sala e porta-bandeira e tantos outros componentes”, ressaltou a diretora cultural da Liesa, Evelyn Bastos.

Confira a ordem dos desfiles das escolas de samba mirins:

SÁBADO – 31 DE JANEIRO
Início: 18h
1- Miúda da Cabuçu
2- Inocentes da Caprichosos
3- Império do Futuro

DOMINGO – 1º DE FEVEREIRO
Início: 17h30
1- Golfinhos do Rio de Janeiro
2- Ainda Existem Crianças na Vila Kennedy
3- Petizes da Penha

DOMINGO – 8 DE FEVEREIRO
Início: 18h

1- Corações Unidos do CIEP
2- Nova Geração da Estácio de Sá

SEXTA-FEIRA – 20 DE FEVEREIRO
Início: 17h

1- Infantes do Lins
2- Herdeiros da Vila
3- Pimpolhos da Grande Rio
4- Tijuquinha do Borel
5- Estrelinha da Mocidade
6- Mangueira do Amanhã
7- Aprendizes do Salgueiro
8- Sonho do Beija-Flor
9- Filhos da Águia
10- Crias Imperatriz
11- Netinhos do Tuiuti
12- Virando Esperança

Ilha confirma vigor no chão e apresenta minidesfile de energia e entrega

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Fotos: S1 Comunicação

Já na reta final da noite de minidesfiles, a União da Ilha entrou com empolgação na pista. A escola mostrou suas credenciais: uma comunidade empolgada, uma bateria de excelência e um casal entrosado. A Insulana levará para a Avenida, na sexta-feira de carnaval, o enredo “Viva o Hoje! O Amanhã? Fica Pra Depois”.

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A comissão de frente coreografada por Junior Scapin trouxe os integrantes com uma malha azul e um saiote com detalhes de estrelas, além das cabeças pintadas de azul e cinza. Uma interessante indumentária para uma coreografia mais de apresentação, sem maiores arroubos, porém bem realizada pelos seus componentes. O novo casal João Oliveira e Duda Martins mostrou bastante desenvoltura em sua apresentação. João tem uma dança com boa técnica e agilidade no sapateado, enquanto Duda exibiu giros muito bonitos e com ótima execução. Um belo cartão de visitas de ambos.

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A comunidade insulana entrou com força na Cidade do Samba para defender sua escola e manteve um canto satisfatório durante toda a passagem da Ilha, apesar de o início ter apresentado mais explosão. Quase todas as alas mostraram que o samba já está na ponta da língua, mesmo que este apresente algumas lacunas e não esteja na prateleira dos principais sambas do ano. A obra teve um desempenho mediano, com o refrão de cabeça rendendo mais.

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A evolução foi um destaque do minidesfile, com componentes desfilando com bastante energia e alegria, imprimindo um ritmo forte à apresentação. A bateria de mestre Marcelo apresentou o alto nível que já lhe é habitual, elevando o desempenho do samba.

Imponente! União de Maricá combina técnica, ritmo e performance em minidesfile

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Em um minidesfile de forte presença cênica e canto vigoroso, a União de Maricá mostrou a força de sua comunidade com uma belíssima comissão protagonizada por mulheres negras, um casal com boa apresentação, um samba-enredo que levantou a Cidade do Samba e destaques performáticos que trouxeram brilho à passagem da agremiação. A escola será a sexta a desfilar no sábado de carnaval com o enredo “Berenguendéns e Balagandãns”, assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira.

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Fotos: S1 Comunicação

Patrick Carvalho apresentou uma comissão de frente formada por mulheres negras, com a pivô vestida como baiana, adornada com joias e carregando ervas nas mãos, em uma cena que evocou o gesto ritual do banho de folhas. A coreografia explorou movimentos inspirados nas danças dos orixás, compondo um quadro de grande beleza visual e uma composição cênica de fácil leitura, reafirmando a excelência artística do quesito. Já o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Fabrício Pires e Giovanna Justo, teve bons momentos, especialmente quando Giovanna avançou com firmeza para apresentar o pavilhão, imprimindo personalidade ao bailado.

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A União de Maricá calou seus críticos com um canto vigoroso. O pré-refrão “e a quem renega a mulherada, vai dormir com esse barulho” e o refrão principal foram entoados com potência por toda a escola. Zé Paulo Sierra conduziu o samba com precisão e firmeza, em um samba feito sob medida para seu canto melodioso, apoiado por arranjos vocais de excelente qualidade executados pela equipe do carro de som. No paradão realizado durante o desfile, a comunidade respondeu de forma constante e aguerrida, sustentando o ritmo do samba sem perder o fôlego. A evolução da escola combinou técnica e fluidez, garantindo uma passagem bem organizada pela pista. Ainda assim, merecem atenção os espaços que surgiram entre o primeiro casal e a ala performática em alguns momentos do trajeto.

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Chamou atenção a performance de Carlinhos Salgueiro, que surgiu com máscara de pedras e capa prateada, criando momentos de grande impacto cênico ao interagir com o público e ao revelar diferentes camadas do figurino. A ala de Maculelê, que veio logo depois de Carlinhos, também se destacou com uma coreografia dinâmica, repleta de giros e, sobretudo, com muita vitalidade na dança.

Comissão de frente ousa e bateria se firma como trunfo no minidesfile da Vigário Geral

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A Acadêmicos de Vigário Geral apresentou um minidesfile em que a comissão de frente tensionou o encontro entre europeus e povos indígenas. O primeiro casal mostrou vigor e personalidade, o canto e a evolução oscilaram ao longo da passagem, e a bateria reafirmou sua força como um dos trunfos da escola. A agremiação fechará os desfiles da sexta-feira de Carnaval com o enredo “Brasil Incógnico: O que os seus olhos não veem, a minha imaginação reinventa”, assinado pelos carnavalescos Alex Carvalho e Caio Cidrini.

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Fotos: S1 Comunicação

Sob a coreografia de Handerson Big, a comissão de frente surgiu com figurinos que remetem aos primeiros europeus que chegaram ao Brasil. Os movimentos desmontam a perspectiva colonial dessa chegada, explorando gestos que muitas vezes colocam os conquistadores em situação de desajuste, enquanto, em alguns momentos, o grupo evoca a presença dos povos indígenas, tensionando o encontro entre colonizadores e nativos. Houve problemas pontuais de figurino, com peças de roupa se deslocando em dois componentes durante a apresentação.

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O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Johny Matos e Isabella Moura, apresentou um bailado vigoroso e aguerrido. Isabella se destacou pela precisão nos giros rápidos e pela chegada flecheira ao encontro do mestre-sala. No trecho “a pele preta, a coroa e o cocar”, os dois se encaram com punhos fechados e sorrisos cativantes, sintetizando em gesto a força do verso. Em sua primeira temporada como primeiro casal na Série Ouro, Johny e Isabella demonstram personalidade e potencial de crescimento ao longo da temporada.

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O canto da Vigário apresentou oscilações ao longo do samba, com trechos intermediários menos participativos, mas o pré-refrão e o refrão principais foram entoados com vigor pelos componentes. A interpretação de Danilo Cezar ajuda na harmonia da escola: seu canto projeta bem os versos e faz com que cada estrofe seja compreendida na Cidade do Samba, em uma belíssima performance. A evolução da escola foi regular, sem grandes problemas, mas um pouco mais de fluidez entre as alas pode tornar a passagem ainda mais coesa.

Entre os destaques da noite, a bateria “Swing Puro”, comandada por mestre Luygui, reforçou seu lugar como um dos pontos fortes da Unidos de Vigário Geral. Com boa pegada e organização, o conjunto sustentou a escola com segurança e apresentou bossas que dialogam com o universo fantástico proposto pelo enredo.

Arranco aposta na gargalhada e bateria é o destaque em minidesfile circense

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Fotos: S1 Comunicação

O Arranco do Engenho de Dentro apostou na gargalhada em um minidesfile de clima circense, marcado por uma comissão de frente brincante, canto e evolução oscilantes e uma bateria que se destacou como ponto alto da apresentação. A escola será a terceira a desfilar no sábado de carnaval com o enredo “A Gargalhada é o Xamego da Vida”, assinado pela carnavalesca Annik Salmon.

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Os coreógrafos Lipe Rodrigues e Márcio Dellawagah apresentaram uma comissão de frente composta por clowns. Os palhaços exploraram gestualidades típicas da palhaçaria: mãos expressivas, caretas, piruetas e a presença de quatro integrantes em pernas de pau, resultando em uma apresentação leve e divertida. O casal Diego Falcão e Denadir Garcia entregou um bailado gracioso, em sintonia com o clima brincante do enredo. Denadir destacou-se em seus movimentos, com giros precisos e canto firme, interpretando trechos marcantes do samba-enredo. Ainda assim, faltou precisão na sincronia da dança do casal.

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O canto da escola azul e branca oscilou entre as alas. As baianas defenderam o samba com propriedade, enquanto a ala coreografada com pompons pouco cantou. O pré-refrão “não tem corda bamba que faça meu riso tombar” impulsionou a participação dos componentes e deu corpo à passagem. Apesar da instabilidade na harmonia, os intérpretes Pâmela Falcão e Rodrigo Tinoco mostraram categoria e energia, sustentando uma performance contagiante para o público das arquibancadas. A evolução também apresentou momentos irregulares: houve formação de buracos entre algumas alas, especialmente após a saída da bateria do recuo, que deixou um bom espaço vazio na altura do ponto de simulação da cabine.

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A bateria “Sensação”, comandada pela mestre Laísa, foi um dos grandes destaques da noite. Com firmeza e criatividade, o quesito apresentou uma bossa inspirada em ritmos circenses, transportando a Cidade do Samba para o clima de um verdadeiro picadeiro e reafirmando a bateria como uma das forças da agremiação.

Hora da retomada: dor e a fé da Nenê de Vila Matilde pela volta ao Especial

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Desde 2017, a Nenê de Vila Matilde não pisa no Anhembi como parte do Grupo Especial de São Paulo. Oito anos se passaram, mas o sentimento de pertencer ao Especial nunca saiu da comunidade azul e branco, de quem vive a escola no dia a dia e de quem chora ao ouvir o hino da sua escola do coração. Por isso, o CARNAVALESCO ouviu quem realmente sente a dor e a saudade de estar aonde nunca mereceu ter saído. Muitas perguntas surgem, muitas delas sem respostas: será que chegou a hora? O que ainda está faltando? Quando sentiram que podia e não deu? E, acima de tudo, o que é preciso para que o acesso finalmente aconteça?

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Foto: Felipe Araújo/Divulgação Liga-SP

No olhar de quem cresceu nos becos da Zona Leste, a baiana Elma Leda da Silva, 66 anos de vida, 25 anos de agremiação, a Nenê não é só uma escola, é uma herança que se carrega no peito. E é com essa emoção que ela traduz a força da comunidade.

“A Nenê é mais do que uma escola. É família, é história, é raiz. Já sentimos que dava, já chegamos perto, já choramos pela chance que escapou. Mas nunca deixamos de lutar. O que falta? Falta união total, falta acreditar de verdade, todos juntos. Acreditar que a Nenê pode voltar para o grupo especial, e a gente vai lutar por isso. A gente vai voltar a sorrir, eu não tenho dúvidas disso”, disse Elma.

Quando o tempo passa e o sonho insiste em permanecer vivo, a esperança ganha nome e sobrenome na comunidade. Fábio Jonas, 48 anos, 20 anos de Nenê, “Malandro da Vila” traduz esse sentimento com a verdade de quem batalha ano após ano.

“Não chegou a hora, passou da hora. A gente está lutando dia após dia, carnaval após carnaval, para que esse acesso tão sonhado chegue. O que falta para acontecer? Na realidade, eu não sei te dizer, porque cada ano que passa a gente acaba superando, a gente não sabe o que o jurado quer. A cada erro, a cada ano, a gente acaba superando erros passados para, quando subir, nunca mais cair. 2025 e 2024 foram dois anos especiais para mim. Em 2024, fizemos um belo carnaval; em 2025, fizemos um desfile maravilhoso, tanto para o público quanto para o jurado, mas infelizmente não conseguimos o sonhado acesso. O que é preciso para conseguir o acesso? Calor humano, amor à escola e, principalmente, muita garra”.

Há quem olhe para números. Mas há quem olhe para a alma da escola e ali enxergue a resposta. Sthephanye Cristinne, 27 anos, 24 de carnaval, musa da Nenê, fala com a confiança de quem sente a Nenê vibrando mais forte a cada ensaio.

“Se chegou a hora? Eu tenho certeza que sim. Eu acho que, no ano passado (2024), tivemos pouca diferença na pontuação; está muito claro que faltaram poucos décimos para conseguirmos o acesso. A escola está muito bem preparada para esse momento, e eu tenho certeza de que vai dar tudo certo. Eu confio muito no projeto que me foi apresentado e que foi apresentado para a comunidade, que está acreditando nisso. O que está faltando nesse momento? É simples: nada! Porque a Nenê tem uma comunidade muito aguerrida. Porém, é uma escola tradicional, e, atualmente, infelizmente, ou felizmente, o carnaval é midiático; as pessoas acreditam muito naquilo que é visto. Mas eu acredito muito na tradição e na força da minha escola. Eu tenho a sensação de que a escola se sente no Especial, é como se o acesso fosse só um nome. Para a Nenê, isso é apenas um título. É uma escola que se sente muito forte e totalmente capacitada para chegar ao Grupo Especial. Para a gente, estar no acesso não diminui a vontade de estar no Especial. Eu acredito na garra da comunidade, que faz isso acontecer em cada ensaio. A gente mostra que merece, e isso vai acontecer de uma forma muito bonita”.

Quando a caminhada é longa, a dor da espera se mistura à certeza do futuro. Rodrigo Oliveira, 45 anos, 28 anos de Nenê, diretor geral de Harmonia da Nenê, nas palavras o peso dos anos e a determinação de quem acredita que o retorno está mais próximo do que nunca.

“Passou da hora de subirmos para o Especial. A gente não aguenta mais esses nove anos no Grupo de Acesso. Tivemos um período sabático, em que a Nenê teve que reaprender, reorganizar, reciclar e, enfim, fazer todo esse processo para poder tomar um caminho de retomada. Nos últimos anos, a escola vem fazendo um bom trabalho, e eu tenho certeza de que esse caminho está sendo muito bem construído. Tomara que agora, em 2026, seja a hora da gente voltar e ficar para valer no lugar de onde a gente nunca deveria ter saído. O ano do Faraó Bahia, em 2023, foi o ano em que senti que íamos conseguir o acesso. Foi um ano que tinha tudo para dar certo, mas infelizmente não aconteceu. Na sua pergunta ‘o que falta?’, acredito que agora eu posso te responder, porque o que falta, a gente está buscando e tentando eliminar. Agora é lutar bravamente e conquistar o que sempre sonhamos”.

Entre lágrimas, sorrisos e a certeza de que cada ensaio é uma luta pelo acesso, a Nenê de Vila Matilde segue caminhando com a força de quem nunca desistiu. A escola que aprendeu a se refazer, viu gerações crescerem sob o solo azul e branco, transformou dor em resistência e saudade em trabalho. A escola continua focada no propósito de voltar ao lugar de onde jamais deveria ter saído. O futuro não é uma promessa distante; ele está sendo construído agora, na fé de uma comunidade inteira.

Se a hora chegou? Talvez a resposta esteja justamente na união, na tradição e no amor que transbordam nos depoimentos de quem vive a Nenê todos os dias. Para a Vila Matilde, o acesso não é apenas uma colocação no papel: é um reencontro com sua própria grandeza. E quando a comunidade acredita, trabalha e sonha junto, o impossível deixa de existir. A Nenê segue forte e preparada.

Quando o grande dia chegar, será mais do que um retorno: será a afirmação de uma história que nunca deixou de brilhar.