Início Site Página 121

Sob chuva, Salgueiro estreia 2026 em noite de devoção na Conde de Bonfim com destaque para a comissão de frente

0

Por Marcos Marinho e Júnior Azevedo

O Salgueiro realizou, na noite do último domingo, seu primeiro ensaio de rua de 2026, na Conde de Bonfim, na Tijuca. Mesmo sob chuva e vento, o canto apaixonado da comunidade, a leveza da evolução e a força musical da bateria “Furiosa” sustentaram um ensaio em que cada gesto parecia apontar para a mesma direção: o Salgueiro inicia sua caminhada afirmando, ainda na rua, a celebração da obra e do legado de Rosa Magalhães. A escola será a responsável por encerrar o Carnaval 2026, posição inédita na era Sapucaí, com o enredo “A Delirante Jornada Carnavalesca da Professora Que Não Tinha Medo de Bruxa, de Bacalhau e nem do Pirata da Perna-de-Pau”, assinado pelo carnavalesco Jorge Silveira.

salgueiro rua0401 7
Fotos: Marcos Marinho e JR Azevedo/CARNAVALESCO

Para o diretor de carnaval, Wilsinho Alves, a escolha por manter o ensaio na Conde de Bonfim, mesmo com chuva, reforça o simbolismo do local para a escola. “A Conde de Bonfim é o coração do bairro, o coração da Tijuca. É uma rua que está sempre cheia e, mesmo com a chuva que caiu hoje, a gente viu a rua lotada, com a comunidade comparecendo em peso”, afirmou.

Segundo o diretor de carnaval, a decisão foi tomada a partir de planejamento e monitoramento das condições climáticas. “Esse era o ensaio que a gente precisava fazer. O desfile está se aproximando e sabíamos que a chuva seria fraca, como acabou sendo. Tudo foi muito bem planejado, com acompanhamento do Centro de Operações do Rio, e por isso mantivemos o ensaio”, explicou. Para Wilsinho, o resultado foi positivo: “O que a gente viu foi um ensaio muito cheio, com a escola presente e respondendo bem”.

salgueiro rua0401 3

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Paulo Pinna, a comissão de frente do Salgueiro apresentou uma proposta de execução clara e bem estruturada a partir do próprio desenho do samba. As imagens evocadas pela obra, que remetem aos enredos criados por Rosa Magalhães, são traduzidas corporalmente pela comissão, que assume a tarefa de ilustrar personagens, universos e narrativas presentes na letra.

salgueiro rua0401 2

Há uma preocupação evidente em dar corpo a essas figuras em cena. Nesse sentido, a coreografia dialoga diretamente com a proposta do carnavalesco Jorge Silveira, que define o enredo como uma visita à biblioteca da “Professora”, como Rosa Magalhães é carinhosamente conhecida. A comissão se insere nesse conceito, acionando referências múltiplas desse acervo carnavalesco da artista.

Formada por 20 integrantes, a comissão trabalha com uma grande variedade de formações ao longo da apresentação: desenhos em V, trios, filas indianas, agrupamentos e divisões que se reorganizam continuamente. Essas variações criam dinâmicas que dialogam com os diferentes momentos do samba e mantêm a cena em permanente movimento.

Algumas dessas soluções espaciais e formações remetem, de maneira evidente, a propostas desenvolvidas por Fábio de Melo, coreógrafo responsável por comissões de frente em desfiles assinados por Rosa Magalhães. Há, portanto, um jogo de citação e referência que parece consciente e coerente com a homenagem.

salgueiro rua0401 8

Um dos momentos mais fortes da coreografia acontece no trecho “Mestra, você me fez amar a festa”. Nesse instante, os componentes erguem as mãos para o alto em um gesto de grande potência simbólica. A imagem sugere, ao mesmo tempo, reverência à figura de Rosa Magalhães e entrega: como se a comissão oferecesse rosas ao público, enquanto direciona o olhar do Salgueiro para a décima estrela que a escola tanto almeja. É um momento-chave da apresentação, de forte impacto.

Considerando o contexto de ensaio de rua, ainda sem figurino, adereços ou possível elemento alegórico que dará suporte à narrativa, a proposta se sustenta com clareza. As referências aos diversos personagens dessa “biblioteca” aparecem bem executadas e reconhecíveis.

Entre os pontos de atenção, destaca-se o canto. O samba pode ser mais cantado pelos integrantes da comissão, reforçando a integração entre corpo, voz e musicalidade. Além disso, em alguns momentos, ainda são perceptíveis ajustes necessários na finalização dos movimentos.

No conjunto, trata-se de uma comissão com proposta clara, bem estruturada e bem executada, que articula referências, homenagens e imagens potentes, mas que ainda pode ganhar força ao aprofundar seu convite dramatúrgico e ajustar aspectos de execução para o desfile oficial.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Sidclei Santos e Marcella Alves reafirmaram, no ensaio da Conde de Bonfim, porque formam um casal de excelência e referência no carnaval. Com desempenho seguro e refinado, os dois apresentaram uma dança de nível máximo, digna de nota 40.

Com domínio absoluto da pista, Sidclei risca o chão e abre caminhos com o bastão que carrega nas mãos, cortejando o pavilhão com a elegância clássica de um mestre-sala que conhece profundamente o ritual que executa. Cada gesto é preciso, cada deslocamento tem intenção, e o espaço responde à sua condução.

salgueiro rua0401 9

Marcella, por sua vez, se destaca pelos giros precisos e rápidos, executados com leveza e controle. Vestidos de vermelho, os dois apresentaram o pavilhão de maneira imponente e, ao mesmo tempo, delicada, com finalizações muito bem resolvidas e absoluto respeito à dança tradicional do casal de mestre-sala e porta-bandeira. Há uma leitura clara do samba, e isso se traduz em escolhas coreográficas que dialogam diretamente com a letra.

Nos trechos em que o samba fala de “caso de amor”, o casal incorpora esse sentimento com sutileza: há um momento de carinho, materializado no gesto em que ambos tocam o rosto um do outro, reforçando o cortejo da dança tradicional do casal dentro do samba. Já no pré-refrão, no verso em que se canta “Mestra”, Marcella executa uma bandeirada em saudação a Rosa Magalhães, gesto carregado de simbolismo e respeito à homenageada.

Durante a simulação da cabine espelhada, o casal apresentou um dos momentos mais interessantes da coreografia. Em uma reverência cruzada, Marcella direciona sua saudação para um lado da cabine enquanto Sidclei faz o mesmo para o outro, os dois de mãos dadas. É um fechamento coreográfico de grande beleza e inteligência cênica, que merece atenção especial para observar sua manutenção ou ampliação no desfile oficial.

SAMBA E HARMONIA

O samba-enredo do Salgueiro para 2026 tem, em seu pré-refrão e refrão principal, o seu eixo de maior potência. Nos versos “Mestra, você me fez amar a festa / eu virei carnavalesco / sonhei ser rosa / te faço enredo”, a escola entrega uma declaração de amor direta, afetiva e profundamente identificada com a comunidade. Esse trecho é cantado com força, convicção e emoção pelo salgueirense, que demonstra estar apaixonado pela obra e plenamente conectado ao discurso do samba.

salgueiro rua0401 11

O canto nesse momento é alto, seguro e coletivo, criando um dos pontos de maior impacto sonoro do ensaio. Essa adesão se estende também ao início do samba, que entra bem cantado, com a escola acompanhando a melodia com boa intensidade e participação consistente dos componentes.

No entanto, ao avançar para o meio da obra, o canto perde força e regularidade. A queda de intensidade no meio do samba acende um sinal de atenção. A situação se agrava quando somada à presença de alas coreografadas, que, como é natural pela exigência física da execução, tendem a cantar menos ao longo do desfile.

Há, portanto, uma margem clara de crescimento para o Salgueiro neste quesito, especialmente no trabalho de canto do miolo do samba, buscando maior uniformidade e resistência vocal ao longo de toda a obra, e não apenas nos trechos mais explosivos.

No carro de som, Igor Sorriso mostrou estar extremamente à vontade no Salgueiro. O intérprete conduz o samba com segurança, chama o público para si, interage com a comunidade, com os moradores e com quem acompanha o ensaio, encarnando o espírito salgueirense de forma festiva e comunicativa. Sua presença cria conexão direta entre escola e público, elemento fundamental para sustentar o canto na rua.

salgueiro rua0401 10

“Sinto que estamos uma evolução. A gente vai entendendo mais como é a escola, e estou tendo um entrosamento muito bom com toda a ala musical, sobretudo, com a direção musical do Alemão. A gente está feliz e trabalhando muito para evoluir, e entregar um trabalho ainda melhor em 2026. Esse samba está em uma crescente. As pessoas vão se envolvendo… é um samba leve, fácil, muito popular. Eu acredito muito no potencial dela, vai dar conta do recado na Sapucaí”, afirmou o intéprete Igor Sorriso.

Mesmo diante da instabilidade técnica inicial com o trio elétrico, Igor Sorriso e a equipe do carro de som demonstraram profissionalismo e tranquilidade na condução do ensaio. O problema foi rapidamente resolvido, e o restante da apresentação transcorreu sem prejuízos, permitindo que o desempenho do intérprete se destacasse de forma positiva.

EVOLUÇÃO

A evolução do Salgueiro foi marcada, sobretudo, pela leveza. Os componentes desfilam à vontade, com naturalidade e prazer visível em estar na rua. Há um clima de brincadeira saudável, de troca constante entre os próprios desfilantes e com o público que acompanha o ensaio, o que se traduz em sorrisos, dança solta e uma ocupação fluida do espaço.

salgueiro rua0401 12

Essa sensação de conforto em pista é mérito direto do trabalho que a escola vem desenvolvendo ao longo da temporada. A evolução acontece sem rigidez, permitindo que o componente performe o samba com liberdade, incorporando a obra de maneira orgânica. O resultado é uma escola que flui, que avança com alegria e que estabelece uma relação viva com quem assiste.

OUTROS DESTAQUES

salgueiro rua0401 6

A bateria “Furiosa” do Salgueiro merece menção especial. Comandada pelos mestres Guilherme e Gustavo Oliveira, a bateria apresentou um som de altíssimo nível, com impacto, precisão e energia contagiante. A resposta do público foi imediata: a “Furiosa” animou quem acompanhava o ensaio e elevou o samba a um patamar de intensidade que marcou a noite.

A condução segura da dupla de mestres se reflete não apenas no rendimento musical, mas também no clima interno da bateria. O momento final do ensaio, em que os ritmistas confraternizam, revela um grupo visivelmente à vontade, coeso e satisfeito com o trabalho que vem sendo desenvolvido. Essa sensação de felicidade e pertencimento se traduz diretamente na qualidade do toque e na entrega coletiva.

salgueiro rua0401 4

Outro destaque importante é a presença do violino na obra. Em momentos pontuais, o instrumento surge acompanhando o canto da escola, justamente nos trechos em que a comunidade canta com mais força. O resultado é uma camada sonora delicada e, ao mesmo tempo, emocionante, que dialoga com a letra e amplia a expressividade do samba. Quando o violino aparece sustentando o canto, o efeito é belíssimo.

“O mau tempo não atrapalhou. Fiquei até surpreso. Graças a Deus deu tudo certo. Hoje tinha que acontecer (o ensaio), porque, com esse maratona de fim de ano a gente ficou muito tempo sem ensaio e isso afeta um pouco a precisão da galera. Estrear da forma como a bateria ensaiou hoje me deixou aliviado. Fiquei feliz em perceber que a galera tá bom com as bossas na mão, andamento perfeito, afinação… isso mostra que o material está bom. Porque não é fácil manter a afinação com essa chuva que deu. O meu balanço de hoje é super positivo. Deu pra ver que estamos no caminho certo”, comentou mestre Gustavo, que também falou sobre a entrada do violino no conjunto musical salgueirense.

salgueiro rua0401 5

“Essa ideia surgiu para trazer um pouco da criação da trilha sonora da Rosa (Magalhães). Ela foi uma carnavalesca que criou muitos personagens que estiveram presentes em vários desfiles. A gente tentou trazer um pouco disso. O violino é um instrumento que caminha muito por dentro dessas trilhas. Também tem a questão de ser um instrumento que tem um timbre que consegue soar bem no carro de som e complementar o violão, o cavaquinho… E a gente conseguiu juntar isso com algumas novidades que a bateria está fazendo esse ano. Acho que com isso a gente está conseguindo trazer um lado mais erudito da Rosa. Ela foi do teatro, foi cenógrafa… e a intenção é mostrar outros lados dela”.

“Casou perfeitamente com a Furiosa. E ainda não mostramos tudo. Podem ter certeza que vocês ainda vão ter novidades na avenida”, completou mestre Guilherme.

Portela carregada na água e no dendê: com chuva, escola realiza excelente ensaio no primeiro teste do ano

0

Por Luiz Gustavo e Mariana Santos

A Portela abriu sua temporada de ensaios de rua em 2026 no último domingo, reforçando o alto astral e o nível de seus quesitos mostrados neste pré-carnaval, com um samba que mantém a pegada sem deixar cair em momento algum. A apresentação contou com um novo componente: a chuva fraca, que lavou a alma dos portelenses em boa parte do ensaio e não atrapalhou em nada a bela exibição mostrada pela azul e branco. Os componentes seguiram o embalo dos ensaios anteriores e ratificaram uma agremiação renovada, confiante em realizar um grande desfile e voar alto. A Portela desfilará no domingo de Carnaval com o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará – A Oração do Negrinho e a Ressurreição de sua Coroa sob o Céu Aberto do Rio Grande”, desenvolvido pelo carnavalesco André Rodrigues.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Marlon e Squel realizaram uma apresentação extremamente energizada, no embalo do público presente, que recebeu o casal com muitos aplausos. A série mostrada foi muito solta na primeira parte do samba até o refrão central, com destaque para os giros de Squel, usando muito bem a amplitude do espaço. Na segunda parte, a coreografia foi um pouco mais marcada, sendo executada com precisão, exceto em um rápido momento em que erraram o lado para onde seria feito um giro de mãos dadas, logo corrigido. No refrão principal, Marlon foi quem aproveitou mais o espaço físico, com um bonito bailado.

portela rua0401 1
Fotos: Luiz Gustavo e Mariana Santos/CARNAVALESCO

EVOLUÇÃO

Os componentes não perderam o embalo dos ensaios anteriores após duas semanas de recesso, mostrando um equilíbrio entre empolgação e técnica de desfile. A Portela exibiu uma evolução bastante fluida, no embalo do seu samba, e com alas muito bem compactadas, excetuando a ala de passistas que, até pela característica de desfilarem mais soltos, com samba no pé, passou mais espaçada. A pista molhada não prejudicou a passagem da escola, que preencheu todo o trecho da Estrada da Portela com tranquilidade e um ritmo constante até a parte final do ensaio, quando a bateria de mestre Vitinho deu um show, encerrando o treino.

O diretor de carnaval Junior Schall falou sobre o ensaio. “Um ensaio sob as bênçãos que a chuva trouxe pra nós, porque potencializou ainda mais o espírito portelense vindo de um recesso. Esse espírito está muito forte, mas, falando do trabalho técnico, está sendo muito bem executado às quartas-feiras, aos domingos, às segundas com o Vitinho, o trabalho do carro de som. Então, voltar hoje e ver todo o gabarito técnico sendo posto à prova é gratificante. Evidentemente que é um processo gradual e o ápice será na Marquês de Sapucaí. Temos ensaios pra fazer e ainda há mais a crescer para que a gente chegue no melhor ponto do nosso trabalho coletivo”, declarou.

portela rua0401 3

HARMONIA E SAMBA

Se na evolução a escola mostrou uma memória natural de execução, no canto o resultado foi avassalador, mais uma vez. A comunidade portelense clama seu samba, entoa cada verso como uma grande louvação, com o acréscimo da empolgação e espontaneidade do sambista, transformando o ensaio em uma grande celebração. Os componentes cantaram em uníssono o samba portelense, inclusive alas que costumam ter um canto mais irregular, como a ala de passistas, que desta vez veio forte no gogó. Obviamente, o samba contribui para este ótimo desempenho da harmonia, seguindo em uma crescente desde que foi escolhido para ser o hino da Portela em 2026, mostrando-se bonito, envolvente e extremamente funcional, elevando o canto e o astral da escola.

Zé Paulo domina o samba, como na primeira parte, em que ocorrem muitas variações melódicas, sendo bem sustentado pelo seu carro de som. O refrão central — “Alupo, meu senhor, Alupô, vai ter xirê no toque do tambor, alumia o cruzeiro, chave de encruzilhada, é macumba de Custódio no romper da madrugada” — ganha corpo a cada ensaio. Um samba que credencia um grande desempenho harmônico da agremiação de Madureira no desfile.

portela rua0401 2

“A Portela está em um caminho muito bom de resgate, de identidade. Fazer um ensaio debaixo de chuva, com a comunidade cantando, com o público de fora participando é muito bacana. Faltam cinco ensaios para o desfile, vai aumentando um pouquinho aquele sentimento do quanto tem sido bom isso aqui. Vou aproveitar o máximo até o fim. Na minha cabeça, eu já tenho o que eu vou fazer. É claro que como artista eu percebo coisas também. Tipo, hoje, com a chuva, a gente precisava dar um gás na galera. E a gente faz, não está no roteiro. Mas quando a gente sente que precisa fazer, a gente faz. Mas 95% do que vai ser feito, eu já tenho na minha cabeça”, contou o intérprete Zé Paulo Sierra.

OUTROS DESTAQUES

Além da competência habitual, a bateria de mestre Vitinho agitou as pessoas que assistiam ao ensaio com bossas com coreografia, como no refrão central, quando os ritmistas abaixavam e abriam caminho para a rainha Bianca Monteiro, que, como de costume, brilhou com seu samba e carisma enormes.

portela rua0401 4

“Fiquei muito feliz e surpreso com o ensaio de hoje, porque tivemos um recesso de bastante tempo, mas a galera chegou aqui bem estudada. O que a gente trabalhou lá atrás, colocar um andamento, ter sustentação rítmica, a galera conseguiu realizar. Acho que a bateria da Portela está em um caminho muito bacana. Com certeza, vamos ter bons frutos para colher lá na frente. Estamos conseguindo dar sequência com excelência. Temos todos os naipes fechados, a galera se dedicando. A bateria é cheia, a galera não falta. O ensaio no setor 11 está marcado para o dia 15, para ver se precisamos ajustar alguma coisa, porque é muito diferente do ensaio aqui na rua. É outra coisa ensaiar onde a gente vai ‘jogar’, que é na Marquês de Sapucaí. Depois teremos dois ensaios técnicos, com o som novo da Sapucaí, que é muito diferente de ensaiar com o som que trabalhamos na rua. É um trabalho a longo prazo, e não temos dúvidas do que a gente precisa para o próximo carnaval”, explicou mestre Vitinho.

A comissão de frente não se apresentou, deixando a abertura do ensaio para o casal de mestre-sala e porta-bandeira. O segundo casal, Vinícius Jesus e Thainá Teixeira, se exibiu com enorme talento e sincronia, em uma belíssima apresentação. O casal, que defende o pavilhão principal da Inocentes de Belford Roxo, mostra que a Portela está muito bem servida no quesito.

Excelência musical da Grande Rio impulsiona canto em ensaio com destaque também para casal

0

Por Lucas Santos e Maria Estela

Nem o feriadão prolongado de final de ano e a ameaça da chuva impediram a Grande Rio, mais uma vez, de levar para a Avenida Brigadeiro Lima e Silva mais uma coletânea de excelentes experiências musicais e carnavalescas. Com o entrosamento entre Evandro Malandro e Mestre Fafá, que a cada ano é mais notável, a Grande Rio firmou o samba com toques bem pertinentes de maracatu, que pincelavam a obra e estiveram na boca da comunidade de Caxias. Se, de fato, o contingente foi menor que em outros ensaios, quem esteve em Caxias neste domingo viu uma escola fiel à proposta de sambas dos últimos anos, que têm características próprias, bem afeitas a deixar a bateria tocar em um andamento agradável, com vozes bem sincronizadas e cordas extremamente bem definidas, em arranjos pensados e bem executados. Na abertura da escola, hoje sem a comissão de frente, Daniel Werneck e Taciana Couto mostraram a personalidade da sua dança, com passos originais e bem sincronizados. No mais, uma evolução correta, sem sustos e alegre.

grio rua0401 1
Fotos: Lucas Santos e Maria Estela/CARNAVALESCO

O diretor de carnaval, Thiago Monteiro, falou sobre ter um contingente menor nesse primeiro ensaio do ano e se disse satisfeito com o que a escola apresentou neste treino.

“Eu acho normal, bem lógico. A gente está em um domingo, primeiro do ano, um feriado prolongado, e é claro que a gente não teria aqui um contingente como teria nas outras semanas, agravado pelo fato da chuva que ameaçava cair ou não. A gente tomou a decisão de manter o ensaio, uma decisão muito acertada da nossa parte, até porque faltam pouquíssimos dias. Acho que, para uma retomada, está dentro do previsto. A escola está correspondendo e mostra que vem se organizando cada vez mais. Eu sempre falo que a gente nunca está pronto ainda. E é um fato: se não, a gente não ia ensaiar, ia direto para a concentração. A gente está em um processo que passa por tirar a rabanada do Natal e colocar tudo aquilo que a gente descansou. Esse primeiro ensaio era para isso mesmo e, para mim, particularmente, estava tudo dentro do que eu esperava, nada diferente. A escola está correspondendo, e isso é muito bom”, entende o profissional.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Com o enredo “A Nação do Mangue”, desenvolvido pelo carnavalesco Antônio Gonzaga, a Grande Rio será a terceira escola a desfilar na Sapucaí na última noite do Grupo Especial.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Não é novidade que o primeiro casal, Daniel Werneck e Taciana Couto, tem um estilo muito próprio e original de fazer sua dança. Com muita utilização de coreografias e passos bem sincronizados, a dupla mostra personalidade e inteligência ao focar em um estilo que lhe favorece e que deixa uma marca, ainda que seja muito injusto não reconhecer a qualidade dos dois nos passos mais clássicos de mestre-sala e porta-bandeira.

casalgrio

É muito bom ver a apresentação dos dois, desde a coreografia de deslocamento, com um passinho mais afro, passando pela entrada para a apresentação aos jurados com muita intensidade, depois os passos mais marcados e sincronizados, até os passos mais clássicos e a proximidade da dupla, a intensidade nos giros de Taciana e no riscado de Daniel, até a nota final, após o pavilhão bem esticado, o punho cerrado para o céu no trecho do samba “a revolução já começou” e as mãos dadas em seguida para finalizar a apresentação. Ótima exibição do casal nos módulos e muito respeito por quem assistia das calçadas, já que a dupla se deslocava, na maioria das vezes, também dançando.

HARMONIA E SAMBA

O intérprete Evandro Malandro, extremamente rigoroso com a qualidade musical daquilo que se canta, mais uma vez, com o apoio de mestre Fafá, faz um trabalho bastante detalhista em tudo o que o carro de som da Grande Rio vai levar para a Sapucaí. A chuvinha logo nos primeiros versos do samba 2026 fez com que os instrumentos de corda tivessem que procurar abrigo, mas, no gogó, o carro de som mostrou a excelência de sempre, segurando firme o início do ensaio.

grio rua0401 6

Com as vozes de apoio bem ensaiadas, Evandro combinou algumas boas entradas do seu time de apoio e colocou vocalizações que funcionaram bem no samba, sempre com cuidado para que a obra se sobressaísse e sem atrapalhar a participação da comunidade, que cantava a plenos pulmões, principalmente no trecho da segunda parte do samba: “Freire, ensine um país analfabeto”.

“Projetar é a melhora, não, na verdade, a permanência de várias coisas que a gente já tinha feito. Testar o mínimo possível, porque a gente já está na reta final, testar o mínimo possível para deixar mais formalizado o tipo de desfile que a gente quer fazer. É só manter o nosso trabalho de condicionamento. O condicionamento físico, mental, psicológico, o discernimento nessa reta final é o mais importante de todos. O rendimento do samba está maravilhoso. Eu sou muito chato com o meu trabalho específico. Por causa disso, ainda não está exatamente pronto. O carro de som todo me conhece. Eu gosto e faço o trabalho minucioso de cada um da equipe cantar como se fosse o cantor oficial da escola. Cada corda sabe exatamente o samba. Cobro isso de todos. Assim, ainda temos esses acertos para estar tudo 100%”, comentou Evandro Malandro.

Dos componentes, o canto começou muito forte nas primeiras alas e se manteve bem durante o ensaio, ainda que o contingente neste domingo fosse um pouco menor. Outro trecho de destaque da obra foi o “Casa de gueto! Casa de gueto!”. Na reta final, mesmo subindo a ladeira da Avenida Brigadeiro Lima e Silva, a comunidade encerrou o treino ainda cantando bastante.

grio rua0401 4

“O balanço (do primeiro ensaio do ano) é positivo. A gente está voltando hoje, nosso primeiro ensaio pós esse recesso de final de ano. A partir de agora a bateria ensaia três vezes por semana, chegando a quatro, às vezes. E a gente ainda tem mais duas paradinhas que a gente já estava ensaiando, mas não tinha colocado ainda na rua ainda. A gente está terminando o processo delas, mas a partir já do próximo ensaio de rua elas já vão estar disponíveis aí para todo mundo ver. Mas quando essas duas bossas a gente começar a colocar na rua, elas vão ficar lá 100%. A bateria já está em 60%, 70%, caminhando para 70%. Agora que a gente consegue ensaiar com o som da Sapucaí, né, dois ensaios com o som da Sapucaí vai ser de suma importância para a gente, não tem preocupação não. A gente está bem tranquilo e confiante na recuperação da nota máxima para esse carnaval de 2026”, explicou mestre Fafá.

EVOLUÇÃO

grio rua0401 5

Mesmo com um contingente menor de componentes, a equipe da Grande Rio não quis dar chance ao azar e manteve um forte padrão de organização, não deixando que as alas se espalhassem, principalmente nos trechos mais largos da via de ensaio. Sem apresentar buracos ou grandes espaçamentos, a Grande Rio começou o desfile de forma bem cadenciada, dando tranquilidade para que o casal se apresentasse e simulando o tempo que a comissão de frente teria em sua parada para os jurados.

Sem correr em nenhum momento, a escola foi muito correta na evolução e trouxe alegria e espontaneidade, sem alas coreografadas, ao menos neste treino, e com muitos componentes brincando de forma leve. É claro que esse aspecto ainda pode melhorar e deve evoluir bastante com a escola mais completa.

grio rua0401 2

OUTROS DESTAQUES

grio rua0401 7

Sem a rainha de bateria Virgínia Fonseca, coube a David Brazil e à musa Thainá Oliveira vir à frente dos ritmistas comandados por mestre Fafá. David esbanjou irreverência e do humor antes e depois do ensaio. No esquenta, Evandro Malandro relembrou “Exu” e “O nosso destino é ser onça”. O presidente Milton Perácio, em seu discurso, relembrou a importância da Grande Rio para o município de Duque de Caxias e pediu garra para trazer o título, mais uma vez, para a cidade.

grio rua0401 3

Vídeos: arrancada e ala a ala do primeiro ensaio de rua do ano da Grande Rio

0

Vídeos: arrancada e ala a ala do primeiro ensaio de rua do ano do Salgueiro

0

 

Vídeos: arrancada e ala a ala do primeiro ensaio de rua do ano da Portela

0

É dos brasileiros! Emerson Dias e Acadêmicos de Niterói furam a ‘bolha’ e empolgam o Brasil

Quem já teve a oportunidade de ver um ensaio da Acadêmicos de Niterói presencialmente ou assistir a algum vídeo nas nossas redes sociais já reparou na felicidade de Emerson Dias, intérprete da agremiação, ao puxar o samba-enredo de 2026. Com enredo de Tiago Martins e composição de Teresa Cristina, André Diniz, Paulo César Feital, Fred Camacho, Junior Fionda, Arlindinho, Lequinho, Thiago Oliveira e Tem-Tem Jr, a homenagem ao presidente Luís Inácio Lula da Silva, intitulada “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, tem movido debates, paixões e empolgado os foliões. Emerson define como uma “comoção”.

emersondias
Foto: Matheus Viníicus/CARNAVALESCO

“A comoção, o povo cantando, a resposta que vem, a energia que vem da arquibancada, da galera comprando barulho, vindo pra dentro, isso não tem preço”, define o intérprete.

A carreira de Emerson Dias passou pela Acadêmicos da Grande Rio e pela Acadêmicos do Salgueiro, no Grupo Especial, e a última escola que defendeu foi a Botafogo Samba Clube, na Série Ouro, em 2025. Mas o Carnaval 2026 já se anuncia diferente para o cantor. Neste ciclo, ele percebe que furou a “bolha” carnavalesca, e isso pode gerar uma mudança em sua vida.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

“[Esse samba] está alcançando outras esferas que vão muito para fora apenas do bloco dos sambistas. Uma postagem nossa dá 600, 700 mil visualizações, dá 10 mil comentários. Isso, para nós do carnaval, é muito, é muito legal. Muito importante, porque atrai novas pessoas, atrai novos interesses. Eu acho que esse é o legado que a gente vai deixar com esse enredo daqui pra frente”, declarou Dias.

Fãs e haters

Nas redes sociais, furar bolhas, ou seja, chegar a novos públicos, permite que se multipliquem pessoas com opiniões mais diversas e discursos de ódio. Com Lula como homenageado, as mídias da Niterói têm sido ambiente de crítica e debate político. Ao levar em consideração a pesquisa Quaest de novembro, o presidente do Brasil tem aprovação e reprovação em empate técnico, sendo 47% os que aprovam e 50% os que reprovam, com margem de erro de dois pontos percentuais.

* Veja aqui notícias da Acadêmicos de Niterói

A percepção de Emerson é mais positiva sobre os usuários que preferem comentar os posts da azul e branca, e os seus, com raiva e ódio: “Eu não ligo. Quanto mais falam, mais crescemos; quanto mais falam, mais o povo canta, mais o Brasil nos abraça. Hoje a gente vive numa polarização muito grande; tem um lado que não gosta, mas tem um lado muito maior que gosta”.

Também no contexto das redes sociais, Emerson se diz indiferente a quem o rotula como “bolsonarista” ou “lulista”.

“Para mim, isso é indiferente. Eu estou aqui para cantar. Eu sou Lula, eu sou tudo. Eu sou vascaíno”, brincou o intérprete.

Lula virá?

Como a presença do presidente Lula ainda não foi confirmada, o que fica na comunidade da Acadêmicos de Niterói e entre os foliões ansiosos é a expectativa de ver o homenageado no desfile. Para Emerson Dias, é uma certeza que ele virá e será uma das maiores aberturas do Grupo Especial dos últimos anos.

“Eu tenho certeza de que ele virá e que vai ser uma emoção muito grande. Vai ser uma abertura de carnaval, de desfiles, como há muito tempo não se via, principalmente pela popularidade do samba e a facilidade”, projetou Emerson.

A Acadêmicos de Niterói fará sua estreia no Grupo Especial no domingo, 15 de fevereiro, sendo a primeira escola a desfilar, seguida de Imperatriz, Portela e Mangueira.

Refrão que a comunidade canta junto e introdução ritualística marcam o samba da Nenê para o Carnaval 2026

0

A Nenê de Vila Matilde vive um momento de confiança e renovação às vésperas do Carnaval 2026. Gravado em novembro de 2025, o samba-enredo da tradicional agremiação da Zona Leste chega consolidado como uma obra de forte participação comunitária, com refrão cantado em uníssono, introdução ritualística e uma concepção musical diretamente conectada ao enredo. No Grupo de Acesso 1 de São Paulo, a escola aposta em identidade, organização e emoção para buscar um grande desfile. A gravação reuniu diferentes segmentos da escola e evidenciou o clima interno positivo que a Nenê atravessa neste novo ciclo.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

casal nene
Fotos: Naomi Prado/CARNAVALESCO

Comunidade em peso reforça o clima da gravação

Diretora de carnaval da Nenê de Vila Matilde, Bruna Amorim destacou o envolvimento expressivo da escola na gravação do samba, reunindo praticamente todos os seus segmentos.

LEIA AQUI NOTÍCIAS DO CARNAVAL DE SP

“Para a gravação de hoje, trouxemos em torno de 120 pessoas. Foram 40 ritmistas, e os demais se distribuíram entre musas, passistas, baianas, velha guarda e as lideranças da escola. É um sentimento de emoção e felicidade. O samba é maravilhoso, você pode ver que o nosso refrão acontece: quando falamos ‘Sampa, o seu quilombo é quem diz’, todos cantam”.

bruna nene

Ela ainda reforçou o momento vivido pela agremiação da Vila Matilde. “A Nenê está pronta, a Nenê está num momento incrível, com muitas mudanças e muitas coisas boas que vêm por aí”.

Largada com atabaques conecta música e enredo

Responsável pela concepção musical do samba, o diretor da ala musical, Rodrigo Lopes, explicou que a introdução foi pensada para dialogar diretamente com a narrativa do enredo.

“A gente colocou uma largada para ficar mais dinâmica. Colocamos uma largada com atabaques, porque o enredo fala das encruzas. Por isso, também colocamos um ponto do Seu Zé Pilintra, para a introdução ficar diretamente ligada ao enredo”.

rodrigo nene

Rodrigo também falou sobre o cuidado técnico com a tonalidade do samba, conhecido por sua intensidade. “A tonalidade a gente adaptou e acertou o tom, porque é um samba muito alto. É um samba que tem muitas nuances, tem uma partezinha mais baixa, mas ele é muito pra cima”.

O ajuste, segundo ele, foi essencial para valorizar o intérprete. “Adaptamos para a voz do cantor, que já vem com uma voz alta”

Andamento tradicional da Vila Matilde será levado à Avenida

À frente da bateria da Nenê, o mestre Matheus Machado explicou que o ritmo adotado na gravação segue a identidade histórica da escola e já projeta o que será apresentado no desfile do Grupo de Acesso 1.

mestre nene

“Fizemos o padrão da Vila Matilde! Normalmente, a gente costuma vir num andamento mais tranquilo, sem muita correria, mas sem deixar a nossa pegada de lado. A gente veio na gravação em 144 BPM (batidas por minuto), que é o que provavelmente vamos usar na avenida, largando em 146 BPM e seguindo firme e forte até o final”.

Matheus também deixou claro que a gravação reflete o que a comunidade pode esperar no Anhembi. “A ideia é sempre levar tudo o que a gente está ensaiando. Tudo o que a gente está colocando na gravação vai para a avenida. Vamos adaptar nos ensaios, ver se a galera está se ajustando e, enfim, seguir com o trabalho”.

Samba do Vai-Vai aposta em refrão forte e leitura cinematográfica para o Carnaval 2026

0

Gravado em novembro de 2025, na Fábrica do Samba, o samba-enredo do Vai-Vai para o Carnaval 2026 chegou ao público carregando emoção, identidade popular e uma leitura musical que dialoga diretamente com o enredo. A obra, que homenageia São Bernardo do Campo e passa pela história da Vera Cruz, do cinema nacional e da luta dos trabalhadores, ganhou uma versão marcada por coral forte, andamento pensado especialmente para a gravação e arranjos que transitam entre o popular e o cinematográfico. A gravação, realizada em formato ao vivo, reuniu comunidade, segmentos e lideranças musicais da escola, consolidando um clima que, segundo os próprios envolvidos, não se via no Vai-Vai há algum tempo.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

vaivai gravasamba26 1
Fotos: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO

Aqui a gente veio mais seguro, mais direto’, diz Luiz Felipe

No sexto ano como intérprete oficial do Vai-Vai, Luiz Felipe destacou que a gravação exigiu uma preparação diferente daquela feita para a versão cantada na quadra.

* LEIA AQUI NOTÍCIAS DO CARNAVAL DE SP

“Nós nos preparamos porque é diferente da versão da escola. Aqui nós viemos mais seguros, mais direto. Estudamos bastante as outras gravações também, os cantores que já fizeram. Nós estudamos direitinho e temos essa preparação interna. Sexto ano sendo intérprete do Vai-Vai, sendo a voz dessa escola, é um sentimento de emoção mesmo”.

Mesmo reconhecendo o peso emocional da gravação ao vivo, o cantor fez uma ponderação técnica sobre o formato.

cantor vaivai

“Eu não sou a favor da gravação ao vivo. Sou a favor da gravação em estúdio. Porém, ao vivo dá mais emoção, dá mais sentimento de Avenida, coral, povão. Pega na emoção, pega na comunidade, mas eu prefiro em estúdio”.

Questionado sobre os trechos mais impactantes da obra, ele não hesitou em apontar o momento que promete levantar o Anhembi.

“A parte que eu mais gosto é o refrão principal. Só que eu acho que é o do meio que vai sacudir o Anhembi. ‘Se desacreditar, vai parar geral’. Acho que essa parte vai ser impactante para a comunidade, pelo povo, que está gostando bastante dessa parte”.

Um samba raro na história do Vai-Vai, conta Cris Viana

Um dos compositores do samba-enredo de 2026, Cris Viana falou com emoção ao comentar a importância da obra em sua trajetória pessoal e artística. Compositor de carreira e criado dentro das alas de compositores, ele destacou o peso simbólico de vencer uma disputa em uma escola tradicionalmente fechada a parcerias externas.

cris vaivai

“Tenho alguns sambas-enredo nas coirmãs, mas é um samba especial porque o Vai-Vai é uma escola especial. Todo o povo do carnaval entende que o Vai-Vai é diferente. Para mim, que não sou naturalmente do Vai-Vai, é muito especial porque o Vai-Vai é uma escola mais fechada, é difícil que os compositores de fora ganhem samba dentro do Vai-Vai. Quem trabalha tem alma e coração, não é ferro nem máquina da exploração. Se desacreditar vai parar geral’. É bem no popular, tem tudo a ver com o Vai-Vai. Tem muita poesia dentro do samba, mas essa frase, para mim, é bem especial”.

A ligação pessoal com o enredo também foi decisiva para a emoção do compositor, já que o tema aborda São Bernardo do Campo, sua cidade natal.

vaivai gravasamba26 2

“É a nossa cidade. Unimos compositores de São Bernardo com compositores do Vai-Vai. É uma emoção especial porque fala de São Bernardo e sou apaixonado pela minha cidade. Minha vida se resume muito a São Bernardo do Campo, assim como a da minha família. Ganhar em uma escola do tamanho do Vai-Vai, que tem uma repercussão por ser algo raro, algo diferente, é realmente muito especial. Quando eu lembro da hora do resultado, eu fico arrepiado até hoje”.

Clima especial nos ensaios anima compositores

Sobre o desempenho do samba na Avenida, o compositor revelou um sentimento de confiança, baseado no que tem visto nos ensaios e na resposta da comunidade.

vaivai gravasamba26 3

“Faz tempo que o Vai-Vai não tem esse clima que está rodando com esse samba. Desde o primeiro ensaio, está com um clima muito diferente. A comissão de carnaval fez uma abordagem muito interessante falando da Vera Cruz. A Vera Cruz é cultura, é cinema, tem muito da história do Brasil. Com o São Bernardo vem o trabalhador, de todas as lutas que o sindicato teve lá no passado. O samba aconteceu desde quando soltamos a gravação e apresentamos na quadra. Nos ensaios está acontecendo demais, a quadra toda está cantando. O que vemos é que está rolando um clima especial, que há muito tempo o Vai-Vai não tinha”.

Andamento pensado para a gravação, explica mestre Beto

Responsável pela bateria “Pegada de Macaco”, mestre Beto revelou que o andamento escolhido foi específico para a gravação e não será o mesmo utilizado no desfile.

mestrebeto vaivai

“Como o Vai-Vai tem uma bateria mais acelerada, para a gravação eu resolvi esse ano, com a concepção do mestre Tadeu, fazer o andamento de 148 BPM (batidas por minuto), que não será o andamento que vamos para a Avenida. Nós fizemos um xote, que é um dos ritmos nordestinos. Fizemos dois arranjos de bateria mesmo, com caixa, repenique, surdo, e tem uma surpresinha para a Avenida que não podemos falar””.

Para o mestre, participar da gravação tem um significado único. “É um sentimento único porque é uma coisa anual. Acontece uma vez só e você procura fazer o melhor para que passe segurança para a comunidade. É como ter um filho, como fazer um aniversário, a primeira habilitação, o primeiro carro”.

Arranjos cinematográficos reforçam narrativa do enredo

Diretor musical do Vai-Vai, Danilo Alves explicou que os arranjos foram pensados a partir do tema e da tradição musical da escola.

danilo vaivai

“Nós vamos sempre de acordo com o tema, com a nossa tradição e com a pegada da nossa bateria. Trouxemos uns arranjos bem cinematográficos e ficou legal, ficou de acordo. Fazemos um forró, fazemos um baiãozinho. Usamos um triângulo e o agogô para fazer bem o forró mesmo. O Vai-Vai sempre vem com esse lance bem social, bem de acordo com o que o Brasil pede”.

Danilo também revelou referências diretas ao cinema na construção musical. “Fazemos uma alusão ao cinema com alguns arranjos de harmonia, lembrando aquelas noites de sábado do Supercine. Esses arranjinhos pegando bem as dissonâncias da harmonia são bem legais, bem Vai-Vai, bem a nossa cara”.

Unidos de Vila Isabel divulga primeira imagem de fantasia para o Carnaval 2026

A Unidos de Vila Isabel divulgou, neste domingo, a primeira imagem oficial de uma das fantasias que estarão na Avenida durante o desfile da escola, na terça-feira, 17 de fevereiro. A fantasia apresentada destaca os personagens Colombina e Arlequim e integra um conjunto de 60 fantasias que compõem uma das alas do desfile da azul e branca de Noel. A criação faz referência direta à importância musical de Heitor dos Prazeres para os carnavais de rua da cidade do Rio de Janeiro, exaltando sua contribuição para a cultura popular e para a história do samba.

fantasia vila2026
Foto: Ademir Júnior/Divulgação Vila Isabel

Entre as obras eternizadas pelo compositor está a marchinha “Pierrô Apaixonado”, parceria com Noel Rosa, o eterno Poeta da Vila, cuja ligação afetiva e artística com a escola inspira o desenvolvimento do enredo.

O grande bloco idealizado pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora contará com mais de 200 componentes, todos vestindo fantasias marcadas por cores vibrantes, alegria e um clima de nostalgia, celebrando a memória musical e o espírito dos antigos carnavais de rua.

Em 2026, a Vila Isabel levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um sambista sonhou a África”, desenvolvido por Gabriel Haddad e Leonardo Bora, com pesquisa de Vinicius Natal. O tema presta tributo à arte, à ancestralidade e ao samba, celebrando a memória de Heitor dos Prazeres, um dos grandes ícones da cultura popular brasileira. Com uma proposta estética e narrativa potente, a escola promete um desfile que une memória, emoção e identidade, em busca de mais um capítulo vitorioso de sua história.