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Uilian e Isabel comemoram parceria defendendo o pavilhão da Roseira: ‘Caminho certo’

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Desde 2016, o pesadíssimo pavilhão do Rosas de Ouro é defendido por Isabel Casagrande, já histórica porta-bandeira da agremiação. Há, entretanto, uma peculiaridade no quesito na agremiação: as mudanças de nomes para compor o quesito. Desde 2024, Uilian Cesário carrega tal responsabilidade – e a parceria já trouxe um grande fruto: o título do Grupo Especial de 2025, com “Rosas de Ouro Em Uma Grande Jogada”. A reportagem do CARNAVALESCO conversou com a dupla para falar sobre a parceria entre ambos na final de samba-enredo do Rosas de Ouro para o Carnaval 2026.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Autonomia total

Há mais de três décadas no Rosas de Ouro, Isabel Casagrande possui plena confiança de toda a agremiação. Ela própria foi a responsável por escolher o novo profissional: “A escola me deixa com total liberdade para eu escolher um mestre-sala. Não são eles que escolhem: eu quem escolhi. Na época, o Everson acabou saindo, eu fui atrás de um mestre-sala e fiz o convite para ele, que estava disponível. Foi uma grata surpresa ele ter aceitado. Estamos indo para o terceiro ano e a nossa sincronia, a cada ano, vai ficando melhor. Tudo que você faz repetidamente com amor dá certo. A gente está indo pelo caminho certo, está tudo certo”, comentou.

Ela fez questão de exaltar o antigo parceiro: Everson Sena, com quem bailou entre 2020 e 2023 – e que, no ciclo carnavalesco de 2025, chegou ao Camisa Verde e Branco. De 2016, quando se tornou a primeira porta-bandeira, Isabel também dançou com Marcos Eduardo (entre 2016 e 2018) e com Edgar Carobina (em 2019). Com Uilian Cesário renovado, ele chegará ao terceiro ano na Roseira – e se empatará com os dois primeiros parceiros de Isabel como o companheiro que mais dançou com o histórico nome azul e rosa.

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Uilian, além de confirmar o convite, deu a visão dele sobre a chamada de Isabel: “O convite para vir para o Rosas veio de uma forma muito gentil: através da própria Isabel. Eu confesso que eu não tinha expectativa de voltar a dançar por conta da minha breve passagem, pela minha curta história. Eu imaginei que eu, basicamente, tinha vivido esse sonho e tinha, de fato, realizado essa grande conquista. Mas a vida é muito maluca e acabou me surpreendendo, surpreendendo todos os meus amigos, toda a minha família. E a Isabel me chamou para uma conversa cara a cara e deixou claro o interesse em estar fazendo parte enquanto casal para o então próximo desfile – que, no caso, era o de 2024. Foi um carnaval muito especial enquanto sincronia, enquanto união, enquanto parceria”, destacou.

União

O mestre-sala destacou o quanto a cumplicidade com Isabel está em alta: “A gente tem aprendido dia a dia a ser, basicamente, o que o outro precisa – basicamente, um complemento: não só na dança, mas na vida, também. Parte das nossas conversas são falando de pista, desfile, fantasia e coreografia; mas, hoje, acho que a gente conseguiu encontrar um espaço seguro e confortável para também falar do Uilian e da Isabel fora da quadra. Esse é um dos pontos principais para que a gente consiga crescer enquanto pessoa e enquanto profissional, enquanto amigos, enquanto casal de mestre-sala e porta-bandeira, também. É engraçado porque, ao longo da minha construção, ao longo da minha preparação, ainda um pouco mais jovem, eu ouvia que o casal de mestre-sala e porta-bandeira é, basicamente, um casal de marido e esposa. Hoje eu valido essa informação que me passaram – e eu tenho certeza de que o bom resultado, o bom trabalho apresentado, com certeza, tem como ingrediente a confiança, a harmonia, a paz e uma troca sensível e humana entre duas pessoas”, afirmou.

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Trabalho árduo

O título veio apenas no segundo ano da dupla, e o mestre-sala destaca que é possível melhorar ainda mais: “Esse trabalho está acontecendo, a gente tem aprendido, tem errado bastante, tem acertado bastante e não estamos confortáveis com a nota desse último desfile. São muitas coisas a serem questionadas e entendidas a partir dos olhos dos jurados. É, basicamente, catar os caquinhos que ficaram ao longo do caminho e tentar construir um castelo próspero e feliz. A gente está tentando fazer isso da melhor maneira possível, com muito empenho, dedicação e amor”, finalizou.

Citadas por Uilian, em 2025, a dupla teve uma nota 10, duas 9.9 e um 9.8. Já em 2024, foram três 10 e um 9.9.

Cebolinha exalta identidade musical do Barroca: ‘Sambas aclamados’

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O Barroca Zona Sul foi uma das escolas que mais mexeu com o público durante o ciclo carnavalesco para os desfiles de 2025. Embalado pelo arrasa-quarteirão samba “Os Nove Oruns de Iansã” (vencedor do Estrela do Carnaval, organizado e concedido pelo CARNAVALESCO, na categoria “melhor samba-enredo de 2025”), a agremiação teve problemas com o segundo carro alegórico – resultando na décima segunda colocação do Grupo Especial, a última antes do grupo de escolas que são rebaixadas para o Grupo de Acesso I. Esse, entretanto, não foi o único ponto da verde e rosa a ser penalizado na apuração.

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Para falar sobre questões relativas aos sambas-enredo da agremiação e também sobre os quesitos estéticos da Faculdade do Samba, Ewerton Rodrigo Ramos Sampaio, popularmente conhecido como Cebolinha, falou com a reportagem do CARNAVALESCO pouco depois da gravação do clipe do samba-enredo do Barroca Zona Sul de 2026, que embalará o desfile de “Oro Mi Maió Oxum”, assinado pelo carnavalesco Pedro Alexandre, popularmente conhecido como Magoo.

Tradição musical

Há anos, o Barroca é elogiado pela qualidade dos sambas-enredo que leva para a avenida. Se a canção de 2025 “furou a bolha”, temporadas anteriores já marcavam ótimas obras da agremiação do Jabaquara. Cebolinha destacou que tal identidade é fruto de uma construção de uma década: “Referente à questão do samba, a gente já tem um time de compositores formado. Ao longo do tempo, grandes sambas vêm sendo aclamados e estão acontecendo no Barroca Zona Sul. Desde 2015, o Barroca vem trazendo grandes sambas para a avenida. Em 2025, foi um samba fora da casinha. A gente só deu sequência, a gente quer sambas no mesmo nível. O samba de 2026 também já aconteceu, também. Estamos no caminho certo”, comemorou.

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Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Vale destacar que o ano citado por Cebolinha coincide com a temporada em que ele começou a presidir a escola, sucedendo Gerado Sampaio Neto, popularmente conhecido como Borjão, pai dele próprio e tido como um dos grandes baluartes da história verde e rosa e do carnaval paulistano como um todo.

Empolgação verde e rosa

Para 2026, de acordo com Cebolinha, a comunidade da Faculdade do Samba virá no mesmo ritmo que nos anos anteriores: “A comunidade já vem muito empolgada com o samba para 2026! Todos vêm acompanhando e vêm trabalhando muito em cima desse samba, todos estão bastante contentes. O resultado disso tudo virá na pista, como a gente fala. Em 2025, a gente acertou em muita coisa. No dia, acabou tendo uma fatalidade que aconteceu e o resultado não veio a ser melhor. Mas, claro, vamos trabalhar para isso não acontecer no próximo ano”, disse.

Quesitos estéticos

Se pontos de avaliação ligados ao samba-enredo estão em alta no Barroca Zona Sul, os que dependem de imagens vêm sendo penalizados pelos jurados. Desde 2014, até onde foi possível para a reportagem pesquisar os mapas completos de notas da agremiação, a Faculdade do Samba não consegue gabaritar os quesitos Alegoria e Fantasia.
Para explicar com riqueza detalhes o próprio pensamento, Cebolinha preferiu destrinchar cada um dos itens de julgamento: “Falando primeiramente do quesito alegoria, para mim, foi um dos conjuntos mais bonitos do carnaval. A gente perdeu só um décimo de alegoria, no caso, referente à batida do carro. Na realidade, a gente trouxe a nota – a batida que nos fez ser despontuados”, comentou.

O outro ponto, obviamente, também foi abordado por Cebolinha: “Em relação ao quesito Fantasia, é o que a gente fala: é um cuidado muito grande. A escola, visualmente, melhorou muito. A gente está falando de 1.500, 2.000 pessoas. Às vezes, pode acontecer de um adereço cair… é uma questão que acontece às vezes, uma fatalidade. A escola está trabalhando muito bem em cima da parte plástica, o visual da escola está cada vez melhor e a tendência, pode esperar, é que, em 2026, a parte plástica vai surpreender muita gente”, finalizou.

No quesito Alegoria, o Barroca perdeu um décimo na primeira cabine de jurados (que foi descartado por ter sido a nota mais baixa no conjunto de avaliações); já em Fantasia, foram dois décimos perdidos: um no segundo e outro no terceiro módulo.

Com a Portela no coração, Vick Campos constrói sua história como musa da Majestade do Samba

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Foi cantando “Eu sou a água, sou a terra, sou o ar, sou Portela” que a menina Victória Campos, com apenas 8 anos, estreou oficialmente na Sapucaí com a sua escola do coração. Levada à escola pela mãe, Vick, como é carinhosamente conhecida na Portela, vai, em 2026, para o seu terceiro ano consecutivo como musa da comunidade. Mas, assim como uma águia, ela sonha voos maiores.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

“Eu cheguei à Portela através da minha mãe. Com 7 anos, ela era da bateria Tabajara do Samba. Eu não podia desfilar ainda porque a minha idade não permitia, mas eu vinha ao lado dela com roupa de passista, com florzinha na cabeça e tudo. Em 2008, com 8 anos, eu desfilei pela primeira vez na Ala das Crianças. Depois entrei no projeto social. Desfilei na Ala de Passistas em 2009, pelo primeiro ano como passista, e fui até 2023. Em 2023, tive a honra de participar do concurso da Corte do Carnaval pela Portela, por isso fui consagrada musa da comunidade e agora estou indo para o meu terceiro ano como musa e irei concluir meu 19º ano como comunidade da Portela ao todo”, contou Vick.

Vick, que também é estudante de nutrição, está sempre ao lado das passistas da escola, que antes eram suas parceiras de ala, mas continuam no dia a dia da musa. Além disso, ela não esconde a admiração e as referências que tem por outras estrelas do carnaval, também oriundas de alas de passistas.

“Eu carrego, claro, o legado da minha eterna coordenadora, Nilce Fran, que faz tudo com aquela delicadeza, aquela classe. Também da minha rainha de bateria, Bianca Monteiro, que é uma referência gigantesca, representando todas nós da ala de passistas à frente da bateria. Evelyn Bastos também tem uma representatividade muito grande para todas nós, e Mayara Lima, que é o sucesso da atualidade”, disse a musa.

De desfilar ao lado da mãe, passar pela Ala das Crianças, projeto social, ala de passistas e, por fim, musa da comunidade, Vick não esconde, e nem tem falsa modéstia, quando o assunto é o próximo passo dentro da escola. Almejando “pegar o diploma”, a musa revela que reinar à frente da “Tabajara do Samba” é um sonho antigo.

“É um sonho de menina. Eu acredito que toda passista tem esse sonho de um dia ser rainha da sua comunidade, claro, respeitando muito a minha rainha Bianca Monteiro. Mas eu penso em um dia conquistar esse lugar, se Deus permitir e, claro, se a minha comunidade também permitir, conquistar esse legado para concluir a nossa história. Eu falo que ser rainha da nossa escola é concluir, pegar o nosso diploma”, revelou Vick.

Sempre impecável com seus looks temáticos e brilhantes, a musa chama a atenção desde o momento em que coloca os pés na quadra. Diversos torcedores pedem fotos, abraçam e não escondem o carinho pela garota que viram crescer andando pela quadra.

“Escolher meu figurino é uma loucura, porque eu jogo para o ateliê e sempre deixo eles criarem à vontade. Eu acredito que, quando eles têm essa liberdade, fazem com mais amor e dedicação, sem aquela perturbação. Eu deixo na mão deles, só dou uma ideia aqui e ali; o resto é com eles”, disse a musa, que falou da fantasia de 2026 e revelou que fez um pedido ao carnavalesco André Rodrigues.

“Só falei para o André: ‘Olha só, pensa que eu estou treinando o ano inteiro, hein?’. Mas eu espero uma fantasia linda, de muita representatividade. Porque eu sempre falo que estou ali não representando apenas a minha história, mas a trajetória de todas as meninas da comunidade que são e estão ali”, contou Vick.

Batida que vem da comunidade: Unidos da Ponte une funk e samba para o Carnaval 2026

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A Unidos da Ponte chegou ao minidesfile da Série Ouro, no dia 6 de dezembro, na Cidade do Samba, deixando claro que o Carnaval de 2026 vai ter muito batidão. Com o enredo “Tamborzão: O Rio é Baile! O Poder é Black!”, a escola colocou o funk no centro do “paredão” e mostrou que ele dialoga diretamente com o samba, seja na batida, na energia ou na origem nas comunidades. Entre figurinos a caráter, coreografias na ponta do pé (e nos quadris) e muito entusiasmo, os próprios componentes explicaram por que o funk tem tudo a ver com o som da bateria da Ponte e por que essa mistura promete dar o que falar na Avenida.

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Foto: S1 Comunicação

Muso oficial da Azul e Branca de São João de Meriti, Rodrigo Para-Assú, de 29 anos, supervisor de contrato de atendimento, comemorou a escolha do tema e destacou a força cultural do funk. “Eu gostei bastante, é algo que é bem diferente. A pegada que a escola vem trazendo fala um pouquinho também da nossa cultura, do povo preto, da música popular, do que a gente vê nas comunidades, de onde saem diversos artistas. O funk não é só música com muitas palavras de baixo calão. É cultura, é arte. É de onde vêm diversas pessoas que hoje cantam outros ritmos, mas saíram do funk”, afirmou. Inspirado pelo enredo, Rodrigo contou que seu visual no minidesfile teve como referência um funkeiro. “A pessoa que inspirou o meu look de hoje também é um funkeiro, que é o Bagdá, personagem do cantor Xamã na novela das 9, Três Graças”.

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Muso oficial da Azul e Branca de São João de Meriti, Rodrigo Para-Assú

Na ala da comunidade, Guilherme Ribeiro, de 21 anos, nascido e morador de São João de Meriti, vive apenas o segundo ano desfilando pela escola, mas já demonstra envolvimento profundo com o universo do samba. Trabalhador da área de logística, ele não escondeu a empolgação com a homenagem da escola do coração. “Eu amei, porque uniu as duas paixões, o samba e o funk. Querendo ou não, quem não gosta de funk e samba? Quando juntam os dois, fica melhor ainda, literalmente”, disse o jovem, que resume sua relação com a agremiação e com o Carnaval de forma apaixonada: “Ainda estou iniciando no mundo desse samba, mas vou até mil anos, se deixar. Sou apaixonado por esse mundo”.

A relação entre passado e presente também aparece com Suzy Santos, de 61 anos, moradora de Duque de Caxias, que vai desfilar pela primeira vez na Velha Guarda da Ponte. Com uma trajetória marcada por diferentes funções no Carnaval, de passista a porta-bandeira, ela vê o enredo como uma continuidade histórica. “Eu achei bem interessante. Ele começa falando dos tambores, lá dos primórdios da África, até chegar à nossa batida atual, que virou uma batida universal”, explicou.

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Suzy Santos, de 61 anos, moradora de Duque de Caxias, que vai desfilar pela primeira vez na Velha Guarda da Ponte

Para MC Yasmim, de 19 anos, também moradora de São João de Meriti, o enredo tem um significado ainda mais pessoal. Estreante na Unidos da Ponte e acompanhada da mãe, Janaína Rosa, de 47 anos, auxiliar de serviços gerais, ela enxergou na temática uma oportunidade única. “Me senti muito feliz. Assim que eu soube que o enredo seria funk, eu entrei em contato com a minha mãe e falei: ‘eu acho que vai ser meu momento’. Aí ela falou: ‘filha, se você quer desfilar, vamos nessa!’. Eu já entrei com o coração aberto. Estou muito feliz pela oportunidade. Vai ser muito importante para mim, porque eu sou MC. Será um momento muito emocionante, por ser meu início de carreira”, contou.

Diretora de harmonia da Ponte, Selma Gomes, de 55 anos, moradora de Madureira, também se identificou de imediato com a proposta. “Eu adorei, porque eu era charmeira. Já frequentei muito baile charme na vida. Eu vim para a Ponte este ano justamente para relembrar meu tempo de adolescente”, revelou, mostrando como o enredo também ativa memórias afetivas.

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Diretora de harmonia da Ponte, Selma Gomes

Na comissão de frente, a bailarina Liliana Campos, de 27 anos, moradora de Nova Iguaçu, destacou a força da mistura de ritmos. “Eu achei o máximo a mistura do samba com o funk. Está incrível, vocês vão se surpreender”, garantiu.

Quando o assunto é a relação direta entre o batidão do funk e a bateria de escola de samba, a opinião é praticamente unânime entre os componentes. O muso Rodrigo acredita que a conexão vai além de um único ritmo. “Os dois ritmos se conectam. Aquela energia que a bateria tem, que vai mexendo com a gente, faz com que, de fato, como o funk diz, ‘ninguém vai ficar parado’”.

Guilherme reforça que essa combinação está no DNA da escola. “Total combinação, literalmente. E a Ponte este ano está vindo com tudo para arrasar com esse enredo maravilhoso. O funk está na raiz do povo carioca. É um enredo que está na escola inteira, na comunidade inteira, todo mundo cantando, todo mundo amando, porque a gente literalmente vai vir com tudo”, disse.

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Na ala da comunidade, Guilherme Ribeiro, de 21 anos, nascido e morador de São João de Meriti

Suzy traz uma leitura mais técnica da fusão. “O BPM é exatamente igual ao da bateria da escola. Ambos precisam de evolução, de sincronismo, e isso agrega conhecimento, valores e mexe muito com o corpo. A mistura vai dar samba na avenida”.

MC Yasmim vê essa relação refletida diretamente no samba-enredo. “O que comprova essa correlação é o nosso samba, com referências de funk, que ficou maravilhoso. Eu gostei muito mesmo”.

Selma também aponta para a harmonia entre os instrumentos. “O batidão do funk tem a ver com a bateria e com a batida do samba, porque os instrumentos casam e as bossas também se enquadram. Tudo envolve o conjunto do ritmo, que é o funk com o samba”.

Liliana completa dizendo que a escola encontrou o tom certo. “A Ponte combinou e deu supercerto. Então eu espero que todos gostem e consigam enxergar essa relação”.

O enredo também abre espaço para discutir o preconceito histórico sofrido pelo funk, muitas vezes comparado ao que o samba enfrentou no passado.

Para Rodrigo, a discriminação ainda é forte. “Com certeza. Hoje em dia, o funk ainda sofre mais preconceito do que o samba, porque as pessoas discriminam o funk achando que tudo vai ser apologia ao tráfico ou palavras de baixo calão. Hoje, os funkeiros sofrem mais preconceito, infelizmente”.

Guilherme concorda e relata situações do cotidiano. “Demais. Ele está muito enraizado no povo carioca, brasileiro, e mesmo assim a gente vê criminalização, perseguição. Às vezes você passa na rua, tem uma casa humilde tocando um funk, e as pessoas já olham estranho. Mas a gente vai resistir”, afirmou.

Suzy acredita que o cenário vem mudando aos poucos. “Infelizmente, sofre, mas hoje em dia as pessoas têm mais conhecimento da origem do funk, de pessoas importantíssimas envolvidas nessa causa, para tirar todo esse preconceito”.

MC Yasmim fala sob a perspectiva da própria vivência como artista. “Nós, MCs, sofremos bastante preconceito, não só pelas letras, mas porque muita gente acha que todo MC é criminoso. Nós, MCs, não somos bandidos”, desabafou.

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MC Yasmim fala sob a perspectiva da própria vivência como artista

Selma vê avanços recentes. “Melhorou bastante de uns tempos para cá, e acho que a tendência é ir acabando com a marginalização do funk”.

Liliana relaciona o preconceito ao racismo estrutural. “Claro que sofre. O negro sofre preconceito, e o funk é cultura negra. Está tudo junto. Mas a gente passa por cima disso e dá tudo certo”.

Quando o assunto é funk, cada componente tem um estilo preferido que revela um pouco da sua identidade musical. Rodrigo revelou sua preferência pelo funk melody: “Eu gosto mais de um funk melody”.

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Na comissão de frente, a bailarina Liliana Campos, de 27 anos, moradora de Nova Iguaçu, destacou a força da mistura de ritmos

Guilherme, que não esconde a paixão pelo gênero musical, reverenciou um dos seus maiores clássicos: “Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci e poder me orgulhar…” (trecho de Rap da Felicidade, de 1995). “Pois, como diz o enredo da Ponte, eu só quero ser feliz”.

Suzy, que também é fã do melody, destacou: “Eu gosto mais do funk melody, funk da antiga. Claudinho e Buchecha. Sou mais dessa linha”.

MC Yasmim, que traz o funk na veia, falou com entusiasmo sobre sua relação com o gênero. “Eu gosto muito do baile das antigas, mas também gosto muito dos funks novos que tocam hoje em dia. Escrevo rap, escrevo trap, faço letras de funk, mas sempre adorando um samba, desde berço”.

Selma, que também tem uma conexão especial com o passado do funk, lembrou da época dos bailes de charme. “A minha época do funk é a época de Steve B. Não frequento mais os bailes de charme, apesar de morar em Madureira. Meu ritmo agora é outro. Agora é mais bateria de escola de samba mesmo, mas a Ponte está me permitindo viver essa nostalgia”.

E Liliana chegou para representar a atualidade do funk. “Anitta e Pedro Sampaio, que estão super em alta. Gosto bastante, o ritmo é bem legal”.

Com o minidesfile concluído, a Unidos da Ponte mostrou que levará para a avenida não apenas um desfile, mas um discurso potente sobre identidade, musicalidade e pertencimento que atravessam gerações.

Comunidade destaca presença e dedicação de Iza no retorno à Imperatriz

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Coroada novamente rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense, Iza retoma o posto após três anos, depois de sua primeira passagem entre 2020 e 2022. A volta da cantora à frente da bateria marca um novo momento na relação com a escola e vem sendo acompanhada de perto pela comunidade. Em entrevista ao CARNAVALESCO, componentes da escola de Ramos destacaram a presença constante, o pertencimento e a identificação de Iza com o chão da agremiação.

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Foto; Nelson Malfacini/Divulgação Imperatriz

Para Júlia Teles, 29 anos, dançarina e integrante da ala das baianas pelo segundo ano, o retorno não poderia ter sido mais bem recebido. “Maravilhosa. A gente não poderia estar melhor do que estar com a Iza”, afirmou. Na avaliação dela, o reconhecimento passa pela postura da rainha no dia a dia da escola: “Ela representa, ela samba, ela é da comunidade. Isso é muito importante”.

A constância nos ensaios aparece como um dos principais pontos ressaltados pelos componentes. Júlia observa que a presença de Iza já se tornou parte da rotina da Imperatriz. “Ela está presente, ela sabe o samba, está no ensaio de rua, está no ensaio de quadra. Se ela faltar é porque o mundo está acabando”, disse. Para a dançarina, a identificação vai além do posto: “É a nossa representatividade, a continuação da escola. O sangue da comunidade é o chão da comunidade”.

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Júlia Teles, 29 anos, dançarina e integrante da ala das baianas

Já Felipe Pereira, 20 anos, estudante de Letras da UERJ e em seu primeiro ano desfilando pela Imperatriz, avalia que a ligação anterior da cantora com a escola legitima o retorno. “Ela é uma pessoa que já tem relação com a escola, pode dar garra e energia. Acho que é uma boa volta”, analisou.

Felipe ressalta que a presença da rainha impacta diretamente o envolvimento da comunidade. “Uma rainha que é presente faz toda a diferença para a comunidade. A gente tem mais garra quando vê que tem alguém ali pela gente também”, afirmou. Para ele, esse vínculo deveria ser regra. “Isso é imprescindível. As rainhas precisam ser da comunidade, ter uma história ali”, ponderou.

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Felipe Pereira, 20 anos, estudante de Letras da UERJ e em seu primeiro ano desfilando pela Imperatriz

A ideia de retorno como recomeço aparece com força na fala de Hugo Coelho, 30 anos, enfermeiro e componente da Imperatriz desde 2022. “É um momento de muita felicidade para a escola e para a própria rainha. Ela retorna agora em uma nova fase da vida”, disse. “Ela teve um primeiro ciclo que precisou se encerrar, e agora abre um novo ciclo. Que seja de muita conquista e felicidade, para ela e para a escola”.

Hugo amplia o debate ao tratar presença como algo que vai além da agenda. “Não é só sobre presença física. É sobre presença espiritual, de tempo e de dedicação”, afirmou. Sem recorrer a comparações diretas, ele percebe um avanço na relação atual entre rainha e comunidade. “Eu vejo um grande avanço em relação ao outro ciclo”.

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Hugo Coelho, 30 anos, enfermeiro e componente da Imperatriz desde 2022

A importância de Iza ser cria da comunidade também surge associada à representatividade territorial. “É representatividade dentro da escola e dentro de uma comunidade como o Complexo do Alemão”, destacou Hugo. Para ele, a rainha ocupa um espaço simbólico que ultrapassa o desfile. “É sobre outras pessoas se enxergarem nesse posto, não só como rainha de bateria, mas como um posto de poder”.

Gustavo Fideles, 26 anos, há três anos na Imperatriz, vê o reencontro como um encaixe natural. “Eu gosto. A Iza faz sentido com a Imperatriz, e a Imperatriz faz sentido com a Iza”, resumiu. Para ele, o pertencimento se manifesta também na proximidade com a quadra. “Ela é da comunidade, mora perto da quadra. Isso faz muito sentido com a escola”.

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Gustavo Fideles, 26 anos, há três anos na Imperatriz

Mesmo aprovando a atuação da rainha, Gustavo aponta que a cobrança faz parte do cotidiano da escola. “Tá sendo ótimo. Queria até que ela fosse mais aos ensaios de sexta, mas, ainda assim, estou satisfeito com ela”, comentou. Na avaliação dele, a combinação entre visibilidade e raiz comunitária fortalece a agremiação. “Ter uma rainha da comunidade, ainda mais famosa, favorece a escola e faz ela engrandecer mais”, finalizou.

Como controlar seus gastos usando um cartão de crédito digital

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Foto: Freepick

O cartão de crédito é uma ferramenta muito útil no dia a dia, principalmente quando usado com consciência e planejamento. Mas com a evolução dos serviços digitais, surgiu uma nova alternativa ainda mais prática: o cartão de crédito digital, que oferece mais controle, agilidade e segurança para os consumidores. Muita gente já aderiu à solução, como no caso do mercado pago cartao credito, que permite administrar todas as transações pelo celular, sem depender de cartão físico ou papelada.

Se você quer entender como esse tipo de cartão pode te ajudar a ter uma vida financeira mais organizada, acompanhe este conteúdo com dicas práticas para manter os gastos sob controle usando um cartão de crédito digital.

O que é um cartão de crédito digital?

O cartão digital é uma versão moderna do cartão de crédito tradicional. Ele funciona como qualquer outro cartão, permitindo compras parceladas, pagamentos online e presenciais, mas com uma grande diferença: tudo é gerenciado diretamente pelo aplicativo, sem a necessidade do cartão físico para começar a usar.

Esse tipo de cartão geralmente está vinculado a uma conta digital e oferece acesso fácil ao limite de crédito, às faturas, ao histórico de compras e a outras funcionalidades, como bloqueio temporário, ajuste de limite e emissão de cartões virtuais para compras específicas.

O mercado pago cartao credito, por exemplo, é uma solução que pode ser solicitada e usada totalmente online, com gestão simples e transparente dos gastos.

Por que o cartão digital pode ajudar no controle financeiro?

Muita gente associa o cartão de crédito ao descontrole. De fato, ele pode se tornar um problema se for mal utilizado. Porém, quando usado com consciência e com ferramentas adequadas, ele pode ser um grande aliado na organização das finanças. Veja abaixo os principais motivos pelos quais o cartão digital ajuda nesse processo:

Acompanhamento em tempo real dos gastos

Diferente dos cartões físicos convencionais, os cartões digitais oferecem notificações imediatas a cada compra realizada. Isso permite que o usuário saiba exatamente quanto está gastando e onde, evitando surpresas no fim do mês.

Você pode consultar o extrato detalhado diretamente pelo aplicativo e identificar categorias de gastos, como alimentação, transporte, compras online, entre outros. Esse acompanhamento constante é fundamental para manter o controle.

Planejamento com fatura mensal clara

Outro benefício importante é a organização da fatura. Com o cartão digital, a fatura é apresentada de forma simples e atualizada, com datas de vencimento, valor total, parcelas ativas e opções de pagamento.

Essa transparência permite que o usuário planeje melhor o orçamento, priorize o pagamento integral da fatura e evite o crédito rotativo, que costuma ter juros elevados.

Controle de limite e bloqueio imediato

Se você tem dificuldade em controlar impulsos de compra, o cartão digital pode ser uma solução ideal. É possível ajustar o limite de crédito diretamente pelo app, definindo um valor mais baixo para evitar gastos excessivos.

Além disso, o bloqueio do cartão pode ser feito a qualquer momento, com apenas um toque. Isso é útil em casos de perda, roubo ou simplesmente para dar uma pausa nos gastos.

Dicas para usar o cartão de crédito digital com responsabilidade

Mesmo com todas essas facilidades, é importante ter uma atitude consciente ao usar o cartão. Abaixo, separamos algumas dicas práticas para quem deseja manter as finanças organizadas com a ajuda da tecnologia:

1. Estabeleça um teto de gastos mensal

Defina um valor máximo que você pode gastar no crédito por mês, baseado no seu orçamento real. O ideal é que esse valor nunca ultrapasse 30% da sua renda.

Use o app do cartão para monitorar esse teto e receber alertas quando estiver próximo do limite que você mesmo estabeleceu.

2. Use os cartões virtuais com estratégia

Muitos cartões digitais oferecem a opção de gerar cartões virtuais para compras específicas, o que aumenta a segurança. Mas você também pode usar isso como ferramenta de controle: gere um cartão com limite menor só para assinaturas ou gastos recorrentes.

Assim, você isola esse tipo de despesa e evita surpresas na fatura.

3. Evite parcelamentos longos

Parcelar pode ser vantajoso em algumas situações, mas comprometer o limite por muitos meses pode atrapalhar o planejamento. Prefira parcelamentos curtos e evite acumular várias compras ao mesmo tempo.

Antes de confirmar uma transação, o app do cartão costuma mostrar exatamente o valor das parcelas. Use essa visualização para decidir se vale a pena.

4. Acompanhe os gastos semanalmente

Crie o hábito de verificar seu extrato pelo menos uma vez por semana. Isso ajuda a identificar cobranças indevidas, controlar impulsos e ajustar o planejamento, se necessário.

Plataformas como o mercado pago cartao credito oferecem esse acompanhamento de forma intuitiva, com gráficos e filtros por data.

5. Evite o pagamento mínimo da fatura

Pagar apenas o valor mínimo da fatura pode parecer uma saída rápida, mas na prática, isso acarreta o acúmulo de juros. Sempre que possível, pague o valor total da fatura no vencimento.

Caso não consiga, utilize as opções de parcelamento da própria fatura com juros menores do que o crédito rotativo.

Benefícios extras do cartão digital que ajudam na organização

Além do controle dos gastos, muitos cartões digitais oferecem benefícios adicionais que podem auxiliar no planejamento financeiro:

  • Cashback em compras selecionadas
  • Avisos de vencimento da fatura por notificação
  • Descontos em parceiros online
  • Cartão internacional com zero anuidade
  • Central de ajuda integrada no app

Esses recursos tornam a experiência mais completa e favorecem o uso consciente do crédito, mesmo para quem tem pouca familiaridade com finanças.

Para quem o cartão digital é ideal?

Essa solução é ideal para:

  • Jovens que estão começando a vida financeira e buscam praticidade;
  • Pessoas que preferem evitar papeladas e filas de banco;
  • Consumidores que desejam mais controle sobre os próprios gastos;
  • Quem valoriza uma experiência 100% digital e quer tudo na palma da mão.

A flexibilidade do cartão digital permite que cada pessoa use da forma que for mais conveniente, com autonomia e segurança.

Como solicitar um cartão digital com controle total

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Vila Isabel encerra ensaios de rua de 2025 com canto apaixonado e evolução contagiante

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A Unidos de Vila Isabel realizou, na noite da última quarta-feira, seu último ensaio de rua de 2025 no Boulevard 28 de Setembro, encerrando a temporada com alto nível de canto, evolução fluida e desempenho seguro dos segmentos. Com a comunidade cantando forte do início ao fim, a escola apresentou uma leitura consistente do samba-enredo para o Carnaval 2026, impulsionada pela condução de Tinga no carro de som, pela bateria “Swingueira de Noel”, de mestre Macaco Branco, e por uma evolução leve e contagiante que arrastou o público ao longo da pista. A escola será a segunda a desfilar na terça-feira de Carnaval, com o enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei Que Um Sambista Sonhou a África”, uma homenagem a Heitor dos Prazeres, assinado pela dupla de carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora com o enredista Vinícius Natal.

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Moisés Carvalho, diretor de carnaval da Unidos de Vila Isabel, avaliou de forma positiva o último ensaio de rua da escola em 2025. Em entrevista ao CARNAVALESCO, o dirigente destacou o crescimento da agremiação ao longo da temporada, o entrosamento entre os segmentos e o clima de confiança para a retomada dos trabalhos em janeiro.

“Estou feliz demais em todos os sentidos. A gente queria fechar esse ciclo com um ensaio de rua, não na quadra, para encerrar com chave de ouro, com o pé direito. E foi exatamente isso que aconteceu. Foi mais um show da Vila Isabel, cantando forte, evoluindo bem em todos os segmentos: carro de som, bateria, harmonia. Só tenho a agradecer a esse time magnífico que a Vila Isabel construiu desde a escolha do samba até agora”, afirmou.

Ao avaliar o período de ensaios de rua, Moisés apontou a evolução da escola como principal avanço. “A gente vem numa crescente, isso é um trabalho interno, que vai além do ensaio de quarta-feira. A cada treino a escola está mais solta, mais alegre, brincando mais, evoluindo melhor e cantando cada vez mais forte. Isso é fruto direto do trabalho do nosso time de harmonia”, analisou.

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Fotos: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

O diretor também ressaltou a sintonia entre os responsáveis pela condução musical do desfile. “O entrosamento entre o carro de som, o Tinga, o Macaco Branco e o Douglas (diretor musical) é uma crescente visível toda semana. É um degrauzinho a cada ensaio para a gente chegar forte em janeiro”, completou.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Alex Neoral e Marcio Jahú, a comissão de frente da Unidos de Vila Isabel apresentou, neste ensaio de rua, uma proposta claramente alinhada ao novo modelo de julgamento do carnaval. A coreografia investe de forma consistente no uso de movimentos espelhados, com desenhos que se organizam tanto em divisões laterais da pista, quanto em dinâmicas de troca constante de posições, com avanços, recuos e reorganizações do grupo ao longo da apresentação.

A leitura musical também se mostra um ponto de destaque. Em trechos específicos do samba, como na saudação à Oxum e Xangô no refrão principal e na referência à Preto-Velho no refrão do meio, surgem referências diretas à simbologia dos Orixás e à palma de mão associada às giras de macumba, o que contribui para a compreensão da proposta coreográfica. Há ainda momentos de rearranjos circulares que reforçam essa relação entre música, narrativa e ocupação do espaço.

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Justamente por apostar em um grau elevado de complexidade cênica, a comissão levanta um ponto de observação importante para os próximos ensaios: a clareza da dramaturgia. Embora os movimentos sejam bem definidos, é fundamental que a contação do enredo se imponha com mais nitidez ao público.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane demonstraram estar à vontade e em sintonia com a Vila Isabel. A sensação de pertencimento é perceptível desde a entrada na pista e se traduz em uma performance segura, fluida e confiante, típica de quem se reconhece “em casa” na escola.

O figurino adotado para o ensaio reforça essa leitura. Dandara surgiu com saia rodada branca e crooped branco com o símbolo da Vila Isabel estampado, enquanto Rafael vestiu azul claro, ambos vestindo as cores da agremiação. A escolha, simples e funcional, favoreceu a leitura do bailado e permitiu que os movimentos se destacassem com clareza.

No desempenho técnico, a complementariedade da dupla é um dos principais trunfos. O casal aposta em um bailado tradicional. Dandara performa com leveza, elegância e sorriso constante, expressando alegria e domínio do pavilhão. Rafael, por sua vez, sustenta um bailado vigoroso, com muito samba no pé, riscado firme e ocupação precisa do espaço, criando as condições ideais para que a porta-bandeira apresente o pavilhão com amplitude e segurança.

Essa relação de troca se evidencia de forma especial no refrão principal do samba. Na saudação “Oraieieo Oxum”, Dandara assume o protagonismo da cena, realizando movimentos que dialogam diretamente com a simbologia da orixá, em uma leitura clara e sensível. Na sequência, com o “Kabecilê Xangô”, é Rafael quem conduz os gestos associados ao orixá, estabelecendo uma alternância que reforça a narrativa e o equilíbrio da apresentação. A escolha de dividir essas referências entre os dois amplia a compreensão do público e valoriza a construção conjunta do bailado.

Em retorno à Vila Isabel, no posto de primeiro casal, Raphael e Dandara apresentam um conjunto que reúne técnica, entrosamento e identidade com o enredo. A dupla demonstra potencial para realizar uma defesa sólida do quesito.

SAMBA E HARMONIA

A Unidos de Vila Isabel encerra seus ensaios de rua em 2025 exibindo um dos cantos mais fortes da temporada do Carnaval 2026. O samba é sustentado com vigor do início ao fim do percurso, sem quedas perceptíveis de intensidade. Mesmo nos trechos de meio da obra, tradicionalmente mais suscetíveis à perda de energia por não concentrarem os momentos mais explosivos, o canto se mantém emotivo, claro e contínuo. O componente demonstra domínio pleno da letra e canta impulsionado, com projeção para a frente e sem dispersão.

A força vocal da escola é encantadora, inclusive em alas mais distantes do carro de som, o que evidencia um trabalho de harmonia bem distribuído e um volume coletivo consistente. O canto é alto, preciso e organizado, revelando uma comunidade conectada ao samba e apaixonada pelo que está cantando.

Nesse contexto, o trabalho de Tinga se afirma como um dos grandes pilares do rendimento da Vila Isabel. Sua condução vai além da técnica: Tinga é um intérprete que atinge a emoção do componente, “abre” o canto da escola e estabelece uma ligação afetiva com a obra. A resposta da comunidade é um canto carregado de envolvimento e entrega, impulsionado diretamente por essa condução cativante.

Após o ensaio, o intérprete destacou o clima de renovação vivido pela escola desde o lançamento do enredo. “Feliz demais. A escola está muito feliz desde que lançou o enredo na Pedra do Sal. A escola parece que renovou, trouxe essa felicidade pra nossa escola”, afirmou. Segundo Tinga, essa energia tem se traduzido diretamente no desempenho do canto. “A escola está cantando forte, bonito, com muita alegria, que é o mais importante. E a gente vai, sim, em busca do nosso título tão sonhado, que há muito tempo não vem. A Vila Isabel vem com força total”, completou.

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É justamente por alcançar esse patamar elevado de intensidade coletiva no canto que alguns pontos específicos merecem observação mais atenta. Entre eles, o desempenho das alas coreografadas. Em especial, uma ala que utiliza chapéus de frevo apresenta, ao longo do ensaio, uma leve perda de vigor no canto em função da exigência física da movimentação. Ainda assim, mesmo nesses momentos, a intensidade não se dissipa por completo e o canto se mantém constante e forte, sem comprometer o conjunto do quesito.

EVOLUÇÃO

A evolução da Unidos de Vila Isabel se apresenta como um dos aspectos mais contagiantes do ensaio de rua. Fluida e leve, ela revela uma escola em que o componente está visivelmente à vontade para performar a obra de 2026. A liberdade de movimentação e de ocupação da pista nasce de um samba profundamente incorporado pela comunidade: a escola sabe cantar, sabe o que está defendendo e, a partir disso, se permite evoluir com naturalidade, sem rigidez.

A sensação de conforto coletivo se manifesta tanto nas alas coreografadas quanto naquelas sem movimentação específica. Em todas, percebe-se um corpo que canta e se move de forma orgânica, corporificando o samba com espontaneidade. A leveza e a felicidade com que a ala das baianas atravessa a pista, assim como a entrega da ala de passistas, são exemplos claros de uma evolução construída mais pela vivência do samba do que pela imposição de comandos externos.

Esse movimento não se restringe ao interior da escola. A evolução da Vila Isabel transborda a pista do Boulevard 28 de Setembro e contagia quem acompanha o ensaio do lado de fora. O público se desloca pelas calçadas, segue a escola, canta junto, criando um efeito de arrastão que amplia a potência do desfile. Trata-se de uma evolução que traz frescor, que varre a pista de maneira envolvente e reafirma a Vila Isabel como uma escola que sabe evoluir de maneira vibrante.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Swingueira de Noel”, comandada pelo mestre Macaco Branco, sustentou mais uma apresentação de alto nível no ensaio de rua da Vila Isabel. Com leitura precisa do samba, a bateria apresentou bossas bem encaixadas e um desenho rítmico que elevou o rendimento da obra, impulsionando o canto da comunidade. O trabalho de Macaco Branco evidencia uma bateria que dialoga diretamente com o “Povo do Samba”, criando condições rítmicas precisas para que a escola cante com ainda mais vigor e entrega.

Outro destaque relevante foi o desempenho do time de cordas da Vila Isabel. Em momentos estratégicos do samba, especialmente nas aproximações do refrão principal, as chamadas dos instrumentos de corda funcionam como elemento de renovação de energia, levando o samba novamente “para a frente”. Essa intervenção musical reforça uma das principais características da obra de 2026: um samba que avança, cresce e se sustenta ao longo do desfile, ganhando novo fôlego a cada retomada.

Fora da pista, o ensaio também contou com presenças ilustres. O presidente da Liesa, Gabriel David, acompanhou o treino, assim como o patrono da Vila Isabel, Capitão Guimarães, que assistiu ao ensaio da sacada da quadra, logo abaixo da escultura de Noel Rosa.

A Vila Isabel retornará aos seus ensaios de rua no Boulevard 28 de Setembro no dia 07 de janeiro de 2026.

‘Mestra, você me fez amar a festa’: O salgueirense canta e declara seu agradecimento a Rosa Magalhães

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O enredo de 2026 transforma a memória em reconhecimento e reafirma o papel de Rosa Magalhães como uma das maiores referências artísticas da história do samba. No verso do samba que embala o enredo de 2026, o Salgueiro escreve em sua trajetória uma homenagem à altura da importância de Rosa Magalhães. “Mestra, você me fez amar a festa” deixa de ser apenas um refrão para se tornar uma declaração coletiva de reconhecimento a uma artista que redefiniu o carnaval brasileiro por meio da arte, da pesquisa, da educação e da construção de narrativas visuais que marcaram gerações.

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Foto: Thais Brum/Divulgação Rio Carnaval

A escolha do enredo representa não apenas uma reverência à sua obra, mas também um gesto simbólico de retorno às origens. Rosa iniciou sua trajetória no Salgueiro e, a partir dali, expandiu sua influência para todo o universo do samba, consolidando uma estética singular e uma nova forma de pensar o desfile como linguagem cultural, política e artística. Esse sentimento de raiz e pertencimento é destacado por quem vive na escola desde sempre.

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Andréia Lúcia

“Desfilo na escola desde a barriga da minha mãe. Ser do Salgueiro é uma história de 60 anos. Ver esse enredo homenageando Rosa Magalhães significa, para mim, a nossa volta às raízes. Ela começou aqui, bem pequena, e depois foi crescendo para todas as outras escolas. No início, a gente não apostou muito nesse enredo, mas depois que todo mundo começou a cantar junto, virou outra coisa. Ficou muito emocionante”, declara Andréia Lúcia, de 60 anos, componente da agremiação.

Ao homenagear Rosa Magalhães, o Salgueiro também evidencia o protagonismo feminino em uma história marcada pela predominância masculina na criação dos grandes enredos. Reconhecer o legado de uma mulher à frente de projetos que transformaram o espetáculo carnavalesco amplia o sentido dessa celebração.

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Lilian Diniz

“Homenagear Rosa Magalhães é algo muito importante, porque ela tem uma relevância gigante para o Carnaval. E, além disso, ser uma mulher homenageada torna tudo ainda mais emocionante. O Salgueiro vem com um enredo poderoso, lindo e emocionante”, conta a assistente social Lilian Diniz, de 49 anos, que desfila há 17 anos na ala Mariposas do Salgueiro.

No minidesfile na Cidade do Samba, o reflexo desse enredo já se manifesta em um envolvimento crescente da comunidade e dos componentes. O samba ganha corpo, ecoa nas arquibancadas e reforça, a cada repetição, o vínculo entre passado, presente e futuro.

Entre as novas gerações, a homenagem se traduz em sentimento de identidade, resistência e afirmação comunitária. A trajetória de Rosa se conecta ao orgulho de vestir a camisa da escola e carregar, para a avenida, a história de um território que é, ao mesmo tempo, cultural e afetivo.

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Ingrid Souza

“Vestir a camisa do nosso pavilhão é uma realização. Isso é resistência, é potência, é empoderamento. A gente traz a verdade da escola, a alegria e a energia que o Salgueiro representa. Quando chega no refrão, ‘Mestra, você me fez amar a festa’, é uma explosão. É incrível poder homenagear alguém que trouxe tantos títulos e tanta história para a Sapucaí. A comunidade vive isso intensamente e hoje já dá para sentir que as pessoas estão abraçando esse enredo com muito amor”, declara a assistente administrativa Ingrid Souza, de 25 anos, nascida e criada na comunidade do Salgueiro, que desfila há três anos na escola.

A força dessa construção coletiva também está presente no trabalho cotidiano de quem dedicou anos à escola, fortalecendo o sentimento de continuidade e pertencimento.

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Jorge Silva

“É tão emocionante a gente desfilar pelo Salgueiro e homenagear a Rosa Magalhães, um ícone do Carnaval que já fez tanto pela gente. Muita coisa que temos hoje vem por conta dela também. E o Salgueiro é Salgueiro, ela começou aqui. O samba está pegando, está crescendo, está se desenvolvendo muito bem”, diz Jorge Silva, auxiliar administrativo, de 49 anos, que está no Salgueiro desde 2012.

Em 2026, o Salgueiro promete apresentar um tributo à contribuição inestimável de Rosa Magalhães para a cultura brasileira. Mais do que uma homenagem, o enredo se firma como um reconhecimento público ao legado de uma mulher que transformou o carnaval em ferramenta de educação, memória e identidade coletiva.

União de Maricá encerra 2025 com ensaio coeso e forte rendimento musical

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A União de Maricá realizou, nesta terça-feira, 16 de dezembro, seu último ensaio de rua de 2025. Com muita alegria e presença da comunidade, a escola ensaiou na Rua Abreu Rangel, em Maricá, com muita animação e uma grande performance de Zé Paulo, marcando também o canto forte da escola e a apresentação da comissão de frente, comandada por Patrick Carvalho. Fabrício e Giovanna, casal da escola, também se apresentaram muito bem, dentro da evolução que a agremiação demonstrou, com muita confiança. A Maricá levará para a Sapucaí, em 2026, o enredo “Berenguendéns e Balangandãs”, sobre a joalheria negra produzida no Brasil, os berenguendéns e balangandãs do título. Será a sexta escola a desfilar na Série Ouro e retorna aos ensaios em janeiro, às sextas-feiras, na Abreu Rangel, no centro de Maricá.

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Fotos: Matheus Morais/CARNAVALESCO

COMISSÃO DE FRENTE

Patrick Carvalho comanda a comissão que se apresentou pelas ruas do centro de Maricá, contando com uma coreografia forte, com elenco cem por cento feminino, cujos movimentos são relacionados à letra do samba da escola, contando a história das mulheres que faziam a joalheria. A dança destacou a figura dessas mulheres negras como símbolo de resistência e poder por meio da feitura das joias.

A união entre elas também foi mostrada em diversos momentos, como no refrão do meio, logo em sua primeira frase, “Balanço que lembra meu adarrum”, em que as mulheres se reúnem bem próximas, além de diversos trechos da segunda parte do samba, quando uma das dançarinas se torna a principal do grupo, indo ao centro da roda. Foi uma apresentação segura e firme de todas, mostrando boa sintonia com o tema da agremiação já visando ao próximo carnaval.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Fabrício Pires e Giovanna Justo são os defensores do pavilhão da escola e apresentaram um bailado forte, mais tradicional na sequência de movimentos, com bastante impacto e graciosidade ao longo do percurso do ensaio.

A dança do casal incluiu algumas referências diretas ao que é abordado na letra do samba, mas manteve um estilo tradicional na maior parte das apresentações para as cabines, com destaque para os giros no refrão do meio, bem executados, evidenciando a interação e a confiança entre eles.

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SAMBA E HARMONIA

A obra defendida por Zé Paulo foi abraçada de coração pela comunidade da Região dos Lagos e fecha o ano com chave de ouro em relação ao canto do intérprete, sua presença e o envolvimento dos componentes da União de Maricá. O samba foi cantado com bastante vigor ao longo do ensaio, com destaque para trechos como “Eu peço aos meus Orixás e entrego todo o axé / A nega pode e vai ter o que quiser”, no refrão mais próximo ao fim da obra, entoado a plenos pulmões.

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Outro momento marcante foi a subida para o refrão principal, “Tantas pretas consagradas, me espelho com orgulho / A quem renega a mulherada, vá dormir com esse barulho”, sendo a última frase alvo de uma paradinha da Maricadência e do carro de som, permitindo que a escola bradasse a mensagem final do samba.

EVOLUÇÃO

Ao longo do tempo de ensaio, a União de Maricá realizou uma apresentação coesa e fluida, com seus componentes animados e bem posicionados nas alas, sem perder a leveza e a brincadeira que contagiam os foliões. A escola da Costa do Sol demonstrou bom domínio do quesito, sem uma evolução engessada, passando com tranquilidade pela Abreu Rangel, incentivada pelos fãs que compareceram em bom número.

O presidente Matheus Santos comentou que a comunidade abraçou os ensaios às terças-feiras, alterados por conta do Natal de Brasilidade, promovido pela prefeitura, e ressaltou que a escola está fortalecida no grupo, em busca do sonhado título da Série Ouro, fazendo um balanço positivo de 2025 rumo ao Carnaval 2026.

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“Vejo um balanço muito positivo. Acho que a Maricá está se consagrando entre as maiores escolas do nosso grupo. Estamos trabalhando muito, temos um elenco forte, mas nada está certo: Carnaval se ganha na Avenida. Vamos continuar trabalhando, e o nosso ensaio de rua é fundamental para seguir evoluindo e corrigindo onde erramos. Estou muito feliz com a minha direção de harmonia e a minha direção de Carnaval. É só o começo; vamos trabalhar bastante para conquistar o nosso grande objetivo”, declarou.

OUTROS DESTAQUES

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A “Maricadência”, comandada pelo mestre Paulinho Steves, teve bom desempenho ao longo do ensaio, executando diversas bossas e paradinhas, especialmente antes do refrão principal, valorizando o canto da escola. A rainha Rayane Dumont esteve presente e interagiu bastante com as crianças da comunidade, levando algumas delas para junto da bateria ao fim do ensaio.

RioLuz realiza manutenção da iluminação do Sambódromo a 60 dias do Carnaval

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Faltando 60 dias para o carnaval, a RioLuz já iniciou os trabalhos de manutenção preventiva e a instalação da iluminação cênica da Marquês de Sapucaí. Técnicos da companhia atuam no Sambódromo para garantir o pleno funcionamento do sistema luminotécnico, essencial para a segurança e o espetáculo dos desfiles.

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Fotos: Divulgação/RioLuz

Nesta primeira etapa, as equipes realizam inspeções, correções e substituições de equipamentos. A próxima fase do serviço está prevista para janeiro, quando serão realizados testes técnicos para assegurar a qualidade e a eficiência da iluminação.

O serviço teve início em dezembro e faz parte do planejamento da RioLuz para preparar a cidade para um dos maiores eventos do calendário cultural do Rio de Janeiro.

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