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Especial barracões SP 2026: No ano de seus 70 anos, Unidos do Peruche embala o carnaval ao som da história do pandeiro

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A Unidos do Peruche exaltará no Anhembi, em 2026, um dos maiores símbolos da cultura popular brasileira. Com o enredo “Oi… Esse Peruche lindo e trigueiro… Terra de samba e pandeiro. ‘70 anos’”, assinado pelo histórico carnavalesco Chico Spinosa, a Filial do Samba fará uma longa viagem no tempo para revisitar os primeiros registros conhecidos do pandeiro — instrumento mais antigo do que inúmeras civilizações — até sua chegada ao Brasil e a consolidação ao lado do samba no Carnaval brasileiro.

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Fotos: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO

A equipe do CARNAVALESCO visitou o barracão da Peruche e conversou com Felipe Milanes, assistente de Chico Spinosa no desenvolvimento do desfile, para conhecer melhor a proposta do enredo, que também marca a celebração dos 70 anos de fundação da escola, na busca pelo título do Grupo de Acesso II de São Paulo.

Brasilidade perucheana no início de uma nova década

A ideia de contar, na Avenida, a história do pandeiro surgiu da intenção de abordar um símbolo nacional por meio de uma escola que carrega, em seu pavilhão, as cores da bandeira do Brasil.

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Fotos: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO

“A ideia original é do Chico Spinosa. Ele trouxe essa proposta para a escola, essa vontade, e a escola abraçou por diversos motivos. Um deles é o fato de o pandeiro ser um símbolo nacional e a Peruche carregar as cores do Brasil, além de ter, em seu símbolo, a constelação do Cruzeiro do Sul. É uma escola muito caracterizada pela brasilidade, e toda a comunidade abraçou essa ideia. A escola percebeu, de certa forma, que é um elemento que ainda não havia sido retratado com esse olhar de contar a sua história, a história que existe por trás do pandeiro”, explicou Felipe Milanes.

O artista destacou ainda que, neste século, tornou-se uma característica da Peruche apostar em temas ligados ao país sempre que a agremiação completa uma nova década de existência.

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Fotos: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO

“Há uma coisa curiosa: quando a Peruche completou cinquenta anos, trouxe um elemento nacional, que foi Santos Dumont. Quando fez sessenta anos, contou o centenário do samba-enredo. Para os setenta anos, a escola também quis trazer essa brasilidade de alguma forma. Tudo isso culminou nessa grande festa de setenta anos”, completou.

Uma das imagens mais simbólicas do carnaval brasileiro é a da passista sambando ao lado de um pandeirista equilibrando o instrumento. Apesar disso, o pandeiro deixou de ser um elemento obrigatório nos desfiles e vem aparecendo cada vez menos nas apresentações das escolas de samba. Para Felipe, esse imaginário popular representa um elemento a ser resgatado, assim como o momento vivido pela Peruche nos últimos anos.

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Fotos: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO

“Essa imagem foi muito forte para a construção desse carnaval. Hoje, pensando bem, é uma imagem muito clássica quando se imagina o carnaval, mas é um elemento que nós temos cada vez menos. O número de pandeiristas diminuiu significativamente ao longo dos anos. Foi mais um motivo e uma inspiração para trazer esse enredo, que fala de resgate. A Peruche está em um processo de autorresgate, que já vem acontecendo há alguns anos. O pandeiro chega também dessa forma, com a escola se reencontrando. É uma história a ser resgatada, um símbolo a ser revivido e a ter sua importância contada”, afirmou.

Um símbolo nacional de origem milenar

A narrativa do enredo da Peruche parte da reconstrução da história do pandeiro desde seus primeiros registros, ainda antes de o instrumento assumir o formato conhecido atualmente. Segundo Felipe Milanes, é a partir desse resgate que o desfile se desenvolve até alcançar a chegada do pandeiro ao Brasil.

“O enredo faz uma viagem pela história do pandeiro, que é um símbolo muito comum nas rodas de samba, nas escolas de samba e no carnaval de forma geral. Dentro da ideia proposta, ele percorre, de forma cronológica, a história do pandeiro desde os primeiros registros, cerca de seis mil anos antes de Cristo, até a sua chegada ao Brasil”, explicou.

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Fotos: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO

Milanes contou que a escola optou por não seguir uma divisão tradicional em setores.

“Não fizemos uma divisão muito clássica, como muitas escolas costumam fazer. O enredo transcorre mais como uma história contínua, quase como se fosse um único setor. Ainda assim, existe uma separação conceitual entre o pandeiro como origem e o pandeiro como legado”, apontou.

O desfile abordará a origem milenar do pandeiro, quando ele ainda não possuía as conhecidas soalhas — as peças metálicas que chacoalham na circunferência do instrumento. A narrativa tem como base uma escultura descoberta em um território localizado na atual Turquia, antiga Anatólia, onde o pandeiro aparece retratado nas mãos da deusa Cibele.

“A partir dessa escultura, que a mitologia local acreditava ter caído dos céus por causa de um meteoro, começamos a entender o quanto existe de história por trás do pandeiro. Ele passa por diversas civilizações, pela Índia, por meio dos grupos ciganos, pela Europa, nas procissões e festas religiosas, e por outros povos, sempre como forma de cultura, lazer, entretenimento e expressão artística”, explicou.

No Brasil, o pandeiro se consolidou como muito mais do que um instrumento musical. Seu uso tanto na música quanto em rituais religiosos o transformou em um elemento identitário do povo brasileiro, conectando-se diretamente ao desfecho do desfile da escola.

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Fotos: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO

“Quando ele chega ao Brasil, o pandeiro vai criando novas formas, lugares e personalidades. Ele chega quadrado e aqui se torna redondo, meia-lua, mantendo diferentes formatos. Vai passando pelos festejos populares, pelas tradições culturais, e se transforma ao longo da história. Vamos falar do pandeiro como aliado do samba na resistência, quando o samba era marginalizado, até encerrarmos com esse pandeiro celebrando os setenta anos da Peruche”, afirmou.

A linha musical que costurará o desfile será inspirada em “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, canção eternizada mundialmente na voz de Carmen Miranda. A referência estará presente desde o título do enredo até o último verso do samba-enredo.

“O título do enredo é inspirado em ‘Aquarela do Brasil’, que utilizou o pandeiro como elemento musical. A música foi interpretada por Ary Barroso e também por Carmen Miranda, que a levou aos Estados Unidos. Essa obra vai atravessar o desfile tanto musical quanto visualmente”, contou.

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Fotos: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO

O enredo também destacará o momento em que o pandeiro se transforma em símbolo da identidade brasileira fora do país, levado por nomes como Carmen Miranda e Jackson do Pandeiro.

Anseio pelo acesso e estética como trunfos

Pela primeira vez, a Peruche celebra uma nova década de história fora do Grupo Especial. O retorno ao Acesso I esteve próximo em 2025 e, para Felipe Milanes, o grande combustível da escola para 2026 é o desejo coletivo da comunidade.

“A comunidade está com essa gana. Sonhou muito com o carnaval de 2025, que homenageou o Seo Carlão, e acreditou que poderia subir, mas ficou a um décimo do acesso. Isso criou uma vontade engasgada. Comemorar 70 anos fora do Grupo Especial é um incentivo a mais para buscar essa ascensão”, destacou.

No campo artístico, Milanes aponta a estética como um diferencial importante.

“Acreditamos que a estética será um dos grandes trunfos. Ela será diferente do que a Peruche apresentou nos últimos anos, com referências retrô misturadas à modernidade e elementos contemporâneos. Tudo isso para celebrar esses 70 anos. O enredo, por si só, já motiva muito a comunidade, e isso tem gerado uma ansiedade positiva dentro da escola”, concluiu.

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Fotos: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO

Ficha técnica
Enredo: “Oi… Esse Peruche lindo e trigueiro… Terra de samba e pandeiro. ‘70 anos’”
Número de componentes: 1.100
Alegorias: 2 carros + 1 tripé
Alas: 11
Diretor de barracão: Julião
Diretor de ateliê: Maurílio Oliveira
Ordem de desfile: Sexta escola a desfilar pelo Grupo de Acesso II

União de Maricá leva ensaio de rua à Orla de Itaipuaçu na reta final para Carnaval

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Após o elogiado ensaio técnico do último fim de semana, a União de Maricá entra na reta final de preparação para o Carnaval. A escola realiza seu penúltimo ensaio de rua na próxima sexta-feira (30), a partir das 20h, em um local especial: a Orla de Itaipuaçu.

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Fotos: Ney Junior/União de Maricá

O ensaio terá início na altura da Rua Paraná e seguirá até a esquina com a Rua Rio de Janeiro, percorrendo toda a extensão do Circuito Claudinho Guimarães, à beira-mar, reforçando a proposta de aproximar a escola das diferentes regiões da cidade. O diretor de Carnaval, Wilsinho Alves, e o diretor de Harmonia, Mauro Amorim, realizaram uma visita técnica ao local, ao lado de autoridades da cidade, para conhecer o trajeto.

O presidente da agremiação, Matheus Santos, destacou a importância de levar a União de Maricá para Itaipuaçu e fortalecer o vínculo com a população local e com o turismo da cidade.

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Fotos: Ney Junior/União de Maricá

“Somos uma escola que representa toda Maricá. Estar em Itaipuaçu é fundamental para aproximar ainda mais a comunidade da escola e valorizar uma região tão importante e turística do município”, afirmou o presidente.

O ensaio geral, último antes do desfile oficial, está confirmado para o dia 6 de fevereiro, às 20h, na Passarela do Samba Adélia Breve, no Centro de Maricá. A União de Maricá será a sexta escola a desfilar no dia 14 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí, pela Série Ouro, com o enredo “Berenguendéns e Balagandãs”, do carnavalesco Leandro Vieira.

Cada assinatura, um sonho: o caminhão da Liga-SP que celebra o samba em São Paulo

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Com assinaturas e dedicatórias, um caminhão de apoio instalado no Sambódromo do Anhembi tem reforçado a experiência do público e promovido o sentimento de pertencimento à comunidade do samba durante os ensaios técnicos das escolas paulistanas.

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Ana Carla Dias/CARNAVALESCO

A iniciativa é da Liga-SP, que, em parceria com sua equipe de comunicação, desenvolveu a ação com o objetivo de aproximar ainda mais os apaixonados pelo carnaval e ampliar a vivência do público dentro do sambódromo.

Estacionado no Anhembi, o caminhão já se tornou parte da rotina das agremiações. Além de atuar no suporte à limpeza da avenida durante os desfiles, o veículo também oferece apoio direto às escolas, contribuindo para a estrutura operacional do maior palco do carnaval paulistano.

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Ana Carla Dias/CARNAVALESCO

Mais do que um recurso funcional, o caminhão ganhou um novo significado ao se transformar em um espaço de expressão da comunidade do samba. A lataria do veículo foi disponibilizada para receber assinaturas e dedicatórias de integrantes, torcedores e visitantes, tornando-se um ponto de interação e identificação coletiva.

“A ideia do caminhão é ser um apoio na avenida, auxiliando de várias formas. Inicialmente, ele receberia apenas uma adesivação simples, mas optamos por preencher esse espaço com assinaturas, como uma forma de aproximar ainda mais o público da Liga-SP e fazer com que as pessoas se sentissem incluídas”, explica Carlos Henrique dos Santos Júnior, de 31 anos, analista de comunicação da Liga-SP e responsável pelo projeto.

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Ana Carla Dias/CARNAVALESCO

Segundo Carlos, a proposta é aberta a todos, independentemente da escola ou da região de origem. “É só chegar e assinar. Também é importante dedicar à sua escola, mostrar de onde você vem e qual agremiação representa. A ideia é que seja algo pessoal”, afirma.

O caminhão passou a funcionar como ponto de encontro espontâneo, onde o público manifesta sua paixão e identidade com o samba. De acordo com o analista, muitos foliões aproveitam o espaço para escrever gritos de guerra, trechos de sambas-enredo ou mensagens de amor às suas escolas.

“Muitas pessoas vêm de longe e fazem questão de deixar sua marca. É algo diferente, e o público está gostando muito. Além disso, o caminhão vai desfilar na avenida e será um dos principais apoios operacionais, tanto na pista quanto no entorno do Sambódromo”, completa Carlos

Entre a dor e a paixão pelo samba, Gracyanne Barbosa emociona na União da Ilha

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A União da Ilha do Governador vive um carnaval carregado de emoção em 2026. À frente da bateria, Gracyanne Barbosa atravessa a temporada de forma diferente, longe da plenitude física que sempre marcou sua passagem pela Sapucaí, mas ainda mais próxima da essência que move a escola. Após uma lesão que exigiu cirurgia e um longo processo de recuperação, a rainha segue firme, sustentada pelo carinho da comunidade, da bateria e da direção da escola.

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A própria Gracyanne reconhece que este não é um ano comum, mas faz questão de destacar o quanto ele tem sido especial.

“É um ano muito diferente. Ao mesmo tempo que eu fico preocupada, sentida por não entregar tudo o que a União da Ilha merece, o que a bateria merece, eu também acho que está sendo um ano extremamente emocionante. Quando eu sofri a lesão e fiz a cirurgia, nós conversamos, e eles falaram: vamos esperar”.

Mesmo com os médicos apontando a dificuldade de um retorno em condições ideais, a decisão da escola foi unânime. O pedido partiu da comunidade e da própria bateria, que fizeram questão da presença da rainha à frente do seu ritmo.

“Conversei com o mestre, com o presidente, com o carnavalesco, e todos falaram a mesma coisa: você vem de cadeira de rodas, de muleta, do jeito que você puder, desde que venha à frente da bateria. Foi a comunidade que pediu para que eu voltasse. A bateria queria muito e quer que eu esteja ali”.

Presença que vai além da dança

Mesmo com restrições médicas, Gracyanne não esconde a emoção ao falar sobre o que viveu nos ensaios e sobre o que espera do desfile oficial.

“Eu me senti extremamente honrada, feliz, grata. Tenho certeza de que esse desfile vai ficar na minha memória para sempre. Pisar na Sapucaí e ser recebida com esse carinho é algo realmente indescritível”.

As limitações físicas exigiram adaptações. Nada de salto alto e samba no limite do possível, mas sem abrir mão da essência.

“Os médicos falaram que era tênis, nada de salto. Eu nem podia sambar, mas, gente, como é que escuta a bateria e não samba? É impossível. Eu vou sambar miudinho, com cuidado, mas vou entregar toda a minha vontade, toda a minha alegria e todo o meu amor”.

Para ela, o enredo da União da Ilha dialoga diretamente com o momento pessoal que atravessa.

“O enredo é maravilhoso, o samba é muito bom, a Ilha é a escola da alegria. Esse Carnaval tem tudo para ser belíssimo, digno de voltar ao Grupo Especial. Eu estou orando, torcendo e dando o meu melhor para estar à altura dessa escola tão maravilhosa”.

Fase de ressignificação

O carinho recebido neste carnaval também tem um peso simbólico. Para Gracyanne, o momento representa uma verdadeira renovação de energia e de sentido.

“Eu acho que estou na melhor fase da minha vida. Passei por vários processos e precisei ressignificar a minha história. Tudo mudou, desde a separação até o BBB, que foi um autoconhecimento muito grande”.

A lesão, segundo ela, foi mais um marco de transformação. “Isso tudo me fez botar a cabeça no lugar e valorizar cada momento. Antes eu me preocupava muito em trabalhar e conquistar, mas hoje eu entendo que o que realmente importa são os momentos com quem a gente ama. É isso que eu estou vivendo agora”.

Fantasia adaptada, esseência preservada

As mudanças também chegaram à fantasia, pensada para garantir segurança sem perder o impacto visual. “A gente teve que dar uma enxugada no costeiro e na cabeça, para não ficar pesado e eu não correr o risco de cair. É uma fantasia mais minimalista, mas vai ser linda”.

Para Gracyanne, o mais importante permanece intacto. “O que interessa mesmo é a bateria. A função da rainha é trazer o holofote para ela, e é isso que eu quero fazer”.

Do samba ao reinado: Rayane Dumont é representatividade à frente da União de Maricá

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Nascida e criada em Maricá, Rayane Dumont não ocupa o posto de rainha da bateria da União de Maricá apenas com samba no pé. Ela o ocupa com pertencimento, memória, identidade e emoção. Há quatro anos à frente da “Maricadência”, Rayane construiu um reinado que vai além do brilho e se conecta diretamente com a história de uma comunidade que se reconhece nela.

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Antes de assumir o posto, em 2020, Rayane já fazia parte do cotidiano da escola como sambista, vivendo o Carnaval desde dentro, no chão da quadra, nos ensaios e no convívio diário com a comunidade. Essa trajetória faz com que sua presença à frente da bateria carregue verdade e representatividade.

Ser rainha da bateria da União de Maricá, para ela, é uma responsabilidade afetiva. É representar um povo inteiro, suas lutas, suas vitórias e sua alegria.

“Pra mim, representa milhões de sensações. Eu sou nascida e criada em Maricá, então é uma honra muito grande. Eu represento uma comunidade, um povo guerreiro”.

A relação com a escola sempre foi marcada pelo acolhimento e pelo amor. Rayane destaca que nunca se sentiu distante da sua comunidade; pelo contrário, sempre foi abraçada e incentivada a crescer junto com a agremiação.

“Sempre fui muito bem recebida pela comunidade. Eu cheguei como sambista, criada ali, e continuo construindo história junto com a União de Maricá, sempre com muito carinho e muito amor. Eu com amor pela minha comunidade, e a minha comunidade com amor por mim”.

Reinado que carrega memória e representatividade 

No atual momento da escola, Rayane representa o Reino de Bregaidê de Belagantã, conceito que dialoga diretamente com ancestralidade e identidade negra. Para ela, ocupar esse espaço também é um gesto de reverência às mulheres que vieram antes e às que ainda virão.

“Hoje, com esse reino, eu represento as pretas que vieram antes de mim, as mulheres que estão comigo agora e as muitas pretas que ainda vão vir”.

Esse compromisso com a história aparece de forma muito clara na estética que Rayane escolhe para a avenida. Seus figurinos são pensados como extensão do enredo, nunca como mero adorno.

“Eu não venho com figurino à toa. Esse, por exemplo, representa três pretas guerreiras. Eu sempre gostei de passar um pouco dos enredos através dos meus looks, porque são histórias que por muito tempo ficaram silenciadas. A gente precisa aproveitar todos os espaços pra contar essas histórias da melhor forma possível”.

Essência, treino e evolução 

Muito elogiada pelo carisma e pela presença forte à frente da bateria, Rayane reforça que o segredo está em respeitar a própria essência e nunca parar de evoluir. Para ela, sambar é estudo, entrega e compromisso.

“Cada um tem a sua essência. O segredo é jogar isso pra fora, com muito treino e muita evolução. Eu nunca estou parada, estou sempre estudando, e acho que é isso que faz a gente melhorar a cada dia”.

Essa postura reflete não apenas no desempenho técnico, mas também na forma consciente com que ela ocupa o posto de rainha, entendendo o peso simbólico que carrega dentro da escola.

Referências que nascem da comunidade 

Quando fala sobre inspirações, Rayane faz questão de destacar mulheres que também vieram do chão da comunidade e que representam força, verdade e identidade no Carnaval.

“Minhas referências são a Evelyn Bastos e a Mayara Lima. Tenho muitas inspirações, mas essas duas tocam meu coração. São rainhas da comunidade, e a gente sempre tenta se espelhar nelas, porque eu também sou cria da minha”.

Rainha que reina com verdade 

Ao completar quatro anos como rainha da bateria da União de Maricá, Rayane Dumont se consolida como um dos grandes símbolos da escola. Sua trajetória traduz o que Maricá leva para a avenida: orgulho de origem, ancestralidade, força coletiva e emoção.

Quando Rayane surge à frente da bateria, o público não vê apenas uma rainha do samba. Vê a história viva de uma comunidade inteira pulsando no ritmo do surdo, celebrando quem veio antes, quem está agora e quem ainda vai chegar.

Vivendo o carnaval intensamente: Wilsinho Alves fala sobre dedicação total

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Em entrevista, na noite do segundo dia do ensaio técnico, o diretor da União de Maricá e do Salgueiro, Wilsinho Alves, falou sobre sua rotina intensa à frente de duas grandes escolas do carnaval carioca. Ao comentar sua vida pessoal ou, como ele mesmo define, a falta dela, Wilsinho enfatizou a importância de estar presente em todos os processos das agremiações que comanda, destacou a necessidade de contar com uma equipe de excelência e apontou as diferenças entre as escolas da Série Ouro e do Grupo Especial, além de suas expectativas para a União de Maricá.

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“Não, não tem vida pessoal, não tem mesmo, é uma loucura. A minha esposa já sabe qual é o ritmo, fico sem ver minha filha para caramba, já estou um tempão sem ver minha filha, só no WhatsApp, ligação, mas é isso. Saio de casa cedinho, 8 horas, 9 horas, e nessa época eu volto 4 horas da manhã, porque sempre tem comissão de frente do Salgueiro ou da Maricá de madrugada, ou as duas. E, além da dedicação aos ensaios, que são necessários, eu acho importante, para mim, estar à frente de duas grandes escolas em momentos diferentes, mas as duas buscam o título nos seus grupos”, afirmou Wilsinho.

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Durante a conversa, o diretor também destacou sua parceria com o carnavalesco Leandro Vieira, ressaltando a importância de trabalhar ao lado de um profissional que contribua para a fluidez do processo criativo e técnico da escola. Segundo ele, apesar de já ter enfrentado dificuldades com outros carnavalescos ao longo da carreira, Leandro se destaca pela capacidade de criar soluções práticas e eficientes no dia a dia do barracão.

“A primeira coisa é que a gente é muito parceiro, muito amigo. É fácil trabalhar com o Leandro. Ele é um cara genial. O grande gênio hoje do carnaval é o Leandro, e a gente tem uma troca boa de ideias, a gente se respeita. Eu respeito muito o que o Leandro faz artisticamente, ele respeita também a parte técnica da escola, e ele tira soluções muito práticas de barracão. Já trabalhei com outros carnavalescos cujas soluções não são tão práticas, e o Leandro consegue criar processos muito assertivos durante o percurso”, afirma Wilsinho.

Wilsinho também comentou sobre as diferenças estruturais e financeiras entre as escolas da Série Ouro e do Grupo Especial. Apesar de reconhecer avanços, o diretor apontou a existência de um grande abismo entre as duas ligas e defendeu melhorias que garantam condições mais dignas de trabalho. Ele destacou ainda o apoio da Prefeitura de Maricá, que, segundo ele, proporciona uma estrutura adequada para o barracão da escola.

“Existe um grande abismo financeiro, um grande abismo de estrutura entre as duas ligas e os dois grupos. Acho que o pessoal da Liga RJ vem trabalhando para reduzir esse gap que existe entre as duas ligas. Mas ainda é chato ver escolas com barracões precários, trabalhadores em condições que não são ideais. Eu trabalho numa escola que todo mundo sabe que tem apoio da Prefeitura da cidade de Maricá, e a gente consegue ter um barracão adequado. Apesar de não ser grande, apesar de não ser alto, ele é adequado, com a parte de segurança do trabalho, com a parte dos bombeiros, enfim, todos os equipamentos, porque é um barracão que a gente construiu há dois anos. Mas eu acredito que, com a Cidade do Samba II, o ganho estético da Série Ouro vai ser notado nos próximos anos, assim como houve o ganho estético quando a gente foi para a Cidade do Samba, de 2005 para 2006”.

Para encerrar, o diretor afirmou estar positivamente ambicioso em relação ao título da Série Ouro e elogiou a preparação da União de Maricá, destacando a dedicação da escola desde o início da temporada e a qualidade apresentada em todos os quesitos.

“Eu espero um desfile organizado, espero que a gente cause um grande impacto. Eu acho que esse carnaval de Maricá é um carnaval de grande impacto. O enredo proporciona isso, o samba proporciona isso e a estética que o Leandro escolheu proporciona isso. A Maricá é uma escola que está ensaiando desde outubro. A disputa de samba começou cedo, começamos cedo os nossos ensaios, ensaiamos muito, ensaiamos muito na rua. Eu fiz, este ano, mais ensaios na Maricá, por exemplo, do que no Salgueiro, por vários motivos, como condições climáticas e tudo mais. Mas é uma escola que ensaiou muito e está muito preparada. Tomara que a gente consiga mostrar isso no ensaio técnico e no desfile para conquistar o campeonato”, declarou o diretor Wilsinho.

Mestre Ciça recebe Medalha Tiradentes da Alerj e celebra reconhecimento histórico ao samba

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O ensaio da escola mirim da Unidos do Viradouro, na última terça-feira, terminou em clima de emoção e reconhecimento. Um dos maiores nomes da história do carnaval carioca, o mestre de bateria Ciça recebeu a Medalha Tiradentes, maior honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), em reconhecimento à sua trajetória de cinco décadas dedicadas ao samba. A iniciativa é do deputado estadual Flávio Serafini (PSOL), autor da proposta aprovada pela Casa, e a cerimônia contou também com a presença da deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ), que fez questão de prestigiar o momento. A entrega aconteceu na quadra da Viradouro, em Niterói, território simbólico para a história do mestre e da escola.

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Fotos: Rhyan de Meira/CARNAVALESCO

Veterano da Marquês de Sapucaí, Ciça completa 70 anos de vida e 50 anos de desfiles, sendo referência absoluta na formação de ritmistas, na criação de identidade musical e na construção do padrão rítmico que ajudou a consagrar a Viradouro como uma das grandes forças do carnaval. Em entrevista ao CARNAVALESCO, visivelmente emocionado, mestre Ciça contou que foi pego de surpresa com a homenagem. “Eu fui pego de surpresa com essa homenagem, que é uma honraria do nosso estado. É muito orgulho estar recebendo esse reconhecimento. Estou feliz pra caramba”, afirmou.

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Questionado se algum dia imaginou ser homenageado dessa forma, tanto pela escola quanto pelo Estado, o mestre foi sincero: “Nunca imaginei isso na minha vida, nunca. Não que eu não mereça, mas o sambista ainda sofre um pouco de discriminação. O povo do samba merece muito mais homenagens. Outra s pessoas também merecem. Acho isso muito bacana, muito importante”.

Para Ciça, a Medalha Tiradentes não é apenas um reconhecimento individual, mas um gesto simbólico que pode abrir caminhos para outros nomes do carnaval serem valorizados em vida.

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“Tenho certeza de que as portas vão se abrir para outros sambistas. As escolas também vão começar a homenagear mais pessoas em vida. Isso é fundamental. O samba envolve milhares de pessoas, envolve trabalho, envolve economia, envolve cultura. E quem faz o show é o sambista, do mais humilde ao que ocupa cargos maiores. O samba tem que estar sempre em primeiro lugar”.

Durante a entrevista, Ciça fez questão de destacar a importância da família Calil, responsável pela gestão da Viradouro, em um dos momentos mais marcantes de sua trajetória: o retorno à escola após um período fora.

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“Foi a família Calil que me trouxe de volta para a Viradouro. Eu estava na Ilha e tenho muita gratidão por isso. O senhor Marcelo Calil, o Marcelinho, a dona Terezinha, o seu Antônio… eles são fundamentais na minha vida”.

O mestre resumiu o sentimento com simplicidade e emoção: “É só gratidão. Não sei nem como agradecer. A gente agradece todo dia. A melhor recompensa que posso dar é fazer a Viradouro campeã de novo. Isso seria nota 10”.

Reconhecimento como política pública

Autor da proposta, o deputado estadual Flávio Serafini destacou a importância de políticas públicas voltadas ao reconhecimento dos trabalhadores do carnaval.

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“O samba é a maior expressão da cultura popular brasileira e, muitas vezes, quem faz o samba é invisibilizado. São passistas, ritmistas, mestres-salas, porta-bandeiras, mestres de bateria. O mestre Ciça percorreu toda essa trajetória até se tornar um campeão do carnaval e uma figura fundamental na construção do samba nos últimos 40 anos no Brasil”.

Serafini também ressaltou a importância de homenagear em vida: “A Viradouro acertou e foi ousada ao homenagear o mestre Ciça em vida. Não dá para esperar o amanhã. Hoje ele é fundamental, representa gerações do samba. Isso precisa ser apoiado e fortalecido, porque essa é a cara do Brasil”.

‘Não vamos esperar a saudade pra cantar’, canta Talíria

Presente na cerimônia, a deputada federal Talíria Petrone destacou a emoção de participar da homenagem e reforçou a ligação entre Niterói, Viradouro e o mestre Ciça.

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“É uma emoção ser parte dessa história. Não tem como pensar no carnaval da Viradouro sem pensar no mestre Ciça. O carnaval não começa na avenida. Ele é feito por quem constrói a batida da bateria, por quem costura, por quem carrega. Ele nasce no barracão, na quadra, no dia a dia”.

Talíria também ressaltou a valorização dos trabalhadores do carnaval: “Homenagear o mestre Ciça é homenagear os trabalhadores que fazem o carnaval acontecer. Essa festa popular precisa ser valorizada porque ela é a cara do povo brasileiro”.

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Orgulhosa de suas raízes, a deputada falou da relação afetiva com a cidade e a escola: “Eu sou muito niteroiense. Não tem como pensar Niterói sem pensar na Viradouro. Estar aqui, no último ensaio antes do carnaval, homenageando ninguém menos que o mestre Ciça, é simbólico. Quando ele é o próprio enredo, como diz o samba, nós não vamos esperar a saudade pra cantar”.

A Medalha Tiradentes chega em um momento especialmente simbólico da carreira do mestre. Em 2026, a Viradouro levará para a avenida o enredo “Pra cima, Ciça!”, desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon, celebrando a trajetória, o legado e a contribuição do mestre para o samba e para o carnaval brasileiro.

Teste do novo sistema de som da Sapucaí reúne grandes vozes e aponta avanços para o Carnaval 2026

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A Marquês de Sapucaí foi palco, na última terça-feira, de mais um importante capítulo na preparação para o Carnaval 2026. A Liesa promoveu um teste do novo sistema de som do Sambódromo, reunindo intérpretes, ritmistas de diferentes escolas e dirigentes do carnaval para avaliar, na prática, a nova engenharia sonora que será utilizada nos desfiles. O evento contou com a presença de cantores como Tinga, Evandro Malandro, Pitty de Menezes e a dupla da atual campeã Beija-Flor, Nino e Jéssica. No início da noite, todos cantaram juntos clássicos do carnaval, em uma apresentação coletiva que empolgou quem acompanhava o teste.

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Fotos: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

A batucada ficou por conta de 60 ritmistas de diversas escolas permitindo que o novo sistema fosse avaliado também em relação à bateria, elemento central do desfile. O CARNAVALESCO ouviu o presidente da Liesa, Gabriel David, além de Nino Milênio, Jéssica Martin, Pitty de Menezes e mestre Casagrande, que falaram sobre os avanços, ajustes necessários e expectativas para os desfiles.

Gabriel fez um balanço detalhado dos testes já realizados até agora. “Quando a gente falou pela primeira vez que iria fazer essa mudança em toda a engenharia do sistema de som, é que é um processo longo, complexo e doloroso. Ele realmente é. Acho que só a gente vivendo da forma mais intensa possível esse processo é que a gente pode chegar a um resultado melhor no final, principalmente, na hora dos desfiles de todas as escolas. Acho que a gente tem evoluído significativamente ao longo desses testes”, avaliou.

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O mandatário também destacou que ainda existem pontos a serem ajustados. “A gente ainda precisa evoluir em alguns detalhes a mais, dentro de toda a visão da equipe que tem trabalhado nisso. Mas eu acho que tudo na vida, quando a gente quer evolução, a gente tem que ter diálogo. E eu acho que o diálogo entre toda a equipe de som e todos os artistas do carnaval é visivelmente melhor para todos”, afirmou.

Segundo ele, o contato direto com os artistas tem sido fundamental. “Eu conversei com praticamente todos os artistas do carnaval até aqui e não obtive nenhuma reclamação a respeito do diálogo. Claro que sempre tem um detalhe ou outro para melhorar, mas não sobre o diálogo. Eu acho que isso é a primeira evolução que a gente tem durante todo esse processo, e eu queria muito destacar isso. Acho que o som tem tudo para ser um ponto muito positivo desse carnaval”, pontuou.

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Gabriel também explicou que ainda haverá testes importantes nas próximas semanas. “Precisamos testar a excelência do som ao longo deste final de semana e, no próximo, talvez tenha um dos testes mais importantes de todos, que é aquele que ninguém vê, mas que é primordial, que são todas as radiofrequências que passam no Sambódromo. Diante de todas as dores que eu já presenciei vestindo a camisa da Liesa com esses equipamentos de som, o teste principal para a gente, na verdade, é no segundo final de semana de ensaio técnico”, declarou.

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Ao comentar sobre questionamentos feitos por intérpretes da Série Ouro em relação ao retorno em testes anteriores, Gabriel David foi direto. “É por isso que existem os testes e, de fato, é uma engenharia muito complexa, foi o que a gente sempre falou. É só na hora que a gente botar no campo de jogo que a gente vai acertando os detalhes. Os ensaios técnicos da Série Ouro, sem dúvida nenhuma, foram interessantes para que essa evolução continue e que seja mais um dia de testagens. Hoje também tiveram algumas reclamações de coisas que podem melhorar e terão ainda neste primeiro final de semana de ensaios técnicos especiais. Isso está tudo dentro de uma previsão normal. O importante é que chegue no dia do desfile com todo mundo muito confortável e com o som na sua mais perfeita qualidade. E eu acho que isso vai acontecer, está dentro do processo. Não tem nenhum absurdo até aí, por isso que a gente chama de ensaios técnicos”, explicou.

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Sobre a expectativa para os desfiles, o presidente foi cauteloso, mas otimista. “Eu estou com os pés no chão. Eu acho que a minha expectativa é que o som seja melhor do que o do ano passado e que a gente tenha uma capacidade de analisar qualquer uma das diversas variações que podem surgir nesse modelo, mas saber, de fato, o que variou, o que não foi da forma que a gente queria. Acho que mais importante do que só acertar é saber por que você errou. E a maior dúvida que a gente tinha no passado é que a gente não tinha muito esse acesso a essa informação. A minha expectativa é que vai ser melhor do que o do ano passado, mas principalmente que a gente vai ter uma análise mais contundente de como ele performou ao longo de todos os dias”, detalhou.

Representando a Beija-Flor, Nino fez questão de elogiar o resultado do teste. “Foi maravilhoso. Só está melhorando. Eu tive o privilégio, a oportunidade, a honra de ser o primeiro a testar. Fizemos o teste eu e Jéssica, junto com a nossa equipe da Beija-Flor. Muita coisa melhorou e está muito legal. Os intérpretes estranharam um pouco no início, mas aconteceram muitas reuniões na Liesa sobre o assunto, e quem estava estranhando agora já está gostando. Tem tudo para ser um sucesso no carnaval”, comentou.

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Jéssica reforçou a avaliação positiva. “Esse teste foi maravilhoso. Esse som está perfeito. Aqui, pelo menos no meu fone de ouvido, está parecendo um CD. Muito legal, equipe maravilhosa. Está dando maior suporte, maior atenção para a gente. E creio que esse Carnaval de 2026, além de ser novidade, vai ser um sucesso”.

Mesmo satisfeitos, a dupla destacou que ajustes finos ainda podem ser feitos. “A gente vai ter mais uma passagem de som. Eu prefiro esperar mais esse teste, porque eu acho que pode até melhorar. Não que esteja ruim. Ficou perfeito, mas eu acho que a gente pode conseguir equalizar um pouco mais dentro do nosso ouvido. Um pouco mais de bateria, um pouco mais de surdo, um pouco mais de vozes… Aquela melhorada que a gente só percebe quando ela acontece”, explicou Jéssica.

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Nino ainda detalhou pontos técnicos. “Acho que dá para ter um pouco mais das vozes do cantor principal. Conforme eu e a Jéssica, tem que destacar um pouco mais ali. As pessoas… sei lá, uma divisãozinha que dê para ver que ela está ali e eu estou ali. Porque às vezes fica muito coro. E a gente também tem que esperar um pouquinho, porque a gente não está com a nossa bateria soberana, maravilhosa. Faltam os atabaques… Ainda falta muita coisa. Só nos próximos testes que a gente vai conseguir ter essa concepção completa”, comentou.

Pitty de Menezes também aprovou o teste. “O som está maravilhoso. Está se ajustando. Amanhã a gente tem uma passagem de som. Cada escola, agora a parte musical mesmo, das harmonias, de cordas, vozes. Hoje foi para ajeitar mais a bateria, a questão da musicalidade da bateria. Mas, assim, foi maravilhoso. O som tem uma tecnologia maravilhosa e a sonoridade maravilhosa também. Acho que tem tudo para dar certo, para fazermos um grande espetáculo aqui na Marquês de Sapucaí no nosso grande dia”, declarou.

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Ele também comentou sobre a importância do processo de ajustes. “Sempre dá para melhorar. A gente está ajustando, é como a gente está falando: é ajuste. E ajuste é isso, tem erros, acertos… Eu acho que eles já detectaram algumas coisas que estavam erradas e vão ajustar agora para dar certo, para chegar no dia do ensaio técnico melhor ainda e chegar no dia do desfile perfeito”, concluiu.

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Mestre Casagrande fez uma análise técnica do teste. “Foi muito proveitoso. A gente pôde entender a logística na qual a nova equipe de som se propõe a nos dar. Ficou legal. No primeiro momento, a gente tinha botado até os cantores na frente, mas aí ficou um sistema muito agudo; depois passou para trás e melhorou”, explicou.

O mestre ressaltou que cada agremiação terá suas próprias necessidades. “Agora é de escola para escola, de diretor musical, diretor de carnaval, que a gente vai entender como é que vai ficar. Cada um tem suas peculiaridades. Até porque a gente tem dois ensaios técnicos ainda. Tem o primeiro para a gente entender mais um pouco e depois, no segundo, eu acho que já vai estar bem ajustado”, afirmou.

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Sobre possíveis problemas no teste, Casagrande foi sincero. “Teve. Ficamos nessa diferença do delay com o canto. O ideal seria que a gente ensaiasse com a bateria no setor 1, no box da bateria, e a gente não conseguiu ensaiar. Mas, para a logística, para a gente entender a logística de som, o teste de hoje foi muito proveitoso”, declarou.

Por fim, ele deixou clara a expectativa, ainda que com cautela. “Acho que no desfile vai ser um sucesso. Mas é o que eu te falei: vai depender muito de escola para escola. A nova equipe de som, os responsáveis, nos deixaram muito à vontade para decidirmos entre cada escola. Então a gente vai conversar com o nosso diretor de carnaval, nosso diretor musical, para ver o que a gente faz. Chegar no melhor, isso que é o importante. Chegar 100%, mas só a boa vontade que a organização está tendo com a gente já está valendo”, concluiu.

Riotur informa entendimento entre Liesa e Liga RJ em prol do Carnaval 2026

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A Riotur informa que recebeu os presidentes da Liesa e Liga RJ nesta terça. Na reunião, as questões levantadas pela Liga RJ em manifestações recentes foram devidamente esclarecidas junto à Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa).

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Foto: Divulgação/Riotur

Ambas as ligas renovaram seu compromisso de manter sua comunicação institucional em constante desenvolvimento, evitando conclusões precipitadas, e o melhor comprometimento do Carnaval 2026. Tanto Liesa, quanto Liga RJ manifestaram disposição em esclarecer os pontos levantados e debater, agora e após o carnaval, pontos de interesse conjunto, sempre buscando o desenvolvimento do maior espetáculo da Terra.

A Riotur reafirma seu compromisso com a organização do carnaval carioca e destaca o trabalho desenvolvido pelas Ligas, empenhadas em garantir que todas as agremiações, do Grupo Especial e da Série Ouro, tenham as condições necessárias para realizar um grande Carnaval.

Mayara Lima comanda aulão de samba no Carnaval Fan Fest

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A inauguração do Carnaval Fan Fest, no dia 20 de janeiro, foi marcada por um encontro simbólico entre o samba, o povo e um dos cartões-postais mais emblemáticos do Rio de Janeiro. Em plena praia de Copacabana, Mayara Lima, rainha de bateria do Paraíso do Tuiuti, comandou um grande aulão de samba que reuniu centenas de pessoas em um movimento coletivo de celebração à cultura popular.

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O evento, que já nasce com a proposta de se tornar um marco no calendário carnavalesco da cidade, reforçou a valorização do sambista e da arte que sustenta o maior espetáculo da Terra. Para Mayara, estar à frente dessa iniciativa carrega um significado que ultrapassa a dimensão da dança.

“Esse evento é histórico para o carnaval e vai fazer parte dessa história linda que é a nossa arte, do maior espetáculo da Terra. Tudo nasce de uma gestão que pensa no sambista, que faz de tudo para valorizar quem vive do carnaval. Fui convidada para esse aulão e estou muito feliz de estar aqui. Ainda vamos ter mais duas aulas. O carnaval está chegando, e a gente já está nesse pré-aquecimento”, destacou a rainha.

Mesmo com uma trajetória consolidada no samba, Mayara revelou que a grandiosidade do público trouxe um sentimento especial antes da aula começar. “Deu nervosismo, sim. Já dei aula para muita gente, mas nunca para um público tão grande quanto o do Rio de Janeiro. As pessoas presentes querem cada vez mais fazer parte do nosso carnaval e somar com a nossa cultura. No final, foi muito bom viver essa experiência”.

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Durante a atividade, a rainha fez questão de reforçar que o samba vai além dos passos ensinados. “Se joga, seja você mesma e treine, mas entendendo que não é só fazer uma aula de samba. É viver a história da nossa cultura, a fundação de tudo, a história do nosso povo. O samba vai muito além de dançar. Eu tenho muito orgulho de dizer que sou uma artista do samba e que vivo da cultura do meu país. É isso que eu quero levar para as pessoas”.

A relação de Mayara com o Paraíso do Tuiuti também esteve presente em sua fala, reafirmando o vínculo com a escola que moldou sua trajetória pessoal e artística. “Eu sou uma pessoa que hoje vive um sonho, muito por conta das oportunidades que o Tuiuti me deu, que é a escola que é o meu chão, meu pilar. Já fui passista, musa, princesa. Construí minha vida pessoal ali, hoje tenho meu filho, sou casada com uma pessoa que também ama o carnaval. Poder viver esse momento junto com a minha família, com a minha comunidade e com a minha bateria é muito especial. Espero que venham muitos e muitos anos para a gente continuar vivendo essa cultura que é tão mágica”.

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Entre os participantes do aulão, o impacto da experiência foi imediato. Juan Barros, de 17 anos, morador do Méier, destacou a força simbólica da ação. “Achei incrível a ideia de fazer um mutirão com milhares de pessoas no meio da praia de Copacabana para um aulão de samba. Foi genial. Teve um momento em que eu parei de dançar só para ver ela dançando, porque é apaixonante”.

Para ele, iniciativas como essa deveriam se espalhar ainda mais pela cidade. “O Rio devia tornar o aprendizado do samba ainda mais acessível. Imagina um aulão assim em outros bairros. A aula dela é apaixonante”.

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Laura Isabel, de 17 anos, também acompanhou a atividade e saiu contagiada pela energia da rainha. “Eu achei maravilhoso. Ela é muito boa, contagiou a plateia, me deu alegria. Mesmo cansada, eu tentei sambar, tentei me mexer e gostei muito”.

A jovem reforçou a importância da valorização do samba como identidade cultural. “O samba é parte da nossa cultura, da nossa alma, do brasileiro. Tem que ser valorizado a cada dia”. Animada, ela já planeja colocar em prática os passos aprendidos. “Vou começar já, até no show do Belo”.

O aulão de samba no Carnaval Fan Fest mostrou que, quando o samba ocupa os espaços da cidade, reafirma sua potência como linguagem coletiva, memória viva e expressão de pertencimento. Em Copacabana, a dança se transformou em encontro, aprendizado e celebração da essência do carnaval carioca.