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Beija-Flor abre temporada de ensaios de rua na Mirandela e recebe o Salgueiro no ‘Encontro de Quilombos’

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A Beija-Flor de Nilópolis abre neste sábado 13 de dezembro, às 19h, sua temporada de ensaios de rua para o Carnaval 2026. O pontapé inicial acontece na Estrada da Mirandela, dentro do tradicional “Encontro de Quilombos”, evento da escola que reúne agremiações coirmãs em Nilópolis.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Beija-Flor

O Salgueiro é a primeira escola a se apresentar com seu enredo especial em homenagem à grande carnavalesca Rosa Magalhães, celebrando sua importância histórica para o Carnaval. Em seguida, a Beija-Flor assume a Mirandela para seu ensaio de rua, encerrando a noite e abrindo oficialmente os treinos rumo ao enredo “Bembé”, desenvolvido por João Vitor Araújo.

Serviço
Evento Encontro de Quilombos – abertura da temporada de ensaios de rua da Beija-Flor
Data 13 de dezembro
Horário A partir das 19h
Local Estrada da Mirandela, Nilópolis
Concentração Altura da Rua João Evangelista

Rainha de bateria da Acadêmicos de Niterói revela sua filosofia leve e equilibrada para as festas de fim de ano

Rainha de bateria da Acadêmicos de Niterói, Vanessa Rangeli entra no clima das festas com um recado claro: no Natal, ela não faz restrições. Dona de uma rotina disciplinada ao longo do ano, a musa afirma que a data é momento de celebrar sem culpa, sempre com equilíbrio. Conhecida pela dedicação ao samba e aos cuidados com o corpo, Vanessa explica que o segredo está na constância dos hábitos saudáveis, e não na restrição extrema.

“Eu não faço dieta no período de Natal, essas coisas, entendeu? Mesmo trabalhando com a imagem e com o corpo, eu acho que não é o momento de ficar fazendo dieta ou comida adaptada”, afirma.

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Foto: S1 Fotografia/Divulgação Niterói

A rainha reforça que, por manter um estilo de vida equilibrado durante todo o ano, as celebrações não comprometem seus resultados. “Como o meu ano inteiro é saudável, eu já faço atividade física, então não vai ser o Natal ou o réveillon que vai estragar tudo. Meu organismo já é adaptado a uma boa alimentação, então eu não como tudo que vejo pela frente. Eu nem consigo”, destaca.

Com a agenda agitada da escola e a proximidade dos ensaios técnicos e o desfile, Vanessa mostra que é possível conciliar disciplina e prazer à mesa e que viver o Carnaval com energia também passa por respeitar momentos especiais como as festas de fim de ano.

Unidos da Tijuca promove a festa da bateria ‘Pura Cadência’ no domingo

No domingo, dia 14 de dezembro, a partir das 13h, ritmistas das agremiações do Rio de Janeiro têm um encontro marcado na quadra da Unidos da Tijuca. Mestre Casagrande e os componentes da bateria “Pura Cadência” promovem a Festa da Bateria durante a última edição da Feijoada Nota 10 do ano de 2025.

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Foto: Julie Abreu/Divulgação Tijuca

O evento, que visa confraternizar ritmistas receberá as baterias das coirmãs Imperatriz Leopoldinense, Acadêmicos do Salgueiro, União da Ilha, Unidos de Padre Miguel, São Clemente, Vizinha Faladeira e claro, a Pura Cadência, apresentando seus sambas antológicos e seus hinos do próximo carnaval. Para esquentar os tamborins, os alunos dos projetos da Oficina de Percussão Pura Cadência e Bora Batucar pra Ser Feliz mostrarão o que aprenderam ao longo do ano.

A feijoada poderá ser degustada por apenas R$ 30,00 e a quadra possui ampla variedade de alimentação. A entrada é franca até 17 horas, retirando a cortesia no Sympla. Os ingressos de pista antecipada custam R$25,00 (duplo). Mesas com 4 lugares e 4 convites custam apenas R$ 80,00 (1º lote). Quem optar por camarote poderá adquirir o superior para 10 pessoas por R$ 200,00 e o inferior por R$ 150,00, com ingressos inclusos. O público poderá comprar os ingressos antecipados on-line através do site Sympla, no televendas 21 98165-1753 ou na bilheteria, durante o evento.

A quadra da escola fica situada à Avenida Francisco Bicalho n° 47 – Santo Cristo. Há estacionamento amplo no local (gratuito).

Serviço:
Feijoada Nota 10 – Festa da Bateria Pura Cadência
Data: 14/12/2025
Horário: 13h
Atrações: Abertura Oficina de Percussão Pura Cadência e Bora Batucar Pra Ser Feliz
Baterias convidadas: Imperatriz, Salgueiro, União da Ilha, Unidos de Padre Miguel, São Clemente e Vizinha Faladeira
Vendas Antecipadas: https://www.sympla.com.br/evento/pagode-do-mestre-feijoada-nota-10-festa-da-pura-cadencia/3228479
Endereço: Avenida Francisco Bicalho nº 47 – Santo Cristo
Classificação: Livre

Com ‘empurrãozinho’ de Dodô Ananias, Rafael Tinguinha comemora chegada a São Paulo

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Roosevelt Martins Gomes da Cunha, popularmente conhecido como Pixulé, marcou época no carnaval paulistano. Entre 2018 e 2024, ele foi o intérprete oficial do Barroca Zona Sul – e sempre foi tratado como um dos melhores comandando um carro de som em toda a cidade. Para substituí-lo, a agremiação alçou a tal posto uma dupla: Cris Santos e Dodô Ananias. Em 2026, a agremiação terá outra dupla: Douglas ficou e Rafael Tinguinha chegou à verde e rosa. Em entrevistas concedidas na apresentação do samba-enredo do Barroca Zona Sul para 2026, os dois falaram sobre o novo dueto ao CARNAVALESCO.

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Convite

O 2025 de Rafael Roberto dos Santos, popularmente conhecido pelo primeiro nome e pelo apelido Tinguinha (por ser filho de Tinga, consolidado intérprete do universo das escolas de samba) teve um grande baque: o rebaixamento da São Clemente, escola que defendeu em 2025, à Série Prata do carnaval carioca – deixando de desfilar na Marquês de Sapucaí pela primeira vez desde a construção do Sambódromo.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Se o resultado da agremiação não foi o adequado, o desempenho dele agradou. Renovado com a escola do bairro de Botafogo, ele chamou atenção na outra ponta da Via Dutra. Ele mesmo explica: “Minha troca com a diretoria e a escola aconteceu naturalmente. Depois de cair a São Clemente, tiveram uns rumores sobre vir para São Paulo e o presidente Cebolinha me convidou, inclusive quero agradecer a ele pelo convite pois estou muito lisonjeado“, destacou.

Empurrãozinho

Diz o ditado popular que quem tem amigo não morre pagão. E uma das amizades construídas por Rafael Tinguinha na Cidade Maravilhosa foi Dodô Ananias. O próprio intérprete que irá para o segundo ano no Barroca Zona Sul explica: “O Rafael é um amigo pessoal. Para quem não sabe, eu sou gaúcho – mas moro no Rio de Janeiro há oito anos. Desde o início, quando eu comecei a morar no Rio de Janeiro, ele foi uma das pessoas que mais me acolheu, que mais me abraçou”, relembrou.

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Quando o presidente barroquense afirmou que queria novamente ter dois cantores, a indicação foi feita: “O presidente Cebolinha levantou alguns nomes nesse ano quando ele decidiu manter uma dupla de intérpretes, inúmeras possibilidades. E eu, de antemão, recomendei o nome do Rafael Tinguinha. Nós somos parceiros, ele é um cara que, assim como eu, está muito afim de trabalhar”, prometeu.

Debutante

Desde 2010 como cantor do carro de som do pai, Rafael Tinguinha assumiu o comando de um microfone principal em uma escola de samba pela primeira vez em 2017, na Lins Imperial – na então chamada Série C, quarto pelotão do carnaval carioca. Com a agremiação da Zona Norte carioca, chegou à Série Ouro – principal grupo de acesso da Cidade Maravilhosa. Além da São Clemente, também passou por outras escolas de samba tradicionais: Em Cima da Hora, Império da Tijuca e Academia de Samba Praiana – a última da cidade de Porto Alegre.

O intérprete, portanto, nunca tinha cantado em São Paulo. E, em um dia especial, ele foi apresentado de maneira oficial à comunidade da Zona Sul paulistana: “É a minha primeira experiência com o Carnaval de São Paulo como cantor e para mim está sendo muito gratificante. Eu acho que o tempo e as coisas conspiraram para isso, hoje é meu aniversário e a estreia aqui na escola portanto está sendo muito gratificante, devo agradecer a Deus por isso”, destacou – antes de ser parabenizado pela reportagem.

Carinho

Desde quando foram oficializados como intérpretes oficiais do Barroca Zona Sul, Dodô Ananias e Cris Santos eram vistos juntos frequentemente e sempre demonstraram ter muito carinho e apreço um pelo outro. Quando foi falar com a dupla após a apresentação oficial de “Os Nove Oruns de Iansã”, samba-enredo que sagrou-se vencedor do Estrela do Carnaval (organizado e concedido pelo CARNAVALESCO) de 2025, marcou a reportagem o longo abraço dos dois após a entrevista.

Mesmo sem ter obrigação de falar do antigo companheiro de função, Dodô Ananias fez questão de citá-lo: “Eu gostaria também de deixar registrado publicamente o meu muito obrigado ao Cris Santos pela parceria, pelo trabalho que a gente fez em 2025”, finalizou.

Olê olê olê olá! Componentes da Niterói opinam sobre homenagem para Lula no enredo de 2026

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Foto: Thaís Brum/Divulgação Rio Carnaval

O CARNAVALESCO entrevistou componentes da Acadêmicos de Niterói sobre o enredo de 2026. Subindo este ano para o Grupo Especial, oriunda da Série Ouro, a agremiação foi a última a divulgar o tema do desfile e apostou, com ousadia, no elemento político. Com o título de “Do alto do Mulungu, surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a agremiação mergulhará na trajetória do atual presidente do Brasil.

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“É um enredo maravilhoso, desafiador. O presidente Wallace foi muito ousado no que ele quis propor para a Niterói. Ele não foi mais do mesmo; ele avançou, ele ousou”, disse o advogado Luiz Alves, de 42 anos.

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Advogado Luiz Alves

“A escola veio com um enredo muito forte, por tudo que o Brasil, que o mundo está vivendo. A gente vem mostrar nossa força”, expressou o educador sanitário Cassiano Menezes, de 30 anos.

O motorista Eduardo Teixeira, de 43 anos, também aprovou. “É um tema muito propício, pois mostra a história de muitos brasileiros, principalmente o povo nordestino que veio pro Sudeste tentar melhorar de vida. É um enredo super atual e um dos melhores que tem (da safra de 2026)”, colocou ele.

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Motorista Eduardo Teixeira

O também motorista Amarildo Rodrigues, de 61 anos, por outro lado, mostrou ressalvas: “É um enredo muito polêmico, devido à situação atual que o país está passando, mas a gente tá com fé que vamos conseguir permanecer no Grupo Especial”.

Para Amarildo, o tema pode gerar uma desconfiança do público, dificultando a simpatia popular para com a escola ascendente.

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Motorista Amarildo Rodrigues

“Cada um pensa de uma forma e a gente nunca está na cabeça das pessoas, de modo que a gente teme alguma retaliação do público bolsonarista. É coisa que pode ser superada ao longo do tempo até chegar o carnaval, com certeza”, avaliou o folião sexagenário.

“O enredo vai enfrentar o preconceito de uma parte do público sim, não tem como, mas a maioria dos sambistas ama o presidente Lula, por tudo que ele fez no país desde 2002 até 2010 e agora”, opinou Luiz.

Eduardo compartilha da mesma visão. Para o quarentão, o receio aparece quando se trata de qualquer pessoa pública, embora, acredite ele, a população do samba, uma classe sofrida e carente, esteja mais com Lula do que outros setores da sociedade.

Na análise de Cassiano, a biografia de Lula merece ser contada na avenida da mesma maneira que a de Ney Matogrosso, Rita Lee e Maria Carolina de Jesus, enredos da Imperatriz, Mocidade e Unidos da Tijuca, respectivamente.

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Educador sanitário Cassiano Menezes, de 30 anos

“Por que não falar dele?”, questionou o educador sanitário. “Um operário que veio pobre de Pernambuco para São Paulo e chegou onde chegou, vindo a ser presidente da República. É uma história muito bonita, independente de partido político. A gente tem que dar o respeito ao ser humano que ele é”, prosseguiu.

“Na minha opinião, a história dele casa muito com a da Niterói, porque as pessoas já estão achando que a gente chegou e vai cair. Todo mundo achou que ele era um pobre coitado, que ele não ia chegar em lugar nenhum, mas ele veio com a humildade dele e mostrou que ele é o gigante que é hoje”, comparou a agente administrativa Tais Azevedo, de 36 anos.

Para Tais, engana-se quem pensa que a escolha é político-partidária. “A gente não vem focado na parte política do personagem, mas em sua história, na essência do Luís Inácio Lula da Silva. O Lula é uma pessoa que fez a gente acreditar no que a gente é hoje. Eu não poderia fazer uma faculdade, consegui fazer uma faculdade. Eu teria que morrer sendo faxineira e ele mostrou que eu não tenho que ser faxineira. Que eu posso ser o que eu quiser por ter condições de fazer minha faculdade e depois pagar”, disse a jovem.

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Agente administrativa Tais Azevedo

“O Lula tem uma linda história de vida. Veio lá de Garanhuns, nascido em Pernambuco, foi para São Paulo como operário, virou deputado federal, se candidatou à presidência três vezes, foi vice para o Fernando Collor de Mello, duas vezes vice para o Fernando Henrique Cardoso, depois veio a ser presidente da República e, depois de ser preso de forma injusta, voltou à Presidência da República”, complementou Luiz Alves.

O advogado defendeu ainda que o caminho para driblar a possível animosidade do público em relação à escola se dá através do foco na emocionante história de vida do operário que virou presidente. Nesse sentido, ele cita o desfile da Imperatriz de 2016, que homenageou Zezé di Camargo e Luciano.

“Até então, o sertanejo era muito criticado no nosso meio. Eu mesmo tinha um certo preconceito, mas, quando vi a história da dupla, fiquei impactado”, relembrou o profissional jurídico.

Confiante, eles acreditam que a sucinta trajetória da escola, que foi fundada em 2018 e ingressou em 2022 no lugar da Acadêmicos do Sossego na segunda divisão do Carnaval carioca, não atrapalha os planos de se manter no Grupo Especial. Nem mesmo as dificuldades de ser a primeira de domingo a desfilar ou a máxima de que a agremiação que ascende ao Grupo Especial é a mesma a descer no ano subsequente, como vem se repetindo, injustamente, nos últimos anos, são capazes de desanimar os seus foliões.

“A Niterói é uma escola que tem uma comunidade muito forte. Vamos quebrar o tabu que toda escola que sobe desce. Peço a todos que vão à Marquês de Sapucaí assistir à nossa escola que vai abrir o carnaval do Rio”, colocou Cassiano.

“A gente vai levar o título de campeão. A gente está trabalhando para isso, a comunidade abraçou o enredo muito forte, estamos com fila de espera para pessoas que querem desfilar na nossa escola. É uma escola nova, mas que tem uma comunidade muito forte, pessoas que acreditam”, garantiu o educador sanitário.

“Vamos surpreender quem acha que vai subir e descer. Não, vamos brigar para ficar. Vamos fazer um desfile para chegar entre o top 5 do carnaval carioca”, cravou Eduardo.

“É claro que a escola vem como a caçulinha, como novidade, mas espero que a Niterói possa impactar a Marquês de Sapucaí com o seu enredo sobre Lula, que é algo diferente. A Niterói foi além. Ela avançou. Fale bem ou fale mal, mas falem da Niterói”, finalizou Luiz.

Salgueiro recebe Vila Isabel neste sábado

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A temporada de grandes encontros segue com tudo e o próximo ‘Salgueiro Convida’ já está no forno. Neste sábado, a energia vem diretamente da nossa vizinha. A Unidos de Vila Isabel chega no Torrão com todo balanço, irreverência e promete estremecer a Silva Teles com grandes sambas.

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As portas do Torrão abrem as 20h30 com um pagodinho e logo depois a Academia do Samba sobe ao palco com um show completo de seus segmentos. Em seguida, o Povo de Noel promete um show inesquecível com seus maiores sucessos.

SERVIÇO – SALGUEIRO CONVIDA VILA ISABEL
Data: 13/12/2025
Abertura da quadra: 20h30
Endereço: Rua Silva Teles, 104. Andarai.
Atrações: show completo do Salgueiro e apresentação de Vila Isabel.
Ingressos: Guichê Web

Tijuca reescreve sua história em ensaio de evolução crescente e ‘Pura Cadência’ pulsante

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A Unidos da Tijuca realizou, na noite da última quinta-feira, seu sexto ensaio de rua, no Santo Cristo, Zona Portuária do Rio. O canto crescente da comunidade, a fluidez na evolução e a pulsação firme da bateria “Pura Cadência” criaram uma noite em que cada gesto parecia apontar para a mesma direção: a Tijuca quer reescrever a própria história. E já começa a reescrevê-la na rua. A escola será a última a desfilar na segunda-feira de Carnaval, com o enredo “Carolina Maria de Jesus”, assinado pelo carnavalesco Edson Pereira.

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Fotos: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

Elisa Fernandes, diretora de carnaval, falou ao CARNAVALESCO. Segundo ela, a Tijuca está confiante, mantendo os pés no chão, mas consciente de que reúne condições reais de disputar as melhores posições do Carnaval.

“Acho que foi mais um grande ensaio. A escola tá muito feliz com o samba, com o enredo, e isso tá se transmitindo no canto. As pessoas tão felizes, se divertindo o ensaio inteiro. O Marquinhos muito bem, a bateria com bossas maravilhosas… a gente sente uma energia bem especial. E a gente tem falado sobre isso no barracão. A escola está feliz e acreditando que está em condições de brigar pelo título, de brigar para voltar entre as seis, por ótimas colocações, que é o que faz jus à história da escola”, declarou.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

No clima de afirmação que marcou o ensaio de rua, o primeiro casal da Tijuca abriu a noite com uma apresentação que sintetizou elegância e expressividade. Matheus André e Lucinha Nobre atravessaram o ensaio de rua com elegância no bailado que já é marca da dupla. Vestidos de maneira impecável, reforçaram o refinamento visual da escola: Lucinha em um vestido azul com detalhes dourados e bota igualmente dourada; Matheus em um traje dourado combinado com uma camisa branca, compondo uma paleta que dialoga diretamente com as cores da agremiação.

O casal apresentou um bailado seguro, comunicativo e reconhecível para quem acompanha os treinos de rua desta temporada, reiterando movimentos que se tornaram assinatura e funcionam bem na relação com o samba.

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No trecho “Me chamo Carolina de Jesus, dele herdei também a cruz”, ambos projetam o pavilhão com vigor, criando um momento de alta intensidade, no qual o gesto de apresentar a bandeira dialoga com a proposta da Tijuca para 2026: reescrever sua própria história a partir da celebração da memória e do legado de Carolina Maria de Jesus.

Outro momento expressivo ocorre quando o samba menciona “a sina da mulher preta no Brasil”. Lucinha, mais uma vez, assume o protagonismo à frente, gesto que ecoa a escolha estética e política da escola: colocar as mulheres pretas tijucanas como narradoras vivas do enredo sobre a escritora. É uma proposta coreográfica que transcende o movimento corporal, transformando o bailado em discurso.

Ainda que a evolução do casal seja evidente ao longo da temporada, este ensaio registrou pequenas imprecisões, sobretudo na finalização e no encontro de alguns movimentos, o que não compromete o conjunto. A curva é ascendente, e há elementos suficientes para que Matheus André e Lucinha Nobre defendam o quesito com qualidade no desfile de 2026.

SAMBA E HARMONIA

A sensação dominante ao longo da temporada é que o samba da Unidos da Tijuca ganhou corpo, densidade e potência a cada ensaio. Nesta noite, esse amadurecimento ficou ainda mais evidente. O pré-refrão e o refrão principal — “Sou a liberdade, mãe do Canindé / Muda essa história, Tijuca! / Tira do meu verso a força pra vencer / Reconhece o seu lugar e luta / Esse é o nosso jeito de escrever” — surgem como motores emocionais da obra. São cantados de maneira explosiva, quase como um ritual de liberação coletiva.

A intensidade, no entanto, ainda não percorre o samba por inteiro. Há uma margem clara de crescimento: se a comunidade conseguir transferir para o meio do samba a mesma energia manifestada no pré-refrão e no refrão principal, o samba ganhará maior vigor e a sensação de virada se tornará permanente, não pontual. Sustentar o canto, e não apenas explodi-lo em momentos específicos, pode elevar a harmonia para um patamar decisivo.

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Nesse processo, o papel de Marquinho Art’Samba é fundamental. O intérprete conduz com clareza e emoção, imprime verdade aos versos, convoca o tijucano a cantar com vontade, com raça e com aguerrimento. Mérito tanto dele quanto da equipe do carro de som, que sustenta o desempenho com segurança técnica.

Ao comentar o desempenho da noite, em entrevista ao CARNAVALESCO, Marquinho Art’Samba destacou que o crescimento da obra tem sido fruto do amadurecimento coletivo e da repetição constante dos ensaios:

“É o que sempre costumo dizer: quanto mais a gente canta o samba, mais vamos conhecendo as nuances do samba. É um samba que é construção e estamos chegando lá. A comunidade está cantando. Quando a escola escolhe aquilo que o povo quer cantar, não tem jeito”, disse.

EVOLUÇÃO

Na evolução, a Unidos da Tijuca evidencia um salto qualitativo construído a partir dos ensaios setoriais. Há mais fluidez no caminhar, mais liberdade corporal e uma alegria que se espalha pela pista. O componente, mais solto, brinca com o samba, interpreta a obra e encontra espaço para performar o enredo de 2026 com espontaneidade. Essa liberdade individual gera uma evolução coletiva mais natural, menos protocolar, que precisa ser aproveitada com astúcia pela direção da escola.

Esse avanço está ligado à segurança no canto. Quando o componente domina a letra do samba na ponta da língua, o corpo se libera. Surge a confiança para dançar, para ocupar o espaço. Durante a passagem das alas, era perceptível a leveza com que os segmentos ocupavam a rua com naturalidade. No ensaio, a escola preencheu a via D1 de ponta a ponta, transmitindo presença, volume humano e energia, elementos fundamentais para o quesito.

Para a diretora de carnaval Elisa Fernandes, essa mudança na evolução é fruto direto dos ensaios setoriais, pensados para liberar o corpo do componente e estimular uma performance mais viva e menos engessada:

“Na verdade, a gente tem começado a fazer os ensaios individuais por setores justamente para mostrar o que espera do componente. A gente não quer essa coisa engessada; quer que o componente se divirta, sabe? A gente tá preparando um carnaval tão bonito para a pessoa vir marchando, né? Não é o nosso objetivo. É um samba que puxa a escola, e as pessoas clamam, batem no peito, levantam a mão, erguem os punhos. A gente quer essa vibração, que as pessoas se divirtam, que ofereçam o melhor que elas têm para homenagear a Carolina. Esses ensaios individuais, com certeza, já são um pouco do que você está vendo de diferente. Estamos trabalhando muito para fazer um Carnaval maravilhoso.”

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Pura Cadência”, comandada por mestre Casagrande, sustentou mais uma apresentação de alto nível no ensaio de rua da Unidos da Tijuca. A bateria atravessou a via D1 com firmeza e vitalidade, construindo uma cadência que impulsiona a escola e estimula o público a cantar com força o samba em homenagem a Carolina Maria de Jesus.

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As bossas tiveram papel de destaque na noite. A executada na cabeça do samba abriu o cortejo com precisão; a bossa do refrão do meio construiu um diálogo direto com os cantores, enriquecendo a textura musical; e a do pré-refrão principal — “Sou a liberdade, mãe do Canindé” — apareceu bem marcada e com impacto. Juntas, reforçaram o caráter narrativo-musical do enredo.

No fim do ensaio, Casagrande explicou ao CARNAVALESCO que as três bossas foram pensadas para respeitar o regulamento, dialogar com a ancestralidade da homenageada e intensificar a comunicação com o carro de som:

“Temos três bossas do jeito que a gente gosta de fazer, sempre respeitando o regulamento. A primeira é na cabeça do samba, que é um jongo de umbanda, uma homenagem à ancestralidade de Carolina Maria de Jesus. A segunda é no refrão do meio, quando jogamos com o carro de som. E a terceira é a bossa da liberdade, um contra-canto da escola que vem com uma retomada muito forte, bem pra frente. Para quem achava que o samba era triste, conseguimos colocá-lo pra frente com um resultado excelente”.

Outro destaque foi a presença da rainha de bateria Mileide Mihaile, que completou a noite com brilho próprio. Vestida com um maiô rosa em degradê nas cores do arco-íris, Mileide exibiu muito samba no pé e forte comunicação com o público e com os segmentos da escola. Sua atuação transmitiu a sensação de realização plena no posto: ela não apenas desfila, mas vive o lugar de rainha em diálogo com a comunidade.

O momento final do ensaio sintetizou essa postura. No encerramento, Mileide convidou integrantes da ala de passistas para dividirem a roda, oferecendo espaço para que cada um se apresentasse. A cena criou um clima de integração leve, afetivo e espontâneo, reforçando o sentido de coletividade que a Tijuca busca projetar nesta temporada.

Comissão inspirada e samba firme: Estácio de Sá brilha no minidesfile

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Fotos: S1 Comunicação

Em um minidesfile de energia constante e clima de afirmação, a Estácio de Sá apresentou uma comissão inspirada nas danças dos orixás, um primeiro casal de bailado tradicional e regular, forte participação no canto e uma evolução mais leve, que promete superar os problemas do último carnaval. A ala de passistas e a bateria “Medalha de Ouro”, do mestre Chuvisco, reforçaram o bom desempenho da noite. A Estácio será a quinta escola a desfilar no sábado de Carnaval com o enredo “Tata Tancredo: o papa Negro no terreiro do Estácio”, assinado pelo carnavalesco Marcus Paulo.

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Sob a direção de Júnior Barbosa, a comissão de frente surgiu com figurinos em azul-claro e branco, com pinturas corporais que reforçaram a referência estética ao universo afro-brasileiro. Os movimentos evocavam a dança dos orixás com vigor, em alguns momentos distribuídos de forma espelhada pelos dois lados da pista, o que gerou boa leitura visual. Um dos momentos mais bonitos da apresentação ocorreu quando toda a comissão se abaixou e a pivô girou ao centro, incorporando a homenagem que a agremiação faz a Tata Tancredo. O primeiro casal, Feliciano Junior e Raphaela Caboclo, apresentou um bailado leve e gracioso, de caráter mais tradicional. A apresentação foi regular ao longo de toda a pista, com estabilidade e sintonia suficientes para traduzir a proposta coreográfica da dupla.

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A Estácio apresentou um canto constante e bem distribuído entre os componentes. Tanto o primeiro refrão, “Atabaques no terreiro, na porteira o guardião…”, quanto o refrão principal, “Macumba é Macumba, canjerê, mojubá…”, foram cantados com explosão, sustentando o samba com firmeza ao longo do percurso. A evolução da vermelho e branco foi uma das melhores da noite: a escola desfilou com leveza, fluidez e alegria, sinalizando a intenção de superar os problemas enfrentados no quesito em 2025.

A ala de passistas da Estácio teve grande destaque, mostrando categoria e domínio absoluto do samba no pé, reforçando a tradição da escola mais antiga do Carnaval carioca. Já a bateria “Medalha de Ouro”, sob comando do mestre Chuvisco, mostrou segurança e identidade rítmica, com a bossa no trecho “Chegou general da banda, azeitado no dendê” trazendo tempero particular à apresentação e dialogando bem com o clima do enredo, que homenageia Tata Tancredo.

Excelência em cada quesito: minidesfile impecável da Unidos de Padre Miguel

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Fotos: S1 Comunicação

De volta à Série Ouro após o contestado rebaixamento em 2025, a Unidos de Padre Miguel mostrou mais uma vez o nível de apresentação que alcançou. Uma escola redonda em todos os quesitos: comissão de frente com boa coreografia e ótima execução, casal experiente e entrosado, ótimo samba, organização e uma comunidade vibrante, resultando em um excelente minidesfile, sem pontos falhos. O enredo da escola da Zona Oeste para o próximo Carnaval é “Kunhã-Eté: O Sopro Sagrado da Jurema”.

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A comissão de frente, coreografada por Paulo Pinna, trouxe os componentes vestidos com roupas em diferentes tons de vermelho, numa coreografia visceral e com excelente sincronia. Uma dança de temática indígena, com nível de dificuldade extremamente bem executado. O casal Marcinho e Cris Caldas exibiu o entrosamento de anos de parceria, com uma apresentação bonita. Cris tem giros muito graciosos, combinando com o bailado gingado de Marcinho.

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A comunidade de Padre Miguel pisou forte para mostrar que o rebaixamento do Grupo Especial não diminui a excelência da escola nos últimos dez anos. O que se viu foi um chão pulsante durante toda a apresentação da vermelho e branco, com todas as alas cantando muito o ótimo samba da agremiação. O canto não apresentou quedas, com sustentação do início ao fim. A qualidade do samba ajudou nesse canto explosivo, com grande construção melódica e letra inspirada, e uma interpretação firme de Bruno Ribas em conjunto com seus apoios. A evolução dos componentes seguiu o ritmo quente do canto, com alas avançando brincando e pisando com muita energia. Mestre Laion, em seu primeiro ano na Unidos de Padre Miguel, já imprimiu sua marca na bateria, com bossas ousadas e coreografias entre os ritmistas.

Porto da Pedra mostra vigor, sincronia e samba em grande noite de Wantuir

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A Porto da Pedra fez um minidesfile enérgico na Cidade do Samba, com uma comunidade que se entregou ao enredo sobre as prostitutas e cantou muito forte. A agremiação contou também com Wantuir inspirado e um bom desempenho de seu casal para realizar uma ótima apresentação. O enredo da vermelho e branco é “Das mais antigas da vida, o doce e amargo beijo da noite”.

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Fotos: S1 Comunicação

Aline Kelly trouxe uma comissão bem-humorada, com homens e mulheres representando prostitutas, uma pomba-gira permeando a coreografia e um homem deitado em uma cama sendo seduzido. O momento do tripé acabou não concatenando tão bem com a coreografia dançada, que fluiu melhor. Rodrigo França e Joyce Santos realizaram uma bela apresentação; Joyce encaixou uma série de giros com muita energia e precisão. Rodrigo exibiu seu bailado extremamente ágil e bonito; ambos apresentaram uma ótima sincronia.

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A escola de São Gonçalo cantou forte em sua passagem, com destaque para os dois refrães e o trecho “uma puta mulher, que sabe o que quer”, mas todo o samba foi entoado pelos componentes, que mostraram muita garra. A obra teve bom rendimento com um belo desempenho de Wantuir, em grande noite. A bateria de mestre Pablo veio com sua tradicional pegada, contribuindo para um bom desempenho do samba. A Porto da Pedra evoluiu com qualidade e organização, ao mesmo tempo em que avançava pela pista com muito entusiasmo, tomando todo o espaço para si.