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Ídolos do Flamengo visitam barracão da Estácio de Sá e confirmam participação no desfile

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Com os preparativos do carnaval em andamento, a Estácio de Sá recebeu a visita de três eternos ídolos da torcida rubro-negra em seu barracão localizado na Cidade do Samba. Dotados de um carisma sem igual, Adílio, Mozer e Nélio estiveram com a dupla de carnavalescos Mauro Leite e Wagner Gonçalves, responsáveis por dar vida ao enredo “Cobra Coral, Papagaio Vintém… #VESTIRUBRONEGRO , Não Tem Pra Ninguém”, tema apresentado em 1995 e que contou com a presença de dois, dos três craques no elenco que reforçou a constelação estaciana à época. Mozer, que não desfilou na primeira oportunidade, fará sua “estreia” na Marquês de Sapucaí prometendo a mesma garra que o levaram à zaga da Seleção Brasileira.

flamengo estacio
Foto: Victor Brito/Divulgação Estácio

“O samba já está na ponta da língua e vamos, sem dúvidas, jogar juntos com a Estácio na briga por este título que não veio em 1995 mas tem tudo para chegar no ano que vem”, disse o ex-zagueiro.

Recebido pelo presidente Leziário Nascimento e por toda a diretoria, o trio participou de uma breve explanação do enredo e teve acesso exclusivo aos protótipos das fantasias que retratarão o enredo quando a escola pisar na Avenida no sábado de Carnaval.

“Já estamos contando com a torcida flamenguista fazendo a festa dentro e fora da Avenida, nossa missão é convocar a massa para estar conosco”, comentou Nélio que, ao lado de Adílio, ressaltou a popularidade do samba cantado em todos os jogos do Flamengo.

Inscrições para as alas de comunidade e ensaios na quadra já estão acontecendo

Para quem deseja desfilar no carnaval 2022, as inscrições para as alas de comunidade acontecem sempre às segundas feiras, a partir das 19h, na quadra da escola, dia em que também são realizados os ensaios de canto com todos os segmentos. Para quem desfilou no último carnaval ou para novos componentes, a inscrição sai a R$70. Além da taxa, é necessário apresentar comprovante de residência, cópia da identidade e duas fotos 3×4. A presença nos ensaios de comunidade é condição obrigatória para o recebimento da fantasia. O GRES Estácio de Sá será a terceira escola a desfilar no dia 26 de fevereiro.

Passistas do Tuiuti realizam festa e recebem Vai-Vai no domingo

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Com o objetivo de valorizar uma das alas mais tradicionais do Carnaval, os passistas do Paraíso do Tuiuti, coordenados por Alex Coutinho e Jorge Amarelloh, realizam, neste domingo, 14, a partir das 13h, a sexta edição da Festa de Passistas do Paraíso do Tuiuti. Neste ano, o tema é “A força de um abraço”. O evento terá a presença de diretores de alas de passistas de diversas agremiações.

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Foto: Ewerton Pereira/Divulgação Tuiuti

“Escolhemos este tema para mostrar como um gesto tão simples fez tanta falta na pandemia. Então, vamos comemorar e nos unir, unir todas as alas de passistas e deixar a competição apenas para a Sapucaí. Teremos a presença de alas de passistas do ES, SP e de todos os grupos do Rio de Janeiro. Vamos homenagear os grandes passistas e musas da Avenida”, afirma Alex Coutinho.

A festa de domingo ainda contará com diversas atrações, como show da própria Tuiuti e da agremiação paulista Vai-Vai. Haverá também o Grupo Êtalel e Grupo Balacobaco, Grupo Pra Valer, Mc Kátia e Mc Nem, Dj Pescoço e DJ James.

Os ingressos serão vendidos na hora por R$ 20. Passistas não pagam a entrada. Quem quiser reservar mesas ou camarote, pode entrar em contato no telefone (21) 96445-3714.

Serviço:
Sexta edição da Festa de Passistas do Paraíso do Tuiuti
Data: domingo, 14 de novembro de 2021
Horário: a partir das 13h
Endereço: Campo de São Cristóvão nº 33 em São Cristóvão – RJ
Entrada: R$20 (Passista não paga)

Vigário Geral 2022: samba-enredo oficial

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Compositores: Júnior Fionda, Fagundinho, Luis Carlos D’avenida, Marcelinho Santos, Domenil Santos, Robert Farrow, Luiz Pião, Gigi da Estiva, Fadico, Romeu, Felipe Revelação, Silvana, Rodrigo Shumacher e Carlinho Ousadia
Intérprete: Tem-Tem Jr

SOU O FILHO DO CATIVEIRO
VENTO DE BALANÇAR MARÉ (ô maré)
O CLAMOR QUE VEM DOS TUMBEIROS
FIZ DO LARGO DO PASSO AXÉ
A CANDEIA DE ANGOLA,
MOÇAMBIQUE E DO CONGO
FUI O CAIS DA ESPERANÇA
A PUJANÇA DO VALONGO
PRETOS NOVOS ACUADOS
FEITO RATOS DE ARMAZÉM
SUPLICAVAM PIEDADE
AOS SENHORES DO VINTÉM

“DONDE” VEM ESSA VOZ SEU MOÇO
É UM CANTO DE ORAÇÃO
LERÊ LERÊ VEM DO MORRO DA CONCEIÇÃO
“DONDE” VEM ESSE CANTO FORRO
ECOA DE NORTE A SUL
É ALABÁ DA FALANGE DE OMULU

IYÁ KEKERÊ FOI CIATA D’OXUM
KILOMBO DA ARTE, CANGIRA VODUM
PRAZERES POR HEITOR QUE DEU O NOME
ONDE DONGA AO TELEFONE FEZ A JURA PRO SINHÔ EU VI BROTAR JOÃO E PIXINGUINHA
NO TERREIRO DAS BAIANAS…
DE GANDHI FUI HERDEIRO DO AGOGÔ
SOU O FIM DE TODO AÇOITE
CRIA DA FAVELA
ONDE GUARDAM NOSSA ORIGEM
SOU VIGÁRIO SENTINELA
AOS REBANHOS DE PASTORES
QUE ME QUEIRAM DESTRUIR
DA ESTIVA SOU PATENTE
NEGRO RUIM DE DESISTIR

ATABAQUE EVOCOU ORIXÁ NO ILÊ
E O PONTO FIRMOU NO TOQUE DO ALABÊ
PEQUENA ÁFRICA… RAIZ CULTURAL
O SAMBA RESISTE NA PEDRA DO SAL

Emoção! Dragões da Real reencontra a comunidade no início dos ensaios para o desfile de 2022

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A comunidade da Dragões da Real se reencontrou no último sábado após quase dois anos afastada na pandemia. Seguindo todos os protocolos sanitárias, a escola caprichou na recepção para o seu povo. Em 2022, o enredo é “Adoniran”, que será desenvolvido pelo carnavalesco Jorge Silveira.

Presidente da Dragões, Renato Remondini, o Tomate, falou ao CARNAVALESCO sobre o reencontro da escola com a comunidade. “A Dragões não parou. Fizemos um monte de coisas durante a pandemia. Do que a gente podia fazia. Não era a mesma coisa. Hoje, a gente faz o reencontro. Emocionante. O nosso povo estava carente disso”.

Para o intérprete Renê Sobral, prêmio ESTRELA DO CARNAVAL 2020, o samba-enredo de 2022 foi uma escolha certeira da Dragões.

“O samba é muito cultural. Tem história muito bonita. Fico muito orgulhoso em participar e cantar Adoniran. É muito rico culturalmente. Estou muito feliz e os compositores foram felizes na letra. Além disso, é muito bom voltar aos ensaios. Todo mundo com saúde e a abertura progressiva”, disse o intérprete. No ensaio foram apresentados dois novos componentes da ala musical: Tami e Rapha.

Rogério Félix, diretor de harmonia, explicou o que estava sentindo na volta do samba e falou sobre o canto da comunidade para o desfile.

“É uma sensação difícil descrever (falar do retorno). Voltar ao nosso terreiro para o ensaio. Mexe muito com a gente. Infelizmente, perdemos muitos componentes e no carnaval todo. Ao mesmo tempo que é satisfação voltar com saúde, a responsabilidade é muito grande de manter a cultura. É um momento único rever nossa comunidade. Vamos nos reinventar dentro do ensaio. É uma emoção muito grande, quase como se fosse um desfile. Graças a Deus vamos ter desfile, sofremos muito que não teve ano passado. Com ou sem máscara, a nossa cultura está viva. O carnaval sempre teve que se reinventar”.

Diretor de carnaval, Márcio Santana, contou a programação da escola. “Já estamos trabalhando com as possibilidades de reabertura. Já estamos ensaiando apenas com a bateria e retomamos os de sábado. Correndo tudo bem a gente segue para abrir os de quinta-feira. Pretendemos levar quatro alegorias e uma média de 2500 componentes. Podem esperar uma escola incorporada de muito samba. A gente brinca que vamos ressuscitar o Adoniran”.

Mestre Tornado explicou o sentimento da volta dos ensaios. “É de alegria, felicidade, vida. Com todos os protocolos e o que a escola oferece vamos trabalhar. O sentimento é de confiança. Estou arrepiado. Tivemos que adaptar a bateria pela redução de componentes. Falam que sou o louco das bossas e já tenho quatro ou cinco para o desfile”.

Para o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Dragões, Rubens de Castro e Evelyn Silva, o sentimento de volta é de vitória. “É uma felicidade imensa. Passamos muito tempo longe do carnaval. Hoje, a gente sente muita alegria em ver a comunidade. Esperem muita criatividade e locura, que fazem parte da nossa dança”, disse a porta-bandeira.

“Esse ano tudo será muito rápido. Vamos fazer tudo técnico e objetivo. Estamos dentro do cronograma. Aguardem novidades das nossas fantasias”, completou o mestre-sala.

Veja mais imagens do ensaio

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Cubango 2022: samba-enredo oficial

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Compositores: Cláudio Russo, Jr Fionda, Robson Ramos, Sardinha, Anderson Lemos, Rafael Duda, Alessandro Falcão e Rildo Seixas
Intérprete: Pixulé

Ô ô…
Sou a nobre nega mina
Lá da roça da Sabina
O quintal de salvador
Ô ô… Preta Flor!
Fiz da arte a cartilha
Pra vencer toda quizila
Um caminho de amor
Rezava o Rosário de Maria
Ouvia os tambores do Lugar
Seguia a minha fé em romaria
Na velha guia e no patuá
A Chica de Quelé, Exu deu direção
No ilê axé de São Sebastião
Janeiro começou já era dia seis
Rainha em dia de Reis

A Eparrei! Ela é oya, bela oya
Magé Bassã… Yalorixá
Sou filha de Oxóssi caçador
Odé odé oke arô

Bradei a voz da cor
meus ancestrais foram pilares
Francisca… do clã nagô
forjada em ventre de palmares
mamãe chamou a luz de Orum vi clarear
E fiz morada no infinito de Oxalá
Ê baiana dos ventos e trovões
Que a força de Iansã leve amor aos corações
Batuqueiro toma frente na batalha
Desce a mão no couro pro senhor da palha

Na pedra fria, no pé do morro
Dizem que mora um velho lá

Sou Cubango de atotô, axé!
Chama viva da negrura…
Chica Xavier!

Sou Cubango de atotô, axé!
Chama viva da ternura…
Me chamo Chica Xavier

Grupo Especial do Rio em 2022: nova oportunidade a pessoas interessadas na compra de frisas

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Pessoas interessadas na compra de frisas para os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial no domingo de Carnaval, 27 de fevereiro; segunda-feira de carnaval, 28 de fevereiro; e no sábado das campeãs, 05 de março, que enviaram e-mail com o pedido de reserva e não foram contempladas ou não enviaram pedidos, terão uma nova oportunidade para a aquisição desses ingressos. A Liesa disponibiliza, a partir desta quarta-feira, dia 10 de novembro, ingressos de frisas de seis lugares das filas C e D, para os desfiles de Domingo, Segunda-feira e Campeãs.

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Também estão sendo disponibilizadas as Frisas de 04 lugares nos Setores 12 fila B a R$ 1.500,00 e 13 filas C, D, E, F e G, no valor de R$ 1.100,00.

Todas estas frisas foram reservadas na primeira e segunda etapas do atendimento, porém as pessoas habilitadas à compra não compareceram no prazo fixado para a quitação dos ingressos, que retornaram ao balcão de vendas.

Nesta nova fase, as frisas podem ser adquiridas através do telefone (21) 3032-0051 da Central Liesa de Atendimento, de segunda a sexta-feira, de 09h às 16h. O pagamento será à vista (através de boleto bancário que será enviado para o e-mail do interessado).

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INFORMAÇÕES IMPORTANTES:

– Se no evento tiver a determinação de observância de protocolos, os mesmos deverão ser cumpridos por todos participantes do evento;

– Se por ventura não ocorrer os Desfiles no período de Carnaval por causa da Pandemia, já está ajustado com a RIOTUR / Prefeitura a realização dos Desfiles no segundo fim de semana do mês de Julho/ 2022.

DÚVIDAS/ INFORMAÇÕES

Dúvidas acesse: Perguntas Frequentes (FAQs)

E-mail: [email protected]

Central LIESA de Atendimento e Vendas
Rua da Alfândega, 25 – lojas A, B e C – Centro do Rio
Horário de Atendimento telefônico: De Segunda a Sexta-feira das 09:00 às 17:00 horas
Tel.: (21) 3190-2100

Opinião: ‘Gabriel David com erros e muito mais acertos nos primeiros meses na Liesa’

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Em Cima da Hora 2022: samba-enredo oficial

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Compositores: Guará e Jorginho das Rosas
Intérprete: Ciganerey

Vamos sublimar em poesia
A razão do dia a dia
Pra ganhar o pão
Acordar de manhã cedo
Caminhar pra estação
Pra chegar lá em D. Pedro
A tempo de bater cartão
Não é mole não
Com a inflação
Almejar a regalia
E o progresso da nação

O suburbano quando chega atrasado
O patrão mal-humorado
Diz que mora logo ali
Mas é porque não anda nesse trem lotado
Com o peito amargurado
Baldeando por aí
Imagine quem é lá de Japerí
Imagine quem é lá de Japerí

Olhando a menina de laços de fita
Batucando na marmita
Pra não ver o tempo passar
Esquecendo da tristeza quando o trem avariar
Esquecendo da tristeza quando o trem avariar

E na viagem tem jogo de ronda
De damas e reis
Vendedores, cartomantes, repentistas
Tiram onda de artista
No famoso “Trinta e Três”
O trombadinha quase sempre se dá bem
O paquera apanha quando mexe com alguém
Não é tão mole andar de pingente no trem
Não é tão mole andar de pingente no trem

Mauro Cordeiro: ‘Protagonistas do Carnaval de 2022’

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Relógio zerado, soou a sirene. O locutor oficial do evento anuncia a escola. Em cinco minutos o desfile terá início. Os fogos de artifício pintam o céu nas cores da bandeira e atestam que é chegada a hora tão ansiada. As alegorias são, uma a uma, acionadas para entrar na avenida. É o momento dos últimos ajustes e retoques, os destaques vão assumindo seus lugares e a iluminação faz os carros alegóricos e tripés brilharem para encantar o público. Os componentes, já fantasiados, se organizam nas alas tomando suas
posições. Existe uma tensão que paira no ar. Ressoam os tambores. Este ritual se repete escola após escola. Depois de todo um ciclo anual de fabrico e produção, a escola, finalmente, vai desfilar. E quando entrarem na avenida para o carnaval de 2022 as escolas de samba do carnaval carioca estarão encerrando um longo inverno sem folia.

Os milhares de componentes que irão cruzar o Sambódromo da avenida Marquês de Sapucaí no próximo ano serão protagonistas de um carnaval histórico. Em 2022 estaremos completando noventa anos do primeiro desfile, aquele organizado por iniciativa do jornalista Mário Filho, através do jornal Mundo Sportivo, em 1932 na lendária e mítica Praça Onze. Mas não é apenas pelo nonagésimo aniversário que o próximo cortejo será histórico; na realidade, será o desfile da retomada após o fato inédito de termos um ano sem desfiles de escola de samba. É bem verdade que em 1938 as escolas não foram
julgadas e este carnaval ficou sem resultado, mas elas desfilaram. Já o ano de 2021 foi marcado pela impossibilidade da folia frente a pandemia de Covid-19 que vitimou milhares de brasileiros. Graças ao avanço da vacinação e seguindo os ditames da ciência, os preparativos estão a todo vapor e o carnaval em fevereiro já é mais que um sonho.

Quando cruzam a pista e encantam o público, as agremiações apresentam discursos, narrativas construídas para serem encenadas neste grande espetáculo de projeção internacional. Estes discursos e narrativas são os enredos. O enredo a ser apresentado na avenida é aspecto incontornável para compreensão das relações estabelecidas em uma escola de samba, pois, é a partir dele que se tece a confecção de um desfile, perpassando os diversos atores sociais de uma agremiação. A definição, a divulgação e a transformação
de uma ideia em um enredo de escola de samba, da coletividade, são momentos decisivos e tensos da agenda de todas as agremiações. O sucesso deste processo, da apreensão e da coletivização da ideia do enredo, é o primeiro passo para um desfile de sucesso. Esta centralidade do enredo pode ser melhor compreendida pois é este elemento que articula o desenvolvimento das linguagens artísticas estruturantes do préstito: musical e visual. O tema escolhido precisa ser transformado em versos e melodia pelos compositores, em ritmo pela bateria, em canto e dança pelos componentes. Por outro lado, o enredo também precisa produzir figurinos e alegorias, elementos visuais que compõem sua narrativa e que são criados pelos múltiplos artistas e trabalhadores do barracão, sob a centralidade do carnavalesco.

A safra dos enredos para 2022 tem provocado intensos debates. Cada um deles deve ser entendido nas suas potencialidades e limites, caso a caso. Das várias possibilidades analíticas que o conjunto dos enredos descortinam eu destaco uma para esta coluna: os protagonistas dos desfiles serão, majoritariamente, os sambistas que construíram as escolas. Ao invés de navegadores, príncipes, princesas, imperadores, ditadores, escravocratas, bandeirantes e toda sorte de personagens que, costumeiramente, são
tematizados nos desfiles, o ano de 2022 nos brindará com uma série de referências e reverências aqueles que fizeram da festa o que ela é!

Talvez o caso mais emblemático seja o da Estação Primeira de Mangueira que cantará três baluartes fundamentais em sua gloriosa história. Também se destaca a Mocidade Independente que, ao tematizar Oxóssi, reverência a genialidade de artistas populares que a consagraram como “a escola de samba que bate melhor no carnaval”.

Esta reverência das escolas aos seus bambas é, ao mesmo tempo, um movimento político de preservação da memória; e, também, a valorização do samba como espaço de produção de conhecimento ao reconhecer a genialidade de seus produtores. Dentre estas referências e reverências que as escolas irão promover no próximo carnaval destaco a da Beija-Flor que ao empretecer o pensamento se aproxima da sua própria história.

Nilópolis é um dos menores municípios em extensão do país, mas abriga uma das maiores instituições da cultura nacional. No natal de 1948, naquela pequena cidade da Baixa Fluminense, era fundado o Bloco Associação Carnavalesca Beija-Flor por um conjunto de bambas da Baixada Fluminense. Em 1953, o já vitorioso bloco, foi inscrito na então Confederação Brasileira das Escolas de Samba para desfilar como escola; nascia, assim, a Deusa da Passarela. A iniciativa de transformar aquele bloco em escola foi de uma figura central na história da agremiação: Silvestre David da Silva, o Cabana.

Fruto de um período anterior à consolidação do modelo espetacular dos desfiles, Cabana foi um autêntico intelectual do samba e do carnaval carioca. Além de exímio compositor, sete vezes vencedor da disputa de samba-enredo; também foi autor e desenvolveu os enredos da escola, por cinco carnavais. Antes da afirmação da figura dos carnavalescos, os processos de autoria e desenvolvimento de enredos eram de responsabilidades dos sambistas das escolas. Na Beija-Flor, Cabana se consolidou como grande destaque.

Durante as décadas inicias da escola, em seu período de criação e afirmação no carnaval carioca, foi a liderança artística de Cabana quem conferiu a Beija-Flor identidade. Cabana foi o grande soba nilopolitano. Nei Lopes, em sua Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana, define soba como uma palavra que, no contexto do período colonial em Angola, se referia a um chefe, uma autoridade principal detentora de poder e prestígio. Um soba é
um líder, um comandante político, administrativo e social de seu território.

O belíssimo samba-enredo da Beija-Flor para o próximo carnaval afirma em seu refrão: “Mocambo de crioulo, sou eu, sou eu! Tenho a raça que a mordaça não calou. Ergui o meu castelo, nos pilares de Cabana, dinastia Beija-Flor”. Se Nilópolis é um mocambo, o grande soba desta comunidade é Cabana, o intelectual negro que através de sua arte ajudou a construir esta escola de
vida.

  • Mauro Cordeiro: Doutorando em Antropologia (UFRJ), Mestre em Ciências Sociais (PUC-Rio) e Licenciado em Ciências Sociais (UFRRJ). IG: @maurocordeiro90 e TT: @maurocordeirojr

PORTELA: samba-enredo o Carnaval 2022

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Compositores: Wanderley Monteiro, Vinicius Ferreira, Rafael Gigante, Bira, Edmar Jr, Paulo Borges & André do Posto 7.
Intérprete: Gilsinho

Prepara o terreiro, separa a Mucua
Apaoká baixou no xirê
Em nosso celeiro a gente cultua
Do mesmo preceito e saber
Raiz imponente da primeira semente
Nós temos muito em comum
O elo sagrado de Ayê e Orun
Casa pra se respeitar:
Meu Baobá

Ôbatalá colofé
Tem batucada no Arê
Pra minha gente de fé
Ayeraye
Nessa mironga tem mão de Ofá
Põe Aluá no coité e Dandá

Saluba mamãe fiz do meu samba corimba
Mata minha sede de axé
Faz do meu igi ose moringa
Quem tenta acorrentar o sentimento
Esquece que ser livre é fundamento
Matiz suburbano, herança de preto
Coragem no medo
Meu povo é resistência feito um nó na madeira do cajado de Oxalá
Força africana, vem nos orgulhar

Azul e banto aguerê e alujá
Pra poeira levantar de crioula é meu tambor
Iluayê na ginga do meu lugar
Portela é Baobá no gongá do meu amor
Tem gira pro meu amor