A Unidos de Vila Isabel será a responsável por fechar os desfiles da Escolas de Samba do Rio de Janeiro. A agremiação vai homenagear o cantor, compositor, poeta e escritor Martinho da Vila, com o enredo “Canta, canta, minha gente! A Vila é de Martinho!”. A azul e branco vai usar do luxo, criatividade e beleza para exaltar a vida do artista.
Foto: Site CARNAVALESCO
Por falar em beleza, Sabrina Sato estará de volta a frente da bateria. A apresentadora ocupava o posto desde 2011, mas em 2020 foi ocupado por Aline Riscado. Agora, a artista que voltará a brilhar a frente dos ritmistas, relatou para o site CARNAVALESCO a importância de trazer Martinho da Vila em um samba enredo.
“O mais legal desse momento que a gente está vivendo é o retorno a vida, é o retorno a Vila, é Martinho como enredo. Então, esse ano vai ser muito especial. A Vila Isabel vem para celebrar a vida na Avenida e sermos campeões”.
A agremiação, que foi campeã do Carnaval em 2013, tentará repetir o feito no ano de 2022. Muito mais que homenagear uma peça importante na escola, o samba enredo irá trazer para os amantes do carnaval um enredo de resistência, de persistência e de amor. Martinho se apaixonou pela Vila e a Vila se apaixonou por ele.
Foto: Site CARNAVALESCO
A paulistana Sabrina Sato, também foi acolhida e adotada pela comunidade da agremiação, desfilando pela Escola como Rainha de bateria de 2011 até 2019, relatou na entrevista qual é o segredo para ter essa relação tão estreita com a comunidade do samba.
“Eu costumo falar que eu sou filha adotiva da comunidade, eu participo o ano inteiro. Eu não participo só no dia do desfile ou só nos ensaios, eu participo dos eventos sociais, tenho uma troca muito grande com a comunidade ao longo do ano, em vários eventos sociais e em várias causas. Tudo que envolve a comunidade de Vila Isabel, Morro dos Macacos, eu estou junto porque eu aprendo bastante. A vivência que eu tenho aqui, a experiência e o amor que eu recebo, não existe nada igual! É muito gigantesco”.
A apresentadora, além de ser rainha de bateria da Vila Isabel, também desfila pela Gaviões da Fiel, em São Paulo, desde 2004. Neste ano, já contando com toda a emoção por trás de voltar à Sapucaí após a pandemia da Covid-19, Sabrina enfrentará outro desafio, defender os dois pavilhões no mesmo dia.
“Não sei se vocês sabem, mas eu desfilo na Gaviões e na Vila com três horas de diferença, no mesmo dia. Eu desfilo meia noite na Gaviões e às três e quarenta na Vila Isabel. Vai ser um carnaval muito especial para mim”, comentou.
Todos conhecem o ilustre Wander Pires, intérprete da Mocidade Independente de Padre Miguel aqui no Rio e da Unidos de Vila Maria em São Paulo. O artista é uma figura carismática e que esbanja simpatia, juntamente com o seu topete.
Fotos de Allan Duffes/Site CARNAVALESCO
Estiloso, o cantor está sempre muito bem vestido e conta com a ajuda da esposa, Ana Paula para ajudar nos looks. No ensaio técnico da Mocidade, quem produziu o look que o intérprete e os componentes do carro de som usaram foi Edilson da Angus. O artista também conta com a ajuda de Viviane, figurinista e personal stylist, responsável pela vestimenta que Wander irá usar no dia do desfile.
A Mocidade Independente de Padre Miguel é a grande paixão do cantor. Em entrevista para o site CARNAVALESCO, o artista declarou que agremiação é a sua casa: “A gente quando ama aguentamos e superamos muita coisa. A Mocidade representa o amor, minha casa e minha família. Quem é meu fã e quem me acompanha, sabe que aqui a coisa é diferente”.
Wander já teve passagem por algumas escolas de samba do Rio de Janeiro, porém a verde e branca de Padre Miguel é o seu amor. Com a família toda de independentes, ele é desde pequeno apaixonado pela escola. O cantor explica como surgiu a paixão por ser intérprete: “Quando era criança eu queria cantar igual o Ney da Mocidade. Mas me inspirei muito em Aroldo, por causa do meu vibrato”.
Com o sonho de cantar desde criança, Wander teve seus pais como seus maiores incentivadores de carreira. E tem a certeza que além da proteção de Deus e dos orixás, seus genitores estarão o protegendo no dia do desfile.
No que se trata de carro de som, o da Mocidade é considerado um dos melhores. Com a presença de vozes femininas e masculinas, é algo que funcionou muito bem na escola. O intérprete tem o seu devido destaque, obviamente, mas também trouxe o filho para estar presente ao seu lado puxando samba. É válido ressaltar o entrosamento do carro de som com a bateria “Não existe mais quente”. Dessa forma, o samba que já funcionava bem, está cada vez melhor e tem tudo para brilhar na avenida.
Foto: Site CARNAVALESCO
O cantor costuma dizer que não se vê mais cantando sem as suas meninas: “Não me vejo sem elas, já fazem parte da minha banda. A presença feminina nesse samba da Mocidade e também no da Vila Maria é muito importante. As vozes combinam e dão todo um toque especial”, comenta Wander.
Sendo o primeiro cantor a colocar mulheres no carro de som para cantar, o intérprete já as considera como peças fundamentais e imprescindíveis na sua equipe. É como se as próprias fossem o brilho que faltava: “Eu já não sei mais cantar sem o meu brilho, elas me dão esse brilho. São tudo na minha vida”, diz o intérprete.
O artista tem na família a maior fortaleza para brilhar na Sapucaí: “Sem a minha família, sem os meus filhos a minha vida não existe. Eles estarem do meu lado e me acompanhando é de muita importância para mim”, relata.
A Mocidade Independente de Padre Miguel será a terceira agremiação a pisar na Sapucaí no sábado, com o enredo “Batuque ao Caçador”. A escola promete muita emoção, com Wander Pires nos vocais e a comunidade dando um show de animação e cantoria.
Após dois anos sem poder acompanhar de perto a festa mais tradicional do Rio de Janeiro, o público vai poder sentir a emoção de estar de volta de forma oficial à Marquês de Sapucaí. O antigo “grupo A” do Carnaval carioca, que agora passa a se chamar Série Ouro, nome que tinha sido sugerido pela LIERJ no Carnaval de 2013, contará com quinze Escolas de Samba. Os desfiles vão acontecer quarta e quinta-feira, dias 20 e 21 de abril.
Foto: Divulgação/Liesa
Mesmo com as emoções à flor da pele, não podemos esquecer que o Carnaval, além de toda história de resistência que carrega, é uma competição. O site CARNAVALESCO conversou com Rafael Tavares, ritmista da Unidos de Padre Miguel e torcedor da Mocidade, sobre o que esperar dos desfiles da Série Ouro.
Foto: Site CARNAVALESCO
“Acredito que esse ano será um dos mais competitivos. Aposto em algumas que podem ser favoritas ao título, como a Império Serrano, que traz o samba enredo “Mangangá”. A Porto da Pedra, que irá homenagear Mãe Stella de Oxóssi, escritora e Yalorixá que marca a história ao lutar pelo respeito ao Candomblé também vem forte. Obviamente, também aposto na Unidos de Padre Miguel”.
O Carnaval, que chegou ao Brasil pelos colonizadores portugueses e se estabeleceu no país entre os séculos XVI e XVII, desde suas raízes enfrenta batalhas árduas contra o preconceito com a festa. Ano após ano, vem mostrando que o maior espetáculo da Terra não é apenas a “festa da carne”, mas que, dentro de um desfile, pode-se manifestar indignação com situações do cotidiano, mostrar que as religiões de matrizes africanas são dignas de respeito, como todas as outras, entre diversas vertentes que têm condições de serem abordadas.
Guilherme Bonifácio, torcedor da Porto da Pedra, de São Gonçalo, falou um pouco sobre a história que sua Escola vem cantar e destacou a importância que as agremiações carregam por retratarem memórias do passado.
“A mãe Stella foi uma forte influência no Candomblé: ela lutou muito para que a religião ganhasse seu merecido espaço e respeito no Brasil. A Porto sempre gostou de trazer à Sapucaí pessoas e histórias que merecem e devem ser destacadas, pessoas que são sinônimos de luta e de resistência. Porque, assim como o Carnaval enfrentou desconfianças, diversas pautas em nossa sociedade enfrentam até hoje. Então, é muito importante trazer esses enredos para a Sapucaí. Funcionam quase como um livro de contos em movimento”.
Foto: Site CARNAVALESCO
O Carnaval de 2022 já pode ser considerado um sucesso. Após esses anos em baixa, a realização dos desfiles traz um marco para todos nós, amantes ou não do Carnaval: é o começo do fim do “novo normal”, imposto pela Covid-19. As expectativas são as melhores possíveis em todos os quesitos e, com certeza, por podermos estar vivenciando tudo isso novamente, emoção e alívio não vão faltar.
Como diz a frase da extinta banda “O Rappa”, o Carnaval será “luz que faísca no caos”. A volta dos desfiles suprirá todos os abraços que não puderam ser dados, o acalento no coração dos que perderam alguém nesses anos e, principalmente, a esperança em dias melhores. O Carnaval voltou para quem nunca deveria ter sido deixado de lado: o povo.
Após mais de 14 anos fora da escola, no começo de 2020 o coreógrafo Sérgio Lobato assinou com a Unidos da Tijuca. Todavia em razão da pandemia mundial do Covid 19, somente no carnaval de 2022, Sérgio poderá retomar a sua casa. A última passagem do artista pela escola havia sido em 2006.
Foto: Site CARNAVALESCO
Lobato também já foi diretor artístico do Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e do Teatro Bolshoi no Brasil, além de também ter brilhado em escolas como: São Clemente, Portela, União da Ilha do Governador, Unidos do Viradouro e sua última casa, Acadêmicos do Salgueiro. O artista contou ao CARNAVALESCO um pouco da sensação de estar de volta na azul e amarela tijucana.
“Primeiramente é uma grande honra retomar a essa maravilhosa escola, quero agradecer ao presidente Fernando Horta e a toda a diretoria e seguimentos que me receberam muito bem. Estou muito feliz também por estar retornando a avenida depois de todo esse tempo de pandemia e esperando essa festa. Vamos fazer um grande espetáculo para essa torcida maravilhosa”.
Empolgado e ansioso para mostrar seu trabalho árduo após dois anos saudosos, Sérgio aproveitou para falar um pouco de sua comissão, que conta com um pequeno tripé de apoio, o qual segundo ele servirá de coxia, para que todo o trabalho por eles realizado se esclareça como uma síntese do enredo.
“Podem esperar uma coreografia com muita energia e de intensidade muito grande. Buscaremos movimentações que possam abrir a escola com muita força, mesmo que contando uma história. No final deixaremos uma mensagem para todos nós brasileiros e para quem está de fora também”.
Quanto a performance apresentada no ensaio técnico, relatou: “No ensaio técnico não trouxemos a coreografia do desfile oficial, mas alguns trechos fazem parte. A coreografia que estamos apresentando em eventos como o que teve na Cidade do Samba e no Ensaio técnico, eu montei para a festa de celebração do aniversário da escola, e desde então estamos usando. Estou com componentes e substitutos e os trouxe hoje porque acho importante termos uma rodagem já que se trata de um ensaio técnico, então é necessário que eles pisem nessa avenida, com esse público, para que sintam essa cobrança e responsabilidade”, comentou o coreógrafo.
Em sua última passagem pela agremiação tijucana, Sérgio trabalhou com o carnavalesco Paulo Barros, que permaneceu na escola até o carnaval de 2014 e teve um breve retorno apenas para o carnaval de 2020. Hoje a escola é comandada pelo carnavalesco Jack Vasconcelos, com quem Lobato confessou ter tido certo receio no começo.
“Está sendo a primeira vez em que eu trabalho com o Jack, tem sido maravilhoso. Como eu não o conhecia, de primeira tive uma preocupação de criar essa amizade, essa interatividade, mas foi muito fácil e o trabalho tem sido maravilhoso com o apoio dele. O trabalho que nós vamos trazer é uma concepção dele junto comigo e isso tem sido até hoje muito bom”.
Apesar de ser um artista mais que consagrado no mundo do samba, todo grande talento possui uma grande inspiração. Lobato revelou que sempre foi muito apaixonado pelas comissões do Fábio de Melo e que as mesmas chamavam muito sua atenção. Apesar de reconhecer as grandes comissões inovadoras da atualidade, ressaltou a representatividade e a importância da origem dessa história.
“Não vou falar todas porque vou acabar esquecendo de alguma, mas eu poderia citar várias comissões de frente marcantes. Nós temos maravilhosos profissionais, a maioria são meus amigos. Então eu posso dizer que desde o Fábio de Melo, passando pelo Carlinhos de Jesus, só temos tido trabalhos incríveis. Nós temos hoje a Priscila que começou comigo, o Jorge, e assim vai”.
Embora sempre tenha sido um quesito esperado pelos telespectadores, depois de ótimas apresentações realizadas no que chamamos de “carnaval contemporâneo”, a comissão de frente tem causado bastante expectativa até mesmo em simpatizantes do samba. Com isso, o nível de responsabilidade que antes já era grande, agora só aumenta com toda essa espera. Abrir o desfile é de uma grande competência, coisa que a escola do Borel tem dominado otimamente.
Apelidados pelos componentes da escola como “incansáveis”, o grupo composto por homens e uma única mulher, tem se mostrado bastante empenhado, ensaiando todos os dias, como o próprio diretor de bateria da escola Mestre Casagrande fez questão de ressaltar recentemente em discurso.
“É uma grande responsabilidade abrir o desfile, principalmente hoje, onde as pessoas esperam muito para assistir à apresentação da comissão. Eu sempre levo muito a sério o fato de iniciarmos o desfile, pois se abrimos com alegria e com um trabalho que tenha uma boa receptividade, o restante que vem atrás se sentem cortejados a embarcarem na felicidade de desfilar pela escola”.
“Quando questionado sobre o que aperfeiçoaria no julgamento desse quesito que hoje é tão disputado, desabafou: “Eu gostaria muito que não houvesse comparação, e sim o merecimento artístico coreográfico de cada comissão. O problema é que nós não somos avaliados somente pelo o que apresentamos como enredo e como coreografia, e sim na comparação com outras escolas, quando possuímos enredos e figurinos diferentes”.
A Unidos da Tijuca será a quarta escola a desfilar na segunda noite de desfiles do grupo especial com o enredo “Waranã, a reexistência vermelha”.