A Beija-Flor de Nilópolis anunciou nesta semana um novo nome para o seu time de destaques de chão e a escolha carrega emoção, memória e pertencimento. Aline Daflor, mãe da Rainha de Bateria Lorena Raíssa, foi convidada pessoalmente pelo presidente Almir Reis para ocupar o posto, em um gesto que reafirma a política da escola de reconhecer sua própria comunidade, especialmente nos lugares de maior visibilidade do desfile.
Filha do compositor Jorge Damu, Aline cresceu dentro da azul e branca. Ainda criança já desfilava pela agremiação, passou pela ala de passistas, foi diretora de ala e construiu sua vida no chão da quadra e do barracão. Foi nesse mesmo espaço que criou seus cinco filhos e onde hoje acompanha o crescimento dos netos, mantendo viva a tradição da família com a escola.
A ligação afetiva atravessa gerações. Lorena Raíssa, atual Rainha de Bateria, nasceu literalmente nos braços da comunidade, em um episódio que se tornou parte da memória coletiva da Beija-Flor.
“Quando a Lorena nasceu, eu tinha acabado de voltar da Marquês de Sapucaí e o meu ônibus foi direto pro hospital. Outros três ônibus vieram atrás em comboio, e ela chegou cercada pela nossa comunidade. A Beija-Flor é tudo na nossa vida. Vivo mais aqui do que em casa. Foi aqui que criei meus filhos e hoje crio meus netos, ensinando o amor ao nosso pavilhão”, relembra Aline.
Para o presidente Almir Reis, a escolha de Aline simboliza a essência da escola e seu compromisso em colocar quem construiu essa história nos lugares de honra.
“Valorizar as pérolas da casa é um princípio da Beija-Flor. Aline é uma dessas joias que sustentam a nossa história no chão da quadra, no barracão e na vida da comunidade. Colocá-la em lugar de destaque é reconhecer quem construiu essa escola com amor, trabalho e pertencimento”, afirma.
Com a novidade, a Beija-Flor reforça sua identidade de escola que transforma histórias reais em protagonismo na Avenida, mantendo viva a força de quem sempre esteve por trás do espetáculo e agora ocupa, também, os espaços de maior visibilidade do desfile.
O Salgueiro realizou, na última quinta-feira, mais um ensaio de rua na preparação para o desfile oficial, que será realizado daqui a cerca de 30 dias, e corroborou suas credenciais mais fortes apresentadas a cada semana. Um casal primoroso, que é segurança de notas altas; uma comunidade evoluindo de forma leve e mais solta; um samba com excelente harmonia musical e bom funcionamento para a escola. A bateria, comandada por Guilherme e Gustavo, vive grande fase e tem potencializado muito o rendimento do samba. Um treino de ótimo nível, que mostra uma agremiação encorpada e com atributos para realizar um belo desfile na Marquês de Sapucaí. A Vermelho e Branco fechará o carnaval do Grupo Especial na terça-feira, apresentando o enredo “A Delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, do bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”, homenagem a Rosa Magalhães.
Sidclei e Marcella são certeza de excelência, elegância e execução impecável, não sendo diferente neste ensaio. O casal se comunica no olhar, e toda a coreografia flui com extrema naturalidade. Marcella executou uma série de giros em progressão, sempre com postura ereta e total controle corporal. O momento da condução por parte de Sidclei foi pequeno, mas executado com muita precisão, além da qualidade demonstrada em seu bailado, ágil e técnico. Os giros em conjunto no refrão principal foram um destaque da apresentação do casal. Apresentação de alto nível, como de praxe.
EVOLUÇÃO
Uma escola que aproveitou todo o espaço à disposição para brincar, se movimentar com lateralidade, uso de todo o corpo e trocas de posição entre os componentes: uma evolução completa apresentada pelo Salgueiro. Alas que progrediram pela pista de ensaio com total animação, desfilantes pulando, sambando, uma agremiação pulsante e contagiante, sem rigidez de espaço. Como ponto de atenção, houve uma aceleração acima do ritmo do restante da escola por parte das primeiras alas, na altura da segunda cabine de simulação de jurados, situação contornada com a sequência das alas, que voltaram ao andamento impresso pelo Salgueiro. A reta final do ensaio teve uma evolução explosiva, com as alas finais dando um banho de preenchimento de pista.
Wilsinho Alves, diretor de carnaval da Vermelho e Branco, falou sobre o ensaio e a preparação do Salgueiro em seus quesitos. “A primeira etapa da preparação são os ensaios de canto na quadra, depois viemos pra rua, iniciando a evolução, marcações e tudo mais. Agora, esse último mês é pra soltar o componente, trabalhar essa lateralidade que está no manual do jogador e o Salgueiro utilizou bem, é uma escola muito pulsante. Estamos indo numa crescente, o minidesfile foi uma virada de chave não só pro salgueirense como para o mundo do carnaval, que viu que esse samba tem rendimento na pista. É um samba fácil, que tem dois refrões excepcionais, o da cabeça é uma explosão, um pré-refrão que também arrasa quarteirão e descreve completamente o que a gente vai levar pra pista. O Salgueiro tem uma equipe muito qualificada, a troca é diária, amanhã já teremos uma reunião para falar deste ensaio, hoje a comissão não veio porque está ensaiando em separado, algumas alas coreografadas também, tudo será lapidado até o carnaval, só chegaremos realmente prontos no dia 17 de fevereiro”, afirmou.
HARMONIA E SAMBA
Difícil apontar algum componente salgueirense que não tenha cantado o samba com potência. Foi um canto em uníssono, como uma orquestra, regida por violinos, como o presente no carro de som da escola. Os dois refrões foram muito bem cantados, principalmente o de cabeça; a primeira parte flui muito bem também. Mas o ápice absoluto é o pré-refrão “mestra, você me fez amar a festa”, que foi entoado com força total em absolutamente todas as passadas do samba, principalmente nos momentos em que a bateria parava e o canto se fazia ainda mais destacado.
Gerando esse desempenho espetacular da harmonia do Salgueiro, um samba poético, que descreve muito bem o enredo, além de crescer a cada semana em funcionalidade e explosão. O samba caiu na graça dos componentes e teve excelente rendimento, com uma harmonia musical de impressionar por parte do carro de som, comandado por um solto Igor Sorriso, e da bateria Furiosa, dos mestres Guilherme e Gustavo. Toda a roupagem do samba casa perfeitamente com o enredo contado e proporciona uma audição extremamente agradável.
Os mestres falaram sobre o trabalho da bateria em cima do samba. “Hoje foi disparado o nosso melhor ensaio. A galera está começando a ficar mais firme com as convenções, as bossas, os arranjos, a galera está entendendo melhor a proposta de tudo que estamos fazendo e adaptando para o samba. Semana passada ensaiamos uma bossa pela primeira vez, fizemos um ensaio terça-feira só com a bateria, explicamos bastante e hoje já começou a sair tudo bem mais cravado. Deu um alívio de que está tudo certo. É continuar ensaiando, manter o trabalho, que a turma vai pegando mais precisão e confiança. A gente costuma dizer que o nosso ensaio no setor 11 é a virada de chave, dali pra frente que todos os nossos ensaios ficam com a bateria cravada no andamento perfeito”, declarou Gustavo.
“Temos ainda alguns ensaios importantes: o do setor 11, dois ensaios técnicos. Temos feito ensaio só de bateria, tem o sábado, tem a feijoada, tem um monte de evento onde a bateria está sempre tocando, mesmo que não seja a bateria inteira. A agenda é pesada, é puxada, mas pelo menos a galera está tocando. Dentro desses ensaios show, a gente continua cobrando a galera, pedindo pra executar da forma certa, prestar atenção na diretoria, no andamento, estamos chegando lá. Eu costumo dizer que o ensaio da Maxwell é um ensaio com obstáculo. Quando a gente chega no nosso campo de jogo, a gente desfila nas medidas certas, consegue arrumar a bateria. Na Maxwell, a gente não consegue arrumar a bateria, pois, conforme vai apertando, o box que a gente faz fica mais apertado do que a própria rua. No fim das contas, isso é bom pra gente, porque no desfile, no ensaio técnico, não teremos esses obstáculos. Então, para chegarmos perfeitos lá, precisaremos desses ensaios”, afirmou Guilherme.
OUTROS DESTAQUES
No meio de um time pesado de musas, Amanda Omin roubou a cena com muita simpatia, carisma e o samba no pé que marcou o seu período como passista. A ala de passistas do Salgueiro, além do característico samba no pé, não esqueceu de cantar forte durante sua passagem pela rua.
A Unidos da Tijuca realizou seu primeiro ensaio de rua de 2026, na noite da última quinta-feira, e. deixou claro, desde os primeiros acordes, que vem disposta a reescrever sua história. Na Via D1, a escola apresentou um ensaio marcado por emoção, canto potente e uma entrega coletiva que arrepiou quem esteve presente. Com um enredo que homenageia Carolina Maria de Jesus, a Tijuca transformou a rua em palco de resistência, memória e identidade. A cada verso do samba, era possível sentir que a comunidade não apenas ensaiava: vivenciava o enredo. A escola veio grande, cantando muito forte, com alegria, verdade e emoção, confirmando que o verso “muda a sua história, Tijuca” já começa a ganhar forma. A agremiação mostrou organização, intensidade e um conjunto que promete emocionar no desfile, quando será a última escola a se apresentar na segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, pelo Grupo Especial.
Um dos pontos altos do ensaio foi, sem dúvida, a comissão de frente, coreografada por Ariadne Lax e Bruna Lopes. Formada por mulheres, a apresentação impactou pela força, pelo grito e pela entrega corporal. Os movimentos bruscos no chão, os gestos marcados com as mãos, os saltos e a elevação de uma das integrantes criaram imagens potentes e simbólicas.
Cada execução era acompanhada pelos gritos das próprias componentes, intensificando a cena e arrebatando o público. Foi uma comissão de frente que não apenas apresentou uma coreografia, mas contou uma história com o corpo, traduzindo em movimento a dor, a luta e a força presentes na trajetória de Carolina Maria de Jesus.
SAMBA E HARMONIA
O canto da Unidos da Tijuca foi um espetáculo à parte. A escola cantou com volume, emoção e alegria, transformando o ensaio em um grande coro coletivo. O samba foi entoado de forma vibrante por praticamente todos os componentes, criando uma atmosfera contagiante e intensa.
No carro de som, o intérprete Marquinho Art’Samba conduziu o samba com potência e sensibilidade, puxando o canto de maneira monstruosa, sempre integrado à escola. A harmonia se mostrou presente e eficiente, sustentando o canto forte do início ao fim do ensaio.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O casal Matheus André e Lucinha Nobre apresentou um bailado de extrema elegância e sintonia. A parceria entre a juventude de Matheus e a experiência de Lucinha resultou em uma dança leve, charmosa e com identidade própria.
Lucinha flutuava pela pista com suavidade, enquanto Matheus imprimia presença e carisma, formando um conjunto harmonioso, bonito e diferenciado. Um casal que demonstra maturidade artística e promete momentos especiais na Avenida.
EVOLUÇÃO
A evolução da Unidos da Tijuca foi outro ponto de destaque no ensaio. A escola desfilou de forma organizada, fluida e alegre, com os componentes utilizando acessórios, como leques, que enriqueceram o visual e ajudaram na leitura da movimentação.
A presença da comunidade foi massiva, criando um impacto visual forte e uma sensação de unidade. A evolução dialogou com o canto e com a bateria, fazendo da Tijuca um bloco coeso e pulsante na rua.
Visivelmente emocionada, a diretora de carnaval, Elisa Fernandes, destacou a força desse primeiro ensaio do ano.
“Este é o nosso primeiro ensaio de rua do ano, e a comunidade compareceu em massa. O ensaio está lotado, acredito que seja o maior contingente desde o início da temporada. A escola e a ala das crianças estão cantando com muita energia, é uma cena emocionante. Estou até emocionada. A Tijuca está pronta para fazer história”.
Ela também reforçou o trabalho contínuo rumo ao desfile: “Nosso objetivo, com um samba e um enredo tão grandiosos, é que toda a escola tenha a oportunidade de aprender e cantar a letra com entusiasmo. Se conseguirmos isso, tudo estará perfeito. Estamos preparados para fazer um grande carnaval e reescrever nossa história”.
OUTROS DESTAQUES
Comandada pelo mestre Casagrande, a bateria da Unidos da Tijuca veio grande, encorpada e extremamente impactante. Próximo a ela, era possível sentir cada instrumento pulsar, preenchendo o espaço e arrepiando quem acompanhava o ensaio.
Sobre o trabalho desenvolvido, o mestre destacou o bom momento vivido pela escola, sem perder o olhar atento para os ajustes necessários.
Fotos: Juliana Henrik e Mariana Santos/CARNAVALESCO
“A escola está cantando muito. Nós faremos três bossas: uma na cabeça do samba, no refrão do meio e na segunda do samba, no trecho ‘sou a liberdade’. Nesse trecho, a bateria faz um contracanto com a escola e o carro de som integrados, e está funcionando maravilhosamente. Mas, claro, a gente ainda tem mais um ensaio de rua aqui, temos dois ensaios técnicos. É hora de pezinho no chão. Está legal, mas sabemos que ainda pode melhorar. A gente espera chegar no dia do desfile com 100%”.
O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, vai assinar na próxima segunda-feira, juntamente com o Ministério da Cultura, um termo de cooperação que prevê o repasse de R$ 12 milhões para a Liga das Escolas de Samba do Rio (Liesa), que serão divididos de forma igualitária entre as 12 agremiações do Grupo Especial. A cerimônia contará com a presença do presidente da Liesa, Gabriel David, e do secretário executivo adjunto do MinC, Cassius Rosa, representando a ministra Margareth Menezes.
“A audiência do Carnaval do Rio de Janeiro é impressionante. Em 2024, mais de 78 milhões de pessoas foram impactadas pelos conteúdos carnavalescos da Globo no Brasil. Internacionalmente, a TV Brasil Internacional e parcerias globais levam as imagens da Sapucaí para mais de 170 países, consolidando o evento como um dos festivais mais famosos e desejados do mundo”, justificou o Marcelo Freixo.
O Carnaval carioca também recebe turistas de mais de 160 países e gera impacto direto em setores como hotelaria, transporte, alimentação e serviços.
“O investimento no Carnaval e no turismo não é apenas lazer, embora também seja um direito fundamental. É geração de emprego e renda para todas as classes sociais e durante todo o ano”, completou Freixo.
A Prefeitura do Rio, por meio da Riotur, apresentou nesta quinta-feira o plano operacional do Carnaval de Rua 2026, que tem início neste fim de semana e segue até o dia 22 de fevereiro. A programação confirma mais uma edição de grandes dimensões da maior manifestação popular do país.
Durante todo o período carnavalesco, estão previstos 460 desfiles de blocos de rua, com expectativa de reunir mais de 6 milhões de foliões, entre moradores e turistas. O Carnaval de Rua contará com uma agenda ampla e descentralizada, que inclui blocos tradicionais, megablocos e cortejos de menor porte. A diversidade da programação evidencia a riqueza cultural da cidade e reforça o caráter democrático da festa. O plano operacional foi detalhado no Centro de Operações Rio (COR).
“O Carnaval de Rua é uma operação integrada, que envolve planejamento, coordenação e atuação conjunta de diferentes órgãos municipais. A Riotur tem o papel de articular esse trabalho, garantindo que a festa aconteça com organização, segurança e respeito à cidade, preservando o caráter cultural do Carnaval e a experiência de moradores e foliões”, afirmou o presidente da Riotur, Bernardo Fellows.
CET-Rio terá 320 operadores de trânsito nas ruas da cidade
A Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio de Janeiro (CET-Rio) irá colocar em prática operações especiais de trânsito para assegurar a segurança viária dos foliões que participarão dos blocos de rua credenciados pela Riotur. O planejamento prevê interdições e proibição de estacionamento em diversas vias que receberão os desfiles.
Dos blocos previstos, 11 são megablocos e desfilarão no Circuito Preta Gil, na Avenida Presidente Antônio Carlos, no Centro. A CET-Rio desenvolveu planejamentos específicos para cada bloco, com operações distribuídas por todas as regiões da cidade. O esquema do megabloco já está consolidado e não gera impactos significativos para os moradores. O circuito atende aos critérios de segurança pública e mobilidade urbana.
A operação tem como objetivo garantir fluidez no trânsito, segurança viária e minimizar impactos na mobilidade urbana. As equipes atuarão diretamente nos pontos de folia, com monitoramento contínuo das vias pelo Centro de Operações e Resiliência (COR). Em média, 320 operadores de trânsito estarão empenhados diariamente, com apoio de 30 viaturas, 45 motocicletas e 24 reboques.
Para a sinalização viária, serão utilizados cerca de 2.500 cones e bombonas nos bloqueios de tráfego, além de 900 galhardetes e faixas informativas. Trinta e seis painéis de mensagens variáveis irão informar sobre interdições, desvios e rotas alternativas. A CET-Rio recomenda que a população planeje seus deslocamentos com antecedência, priorize o transporte público e respeite a sinalização e as orientações dos agentes de trânsito.
COR terá a maior videowall da América Latina com imagens em tempo real
Todos os locais da cidade com programação do Carnaval de Rua serão monitorados em tempo real pelo Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura do Rio (COR-Rio). Os deslocamentos dos principais blocos oficiais e megablocos serão acompanhados por cerca de 500 operadores de 50 órgãos diferentes, em regime de plantão, diretamente da Sala de Situação do COR-Rio.
O monitoramento será feito por aproximadamente 4.000 câmeras instaladas nos pontos de desfile, além do apoio de três drones ao longo dos percursos. As imagens serão exibidas no maior videowall da América Latina, com 104 metros quadrados, 129 telas e 28 metros de largura.
Representantes de órgãos como Riotur, CET-Rio, Guarda Municipal, Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e Comlurb, além da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e concessionárias de serviços públicos, atuarão de forma integrada. Em caso de ocorrências emergenciais, o acionamento das equipes será imediato.
As interdições causadas pelos blocos e megablocos também estarão disponíveis no aplicativo Waze, parceiro do COR-Rio, evitando que motoristas fiquem retidos em congestionamentos. Turistas e moradores podem ainda utilizar o aplicativo COR.Rio, que oferece informações em tempo real sobre trânsito, previsão do tempo, bloqueios de vias, níveis de calor e acesso a mais de cinco mil câmeras da Prefeitura. O app é gratuito, disponível para Android e iOS, com versões em português, inglês, espanhol, francês e chinês.
O COR-Rio também manterá outros canais de comunicação ativos durante o Carnaval. Cerca de 16 mil painéis de mídia externa exibirão boletins com informações de utilidade pública, além dos esquemas especiais de trânsito e transporte. As mensagens serão veiculadas em ônibus, terminais rodoviários, aeroportos, estações de trem, metrô e VLT, abrigos de ônibus, relógios, totens, estações de bicicletas e em locais privados, como shoppings e edifícios comerciais e residenciais. A cobertura em tempo real também será feita pelo perfil @operacoesrio nas redes sociais, pelo site cor.rio e pelo canal de notícias do COR-Rio no WhatsApp.
Operação especial de ordenamento urbano e patrulhamento terá 1.100 agentes
A Secretaria Municipal de Ordem Pública (SEOP) e a Guarda Municipal do Rio (GM-Rio) montaram uma operação especial de ordenamento urbano e patrulhamento para o Carnaval.
As ações começam neste fim de semana, dia 17, com patrulhamento preventivo e fiscalização nos principais blocos de rua. Cerca de 1.100 agentes, entre guardas municipais e servidores da SEOP, atuarão com apoio de 70 viaturas, incluindo reboques, motocicletas e veículos operacionais.
As equipes acompanharão a concentração, o percurso e a dispersão dos blocos, realizando ações de ordenamento urbano e fiscalização do comércio ambulante irregular. Haverá atenção especial à apreensão de garrafas de vidro, proibidas por oferecerem risco de acidentes, além do combate a delitos.
Os guardas municipais também atuarão no controle do trânsito, com bloqueios viários, reboques, orientação de pedestres e coibição de estacionamentos irregulares e obstruções de áreas públicas. A operação busca reduzir impactos no trânsito e agilizar a liberação das vias após os eventos. Também haverá fiscalização de táxis, veículos de aplicativos e transporte, além de apoio no encerramento dos blocos oficiais. O efetivo atuará ainda no patrulhamento das estações do BRT, na Ronda Maria da Penha nos megablocos e na distribuição de pulseiras de identificação em blocos infantis, por meio do Grupamento de Ronda Escolar.
Postos médicos serão distribuídos nas áreas de maior concentração
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) montou um esquema especial de atendimento pré-hospitalar nas áreas de maior concentração de público durante o Carnaval de Rua. Os bairros contemplados são Centro/Circuito Preta Gil, Aterro do Flamengo, Copacabana, Ipanema/Leblon, Jardim Botânico e Barra da Tijuca.
Ao todo, sete postos médicos darão suporte a 55 blocos, incluindo os dez megablocos. No Centro, os postos começam a funcionar no fim de semana dos dias 24 e 25, para os desfiles do Chá de Alice e do Bloco da Lexa, que abrem o Carnaval de Rua no Circuito Preta Gil, na Rua 1º de Março.
A estrutura contará com 36 leitos e 42 poltronas de hidratação, além de 566 plantões de profissionais de saúde ao longo do período carnavalesco. Todos os postos terão ambulâncias avançadas para a remoção de casos mais graves, com encaminhamento para unidades da rede municipal de urgência e emergência, sob coordenação da Central Municipal de Regulação. Os hospitais também terão reforço nos plantões.
No Centro, haverá dois postos — na Praça Ana Amélia e no Largo da Carioca — atendendo cerca de 30 blocos, incluindo os dez megablocos do Circuito Preta Gil. Além do Chá de Alice e do Bloco da Lexa, estão previstos desfiles do Bloco da Gold (31 de janeiro) e, em fevereiro, Será que Abre? (1º), Bloco da Favorita (7), Cordão do Boitatá (8), Cordão do Bola Preta (14), Fervo da Lud (17), Bloco da Anitta (21) e Monobloco (22).
Em Ipanema, o posto médico ficará na Praça Nossa Senhora da Paz, atendendo 11 blocos do bairro e do Leblon. Em Copacabana, a estrutura será montada na Praça do Lido, para suporte a 14 desfiles em Copacabana e no Leme. No Flamengo, o posto funcionará no MAM. Já no Jardim Botânico, o atendimento será concentrado na Praça Santos Dumont, enquanto na Barra da Tijuca o posto ficará na Praça do Ó.
Equipes de promoção da saúde da SMS também atuarão em regiões de grande circulação de foliões, com orientações e distribuição de material informativo sobre prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (IST) e preservativos. A VanBora, unidade móvel da SMS, circulará pelos principais pontos de concentração, oferecendo orientação, preservativos e profilaxias pré e pós-exposição (PrEP e PEP) ao HIV. Todas as unidades de urgência e emergência da rede municipal disponibilizarão PEP 24 horas por dia, e o Centro de Prevenção Combinada, no Hospital Municipal Rocha Maia, funcionará diariamente das 8h às 22h como referência para PrEP e PEP.
A Secretaria Municipal de Saúde recomenda que os foliões mantenham medicação de uso contínuo, bebam bastante água, moderem o consumo de álcool, usem protetor solar FPS 50 ou superior, boné ou chapéu, roupas leves, calçados confortáveis, atenção a cosméticos que possam causar alergias, cuidado com a procedência de alimentos e bebidas e portem documento de identificação. Para crianças, é fundamental o uso de pulseiras ou crachás de identificação com telefone dos responsáveis.
Comlurb terá quase 14 mil trabalhadores na limpeza urbana
A Comlurb preparou uma grande operação de limpeza antes, durante e após os desfiles dos blocos de rua. As ações ocorrerão nas vias principais, ruas de acesso e áreas adjacentes, com varrição mecanizada, lavagem, esvaziamento de papeleiras e contêineres e remoção de resíduos.
Todos os serviços de rotina da Companhia serão mantidos durante o Pré-Carnaval e o Carnaval. A operação seguirá até o último dia de folia, com o desfile do Monobloco. O efetivo total será de 13.714 trabalhadores, sendo 9.736 garis.
A Comlurb realizará a maior operação de conteinização já feita para eventos na cidade, com 13 mil contêineres, sendo 10 mil de 240 litros e 3 mil de 1.200 litros. Durante o Carnaval 2026, a Companhia também promoverá a maior operação de limpeza hidráulica e mecanizada da história do Rio, com 1.507 veículos, incluindo caminhões compactadores, varredeiras de grande porte, mini-varredeiras, tratores, carrinhos elétricos e 180 sopradores, todos atuando em três turnos.
Após os desfiles, as equipes realizarão limpeza hidráulica com água de reuso, utilizando 40 mil litros de sabão e 5 mil litros de essência de eucalipto. Serão empregados 30 caminhões-pipa, 26 vans com implementos de limpeza hidráulica e cinco caminhões específicos para o serviço. Também será feita a aplicação de essência de eucalipto com 125 pulverizadores costais no entorno dos banheiros químicos. A Comlurb ficará responsável ainda pela limpeza dos quatro postos médicos instalados nas áreas de desfile.
Carnaval + Seguro para Mulheres reforça ações de prevenção à violência
A Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres e Cuidados do Rio (SPM-Rio) estruturou uma operação especial para o Carnaval, com foco na prevenção e no enfrentamento à violência contra mulheres nos locais de maior concentração de público.
A estratégia inclui equipes especializadas atuando nos principais pontos da folia, oferecendo acolhimento imediato, orientação e encaminhamento à rede municipal de proteção em casos de assédio ou violência. Durante os desfiles oficiais, serão instalados postos fixos de atendimento na Marquês de Sapucaí, na Intendente Magalhães e na Fan Fest do Carnaval, em Copacabana, com profissionais capacitadas, como assistentes sociais, psicólogas e advogadas.
Além disso, equipes de mobilizadoras circularão pelos blocos de rua e pelo Carnaval dos Parques, realizando abordagens informativas e distribuindo materiais da campanha “Carnaval + Seguro para Mulheres”, com mensagens de prevenção ao assédio e incentivo à denúncia. A campanha também contará com adesivação dos banheiros dos espaços oficiais, com mensagens claras de enfrentamento à violência e QR Codes que direcionam para a plataforma www.mulher.rio onde estão disponíveis informações sobre acolhimento, orientação jurídica, apoio psicológico e os equipamentos da rede municipal.
Com a operação, a Secretaria reforça a presença das políticas públicas nos espaços de festa e destaca que nenhuma forma de violência deve ser naturalizada, reafirmando o compromisso do município com a proteção, o cuidado e a garantia de direitos das mulheres.
Faltando um pouco mais de um mês para o Carnaval, as fantasias da Unidos da Tijuca para o desfile sobre o enredo “Carolina Maria de Jesus” se esgotaram. Para o próximo carnaval, a escola destinou 100% dos figurinos à sua comunidade sem taxa de inscrição. Para garantir a fantasia, no entanto, é necessário comparecer a todos os ensaios, que entraram na reta final.
Quem ainda não teve oportunidade de conferir como a Unidos da Tijuca está se preparando para o Carnaval deste ano, tem as últimas chances para conferir. A escola promove nas quintas-feiras 15 e 22 de janeiro seus últimos ensaios de rua na Via D1, no Santo Cristo, que fica na rua atrás da sua quadra. Já no dia 25 de janeiro, domingo, a agremiação estará no bairro onde foi fundada, levando todos os segmentos para a Rua Conde de Bonfim, com concentração a partir das 18h, na altura da Rua José Higino até a rua Uruguai. Nos dias 30 de janeiro e 6 de fevereiro é a hora de treinar no campo oficial do jogo: Marquês de Sapucaí e fechando os ensaios, dia 8 de fevereiro acontece o tradicional encerramento aos pés do Morro do Borel, com ensaio de rua na São Miguel.
A direção informa que o componente que não comparecer aos últimos treinos será excluído e as vagas serão destinadas aos que aguardam na fila de espera. Participam do ensaio o time completo da agremiação tijucana. Além da presença de sua guerreira comunidade, composições e destaques dos carros alegóricos estarão presentes, assim como o time completo de musas. Com o barracão em fase final de execução e entrega de fantasias a ser iniciada em breve, a escola agora trabalha focada na preparação máxima dos seus componentes em busca da manutenção da nota máxima em harmonia e evolução.
Neste carnaval, a Unidos da Tijuca será a última escola a desfilar na segunda-feira, dia 16 de fevereiro na Marquês de Sapucaí. O tema “Carolina Maria de Jesus” desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira é uma homenagem à escritora, memorialista, compositora e multi-artista mineira, autora do best-seller “Quarto de Despejo – O Diário de uma favelada”, considerado uma das mais revolucionárias e impactantes obras da literatura brasileira.
Serviço:
Ensaios de Rua da Unidos da Tijuca
15 e 22/01 às 19h – Rua Geógrafo Milton Santos – Via D1 – Santo Cristo
25/01 às 18h – Rua Conde de Bonfim (entre a José Higino e Uruguai) – Tijuca
30/01 e 06/02 – Ensaio Técnico na Marquês de Sapucaí
“Viva o Hoje! O Amanhã? Fica pra Depois” não é apenas o enredo da União da Ilha do Governador para o Carnaval 2026. É uma declaração de intenções. A escola atravessa um novo momento, com equipe renovada, comunidade mobilizada e a vontade clara de viver o presente, construindo passo a passo um desfile competitivo e carregado de significado. Na noite da última quarta-feira, a agremiação transformou a Estrada do Galeão, na altura do Relógio da Cacuia, em palco de mais um ensaio de rua. A comunidade se fez presente em peso, tanto para desfilar quanto para acompanhar, criando um ambiente de festa, pertencimento e expectativa.
Antes mesmo do ensaio começar, o diretor de carnaval, Júnior Cabeça, anunciou uma notícia que elevou ainda mais o clima: todas as fantasias da escola já estão prontas, faltando um mês para o carnaval. O comunicado foi recebido com euforia pela comunidade, que respondeu com aplausos e vibração, sentindo confiança na organização e no planejamento da escola, presidida por Ney Filardi. A União da Ilha do Governador irá desfilar no dia 13 de fevereiro de 2026, sexta-feira de Carnaval, como a sexta escola da noite na Série Ouro do Sambódromo.
Fotos: Juliane Barbosa e Juliana Henrik/CARNAVALESCO
COMISSÃO DE FRENTE
A comissão de frente, coreografada por Júnior Scapin, apresentou uma proposta forte e impactante. Numerosa e formada majoritariamente por jovens, trouxe passos marcantes, movimentos amplos de braços e uma energia contagiante, refletindo garra, entrega e o desejo de mostrar o melhor neste novo momento da União da Ilha.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O grande destaque da noite foi o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, João Oliveira e Duda Martins. Jovens, mas donos de uma maturidade impressionante, eles conduziram o pavilhão da União da Ilha com uma dança marcada por romantismo, leveza e extrema sintonia.
O bailado do casal emociona pela delicadeza. O toque preciso, os olhares atentos, a forma como João conduz e como Duda desenha o espaço com a saia criam uma dança envolvente, segura e elegante. Mesmo sendo um dos casais mais jovens da função, transmitem confiança ao carregar um pavilhão de tanta tradição, reafirmando que juventude e responsabilidade podem caminhar juntas na Avenida.
SAMBA E HARMONIA
No carro de som, Tem-Tem Júnior comandou o samba com firmeza, encontrando boa resposta da escola, especialmente nos primeiros setores do ensaio. A comunidade cantou com vontade, abraçando a proposta do enredo e criando um coro empolgado que deu o tom da apresentação.
Ao longo do percurso, a harmonia mostrou um início forte e vibrante, com alas cantando e interagindo com o samba. No entanto, ficou evidente a necessidade de maior atenção às últimas alas, onde algumas pessoas já não acompanhavam o canto com a mesma intensidade. Um ponto de ajuste importante, sobretudo em um quesito decisivo, que ainda conta com mais ensaios para ser lapidado.
Sobre o momento da escola, o diretor de carnaval avaliou o ensaio com clareza e responsabilidade.
“Se tratando de União da Ilha, a gente tem sempre que querer mais, mas, em relação aos meus quesitos, a minha harmonia está em evolução e eu estou muito feliz com o que aconteceu no ensaio de hoje. Graças a Deus, ainda temos a oportunidade de ensaiar mais quatro vezes e a gente pretende melhorar muito para chegar no dia 13 de fevereiro com tudo certinho e brigar por esse carnaval”, explicou Júnior Cabeça, diretor de carnaval da União da Ilha.
EVOLUÇÃO
A evolução da escola foi marcada por leveza e preocupação com a leitura visual. Para auxiliar no deslocamento e dar mais movimento ao conjunto, alas utilizaram bastões iluminados, bexigas e lenços, criando uma dinâmica fluida e organizada ao longo do percurso.
Um dos momentos mais simbólicos da noite veio com a última ala, formada por crianças. Cantando alto, dançando e vibrando alegria, elas traduziram com pureza a essência do enredo. Se a proposta é viver o hoje, elas representam exatamente isso: o presente pulsando, cheio de vida e esperança.
Bateria
A “Baterilha”, comandada pelo mestre Marcelo Santos, mostrou segurança e maturidade. Vinda de um carnaval com nota 40, ela apresentou bossas bem encaixadas, leitura inteligente da letra do samba e empolgação constante do início ao fim do ensaio.
Com serenidade, o mestre avaliou o desempenho: “Na minha opinião, está muito bom! Mas sempre precisamos aperfeiçoar. Se o desfile fosse hoje, a bateria está em forma para desfilar e na reta da briga pelas quatro notas 10. Estamos em ótima performance e preparados para o desfile, mas, lógico, respeitando e sempre tendo algo a melhorar”, disse Marcelo Santos.
A presença da rainha de bateria, Gracyanne Barbosa, também foi destaque. Mesmo ainda sem poder sambar por conta do acidente sofrido na Dança dos Famosos, Gracyanne esteve presente, esbanjou carisma, alegria e recebeu o carinho da comunidade, reforçando sua conexão com a escola.
Visando alcançar seu espaço no Grupo Especial, a Em Cima da Hora levará à Sapucaí, no Carnaval 2026, o enredo “Salve Todas as Marias: Laroyê, Pombagiras”, em homenagem às pombagiras, entidades da umbanda e do candomblé, que simbolizam a força e a resistência feminina. Na última quarta-feira, a agremiação realizou mais um ensaio de rua no bairro Cidade Nova, no Rio de Janeiro.
Comandada pelo coreógrafo Márcio Moura, a comissão de frente deu início ao ensaio com muita sincronia entre os dançarinos e o samba. Em alguns momentos da coreografia, as dançarinas se uniam em uma fila para mostrar resistência, interpretavam a incorporação da entidade e sua risada marcante. Além disso, ainda em sintonia com a canção, no momento em que é cantado “abre a roda!”, eles abrem uma roda enquanto giram. Isso demonstra a busca por referências nas danças típicas das religiões afro-brasileiras.
Eles não estavam fantasiados, apenas com a camisa que os identificava como dançarinos da comissão de frente e shorts pretos. Também não houve a presença de algo que simulasse a estrutura do desfile, mas, ainda assim, os dançarinos entregaram uma boa performance.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marlon Flôres e Winnie Lopes, se apresentou com vestimentas confortáveis para o ensaio e com as cores da agremiação. Ela, com um vestido azul-escuro brilhante, como uma noite estrelada, e botas brancas; ele, com camisa social azul-escuro de tecido acetinado, calça branca e tênis azul-escuro, brilhante tal qual o vestido de sua parceira.
Fotos: Maria Estela Costa e Mariana Santos/CARNAVALESCO
Na dança, o casal demonstrou harmonia e prática de ensaio, já que em momento algum Marlon tirou os olhos de Winnie e do pavilhão; ele “deslizava” ao redor dela, enquanto ela girava erguendo o pavilhão. Eles compreendiam, sem confusões, o momento de cada passo coreografado, e isso se destacou na apresentação.
HARMONIA
O carro de som e a bateria “Sintonia de Cavalcanti” foram os protagonistas da noite. A voz de Igor Pitta, junto ao atabaque da bateria, fez totalmente a diferença e, se não estivessem unidos, com certeza fariam falta. Apesar da boa relação da ala musical com a bateria do mestre Léo Capoeira, a comunidade não estava mostrando toda a sua potência no canto.
Os componentes até cantavam; alguns já sabiam a letra e outros estavam com a “colinha”, mas nem todos entregaram força na voz. Isso pode ser resultado da ausência de alguns desfilantes no ensaio ou de uma menor exigência da escola e dos diretores de harmonia, o que gera preocupação, tendo em vista que isso é algo crucial para os julgadores. Exceto por esses pontos que precisam ser revisados, o carro de som e a bateria conseguiram entregar um ótimo desempenho.
“Eu já esperava, já conheço o Léo, a gente já trabalhou junto em 2023, então o rendimento da bateria não chega a ser surpreendente porque eu já conhecia, mas é um rendimento de excelência. O samba-enredo tem me surpreendido, porque o samba está estourando bastante a bolha do carnaval. É muita gente que é do axé, mas não é do carnaval, que ouviu, se identificou com o samba e tem procurado a escola, isso é muito legal”, disse o intérprete Igor Pitta.
EVOLUÇÃO
As alas estavam bem posicionadas; havia a preocupação com a fileira, mas isso não impediu os desfilantes de estarem à vontade para o ensaio. As pessoas estavam bem alegres, sambando e interagindo com o público, o que deu um ar de leveza ao ensaio. Havia alas coreografadas e com adereços em referência ao que irão utilizar no desfile, como a ala número 5, em que cada integrante segurava um leque azul como adereço e fazia passos em dupla, e também a ala 12, que usou a criatividade e levou cabos de vassoura como alusão ao que vão portar na avenida.
Além disso, a escola também decidiu inovar e colocar dançarinas para dançar ao redor da rainha de bateria, Maryanne Hipólito. A coreografia tem ligação com o enredo, com a homenageada e com aqueles que buscam a entidade pombagira.
Acontece que isso implicou na evolução da bateria e das pessoas que estavam ao redor; era perceptível que os diretores de bateria estavam mais alarmados para que não houvesse interrupções. Esse fato chamou atenção e gerou curiosidade para saber como será no ensaio técnico e no desfile.
SAMBA
Trata-se de um samba fácil de gravar, principalmente os dois refrões e os momentos de ênfase em alguma palavra, como quando é cantado “Dona Sete Catacumbas é da Em Cima da Hora”, em que há um destaque no nome da agremiação. Como dito anteriormente, os intérpretes e a bateria demonstraram que seu trabalho é realizado com respeito e harmonia, sem ultrapassar ninguém e com o mesmo objetivo: entregar excelência no rendimento do samba.
OUTROS DESTAQUES
A rainha de bateria, Maryanne Hipólito, esteve presente e brilhou, não só por seu look todo trabalhado em pedrinhas brilhosas, mas também por seu samba no pé, harmonia com o público e o sorriso espontâneo no rosto. Sua coreografia contou com a participação de dançarinas que dançavam ao seu redor, como se ela fosse a pombagira, e as mulheres à sua volta, aquelas que a buscam até os dias atuais, em terreiros e giras de candomblé ou umbanda.
Ao CARNAVALESCO, mestre Leo Capoeira fez um balanço do ensaio: “Estamos com pouco tempo, mas estamos conseguindo botar os detalhes no lugar. E agora é aprimorar, aproveitar o próximo ensaio, aproveitar o ensaio técnico e depois os últimos ensaios que tivermos, botar tudo no lugarzinho. Já está dando tudo certo e vai dar mais certo ainda no dia do desfile. O ensaio técnico também é um teste, também é um ensaio, ainda é passível de erros. A gente só não pode errar no dia 14 de fevereiro. Lá, tem que ser tudo perfeito”, disse o mestre.
A presença do presidente da Liga-RJ, Hugo Júnior, foi elogiada e agradecida pela agremiação; segundo eles, o mesmo vem realizando um trabalho que traz mais visibilidade às escolas da Série Ouro.
Com grande presença de público, o Boulevard 28 de Setembro já viveu clima de Carnaval na noite do ensaio de rua da Vila Isabel. A rua cheia, o canto forte e a resposta imediata da comunidade criaram o ambiente ideal para um treino marcado por confiança, entrega e sensação de sonho vivido coletivamente. Em uma noite de alto rendimento musical, a escola apresentou excelente performance do intérprete Tinga, canto sustentado do início ao fim e uma atuação de grande nível do casal de mestre-sala e porta-bandeira, confirmando um ensaio em que técnica e prazer de desfilar caminharam juntos. A Vila Isabel será a segunda escola a desfilar na terça-feira de Carnaval, com o enredo “Macumbebê, Samborembá: Sonhei que um sambista sonhou a África”, assinado pelos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, com pesquisa do enredista Vinícius Natal.
A apresentação do casal Dandara Ventapane e Raphael Rodrigues sintetizou o estado de confiança que marcou o ensaio da Vila Isabel. Há, antes de mais nada, uma dimensão de beleza que se impõe sem esforço: Dandara vestia azul e branco, cores que prolongam o próprio pavilhão em seu corpo; Raphael, em terno branco com delicados detalhes em azul, constrói uma presença elegante. Juntos, defendem o pavilhão da Vila Isabel com evidente conforto cênico, sem rigidez, sem tensão, como quem sabe exatamente o lugar que ocupa na narrativa do desfile.
A observação a partir da simulação da segunda cabine de jurados revelou uma construção coreográfica particularmente inteligente já na entrada do módulo. Logo na cabeça do samba, no verso “sonhei macumbembê”, Dandara realizou bandeiradas curtas e precisas, que funcionam quase como um marcador temporal. O gesto não é à toa: através do pavilhão, a porta-bandeira parece dobrar o tempo, instaurando desde o início do ensaio a dimensão onírica do enredo, o sonho de um sambista que sonhou a África sendo agora sonhado pela Vila Isabel. A bandeirada inaugura um estado de sonho, tanto como evocação do homenageado e de seu legado quanto como projeção simbólica da busca pela quarta estrela do Povo do Samba.
Fotos: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO
Ao longo da apresentação, o casal executou os giros com convicção. Dandara se destaca pelos rodopios graciosos e por uma elegância que nunca resvala no excesso. Tudo nela parece estar na medida exata: o sorriso, a posição das mãos, a forma de segurar o mastro, o desenho dos giros. Trata-se de uma elegância natural, sustentada por firmeza e controle técnico, que valoriza o pavilhão sem jamais ofuscá-lo.
Raphael, por sua vez, apresenta um riscado firme e seguro, marcado por presença e abertura de espaço. Seu bailado é elegante, mas sobretudo afirmativo: há cortejo, proteção e condução clara da cena, sempre em diálogo atento com a porta-bandeira. É um mestre-sala que organiza o espaço para que a bandeira aconteça em plenitude.
No refrão principal, quando o samba reverencia Oxum, Dandara assume o protagonismo, incorporando gestos delicados que dialogam com a simbologia da orixá. Já na menção a Xangô, é Raphael quem se projeta, com pequenos gestos dançantes que evocam força e autoridade, sem perder a leveza do conjunto. A alternância de protagonismos é fluida e bem resolvida, reforçando a leitura dramatúrgica da coreografia.
O ponto mais alto da apresentação surge no trecho em que o samba diz “pintar a Unidos de Vila Isabel”. Ali, os dois simulam o ato de pintar o próprio pavilhão que Dandara carrega. O gesto ganha densidade simbólica ao funcionar como homenagem direta a Heitor dos Prazeres.
Com segurança técnica, inteligência coreográfica e forte leitura simbólica do enredo, Dandara e Raphael apresentaram um ensaio de altíssimo nível. É um casal que reúne beleza, firmeza e sentido, com todos os elementos para disputar os 40 pontos com plena categoria.
SAMBA E HARMONIA
Se a energia de confiança que atravessou o ensaio da Vila Isabel precisava de um ponto de ignição, ele estava claramente no trabalho de Tinga à frente do carro de som. O esquenta foi sensacional e cumpriu um papel decisivo na atmosfera da noite. Um dos momentos mais fortes aconteceu quando o intérprete cantou “Angola”: a vibração foi imediata e transversal, alcançando não apenas os componentes da escola, mas também o público que acompanhava o ensaio e cantou junto, em alto volume e resposta espontânea.
Essa capacidade de mobilização não se restringe ao esquenta. Tinga leva a mesma categoria, a mesma animação e o mesmo domínio vocal para a defesa do samba-enredo de 2026, afirmando-se com clareza como um intérprete de primeira prateleira do Carnaval carioca. Sua condução imprime gás constante à obra e sustenta a escola do início ao fim, mantendo o canto vivo, encorpado e comunicativo.
O samba é integralmente cantado pela escola. Não se trata apenas de explosões pontuais nos refrões, mas de um canto que percorre toda a letra, com entrega coletiva. O refrão principal, naturalmente, concentra maior impacto e provoca um canto mais devocional, mas o que chama atenção é a manutenção do volume e da presença vocal ao longo de todo o percurso. A Vila Isabel canta muito e canta a letra inteira.
Do ponto de vista da harmonia, há um ponto de atenção a ser observado. O samba começa em rendimento muito alto e, à medida que o ensaio avança, especialmente após cerca de 20 a 30 minutos de desfile, percebe-se uma leve queda na intensidade do canto. Ainda assim, mesmo nesse momento, a comunidade segue cantando de forma consistente e retoma um rendimento mais forte na parte final do ensaio, em patamar próximo ao observado no início.
Esse movimento não compromete a leitura geral, mas indica um aspecto a ser lapidado na reta final da temporada: a manutenção do pico de energia vocal em toda a extensão do desfile. Em contrapartida, é significativo notar como o público acompanha a escola. Muitas pessoas que estavam ali como espectadoras cantavam o samba do início ao fim, reforçando a sensação de pertencimento e ampliando o campo sonoro do ensaio.
No conjunto, samba e harmonia se apresentaram como um dos quesitos mais fortes da escola. Há canto, há adesão, há convicção. A Vila Isabel não ensaia um samba que ainda precisa ser aprendido; ensaia uma obra que já foi incorporada, dentro e fora da escola.
Após o ensaio, o intérprete Tinga destacou o clima de satisfação e confiança vivido pela escola na noite do Boulevard 28 de Setembro. Para ele, o rendimento apresentado já é motivo de celebração, independentemente do que ainda virá pela frente.
“Foi maravilhoso. Independente do que vai acontecer, a gente já está feliz demais. A escola está feliz, a comunidade está feliz. A gente vai em busca do nosso sonho com toda humildade. A luta vai continuar na avenida, com alegria e com força. Se Deus quiser, a gente vai em busca desse título tão sonhado pela nossa comunidade”, declarou.
Questionado sobre eventuais ajustes no samba até o desfile oficial, Tinga ressaltou que o trabalho segue em processo contínuo de teste e lapidação, algo natural na preparação para a Sapucaí:
“Até lá a gente vai ajustando tudo. Hoje mesmo já fizemos algumas coisas diferentes para testar. É sempre assim: a gente testa, vê o que dá certo, o que não dá a gente tira. Até o dia do desfile, a ideia é chegar o mais ajustado possível para fazer o nosso melhor”.
Sobre a repercussão do samba de 2026, frequentemente citado como um dos mais fortes da temporada, o intérprete destacou a resposta da comunidade e do público presente no ensaio.
“A expectativa é das melhores. A 28 de Setembro estava lotada, todo mundo cantando o samba. E o mais bonito é que não é só o povo da Vila Isabel cantando. É gente de outras escolas, gente que gosta do samba da Vila. Isso dá uma alegria muito grande. Se Deus quiser, a gente vai fazer um grande desfile”, disse, confiante.
EVOLUÇÃO
A evolução da Vila Isabel foi um dos retratos mais claros do estado de confiança que marcou o ensaio. A paixão do povo do samba pela obra de 2026 se traduz diretamente na forma como a escola avança pela pista: uma evolução precisa, tranquila e, sobretudo, espontânea. O canto puxa o corpo, e o corpo responde com naturalidade. Nada parece forçado. A escola canta enquanto anda e anda enquanto canta, com fluidez contínua.
Há um componente de despojamento muito significativo nessa evolução. Os componentes atravessam a pista com alegria, leveza e senso de brincadeira, em um registro que valoriza o prazer de desfilar. Esse estar à vontade não significa desorganização; ao contrário, revela uma escola segura, que confia no próprio samba e no próprio chão. A evolução flui sem sobressaltos, com espaçamento bem resolvido e deslocamentos orgânicos.
O conjunto cresce ao longo do ensaio de maneira progressiva e consistente. A escola ganha corpo, presença e densidade, sustentando o rendimento do início ao fim. É um trabalho que evidencia a atuação afinada da direção de Carnaval e da harmonia, que conseguem transformar a paixão pela obra em avanço ordenado, sem engessamento.
O principal ponto de atenção da noite esteve fora do corpo regular da escola. O número excessivo de convidados à frente da bateria e nas proximidades do carro de som interferiu na dinâmica do ensaio. Em determinados momentos, essa presença ocupou espaço de forma inadequada, dificultando a comunicação entre carro de som e bateria e quebrando o ritmo natural da escola. Além disso, enquanto o componente canta com entrega, parte desses convidados nem sempre acompanha o samba, criando um ruído desnecessário no conjunto.
É um ajuste simples, mas importante. A Vila Isabel tem uma evolução que funciona justamente porque é orgânica, contínua e coletiva. Qualquer elemento que fragmente esse fluxo compromete, ainda que pontualmente, a força de uma escola que mostrou, na rua, estar pronta para brincar, cantar e avançar com precisão.
OUTROS DESTAQUES
A bateria “Swingueira de Noel”, comandada pelo mestre Macaco Branco, apresentou um rendimento de alto nível e foi um dos grandes pilares do ensaio da Vila Isabel. Em diálogo direto e afinado com a ala musical, a bateria demonstrou domínio absoluto do samba de 2026, executando com precisão as bossas pensadas para a obra e sustentando, com segurança, a pulsação da escola ao longo de todo o percurso.
Segundo o mestre, o ensaio confirmou o excelente momento vivido pela bateria da Vila Isabel. “Foi um ensaio maravilhoso. A bateria está muito apaixonada pelo samba, muito empolgada e feliz de tocar essa obra. É gratificante demais falar de Heitor dos Prazeres, um ícone que ajudou a construir a grandeza do samba e do Carnaval. A bateria está afiada, em sintonia com o carro de som, com o Tinga e com a direção musical. Agora é seguir ensaiando, deixar o tempo passar e chegar ainda mais forte na avenida. Se o Carnaval fosse hoje, a gente estaria representando muito bem a Vila Isabel”, afirmou Macaco Branco.
Além do desempenho musical, a bateria contou com a presença da rainha Sabrina Sato, que esteve à frente dos ritmistas durante o ensaio. Sabrina desfilou com desenvoltura, interagiu com o público e acompanhou a bateria de forma integrada, sem interferir na dinâmica do conjunto. Sua presença foi recebida com entusiasmo pela comunidade e por quem acompanhava o ensaio na rua, somando energia ao ambiente já aquecido da noite.
O projeto Rio Capital do Carnaval inaugura nesta terça-feira o aguardado Carnaval Fan Fest, que transformará a Praia de Copacabana em um palco de experiências imersivas entre 20 de janeiro e 21 de fevereiro de 2026. Ao longo desse período, o evento contará com encontros musicais emblemáticos, aulas de samba e oficinas carnavalescas, além de apresentações das 12 escolas de samba do Grupo Especial e de experiências para o público vivenciar a folia.
Logo no primeiro dia, 20, no feriado de São Sebastião, em uma iniciativa com a Superbet, será formada uma superbateria, com integrantes de todas as agremiações, que vai quebrar o recorde de “a maior bateria do mundo”, oficializada pelo Guinness World Records™️. Serão mais de 1.200 ritmistas, comandados pelos mestres do Grupo Especial e com Neguinho da Beija-Flor cantando sambas- enredo históricos.
Nessa mesma data, os foliões poderão acompanhar um aulão de samba no pé com Carlinhos do Salgueiro, responsável por revelar grandes talentos entre musas e passistas. À noite, Belo e Neguinho da Beija-Flor se encontram para um show especial, que promete trazer muita emoção.
Para garantir o acesso gratuito, sujeito à lotação, e a segurança de todos, a entrada no evento será controlada por um sistema de reconhecimento facial. O público deverá realizar um cadastro prévio, que já está disponível no aplicativo oficial do Rio Carnaval. Menores de 16 anos podem entrar, mas apenas se estiverem acompanhados dos pais ou responsáveis legais (maiores de 18 anos).
A programação completa poderá ser obtida no perfil oficial do evento no Instagram: @riocapitaldocarnaval.
Rio Capital do Carnaval apresenta: A Fan Fest Oficial do Samba, com patrocínio master da Enel e Superbet, Brahma como cerveja oficial, SESC RJ como parceiro institucional e 99Food como delivery oficial. Apoio da Marriott Bonvoy, Dr. Consulta e CeraVe. Criação e produção SRCOM e realização LIESA. O projeto tem o Governo do Estado e a Prefeitura do Rio, como estado e cidade anfitriã, respectivamente.
CARNAVAL FAN FEST 2026
O quê: Rio Capital do Carnaval Fan Fest – um mês de shows, aulas e experiências imersivas
Onde: Praia de Copacabana, Rio de Janeiro
Quando: de 20 de janeiro a 21 de fevereiro de 2026
Quanto: gratuito
Como participar: acesso mediante cadastro facial prévio no APP do Rio Carnaval
Mais informações: @riocapitaldocarnaval no Instagram