O Acadêmicos do Salgueiro divulgou nesta quinta-feira em suas redes uma das fantasias que vai compor o seu desfile de 2026. A fantasia escolhida é a baiana, símbolo máximo da tradição das escolas de samba e peça central da homenagem que a vermelho e branco presta à carnavalesca Rosa Magalhães.
A divulgação acontece em um momento simbólico, no aniversário de Rosa Magalhães. A fantasia escolhida é uma releitura de um figurino criado por Rosa para o Salgueiro no Carnaval de 1990, ano do enredo “Sou Amigo do Rei”, que mergulhava no universo das cortes, tema que também dialoga com a narrativa do desfile de 2026. O novo figurino mantém o traço original da artista, agora atualizado com texturas contemporâneas, tecidos tecnológicos e recursos visuais do nosso tempo.
Segundo o carnavalesco Jorge Silveira, a escolha da baiana como primeira fantasia divulgada carrega um significado profundo. “Rosa tinha uma predileção especial por criar suas comissões de frente e, principalmente, sua ala de baianas. Ela é a maior detentora de Estandartes de Ouro na categoria de ala de baianas na história do carnaval. Para ela, a baiana é algo sagrado, precioso. Essa fantasia é uma forma de levar para a Marquês de Sapucaí o traço da professora, respeitando seu desenho original e, ao mesmo tempo, dialogando com a estética contemporânea”, afirma.
Como gesto de reverência, o Salgueiro “oferece” sua ala de baianas à sua comunidade e à carnavalesca, reafirmando que sua presença artística e sua influência seguem vivas na avenida. “É uma forma de dizer ao mundo do samba que Rosa está com a gente e que o traço dela vai desfilar conosco”, completa Jorge.
A fantasia foi vestida por Tia Glorinha, presidente da ala das baianas do Salgueiro, que viveu um momento de forte emoção ao participar da divulgação. Ela desfilou em 1990 com a versão original da baiana criada por Rosa Magalhães e não conteve a emoção. “É muito emocionante vestir novamente essa fantasia, dessa vez em uma nova releitura. É como voltar no tempo”, declara.
Com essa divulgação, o Salgueiro abre os caminhos de 2026, celebrando sua história, exaltando a força das baianas e reafirmando a herança criativa de uma das maiores artistas que o carnaval já conheceu.
A Unidos de Vila Isabel retornou nesta quarta-feira ao Boulevard 28 de Setembro para realizar seu primeiro ensaio de rua do ano, em preparação para o Carnaval 2026. Os componentes da Azul e Branca se reuniram para a retomada dos treinos com grande alegria, destacando-se o canto forte da comunidade, que anseia por um título após 13 anos. Com uma apresentação consistente da “Swingueira de Noel”, os diversos segmentos da escola se apresentaram muito bem durante o ensaio, como o casal Raphael e Dandara.
Fotos: Matheus Morais e Mariana Santos/CARNAVALESCO
Com o enredo “Macumbembê, Samborembá – Sonhei que um sambista sonhou a África”, a escola do Bairro de Noel vai contar a história de Heitor dos Prazeres, sambista e multiartista que foi uma das figuras fundamentais do samba no século passado. O enredo é desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora. A Vila Isabel será a segunda escola a desfilar na terça-feira de carnaval, terceiro dia de desfiles do Grupo Especial.
COMISSÃO DE FRENTE
Comandada por Alex Neoral e Márcio Jahú, a comissão de frente da Vila apresentou a coreografia que vem sendo mostrada em outras apresentações e ensaios de rua da agremiação. Os movimentos bebem nos gestos e danças das religiões de matriz africana, com passos bem demarcados, muitos movimentos de braços e quadris, além de um bom aproveitamento do espaço que o Boulevard oferece para a proposta do ensaio. Os bailarinos demonstraram mais segurança, executando os passos com mais força e precisão, apontando uma evolução consistente na coreografia.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Com uma apresentação muito clássica e segura, o casal Raphael e Dandara passou com tranquilidade durante o ensaio desta noite. Mantendo a dança já apresentada em outros treinos, o casal demonstra cada vez mais cumplicidade a cada apresentação. Os movimentos vieram com ainda mais segurança, como nos giros de Dandara e nos passos executados por Raphael, aliados aos gestos tradicionais de cortejo entre o par. Destaque também para a parte final da coreografia da cabine, relativa ao refrão principal da obra, quando entram os gestos de Oxum e Xangô na dança do casal, respectivamente Dandara e Raphael, marcando a espiritualidade e a ancestralidade do homenageado.
SAMBA E HARMONIA
O povo de Noel cantou forte, comandado por Tinga, no retorno ao chão do Boulevard, com destaque para os refrões e a segunda parte do samba, a subida, a partir de “De todos os tons, a Vila negra é”. Demonstrando vigor neste primeiro ensaio do ano, o intérprete da Vila reafirma o domínio do samba para o próximo carnaval, em conjunto com o carro de som da agremiação, que também mostrou muita segurança com a obra de 2026. Juntos, apresentaram um ótimo desempenho nesta noite de treino.
“Nossa escola está feliz demais. Nossa comunidade… sem palavras. Acho que é só fazer isso na avenida, chegarmos lá com toda humildade, mas buscando o nosso sonho sempre. A gente vem trabalhando bastante para chegar no dia do nosso desfile, e dar conta do recado. E, se Deus quiser, se consagrar campeã do carnaval. Nós vamos trabalhar muito até lá, e a comunidade toda está de parabéns. A gente está se preparando bastante para tudo. O trabalho continua, sem descanso”, declarou Tinga.
EVOLUÇÃO
O povo do samba fluiu muito bem pela 28 de Setembro, demonstrando leveza e energia na retomada dos ensaios de rua neste 7 de janeiro. Com os componentes animados e soltos em diversas alas, a escola colaborou para um clima de fluidez, sem correr ou parar por muito tempo. Algumas alas apresentaram bem a coreografia do refrão do meio, mantendo o ritmo de desfile e seguindo com tranquilidade após a execução.
“É um enredo que a gente vem trabalhando há meses, trazido pelo Gabriel Haddad, o Leonardo Bora e o Vinícius Natal. Um enredo que resgatou a Vila Isabel, e que veio para coroar esse ano de 2026. Todo dia a gente lapida um pouco. Seja dentro do barracão, cuidando das alegorias, sentando e discutindo internamente com o Macaco Branco, com o Tinga. Principalmente com a harmonia, o que a gente pode evoluir na evolução, no canto da escola. Para quando chegarmos aqui na 28 de Setembro, botar em prática tudo o que planejamos a semana inteira. Amanhã tem reunião marcada com todo mundo, para pontuar os positivos e negativos, para já trabalhar internamente para, na próxima quarta-feira, estarmos melhores do que hoje. Dentro do barracão, a mesma coisa. Nós fazemos reunião diariamente, para saber o que pode melhorar. Para ter o melhor adereço, para ter o melhor acabamento nas fantasias. Para botar o melhor carnaval na Marquês de Sapucaí”, afirmou Moisés Carvalho, diretor de carnaval.
OUTROS DESTAQUES
A “Swingueira de Noel” deu um show à parte, dialogando muito bem com a ala musical da Vila, sob o comando de mestre Macaco Branco, mostrando domínio do samba de 2026 e executando com precisão as bossas pensadas para a obra. A rainha Sabrina Sato esteve presente e desfilou à frente da bateria com muita alegria, contagiando o público que acompanhou mais um ensaio da Vila.
Mestre Macaco Branco falou com o CARNAVALESCO sobre o primeiro ensaio de rua da escola em 2026 e sobre o enredo que a agremiação levará para a Sapucaí.
“Foi maravilhoso. Esse samba é muito mágico, e tudo que começa muito bem tem grandes chances de terminar muito bem. Começamos com um enredo fantástico e tivemos a honra de ter um grande samba, que, se não é o melhor do carnaval, é um dos melhores, com todo o respeito a todos. Ele faz a gente vibrar, ser feliz e não querer parar de cantar jamais. A bateria está muito feliz com esse enredo e com esse samba maravilhoso, que a cada ensaio se torna ainda mais mágico, a ponto de não dar vontade de parar de tocar.”
Panorama geral: após a apuração de 2025, muito se falou sobre eventuais mudanças no regulamento do Carnaval de São Paulo – sobretudo a respeito da importância (para muitos exagerada) da pasta entregue aos jurados. A grande expectativa é para ver se o que foi muito falado será executado – e isso, é claro, só será conhecido na terça-feira. O Anhembi com uma grande reforma também é um ponto que merece destaque em relação à expectativa criada nos sambistas. Por fim, a ótima safra de sambas-enredo, a estreia de uma agremiação no pelotão de elite e a situação de pavilhões gigantes da folia paulistana também valem menção. Absolutamente todas as escolas têm um desafio e algo a provar – o que dá apenas mais molho à disputa.
Rosas de Ouro: Quinze anos depois, a Brasilândia voltou a conquistar a taça com um desfile irrepreensível – com “Rosas de Ouro em Uma Grande Jogada”. Para a Roseira, o desafio é mostrar que o título não foi à toa. O enredo “Escrito nas Estrelas”, por sinal, guarda muitas semelhanças com a apresentação campeã no ano anterior: um enredo lúdico e aberto, que possibilita uma infinidade de possibilidades; um samba-enredo que não caiu nas graças da bolha carnavalesca paulistana; e a manutenção de boa parte da equipe que sagrou-se campeã. Com o peso do pavilhão oito vezes campeão do Grupo Especial, é impossível duvidar da força azul e rosa.
Acadêmicos do Tatuapé: Após a penalização de 2022, a azul e branca começou a escalar – foi quarta em 2023, terceira em 2024 e segunda em 2025. Pela progressão na tabela, 2026 é ano de título. Com quesitos que são certeza de nota máxima (a Harmonia da agremiação é um desbunde e o Casal Foguinho já está na lista de melhores casais da história do Carnaval de São Paulo), a escola precisa, mesmo com um ótimo histórico recente de desfiles, vencer a desconfiança que o samba-enredo campeão trouxe – canção que recebeu críticas mistas entre quem acompanha a folia paulistana. O enredo sobre a agricultura com um viés mais social, por outro lado, foi muito celebrado. Outro ponto de curiosidade é a “Qualidade Especial“, que terá mestre Cassiano pela primeira vez no comando.
Gaviões da Fiel: Os dois últimos anos mostraram que a “Torcida Que Samba” está de volta à briga pelo título. Pelo segundo ano consecutivo, a agremiação acertou na escolha do samba-enredo – em uma temática indígena que é sempre um desafio para uma escola que não usa verde. Os dois décimos perdidos no cômputo geral em samba-enredo no ano passado seguem inconcebíveis, mas a escola do Bom Retiro mostrou ter força nos demais quesitos para brigar pela taça do jeito que for. Com a manutenção de boa parte da equipe somada a tudo que foi dito até aqui, é impossível não colocar a alvinegra como uma postulante real ao título. O desafio da agremiação para 2026 é manter o altíssimo nível atingido e saber como lidar com o incômodo e longuíssimo jejum no Grupo Especial, que chegou a 23 anos.
Fotos: Gustavo Lima e Will Ferreira/CARNAVALESCO
Mocidade Alegre: O que fazer depois de um 9.7, que não era dado à escola desde 2017? O desfile de “Quem Não Pode com Mandinga, Não Carrega Patuá” não trouxe o terceiro tricampeonato da Morada do Samba e teve alguns pontos negativos visíveis, mas mostrou que, no conjunto, a escola do Limão segue fortíssima. Tanto enredo quanto samba foram muito bem recebidos pelos sambistas de São Paulo – e isso se fez presente na ótima safra de obras nas eliminatórias, que teve uma final para lá de disputada. Desde cedo o tema em homenagem a Léa Garcia foi feito com muito requinte, apresentado em teatro e de fato abraçado pela comunidade – um hino que une a ancestralidade africana com exaltação a carreira da artista. O quesito Evolução, que não era despontuado na agremiação desde 2020, custou meio ponto no geral e dois décimos no saldo final da apuração de 2025 – tornando-se o grande desafio para uma correção em 2026.
Camisa Verde e Branco: Entre os sambistas paulistanos, a pergunta que mais se fez entre março e setembro foi “E o Camisa, hein?”. Em um imenso imbróglio jurídico, o Trevo foi lançar enredo e samba enquanto outras coirmãs já estavam fazendo ensaios há semanas. A questão é que pavilhão gigante sabe se acertar na hora certa: “Abre Caminhos” foi muito bem recebido e a canção, para muitos, é o melhor samba-enredo de 2026. Fechar o carnaval é uma responsabilidade gigante e a quinta colocação da escola foi recebida com muita surpresa por muitos – o que, na realidade, mostra o quão competente é o Camisa ao interpretar o regulamento. Por tudo que aconteceu, de maneira bastante contraditória e com uma dose de caos (tal qual Exu, orixá homenageado em 2026), é justo dizer que, mesmo com toda a pressão, o simples fato de conseguir colocar a Barra Funda no Anhembi já é uma grande vitória em um ciclo carnavalesco que começou tão adverso.
Dragões da Real: Desde quando chegou ao Grupo Especial, todas as vezes em que a Vila Anastácio ficou de fora do Desfile das Campeãs um ciclo foi finalizado. A sexta colocação em 2025, claramente, foi o sinal de que algo precisava mudar – o que não necessariamente implica em trocas de nomes na equipe. Saíram de cena os enredos mais amplos e, com uma temática indígena fortíssima, o samba sobre as guerreiras icamiabas foi muitíssimo bem recebido pelos sambistas paulistanos. Um dos quesitos em que a agremiação foi despontuada, porém, precisa ser corrigido com urgência em mais uma temporada em que tudo indica que a Dragões será candidata ao título: desde 2017 a escola não gabarita (ou seja, tira apenas notas dez) em Alegorias.
Águia de Ouro: Após chegar ao penúltimo quesito na liderança da apuração de 2025 e terminar a leitura das notas fora até mesmo do Desfile das Campeãs (bem em Evolução, que sempre foi garantia de nota na Pompeia), a escola teve uma importantíssima mudança: o histórico mestre Juca saiu do comando da Batucada da Pompeia depois de 34 anos, sendo substituído pelo também torcedor do Águia de Ouro mestre Rodrigo Moleza. O enredo patrocinado sobre Amsterdam foi recebido com surpresa, e o samba-enredo polarizou ainda mais a opinião da bolha carnavalesca: alguns amam a irreverência e o ar noventista da obra, enquanto outros lamentam a escolha mais popular da agremiação. Apesar da dicotomia, há um desafio ainda maior: há anos com João Carlos Camargo, que faleceu, a agremiação teve que contratar um novo mestre-sala Alex Malbec para bailar com Monalisa Bueno – e uma nova parceria sempre requer atenção na primeira temporada juntos.
Estrela do Terceiro Milênio: O Grajaú, pela primeira vez, estará representado duas vezes consecutivas no Grupo Especial. E, para manter a consolidação na elite, Paulo César Pinheiro foi escolhido como enredo. O samba-enredo é elogiado, a comissão de frente é bicampeã do Estrela do Carnaval, Arthur Santos e Waleska Gomes estão consolidados como primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, o quinto horário de sábado é um dos que mais faz campeãs em São Paulo… as expectativas são grandes, mas é importante destacar a mudança bem no principal posto de uma escola de samba. Mesmo com a experiência de ter sido o mandatário da Coruja entre 2016 e 2022, o retorno de Gilberto Rodrigues, o Giba, à presidência da Milênio transforma-se em um desafio não pela capacidade, mas pela mudança.
Foto: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO
Vai-Vai: O ano de 2025 foi ainda mais intenso para a eterna efervescente maior campeã do Carnaval paulistano. O segundo desfile esteticamente questionado foi apenas o início de uma temporada em que a agremiação também teve a conturbada saída de Sidnei França, opiniões divididas a respeito do patrocinado enredo sobre a cidade de São Bernardo do Campo e um samba-enredo que, se não figura na lista dos mais aclamados, ao menos ganhou força graças aos fortes refrãos. Se estreias sempre são sensíveis, os bastidores do Vai-Vai fazem com que a chegada de Pedro Trindade e Mirelly Nunes ao posto de primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Saracura passe longe de ser o principal desafio da agremiação.
Fotos: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO
Colorado do Brás: Após o rebaixamento por conta de uma penalização alheia aos quesitos em 2022 (e que lhe daria a melhor colocação da agremiação desde 1987 no respectivo ano), a escola mostrou o motivo pelo qual é conhecida por interpretar bem o regulamento. Sem sofrer na apuração e com uma abertura de desfile empolgante em 2025, desfilar um pouco mais cedo virá bem a calhar para a instituição. O celebradíssimo enredo sobre bruxas gerou um samba-enredo que também agradou, mas que mostrou no minidesfile ter uma segunda estrofe mais longa que o normal, exigindo soluções da Harmonia e da ala musical – tarefa que fica bem mais fácil quando a obra tem qualidade, como é o caso da canção que embalará o desfile de “A Bruxa está Solta – Senhoras do Saber Renascem na Colorado”.
Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO
Império de Casa Verde: O ciclo do Carnaval de 2025 do Tigre começou com um enredo celebrado, um samba criticado e um desfile que rendeu o pior resultado da escola desde 2012. Foi, certamente, a agremiação que mais mudou nomes na elite da folia paulistana: Patrick Vicente e Sofia Nascimento chegaram para o posto de primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Sergio Cardoso chegou para comandar a comissão de frente, Tiago Nascimento subiu para o microfone principal ao lado de Tinga e Fabinho LS tornou-se presidente da instituição. Se a renovação deu o tom no Império, a repetição da receita dos desfiles arrasa-quarteirão de 2023 e 2024 voltaram: o enredo sobre balangandãs foi bem recebido, tal qual o samba. Se as diversas mudanças são desafiadoras para uma escola que adora o gigantismo, a transformação pode ser a força do Tigre para retomar o protagonismo.
Barroca Zona Sul: O samba do ano no Estrela do Carnaval 2025 entrou para a história da folia paulistana, mas o desfile cheio de incidentes levou a verde e rosa para a rabeira da tabela. Apesar disso, a fórmula das últimas apresentações foi mantida: um enredo sobre um grupo minoritário. Mais do que isso: se, em 2025, a Faculdade do Samba trouxe Iansã para o Anhembi, em 2026 o enredo é Oxum. A grande mudança é a chegada de Rafael Tinguinha para duplar com Dodô Ananias no microfone principal da instituição em um samba, novamente, belíssimo. A canção, entretanto, traz um grande desafio para o Barroca: desfilar com uma obra que foca na melodia (e não na explosão, como o samba de 2025) logo após a escola de maior torcida em São Paulo (instituições desportivas à parte) e fechando a noite (sendo que a agremiação está acostumada a desfilar nos primeiros horários) é algo que enche os foliões de curiosidade.
Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO
Tom Maior: De volta ao Grupo Especial, tudo indicava que a escola navegaria em mares tranquilos em 2026 por conta da força no quesito a quesito da agremiação – que a fez, por exemplo, ter pontuação de campeã em 2022. O enredo sobre Uberaba com foco em Chico Xavier gerou um samba-enredo que, graças ao que aconteceu com Gilsinho, ganhou novo significado e nova força em relação à comunidade. Ainda em relação à canção, a agremiação ganhou um novo componente em seu carro de som: o intérprete Leozinho Nunes, de grande trajetória no Rio de Janeiro, fará a sua estreia no carnaval paulistano. Entretanto, há um calcanhar de Aquiles no mapa de notas da agremiação do Sumaré: desde 1996, a agremiação não consegue gabaritar o quesito Evolução quando está no Grupo Especial.
Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO
Mocidade Unida da Mooca: Demorou bem mais do que deveria (o não-acesso da escola em 2020 é uma aberração), mas a MUM, enfim, está no Grupo Especial de São Paulo. Para vencer a conhecida má-vontade dos jurados com escolas que aparecem pela primeira vez na elite (desde 2012 uma agremiação que chega ao topo não permanece em tal agrupamento), a Mooca se antecipou em tudo. Foi a primeira a anunciar enredo e samba. Mais do que isso: a escola foi à rua pela primeira vez em agosto, mostrando uma celeridade nunca antes vista no Carnaval paulistano. Se outras escolas mudam boa parte da equipe ao chegar no primeiro grupo, a ordem na Mocidade Unida da Mooca foi a manutenção dos quadros: Jefferson Gomes e Karina Zamparolli seguem como primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, mestre Dennys permanece à frente da Chapa Quente e o microfone principal da escola manteve Gui Cruz e Emerson Dias, mas ganhou a adição da elogiada Sté Oliveira – que apenas subiu um posto, já que era do carro de som mooquense.
Em seu segundo ano como cantor oficial do Salgueiro, Igor Sorriso faz um balanço positivo da trajetória na escola e projeta um Carnaval 2026 ainda mais forte. Em conversa com o CARNAVALESCO, ele destacou a evolução do trabalho, o entrosamento com a ala musical e a confiança no samba-enredo que a escola levará para a Marquês de Sapucaí. Segundo o intérprete, o amadurecimento é fruto do tempo e da construção coletiva.
Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO
“Sinto que estamos em evolução. A gente vai entendendo mais como é a escola, e estou tendo um entrosamento muito bom com toda a ala musical, sobretudo com a direção musical do Alemão. Estamos felizes e trabalhando muito para evoluir e entregar um trabalho ainda melhor em 2026”, afirmou.
Sobre o desempenho do samba deste ano, Sorriso aposta no crescimento ao longo da temporada. Para ele, a obra tem características que dialogam diretamente com o público. “Esse samba está numa crescente. As pessoas vão se envolvendo… é um samba leve, fácil, muito popular. Acredito muito no potencial dele e que vai dar conta do recado na Sapucaí”, disse, confiante.
Questionado sobre a avaliação dentro do quesito Harmonia, Igor encara o julgamento com naturalidade e senso de responsabilidade. “Acho normal. A gente faz parte de um processo em que a escola busca a excelência para ganhar um carnaval. O intérprete é uma engrenagem importante e precisa ser julgado, sim, com coerência e embasamento, para ajudar a escola a conquistar o título”, analisou.
A parceria com o diretor musical, Alemão do Cavaco, também foi exaltada pelo cantor, que destacou a sintonia construída no dia a dia.
“Tem muitas coisas que vocês não veem. O Alemão não só faz arranjo e introduções, ele orienta, ajusta, pensa junto. Dei total liberdade para ele me ajudar ainda mais, porque isso facilita muito o meu trabalho”, revelou.
Outro ponto que vem chamando atenção nos ensaios é a presença do violino, comandado por Mateus Soares. Igor não poupou elogios ao músico. “O Mateusão é fera, muito experiente. Chegou somando bastante, dando aquele temperinho que faltava, aquele ‘caldinho’ a mais no samba”, brincou.
Dividindo a rotina entre Rio de Janeiro e São Paulo, o intérprete falou sobre os desafios de defender grandes escolas em diferentes praças. “É muito trabalho, muita água, muito sono, muita dedicação e empenho. E agradecer a Papai do Céu pela oportunidade de defender duas das maiores escolas de samba do Brasil”, destacou.
Por fim, Igor Sorriso resumiu o sentimento de ser a voz principal do Salgueiro em três palavras: alegria, responsabilidade e satisfação. “É uma escola incrível. Estar aqui na Conde de Bonfim, com chuva fina e o povo presente, mostra o que é o Salgueiro. A gente está muito feliz de fazer parte desse momento”, concluiu.
Capitão Guimarães esteve presente no último dia de desfiles do Dia Nacional do Samba, em 30 de novembro, e conversou com o CARNAVALESCO sobre o momento vivido pela Vila Isabel em sua preparação para o desfile de 2026, com destaque para o samba da escola, além de comentar como enxerga a nova gestão da Liesa.
O dirigente comentou sobre o momento da Vila, apontado por muitos como um período bastante forte da agremiação, mas destacou que as doze escolas do Grupo Especial vivem uma fase de grande força em seus sambas e enredos. Ressaltou ainda que o evento do Dia Nacional do Samba auxilia na divulgação das obras e na união das comunidades, funcionando como uma primeira prévia do espetáculo que acontecerá em fevereiro, na Sapucaí, além de ser um momento inicial para observar a competitividade entre as escolas.
Foto: Matheus Morais/CARNAVALESCO
“Não é a Vila que está forte; fortes estão as 12 escolas, e carnaval é no dia. Hoje, aqui, é a prévia da prévia. É para divulgar um pouco o samba, para juntar as comunidades, as escolas também começarem a corrigir os defeitos que, porventura, tenham. É sucesso absoluto porque o povão está aqui. O desfile de escola de samba é um evento único, porque é o único espetáculo que não tem ensaio geral. Tudo acontece, ou deixa de acontecer, no dia. Por mais que você ensaie na rua, não tem alegoria, não tem fantasia; só no dia que você vai ver. A Vila está junto com as outras coirmãs. Esses anos todos, desde a administração do meu filho, estamos tentando. Levamos reforços também para a escola, apoios como Marcelo Astuto e o Iuri, e a função da Vila é fazer um grande desfile. Agora, resultado, só na Quarta-feira de Cinzas”, afirmou.
Sobre o samba da Vila Isabel, Capitão Guimarães destacou que se interessou pela obra ainda na Pedra do Sal, mas reforçou que todas as escolas do Grupo Especial possuem grandes sambas para entrar na Avenida em 2026. Ele lembrou que o samba se prova na pista, mas disse confiar no talento dos compositores André Diniz, Evandro Bocão e Arlindinho, fazendo referência aos sambas históricos dos dois primeiros pela escola do bairro de Noel.
“Eu ouvi na Pedra do Sal a primeira vez e achei um samba valente. Como as outras coirmãs, todas também têm grandes sambas dentro do seu enredo. Aí vai depender da preferência popular”, destacou.
Por fim, Capitão Guimarães comentou sobre a nova gestão da Liesa, ressaltando que ela vem trazendo novas ideias e aprimorando iniciativas já deixadas por outros nomes, como ele próprio, Jorge Castanheira e Jorge Perlingeiro. Para o dirigente, esse processo evidencia a renovação vivida pelas escolas com a chegada de uma nova geração à frente da entidade.
“Nós escolhemos uma nova geração para administrar a Liga e trazer novas ideias. Fiquei muito tempo lá, já estou na descendente, e é preciso colocar a juventude, como o Pedro, vice-presidente, o João (Drumond), o Gabriel (David) e o Luiz (Guimarães), que está no departamento social. A Liga renovou seus quadros, e tomara que essa administração tenha sucesso como outras tiveram. Isso aqui (minidesfiles), por exemplo, é um aprimoramento do que começamos. Os ensaios, tanto na Avenida quanto aqui, já tinham começado lá atrás. Eles estão aprimorando, e está dando certo”, finalizou.
Há um clima novo no ar de Oswaldo Cruz e Madureira. Carregada no dendê e na leveza, a Portela vive um novo momento nos preparativos para o Carnaval 2026. No último domingo, mesmo debaixo de chuva, a comunidade portelense compareceu em peso ao ensaio, com canto afiado e muita energia. Além disso, as refeições para componentes nos ensaios durante a semana e os planos de saúde para a Velha Guarda são novidades que trazem frescor para a escola. Em conversa com o CARNAVALESCO, os segmentos falam sobre as diferenças em comparação ao último carnaval, o ritmo de trabalho e a união como pilares do novo momento da comunidade.
O diretor de harmonia, Julinho Fonseca, comenta sobre a diferença no espírito da comunidade para o Carnaval 2026, em contraste com o último ano.
Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval
“Sinto a comunidade feliz, cantando… Hoje, no primeiro ensaio do ano, debaixo de chuva para lavar mesmo a nossa alma, e a gente poder seguir 2026 firmes e unidos. A escola está muito unida, e era isso que estava faltando. E podem apostar: é uma Portela modificada, feliz e contente com o que está fazendo”, afirmou.
Para o intérprete Zé Paulo Sierra, as decisões da nova diretoria e o foco no trabalho demonstram a garra da escola.
“Acho que o Junior tem tomado decisões muito certas, hoje foi uma delas. A gente não pode cancelar o ensaio. É claro que a gente preza sempre pela integridade do nosso componente, né? Ontem a gente teve feijoada lotada, hoje a gente está aqui na rua, quarta-feira tem ensaio novamente… a gente não para”, afirmou o cantor.
Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval
Segundo o mestre Vitinho, a união da escola em prol da vitória já é marca do Carnaval 2026.
“Nós somos realmente uma família reunida. Então é muito bacana estar vivendo esse momento aqui dentro, em que a escola agora está com vontade de vencer. Sempre o presidente está unindo os segmentos, está levando a gente ao barracão. Ouve todos os segmentos, o que pode melhorar, o que seria legal para a escola, pede ideias. Isso é muito bacana, porque é um grupo, uma família pensando junto para chegar e vencer juntos”, disse.
O trabalho do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira do Paraíso do Tuiuti segue em ritmo intenso e consciente. Vinícius Antunes e Rebeca Tito, que estreiam como casal na função, avaliam de forma positiva o processo até aqui e reforçam que a construção do desfile passa por ajustes finos, disciplina diária e muito diálogo. Ao falar sobre o balanço do trabalho desenvolvido até o momento, a dupla destaca que o caminho percorrido tem sido sólido. A preparação física, acompanhada de perto por profissionais, e o desenvolvimento técnico caminham juntos.
Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
“Como somos um novo casal, é preciso lapidar e aperfeiçoar a coreografia para ter um ótimo rendimento na avenida. É bastante ensaio, pois o principal já foi construído ao longo desse tempo”, afirma Rebeca.
Pensando nas cabines de julgamento, Vinícius Antunes e Rebeca Tito explicam que as mudanças fazem parte do processo. A coreografia ainda passa por ajustes, principalmente, porque a dança feita na quadra ou na rua não é a mesma executada com a fantasia.
“A todo momento temos trocas. Ensaiar com a roupa comum é completamente diferente de quando estamos de fantasia. Até a chegada do nosso figurino, vamos precisar ter mudanças, e é um momento natural da preparação”, explica Vinícius.
Estrear juntos como primeiro casal carrega, naturalmente, um peso simbólico importante. Para eles, a responsabilidade é grande, mas a vontade de acertar é ainda maior. O planejamento, os treinos diários e as metas traçadas ao longo dos meses são vistos como ferramentas fundamentais para alcançar um desfile consistente e competitivo.
“Sabemos que a responsabilidade é grande, mas o propósito e o planejamento são maiores que tudo. A gente visa aos treinos e ensaios, corrige, erra e faz tudo de novo para conseguir realizar um ótimo desfile na Sapucaí”, comenta Vinícius ao demonstrar determinação nesta estreia do casal.
Quando o assunto é a tão sonhada pontuação máxima, a resposta vem sem rodeios: disciplina. O casal afirma com clareza que sustenta o trabalho técnico e emocional necessário para defender o pavilhão da escola.
“A busca pela pontuação máxima é bastante treino e ensaio, mas, antes de tudo, disciplina”, esclarece Vinícius, enquanto demonstra alegria e ansiedade para o grande dia.
O respeito e a admiração mútua também aparecem com força. Rebeca não esconde o encantamento pelo bailado de Vinícius, a quem define como um profissional exemplar e um parceiro real dentro e fora da dança. Para ela, a confiança construída rapidamente é um dos pilares dessa dupla.
“Antes mesmo de ser a primeira porta-bandeira, eu já tinha admiração e carinho pelo trabalho do Vinícius. Sempre que tinha a oportunidade de ter uma troca com ele, eu enaltecia a dança deste mestre-sala. Excelente profissional, sou apaixonada pelo bailado dele! E, em forma pessoal, criamos uma conexão muito rápida que se transformou nesta linda amizade”, enaltece Rebeca sobre o trabalho que está construindo ao lado de Vinícius.
Vinícius, por sua vez, retribui os elogios e afirma que sempre admirou Rebeca, mesmo antes de dançarem juntos. Para ele, a porta-bandeira vive o momento certo de assumir o posto, com disciplina, foco e uma energia contagiante que fortalece a parceria.
“A Rebeca é muito talentosa, o carnaval todo já sabia disso. Já estava na hora de ela assumir esse posto, pois a dança e o bailado da Rebeca sempre foram de se admirar. Formamos um casamento ótimo. Trocamos nossa ótima energia, gingado, e é só sucesso”, diz Vinícius sobre a estreia da Rebeca.
Na reta final, controlar a emoção passa a ser um dos maiores desafios, especialmente para Rebeca, que fará sua estreia como primeira porta-bandeira. A estratégia é clara: segurar o sentimento no início e deixar que ele venha apenas ao final do desfile.
“A emoção existe, eu me controlo bastante e evito comentar antes dos ensaios para não tomar conta antes da hora. Mas, quando encerra o desfile, me sinto livre para chorar à vontade”, cita Rebeca.
Com sintonia, entrega e consciência do papel que representam, Vinícius Antunes e Rebeca Tito Antunes seguem construindo, passo a passo, um primeiro casal alinhado ao que o Paraíso do Tuiuti espera para o carnaval.
A nova gestão da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP), eleita no dia 14 de abril de 2025, busca inovar em diversas ações em prol do universo do carnaval paulistano. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Renato Remondini, popularmente conhecido como Tomate, presidente da instituição, detalhou atividades e novidades ligadas à entidade que organiza os desfiles dos três principais grupos de escolas de samba na maior cidade da América Latina.
Um dos pontos abordados por Tomate na entrevista foi o minidesfile. Uma das tantas novidades reveladas pela Liga-SP na Semana Turbo foi relativo ao maior evento do pré-carnaval paulistano. À reportagem, Tomate fez uma analogia com a escola que preside para falar sobre a visão da entidade sobre o evento.
“O minidesfile é um sucesso consolidado. No ano passado, nós trouxemos aquela novidade do carro de som incrementamos mais ainda. Tem coisa que você não precisa mexer muito porque já é sucesso. O que é bom, às vezes, é bom não mexer muito para não dar errado. O principal objetivo do minidesfile é dar mais conforto e um atendimento melhor para o sambista. Esse o nosso principal desafio enquanto minidesfile”, destacou.
Tomate revelou que existem planos para levar o minidesfile para outro conhecidíssimo local ligado ao carnaval paulistano.
“Tínhamos uma ideia de migrar para a avenida já para a edição de 2025, mas as coisas estão acontecendo tão rápidas na Liga-SP e a gente preferiu dar uma segurada. Queremos dar sempre um atendimento melhor ao sambista – até dentro do nosso projeto ‘Liga-SP de Portas Abertas’, para o sambista se sentir respeitado”, contou, aproveitando para falar de outra iniciativa da instituição.
Corte
Até 2025, a Corte do Carnaval de São Paulo era eleita em um evento organizado pela São Paulo Turismo (popularmente conhecida como SPTuris), empresa oficial de turismo e eventos da cidade. A partir de 2026, entretanto, a Liga-SP assumiu.
Tomate resumiu o sentimento do sambista paulistano: “A gente corrigiu o ciclo de escolha da corte. A ideia foi valorizar a Corte, estar com cada vez mais samba incluso. Incomodava muito o sambista de São Paulo. O concurso estava, vamos dizer, desprestigiado. As escolas não participavam e a reverteu isso. A ideia foi resgatar e valorizar esse concurso que tem tanta importância para o carnaval”, comentou.
Clipes
No PodCarnavalesco, Tomate destacou que os custos para fazer a gravação oficial dos sambas-enredo era bastante oneroso para a Liga-SP. Mesmo assim, o produto foi realizados e recebeu muitos elogios. Uma das tantas motivações para que isso acontecesse é algo que está no perfil de Renato Remondini.
“Eu adoro ser desafiado! Eu realmente adoro. O que mais me motiva é ser desafiado. Eu digo isso até em resultado de carnaval: quando a gente toma uma porrada na apuração, quando a gente tem um resultado que a gente não esperava ou não merecia, quando o resultado não é o que o povo viu, eu falo que eu vou fazer melhor ainda do que eu fiz. A gente está fez um audiovisual maior ainda, com mais gente participando. Nós aumentamos o número de bateria, aumentamos o número de elenco para as pessoas poderem participar. A gente também leva isso para dentro da Liga-SP. Os presidentes, falo todos, pela gestão colaborativa, estão participando”, disse, fazendo uma analogia com a Dragões da Real, onde ele é o presidente.
Finanças
Tomate, aliás, aproveitou para pontuar que, apesar do alto valor de investimento, a gravação dos clipes é de vital importância.
“Esse ano foi muito difícil financeiramente para a Liga-SP: a gente acabou desembolsando um valor muito alto para a infraestrutura do carnaval e isso acabou nos descapitalizando. A gente não podia deixar de fazer um produto tão maravilhoso como foi no ano passado – e, melhor ainda, incluir o Grupo de Acesso II. Se a gente fala que a gestão é colaborativa, é inclusiva, que a Liga-SP é acolhedora, é isso e é aquilo, a gente tem que colocar isso em prática”, afirmou.
Diretor artístico da Mocidade Independente, George Louzada conversou com o CARNAVALESCO sobre as apresentações realizadas na final de samba-enredo da escola e na “Noite dos Enredos”, destacando como foi a inspiração para a montagem dos shows e o trabalho em equipe da escola para a realização dos mesmos.
Foto: Matheus Morais/CARNAVALESCO
George Louzada começou falando sobre o show da escola na final de samba-enredo, pontuando que as inspirações vieram durante sua última turnê pela Europa e destacando o trabalho que é conduzido por ele, mas em conjunto com diversos segmentos e departamentos da Mocidade, como as direções de carnaval e harmonia, passistas, comissão de frente e os casais, com o diretor reforçando que é o trabalho coletivo que dá o bom resultado apresentado.
“Eu recebo muitas inspirações e muito desse show foram inspirações que eu tive na minha última turnê, onde fiquei três meses fora e respirei outras culturas, outras danças, e voltei com esse show praticamente pronto. Rolou muita pesquisa, muitos vídeos, e estamos trabalhando nessa final há quase um mês, ou um pouco mais. As ideias vão surgindo, acontecendo, a escola me dá total liberdade, o que deixa tudo muito mais leve, e agradecemos por toda essa repercussão”.
George destacou que o processo criativo para montar a apresentação da “Noite dos Enredos” seguiu por um caminho muito único. Enquanto montava um show em Paris, assistiu a um espetáculo que o inspirou e o fez pensar em como abordar Rita na apresentação da Cidade do Samba, ressaltando que foi um processo criativo diferente para ele e que ajudou um pouco na preparação do show da final de samba da Mocidade.
“A Noite dos Enredos foi um processo criativo até bem diferente. Eu já vinha me perguntando como eu ia falar de Rita, e eu estava em Paris e assisti a um espetáculo lá em que o centro tinha várias versões dela. Achei legal e pensei: acho que vou puxar isso da Rita — a Rita pop, a Rita rock, a Rita da vanguarda. A linha de criação partiu dali e as coisas depois foram acontecendo, e eu tinha que dar uma tradução nisso para linkar com o carnaval. E aí eu inseri a minha ala de passistas, o casal de mestre-sala e porta-bandeira. Foi um processo criativo em que eu estava longe, mas, ao mesmo tempo, com esse contato direto com a minha equipe e com a direção da escola, eu consegui montar isso à distância”, afirmou.
Louzada também comentou sobre o trabalho em torno da final, pontuando que foi um esforço conjunto, no qual precisou de diversos segmentos para realizar o pensamento artístico em torno do enredo sobre Rita Lee, integrando diferentes pontos da escola para fazer a engrenagem do show girar com perfeição.
“No show da final não teve muito do Renato, mas a gente pede opinião para ele sobre o que ele acha, porque ele desenvolveu o enredo. Mas é um trabalho conjunto, em que eu tenho a linha do pensamento artístico, mas preciso de outros braços para fazer o trabalho funcionar. Precisei do instalador de fogos para que o show acontecesse, do Alex de Oliveira, Rei Momo, para fazer o Oxóssi, da Laíza Bastos, que foi da comissão na época da Elza e veio representá-la. Precisei da minha ala coreografada para fazer aquelas cenas apresentadas e precisei da bateria com o esquenta. Então, é um trabalho conjunto, porque são literalmente braços realizando tudo”.
George citou o trabalho com ala coreografada e os passistas que estão sob sua responsabilidade para o desfile de 2026.
“Sempre pego a letra do samba e vou destrinchando, sento com o carnavalesco e entendo a proposta da fantasia, da ala coreografada e da ala de passistas para que a gente possa pensar juntos, integrando esse caminho para o carnaval. Ganhou o samba que a maioria queria, o que facilita muito o processo criativo também”, declarou.
Por fim, o diretor artístico da Mocidade aborda a questão de as escolas estarem cada vez mais preocupadas em produzir de forma especial o show das finais de samba, com a valorização dos segmentos, e como esse trabalho vem crescendo a cada ano, tanto na Estrela Guia quanto nas coirmãs. Ele destaca como considera uma grande evolução para o mundo do carnaval essa preocupação em demonstrar, de forma cada vez mais compenetrada, os segmentos em uma grande apresentação especial em um dia tão importante, jogando luz, em especial, sobre os passistas, que conseguem ali passear por outros ritmos, o que acaba engrandecendo o samba em si e a cultura do carnaval na visão de George.
“Conversei sobre isso com a minha ala de passistas há algumas semanas, porque eu acho que é uma evolução, e isso faz com que as alas de passistas possam mostrar mais do seu trabalho, porque, de fato, o passista é um dos artistas da casa. Assim, se abre espaço para que a gente explore esses corpos, que são de passistas, que sambam, e assim você consegue inserir um jazz, uma dança afro, explorar outros ritmos através de um corpo que inicialmente era visto como limitado, quando na verdade ele não é. Isso engrandece o carnaval. Assim como, há vinte ou trinta anos, as baterias aumentaram seus ritmos de BPM e os carros alegóricos cresceram em proporção, as alas de passistas vêm nessa constante evolução, em que o samba continua sendo e sempre será o nosso pilar, mas recebendo influências de outros ritmos e danças, porque o samba está sempre de braços abertos para todo mundo”.
Filhos e netos do multiartista Heitor dos Prazeres visitaram o barracão da Unidos de Vila Isabel para acompanhar de perto os preparativos do desfile que levará a obra e a trajetória do artista como enredo no Carnaval. A presença da família aproximando ainda mais a escola da história que será contada na Avenida.
Para o carnavalesco Gabriel Haddad, o encontro reforça o compromisso com a memória e a verdade do enredo. “Ter a família do Heitor dos Prazeres aqui é fundamental. É quando a pesquisa deixa o papel e ganha corpo. Ver as histórias que eles compartilharam se transformando em fantasias e alegorias nos dá a certeza de que estamos no caminho certo. É como se o Heitor estivesse presente no nosso dia a dia de trabalho.”
Emocionado, Heitor Filho, filho do artista, destacou o cuidado da escola ao transformar a vida e a obra do pai em espetáculo. “O coração está muito feliz. É emocionante ver tudo sendo feito com tanto respeito e beleza. Essa homenagem ao meu pai é grandiosa, e esperamos estar à altura dela na Avenida. Tenho certeza de que será um desfile marcante.”
Durante a visita, a família também foi surpreendida com um anúncio especial: Heitorzinho será homenageado pela Herdeiros da Vila, escola mirim da Unidos de Vila Isabel, no Carnaval de 2026. O projeto foi apresentado pelo presidente da agremiação, Philipe Duarte, com o enredo “Sonhos e tambores, tintas e prazeres da Herdeiros para o herdeiro”.
Visivelmente emocionado, Heitorzinho reagiu à homenagem: “Foi uma surpresa imensa, daquelas que a gente ainda está tentando absorver. Não esperava por isso. Ser homenageado pelos Herdeiros da Vila é uma emoção enorme e uma honra. Vamos desfilar com orgulho e fazer jus a essa história.”
A azul e branca entra na Avenida no dia 17 de fevereiro com o enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um sambista sonhou a África”, desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, com pesquisa de Vinicius Natal. O tema presta um tributo a memória de Heitor dos Prazeres, um dos grandes ícones da cultura popular brasileira.
Já a Herdeiros da Vila, escola mirim da Unidos de Vila Isabel, será a segunda a desfilar no dia 20 de fevereiro, levando para a Avenida o enredo “Sonhos e tambores, tintas e prazeres da Herdeiros para o herdeiro”, em uma homenagem especial a Heitorzinho, reforçando o legado e a continuidade da história que atravessa gerações.