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Prefeitura divulga balanço das ações no primeiro dia de desfiles no Sambódromo e na Intendente Magalhães

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Depois de dois anos de saudade, o carnaval do Rio de Janeiro voltou a ser realizado. A quarta-feira foi marcada pelo primeiro dia de desfiles da Série Ouro no Sambódromo. Em Cima da Hora, Acadêmicos do Cubango, Unidos da Ponte, Porto da Pedra, União da Ilha, Unidos de Bangu e Sossego passaram pelo palco sagrado.

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Foto: Site CARNAVALESCO

Também teve festa na Intendente Magalhães, na Zona Norte, onde foi realizado os desfile das agremiações da Federação de Blocos. Para que tudo desse certo, a Prefeitura do Rio montou um esquema operacional envolvendo diversos órgãos e secretarias nos locais de
eventos e nos entornos.

Transporte

A Prefeitura do Rio preparou um esquema especial para o transporte público durante o carnaval. A orientação que as pessoas fiquem atentas aos pontos de interdições nos entornos do Sambódromo, no Centro, e da Estrada Intendente Magalhães, na Zona Norte. As linhas de ônibus sofreram modificações nos itinerários que passam por áreas interditadas. Metrô e Supervia funcionam durante a madrugada, e táxis têm pontos de embarque no entorno do Sambódromo.

Saúde

Na primeira noite de desfiles, 217 pessoas foram atendidas postos médicos montados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS-Rio) no Sambódromo. Desse número 16 apresentaram quadros mais delicados precisaram ser transferidos pela Central de Regulação para UPAs ou hospitais da rede municipal. Entre eles, Raquel Antunes da Silva, de 11 anos, atropelado por um carro alegórico fora da Sapucaí.

Vídeo: análise das baterias no primeiro dia dos desfiles da Série Ouro no Carnaval 2022

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Vídeo-análise: primeiro dia dos desfiles da Série Ouro no Carnaval 2022

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Lierj emita nota oficial sobre acidente envolvendo uma menina e um carro alegórico

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A Lierj emitiu uma nota oficial para falar sobre o grave acidente envolvendo uma criança e uma carro alegórico, na saída das alegorias da Escola Em Cima da Hora da Sapucaí. O portal “G1.com” apurou com a Secretaria Municipal de Saúde que Raquel Antunes da Silva, de 11 anos, perdeu uma perna. A outra está em estado crítico. A menina teve uma parada cardíaca e traumatismo no tórax, que a deixou em estado grave, porém estável.

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Foto: Divulgação / Lierj

Nota oficial da Lierj

“As ligas das escolas de samba do Rio de Janeiro estão abaladas e se solidarizam com a família de Raquel Antunes. A jovem menor subiu no carro alegórico fora do Sambódromo, na Rua Frei Caneca, no Estácio, após deixar a área de dispersão. Prontamente, em menos de dois minutos, ela foi socorrida e levada ao Hospital Sousa Aguiar, onde foi submetida a cirurgias. Equipes das Ligas e da Escola acompanham o caso na unidade hospitalar ao lado da família desde o primeiro instante e também colaboram com as autoridades. Nesse momento, é preciso esperar a apuração da perícia e autoridades para novos esclarecimentos”.

Análise da bateria do Sossego no desfile

A bateria Swing da Batalha de Mestre Laion se apresentou muito bem. Foi possível notar uma afinação de surdos privilegiada, que auxiliou na sustentação do ritmo, além de agregar valor sonoro junto das terceiras com bom balanço. As mesmas terceiras usaram duas macetas para preencher a musicalidade nas paradinhas. O complemento das peças leves ocorreu com solidez. Um naipe de tamborins com toque chapado, firme e com ótimo volume foi percebido. Agogôs, chocalhos e cuícas deram o auxílio correto e seguro no acompanhamento.

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As paradinhas tiveram grau de dificuldade elevado, além de complexidade musical, no que tange à sua concepção criativa. Bossas com apelo de interação popular tiveram ótimo aproveitamento, além de recepção positiva do público. Na paradinha do refrão do meio, os ritmistas abaixavam para cumprimentar a plateia, além de jurados, recebendo ovação popular.

Já na outra bossa iniciada no refrão principal, a bateria abriu o espaço do corredor, sendo realizadas danças xamânicas no meio do ritmo, agregando culturalmente ao enredo da escola. As apresentações nos módulos de julgadores foram realizadas corretamente, sendo recebidas com aplausos pelo público e com boa aceitação visual por parte dos jurados.

Análise da bateria da Unidos de Bangu no desfile

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A bateria Caldeirão da Zona Oeste (CZO) de Mestre Léo Capoeira fez um bom desfile. As caixas e repiques foram sustentados por marcadores precisos, além da notável boa afinação de surdos. O acompanhamento das peças leves foi realizado com qualidade sonora. Uma ala de tamborins com bom volume e desenho rítmico pautado nas nuances da obra casou bem com um naipe de chocalhos ressonante, propagando uma consistente sonoridade. Os agogôs complementaram o ritmo com toque baseado na melodia do samba.

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O conjunto de paradinhas apresentado pela bateria de Unidos de Bangu foi musicalmente irretocável. Uma concepção musical primorosa ficou destacada por uma bossa na segunda do samba que intercalava breques identitários da bateria da Mocidade Independente, além de uma retomada com a tradicional subida “cascavel” de chocalhos, batida de caixas da Não Existe Mais Quente e surdos tocando de forma invertida, para remeter a afinação da Mocidade. A produção sonora envolvendo a paradinha do refrão do meio também merece menção positiva. Foi possível perceber um toque de caixas remetendo a marchinhas, homenageando a bandinha do Bangu que historicamente toca em dias de jogos no estádio Moça Bonita.

A execução das bossas perante os julgadores ocorreu sem nenhum transtorno musical. Somente no último módulo, devido a problemas de evolução da escola, a apresentação acabou sendo rápida, mesmo assim dando tempo suficiente para fazer duas paradinhas próximo ao campo de visão dos julgadores.

Menina atropelada por carro alegórico está em estado grave

O primeiro dia de desfiles no Rio de Janeiro ficou marcada pelo triste acidente envolvendo um carro alegórico e Raquel Antunes da Silva, de 11 anos. A menina teve as duas pernas esmagadas entre um poste e a alegoria da Escola Em Cima da Hora, a poucos metros da saída da Marquês de Sapucaí. De imediato, a jovem foi socorrida no posto médico do Sambódromo, mas devido a gravidade, foi transferida para o hospital Souza Aguiar.

Menina fica gravemente ferida em acidente com carro alegórico e perde a perna
Foto: Reprodução /TV Globo

De acordo com o portal “G1.com”, os médicos disseram que a vítima perdeu uma perna e a outra está em estado crítico. O quadro de Raquel é grave, porém estável. Além disso, ela também teve uma parada cardíaca e traumatismo no tórax.

O Acidente

Testemunhas que estavam no local contaram para o portal “G1.com” a mãe e a menina estavam numa praça no Estacio, perto da Sapucai, lanchando. A jovem se afastou para olhar os carros alegóricos que estavam passando. De repente, a mãe foi avisada de que a filha tinha sido atropelada por uma alegoria e foi prensada contra um poste.

Visões Xamânicas do Sossego traz bom conjunto plástico em desfile com evolução fluida

O Acadêmicos do Sossego encerrou a primeira noite de desfiles do Grupo Especial já com o dia claro trazendo alegorias e fantasias em sua maioria com bom acabamento e muito bom gosto no uso das cores. A evolução da escola foi bastante fluida, sem correrias e sem muitas interrupções, com 48 minutos de desfile a bateria de mestre Laion já havia realizado sua apresentação no último módulo o que facilitou com que o Sossego terminasse sua apresentação brincando carnaval nos últimos metros de pista. Como ponto negativo, uma das alas, “Eu não Largo da Batalha”, trouxe componentes com roupa de baixo que não eram fantasias. O canto da agremiação também foi tímido, talvez justificado pelo cansaço gerado pelo atraso nos desfiles. Com o enredo “Visões Xamânicas”, o Sossego encerrou o primeiro dia de desfile fechando a apresentação com 53 minutos. * VEJA FOTOS DO DESFILE DO SOSSEGO

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Comissão de Frente

O coreógrafo Jardel Augusto Lemos apresentou na Avenida “o rito da viagem transcendental” que representava o ritual de transcendência do Xamã ao mundo espiritual. É a partir deste ritual que o herói desta fábula encontra os Xapiris (espíritos ancestrais) e estes lhes concedem as visões.  A coreografia trazia o encontro do herói da fábula com os Xapiris representados na fantasia em tons de roxo com uma caracterização que remetia a pássaros. Os componentes interagiam com um tripé representando Urihi, o lugar onde vivemos, a Terra. O ponto negativo foi justamente o elemento alegórico que ao contrário de boa parte do desfile do Sossego, deixava um pouco a desejar na questão plástica e acabamento. No segundo módulo de julgamento, uma folha da mão que surgia no tripé se descolou e parou próximo de onde o primeiro casal iniciava a sua apresentação.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal, Fabrício Pires e Giovanna Justo, representou “a dança dos Xapiris”,ancestrais que auxiliam os xamãs em suas jornadas espirituais. A experiente dupla optou por uma dança mais tradicional sem investir muito em fechamentos de passos mais coreografados. A leveza e o entrosamento do casal, o toque, foram o destaque. No segundo módulo, uma pequena folha do tripé da comissão de frente caiu quando o casal fazia sua apresentação e Fabrício teve que desviar, mas sem comprometer sua dança. Sobre a fantasia, o casal também trouxe os tons escuros do início da agremiação.

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Harmonia

A escola desfilou bem depois do que estava programado devido aos atrasos com a questão do acidente que aconteceu perto da dispersão após o desfile da Em Cima da Hora. Talvez isso possa ser levado em conta, mas o canto do samba foi tímido no geral, principalmente em relação às primeiras alas. Depois do segundo carro houve uma melhora com destaque para a ala “Cantos de esperança”, e “Promoverá visões da nova terra”.

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Enredo

O Acadêmicos do Sossego trouxe para a Sapucaí o enredo “Visões Xamânicas”  apresentando uma saga épica imaginada entre o presente e o futuro evocando um alerta de antigas profecias xamânicas de que a humanidade se encontra no colapso do planeta provocado por um sistema de ambição e consumo.  A fábula produzida pelo carnavalesco André Rodrigues chegou de forma clara a quem assistiu ao desfile, misturando realidade e ficção e deixando uma mensagem de preservação da natureza.  Dividido em quatro setores representados em visões, a escola trouxe no início “primeira visão: o que nós fizemos de Urihi?”, depois no segundo setor “segunda visão: a pajelança universal”, em seguida “terceira visão: descerá de uma estrela um índio guerreiro”, e por fim, no quarto setor “quarta visão: um novo dia virá”.

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Evolução

O Sossego fez uma evolução bastante fluida, linear, sem grandes interrupções, sem a formação de buracos e sem a percepção de alas emboladas. Com uma escola um pouco menor em termos de contingente e tamanho de alegorias, com 48 minutos a escola já havia terminado a apresentação da bateria no Setor 10, tendo tempo ainda de brindar o público que ficou até o final com uma evolução leve e muito alegre. Destaque para a ala “Cantos de esperança” que pulava bastante e mostrava integrantes sambando bastante.

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Samba-enredo

O samba-enredo funcionou muito bem na voz melódica de Nino do Milênio, e com uma andamento mais cadenciado produzido pela bateria Swing da Batalha de mestre Laion. Ainda que não tão cantado pela comunidade, os trechos de maior destaque eram o refrão principal, com maior evidência para o verso “Eu não Largo da Batalha ….Sossego”, o nome da escola era gritado em alguns momentos. O refrão do meio também se destacou em relação aos outros trechos.

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Fantasias

O carnavalesco André Rodrigues talvez tenha sido premiado com o dia raiando que evidenciou a boa escolha na utilização das cores. As primeiras alas que tocavam mais em uma representação da destruição do planeta utilizavam cores mais escuras como a primeira ala “Visões de batalhas”, em tons de roxo, preto e laranja, e a segunda ala “pedaços do céu”, com o preto e o rosa, desta vez. Os tons continuavam escuros até o início do segundo setor com a bateria de mestre Laion ““Tambores ressoam pelo vento” trazendo a África, berço da humanidade, o ponto de partida da experiência humana. E seguia com a ala “os povos gelados”, em um branco e azul claro, mais destacado pelo sol. O grande ponto negativo mesmo foi a ala “”Eu não Largo da Batalha” que trouxe componentes em roupas de baixo aparentes não carnavalizadas.

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Alegorias

Os elementos alegóricos do Sossego seguiram a lógica das fantasias e apresentaram uma sequência de cores bastante condizente com a temática do desfile. O carro Abre-Alas “Devoração do mundo” mostrou a primeira visão, apresentada pelos Xapiris ao pajé, que é a Terra em processo de destruição. Já a segunda alegoria “ Conexões espirituais – visões que se entrelaçam” representou os Xapiris estabelecendo uma conexão espiritual com os xamãs de diferentes origens e culturas, ali havia uma mudança para tons mais claros. Em seguida veio o tripé “Um índio entre as estrelas” que trouxe alegoricamente a chegada deste parente primordial, comum a todos os povos, revelando a tarefa recomendada por Omana para que o céu não volte a cair. Por fim, o terceiro carro alegórico “um novo mundo vai renascer” finalizou a parte alegórica com a terra renovada, o renascer de algo que nunca morreu, pois podemos preservar.

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Outros destaques

Um dos compositores, Marcelo Adnet, estava em êxtase no final do desfile cantando o samba e pulando junto com o presidente Hugo Júnior. A ala polinizadores traziam um véu no esplendor que dava um bonito efeito de movimento. Na bateria de mestre Laion, em um momento, os ritmistas abriam um espaço na pista e os indígenas que vinham logo depois representando guardiões, simulavam uma batalha com escudo e lança. A Velha-Guarda “Um novo dia virá” apresentou a mensagem profética de que ouvir e respeitar os mais velhos é condição primordial para salvar a vida na Terra. As baianas  “A Jurema tem a cura”representavam as folhas da Jurema, árvore sagrada, é que oferecem a cura para as enfermidades que hoje afligem a humanidade.

Marcelo Adnet lança primeiro samba enredo na Sossego

AdnetO comediante Marcelo Adnet, ao lado de outros compositores, escreveu o samba dá Sossego sobre o enredo Visões Xamânicas. Com passagem na São Clemente, escola onde auxiliou no processo de criação e desenvolvimento do enredo, o ator participou da produção do samba que a escola apresentou na madrugada desta quinta-feira. A agremiação foi a sexta agremiação a entrar na avenida e encerrar os desfiles do primeiro dia.

Após dois anos afastados do solo sagrado devido à pandemia, os sambistas ganharam a oportunidade de voltar à Marquês de Sapucaí. “Minha primeira impressão foi de muita emoção, ansiedade e suor frio. As emoções estavam completamente misturadas com a aproximação desse dia. Estava em casa com a minha família e saí em direção ao Sambódromo porque eu amo desfilar. É um lugar que eu me sinto à vontade e muito feliz por encontrar com as pessoas”, declara Adnet.

Receber a notícia da aprovação do samba e ver a comunidade cantar pode mexer com os sentimentos. “Quando estamos na plateia, a emoção vem. É impossível conter as lágrimas de alegria com o sucesso de um trabalho e a felicidade da escola”, opina Adnet sobre a sensação de retornar aos desfiles e cantar os sambas.

“Em 2020 realizei o meu sonho de escrever o meu primeiro samba enredo com muita dedicação, para estar nessa festa em harmonia, tudo isso por amor ao carnaval e ao samba”, comenta Adnet. O interesse pelos desfiles surgiu em casa com a família e o ator se orgulha do apoio que recebeu e dos caminhos que trilhou. “Eu sempre gostava de batucar quando criança, aprender novos instrumentos, esse meu interesse me trouxe até aqui”, finaliza Adnet que tem passagens na Gaviões da Fiel, Rosas de Ouro e outras escolas em São Paulo.

Fotos: desfile do Sossego no Carnaval 2022