Enredo da Imperatriz Leopoldinense para o Carnaval 2026, o cantor Ney Matogrosso realiza no próximo dia 04 de fevereiro, a partir das 20h, no Vivo Rio, uma edição especial do show da Turnê “Bloco na Rua”, desta vez com participação da Rainha de Ramos e seus segmentos. Batizado de “Em Noite Camaleônica”, o show do artista será embalado pela Bateria Swing da Leopoldina, de Mestre Lolo, pelo intérprete Pitty de Menezes, e pelo primeiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro, além de outras apresentações.
No repertório do cantor, que celebrou 50 anos de carreira em 2025 e terá sua obra e virtuosidade performática celebradas pela verde, branco e dourado na Marquês de Sapucaí, estão sucessos como “Bloco na Rua”, “Jardins da Babilônia”, e clássicos como “Sangue Latino”.
As vendas estarão abertas em breve pela plataforma Ticket 360. Mais informações pelas redes sociais da Imperatriz Leopoldinense.
Em 2026, a Imperatriz Leopoldinense será a segunda escola a desfilar no domingo de Carnaval (15/02). A agremiação busca o seu 10º campeonato com o enredo “Camaleônico”, idealizado pelo carnavalesco Leandro Vieira, que irá para o seu quarto carnaval consecutivo na escola.
A Estação Primeira de Mangueira realizou nesta quinta-feira mais um ensaio de rua em sua preparação para o desfile oficial, que será realizado daqui a pouco mais de um mês. Em um dia menos usual para a escola, já que os treinos de rua costumam ocorrer aos domingos, o que não fugiu ao padrão foi o excelente canto dos componentes, que ecoou forte durante todo o treino da escola, elevando o desempenho de um samba que teve sua funcionalidade colocada em xeque quando foi escolhido, mas que vem ganhando corpo a cada semana.
Matheus e Cintya realizaram uma grande apresentação e foram outro ponto alto do ensaio da verde e rosa, que desfilará no domingo de Carnaval trazendo o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França.
Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO
COMISSÃO DE FRENTE
Karina Dias e Lucas Maciel prepararam uma comissão de frente de coreografia mais convencional para o ensaio, com uma apresentação de passagem, sem maiores arroubos. Os oito integrantes presentes mostraram boa sincronia e agilidade, em uma execução qualificada que parece revelar pouco do que a dupla pretende apresentar no desfile oficial. O ato final da coreografia, com os integrantes simulando o toque de um tambor durante o refrão principal, arrancou aplausos do público presente.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Matheus e Cintya realizaram uma apresentação típica do casal, muito arrojada, técnica e vibrante. O ritmo da dança de ambos impressiona. Na primeira parte do samba, excelentes giros torneados de Matheus em ótima sincronia com o rodar de Cintya, que executou sua série característica curvando levemente o corpo e retomando a postura ereta em seguida.
No refrão central, gestos e dança foram mais sutis, mas na segunda parte veio o ápice da apresentação, com uma condução perfeita de Matheus em seus meneios, antecedendo uma impressionante série do casal, sobretudo os giros impecáveis e precisos de Cintya, sem perder o tempo rítmico. Matheus exibiu um bailado de passos muito ágeis e sempre com o corpo ereto, elegante. Uma apresentação de alto grau de dificuldade, executada com excelência.
EVOLUÇÃO
A Mangueira foi uma das escolas que apresentou uma evolução mais solta no minidesfile realizado na Cidade do Samba e, em seu ensaio de rua, a agremiação mostrou que pretende seguir esse padrão no desfile oficial. A maioria das alas ensaiou com muita empolgação, entregando-se ao samba da verde e rosa, brincando e avançando na pista com espontaneidade, sem engessamento ou militarismo. Poucos componentes destoaram nesse quesito, que foi outro ponto de destaque do ensaio mangueirense, com bom uso do espaço lateral da pista.
Dudu Azevedo, diretor de carnaval da Verde e Rosa, falou sobre o ensaio e o funcionamento do samba.
“Funcionalidade agora é um subquesito do julgamento, mais do que nunca, estamos focando nisso nos ensaios. Tivemos a peculiaridade de o som não estar tão aguerrido, à altura do tamanho da escola, neste ensaio, mas tivemos um canto muito bom. Com essa questão do som, conseguimos perceber melhor as nuances de cada ala, e hoje eu digo que estamos tranquilos com o quesito funcionalidade. O samba funciona para a comunidade, o mangueirense abraçou, bate no peito e canta entusiasmado. A comunidade está cantando e encantando quem vem assistir ao ensaio da Mangueira. Cada ensaio tem sua peculiaridade; hoje foi o problema do som, que nos trouxe uma observação maior sobre o canto de cada ala. Toda quinta-feira ensaiamos setores em separado, ali batemos a parte técnica dos quesitos. Toda a escola está em uma ladeira crescente. Acho que o ensaio técnico será o ponto para apreciar onde chegamos, mas o ápice é o desfile”, ressaltou.
SAMBA E HARMONIA
O samba da Mangueira tem uma característica melódica mais poética do que explosiva, e essa nuance é percebida em seu desempenho. Ainda assim, isso não impede o bom rendimento, realçado pela boa combinação musical entre Dowglas Diniz e a bateria comandada pelos mestres Taranta Neto, que exploram as qualidades melódicas da obra.
O desempenho na noite foi bastante satisfatório, mesmo com os problemas no som ocorridos durante o ensaio, principalmente no microfone de Dowglas, que em alguns momentos quase não foi ouvido por quem estava distante do carro de som. O samba vem se mostrando funcional para a escola, além de sua beleza poética, sobretudo na primeira parte.
O canto do mangueirense foi muito forte em praticamente todas as alas, sem desnível entre as diferentes partes da obra. A primeira parte, extremamente lírica, foi cantada com força, assim como a segunda, mais aguerrida e convocatória. A escola passou solta e alegre, cantando seu samba com entusiasmo, e, com a questão do som, o canto ecoou ainda mais poderoso, impressionando de forma muito positiva.
“Desde o início do ano, quando fiquei solo, tenho trabalhado bastante com meus diretores musicais, meu fonoaldiólogo, professor de canto, um staff grande para botar em prática tudo o que fazemos aqui na Visconde de Niterói e na quadra, para chegar na avenida e fazer um grande trabalho. Estou seguro. Eu acho que não temos nada para lapidar. Agora é só manter o trabalho. Lapidação acontece quando a gente escolhe o samba, quando faz alguns ajustes, mas agora não tem esse processo de lapidação. É só praticar mesmo, pra chegar seguro na Sapucaí. A rapaziada do carro de som quer trabalhar mais, quer mostrar um trabalho melhor para o público que está assistindo”, disse o intérprete Dowglas Diniz.
OUTROS DESTAQUES
A rainha Evelyn Bastos é sempre uma atração nos ensaios da Mangueira, adorada pela comunidade e com uma admiração especial por parte das crianças, que, como de praxe, entraram na pista para abraçá-la. Um momento sempre singelo e de enorme significado.
A bateria “Tem que respeitar meu tamborim”, de Rodrigo Explosão e Taranta Neto, esquentou o ensaio com diversas bossas, sobretudo a do refrão central. Uma bateria em grande fase nos últimos carnavais.
Fotos: Juliane Barbosa e Matheus Morais/CARNAVALESCO
De volta à Maxwell após seu primeiro ensaio do ano na Conde de Bonfim, o Acadêmicos do Salgueiro pisou novamente nas ruas do Andaraí para dar continuidade aos seus ensaios de rua rumo ao Carnaval 2026. Com forte presença da comunidade, o destino quis que este dia fosse também o aniversário da homenageada Rosa Magalhães, a mestra que, se estivesse viva, completaria 79 anos. O Torrão Amado cantou o samba do carnaval de Rosa sobre a Rua do Ouvidor durante o esquenta, no início do ensaio, no qual o canto da comunidade foi um dos grandes destaques, assim como a evolução da escola ao longo do trajeto e o desempenho da “Furiosa”, sob o comando dos mestres Gustavo e Guilherme.
A Academia do Samba levará para a Avenida o enredo “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”, desenvolvido pelo carnavalesco Jorge Silveira. O Salgueiro será a escola que encerrará os desfiles do Grupo Especial, a quarta e última a pisar na Sapucaí na noite da terça-feira de carnaval, falando justamente da carnavalesca Rosa Magalhães, um dos grandes nomes da história do carnaval no Rio de Janeiro e no Brasil.
SAMBA E HARMONIA
Cantando forte em muitos trechos, os componentes do Salgueiro mostraram que estão com o samba na ponta da língua na grande maioria das alas que passaram pela Maxwell nesta quinta-feira. Igor Sorriso e a ala musical do Torrão Amado estiveram muito à vontade com a obra que será levada à Sapucaí, inclusive “jogando” uma passada inteira para os componentes, que sustentaram o canto de forma firme e emocionada em muitos momentos. Ficou evidente que até partes menos cantadas em treinos anteriores foram entoadas a plenos pulmões durante a atividade da agremiação. O componente, de maneira geral, abraçou o samba em homenagem a Rosa Magalhães e mostrou vontade de cantar bem uma obra que trouxe muita emoção, também pela memória da carnavalesca.
O samba foi retomado pelo carro de som com muita maestria, sob o comando do diretor musical Alemão do Cavaco, que vem realizando um trabalho bastante organizado em toda a parte musical da Vermelha e Branca. O desempenho se destacou neste treino, marcando uma excelente primeira quinta-feira na Maxwell.
EVOLUÇÃO
O salgueirense fluiu com tranquilidade, sem deixar a animação e a emoção de lado enquanto desfilava. A escola apresentou um bom trabalho neste quesito, controlando o tempo do desfile e o deslocamento das alas e dos integrantes, que estavam animados e soltos em diversos momentos, demonstrando leveza. As alas coreografadas também passaram bem, sem prejudicar o ensaio, mostrando boa integração com o restante da escola. Destaque especial para a ala do maculelê, conhecida por suas grandes coreografias, que foi um dos pontos altos da evolução da Academia nesta noite.
Wilsinho Alves falou com o CARNAVALESCO sobre o processo vivido pela agremiação nesta reta final e os pontos que ainda estão sendo lapidados para o desfile de 2026.
“Acho que a escola só chega pronta perto do desfile, ou no desfile. Dizer que tudo está pronto em novembro, outubro ou janeiro não é a maneira como eu vejo o carnaval. O Salgueiro é uma escola que vem de três anos seguidos de harmonia nota 10; gabaritamos evolução no ano passado também, e acho que vamos novamente gabaritar os quesitos de chão. É um processo que está acontecendo, e eu tenho certeza de que o Salgueiro vai chegar pronto. Nos outros quesitos, a escola está lapidando tudo: o casal, a parte estética, a comissão de frente, com muitos ensaios. O Salgueiro vai disputar o carnaval. Todo mundo pode anotar. Vai fechar o carnaval muito bem e vamos repetir o rendimento que tivemos no mini-desfile e em todos os outros ensaios que temos feito”.
OUTROS DESTAQUES
A “Furiosa” teve uma excelente noite com a presença de Viviane Araujo, rainha de bateria. Os ritmistas, sob o comando dos mestres Gustavo e Guilherme, realizaram as bossas pensadas para o próximo carnaval.
“Acertar é que a primeira semana de janeiro surgiu mais um arranjo novo. A gente está passando agora a primeira vez na rua, mas a gente confia na galera que comprou a nossa ideia também. Muita gente está fazendo a primeira vez hoje o que fizemos em um ensaio de bateria na terça-feira. É acertar agora esse novo arranjo e os outros já estão na mão. Demos uma mexida também na introdução, mas como a gente olhou o nosso calendário de ensaio e tem muito ensaio, pensamos: ‘cara pela quantidade de ensaio dá tempo de fazer’, dá tempo de ensaiar a galera e o pessoal comprou a ideia também. Tem vários vídeos que a gente está ensaiando, temos um Home Studio e a gente está gravando pqra facilitar no andamento e hoje teve gente falando ‘cara estão fazendo a primeira vez, mas para a primeira vez já está encaixadinho e tal’ mas é isso que a gente está cobrando da galera e pedindo para galera cooperar e chegar junto”, disse mestre Guilherme.
“Como o Guilherme falou para você, ainda falta afinar. Ficamos algumas semanas sem ensaiar em dezembro por conta do final do final de ano e aí a gente agora está voltando. Já tivemos um ensaio de rua domingo lá na Conde Bonfim que já foi na minha expectativa um ótimo ensaio. Estava criando uma expectativa que não ia ser legal ali porque a galera tava voltando mas já foi muito bom. Está caminhando, está caminhando assim e a gente está crescendo no momento certo eu acho que o trabalho está moindo, e como você perguntou, falta sim lapidar ali algumas coisas, algumas observações, só tirar um negocinho aqui, colocar um negocinho aqui e querer estar indo no caminho muito certo”, completou mestre Gustavo.
A comissão de frente não esteve presente no ensaio desta quinta-feira, assim como o primeiro casal, Sidclei e Marcella.
A série documental protagonizada por Thay Barbosa, musa da comunidade da Estação Primeira de Mangueira, propõe um olhar sensível e profundo sobre o que significa ser musa no carnaval para além da estética e do espetáculo. Ao longo dos oito episódios, Thay revisita a origem simbólica da figura da musa e reconstrói esse lugar a partir do pertencimento, da ancestralidade e da vivência no samba.
A narrativa percorre espaços fundamentais da cultura carnavalesca — a quadra, a rua e a avenida — revelando como cada um deles forma o corpo, a identidade e a consciência de uma mulher do samba. A série destaca o papel da musa como representante de um território, ponte entre o morro e a Sapucaí, entre as mulheres que vieram antes e as que ainda virão.
“Meu desejo com essa série é apresentar a musa para além do senso comum. No samba, esse lugar não é só estético: ele é cultural, político e profundamente comunitário. Ser musa é representar uma história, um território e uma coletividade”, afirma Thay.
Mais do que um retrato individual, a obra se afirma como um manifesto coletivo sobre o samba enquanto memória, resistência e futuro, reforçando que, no carnaval, a musa não vem sozinha: ela carrega a força de uma comunidade inteira.
O primeiro episódio da série será publicado hoje no perfil da musa no Instagram, no @thay.barbosaa e tem direção e edição da Agência Ponto Preto.
Os autores Luiz Antonio Simas e Fábio Fabato lançam, dia 27 de janeiro, terça-feira, no Baródromo, a edição ampliada e revista de “Pra tudo começar na quinta-feira: o enredo dos enredos” (Mórula), obra de referência sobre os enredos das escolas de samba do Rio de Janeiro – a brasileiríssima maneira de contar histórias, criada há quase cem anos.
Com pesquisa profunda e linguagem coloquial, o livro investiga a relação das temáticas foliãs com os diferentes contextos de época, já que processam diretamente os acontecimentos de entorno ao longo das décadas. Além disso, analisa a atuação dos principais carnavalescos, decifrando seus métodos de concepção, propostas narrativas, conceitos gerais, além das principais criações levadas à Avenida.
“Originalmente lançado em 2015, a primeira versão não trouxe a autêntica revolução sentida pelo quesito a partir de 2016 – com a chegada de artistas como Leandro Vieira, Leonardo Bora, Gabriel Haddad e Tarcísio Zanon. O imperativo acréscimo joga luz no atual momento”, pontua Simas.
“Houve sacrifício das temáticas no começo do século, mas, nos últimos dez anos – até em razão dos ataques que as escolas sofreram, inclusive de setores do poder público –, os enredos e os debates que propõem reassumiram o protagonismo na engrenagem momesca. A obra é um tratado sobre o presente”, completa Fabato.
As ilustrações de capa e de miolo são do carnavalesco Fernando Pamplona – considerado o pai de todos os carnavalescos –, falecido em 2013. Pamplona, aliás, faria 100 anos em 2026 e permeia todos os caminhos do livro. Já o prefácio da nova edição é assinado pelo comentarista Milton Cunha, com “orelha” do enredista João Gustavo Melo. A obra traz ainda o prefácio e a orelha da primeira edição, escritos, respectivamente, por Rosa Magalhães e Rachel Valença.
“Quando os autores se debruçam para esmiuçar (e iluminar) o quesito enredo, o empreendimento ganha importância de primeira linha, pois aponta para o entendimento cultural do desfile das escolas de samba – protagonizado por periféricos, que, como artistas populares, desejam ocupar o centro da cidade com suas criações e narrativas”, assinala Milton Cunha no texto que apresenta a obra.
“No final, obviamente, não poderíamos deixar de homenagear três grandes narradoras que nos deixaram recentemente – Rosa Magalhães, Maria Augusta Rodrigues e Márcia Lage. Cuidar do futuro é celebrar quem ajudou a pavimentar os caminhos de uma festa tão diversa”, finaliza Fabato.
PRA TUDO COMEÇAR NA QUINTA-FEIRA: O ENREDO DOS ENREDOS Luiz Antonio Simas e Fábio Fabato Mórula Editorial 260 páginas, 14 cm x 21 cm ISBN 978-65-6128-155-3 2ª edição, revista e ampliada Preço de capa: R$ 74,00 https://morula.com.br/produto/pratudo
Os últimos meses da Portela têm sido marcados por resgate, pertencimento e afeto. No último ano, a Majestade do Samba viveu mudanças internas intensas: a volta de crias da casa para a equipe, luto e decisões estruturais. Em entrevista ao CARNAVALESCO, a vice-presidente Nilce Fran reflete sobre os sete meses de gestão ao lado de Junior Escafura. Para a lendária passista, a escola vive um momento de alegria e união que traz renovo para a comunidade.
“Nesses sete meses, o portelense está vendo uma Portela mais feliz, uma Portela mais unida, porque é questão de vida. As pessoas não precisam se amar, mas precisam se respeitar, olhar na mesma direção, sabendo que o foco é a Portela, que o bem maior é a Portela”, comentou.
Dentre as mudanças, o luto. A partida do intérprete Gilsinho, em setembro, abalou os corações dos sambistas. Nos preparativos para o Carnaval 2026, a dor da perda foi um combustível para a escolha de um samba enérgico para o próximo ano. “Deus sabe o quanto a Portela precisava de um samba potente, que desse fôlego para a gente, e um intérprete como o Zé Paulo, com esse carisma e pertencimento”, disse a vice-presidente.
Além disso, a volta do mestre Vitinho, cria da Portela e ex-mestre do Império Serrano, traz um novo ar para a “Tabajara do Samba”, que embala os ensaios enérgicos que tomam a Estrada do Portela aos domingos. “Vitinho voltando para casa com esse ‘swing’, com esse molho, com essa energia… É uma Portela totalmente imbuída, sonhando, porque nós podemos sonhar. Uma Portela sonhando e voando, uma comunidade que canta como nunca. O saldo que eu tenho é de uma comunidade feliz”, contou ao CARNAVALESCO.
Ao refletir sobre o balanço dos últimos sete meses da nova diretoria, Nilce Fran considera a infraestrutura e a reorganização da escola como as principais mudanças da gestão.
“Nós chegamos há sete meses trabalhando na infraestrutura, na logística adequada, que precisava de mais amor, de limpeza, de arrumar. Falta ainda muita coisa. Mas as pessoas, os visitantes, veem como essa escola está leve. Nós tínhamos toda uma questão de vendedores, de relacionamento com a infraestrutura do carnaval, da realização do Carnaval, e o presidente da nossa diretoria procurou estreitá-los para que a Portela pudesse ter uma caminhada mais leve, ter mais crédito. Entenderem que, apesar da dificuldade, nós estamos aqui para respeitar o profissional, mas que a Portela precisa se reorganizar”, disse.
Além disso, a vice-presidente destaca uma gestão afetiva, voltada ao bem-estar do componente e que tem refletido na felicidade dos portelenses: “Nós trouxemos a comunidade para nós, dando mais ajuda. Todos viram que nós diminuímos a taxa da comunidade, doando uma blusa, doando uma água depois do ensaio, fazendo uma comida para a bateria, aquele profissional que sai do trabalho direto para a quadra e às vezes não almoçou direito, não sabe se vai jantar quando chega em casa, ou então chega alimentado e pode só dormir, descansar. Nós estamos buscando a revolução. O que eu tenho certeza é que a evolução está aí, a olho nu. Desde o cuidado com a quadra, ao cuidado com a nossa comunidade, com todos os nossos segmentos, com o nosso barracão, com os profissionais que nos atendem, e que nós precisamos que eles tenham a certeza de que a diretoria da Portela é uma diretoria idônea, uma diretoria de verdade”, declarou.
Destaque entre os componentes e nas redes, a distribuição de refeições para os ritmistas é um dos pontos altos das novidades da nova administração. Para Nilce Fran, esse cuidado é um resgate que atravessa a sua própria trajetória na escola.
“Eu cresci vendo a minha mãe, meu pai, fazendo a sopa, o macarrão com galinha para a bateria, e entendendo que o profissional precisava desse carinho. A comunidade é 60% de um desfile maravilhoso. Uma comunidade feliz é uma comunidade que canta. Nós trouxemos cada setor, cada segmento, cada ala para cá, abrimos o nosso coração e dissemos para essa comunidade: ‘nós estamos aqui por vocês’. A Portela é nossa casa, nós precisamos que vocês se sintam felizes para dar o retorno que a nossa escola precisa. A comunidade está nos dando essa resposta ao nosso carinho. E, sobre essa questão dos jantares, não eram nem jantares tão absurdos, mas muito bem feitos, comida feita com carinho. E nós víamos a felicidade do ritmista, do componente. É como em qualquer trabalho: se nós temos uma recíproca, se trabalhamos com amor, com um tratamento melhor, o trabalho sai melhor. Porque, às vezes, não é só o dinheiro. É a energia positiva, bons pensamentos, boas palavras”, explicou.
E, ao falar das cobranças vindas dos portelenses, Nilce não recebe como novidade e concorda: “Tem que cobrar mesmo, a Portela é uma escola pioneira na maioria dos quesitos do carnaval. A Portela é uma escola elegante, é a escola de Paulo, a escola de Natalino, de Dodô, de Monarco, de Doca, de Surica, de Dona Vilma Nascimento. De mulheres elegantes, pessoas vaidosas. A Portela é isso. E o portelense cobra diferente, briga, discute, e nós [eu e o Júnior Escafura] temos história nessa escola. Nós podemos ter falhas porque ninguém é perfeito, mas, mesmo com as nossas falhas, nós vamos buscar o acerto”, afirmou.
E, ao falar sobre o presidente, lealdade e irmandade é o que define o trabalho ao lado de Junior Escafura, desde a eleição em maio de 2025. Segundo Nilce, a parceria na diretoria da escola é a continuidade de uma história que já vem de outros carnavais.
“O Júnior tem uma história na Portela. Eu trabalhei com o pai dele, o Bolão [Luís Carlos Escafura], que foi o homem que me fez madrinha de bateria dessa escola em 1996 e 1997. Era um cara que era meu amigo, meu parceiro. E um dos motivos de eu estar aqui ao lado dele é essa lealdade que o pai dele tinha a mim, que eu tinha a ele. Eu estou trazendo essa lealdade para ele. Então, nós brigamos como irmãos, como filho e mãe, discordamos, concordamos, mas a paixão pela Portela é única. O Júnior ficou alguns anos fora da Portela, e onde ele estava eu ia atrás, dizendo para o povo lá onde ele estava que ele era portelense, que ele ia voltar para casa. Eu fazia uma arruaça, mas era uma arruaça de amor. É uma energia de amigos, de parceiros, e é uma energia que a Portela precisava. Eu disse o tempo inteiro na nossa campanha que a Portela Raiz era uma chapa de lealdade, de parceria. E é isso. E tem que ser assim”, disse.
No primeiro domingo do ano, a Portela voltou à rua com um ensaio de lavar a alma. A chuva banhava Madureira, mas não desanimou os componentes, que cantavam e pulavam durante todo o percurso. Para Nilce Fran, o cenário gera um bom presságio e expectativa para o carnaval que se aproxima.
“Na minha religião, chuva é prosperidade, é axé, energia. E você vê a Estrada do Portela lotada, com um componente cantando como nunca, saltando do chão. Você vê uma escola quicando de energia, de amor. Temos um barracão a todo vapor, mesmo com todas as dificuldades que todas têm, o barracão, em pleno início de janeiro, preparado para atender a sua comunidade. Bateria pronta, baianas prontas, passistas prontos, algumas alas, carros… A expectativa é a melhor possível. Eu aprendi com alguns mestres que uma escola de samba tem que sair campeã de casa, de dentro do barracão, e a Portela vai sair campeã de dentro do barracão. O que vai acontecer nessa uma hora e vinte que nós atravessamos, Deus e nossos orixás estão nos reservando, mas a Portela vai preparada para disputar o título”, garantiu.
O Acadêmicos do Salgueiro divulgou nesta quinta-feira em suas redes uma das fantasias que vai compor o seu desfile de 2026. A fantasia escolhida é a baiana, símbolo máximo da tradição das escolas de samba e peça central da homenagem que a vermelho e branco presta à carnavalesca Rosa Magalhães.
A divulgação acontece em um momento simbólico, no aniversário de Rosa Magalhães. A fantasia escolhida é uma releitura de um figurino criado por Rosa para o Salgueiro no Carnaval de 1990, ano do enredo “Sou Amigo do Rei”, que mergulhava no universo das cortes, tema que também dialoga com a narrativa do desfile de 2026. O novo figurino mantém o traço original da artista, agora atualizado com texturas contemporâneas, tecidos tecnológicos e recursos visuais do nosso tempo.
Segundo o carnavalesco Jorge Silveira, a escolha da baiana como primeira fantasia divulgada carrega um significado profundo. “Rosa tinha uma predileção especial por criar suas comissões de frente e, principalmente, sua ala de baianas. Ela é a maior detentora de Estandartes de Ouro na categoria de ala de baianas na história do carnaval. Para ela, a baiana é algo sagrado, precioso. Essa fantasia é uma forma de levar para a Marquês de Sapucaí o traço da professora, respeitando seu desenho original e, ao mesmo tempo, dialogando com a estética contemporânea”, afirma.
Como gesto de reverência, o Salgueiro “oferece” sua ala de baianas à sua comunidade e à carnavalesca, reafirmando que sua presença artística e sua influência seguem vivas na avenida. “É uma forma de dizer ao mundo do samba que Rosa está com a gente e que o traço dela vai desfilar conosco”, completa Jorge.
A fantasia foi vestida por Tia Glorinha, presidente da ala das baianas do Salgueiro, que viveu um momento de forte emoção ao participar da divulgação. Ela desfilou em 1990 com a versão original da baiana criada por Rosa Magalhães e não conteve a emoção. “É muito emocionante vestir novamente essa fantasia, dessa vez em uma nova releitura. É como voltar no tempo”, declara.
Com essa divulgação, o Salgueiro abre os caminhos de 2026, celebrando sua história, exaltando a força das baianas e reafirmando a herança criativa de uma das maiores artistas que o carnaval já conheceu.
A Unidos de Vila Isabel retornou nesta quarta-feira ao Boulevard 28 de Setembro para realizar seu primeiro ensaio de rua do ano, em preparação para o Carnaval 2026. Os componentes da Azul e Branca se reuniram para a retomada dos treinos com grande alegria, destacando-se o canto forte da comunidade, que anseia por um título após 13 anos. Com uma apresentação consistente da “Swingueira de Noel”, os diversos segmentos da escola se apresentaram muito bem durante o ensaio, como o casal Raphael e Dandara.
Fotos: Matheus Morais e Mariana Santos/CARNAVALESCO
Com o enredo “Macumbembê, Samborembá – Sonhei que um sambista sonhou a África”, a escola do Bairro de Noel vai contar a história de Heitor dos Prazeres, sambista e multiartista que foi uma das figuras fundamentais do samba no século passado. O enredo é desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora. A Vila Isabel será a segunda escola a desfilar na terça-feira de carnaval, terceiro dia de desfiles do Grupo Especial.
COMISSÃO DE FRENTE
Comandada por Alex Neoral e Márcio Jahú, a comissão de frente da Vila apresentou a coreografia que vem sendo mostrada em outras apresentações e ensaios de rua da agremiação. Os movimentos bebem nos gestos e danças das religiões de matriz africana, com passos bem demarcados, muitos movimentos de braços e quadris, além de um bom aproveitamento do espaço que o Boulevard oferece para a proposta do ensaio. Os bailarinos demonstraram mais segurança, executando os passos com mais força e precisão, apontando uma evolução consistente na coreografia.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Com uma apresentação muito clássica e segura, o casal Raphael e Dandara passou com tranquilidade durante o ensaio desta noite. Mantendo a dança já apresentada em outros treinos, o casal demonstra cada vez mais cumplicidade a cada apresentação. Os movimentos vieram com ainda mais segurança, como nos giros de Dandara e nos passos executados por Raphael, aliados aos gestos tradicionais de cortejo entre o par. Destaque também para a parte final da coreografia da cabine, relativa ao refrão principal da obra, quando entram os gestos de Oxum e Xangô na dança do casal, respectivamente Dandara e Raphael, marcando a espiritualidade e a ancestralidade do homenageado.
SAMBA E HARMONIA
O povo de Noel cantou forte, comandado por Tinga, no retorno ao chão do Boulevard, com destaque para os refrões e a segunda parte do samba, a subida, a partir de “De todos os tons, a Vila negra é”. Demonstrando vigor neste primeiro ensaio do ano, o intérprete da Vila reafirma o domínio do samba para o próximo carnaval, em conjunto com o carro de som da agremiação, que também mostrou muita segurança com a obra de 2026. Juntos, apresentaram um ótimo desempenho nesta noite de treino.
“Nossa escola está feliz demais. Nossa comunidade… sem palavras. Acho que é só fazer isso na avenida, chegarmos lá com toda humildade, mas buscando o nosso sonho sempre. A gente vem trabalhando bastante para chegar no dia do nosso desfile, e dar conta do recado. E, se Deus quiser, se consagrar campeã do carnaval. Nós vamos trabalhar muito até lá, e a comunidade toda está de parabéns. A gente está se preparando bastante para tudo. O trabalho continua, sem descanso”, declarou Tinga.
EVOLUÇÃO
O povo do samba fluiu muito bem pela 28 de Setembro, demonstrando leveza e energia na retomada dos ensaios de rua neste 7 de janeiro. Com os componentes animados e soltos em diversas alas, a escola colaborou para um clima de fluidez, sem correr ou parar por muito tempo. Algumas alas apresentaram bem a coreografia do refrão do meio, mantendo o ritmo de desfile e seguindo com tranquilidade após a execução.
“É um enredo que a gente vem trabalhando há meses, trazido pelo Gabriel Haddad, o Leonardo Bora e o Vinícius Natal. Um enredo que resgatou a Vila Isabel, e que veio para coroar esse ano de 2026. Todo dia a gente lapida um pouco. Seja dentro do barracão, cuidando das alegorias, sentando e discutindo internamente com o Macaco Branco, com o Tinga. Principalmente com a harmonia, o que a gente pode evoluir na evolução, no canto da escola. Para quando chegarmos aqui na 28 de Setembro, botar em prática tudo o que planejamos a semana inteira. Amanhã tem reunião marcada com todo mundo, para pontuar os positivos e negativos, para já trabalhar internamente para, na próxima quarta-feira, estarmos melhores do que hoje. Dentro do barracão, a mesma coisa. Nós fazemos reunião diariamente, para saber o que pode melhorar. Para ter o melhor adereço, para ter o melhor acabamento nas fantasias. Para botar o melhor carnaval na Marquês de Sapucaí”, afirmou Moisés Carvalho, diretor de carnaval.
OUTROS DESTAQUES
A “Swingueira de Noel” deu um show à parte, dialogando muito bem com a ala musical da Vila, sob o comando de mestre Macaco Branco, mostrando domínio do samba de 2026 e executando com precisão as bossas pensadas para a obra. A rainha Sabrina Sato esteve presente e desfilou à frente da bateria com muita alegria, contagiando o público que acompanhou mais um ensaio da Vila.
Mestre Macaco Branco falou com o CARNAVALESCO sobre o primeiro ensaio de rua da escola em 2026 e sobre o enredo que a agremiação levará para a Sapucaí.
“Foi maravilhoso. Esse samba é muito mágico, e tudo que começa muito bem tem grandes chances de terminar muito bem. Começamos com um enredo fantástico e tivemos a honra de ter um grande samba, que, se não é o melhor do carnaval, é um dos melhores, com todo o respeito a todos. Ele faz a gente vibrar, ser feliz e não querer parar de cantar jamais. A bateria está muito feliz com esse enredo e com esse samba maravilhoso, que a cada ensaio se torna ainda mais mágico, a ponto de não dar vontade de parar de tocar.”
Panorama geral: após a apuração de 2025, muito se falou sobre eventuais mudanças no regulamento do Carnaval de São Paulo – sobretudo a respeito da importância (para muitos exagerada) da pasta entregue aos jurados. A grande expectativa é para ver se o que foi muito falado será executado – e isso, é claro, só será conhecido na terça-feira. O Anhembi com uma grande reforma também é um ponto que merece destaque em relação à expectativa criada nos sambistas. Por fim, a ótima safra de sambas-enredo, a estreia de uma agremiação no pelotão de elite e a situação de pavilhões gigantes da folia paulistana também valem menção. Absolutamente todas as escolas têm um desafio e algo a provar – o que dá apenas mais molho à disputa.
Rosas de Ouro: Quinze anos depois, a Brasilândia voltou a conquistar a taça com um desfile irrepreensível – com “Rosas de Ouro em Uma Grande Jogada”. Para a Roseira, o desafio é mostrar que o título não foi à toa. O enredo “Escrito nas Estrelas”, por sinal, guarda muitas semelhanças com a apresentação campeã no ano anterior: um enredo lúdico e aberto, que possibilita uma infinidade de possibilidades; um samba-enredo que não caiu nas graças da bolha carnavalesca paulistana; e a manutenção de boa parte da equipe que sagrou-se campeã. Com o peso do pavilhão oito vezes campeão do Grupo Especial, é impossível duvidar da força azul e rosa.
Acadêmicos do Tatuapé: Após a penalização de 2022, a azul e branca começou a escalar – foi quarta em 2023, terceira em 2024 e segunda em 2025. Pela progressão na tabela, 2026 é ano de título. Com quesitos que são certeza de nota máxima (a Harmonia da agremiação é um desbunde e o Casal Foguinho já está na lista de melhores casais da história do Carnaval de São Paulo), a escola precisa, mesmo com um ótimo histórico recente de desfiles, vencer a desconfiança que o samba-enredo campeão trouxe – canção que recebeu críticas mistas entre quem acompanha a folia paulistana. O enredo sobre a agricultura com um viés mais social, por outro lado, foi muito celebrado. Outro ponto de curiosidade é a “Qualidade Especial“, que terá mestre Cassiano pela primeira vez no comando.
Gaviões da Fiel: Os dois últimos anos mostraram que a “Torcida Que Samba” está de volta à briga pelo título. Pelo segundo ano consecutivo, a agremiação acertou na escolha do samba-enredo – em uma temática indígena que é sempre um desafio para uma escola que não usa verde. Os dois décimos perdidos no cômputo geral em samba-enredo no ano passado seguem inconcebíveis, mas a escola do Bom Retiro mostrou ter força nos demais quesitos para brigar pela taça do jeito que for. Com a manutenção de boa parte da equipe somada a tudo que foi dito até aqui, é impossível não colocar a alvinegra como uma postulante real ao título. O desafio da agremiação para 2026 é manter o altíssimo nível atingido e saber como lidar com o incômodo e longuíssimo jejum no Grupo Especial, que chegou a 23 anos.
Fotos: Gustavo Lima e Will Ferreira/CARNAVALESCO
Mocidade Alegre: O que fazer depois de um 9.7, que não era dado à escola desde 2017? O desfile de “Quem Não Pode com Mandinga, Não Carrega Patuá” não trouxe o terceiro tricampeonato da Morada do Samba e teve alguns pontos negativos visíveis, mas mostrou que, no conjunto, a escola do Limão segue fortíssima. Tanto enredo quanto samba foram muito bem recebidos pelos sambistas de São Paulo – e isso se fez presente na ótima safra de obras nas eliminatórias, que teve uma final para lá de disputada. Desde cedo o tema em homenagem a Léa Garcia foi feito com muito requinte, apresentado em teatro e de fato abraçado pela comunidade – um hino que une a ancestralidade africana com exaltação a carreira da artista. O quesito Evolução, que não era despontuado na agremiação desde 2020, custou meio ponto no geral e dois décimos no saldo final da apuração de 2025 – tornando-se o grande desafio para uma correção em 2026.
Camisa Verde e Branco: Entre os sambistas paulistanos, a pergunta que mais se fez entre março e setembro foi “E o Camisa, hein?”. Em um imenso imbróglio jurídico, o Trevo foi lançar enredo e samba enquanto outras coirmãs já estavam fazendo ensaios há semanas. A questão é que pavilhão gigante sabe se acertar na hora certa: “Abre Caminhos” foi muito bem recebido e a canção, para muitos, é o melhor samba-enredo de 2026. Fechar o carnaval é uma responsabilidade gigante e a quinta colocação da escola foi recebida com muita surpresa por muitos – o que, na realidade, mostra o quão competente é o Camisa ao interpretar o regulamento. Por tudo que aconteceu, de maneira bastante contraditória e com uma dose de caos (tal qual Exu, orixá homenageado em 2026), é justo dizer que, mesmo com toda a pressão, o simples fato de conseguir colocar a Barra Funda no Anhembi já é uma grande vitória em um ciclo carnavalesco que começou tão adverso.
Dragões da Real: Desde quando chegou ao Grupo Especial, todas as vezes em que a Vila Anastácio ficou de fora do Desfile das Campeãs um ciclo foi finalizado. A sexta colocação em 2025, claramente, foi o sinal de que algo precisava mudar – o que não necessariamente implica em trocas de nomes na equipe. Saíram de cena os enredos mais amplos e, com uma temática indígena fortíssima, o samba sobre as guerreiras icamiabas foi muitíssimo bem recebido pelos sambistas paulistanos. Um dos quesitos em que a agremiação foi despontuada, porém, precisa ser corrigido com urgência em mais uma temporada em que tudo indica que a Dragões será candidata ao título: desde 2017 a escola não gabarita (ou seja, tira apenas notas dez) em Alegorias.
Águia de Ouro: Após chegar ao penúltimo quesito na liderança da apuração de 2025 e terminar a leitura das notas fora até mesmo do Desfile das Campeãs (bem em Evolução, que sempre foi garantia de nota na Pompeia), a escola teve uma importantíssima mudança: o histórico mestre Juca saiu do comando da Batucada da Pompeia depois de 34 anos, sendo substituído pelo também torcedor do Águia de Ouro mestre Rodrigo Moleza. O enredo patrocinado sobre Amsterdam foi recebido com surpresa, e o samba-enredo polarizou ainda mais a opinião da bolha carnavalesca: alguns amam a irreverência e o ar noventista da obra, enquanto outros lamentam a escolha mais popular da agremiação. Apesar da dicotomia, há um desafio ainda maior: há anos com João Carlos Camargo, que faleceu, a agremiação teve que contratar um novo mestre-sala Alex Malbec para bailar com Monalisa Bueno – e uma nova parceria sempre requer atenção na primeira temporada juntos.
Estrela do Terceiro Milênio: O Grajaú, pela primeira vez, estará representado duas vezes consecutivas no Grupo Especial. E, para manter a consolidação na elite, Paulo César Pinheiro foi escolhido como enredo. O samba-enredo é elogiado, a comissão de frente é bicampeã do Estrela do Carnaval, Arthur Santos e Waleska Gomes estão consolidados como primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, o quinto horário de sábado é um dos que mais faz campeãs em São Paulo… as expectativas são grandes, mas é importante destacar a mudança bem no principal posto de uma escola de samba. Mesmo com a experiência de ter sido o mandatário da Coruja entre 2016 e 2022, o retorno de Gilberto Rodrigues, o Giba, à presidência da Milênio transforma-se em um desafio não pela capacidade, mas pela mudança.
Foto: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO
Vai-Vai: O ano de 2025 foi ainda mais intenso para a eterna efervescente maior campeã do Carnaval paulistano. O segundo desfile esteticamente questionado foi apenas o início de uma temporada em que a agremiação também teve a conturbada saída de Sidnei França, opiniões divididas a respeito do patrocinado enredo sobre a cidade de São Bernardo do Campo e um samba-enredo que, se não figura na lista dos mais aclamados, ao menos ganhou força graças aos fortes refrãos. Se estreias sempre são sensíveis, os bastidores do Vai-Vai fazem com que a chegada de Pedro Trindade e Mirelly Nunes ao posto de primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Saracura passe longe de ser o principal desafio da agremiação.
Fotos: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO
Colorado do Brás: Após o rebaixamento por conta de uma penalização alheia aos quesitos em 2022 (e que lhe daria a melhor colocação da agremiação desde 1987 no respectivo ano), a escola mostrou o motivo pelo qual é conhecida por interpretar bem o regulamento. Sem sofrer na apuração e com uma abertura de desfile empolgante em 2025, desfilar um pouco mais cedo virá bem a calhar para a instituição. O celebradíssimo enredo sobre bruxas gerou um samba-enredo que também agradou, mas que mostrou no minidesfile ter uma segunda estrofe mais longa que o normal, exigindo soluções da Harmonia e da ala musical – tarefa que fica bem mais fácil quando a obra tem qualidade, como é o caso da canção que embalará o desfile de “A Bruxa está Solta – Senhoras do Saber Renascem na Colorado”.
Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO
Império de Casa Verde: O ciclo do Carnaval de 2025 do Tigre começou com um enredo celebrado, um samba criticado e um desfile que rendeu o pior resultado da escola desde 2012. Foi, certamente, a agremiação que mais mudou nomes na elite da folia paulistana: Patrick Vicente e Sofia Nascimento chegaram para o posto de primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Sergio Cardoso chegou para comandar a comissão de frente, Tiago Nascimento subiu para o microfone principal ao lado de Tinga e Fabinho LS tornou-se presidente da instituição. Se a renovação deu o tom no Império, a repetição da receita dos desfiles arrasa-quarteirão de 2023 e 2024 voltaram: o enredo sobre balangandãs foi bem recebido, tal qual o samba. Se as diversas mudanças são desafiadoras para uma escola que adora o gigantismo, a transformação pode ser a força do Tigre para retomar o protagonismo.
Barroca Zona Sul: O samba do ano no Estrela do Carnaval 2025 entrou para a história da folia paulistana, mas o desfile cheio de incidentes levou a verde e rosa para a rabeira da tabela. Apesar disso, a fórmula das últimas apresentações foi mantida: um enredo sobre um grupo minoritário. Mais do que isso: se, em 2025, a Faculdade do Samba trouxe Iansã para o Anhembi, em 2026 o enredo é Oxum. A grande mudança é a chegada de Rafael Tinguinha para duplar com Dodô Ananias no microfone principal da instituição em um samba, novamente, belíssimo. A canção, entretanto, traz um grande desafio para o Barroca: desfilar com uma obra que foca na melodia (e não na explosão, como o samba de 2025) logo após a escola de maior torcida em São Paulo (instituições desportivas à parte) e fechando a noite (sendo que a agremiação está acostumada a desfilar nos primeiros horários) é algo que enche os foliões de curiosidade.
Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO
Tom Maior: De volta ao Grupo Especial, tudo indicava que a escola navegaria em mares tranquilos em 2026 por conta da força no quesito a quesito da agremiação – que a fez, por exemplo, ter pontuação de campeã em 2022. O enredo sobre Uberaba com foco em Chico Xavier gerou um samba-enredo que, graças ao que aconteceu com Gilsinho, ganhou novo significado e nova força em relação à comunidade. Ainda em relação à canção, a agremiação ganhou um novo componente em seu carro de som: o intérprete Leozinho Nunes, de grande trajetória no Rio de Janeiro, fará a sua estreia no carnaval paulistano. Entretanto, há um calcanhar de Aquiles no mapa de notas da agremiação do Sumaré: desde 1996, a agremiação não consegue gabaritar o quesito Evolução quando está no Grupo Especial.
Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO
Mocidade Unida da Mooca: Demorou bem mais do que deveria (o não-acesso da escola em 2020 é uma aberração), mas a MUM, enfim, está no Grupo Especial de São Paulo. Para vencer a conhecida má-vontade dos jurados com escolas que aparecem pela primeira vez na elite (desde 2012 uma agremiação que chega ao topo não permanece em tal agrupamento), a Mooca se antecipou em tudo. Foi a primeira a anunciar enredo e samba. Mais do que isso: a escola foi à rua pela primeira vez em agosto, mostrando uma celeridade nunca antes vista no Carnaval paulistano. Se outras escolas mudam boa parte da equipe ao chegar no primeiro grupo, a ordem na Mocidade Unida da Mooca foi a manutenção dos quadros: Jefferson Gomes e Karina Zamparolli seguem como primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, mestre Dennys permanece à frente da Chapa Quente e o microfone principal da escola manteve Gui Cruz e Emerson Dias, mas ganhou a adição da elogiada Sté Oliveira – que apenas subiu um posto, já que era do carro de som mooquense.
Em seu segundo ano como cantor oficial do Salgueiro, Igor Sorriso faz um balanço positivo da trajetória na escola e projeta um Carnaval 2026 ainda mais forte. Em conversa com o CARNAVALESCO, ele destacou a evolução do trabalho, o entrosamento com a ala musical e a confiança no samba-enredo que a escola levará para a Marquês de Sapucaí. Segundo o intérprete, o amadurecimento é fruto do tempo e da construção coletiva.
Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO
“Sinto que estamos em evolução. A gente vai entendendo mais como é a escola, e estou tendo um entrosamento muito bom com toda a ala musical, sobretudo com a direção musical do Alemão. Estamos felizes e trabalhando muito para evoluir e entregar um trabalho ainda melhor em 2026”, afirmou.
Sobre o desempenho do samba deste ano, Sorriso aposta no crescimento ao longo da temporada. Para ele, a obra tem características que dialogam diretamente com o público. “Esse samba está numa crescente. As pessoas vão se envolvendo… é um samba leve, fácil, muito popular. Acredito muito no potencial dele e que vai dar conta do recado na Sapucaí”, disse, confiante.
Questionado sobre a avaliação dentro do quesito Harmonia, Igor encara o julgamento com naturalidade e senso de responsabilidade. “Acho normal. A gente faz parte de um processo em que a escola busca a excelência para ganhar um carnaval. O intérprete é uma engrenagem importante e precisa ser julgado, sim, com coerência e embasamento, para ajudar a escola a conquistar o título”, analisou.
A parceria com o diretor musical, Alemão do Cavaco, também foi exaltada pelo cantor, que destacou a sintonia construída no dia a dia.
“Tem muitas coisas que vocês não veem. O Alemão não só faz arranjo e introduções, ele orienta, ajusta, pensa junto. Dei total liberdade para ele me ajudar ainda mais, porque isso facilita muito o meu trabalho”, revelou.
Outro ponto que vem chamando atenção nos ensaios é a presença do violino, comandado por Mateus Soares. Igor não poupou elogios ao músico. “O Mateusão é fera, muito experiente. Chegou somando bastante, dando aquele temperinho que faltava, aquele ‘caldinho’ a mais no samba”, brincou.
Dividindo a rotina entre Rio de Janeiro e São Paulo, o intérprete falou sobre os desafios de defender grandes escolas em diferentes praças. “É muito trabalho, muita água, muito sono, muita dedicação e empenho. E agradecer a Papai do Céu pela oportunidade de defender duas das maiores escolas de samba do Brasil”, destacou.
Por fim, Igor Sorriso resumiu o sentimento de ser a voz principal do Salgueiro em três palavras: alegria, responsabilidade e satisfação. “É uma escola incrível. Estar aqui na Conde de Bonfim, com chuva fina e o povo presente, mostra o que é o Salgueiro. A gente está muito feliz de fazer parte desse momento”, concluiu.