A Imperatriz da Pauliceia realizou seu único ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi, preparando-se para o Carnaval de 2026. Com o tempo de 46 minutos, a escola apresentou um ensaio técnico consistente. A azul e branca da Zona Leste será a segunda escola a desfilar no sábado de Carnaval pelo Grupo de Acesso 2. A agremiação levará para a avenida o enredo “Congá, o altar sagrado da minha fé”, assinado por uma comissão de carnaval.
COMISSÃO DE FRENTE
Os bailarinos, liderados pela coreógrafa estreante Paula Penteado, apresentaram um ensaio técnico marcado pelo sincronismo. A comissão apostou em coreografias de inspiração afro-brasileira para narrar o enredo, sem abrir mão da tradição e mantendo forte conexão com a identidade da escola ao apresentá-la ao público.
A ala foi dividida em dois grupos, que se alternavam entre coreografias realizadas no chão e sobre um tripé. Um dos integrantes desfilou com um adereço de mão que representa o orixá Ogum. Também se destacou uma integrante com forte protagonismo em um ato coreográfico, que desfilou segurando um fio de contas, ao lado de uma criança com o mesmo adereço.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Ronaldo e Leila, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Imperatriz da Pauliceia, dançaram com trajes tradicionais do quesito, em tom champanhe. Durante as apresentações nos módulos, a dupla executou passos que remetiam às danças dos orixás, de acordo com o enredo, apostando em uma dança mais contida e clássica.
Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO
O casal realizou corretamente os movimentos obrigatórios do quesito, como giros em sentido horário e anti-horário, além do eixo.
HARMONIA
A Imperatriz apresentou um desempenho satisfatório no quesito Harmonia. Apesar do contingente reduzido, os componentes cantaram o samba com bom volume e afinação. No refrão do meio, em que o samba-enredo saúda o orixá Ogum, a escola correspondeu bem à proposta musical.
O canto da comunidade foi satisfatório do início ao fim do ensaio, mostrando que os componentes estão dispostos a alcançar um objetivo maior dentro do Grupo de Acesso 2 do carnaval paulistano.
O intérprete Dom Júnior fez uma boa estreia, demonstrando sintonia com o carro de som e com a bateria. O cantor apostou na interação com o público, conferindo um balanço especial ao samba-enredo.
EVOLUÇÃO
A agremiação ensaiou de forma alegre e dançante. Com coreografias nos refrões, a ala 2 se destacou pela empolgação, além do uso de adereços de mão. A ala de passistas apresentou-se organizada, vestindo um macaquinho azul e demonstrando grande entrosamento com o ritmo da bateria.
Os componentes aproveitaram o samba animado e desfilaram de maneira despojada, balançando o corpo e evoluindo continuamente.
SAMBA-ENREDO
A parte musical da azul e branca da Zona Leste segue sendo um dos destaques da escola por mais um ano. O samba-enredo, composto por Léo PZ, André Valencio, Sukata, Daniel Rizzo, Pingo Nascimento, Vitor Neto, Wil, PH, Jadson Fraga e Tubino, traz uma melodia de fácil assimilação, que fica na memória não apenas dos componentes, mas também do público.
A melodia se encaixa perfeitamente nas propostas rítmicas da mestra de bateria, Rafa. A letra está alinhada à sinopse apresentada pela escola e desenvolve o enredo de forma clara e eficiente.
OUTROS DESTAQUES
A bateria “Swing da Pauliceia” foi o grande ponto alto do ensaio. A mestra Rafa aproveitou bem o único ensaio técnico da escola, testando diferentes bossas em sequência. A bateria contou ainda com uma ala à frente tocando atabaques, agregando representatividade e riqueza sonora ao enredo que será apresentado no desfile. Acompanhando a bateria, a rainha estreante Kamila Simioni vestiu-se com muito strass e brilho para abrilhantar sua apresentação.
A ala das baianas desfilou vestida com tecidos africanos, cada componente em uma cor diferente, representando o enredo “Congá”. Apesar do sol, as matriarcas dançaram com muita disposição nos refrões do samba-enredo.
Por Lucas Sampaio, Gustavo Mattos, Letícia Sansão e Will Ferreira
A Unidos de Vila Maria realizou neste sábado seu primeiro ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi, em preparação para o desfile no Carnaval 2026. O início dos trabalhos foi marcado pelo alto nível técnico da evolução e pela irreverência dos componentes ao longo de todo o treinamento, encerrado após 51 minutos de travessia pela Passarela do Samba. A Mais Famosa será a segunda escola a desfilar no dia 16 de fevereiro pelo Grupo de Acesso I, com o enredo “Do chão que alimenta à culinária que encanta: Brasil, um banquete de sabores”, assinado pelo carnavalesco Vinicius Freitas.
Se a proposta para o dia do desfile oficial é apresentar a gastronomia brasileira, a entrada dessa refeição foi servida no primeiro ensaio da Vila Maria com louvor. Mesmo com o pequeno atraso no cronograma para a abertura dos portões, a escola mostrou leveza e segurança desde o primeiro quesito até o último elemento a concluir sua travessia pelo Sambódromo. Um tempero caprichado, digno de uma comunidade que sabe a força que tem e que promete um prato principal farto no desfile oficial, para desfrutar de uma doce sobremesa na terça de carnaval.
COMISSÃO DE FRENTE
O treinamento começou com a banca de feirantes da comissão de frente desenvolvida pela coreógrafa Taiana Freitas. Em uma apresentação dividida em dois atos, um protagonista caracterizado como um senhor idoso aparentava ser o cliente da feira, que interagia com as bancas e as dançarinas que por elas bailavam, em referência à brasilidade espalhada pelo mundo por Carmen Miranda. Uma criança sai de uma das bancas e passa a interagir com o idoso, as dançarinas e os feirantes, elevando a doçura do agradável início de desfile da Vila Maria.
Um ponto interessante é que, no segundo ato dessa coreografia, as bancas são juntadas e viradas para um dos lados da Avenida e, na segunda vez em que fizeram tal movimento, viraram-se para o outro lado, mostrando dinamismo e a caracterização dos elementos alegóricos como parte do cenário do quesito. Toda a apresentação ocorreu sem erros aparentes, mostrando que o quesito está em preparação avançada para desfilar no domingo de carnaval.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Kadu e Camila Moreira superaram os ventos desafiadores do início do ensaio para realizar uma boa estreia na Avenida com o conjunto geral da Vila Maria. O primeiro casal da escola mostrou leveza e boa sincronia de movimentos ao longo de todo o treinamento, sendo, assim, um sinal positivo para as pretensões da Mais Famosa no Carnaval 2026.
“A gente está trabalhando desde maio. Conseguimos executar muito bem, graças a Deus, a gente veio sem erro nenhum. Foi um ensaio muito positivo. A escola também veio muito bem, cantando muito. Estamos muito felizes com o resultado que a gente entregou hoje”, disse o mestre-sala.
“A avaliação do ensaio hoje é totalmente satisfatória. A gente saiu com aquele sentimento de felicidade. Sabemos que entregamos o melhor que a gente podia entregar hoje”, completou a porta-bandeira.
HARMONIA
Um dos pontos de maior destaque do ensaio da Vila Maria, a harmonia surpreendeu do início ao fim. Alegria e leveza estavam explícitas no cantar e na expressão dos componentes, que chegaram até o quarto módulo esbanjando bom humor e sabendo cantar o samba da escola. O alto nível do quesito destoou não apenas em relação a anos anteriores, mas também do esperado geral de qualquer escola em um primeiro ensaio técnico no Anhembi. Certamente, a comissão de harmonia da “Mais Famosa” saiu feliz com o que viu do quesito.
“Daqui do carro de som, principalmente da onde eu fico, é muito difícil eu ter uma percepção, mas eu percebi bem na hora do recuo, aonde eu consigo realmente ver a escola, achei que estava cantando bastante, bastante alegria, acho para o próximo ensaio vai ser melhor, no segundo ensaio vai ser melhor. Pode melhorar a alegria, porque eu não sei se é o nervosismo do primeiro ensaio, o povo estar meio tenso, acho que a alegria tem que extravasar mais. Espero que a Vila Maria seja campeã, é isso que eu espero, campeã do Acesso 1 e volte para o Grupo Especial que é o lugar dela e nunca deveria ter saído”, afirmou o intérprete Clayton Reis.
EVOLUÇÃO
A Vila Maria contou com um contingente numeroso, mesmo em um período do mês em que muita gente ainda está aproveitando as férias. A sensação transmitida foi a de que os componentes viraram o ano ensaiando, pois a evolução foi constante, compacta e sem nenhuma pressa e, mesmo assim, fecharam o ensaio com tempo de sobra no cronômetro, iniciado assim que a escola começou a passar pela Avenida. A técnica apurada mostrou ser um elemento de desequilíbrio positivo para algumas escolas em 2025 e pode ajudar a Mais Famosa a buscar o retorno ao Grupo Especial.
“De verdade, nós estamos muito felizes e chegamos no nosso primeiro objetivo. Tem muita coisa para trabalhar ainda. Mas quem assistir vai ver que a gente já está no objetivo e vamos fazer um lindo carnaval, se Deus quiser. A escola está bem preparada. Hoje todo mundo viu a alegria do povo. Acho que o importante é essa alegria. Hoje é aniversário da escola, um dia de festa, mas uma festa com responsabilidade. É um carnaval gigantesco, bonito, e com muito requinte. É um carnaval que vocês vão amar”, garantiu Queijo, diretor de carnaval.
SAMBA
O samba da Vila Maria para o Carnaval de 2026 segue uma receita tradicional que costuma garantir um bom resultado em desfile, e o que se viu no Anhembi foi uma ala musical bem treinada, sob o comando do intérprete Clayton Reis. O samba manteve boa linearidade de andamento ao longo de toda a Avenida, e isso se refletiu no canto constante dos componentes.
OUTROS DESTAQUES
Carmen Miranda foi bem representada no Anhembi por meio da fantasia da rainha da bateria “Cadência da Vila”, Nathany Piemonte. A passista mostrou muito samba no pé e interagiu constantemente com o público, abrilhantando a apresentação dos ritmistas da Vila Maria. Estreando na escola, o mestre Marcel Bonfim demonstrou que conta com a confiança de seus comandados e engrandeceu o ensaio com bossas criativas e boa sintonia com a ala musical, fechando o banquete da Mais Famosa com requinte equiparável ao da alta gastronomia brasileira.
Os Acadêmicos do Tucuruvi realizaram no último sábado o primeiro ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi, em preparação para o desfile no Carnaval 2026. A impactante comissão de frente foi o principal destaque de um ensaio também marcado pelo bom desempenho da ala musical da escola da Cantareira, que encerrou o treinamento após 56 minutos. O Zaca será a terceira escola a desfilar no dia 16 de fevereiro pelo Grupo de Acesso I, com o enredo “Anti-Herói Brasil”, assinado pelo carnavalesco Nícolas Gonçalves.
O desfile da Tucuruvi promete proporcionar um conjunto audiovisual impactante e que gere reflexão, fazendo com que só seja possível ter clara noção de que o resultado será atingido de fato por meio do desfile. Mas o Zaca conseguiu mostrar na Avenida, em seu primeiro ensaio técnico, um conjunto de quesitos em constante evolução, e o pouco que foi possível ter de visual já deu a entender que a escola pode ser bem-sucedida em relação à sua intenção artística para o desfile oficial. É uma agremiação forte, com atributos dignos do Grupo Especial ao qual pertencia e com plenas condições de buscar o retorno a ele.
Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO
COMISSÃO DE FRENTE
Renan Banov está se caracterizando cada vez mais como um coreógrafo das expressões. Se em 2025 os indígenas de “Assojaba” impactavam pelos olhares, os Anti-Heróis, que vieram com uma pintura corporal texturizada dos pés aos cabelos, também cantaram o samba da escola como se fosse um grito de desabafo. Não havia uma distinção clara de função neste primeiro momento, o que pode ser uma forma de esconder o jogo por meio da caracterização padronizada. Ainda assim, em cada um dos dois atos era perceptível pelo menos uma figura de maior destaque. No primeiro, uma mulher demonstrava agonia e lamento, enquanto, no segundo, um homem gritava de dor enquanto tentava se erguer do chão. Houve até um momento em que dois dançarinos sambavam, mas suas expressões não eram alegres, como se o bailado dos pés tentasse esconder o sofrimento do rosto.
A proposta do enredo da Tucuruvi é narrar o martírio diário dos cidadãos comuns, que juntos formam essa gigantesca liga de anti-heróis brasileiros, e o que se viu na Avenida foi como a representação da alma daqueles que lutam uma guerra silenciosa em suas próprias mentes. Abertura impactante para um desfile que pretende fazer o público se identificar e se emocionar.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O primeiro casal do Tucuruvi conseguiu manter a irreverência e o gingado mesmo tomando um forte banho de chuva a partir da metade final do ensaio. Luan Caliel e Beatriz Teixeira mostraram desenvoltura nas obrigatoriedades e deram um toque especial à dança dentro da proposta da narrativa do enredo, como o mestre-sala, que, vestido como Zé Pelintra, fez uma evolução inspirada nas caracterizações da entidade da umbanda. É uma dupla que se conhece e mostrou estar se preparando bem para contribuir com o objetivo da escola.
HARMONIA
O sentimento de pesar após um resultado tão diferente do esperado em 2025 fez com que a comunidade da Cantareira pisasse no Anhembi com desejo de redenção. Os componentes demonstraram conhecimento da letra do samba e capacidade para conduzir o coral do desfile, em especial as alas do primeiro setor da escola. É possível que a escola consiga melhorar o vigor geral para impactar ainda mais o público no desfile oficial, sendo o próximo ensaio técnico uma oportunidade para fazer alguns ajustes.
EVOLUÇÃO
Uma mudança de grupo requer alguns ajustes, ainda mais diante das novidades que o regulamento apresenta para o Carnaval 2026. No começo do ensaio, foi possível observar uma leve inconstância na compactação entre o primeiro setor e a chegada na simbolização da segunda alegoria, ajustada conforme a escola foi entrando na Avenida. Uma vez consolidada, a fluidez foi constante até o fim do treinamento, e seu encerramento após 56 minutos mostrou que a escola tem plenas condições de fazer uma evolução segura no desfile oficial.
SAMBA
O intérprete Hudson Luiz foi um dos destaques do primeiro ensaio técnico do Tucuruvi. Segurança vocal e boa interação com a comunidade e a ala musical contribuíram para transmitir a mensagem do samba da escola ao longo do ensaio. O bom desempenho do quesito é um sinal positivo para as pretensões da comunidade da Cantareira para 2026.
OUTROS DESTAQUES
Com uma fantasia plumada exuberante, a rainha da “Bateria do Zaca”, Carla Prata, levantou o público com gingado e simpatia. Mestre Serginho mostrou por que é considerado um dos melhores da atualidade e apresentou uma ampla variedade de bossas e boa sintonia com a ala musical, sendo assim uma demonstração da força que os Anti-Heróis dos Acadêmicos do Tucuruvi pretendem levar para buscar o retorno ao Grupo Especial no Carnaval 2026.
O Camisa Verde e Branco viveu tempos de turbulência nos últimos meses. A bolha do carnaval paulistano se perguntava se a escola iria ensaiar ou até mesmo desfilar, mas eis que o Trevo da Barra Funda pisou no Anhembi firme e forte, com um dos melhores sambas do ano. O primeiro ensaio do Camisa teve como destaque a ala musical, liderada pelo intérprete Charles Silva. A condução do samba-enredo, juntamente com a bateria de mestre Jeyson, se sobressaiu no treino. Outros quesitos apresentaram pontos positivos, mas há ponderações a serem feitas. Fato é que, com essa potência de samba, a escola deve voltar melhor para o Anhembi no dia 31 de janeiro. O Camisa Verde e Branco encerra os desfiles do Grupo Especial com o enredo “Abre Caminhos”, que abordará a entidade Exu. O tema é desenvolvido pelo carnavalesco Guilherme Estevão.
Comandada por Luiz Romero, a comissão de frente do Camisa Verde e Branco ainda tem alguns pontos a serem desvendados. Havia, claro, a figura central de Exu circulando o tempo todo pela pista, que por vezes era venerada pelos demais integrantes, além de bailarinos realizando diferentes coreografias, como danças de terreiro e saudações ao público.
Paralelamente, outros componentes carregavam uma espécie de pilares, que se juntavam e se separavam ao caminhar com a evolução. Resta saber se isso terá algum efeito quando for confeccionado ou se pode ser revelado no próximo ensaio. Contudo, foi uma comissão de frente que ocupou a pista de maneira satisfatória e saudou Exu, deixando a mensagem explícita ao público.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O casal Marquinhos Costa e Lys Grooters realizou um ensaio seguro. Devido à pista bastante molhada pela forte chuva que caiu momentos antes do ensaio do Trevo, a dupla optou por realizar seus movimentos mais amplos nos pontos estratégicos, especialmente nas cabines de jurados. Pelo restante da pista, foram evoluindo tranquilamente, com leves giros horários e anti-horários. O terreno molhado impossibilitou a dupla de realizar um treino intenso, característica dos dançarinos. É o primeiro ano juntos, mas ambos já dançavam dessa forma com seus antigos parceiros.
“Antes da responsabilidade eu acho que vem o prazer porque eu vi Gabi, eu vi Cláudia e Cláudia, eu vi Léo dançando com a Joyce, Pâmela e Douglas, eu vi muita gente que foram espelhos para mim dançando no Camisa. O Douglas, ao mesmo tempo que ele era mestre-sala mirim no Camisa, eu era mirim também na São Lucas. São grandes amigos que eu vi nessa escola tradicional, acho que é uma responsabilidade e um prazer imenso por causa disso. A nota, cada um ano, mas é uma responsabilidade defender essa nota 40. A gente teve uma passagem de quatro anos e dois carnavais na X-9, na época da pandemia e no ano que ela quebrou o pé no ensaio. Os dois anos na avenida foram nota máxima. Estamos recuperando esse trabalho que foi muito gostoso”, disse o mestre-sala.
“Nessa reta final fica um pouco mais puxada, já começaram os nossos ensaios específicos aqui. Hoje, a gente fez as marcações muito rápido. Testamos e graças a Deus funcionou. É claro que a gente tem mais o que melhorar, mais o que aperfeiçoar, mas a gente está muito feliz com o que a gente apresentou hoje”, completou a porta-bandeira.
EVOLUÇÃO
A escola evoluiu corretamente; não se viram espaçamentos nem buracos entre as alas. É um samba-enredo que permite à comunidade ficar solta, sem coreografias, apenas na repetição do meio: “Eu sou da rua, macumbeiro, sim, senhor”. Nesse trecho, os componentes batem palmas, como se estivessem em um ponto de matriz africana dedicado ao orixá. Algumas alas carregavam lenços e outras, bexigas nas cores da escola, mas a maioria priorizou as camisas igualitárias. Entretanto, não se sabe se a direção de carnaval e a harmonia do Camisa priorizaram um maior preenchimento da pista. O fato é que faltou uma intensidade maior de movimentação dos componentes, algo que o samba pede.
HARMONIA
Nitidamente, a comunidade do Camisa Verde e Branco está habituada ao samba-enredo e não se intimidou com palavras que fogem da língua portuguesa. Contudo, especificamente neste ensaio, faltou vigor no cantor. Assim como no quesito evolução, a intensidade foi deixada de lado.
A melodia do samba é de guerra e pede força e garra, o que não ocorreu. Talvez isso não configure erro, mas, com as caixas de som completas no Anhembi, pode ser difícil para os julgadores escutarem o canto. Ainda há mais um ensaio técnico para correções, além dos ensaios de rua e de quadra.
SAMBA-ENREDO
Um ponto positivo foi o carro de som comandado pelo intérprete Charles Silva. O carioca é estreante no Camisa Verde e Branco e no carnaval de São Paulo, chegando para substituir o renomado Igor Vianna. Viu-se, no primeiro ensaio técnico, um cantor promissor, que pode se identificar com a comunidade tanto quanto o “Gordão” conquistou seu afeto. Desde o esquenta, com os hinos e o histórico samba-enredo de 1988, o alto desempenho foi notório, levantando o Setor A, que consegue ouvir todos os esquentas.
Durante o ensaio, Charles mostrou um entrosamento consistente com sua ala musical. Executou os cacos nos momentos certos, chamou a comunidade e conduziu bem a obra com sua voz potente.
OUTROS DESTAQUES
Criada na escola, Camila Prins, reconhecida por sua luta LGBTQIAPN+ no carnaval, foi coroada rainha do Camisa Verde e Branco. O ato aconteceu momentos antes do ensaio.
A bateria “Furiosa”, liderada pelo mestre Jeyson Ferro, teve a estreia de sua dupla, Jeferson da Conceição. Os dois comandarão juntos a batucada do Trevo no Carnaval 2026. No ensaio, destaque para uma longa bossa, que ocupou todo o refrão de cabeça e terminou na primeira parte do samba.
Nilópolis viveu mais do que um ensaio. No encontro de quilombos, tendo como convidada a Unidos de Vila Isabel, a Beija-Flor levou para a rua um treino com cara de desfile e força de comunidade. O canto veio tão potente que, em diversos momentos, se sobrepôs ao carro de som.
O enredo “Bembé”, que carrega espiritualidade, ancestralidade e resistência como eixo central, já se impõe no corpo da escola, não sendo apenas cantado, mas também vivido. Cada ala parecia compreender o que estava sendo contado, e isso se refletiu diretamente na entrega, no canto e na postura da comunidade.
“Eu estava com o rádio no ouvido e estava com dificuldade de ouvir o rádio porque o canto estava mais alto”, contou o diretor de carnaval Marino, visivelmente impactado com o rendimento da escola. “Desde que eu cheguei na Beija-Flor, eu nunca vi um ensaio como o de hoje em termos de canto”, afirmou.
A sensação geral era de uma comunidade cantando por vontade própria, sem ser empurrada, sem ser cobrada. “A Beija-Flor tem uma aura diferente, uma energia diferente. Isso é natural, não é forçado. Se você tentar forçar, é brigar à toa. Hoje a energia estava explodindo sem a gente pedir”, completou Marino.
COMISSÃO DE FRENTE
Assinada pelos coreógrafos Saulo e Jorge, a comissão de frente, composta por 15 integrantes, quatorze homens e uma mulher, mostrou um trabalho já bem assentado. Coreografia clara, demarcação de espaço bem definida e uso inteligente da área. O grupo entrou organizado, sem dispersão, sem atropelo e com leitura limpa da proposta.
Os movimentos foram executados com sincronia e precisão, facilitando a compreensão do público e valorizando o impacto visual. Mesmo em contexto de rua, a comissão apresentou segurança e controle, mostrando que o desenho coreográfico está fechado e bem assimilado pelo grupo.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selminha Sorriso, dupla que tem mais de três décadas de parceria, apresentou entrosamento absoluto, muito carisma e comunicação constante. Os giros foram seguros, os deslocamentos limpos e a proteção à porta-bandeira foi feita com precisão.
Claudinho manteve postura elegante e condução firme, enquanto Selminha girava com leveza e domínio, mantendo o pavilhão sempre aberto e valorizado. Uma apresentação segura, madura e tecnicamente muito bem resolvida.
HARMONIA
A harmonia foi, sem exagero, um dos grandes destaques do ensaio. Todas as alas cantaram forte, sem oscilações perceptíveis entre setores. Não houve alas apagadas, nem queda de volume ao longo do percurso. O canto veio coeso, claro e afinado.
A comunidade respondeu com entrega total, sem confusão de letra, sem troca de versos, sem dispersão. Os intérpretes e o carro de som, mesmo em volume mais baixo, conseguiram se entrosar com a escola e sustentar o andamento. Ainda assim, foi nítido que quem carregou o ensaio foi o povo.
Marino reforça essa leitura emocional do ensaio. “Para mim, o que valeu hoje não foi só a técnica, que foi ótima. O ensaio valeu pela emoção. Ver o componente sorrindo, feliz, cantando, gritando… mais espontâneo do que isso é impossível.”
EVOLUÇÃO
A escola mostrou organização e maturidade, com uma evolução bem fluida, de forma coesa, sem embolos, sem correrias e sem lentidão. Não se observaram buracos na pista nem necessidade de retorno de alas para correção de espaço.
O andamento foi regular, com boa ocupação da rua e leitura clara de fluxo. Destaque também para as alas soltas, sambando, alegres, sem rigidez excessiva de fileira, trazendo vida ao conjunto e valorizando o desfile. Uma evolução limpa, segura e confortável.
SAMBA
O samba apresentou bom rendimento ao longo de todo o ensaio, com encaixe confortável no andamento e resposta imediata da comunidade. Os refrões vieram fortes, a letra sustentada e não houve queda de energia, o que mostra uma obra já assimilada pela escola.
A bateria, dos mestres Rodney e Plínio, foi um dos grandes motores da noite. Além da potência e da precisão, chama bastante atenção o uso dos atabaques, que dialogam diretamente com o “Bembé” e reforçam a identidade ancestral da proposta. O toque traz densidade, intensidade, fundamento e um clima ritualístico.
As bossas e paradinhas foram bem executadas, levantaram o público e empurraram ainda mais o canto da comunidade, criando uma resposta imediata da pista.
O mestre de bateria Rodney fez um balanço positivo, mesmo apontando a limitação do som. “Foi o segundo ensaio de rua e, mais uma vez, a escola veio muito coesa, cantando muito, harmonia perfeita, bateria muito bem. O problema foi a deficiência do carro de som. A bateria estava na íntegra, com 160 ritmistas, e o carro não suportou. Mas, na diversidade do som, a escola se comportou maravilhosamente bem. Isso é um grande sinal”. Ele completa: “A escola supre. Isso mostra que a gente está preparado para fazer um grande desfile.”
OUTROS DESTAQUES
Entre os destaques, a rainha de bateria Lorena Raissa chamou atenção logo no início ao enfrentar um problema com o salto, chegando a sambar por um momento descalça. A situação foi rapidamente resolvida, e ela seguiu sambando com ainda mais entrega, presença e energia, mantendo a interação com o público e a bateria.
O ator Samuel de Assis, destaque da escola, foi outro nome que brilhou. Mostrou samba no pé, carisma e envolvimento real com a comunidade. Samuel não fica em postura protocolar; pelo contrário, vive o ensaio, interage, sorri, samba e se conecta com o público, reforçando o clima de alegria e pertencimento.
Entre os destaques da noite, também está a prata da casa, o sambista Cássio, que entregou um espetáculo à parte. Com samba no pé afiado, irreverência natural e carisma de quem conhece cada centímetro da escola, ele incendiou a pista com leveza, personalidade e identidade em movimento.
Fotos: Maria Estela Costa e Marielli Patrocínio/CARNAVALESCO
Sob o luar nilopolitano, Vila Isabel e Beija-Flor de Nilópolis se juntaram no último sábado para um Encontro de Quilombos na principal avenida de Nilópolis. A agremiação apresentou seu enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África”, idealizado pelos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, além do enredista Vinícius Natal, que homenageia o sambista Heitor dos Prazeres, com foco na “Pequena África”, localizada na região central do Rio de Janeiro. O ensaio foi marcado pela potência da comunidade, responsável por animar o público.
“Há dois anos a gente esteve presente aqui, é uma honra muito grande. Fomos muito bem recebidos, não só por toda a escola, mas por toda a população. Trazer um pouco do que a gente faz no 28, toda quarta-feira, para cá. Bem reduzido, mas vai ser energia positiva, com a força do nosso samba, da nossa bateria, dos nossos segmentos. Feliz pra caramba e só agradecer à Beija-Flor de Nilópolis pelo convite”, declara Moisés Carvalho, diretor de carnaval da Vila.
COMISSÃO DE FRENTE
Abrindo o ensaio, a comissão de frente, comandada por Márcio Jahú e Alex Neoral, iniciou mostrando uma dança em que um integrante representava a figura homenageada, enquanto os demais dançavam em movimentos circulares e em fileiras, além de baterem palmas em sintonia com o samba. Era possível notar referências às danças da cultura afro, com uma mistura de capoeira e danças típicas dos cultos religiosos. Os dançarinos não estavam fantasiados, mas suas roupas estavam combinando: todos de short branco e camisa que os identificava como integrantes desse quesito.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane, se apresentou com figurinos elegantes: ele com um terno em tom de amarelo-dourado claro e sapato social branco com detalhes dourados; já ela estava com um vestido amarelo-dourado escuro e, no esquenta, botas douradas, mas logo trocou por um saltinho aberto, também dourado.
O casal vem trabalhando a expressividade, e isso foi algo muito bem lapidado. No ensaio, os passos estavam sincronizados. Raphael orbitava em volta de Dandara sem perder o foco nela e no pavilhão. Havia uma comunicação por olhares que antecipava os movimentos seguintes, tudo isso com muita fluidez.
HARMONIA
O ensaio da Vila Isabel não contou com muitas alas completas, pois alguns desfilantes se ausentaram. A solução da escola foi misturar alas para que o ensaio pudesse ser realizado e deu certo. Mesmo misturadas, as alas cantavam o samba com potência. É claro que houve incentivo dos componentes da harmonia, mas os desfilantes estavam à vontade, o que potencializou ainda mais o canto.
Além disso, a participação do carro de som, junto à bateria, foi responsável por facilitar a compreensão da letra pelo público. Havia uma boa sintonia entre ambos.
EVOLUÇÃO
As alas, apesar de misturadas, estavam bem posicionadas e seguiram de acordo com as instruções dos diretores. Duas alas localizadas no setor 1 estavam coreografadas, com passos fáceis, que não exigiam tanto esforço físico dos desfilantes.
Um aspecto que chamou atenção foi que, talvez por estarem acostumados a ensaiar com uma quantidade maior de desfilantes, a agremiação acabou acelerando no início do ensaio e, da metade para o final, desacelerou, fazendo pausas para prolongar o desfile. No entanto, isso também pode ter ocorrido pelo fato de a Avenida Mirandela ser mais extensa que a 28 de Setembro, local habitual dos ensaios da escola.
SAMBA
A comunidade estava bem familiarizada com o samba, cantando a canção de ponta a ponta. Além disso, o público nilopolitano apresentou maior facilidade em cantar apenas o refrão.
A presença do carro de som foi crucial para o rendimento dos desfilantes e também para testar o conhecimento do samba, já que, por estarem em um local majoritariamente ocupado por torcedores da coirmã Beija-Flor de Nilópolis, nos momentos de paradinha era necessário entregar mais vocais e domínio da letra para conduzir o canto e ensiná-la ao público.
OUTROS DESTAQUES
A rainha de bateria, Sabrina Sato não esteve presente neste Encontro de Quilombos. Assim, as estrelas da noite foram as musas, que desfilaram com looks produzidos, repletos de pedrarias, decotes e miçangas, além de interagirem com a comunidade nilopolitana, demonstrando respeito. E, claro, o samba no pé não ficou de fora.
A bateria, comandada pelo mestre Macaco Branco, apresentou paradinhas junto aos intérpretes, além de dancinhas dos ritmistas, sincronizadas com a batida dos instrumentos. O mestre falou sobre os preparativos para o desfile.
“A Vila Isabel já está pronta para desfilar e defender esse grande enredo sobre Heitor dos Prazeres. Se o desfile fosse hoje, a Vila Isabel estaria muito bem representada. É um prazer imenso poder visitar nossa coirmã aqui na Mirandela e realizar o nosso ensaio, que foi maravilhoso. Foi uma energia surreal”.
A Mocidade Alegre realizou seu primeiro ensaio técnico, no último sábado, visando à preparação para o desfile oficial de 2026. O treino foi marcado pelo alto nível em todos os quesitos, sobretudo, o conjunto musical, com destaque para a harmonia da escola. A comunidade da Morada do Samba sempre abraçou seus sambas-enredo, mas, desta vez, viu-se algo que não se notava desde o ciclo do Carnaval 2023: uma mistura de garra com leveza. Os apagões no refrão de cabeça foram respondidos de forma lúcida e influenciaram diretamente na arquibancada. A volta de uma evolução mais sólida e a criatividade misturada com uma fácil leitura da comissão de frente também se destacam. A Mocidade Alegre será a terceira a desfilar no sábado de carnaval, com o enredo “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”, desenvolvido pelo carnavalesco Caio Araújo.
Coreografados por Jhean Allex, profissional longevo na agremiação, os integrantes da comissão de frente da Mocidade Alegre se dividiram em dois atos. O primeiro foi realizado no chão, onde eles se alinhavam, dançavam e evoluíam de um lado para o outro no ritmo do samba, cumprindo requisitos como saudar o público, além de ocupar a pista com um belo visual, visto que parte dos integrantes estava vestida com a fantasia da comissão de frente do desfile oficial de 2025.
O outro ato acontecia sobre o elemento alegórico, no qual os dançarinos representavam alguns papéis que a homenageada Léa Garcia executou ao longo de sua carreira de atriz. Ao todo, foi uma demonstração padrão de Jhean Allex: uma encenação de fácil entendimento para o público. Porém, vale destacar que o coreógrafo sempre apronta novidades nos dias de desfile oficial.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Como é costumeiro na Mocidade Alegre, o casal de mestre-sala e porta-bandeira sempre desfila com a fantasia do carnaval anterior. Isso é importante, pois ambos podem passar pelo Anhembi sentindo o peso da indumentária, somado à evolução da escola. O casal Diego Motta e Natália Lago realizou os movimentos padrões do quesito, junto com a coreografia dentro do samba. Vale ressaltar que as cabines do Anhembi estão espalhadas por diversas áreas. É uma nova forma de julgamento, e todos os casais estão se adaptando ao novo formato.
“A gente teve muita sorte mesmo desde o primeiro momento que a Mocidade juntou a dupla. Eu acho que a nossa sinergia aconteceu antes da pista, antes da parte de ensaio, dança, a gente conseguiu se entender e equalizar os pensamentos. O primeiro ano meio no susto, porque até a gente se adaptar na dança… Mas o ano passado já foi um ano extremamente tranquilo, parece que a gente dança muitos anos mesmo. A expectativa entregar mais ainda do que no ano passado, bem mais”, disse o mestre-sala.
“A gente se conhecia antes, mas não tinha essa relação, essa conexão e o primeiro momento que a gente sentou para conversar foi o ponto principal. Além da parceria na dança, a gente é amigo, companheiro, se ajuda, passa por tudo junto e isso é muito importante, é muito especial. A preparação exige e é fundamental que a gente esteja de fantasia. A gente tem que aproveitar todas as oportunidades para ser mais próximo da realidade”, completou a porta-bandeira.
EVOLUÇÃO
Enfim, foi vista uma evolução padrão Mocidade Alegre. Voltou aquela sina de colocar a escola compacta para evitar espaçamentos e buracos, que foram problemas durante todo o ciclo de 2025 (ensaios técnicos e desfile oficial). Como em todo ano, a escola apostou bastante em alas coreografadas, algumas com coreografias mais detalhadas e outras apenas no ritmo do samba. Outro ponto que proporcionou um belo contraste foram os adereços de mão. Quase todas as alas estavam segurando algum objeto (pompom, lenço ou item ligado ao enredo), com cores que deram um visual satisfatório à pista.
HARMONIA
Foi o quesito de destaque do ensaio da Mocidade Alegre. Aparentemente, aquele “rolo compressor” de canto, somado a um grande samba, voltou com tudo para o Limão em 2026. Ainda não há caixas de som no Anhembi, e todos os presentes se baseiam apenas no carro de som e na bateria. Devido a isso, nos apagões realizados pelo mestre Sombra, dava para ouvir de longe a potência das alas, o que influenciou nas arquibancadas.
O refrão de cabeça tem ótima qualidade, o que culmina muito bem para o sucesso da harmonia: curto, mas explosivo, principalmente na frase “Ô Malunga ê…”. Por fim, destaca-se também o entrosamento da comunidade com o carro de som e as bossas. Logo na primeira parte do samba havia algo interessante: “Laroyê, bate três vezes”. Os componentes batiam três palmas. São detalhes que podem parecer pequenos, mas dialogam diretamente com o público e não podem passar despercebidos.
SAMBA-ENREDO
Na voz de Igor Sorriso, a obra foi muito bem sustentada, além do renomado carro de som. Como dito acima, o refrão de cabeça provocava uma “explosão” na comunidade, o que passava a sensação de entrosamento entre os três quesitos musicais: samba-enredo, harmonia e bateria. Como citado anteriormente, ainda não há caixas de som no Anhembi e, mesmo assim, as alas não embolavam o canto. Ele foi sustentado com êxito durante todo o ensaio.
OUTROS DESTAQUES
A bateria “Ritmo Puro”, comandada pelo mestre Sombra, mais uma vez, provou porque é uma das melhores há vários anos. Andamento e bossas funcionaram perfeitamente, dialogando diretamente com o carro de som e a comunidade. Simpática, a rainha Aline Oliveira interagiu bastante com o público, além de mostrar todo o seu samba no Anhembi.
A ala de passistas, liderada pelo coreógrafo Gustavo Siqueira, sambou bastante no pé. Em todos os setores, arrancou aplausos e gritos do público presente.
Se teve canto forte, pode colocar a ala das baianas nesse meio. As mães do samba, vestidas todas de branco, cantaram com vigor na avenida.
A Mocidade Independente de Padre Miguel realizou, na noite do último sábado, seu primeiro ensaio de rua de 2026, na Avenida Ministro Ary Franco, em Bangu. Embalada por um samba que exalta a liberdade e pela resposta consistente da comunidade, a escola apresentou um canto bem sustentado nos momentos centrais da obra, uma condução segura do intérprete Igor Vianna e uma evolução marcada pela alegria, espontaneidade e interação constante com o público. O conjunto revelou uma Mocidade que se diverte, brinca e se reconhece na homenagem a Rita Lee, imprimindo desde cedo o tom libertário do enredo. Primeira escola a desfilar na segunda-feira de carnaval, a Verde e Branco levará para a Sapucaí o enredo “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”, assinado pelo carnavalesco Renato Lage.
O samba da Mocidade tem uma característica muito interessante: ele é, de fato, uma ode a Rita Lee. A obra assume o tom de homenagem e imprime com clareza o espírito libertário que atravessou a trajetória da artista, seja por meio de citações diretas de suas músicas, seja por referências ao seu comportamento e às suas falas. Rita Lee não foi apenas uma grande cantora e compositora brasileira, mas uma figura que alargou debates sobre liberdade e comportamento, e isso está presente no samba.
Musicalmente, a obra se estrutura em momentos muito bem definidos. O primeiro refrão, “Sou Independente, fácil de amar / Livre de qualquer censura / Vem, baila comigo / Só de te olhar, posso imaginar loucuras”, é cantado como um verso de afirmação. O “independente” dialoga com a postura libertária de Rita Lee, mas também afirma a própria identidade da Mocidade neste processo de reconstrução. Não é um canto explosivo como o refrão principal, mas é bem sustentado pela comunidade. A retomada desse refrão, no trecho iniciado por “Amor é pra sempre”, aparece com fôlego e entrega, evidenciando uma obra bem sustentada nos refrões e nas retomadas ao longo do samba.
Nesses momentos de retomada, a atuação do intérprete Igor Vianna é decisiva. Com leitura inteligente da dinâmica do samba, Igor entrou sempre com vigor nos pontos cruciais, chamando a comunidade para sustentar o canto coletivo. Essa condução fortalece diretamente a harmonia da escola e potencializa a resposta das alas, sobretudo nos momentos em que o samba precisa ser retomado.
No refrão principal, o samba explode. É o trecho de maior extravasamento, em que o canto cresce, a escola se solta e a comunidade responde com mais intensidade. Ainda assim, há um momento intermediário da obra em que o samba perde força e parte dos componentes deixa de cantar, como nos versos “A Tropicalista do verbo sem freio / Pra farda uma língua e o dedo do meio / Cabelo de fogo e a lente encarnada / Mutante da pele marcada”. É um ponto que merece atenção para que o samba seja sustentado com intensidade do início ao fim da passagem pela avenida.
Vale destacar, por fim, o mérito da equipe musical que defendeu o som com categoria. Mesmo diante de problemas insistentes de microfonia no início do ensaio, Igor Vianna e sua equipe conduziram a obra com segurança e souberam contornar as dificuldades técnicas sem comprometer o rendimento do canto.
EVOLUÇÃO
A Mocidade evoluiu com alegria, espontaneidade e liberdade. Essa liberdade produziu um efeito claro: uma escola que quer evoluir. Os componentes querem pular, brincar, interagir o tempo todo, entre si e com o público. Há um jogo constante com quem assiste, e isso estabelece um tom muito importante para o desfile: o da brincadeira, da festa, do carnaval enquanto espontaneidade. Esse é, sem dúvida, um trunfo da evolução da Mocidade.
Fotos: Juliane Barbosa e Marcos Marinho/CARNAVALESCO
Por outro lado, esse mesmo impulso precisa ser um pouco ajustado tecnicamente. Em alguns momentos, a escola avança com passos mais lentos, parecendo segurar o andamento e, logo depois, acelera de maneira acentuada. O resultado é uma progressão um pouco irregular na pista.
O desafio, portanto, será o de equilibrar essa energia espontânea, trunfo da evolução da escola, com maior precisão técnica, para que a escola consiga manter o clima de festa sem perder organização e fluidez.
OUTROS DESTAQUES
A bateria “Não Existe Mais Quente”, comandada pelo mestre Dudu, segue como um dos pilares do ensaio. Precisa, pulsante e comunicativa, a bateria levantou o público presente na Avenida Ministro Ary Franco. No momento final, protagonizou uma cena muito bonita de comunhão: direção de harmonia, harmonias da escola e passistas vibraram juntos com a bateria, criando um clima de celebração que sintetiza bem o espírito do ensaio.
Tanto a comissão de frente quanto o casal de mestre-sala e porta-bandeira não participaram deste ensaio, pois estavam realizando testes de luz na Sapucaí. Ambos os quesitos retornarão à Avenida Ministro Ary Franco no próximo sábado, dia 17.
“Agora está na reta final e não tem mais o que ser colocado. Eu tentei até colocar na bateria mais uma paradinha, mas não deu e eu não vou correr esse risco de botar neste momento, o ideal é deixar como está. Tudo bem encaixado, dentro do tempo e da melodia. Eu sou um tipo de mestre que tento trabalhar sempre assim para ter um atendimento melhor. Quando você trabalha em cima de melodia fica fácil o entendimento. Tenho a oportunidade de fazer belos arranjos, tentei botar bem ‘ritilizado’ e quem curtiu e curte Rita Lee vai entender um pouco das nossas bossas. Coloquei bem a cara dela mesmo e eu também sou meio louco como Rita Lee. Para finalizar, os últimos ajustes agora é com o meu diretor Pimentão, as bossas, os desenhos e os arranjos. Todo mundo sem dormir o tempo todo construindo o trabalho e agora está aí a resposta: entregue! O samba da Mocidade eu tenho certeza que vai fazer um belo carnaval, se depender da minha bateria e de mim, vai fazer um belo carnaval se Deus quiser”, explicou mestre Dudu ao CARNAVALESCO.
OPINIÃO DO DIRETOR
Para o diretor de carnaval da Mocidade, Wallace Capoeira, o rendimento apresentado no primeiro ensaio de rua de 2026 confirma que a escola reencontrou um caminho de identidade e pertencimento. Segundo ele, a resposta da comunidade ao samba e à condução musical tem sido um dos sinais mais claros desse processo.
“A minha avaliação é sempre a mais positiva. A gente encontrou o caminho, encontrou a receita. A comunidade abraçou o samba, e o Igor está cantando de uma forma muito empolgante, com muita vibração, querendo cantar, vibrar e emocionar”, afirmou.
Na leitura do dirigente, o samba tem papel central nesse momento de reconexão da escola consigo mesma. “Eu acho que a Mocidade se reconecta com ela mesma, com a sua essência, com as suas raízes. O samba traz essa sensação de pertencimento, de liberdade. Viva o samba”, declarou Capoeira, destacando o alinhamento entre obra, intérprete e comunidade.
Apesar do tom positivo, o diretor de carnaval reforçou que o trabalho segue em construção e que o processo de avaliação é permanente. “A gente sempre precisa melhorar. Eu nunca estou satisfeito. A gente brinca, se diverte, mas amanhã já tem reunião para avaliar o que foi hoje. Filmamos tudo para entender o que a gente produziu de melhor e o que ainda precisa avançar”, explicou.
Capoeira destacou ainda os quesitos de chão como prioridade estratégica da Mocidade neste início de temporada. “A gente entende que ainda precisa subir alguns degraus, mas, quesito a quesito, temos uma comissão de frente muito forte, um casal de mestre-sala e porta-bandeira que dispensa comentários, uma bateria que não existe mais quente e um trabalho muito forte em evolução e harmonia. Esses quesitos precisam pontuar, independentemente de qualquer outra coisa”, avaliou.
Confiante no conjunto apresentado, o dirigente também citou o trabalho visual como um trunfo para o desfile oficial. “Com alegoria, fantasia e enredo, a gente tem muita fé e chances reais, pelo que já vem sendo apresentado. Eu cobro muito a minha galera, sou chato, mas hoje é dia de dar parabéns. A comunidade comprou a nossa causa, comprou a nossa ideia, e a gente vai fazer um grande espetáculo”, concluiu.
O mundo do samba amanheceu de luto neste sábado, com a morte do compositor Myngau, nome marcante da história recente das disputas de samba-enredo. Até o momento, a causa do falecimento não foi divulgada. Figura respeitada entre as parcerias e conhecido por sua escrita sensível e popular, Myngau construiu uma trajetória vitoriosa em diferentes praças do carnaval. Na Acadêmicos do Grande Rio, deixou sua marca em nove sambas-enredo, assinando as obras apresentadas nos carnavais de 2000, 2003, 2004, 2005, 2008, 2009, 2010, 2013 e 2023, ajudando a contar capítulos importantes da história da tricolor de Duque de Caxias.
Além da Grande Rio, o compositor também colecionou conquistas em outras agremiações. Na União da Ilha do Governador, foi um dos autores do samba-enredo de 2019. Já na Unidos de Padre Miguel venceu as disputas nos carnavais de 2022 e 2023. Em São Paulo, Myngau também teve destaque recente ao integrar a parceria vencedora da Mancha Verde no último carnaval.
A Grande Rio utilizou as redes sociais para prestar uma homenagem ao compositor, publicando a seguinte mensagem:
“Um dos maiores poetas da nossa escola partiu para outro plano. Foram 9 sambas que ajudaram a escrever a história da Grande Rio, com talento, alma e amor. Nosso eterno carinho, respeito e gratidão por cada verso, cada capítulo vivido juntos. Descanse em paz”.