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Carnaval sem preconceito: governo federal lança campanha de enfrentamento ao racismo

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O Ministério da Igualdade Racial (MIR), em conjunto com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), o Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério das Mulheres, lanaram, no Rio de Janeiro, a campanha “Sem Racismo, o Carnaval Brilha Mais”. A campanha tem por objetivo a prevenção e o enfrentamento de práticas racistas, como injúria racial, fantasias ofensivas, violências simbólicas e discriminação, durante o Carnaval, tanto nos espaços de rua quanto nos eventos oficiais, incluindo blocos, ensaios, quadras e desfiles de escolas de samba.

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Foto: Divulgação/@moraes.rzn

O evento aconteceu no Baródromo e contou com a presença da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco; da ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo; da ministra das Mulheres, Márcia Lopes; além de outras autoridades e lideranças que representam o compromisso com políticas públicas inclusivas e a valorização da cultura brasileira.

“O Carnaval é a maior manifestação cultural ancestral do Brasil e, no Rio de Janeiro, as ruas, nesse período, concentram a maior população negra. As comunidades ocupam os pontos centrais, transformando a cidade em um verdadeiro quilombo. Não podemos aceitar nenhum tipo de racismo. A campanha tem esse foco: informar e combater qualquer prática racista durante o Carnaval. É uma oportunidade para fortalecer a luta pela igualdade racial e reafirmar o compromisso da ministra Anielle Franco e do presidente Lula com uma sociedade sem nenhum tipo de preconceito”, destacou Tiago Santana, secretário de Políticas Afirmativas, Combate e Superação do Racismo (Separ).

Entre os dias 17 de janeiro e 22 de fevereiro de 2026, serão distribuídos materiais informativos durante as principais festas de Carnaval do país, incluindo Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Belo Horizonte, bem como em todos os municípios que aderiram ao Plano Juventude Negra Viva (PJNV). A iniciativa tem como objetivo divulgar os canais de denúncia do Governo do Brasil e orientar sobre os procedimentos em casos de discriminação e violência racial.

Entre os canais de denúncia e apoio destacados estão o Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), e a Ouvidoria do Ministério da Igualdade Racial (MIR), que pode ser acionada pelo e-mail: [email protected].

No estado do Rio de Janeiro, a divulgação da campanha também ocorrerá por meio das mídias sociais das agremiações carnavalescas, em articulação com a Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria Municipal de Igualdade Racial. Além disso, todas as escolas de samba da Liga RJ reforçarão a campanha em seus desfiles oficiais, apresentações comunitárias e ensaios técnicos.

Duda Beat confirma presença no desfile da Grande Rio

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Duda Beat visitou, nesta quarta-feira, o barracão da Grande Rio, onde conferiu de perto os preparativos para o Carnaval e a homenagem que a escola fará ao movimento manguebeat. A artista, que irá desfilar pela tricolor de Caxias, se emocionou ao ver elementos de sua própria trajetória e da cultura pernambucana representados nos carros alegóricos e nas fantasias.

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Foto: Ewerton Pereira/Grande Rio

“É uma emoção muito grande entrar no barracão e ver um pouco da minha história e da história de Recife sendo representadas pelos carros e pelas fantasias”, afirmou. Duda também celebrou a fantasia e o carro em que virá no desfile, destacando a conexão com sua identidade artística.

Inspirada pelo movimento manguebeat, a cantora ressaltou a importância de Chico Science e da Nação Zumbi em sua formação musical. “O beat do meu nome não é à toa. Foi um movimento que me inspirou muito, principalmente pela originalidade musical. Essa frase icônica do Chico, de que modernizar o passado é uma evolução musical, é algo que eu tento fazer sempre”, disse.

Honrada, Duda Beat destacou a alegria de integrar o desfile da Grande Rio em uma homenagem que dialoga diretamente com suas referências e com a força da cultura nordestina. “Não poderia estar mais feliz em fazer parte dessa homenagem tão linda a Chico Science e à Nação Zumbi pela Grande Rio”, completou.

A Grande Rio levará para a Avenida o enredo A Nação do Mangue, de autoria do carnavalesco Antônio Gonzaga. A escola será a terceira a desfilar na terça-feira de Carnaval.

Vigário Geral realiza ensaio de bateria na Sapucaí buscando manter alto nível sob o comando de mestre Luygui

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A Acadêmicos de Vigário Geral realizou seu ensaio de bateria no Setor 11 da Marquês de Sapucaí, na última terça-feira, dando sequência ao calendário de ensaios de bateria visando o Carnaval 2026. A tricolor da Zona Norte contou com a presença maciça dos ritmistas comandados por mestre Luygui, além da comissão de frente comandada por Handerson Big, o casal Yuri Pires e Isabella Moura, o time de passistas e a direção de carnaval. A escola fechará a sexta-feira de carnaval trazendo o enredo “Brasil Incógnito – O que os seus olhos não veem, a minha imaginação reinventa”, que planeja subverter e desconstruir alguns mitos históricos, de autoria dos carnavalescos Alex Carvalho e Caio Cidrini.

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Mestre Luygui está no comando da bateria da Vigário Geral desde 2020, ano em que a escola estreou na Série Ouro. São seis anos de um trabalho consistente e que tem alcançado a nota máxima no quesito para a tricolor. O mestre ressaltou que o trabalho em conjunto e com amigos é fundamental para o sucesso, além da manutenção de uma base de diretores desde o primeiro ano. Ele afirma que não entrarão mais bossas além das que já estão sendo executadas e destaca alguns naipes para a apresentação da Swing Puro no próximo carnaval.

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Fotos: Luiz Gustavo/CARNAVALESCO

“Trabalhar com amigos torna tudo mais fácil, pois sem eles não sou ninguém, sem eles não estaria na Vigário e não estaria completando dez anos como mestre de bateria. O segredo maior é a amizade. Tivemos algumas mudanças de diretores que preferiram seguir outros caminhos, mas a base é a mesma desde 2020. Vamos trazer três bossas no samba, gosto de falar que são início, meio e fim. Eu tinha até elaborado uma bossa mais curtinha, de impacto, mas conversei com a minha equipe e preferimos não arriscar tanto, já temos um leque de bossas muito bom. Eu destaco as marcações, costumo fazer umas brincadeiras com elas durante o samba, eu chamo de balão, a primeira, segunda e terceira participam bastante dentro do samba, além do naipe de caixa”, afirmou.

A Vigário conta com um trio no comando da direção de carnaval e harmonia. Um dos diretores, Renato Cosme, afirmou que a agremiação busca, no mínimo, manter o patamar alcançado após o sexto lugar em 2025, melhor resultado da escola na Série Ouro, visando posições acima. Renato destacou a importância do ensaio no Setor 11 para ajustes, principalmente em relação ao samba, e contou que, após o incêndio no barracão, as alegorias estão em bom andamento.

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“Tivemos um ótimo trabalho em 2025, estávamos vindo sempre em nono, décimo e, graças a Deus, alcançamos um sexto lugar. Como diz a presidente Betinha, é melhor ser sexto do que sétimo, estamos em um bom patamar. Em relação ao barracão, tivemos o incêndio nas alegorias, mas já retomamos o processo, estão na fase de acabamento. O samba está sendo bem cantado na comunidade, é importante sentir aqui na pista junto com o pessoal da bateria. A grande maioria já tem essa experiência de Marquês de Sapucaí, mas é sempre bom testar, realizar os ajustes finais para realizar um ótimo desfile”, disse.

Ismar Silva, também integrante da direção de carnaval, destacou o aprimoramento do trabalho da bateria e do samba por meio de ensaios como o realizado no Setor 11. Realçou que a escola busca uma posição ainda melhor do que em 2025 e que precisa caminhar bastante para atingir esse objetivo, sobretudo trabalhar o canto dos componentes. O diretor acredita que outros quesitos, como a bateria, estão mais próximos do que se espera no desfile oficial.

“Independentemente dos nossos ensaios semanais e dos ensaios que a bateria faz e tem aprimorado bastante, este ensaio aqui é superimportante. A Vigário tem se preparado para um grande carnaval. A gente vem de um desfile impecável para a Vigário, sexto lugar para nós é pouco este ano, queremos mais acima, sempre buscando o melhor. Sendo sincero, precisamos evoluir bastante ainda em alguns quesitos, principalmente o nosso canto. Estamos fazendo treinamentos particulares com alas, já alcançando resultados. A bateria, por sua vez, está próxima do suprassumo, em um nível alto. Em questão de fantasias, estamos chegando perto de 85% pronto. As alegorias estão um pouco atrás por conta do incêndio, os carros estão sendo feitos em separado, com equipes diferentes, mas iremos terminar dentro do tempo”, frisou.

O intérprete Danilo Cézar vai para seu terceiro carnaval no microfone principal da agremiação da Zona Norte, reforçando o total entrosamento com mestre Luyghi. Danilo falou sobre o alinhamento para o ensaio técnico e o desfile, ressaltando a importância do treino na Sapucaí para testar e corrigir erros.

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“A gente afina, deixa tudo alinhado como vamos fazer no ensaio técnico no dia 23, as expectativas são as melhores possíveis. Nosso carro de som está com a mesma equipe desde 2024, é um time muito legal, coeso, trabalha bastante e temos que aproveitar muito esse ensaio de hoje, onde podemos errar, testar as introduções, voltar. É importante para o coletivo, para os quesitos que estão aqui. O entrosamento com o Luyghi é maravilhoso, a gente é irmão, viemos juntos de Vitória no ônibus, já conversando sobre o que podemos fazer, criar. Todas as criações são conjuntas, ele não é uma pessoa autoritária, que a ideia dele é pronto e acabou. Ele escuta, gosta da criação coletiva e isso é maravilhoso, é a mágica do entrosamento, como Bebeto e Romário”, declarou.

Carnaval de Rua do Rio 2026 ocupa a cidade com 462 desfiles e público estimado em 6 milhões

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A programação oficial do Carnaval de Rua do Rio de Janeiro 2026 começa neste fim de semana, nos dias 17 e 18 de janeiro, e se estende até o dia 22 de fevereiro, o que consolida mais uma edição de grandes proporções da maior festa popular do país. Ao longo de todo o período carnavalesco, estão previstos 462 desfiles de blocos de rua, foram 803 inscritos, que devem mobilizar cerca de 6 milhões de foliões, entre moradores e turistas, que vão ocupar ruas, praças e avenidas em todas as regiões da cidade.

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Foto: Fernando Maia / Riotur

“O início do Carnaval de Rua marca um momento simbólico e muito importante para a cidade, quando o Rio reafirma o valor dessa manifestação cultural que nasce nos territórios, ocupa o espaço público e expressa a diversidade, a criatividade e a identidade do carioca. É um Carnaval plural, que reúne manifestações tradicionais e grandes blocos, dialogando com diferentes públicos, idades e partes da cidade”, analisa o presidente da Riotur, Bernardo Fellows.

Neste ano, o Carnaval de Rua terá uma agenda extensa e descentralizada. A proposta é oferecer opções para públicos de todas as idades e perfis, incluindo blocos infantis e familiares, além daqueles voltados para foliões que buscam grandes concentrações, atrações musicais de destaque e experiências de forte impacto cultural.

O Centro do Rio de Janeiro, por exemplo, concentra o maior número de desfiles, com 135 apresentações programadas, e reafirma sua vocação histórica como um dos principais palcos do Carnaval de Rua carioca. Na sequência, aparecem a Zona Sul com 99 desfiles, a Grande Tijuca com 63 desfiles, e a Zona Norte com 56, além das outras regiões da cidade que também vão receber uma intensa programação.

Essa distribuição garante a presença da festa em todos os bairros, amplia o acesso da população e valoriza as identidades locais. Já no primeiro fim de semana de folia, os blocos se espalham por diferentes pontos da cidade, com desfiles que evidenciam a força da tradição carnavalesca.

No sábado, estão confirmadas as apresentações do Folia do Largo Sapê, em Honório Gurgel, e do bloco Tá Chegando a Hora, em Pedra de Guaratiba. A Unidos do Santa Bárbara, em Engenho de Dentro, e a tradicional Banda da Saens Peña, na Tijuca, desfilam no domingo. Essa última, promete reunir muitos foliões e manter viva uma das mais conhecidas manifestações do carnaval de bairro.

A programação se completa com o Bloco de Abertura do Pré-Carnaval de Madureira com as Águas de Cheiro, no Parque de Madureira, que marca simbolicamente o início oficial da festa nos subúrbios. A iniciativa reforça o compromisso com um Carnaval de Rua popular e acessível, valoriza a ocupação democrática dos espaços públicos e celebra a cultura carioca em toda a sua diversidade.

Serviço: Dia 17 (sábado) Folia do Sapê Local: Honório Gurgel Concentração: Rua Nassau, 49 Horário: 16h Tá Chegando a Hora Local: Pedra de Guaratiba Concentração: Rua Barros de Alarcão Horário: 17h

Dia 18 (domingo) Unidos de Santa Bárbara Local: Engenho de Dentro Concentração: Rua Dona Teresa, 160 Horário: 15h Banda da Saens Peña Local: Tijuca Concentração: Praça Saens Peña, 344 Horário: 15h Abertura do Pré Carnaval de Madureira com as Águas de Cheiro Local: Parque de Madureira Concentração: Rua Soares Caldeira, 115 Horário: 14h

‘Prontos para surpreender’ Patrick Carvalho revela bastidores da comissão de frente da Imperatriz em homenagem a Ney Matogrosso

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O desafio é grande, mas a confiança é maior. É assim que o coreógrafo Patrick Carvalho define o trabalho à frente da comissão de frente da Imperatriz Leopoldinense para o próximo Carnaval. A escola prepara uma homenagem a Ney Matogrosso, e Patrick não esconde o peso artístico e emocional de traduzir, em cena, a trajetória de um dos maiores ícones da música brasileira.

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Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

“Representa muito, porque o Ney é essa veia artística que te leva para todos os lugares”, afirma. Segundo ele, a multiplicidade do homenageado abriu inúmeras possibilidades criativas: “O caminho camaleônico, essa mutação, os diversos lugares que você pode alcançar com o Ney deixaram a comissão muito mais rica”.

O coreógrafo revela que a Imperatriz investiu de forma intensa na concepção do setor que abre o desfile. “Tem um investimento muito bonito, muito grande da escola para a gente. Isso faz toda a diferença. Eu estou pronto, e a comissão está pronta”, garante.

Encontro com Ney e liberdade criativa: ‘Vocês são os artistas’

O comandante da comissão de frente teve a oportunidade de conversar pessoalmente com Ney Matogrosso. O encontro, segundo ele, foi decisivo para reforçar a segurança sobre o caminho que já vinha sendo traçado.

Patrick lembra do momento em que perguntou ao artista se havia algo que ele fizesse questão de ver na avenida. “Ele falou: ‘Eu quero que vocês fiquem à vontade, porque os artistas dessa área são vocês’”. A resposta trouxe tranquilidade: “Isso me deixou muito tranquilo”, conta.

Para ele, a liberdade concedida pelo homenageado não é apenas gentileza; é também reconhecimento do trabalho técnico e criativo desenvolvido por ele e sua equipe.

Parceria com Leandro Vieira: agilidade, sintonia e criação

Além da homenagem a Ney, o trabalho da comissão também ganha força pelo entrosamento com o carnavalesco Leandro Vieira. Patrick destaca que a relação de amizade e confiança entre os dois facilita o processo criativo.

“Ajuda muito, porque o Leandro é muito criador. As comissões de frente, a gente nunca passa de 10, 15 minutos para resolver. Ele joga de lá, eu jogo daqui, e a gente resolve”, explica. Essa parceria se estende ainda a outros projetos, como o trabalho em Maricá.

Embora reconheça as diferenças de enredo entre os carnavais, o coreógrafo enxerga um elo artístico comum: “Os enredos são diferentes, mas é uma ligação só. As duas comissões vêm muito grandiosas, porque têm o dedo do Leandro no trabalho. Acho que a gente vai arrasar, sim”.

Cabine espelhada: desafio que virou possibilidade

A introdução da cabine de jurados espelhada, novidade nos ensaios técnicos, impactou diretamente a criação coreográfica. Patrick afirma que o recurso o fez repensar elementos, mas encara a mudança como oportunidade.

“Me fez mudar algumas coisas, sim, mas não teria melhor quesito para fazer esse teste do que o casal e a comissão”, avalia. Para ele, a abertura de possibilidades é um ponto forte: “A comissão é muito aberta, você pode fazer o que quiser, pode programar do jeito que quiser, e isso é maravilhoso”.

O coreógrafo acredita que a novidade vai evidenciar o trabalho dos profissionais do segmento: “O povo vai se surpreender muito, porque os coreógrafos vão dar o nome ali na cabine espelhada”.

O que esperar na avenida: força, dança e emoção

Patrick Carvalho encerra o papo com o CARNAVALESCO com uma promessa direta ao público: uma comissão marcante e vibrante. “Uma comissão muito forte, com a minha característica dançante e potente”, define.

A apresentação deve percorrer as conquistas e fases de Ney Matogrosso, destacando seu impacto artístico e social. “Serão diversos lugares de conquistas do Ney e lugares que inspiraram muitas pessoas no Brasil e no mundo”, resume.

Se depender do coreógrafo, a Imperatriz entrará na Sapucaí pronta para emocionar e surpreender: “Estamos prontos, e o público vai sentir isso na avenida”.

Estácio mostra potência do samba em ensaio de rua muito forte

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Por Luiz Gustavo e Júnior Azevedo

Um samba que evoca o fundamento da escola, pulsa o chão em absoluto e fortalece uma comunidade já efervescente. Com essa pedra bruta em mãos, a Estácio realizou, na última segunda-feira, mais um ensaio de rua visando ao desfile oficial da Série Ouro e confirmou toda a vivacidade da obra que está na prateleira de cima em 2026. O ensaio foi calcado na potência deste samba, e a escola obteve um rendimento muito consistente, com canto e evolução quentes, uma dupla de intérpretes que conduz a obra com categoria e um casal que vive ótimo momento. Nesse embalo, a vermelho e branco irá buscar o acesso ao Grupo Especial, mostrando o enredo “Tata Tancredo – O papa negro no terreiro do Estácio”, desenvolvido pelo carnavalesco Marcus Paulo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Feliciano Junior e Raphaela Caboclo formam um casal muito harmonioso e vivem um excelente momento, explicitado em um belo desempenho no ensaio de rua. Uma apresentação graciosa de ambos, com elegância nos gestos e um bailado preciso. Raphaela se mostrou muito precisa nos giros, sempre segura e usando bem o espaço da pista, além de elegante.

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Fotos: Luiz Gustavo e Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Feliciano foi feliz na condução de sua porta-bandeira e mostrou boa técnica em sua dança, como nos giros em torno do seu próprio eixo. O casal tem ótima conexão e apresentou uma série com passos mais soltos, com algumas coreografias pontuais baseadas na letra do samba, como um gesto de referência aos orixás no trecho “Kolofé, saravá Omolokô”. Ótima abertura da Estácio.

EVOLUÇÃO

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O chão de São Carlos já parte de uma força permanentemente presente em seus componentes, favorecendo a lapidação da técnica de desfile. E, com um samba de tamanha qualidade, a evolução se torna ainda mais enérgica, como se viu neste ensaio. Os desfilantes souberam aproveitar a pista para movimentação por todo o espaço, usando os braços, brincando, sem arrastamento, em uma evolução forte, como a tradição da Estácio pede e como esse samba pode proporcionar. A escola simulou os espaços que serão ocupados pelas alegorias por meio de cordas, separando os componentes, com musas à frente. Agradou bastante a espontaneidade presente no desfilar da comunidade, mesmo com o forte calor, honrando os fundamentos da agremiação.

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HARMONIA E SAMBA

As alas que vieram atrás da bateria merecem um ponto de atenção, pelo canto mais irregular que apresentaram durante o ensaio. Alguns componentes só entoaram o refrão de cabeça, não acompanhando o restante do samba, só crescendo o canto conforme passaram pela bateria. Retrato diferente do que se viu no restante da escola, que cantou com muita força, esquentando a apresentação da Estácio, sem deixar o ritmo cair mesmo longe dos refrãos e causando vários ápices de desempenho, como no trecho “coisa de acender, pemba de riscar, folha e feitiço pra cura…”, que era entregue com força antes do refrão de cabeça.

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Essa força foi intensificada pelo belo e visceral samba da agremiação, que não cai em momento algum. A estrutura melódica do samba o mantém sempre envolvente, como na sequência de dois refrãos no meio da obra, e o refrão de cabeça é de uma potência impressionante, mantendo-se quente até a última passada no ensaio, que terminou com uma apoteose da bateria comandada por mestre Chuvisco, no seu andamento característico, que casa muito bem com a energia que a obra transmite. Uma grande apresentação de um samba sedutor.

Edvaldo Fonseca, diretor de carnaval da Estácio, falou sobre o desempenho do samba e o andamento do trabalho.

“Eu estou vendo o funcionamento do nosso samba de forma muito positiva. A gente vem num processo crescente em que, a cada semana, conseguimos subir um degrau; é exatamente isso que eu quero. Eu não quero estar pronto hoje, quero estar pronto daqui a 32 dias, que é o dia do nosso desfile. Esse samba realmente a comunidade trouxe pra si; quando a comunidade compra, abraça e diz que é dela, aí vamos embora. Se a gente chega ao máximo hoje, acomoda; tem que crescer passo a passo pra, no dia, sim, chegar ao 10. Em termos de barracão, estamos num bom momento: na régua de 0 a 10, estamos com 8,5, o que é muito bom. A gente já está com a ferragem toda entregue, madeira entregue; estamos no trabalho de finalização da decoração. Faltando um mês, é um andamento que me agrada”, afirmou.

OUTROS DESTAQUES

A rainha de bateria Vivi Winkler mostrou muita desenvoltura e simpatia à frente da bateria “Medalha de Ouro”, com várias coreografias junto com a bateria.

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“Está chegando a hora. A gente tem que aproveitar esse tempo que ainda falta para poder acabar de ajustar tudo. Hoje a gente passou uma bossa, mais uma bossa nova aqui. Vamos aproveitar esses 30 dias para massificar bastante. O foco, sem dúvida, agora é nela. Tem muita informação ali de caixa, muito contratempo de caixa com terceira, e muita nota de primeira e segunda também. É uma bossa muito bonita, muito bonita mesmo. No finalzinho tem um Olodum que a gente faz, depois sai na pressão, na precisão. A gente não pode desperdiçar isso, não”, disse mestre Chuvisco.

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A comissão de frente não se apresentou, deixando a cabeça da escola para o casal de mestre-sala e porta-bandeira.

Samba em luto: morre Anderson Paz, voz marcante do samba-enredo, aos 52 anos

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O samba perdeu, na noite da última segunda-feira, uma de suas vozes mais reconhecidas. Morreu aos 52 anos o intérprete Anderson Paz, vítima de um câncer no pâncreas. O cantor estava internado no Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada por familiares.

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Foto: Reprodução/YouTube

Nascido no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, Anderson construiu sua trajetória a partir das bases do carnaval popular. Iniciou a carreira cantando em blocos carnavalescos, passou por grupos de pagode e, com o tempo, consolidou-se como intérprete de escolas de samba, tornando-se uma das vozes conhecidas e respeitadas do samba-enredo.

Ao longo da carreira, Anderson Paz defendeu sambas de diversas agremiações, como Lins Imperial, São Clemente, Estácio de Sá, Acadêmicos da Rocinha, Paraíso do Tuiuti, Porto da Pedra e Império Serrano, deixando sua marca por onde passou.

Em nota publicada nas redes sociais, a Estácio de Sá homenageou o intérprete:
“Dono de uma voz marcante e de uma trajetória respeitada, Anderson construiu sua história em grandes agremiações, deixando sua marca por onde passou e emocionando comunidades inteiras com seu canto.”

A Acadêmicos da Rocinha também manifestou pesar pela perda:
“Com muita tristeza, uma das vozes mais marcantes de nossa escola hoje nos deixa. Anderson marcou história por cinco carnavais, conquistou o acesso da nossa escola e foi o intérprete em nossa segunda passagem pelo Grupo Especial, deixando seu legado cravado em nossa história.”

Anderson Paz deixa um legado de talento, emoção e identidade no samba, eternizado na memória das comunidades e na história do carnaval.

Arrebatador! Tuiuti vive noite de afirmação com ala musical de excelência, casal entrosado e comissão de frente precisa

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Por Marcos Marinho e Gabriel Radicetti

Em noite de calor intenso e grande presença de público, o Paraíso do Tuiuti realizou, na última segunda-feira, em São Cristóvão, um ensaio de rua arrebatador, marcado pela resposta imediata da comunidade e pela criação de sucessivos momentos de clímax ao longo da pista. Com canto crescente desde a abertura, comissão de frente comunicando o enredo com clareza, casal de mestre-sala e porta-bandeira em apresentação segura e entrosada e uma bateria capaz de suspender a avenida, a escola transformou a técnica em experiência coletiva, mobilizando público e componentes. Durante o ensaio, o presidente Renato Thor anunciou que todas as fantasias para o Carnaval 2026 já estão prontas. O Tuiuti será a terceira escola a desfilar na terça-feira de Carnaval e levará para a Sapucaí o enredo “Ifá Lucumí”, assinado pelo carnavalesco Jack Vasconcelos.

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COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente do Paraíso do Tuiuti, coreografada por David Lima, apresentou uma leitura clara e bem estruturada do enredo ao traduzir em cena o sistema oracular de Ifá. A narrativa se estabelece desde os primeiros movimentos, organizando os signos do oráculo e conduzindo o público pela cosmologia lucumí com clareza e beleza cênica.

A dramaturgia se constrói a partir da alternância entre Eleguá, guardião dos caminhos e do axé, responsável pela comunicação entre mundo material e mundo espiritual, e o Babalaô, sacerdote responsável pela interpretação dos Odus (respostas do oráculo). O jogo cênico dialoga com o samba: quando o Babalaô é exaltado, ele ocupa o centro da roda, aspergindo água e ervas sobre a comissão; quando Eleguá avança, vestido de vermelho e preto, com uma foice nas mãos, a energia se transforma, garantindo fluidez e progressão narrativa à encenação.

Com dança vigorosa, canto presente e movimentos de matriz afro, a comissão sustenta o caráter ritual da coreografia. Em sua estreia no Tuiuti, David Lima assina uma comissão que comunica de imediato o enredo e se afirma como um dos pontos fortes do desfile.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Vinícius Antunes e Rebeca Andrade se apresentaram com figurino leve e funcional, adequado ao ensaio de rua e ao forte calor da noite. Rebeca vestia amarelo e Vinícius, azul, compondo as cores da escola em trajes que valorizaram a dança do casal. A escolha, sóbria e bem resolvida, permitiu que o foco permanecesse no bailado do casal, ponto positivo para um ensaio que privilegia fluidez e comunicação direta com o público.

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Estreando juntos no Paraíso do Tuiuti, o casal já demonstra um entrosamento amadurecido, construído com inteligência ao longo da temporada. Rebeca, cria da comunidade, dança com segurança e elegância com o pavilhão, enquanto Vinícius, vindo da Unidos de Padre Miguel, se integra com naturalidade à dinâmica da escola. A apresentação revela uma leitura cênica afinada com o samba, explorando seus momentos-chave sem recorrer a excessos coreográficos.

Um dos pontos altos aconteceu no pré-refrão “Babá Moforibalé”, quando Rebeca executa giros que evocam um gesto de reverência ao saber ancestral do enredo, articulando dança, música e fé. Vinícius se destaca pelo vigor físico, pela confiança no riscado e pela espontaneidade com que conduz a apresentação, demonstrando pleno domínio técnico e corporal. O Tuiuti acerta ao apostar na combinação entre uma porta-bandeira da casa e um mestre-sala em plena ascensão, formando um casal que chega com raça para defender os 40 pontos do quesito.

SAMBA E HARMONIA

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Pixulé abriu o ensaio cantando uma passada inteira do samba acompanhado apenas pelas cordas da escola, num gesto que funcionou como chamado direto à comunidade. Ao cantar palavra por palavra, com precisão e intenção, o intérprete estabeleceu um pacto de escuta antes da entrada da bateria, preparando o terreno para o canto coletivo que viria a seguir. A opção deu protagonismo à letra e reforçou a relação entre intérprete e comunidade como eixo central da harmonia.

Com a entrada da bateria de mestre Marcão, o canto se sustenta e cresce, especialmente no refrão principal, entoado com força e segurança. Chama atenção o fato de que, justamente nos trechos em iorubá, antes apontados por críticos como possíveis obstáculos ao canto, a comunidade responde com firmeza e clareza. O ensaio confirma que essas palavras não são entraves, mas parte orgânica do enredo, plenamente assimiladas pelo corpo da escola.

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Outro momento bem cantado é o verso “Derruba os muros quem sabe asfaltar / Caminhos abertos na mão de Ifá”, síntese musical do trabalho desenvolvido pela harmonia. O desempenho é fruto do entrosamento entre Pixulé, mestre Marcão e a comunidade, que demonstra domínio crescente da obra. A cada ensaio, o samba do Tuiuti reafirma por que vem sendo apontado como um dos melhores da safra de 2026.

EVOLUÇÃO

A evolução do Paraíso do Tuiuti começa de forma muito correta. Da comissão de frente às primeiras alas, passando pelo casal, a escola avança com tranquilidade, organização e domínio técnico do espaço, transmitindo a sensação de uma progressão controlada e bem ensaiada. O deslocamento inicial é fluido, com boa leitura entre os setores e resposta consistente dos componentes.

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Fotos: Marcos Marinho e Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO

Os principais gargalos surgem na altura do segundo módulo de jurados, entre a ala de passistas, o segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira e a bateria. Abre-se um primeiro buraco entre os passistas e o casal, seguido de nova retenção entre o casal e a bateria, influenciada principalmente pela esperada apresentação da rainha Mayara Lima durante a bossa do trecho “Babá Moforibalé”.

Em outro ponto, já na altura da loja Caçula, o público chega a avançar sobre a pista para registrar o momento, evidenciando o forte apelo da bossa criada por mestre Marcão e pelo diretor musical Douglas Jorge e da coreografia de Mayara Lima, o que impacta momentaneamente a evolução da escola.

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Mesmo com esses pontos de atenção, compreensíveis em um ensaio de rua com grande público, a escola se reorganizou rapidamente. A fluidez é retomada quando a bateria entra no recuo, e a evolução volta a se apresentar de maneira ordenada e estável na parte final do ensaio. Vale destacar o bom desempenho das alas, que atravessam a pista com organicidade e integração ao conjunto. São ajustes pontuais em um ensaio que, no geral, confirma o crescimento do Tuiuti para evoluir com segurança no desfile oficial.

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Para o diretor de Carnaval do Paraíso do Tuiuti, Leandro Azevedo, o ensaio de rua realizado em São Cristóvão sintetiza o atual momento da escola às vésperas do Carnaval. Segundo ele, a resposta da comunidade, a energia da pista e o grau de maturidade apresentados confirmam uma agremiação em crescimento contínuo. “É um ensaio com a cara do Paraíso do Tuiuti. Energia pra cima, escola leve, escola madura, comunidade cantando como ninguém”, disse.

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Leandro destacou que o ambiente vivido na rua vai além do rendimento técnico e passa, sobretudo, pelo estado emocional da escola, que ele considera decisivo para o desempenho no desfile. “A comunidade está feliz, a escola está muito madura. Cada segunda-feira que passa, a gente vê que somos capacitados e estamos nos capacitando ainda mais para tentar voos melhores no Carnaval”, declarou.

OUTROS DESTAQUES

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Mestre Marcão é referência quando o assunto é ritmo, e a bateria “SuperSom” confirmou isso a cada ensaio de rua do Paraíso do Tuiuti. O comando seguro, o swing constante e a ousadia nas escolhas fizeram da bateria um dos grandes pilares do desfile. Há uma sintonia evidente com o carro de som e com o intérprete Pixulé, o que potencializa os momentos de maior impacto musical do ensaio.

Entre esses momentos, a bossa executada no pré-refrão se impõe como um dos pontos mais aguardados da noite. Os tambores avançam, as congas se deslocam e rodeiam a rainha de bateria Mayara Lima, criando uma cena de forte impacto visual e rítmico. A interação entre bateria, ala musical e rainha transforma esse trecho em um verdadeiro espetáculo dentro do ensaio, daqueles que encantam o público.

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“Cada ensaio é um ensaio. A cada ensaio, a gente vai aprimorando cada vez mais alguns parâmetros, dando alguns ajustes. É só pegar a rapaziada e botar na cabeça deles que a bateria, a escola, necessita deles para conduzir o ritmo. Quando chega o nosso momento, a gente tem que dar um show. Temos que fazer o que ensaiamos. A cada semana que passa, as pessoas estão entendendo mais a filosofia do trabalho que está sendo feito junto com a minha equipe, junto com a rapaziada da bateria. Sexta-feira agora, dia 16, a gente estará lá no Setor 11, só a bateria; não tem carro de som. Lá é o local de jogo”, disse mestre Marcão ao CARNAVALESCO.

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À frente da “SuperSom”, Mayara Lima reafirma o brilho de ser uma das rainhas de comunidade mais queridas. O público responde com entusiasmo, registra sua dança e interage de forma espontânea, especialmente as crianças da comunidade, que ao final se aproximam para aprender passos da coreografia.

O ensaio contou ainda com a presença do professor, filósofo e compositor Nei Lopes, autor do livro “Ifá Lucumi: o resgate da tradição”, obra fundamental que inspira diretamente o enredo do Tuiuti. Chamado ao microfone no início do ensaio, Nei afirmou que o axé está com a escola e desejou que o Tuiuti alcance a melhor colocação no Carnaval de 2026.

Costureiras ganham sala climatizada na Viradouro

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Para um grupo de 30 profissionais responsáveis pela confecção das 2.500 fantasias das 23 alas que vão ilustrar o desfile da Viradouro este ano, o expediente no barracão da escola está sendo marcado pelo ineditismo. A equipe formada por modelistas, costureiras, cortadores e aderecistas que estão dando forma às fantasias criadas pelo carnavalesco Tarcísio Zanon para o enredo “Pra cima, Ciça!”, está tendo o privilégio de dar expediente num ambiente totalmente climatizado, e onde até o pré-Carnaval de 2025 a sensação térmica atingia mais de 50°.

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A primeira sala de costura climatizada da Cidade do Samba, onde a temperatura gira em torno de 22º, demorou um mês para ser construída. Envolveu carpinteiros, pedreiros, vidraceiros e eletricistas, que trabalharam no rebaixamento de teto, alteração na parte elétrica, instalação de novas janelas, reposicionamento de portas, instalação de novos ventiladores e de um sistema de exaustão. São 300m2, que contam com dois aparelhos de ar condicionado de 60 mil BTUs cada.

“Era complicado conseguir trabalhar aqui, no auge do verão. Dependendo do horário, não tinha ventilador que desse vazão. À medida que ela iam avançando com o trabalho tinha a quentura das máquinas e a pilha de fantasias ia subindo ao lado delas. Chegava fácil a mais de 50º de sensação térmica”, conta Alessandra Reis, responsável pelos ateliês de fantasias da Viradouro.

Denise Correia, costureira da Viradouro desde 2006, endossa as palavras de Alessandra e diz que, com a novidade, a produtividade até aumentou. “A gente vem trabalhar até mais feliz!”, comemora ela.

Para Alex Fab, diretor de carnaval, a ideia de projeto que a escola começou a implantar quando retornou ao Grupo Especial em 2018 já vem dando ótimo resultado.

“O importante é que, com a qualidade do trabalho que está sendo feito na escola, continuamos quebrando paradigmas e contribuindo, não só com o crescimento da Viradouro, mas também influenciando positivamente as nossas coirmãs. A estrutura que foi implantada na Viradouro, a de valorização da equipe, permite que a escola fique cada vez mais firme pra definir e trilhar os seus próprios caminhos, independentemente da minha direção. Uma cultura que já faz parte do DNA da empresa Viradouro”.

Unidos de Bangu abre temporada dos ensaios de bateria na Sapucaí sob nova fase com o comando de mestre Dinho

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A Unidos de Bangu realizou, na última segunda-feira, seu ensaio de bateria no Setor 11 da Marquês de Sapucaí. Abrindo a temporada de ensaios de bateria, o Primeiro Pavilhão da Zona Oeste esteve com a sua bateria reunida em peso sob o comando de Mestre Dinho, em seu primeiro carnaval na escola. O ensaio também contou com as passistas e o primeiro casal da agremiação, além da presença do presidente Leandro Augusto. A agremiação da Zona Oeste vai levar para a Avenida uma homenagem à sambista, cantora e política Leci Brandão, por meio do enredo “As coisas que mamãe me ensinou”, assinado pelos carnavalescos Alexandre Costa, Lino Salles e Marcus do Val, sendo a quarta escola da sexta-feira de carnaval.

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O comandante da Caldeirão da Zona Oeste, mestre Dinho, destacou de forma muito positiva a importância de realizar o ensaio de bateria na Sapucaí, especialmente para ele, ajudando a reunir os ritmistas da escola nesta nova fase que a bateria da Bangu vive sob a sua regência. Ele reforça que o trunfo que será levado por ele e seus ritmistas para a Sapucaí será ritmo, bossas coesas dentro do samba e muita alegria, em especial alegria nos punhos, como frisou, demonstrando como cada ritmista está se dedicando à agremiação. Além disso, Dinho também comentou o naipe que deve se destacar na Caldeirão da Zona Oeste em 2026 e sobre paradinhas e bossas que podemos esperar na Passarela do Samba.

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“A Caldeirão da Zona Oeste hoje, do mestre Dinho, é uma bateria que está sendo formada por mim. Eu, meus novos diretores, meus ritmistas, meus amigos. É importante para todos pegarem essa essência aqui do campo de jogo. O naipe de destaque é o meu estilo, a marcação. Firme, compacta, minha terceira bem desenhadinha, o meu forte. Vou vir com quatro paradinhas, mas acho que o carro-chefe é a bossa que representa o nosso enredo, Leci Brandão, que é a bossa da Mangueira, em que a gente vem representando bem a escola dela”, destacou.

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Diretor de carnaval da Unidos de Bangu, Marcelo do Rap destacou como é importante este ensaio como um termômetro para a Caldeirão, por conta de sua formação ser mais recente, a partir da reformulação proposta por mestre Dinho, que não trouxe ninguém da Unidos de Padre Miguel com ele, querendo criar a bateria a partir do zero. Marcelo também destacou que o ateliê da Bangu para o próximo desfile já está pronto e vai começar a entregar as fantasias das alas. O diretor também reforçou que a Bangu tem um samba que vai ficar na história do carnaval e que já está na boca do povo esta homenagem para Leci Brandão, que é uma das maiores sambistas do país. Marcelo também defendeu o respeito ao carnaval da Série Ouro, que se realiza muitas vezes com grandes dificuldades para as agremiações, assim como as escolas da Intendente.

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“Ele formou uma equipe nova, uma diretoria nova, e hoje o que aconteceu no ensaio foi uma coisa espetacular. Estamos muito tranquilos no quesito bateria. Nosso barracão é espetacular, está muito grandioso e vamos brigar pelo título. A Bangu já chegou a um patamar que não dá mais para ficar na meiuca da tabela, que já não é mais o que a gente busca. Buscamos o acesso. A subida da Niterói mostra que aqui é muito equilibrado, é só fazer carnaval que vai. É nisso que a gente se apega e nos comentários de que, se estivéssemos disputando no ano passado, estaríamos na briga, disputando o título com as outras coirmãs. E agora a gente veio para ganhar o carnaval, com um samba em homenagem merecida à Leci Brandão, que deu tudo, a vida dela toda, pelo povo e pelo carnaval”, disse.

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O presidente Leandro Augusto também destacou a importância de se realizar o ensaio de bateria, especialmente no reconhecimento do campo e do contato com o chão da Sapucaí. O dirigente também falou sobre o que esperar da Unidos de Bangu em 2026, reforçando que a escola já demonstrou muita superação no carnaval do último ano e que agora vai proporcionar um grande espetáculo para a Sapucaí em busca do título da Série Ouro.

“O mestre fazendo as paradinhas e as bossas, a caminhada, o tempo até o jurado. É o primeiro contato dele com o solo sagrado da Sapucaí. O público não está, mas ele consegue imaginar eles aqui, então é muito importante. A Bangu, no ano passado, já mostrou que renasce das cinzas. Nós estamos aprendendo com nossos erros há um tempo, e acho que vai ter que nos segurar, porque nós vamos estar na disputa”, reforçou.

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Fotos: Matheus Morais/CARNAVALESCO