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Samba didático: Beija-Flor quer empretecer o pensamento, valorizando as contribuições do negro e enaltecendo seu lugar de fala

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Campeã pela última vez em 2018, a Beija-Flor irá pelo menos igualar seu maior jejum de títulos neste século, quatro anos entre as conquistas de 2011 e 2015. É claro que é preciso levar em consideração que são apenas dois carnavais sem ganhar, pois em 2021 não houve o desfile. Ainda assim, é fácil imaginar o tamanho da fome que a comunidade nilopolitana está de gritar ‘é campeã’ no carnaval.

Para tentar seu décimo quinto título, a Beija-Flor apostará em um enredo que tem não só a sua cara, mas que fala muito da sua gente e da sua comunidade. “Empretecer o Pensamento É Ouvir a Voz da Beija-Flor” pretende trazer para a Sapucaí toda a contribuição intelectual do negro para a construção de um Brasil mais africano. Segundo a própria sinopse, “empretecer” o pensamento é dar a toda a humanidade a oportunidade de uma visão diferente e original, como novos caminhos para o futuro, estabelecendo outras rotas possíveis.

compositores beijaflor22
Foto: Leandro Ribeiro/Divulgação TV Globo

O enredo está sendo desenvolvido pelo carnavalesco Alexandre Louzada. Em 2022, a Beija-Flor vai encerrar os desfiles de domingo. O samba de autoria de J. Velloso, Léo do Piso, Beto Nega, Júlio Assis, Manolo e Diogo Rosa também pretende valorizar o lugar de fala tão importante do negro e da Beija-Flor, muitas vezes ignorado em uma sociedade ainda racista, mas sempre oportunizado e destacado na Marquês de Sapucaí e no mundo do carnaval.

O site CARNAVALESCO dando continuidade à série de reportagens “Samba Didático” entrevistou o compositor Júlio Assis para saber um pouco mais sobre os significados e as representações por trás dos versos e expressões presentes no samba da Beija-Flor para o carnaval de 2022. Júlio Assis explica o olhar sobre o enredo que a composição vencedora tomou para dar o seu recado.

“O fio condutor do nosso samba é a própria história do negro, do preto na humanidade. A gente buscou o ponto de vista do que ele construiu, do que ele fez, qual foi a contribuição que ele deu para a nossa existência, para a existência da civilização como ela é hoje. Esse é o principal fio condutor do nosso samba”, esclarece Júlio.

Confira a explicação de alguns versos e expressões do samba:

MOCAMBO DE CRIOULO: SOU EU! SOU EU! / TENHO A RAÇA QUE A MORDAÇA NÃO CALOU / ERGUI O MEU CASTELO DOS PILARES DE CABANA / DINASTIA BEIJA FLOR!

“A gente usou o termo ‘mocambo de crioulo” porque a gente sempre vê na maioria dos sambas a senzala, o quilombo. A gente usou o ‘mocambo de crioulo’ que é bem diferente, é o nosso quilombo, mocambo é a nossa quadra, a nossa casa, é a pequena África. Eu falei em algumas lives sobre a pequena África, eu considero, assim, Nilópolis uma pequena África. No mesmo refrão, a gente fala que o povo, o nosso povo de Nilópolis que tem o poder da fala naquele momento do Carnaval, esse povo tem ‘a raça que a mordaça não calou’, ou seja, no Carnaval, ninguém nunca vai calar a gente, a gente sempre vai tomar a frente, a gente sempre vai se impor. E logo em seguida, a gente fala do nosso principal representante negro dentro da história da escola, dentro da história cultural do Brasil, inclusive, que é o Cabana, um dos fundadores da nossa agremiação e o nosso maior guru”.

“TRAZ DE VOLTA O QUE A HISTÓRIA ESCONDEU”

“O samba começa na pequena África, a gente diz que essa nobreza vem da África. E, a gente, faz um trocadilho com a nossa escola, a gente está falando que todos os negros da nossa escola são considerados nobres para gente. A gente pensa que com esse samba, com a nossa fala e com essa mensagem a gente vai trazer tudo à tona e vai mudar o pensamento. Aí, saiu um pouquinho do título do enredo de ‘empretecer’. É mudar a forma de pensamento do negro do que ele construiu. E aí, a gente pede a igualdade, ou seja, a gente pede que as pessoas deem ouvido, que as pessoas ‘empreteçam’ o pensamento e informa logo no início do samba que a gente vai trazer tudo que ‘a história escondeu’, a gente vai buscar enfatizar nessa letra de samba”.

“FOI-SE AO AÇOITE, A CHIBATA SUCUMBIU”

“Nesse trecho queremos dizer que mesmo com o fim de todo o sofrimento que tivemos com a escravatura, mesmo com tudo que foi construído pelo negro para a humanidade, isso não é reconhecido, ainda existe uma luta muito grande para reconhecer tudo que foi feito pelos negros na humanidade seja reconhecido”.

VERSOS PARA CRUZ, CONCEIÇÃO NO ALTAR /CANINDÉ JESUS, Ô CLARA!! / NOSSA GENTE PRETA TEM FEITIÇO NA PALAVRA / DO BRASIL ACORRENTADO, AO BRASIL QUE ESCRAVIZAVA

“Nesse trecho a gente citou alguns ícones negros da nossa humanidade. Estavam todos escondidos na nossa sinopse, eu reparei na disputa que foi a única que conseguiu decifrar os enigmas da sinopse. O que realmente a escola queria. A gente conseguiu detectar todos esses que a gente citou no refrão do meio. Cruz e Souza, Conceição Evaristo, Maria Carolina de Jesus, Machado de Assis, Clara dos Anjos, e no final a gente fala do Brasil acorrentado (o Brasil de antigamente, os negros escravizados)”.

“MEU PAI OGUM AO LADO DE XANGÔ /A ESPADA E A LEI POR ONDE A FÉ LUZIU / SOB A TRADIÇÃO NAGÔ / O GRÊMIO DO GUETO RESISTIU”

“Logo nesse trecho aí da segunda estrofe, a gente vem enfatizando toda a ancestralidade que o negro por sua própria natureza, ele já tem. E, sobre a ‘tradição nagô’, sobre toda a história que o negro tem na humanidade, aquele Grêmio Recreativo Escola de Samba lá do gueto, lá de Nilópolis, ele resistiu, ele resiste até hoje e vai continuar resistindo eternamente, que é uma característica nossa”.

“CADA CORPO UM ORIXÁ! CADA PELE UM ATABAQUE”

“Esse trecho mostra que unidos, a gente consegue muita coisa. A gente, não só os negros, mas a humanidade no total precisa estar unida para conseguir algumas coisas. E, em especial nesse samba, nesse enredo, em especial ao personagem principal da obra que são os negros, a gente cita que cada negro dessa falange que vai em busca do conhecimento, cada um está com seu orixá, com seu atabaque, com sua fé”.

“CANTA BEIJA FLOR! MEU LUGAR DE FALA/
CHEGA DE ACEITAR O ARGUMENTO”

“A Beija Flor é uma escola que sempre se impôs no sentido de transmitir para o mundo, já que nós estamos falando de uma festa que é assistida por todo o planeta, e a Beija Flor ela toma sempre esse lugar de se impor nos temas que são latentes na humanidade. Nesse trecho eu digo que a nossa escola, o nosso quilombo, a nossa casa, que é tanto a nossa quadra, o nosso mocambo, tanto a Marquês de Sapucaí, elas são os nossos lugares de fala, os lugares onde a gente vai colocar para fora e se impor, e a gente não vai mais aceitar o argumento contrário disso, já chegou a hora do reconhecimento chegar”.

UNIDOS DE PADRE MIGUEL: samba-enredo o Carnaval 2022

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Compositores: Chacal do Sax, Sidney Myngal, Jota IlhaBela, Felipe Mussili, Alexandre Rivero, Júnior Diniz e Gabriel Simões.
Intérprete: Diego Nicolau

Tempo, misterioso Tempo
Vazio, silêncio, na escuridão
Tempo, voz, ensinamento
Iggi Olorum, raiz da criação
Tronco que preserva a vida inteira
Ninho para Oxorongá
Guardião do axé, a gameleira
Iroko é quem tira, Iroko é quem dá

Ae, ae, orixá, ero
Da vamunha senhor, orixá, ero
O vento sopra, a folha vira
O ramo sagrado, a seiva da vida

Poderoso dono dos caminhos
Galho protetor do sassayin
Feito palha cobre o mal com sua rama
De saluba se faz sombra
E aos seus pés o axexê decreta o fim…
Brilha o arco-íris que lhe abraçou
Floresce então ao pôr do sol o verdadeiro amor…
Ó, Tempo, ouça meu clamor:
Conceda aos seus filhos o perdão
E ao reluzir o opaxorô…
Seu povo pede salvação!

Bato cabeça, sou filho de fé:
Iroko axé! Iroko kisselé!
No ilê Padre Miguel, aprendi fazer o bem:
É tempo de xirê no terreiro da Vintém!

Imperatriz contrata novo diretor de shows e coreografias

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B61D2722 53CB 4DD7 92F0 4311A7ABD7F6Paulo Pinna é o mais novo contratado da Imperatriz para o carnaval de 2022. Paulo será o responsável pela direção das apresentações nos shows, além disso ficará a frente do desempenho dos grupos na pista e será o responsável pelas alegorias coreografadas. Paulo também cumprirá a missão de coreografar o segundo casal de Mestre Sala e Porta Bandeira.

A Imperatriz Leopoldinense será a primeira escola a desfilar no domingo de carnaval em 2022. A verde e branca da Zona Leopoldina apresenta o enredo “Meninos, eu vivi… Onde canta o sabiá, Onde cantam Dalva & Lamartine” em homenagem ao lendário carnavalesco Arlindo Rodrigues, morto em 1987 e artista responsável pelos carnavais dos primeiros títulos da escola. A carnavalesca Rosa Magalhães desenvolverá a temática.

Salgueiro: samba-enredo para o Carnaval 2022

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Compositores: Demá Chagas, Pedrinho da Flor, Leonardo Gallo, Zeca do Cavaco, Joana Rocha, Renato Galante e Gladiador.
Intérpretes: Quinho e Emerson Dias

UM DIA MEU IRMÃO DE COR
CHOROU POR UMA FALSA LIBERDADE
KAO CABECILÊ SOU DE XANGÔ
PUNHO ERGUIDO PELA IGUALDADE
HOJE CATIVEIRO É FAVELA
DE HERDEIROS SENTINELAS
DA BALA QUE MARCA, FEITO CHIBATA
VERMELHO NA PELE DOS MEUS HERÓIS
LUTARAM POR NÓS, CONTRA A MORDAÇA
Ê MÃE PRETA , MÃE BAIANA
DESCE O MORRO PRA FAZER HISTÓRIA
ME FORMEI NA ACADEMIA
BACHAREL EM HARMONIA
EIS AQUI O MEU QUILOMBO, ESCOLA

Ê GALANGA Ê
REI ZUMBI OBÁ
PRETA AQUI VIROU RAINHA XICA
SOU A VOZ QUE VEM DO GUETO
RESISTÊNCIA NO TAMBOR
PILÃO DE PRETO VELHO EU SOU

NO RIO BATUQUEIRO
MACUMBA O ANO INTEIRO
NÃO NEGO MEU VALOR, AXÉ
GINGADO DE MALANDRO
KIZOMBA E CAPOEIRA
CAXAMBU E JONGO, FÉ NA REZADEIRA
TEMPERO DE IAIÁ, NÃO TENHO MAIS SINHÔ
E NUNCA MAIS SINHÁ
SAMBO PRA RESISTIR
SEMBA MEUS ANCESTRAIS
SAMBA PELOS CARNAVAIS
TORRÃO AMADO O LUGAR ONDE NASCI
O POVO ME CHAMA ASSIM

SALGUEIRO, SALGUEIRO
O AMOR QUE BATE NO PEITO DA GENTE
SABIÁ ME ENSINOU SOU DIFERENTE

Intérpretes do carnaval fazem shows no Sul e no Uruguai para final da Libertadores

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Os intérpretes Evandro Malandro (Grande Rio), Marquinho Art Samba (Mangueira) e Tinga (Vila Isabel) vão fazer uma temporada de shows pelo Sul do país, com direito a um evento muito especial, no dia 27 de novembro, data da final da Libertadores, entre Flamengo e Palmeiras, em Montevidéu, no Uruguai.

Nesta terça-feira, às 20h, eles se apresentam na Praiana, Porto Alegre. No dia 25, quinta-feira, o trio estará em Uruguaiana. Sexta já será no Uruguai.

O show em Montevidéu, no dia 27 de novembro, começa às 23h. O encerramento da turnê do samba é no domingo, em Rivera, ainda no Uruguai.

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Dona do lugar de fala! Beija-Flor exalta o povo preto e a comunidade no ensaio de rua

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A Beija-Flor fez no último domingo o primeiro ensaio de rua, em Nilópolis, para o Carnaval 2022. A azul e branco que levará para Avenida no ano que vem o enredo “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor” utilizou a data seguinte ao Dia da Consciência Negra para pisar novamente no chão da sua comunidade.

“O ensaio para gente não é encarado como uma festa. É trabalho mesmo. É óbvio que hoje (ontem) foi mais uma homenagem ao Dia da Consciência Negra. Porém, a gente não faz oba-oba. Celebramos fazendo um baita ensaio. A nossa festa é trabalhar para um grande carnaval. Historicamente, a Beija-Flor retrata grandes personagens da nossa cultura. Temos um caminhar histórico com grandes enredos. Buscamos sempre exaltar o negro, a nossa comunidade é preta, da inclusão”, disse Válber Frutuoso, um dos diretores de harmonia da escola.

O presidente Almir Reis falou da temática negra nos carnavais da Beija-Flor. “A gente está nessa luta contra o racismo tem muitos anos. A gente conta a história que nunca é falada. Não vamos desistir nunca disso. O enredo é para empratecer o pensamento de todos. Nossa comunidade é de pessoas pretas e que fazem parte de uma grande família. Já somos considerado o rolo compromessor no canto e evolução e queremos mais. Voltar a ensaiar na rua é muito impotante. O sentimento por essa escola não tem explicação, ele é gigantesco”.

Claudinho e Selminha Sorriso falaram do papel social da Beija-Flor no combate ao racismo. “A escola pretende com o enredo confrontar o apagamento e o silenciamento das obras e o pensamento do povo preto. É dar voz. Infelizmente, a gente não aprende nas escolas a cultura afro-brasileira. Precisamos informar e inspirar mentes. Pra mim, é muito gratificante conduzir o manto sagrado da Beija-Flor. É um sonho realizado a cada momento”, disse a porta-bandeira.

“A Beija-Flor tem a voz de empretecer o pensamento. A escola clama a igualidade entre todos. Sobre o nosso ensaio na rua começamos a matar a saudade da nossa comunidade. Chegamos aqui com o avanço da vacina”, citou o mestre-sala.

Para o diretor de carnaval, Dudu Azevedo, o primeiro ensaio revelou um avanço no trabalho. “Parece que já estamos na fase que estávamos do trabalho no ano anterior. O abraço do nosso povo com o samba deu resultado na rua. Uma evolução e canto praticamente perfeitos. Muito positivo o trabalho. O enredo é do nosso povo, do nossão chão, todo mundo transborda satisfação de cantar esse samba”.

Integrante da Velha-Guarda, Débora Rocha, enalteceu a comunidade. “Não existe cor. Nós somos filhos de um pai só. Temos que lutar por igualdade”.

Comandante da bateria ao lado de mestre Rodney, Plínio, também falou sobre o enredo. “Infelizmente, ainda existe o racismo. A Beija-Flor faz o caminho para acabar com o racismo e mostra seus integrantes como exemplos”.

Segunda porta-bandeira da escola, Fenanda Love, com 26 anos de Beija-Flor, comentou o enredo e sua importância. “A Beija-Flor mostra com muito orgulho a importância do negro. Ela transformou minha vida. Vamos mostrar na Avenida nossa cor, nossa raça e vamos matar a saudade de todos com essa volta dos ensaios. A nossa arte está de volta”.

Fotos do ensaio 

Samba Didático: Vila canta Martinho e reverencia sua obra

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“Canta, canta minha gente, a Vila é de Martinho” promete trazer para Sapucaí, no reencontro com o carnaval em 2022, a vida e a obra do poeta que o samba deu para escola tradicional do bairro de Noel. Essa história acontece desde o nascimento e infância na “roça” na cidade de Duas Barras no interior do estado do Rio de Janeiro, promovendo um encontro intimista entre Martinho e sua escola de coração, e também com sua obra que cantarolou amores, amigos, a família, deste grande compositor do chamado “partido alto”, e, claro, de sambas-enredo. Por aí, também estarão presentes sua relação com a África, Angola mais especificamente, sua admiração por Miguel Arraes, “o pai Arraia”, além da sua criatividade para fazer sambas de sucesso produzidos com estruturas diferentes do usual e muitas vezes sem a utilização do recurso da rima.

O enredo é assinado pelo carnavalesco Edson Pereira, que está na Vila Isabel desde 2019.  Cantando a vida e a obra de seu mestre Martinho, a agremiação espera voltar ao desfile das campeãs que ficou de fora em 2020, e mais do que isso, ao fechar a segunda noite de desfile, colocar banca para voltar a gritar é campeã, repetindo 2013, quando também foi a última escola a passar pela Sapucaí emocionando o público que como daquela vez, em 2022 deverá ficar até o final para saudar o negro Rei Martinho.

O samba é uma composição de André Diniz, maior compositor de sambas da escola do bairro de Noel, que terá a honra, ao lado de Evandro Bocão, Dudu Nobre, Professor Wladimir, Marcelo Valença, Leno Dias e Mauro Speranza, de assinar o hino que irá homenagear o maior integrante e presidente de honra da Vila Isabel.

O site CARNAVALESCO abre à série de reportagens “Samba Didático” entrevistando o compositor André Diniz para saber mais sobre os significados e as representações por trás dos versos e expressões presentes no samba da Vila Isabel para o carnaval de 2022. André Diniz explicou que o intuito da obra era prestar uma homenagem à Martinho através da realização simbólica de um encontro intimista entre o homenageado e a Vila, com a apresentação de expressões na letra que gerassem memórias afetivas para o artista.

“O samba foi construído na intenção de agradar ao homenageado. Falar as coisas que tocassem o coração dele. Não só pela reverência a ele, mas também pela percepção de que ele seria fundamental na escolha dos sambas. Então, fizemos um samba para agradar o Martinho da Vila. O samba é um encontro com o Martinho em um bar ou em um camarote, ou em algum lugar para assistir o desfile da Vila. Dentro dessa ideia, a letra toda vai falando do ‘abre uma gelada’, ‘ a saideira’, o samba é construído com essa ideia de um encontro com o Martinho de forma despojada, chegar mais próximo dele. A gente fez questão desta conversa intimista com ele. Além disso, usamos o recurso de explicar o enredo com palavras que fazem parte de obras dele”, explica o compositor campeão da Vila Isabel.

Confira o significado de alguns versos e expressões presentes no samba segundo a ótica de André Diniz:

“PARTIDEIRO, PARTIDEIRO Ó / MINHA VILA ISABEL BRILHA MAIS DO QUE O SOL”

“É uma lembrança de música. Primeiro que ele é um dos grandes ‘partideiros’, cantores de ‘partido alto’ do país, e versadores. Mas, a ideia é principalmente lembrar do ‘cirandeiro, cirandeiro ó, a pedra do seu anel brilha mais do que o sol’, da Vila Isabel de 1972. Então, a gente brinca, ao invés de colocar o ‘cirandeiro’ que ele usou, a gente colocou o ‘partideiro’ que lembra a obra dele, mas fala dessa característica de ser um ‘partideiro’, um cantor e compositor de partido alto.

“FERREIRA, CHEGA AÍ”

“Esse trecho explicita o modelo de narrativa que a gente usou, primeiro um linguajar despojado, intimista de chamar ele (o Martinho da Vila) de Ferreira, que é Martinho José Ferreira, mas geralmente todo mundo chama ele de Martinho né, mas os mais antigos aqui da escola em especial chamam ele de Ferreira. A ideia é chamar o Martinho para um bate papo como se estivéssemos chamando um amigo para conversar”.

“A AVENIDA ENGALANADA / NOSSA GENTE EMOCIONADA VAI RELUZIR”

“Engalanada significa enfeitada, em galões, dourada, brilhante. A gente podia colocar enfeitada, mas aí não ficaria Martinho. Engalanada é muito utilizada por compositores de samba enredo e Martinho também em alguns sambas até que ele perdeu aqui na Vila. Nos anos 60 e 70 era muito utilizado.  A Avenida está toda enfeitada, o povo da Vila está emocionado por contar sua história, e fazer brilhar sua história”.

“RAÍZES DA ROÇA PARA O PRETOS FORROS / TANTO TALENTO NÃO GUARDA SEGREDO”

“O Raízes da Roça para ‘o pretos forros’ é porque ele vem de Duas Barras, cidade do interior do Rio de Janeiro, por isso ‘raízes da roça’, e primeiro lugar onde ele morou no Rio de Janeiro, na Boca do Mato, Serra dos Pretos Forros, por isso a gente diz que ele veio ‘da roça’ para o Pretos Forros. ‘Tanto talento não guarda segredo’ por que o Martinho, na verdade vai na gravadora a primeira vez para apresentar o disco da esposa dele, ele era só compositor e quando o produtor pergunta ‘tá bom, mas ela vai cantar o que’, ele mostra as músicas dele e o produtor se apaixona pela forma dele de cantar”.

“SE A PAZ EM ANGOLA LHE PEDE SOCORRO / FILHO DE TERESA, ENCARA SEM MEDO”

“A coisa do ‘filho de Teresa, encara sem medo’ é porque as memórias que vem do Martinho é que a mãe dele é uma mulher muito forte, muito guerreira, muito batalhadora, e por isso, filho de quem é, vai encarar o que a vida lhe oferecer. E essa ‘paz em Angola lhe pede socorro’ é referente a alguns momentos em que o Martinho vai em Angola, um deles no meio da independência, depois na guerra civil. Ele vai quando Angola estava em guerra e ele era meio que uma unanimidade por lá. Todos os grupos em guerra adoravam Martinho da Vila, então foi uma chance legal de mostrar o pacificador que ele se transformava quando chegava lá”.

“SEGUIU ESCOLA DO PAI ARRAIA”

“Esse trecho faz referência ao samba que construímos junto ao Martinho, ‘Memórias do Pai Arraia’, que aplaudia o movimento de cultura popular, que eram as escolas criadas por Miguel Arraes lá em Pernambuco. Esse trecho quer dizer que seguiu os ensinamentos do Miguel Arraes, além das escolas que o Miguel Arraes construiu no sentido físico”.

“OUSAR, MUDAR E FAZER SEM RIMA”

“É por causa do samba ‘Raízes’, um samba enredo construído sem nenhuma rima, samba da Vila de 1987”.

“ÁFRICA EM PRECE, O GRIÔ, A REFERÊNCIA / O SENHOR DA SAPIÊNCIA, ESCRITOR DA CONSCIENCIA”

“Significa a representação das lutas africanas, da religiosidade africana. ‘O Griô’, o cara que conta as histórias, o cara que inspira, o senhor da sabedoria, o cara que forma pensamentos”.

“EU VOU JUNTO DA FAMÍLIA / DO PINDUCA À ALEGRIA PRA BRINDAR”

“A gente sabia o quanto seria importante falar da família dele, dos filhos que o Martinho tem uma verdadeira paixão pelos filhos, a gente não tinha como falar o nome de todos. O primeiro é Martinho Antônio, que a família chama carinhosamente de Pinduca. E o último filho é a Alegria. Por isso, nesse nosso encontro com o Martinho, a família vai junto. Todos os filhos vão também, do Pinduca à Alegria, a mais nova”.

Beija-Flor reúne crianças da comunidade para peça relacionada ao enredo

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Crianças e adolescentes ligados à Beija-Flor por meio do instituto de ações sociais amparado pela escola estiveram no palco da quadra da azul e branca em Nilópolis, no sábado, para celebrar o Dia da Consciência Negra. Eles participaram de uma esquete teatral relacionada ao enredo “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”, que será apresentado na Marquês de Sapucaí ano que vem.

peca selma
Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação

Organizada pela porta-bandeira Selminha Sorriso, que também atua na direção cultural da agremiação, a iniciativa transformou cerca de 30 crianças em atores e atrizes por um dia. Diante das próprias famílias e de segmentos da Beija-Flor, todos sob os cuidados de protocolos contra a Covid-19, os artistas mirins encararam — com coragem e talento — a missão de encenar situações racistas vividas em sala de aula, ambiente em que convivem diariamente, e explicar ao público o que há de errado em cada uma delas.

Foram discutidos, por exemplo, o viés racista embutido na utilização de expressões como “denegrir” e “a coisa ficou preta”, bem como “cabelo pixaim” e outras referências a pessoas de pele preta e seus traços físicos. Tudo de maneira didática e com foco na relevância da discussão: a plateia foi lembrada, mais de uma vez, que racismo é crime e que as escolas públicas são obrigadas por lei a ajudar a combatê-lo através do ensino da história afro-brasileira aos estudantes.

O conteúdo foi transmitido online, por meio do YouTube, em parceria com a produtora Fitamarela, para garantir que os ensinamentos do roteiro, escrito pela dançarina, possam ser amplamente acessados e difundidos.

Ao abrir os trabalhos, Selminha discursou à comunidade da Beija-Flor, enalteceu os profissionais negros da escola (incluindo o presidente Almir Reis, um dos poucos negros entre os dirigentes do Grupo Especial do Carnaval carioca) e explicou a intenção por trás da peça:

— Nossa turma, formada no Instituto Beija-Flor, não é de atores e atrizes profissionais, mas preparou um espetáculo muito bonito para explicar assuntos importantes para a escola, para o Carnaval e toda a população negra. É uma mensagem que precisa chegar à sociedade brasileira, ainda mais num dia como o de hoje — disse Selminha, vestida com um turbante, acessório que remete à ancestralidade em culturas afro.

Além de Selminha e das estrelas da festa, estiveram no palco da Beija-Flor figuras como Rodrigo França, ator e diretor teatral; Katiúscia Ribeiro, filósofa e Flávia Oliveira, jornalista com atuação na GloboNews e no Jornal O Globo. Eles foram homenageados pela porta-bandeira e estão entre as personalidades negras convidadas pela Beija-Flor para desfilar em 2022.

Há um ano, também no Dia da Consciência Negra, a Deusa da Passarela iniciou sua disputa de samba para o próximo Carnaval, em busca de uma trilha sonora que embalasse sua apresentação sobre a intelectualidade das pessoas pretas. Recentemente, em outubro, foi escolhida no programa “Seleção do Samba”, da TV Globo, a obra da parceria do compositor J. Velloso (em memória). Os ensaios de canto para componentes estão acontecendo todas as quintas, às 21h, também na quadra.

Superliga oficializa parceria com a TV Alerj que transmitirá os desfiles da Intendente

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A Superliga, que administra os desfiles das séries Prata e Bronze, na Intendente Magalhães, concretizou a parceria da transmissão do Carnaval 2022 com a TV Alerj, na quadra do Acadêmicos da Rocinha.

Assinatura termo Alerj 1

“Demos um grande passo para o nosso carnaval. A parceria com os principais órgãos para os nossos desfiles deram um gás a mais nas agremiações. O trabalho dessas escolas estarão visíveis nacionalmente em tempo real com a transmissão. Isso deixará o espetáculo ainda mais competitivo e quem ganhará é o público que verão grandes desfiles”, revelou o presidente Clayton.

O evento reuniu os principais representantes como André Ceciliano, Presidente da Alerj, Luciano Silva, Diretor da Tv Alerj, o Vice-prefeito do Rio de Janeiro Nilton Caldeira, o Chefe de Gabinete do Presidente da Alerj Rui Aguiar, o Deputado Estadual Chiquinho da Mangueira e o Presidente da Liga RJ Wallace Palhares. Todos foram recebidos pelo Presidente da Superliga Clayton Ferreira e sua diretoria.

Os desfiles das escolas de samba da Superliga serão realizados nos dias 27 de fevereiro com o Grupo Bonze, dia 28 de fevereiro, o primeiro dia da Série Prata, 1° de março, segundo dia da Série Prata e dia 5 de março o grupo de avaliação.