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Com harmonia elevada e casal em noite de gala, Grande Rio confirma alto padrão em ensaio de rua

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Por Luiz Gustavo e Maria Estela Costa

A Grande Rio realizou, no último domingo, mais um ensaio de rua na preparação para o Carnaval 2026, ocupando o espaço da avenida Brigadeiro Lima e Silva, no Centro de Duque de Caxias. A escola mostrou um casal que confirma a cada apresentação ser um dos grandes da atualidade, uma comunidade ressoando um excelente canto e um samba rendendo bem dentro das características marcantes da agremiação nos últimos anos, comandado pela técnica de seu intérprete e por uma bateria sem correria. Evandro Malandro e Fafá formam uma dupla muito azeitada e com uma levada musical que se complementa com perfeição, tornando a execução dos sambas sempre agradável aos ouvidos. Mantendo sua linha, a Grande Rio busca realizar um grande desfile na Sapucaí na terça-feira de Carnaval, apresentando o enredo “A Nação do Mangue”, de autoria do carnavalesco Antônio Gonzaga, em sua estreia na tricolor da Baixada.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Daniel Werneck e Taciana Couto formam um casal que é uma bola de segurança da Grande Rio, sempre entregando pontuação e exibições espetaculares, e, pelo que vem sendo demonstrado nos ensaios, o panorama não sofrerá modificações. Mais uma apresentação impecável, sem nenhum mínimo descompasso na sincronia dos movimentos e na elegância com que executam o bailado. Daniel foi excelente na condução e nos torneados, enquanto Taciana beirou a perfeição em seus giros, sempre executados com extrema elegância, suavidade e beleza nos movimentos. Uma apresentação de gala do excelente casal.

EVOLUÇÃO

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Fotos: Luiz Gustavo e Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

A Grande Rio apresentou uma evolução coesa, sem espaçamentos e com componentes aguerridos, com bom ritmo. A agremiação ensaiou de forma organizada, sem as alas se atropelarem ou com espaços maiores entre elas. Em alguns momentos, faltou aos componentes estarem mais soltos e aproveitarem mais o bom espaço que a pista dá para o avanço da escola, mas foi um quesito cumprido com competência. Destaque para as alas de passistas, que deram um show de samba no pé, preenchimento de espaço e entusiasmo.

O diretor de carnaval, Thiago Monteiro, falou sobre o desempenho do samba e da agremiação nos ensaios.

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“O samba está tendo um desempenho maravilhoso; funcionalidade não é sinônimo de oba-oba, não é sinônimo de micareta. O samba tem que ser funcional porque ele traduz o enredo e permite que a comunidade confortavelmente brinque e se divirta contando uma história. Sendo assim, o nosso samba é perfeitamente condizente com o que ele se propõe, e a comunidade se comporta muito bem com isso. A comunidade brinca, a comunidade está solta, também característica da escola. Eu estou muito satisfeito, pois foi um ensaio bem técnico, que é o que a gente vem buscando. Sempre temos o que melhorar, mas a parte técnica, evolução e deslocamento dos componentes e segmentos está muito satisfatória. A Brigadeiro é uma rua grande; dá para contar nos dedos as escolas que dispõem de um espaço para se treinar como nós, e, aproveitando este espaço, vamos evoluindo. O que acontece na terça-feira é reproduzido aqui, então estou muito satisfeito com a preparação”, afirmou o diretor.

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HARMONIA E SAMBA

A noite foi de um canto alto em Duque de Caxias, com os componentes entoando o bonito samba com muita força durante todo o ensaio, em alguns momentos com bastante explosão. O trecho “Freire, ensine um país analfabeto” foi cantado como uma prece em uníssono pela escola, sendo o ponto alto de um desempenho excelente da comunidade, que também mandou ver nos dois refrãos e no restante da obra, que foi executada em um ritmo muito agradável, facilitando o canto dos componentes, sem atropelo de frases e sem correria. Fafá manteve suas características e não acelerou o samba tentando um oba-oba, potencializando a obra e sua qualidade melódica dentro da sua cadência. Evandro Malandro dá mais um banho de interpretação, carregando na tinta de um samba aguerrido e lírico, que talvez não seja tão enérgico quanto outras obras, mas que mostra ótima funcionalidade para a escola.

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OUTROS DESTAQUES

Sem a presença da rainha de bateria Virgínia Fonseca, outras musas ocuparam lugar de destaque no ensaio, como Brunna Gonçalves, dançarina e esposa de Ludmilla.
A comissão de frente comandada por Hélio e Beth Bejani não se apresentou, deixando a abertura da escola para o casal Daniel e Taciana.

Ao CARNAVALESCO, mestre Fafá fez um balanço do ensaio. “Acho que a bateria, como o carro de som em si, já está pronto. A gente está nos detalhes finais, ajustes finais. Todo ajuste é importante para trabalhar em cima do que o manual do julgador pede. E eu, que sou perfeccionista, me apego muito aos detalhes. Eu sou muito detalhista, quando vejo algo que pode estar saindo do lugar, eu já fico muito atento para poder acertar isso. A bateria está madura, trabalhando forte em busca do objetivo, que é recuperar os pontos perdidos do último carnaval”.

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Excelência como identidade: Viradouro inicia 2026 com ensaio consistente, canto potente e conjunto afiado

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Por Luan Costa e Gabriel Gomes

Embalada pelo sentimento de gratidão para mestre Ciça e mantendo um alto padrão de excelência em todos os quesitos, a Unidos do Viradouro realizou, no último domingo, seu primeiro ensaio de rua visando o Carnaval 2026, na Avenida Ernani do Amaral Peixoto, no Centro de Niterói. Mesmo sendo o primeiro treino do ano, e com o varnaval já batendo à porta, a sensação deixada é de que a vermelha e branca chega muito bem preparada para o desfile. O ensaio evidenciou a força do conjunto: a comunidade deu mais uma demonstração de potência no canto; o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Julinho e Rute, protagonizou uma apresentação de encher os olhos; assim como o intérprete Wander Pires, ao lado da bateria “Furacão Vermelho e Branco”, que sustentou o ritmo com firmeza. Leve, vibrante e visivelmente emocionada, a Viradouro promete uma homenagem grandiosa a um dos maiores nomes de sua história.

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Em 2026, a Viradouro levará para a avenida o enredo “Pra Cima, Ciça!”, desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon. A narrativa homenageia os 50 anos de trajetória do mestre de bateria Mestre Ciça no mundo do samba. A vermelha e branca de Niterói será a terceira escola a pisar na avenida no segundo dia de desfiles do Grupo Especial.

Ao final do ensaio, o diretor executivo Marcelinho Calil falou ao CARNAVALESCO. Segundo ele, tudo está caminhando para um grande desfile e o público pode esperar surpresas.

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“Foi mais um fim de semana muito feliz. Nessa virada, a gente já percebe um aumento significativo do contingente. A escola sempre ensaia com muita gente, mas hoje já foi um dia muito próximo do que a gente vê no desfile. Dá pra notar isso nitidamente pela metragem da Amaral Peixoto. Foi um ensaio espetacular. A escola veio muito bem, sempre aprimorando seus quesitos. Praticamente já não conseguimos enxergar erros aqui na Amaral. Agora é, na verdade, uma manutenção de tudo que está dando certo, com alguns testes internos nossos que, obviamente, não podemos revelar, são surpresas para o dia do desfile. Eu diria que foi um ensaio 100% maravilhoso, como a gente vem fazendo desde a virada do ano, já com um contingente maior. Estou satisfeito, feliz e com a certeza de que a escola está pronta para merecer ganhar mais um Carnaval”, disse Marcelinho.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Julinho Nascimento e Rute Alves seguem reafirmando, a cada apresentação, por que são sinônimo de excelência no comando do pavilhão da Unidos do Viradouro. A dupla parece evoluir ano após ano, e o público que acompanhou o ensaio de rua na Avenida Amaral Peixoto pôde comprovar isso de forma incontestável.

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Com entrosamento absoluto, técnica refinada e uma elegância que nunca se abala, o casal apresentou uma dança de altíssimo nível, marcada por leveza, precisão e uma cumplicidade capaz de transformar cada gesto em poesia. A apresentação mesclou com equilíbrio os fundamentos tradicionais do casal de mestre-sala e porta-bandeira com referências diretas à letra do samba-enredo, garantindo uma leitura coerente, sofisticada e carregada de emoção.

Atentos às novidades previstas para o Carnaval 2026, Julinho e Rute já demonstraram plena adaptação às mudanças, como a chegada das cabines espelhadas. Em uma simulação clara do novo formato, apresentaram o pavilhão para os dois lados da pista, em uma performance arrebatadora, aplaudida de ponta a ponta. Cada movimento tinha propósito, executado com limpeza, vitalidade e carisma, traduzindo de forma perfeita o amor e a devoção que ambos dedicam à arte de defender o pavilhão.

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HARMONIA E SAMBA

No primeiro ensaio de rua de 2026, o intérprete Wander Pires deu um verdadeiro show à frente do carro de som, exaltando com sensibilidade a trajetória de Mestre Ciça. Sob a direção musical de Hugo Bruno, o carro de som manteve alto padrão técnico e plena sintonia com a bateria e o canto das alas, garantindo unidade e impacto ao conjunto.

Do início ao fim do ensaio de rua, a Unidos do Viradouro viveu um clima de emoção e empolgação que se traduziu em uma aula de canto. O samba, assinado por Cláudio Mattos, Renan Gêmeo, Rodrigo Gêmeo, Lucas Neves, Rodrigo Rolla, Ronaldo Maiatto, Bertolo, Silvio Mesquita, Marcelo Adnet e Thiago Meiners, encaixou-se com perfeição na voz de Wander, permitindo a valorização dos trechos mais marcantes da obra. O refrão central e a entrada da segunda parte — “se a vida é um enredo, desfilou outros amores” — tiveram grande destaque. O refrão de cabeça explodiu ao longo de todo o ensaio.

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Durante o “paradão” da bateria, a resposta da comunidade foi imediata. O canto das alas se elevou de forma impressionante, com componentes entoando o samba com força, muitos visivelmente emocionados. A Viradouro reafirmou seu altíssimo padrão de conjunto e a potência do samba.

Grande homenageado do enredo, mestre Ciça pontuou que a emoção aumenta a cada ensaio, mas que tudo está se ajustando para uma grande apresentação.

“O ensaio já mostra que falta muito pouco para o carnaval. A expectativa hoje era de um grande ensaio, e ela se confirmou. Daqui até o desfile, essa emoção só tende a aumentar a cada dia. A gente vai ajustando tudo, crescendo cada vez mais, e tem tudo, mais uma vez, para fazer um grande Carnaval”, disse Ciça.

EVOLUÇÃO

Mais uma vez, a Unidos do Viradouro reafirmou por que é considerada referência em organização, evolução e desempenho técnico. A escola apresentou um conjunto grandioso no ensaio realizado na Avenida Amaral Peixoto, desfilando com segurança, fluidez e vibração, preenchendo a larga pista com alegria e energia do início ao fim.

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As alas estiveram bem preenchidas, e cada componente demonstrou pleno domínio de sua função, sem acelerações ou quedas de andamento, o que resultou em uma evolução segura e contínua ao longo da pista, que reproduz as dimensões da Marquês de Sapucaí. Não houve registro de erros ao longo do treino. As alas também se movimentaram lateralmente, com trocas de posição entre os componentes, ocupando toda a extensão da pista, com uma evolução solta.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Furacão Vermelho e Branco”, comandada pelo homenageado mestre Ciça, foi um dos grandes pontos altos do ensaio. Os ritmistas executaram com precisão o paradão que antecede o refrão principal, contribuindo de forma decisiva para o excelente rendimento musical da escola.

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Outro destaque foi a presença maciça do público, que vibrou do início ao fim da apresentação. As alas cantaram e evoluíram com qualidade, demonstrando envolvimento e organização. Em especial, a ala das crianças roubou a cena: abrindo o desfile, os pequenos deram um verdadeiro show de canto, alegria e simpatia, levando o público ao êxtase.

Magia do tambor! Mangueira exibe altos padrões musicais em ensaio de rua

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Por Marcos Marinho e Mariana Santos

A Estação Primeira de Mangueira realizou, na noite do último domingo, seu ensaio de rua na Visconde de Niterói. Embalada por um samba de forte carga simbólica e por uma resposta musical de alto nível, a Verde e Rosa apresentou um ensaio marcado pela excelência da sua ala musical, que sustentou a obra com pulsação, precisão e capacidade de provocar espontaneidade no corpo coletivo da escola. Bateria, intérprete, cantores de apoio e cordas conduziram o samba com categoria, garantindo fluidez à evolução e criando os momentos de maior impacto do treino, enquanto a comissão de frente e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira confirmaram alto rendimento técnico e forte identificação com a comunidade. Quarta escola a desfilar no domingo de carnaval, fechando o primeiro dia do Grupo Especial, a Mangueira levará para a Sapucaí o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, assinado pelo carnavalesco Sidney França.

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COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, coreografada por Karina Dias e Lucas Maciel, apresentou uma construção coreográfica dinâmica, pensada para dialogar com toda a extensão da pista. O grupo é formado por oito bailarinos em ação direta, enquanto outros seis permanecem na retaguarda, prontos para substituições ao longo da apresentação, recurso que garante fôlego, continuidade e precisão na execução.

Acompanhada a partir da cabine espelhada, a comissão revelou um desenho espacial cuidadosamente elaborado. Movimentos espelhados, formações em fila para os dois lados da pista e deslocamentos circulares asseguram que todos os bailarinos se apresentem de maneira equilibrada para as duas cabines, sem privilegiar um único ponto de vista. A coreografia se constrói em constante movimento, sem pausas longas, mantendo a atenção do público do início ao fim.

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Um dos momentos mais marcantes acontece no trecho do samba que evoca “salve o curandeiro”. Nesse instante, surge o pivô central, posicionado no meio de uma roda formada pelos demais bailarinos. Enquanto o pivô gira no centro, o conjunto ao redor também gira, criando uma imagem de forte impacto visual, ao mesmo tempo ritualística e precisa. É um momento de grande beleza cênica, em que música e movimento se encontram com clareza.

Com vigor físico evidente, a comissão canta forte e desenha no corpo as imagens propostas pelo samba. Sem recorrer a excessos, a apresentação se sustenta na energia, na ocupação inteligente do espaço e na leitura direta da obra. Trata-se de um excelente momento do ensaio, que reforça a potência performativa da Mangueira já na abertura do desfile.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

É impossível acompanhar o ensaio da Mangueira sem perceber a relação de afeto e reconhecimento que a comunidade estabelece com seu primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. A cada início de apresentação, sobretudo nas simulações de cabine, o entorno reage: aplausos, gritos de incentivo e o coro de “vai, furacão” anunciam a passagem de um casal que, por onde dança, parece fazer vento.

Matheus Olivério dança com uma espontaneidade contagiante. Seu bailado não carrega a rigidez de quem apenas executa uma coreografia; ao contrário, há tranquilidade, domínio e uma sensação constante de naturalidade. A dança parece fluir sem esforço aparente, resultado de entrosamento profundo e de uma leitura madura do cortejo do samba, que ele conduz de forma viva, presente e comunicativa.

Ao seu lado, Cintya Santos se destaca pela precisão e pela força. Seus giros são rápidos, bem definidos, com finalizações seguras. Embora rápido, o giro da porta-bandeira não evoca uma sensação de leveza, mas de presença capaz de abrir espaço e fazer mover o entorno.

Esse aspecto se evidencia de maneira especial na bandeirada final durante a simulação de cabine. O gesto é executado com extrema precisão e potência, afirmando não apenas a qualidade da dança, mas o próprio pavilhão. Há força, clareza e solenidade no modo como a bandeira se apresenta.

A resposta da comunidade confirma o impacto do casal. Não se trata apenas de execução correta de um quesito, mas de uma performance que mobiliza afetos, cria identificação e reafirma o casal, ao lado da ala musical da escola, como quesito de excelência da Mangueira.

“O ensaio da Mangueira é maravilhoso, a energia da comunidade. E ver que o pessoal abraçou o samba, que estão cantando o samba, que é lindíssimo, uma poesia só. Cada ensaio é um aprendizado, e nosso samba está crescendo cada vez mais, a comunidade está descendo o morro e está cantando. Esse ensaio hoje foi perfeito. Na dança, sempre estamos aprimorando, acrescentando. E cada vez que dançamos, acrescentamos um detalhe. A coreografia está montada, está linda, e esperamos que vocês gostem”, declarou a porta-bandeira.

SAMBA E HARMONIA

Se há um eixo que estrutura o ensaio da Estação Primeira de Mangueira, ele passa, sem dúvida, pelo excelente trabalho de sua ala musical. Bateria, intérprete, cantores de apoio e equipe de cordas sustentam o samba com categoria e constroem, na rua, algo que escapa à mera execução técnica: há ali uma dimensão de magia que se manifesta na espontaneidade do mangueirense ao cantar, dançar, interagir com a obra e evoluir na pista.

A bateria imprime uma pegada que envolve e encanta o corpo do componente. O ritmo convida à dança, ao balanço compartilhado, às pequenas coreografias que surgem naturalmente em trechos específicos do samba. Essa resposta orgânica da nação mangueirense é um mérito direto da condução da ala musical: o samba “vai pra frente” porque a música impulsiona, provoca e sustenta esse movimento.

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À frente do carro de som, Dowglas Diniz conduziu a obra com segurança e leitura precisa, destacando-se pela forma clara e firme com que apresenta a melodia do canto. Seu trabalho se soma ao dos cantores de apoio, que executam harmonias vocais refinadas e efeitos sonoros, como o “sacaca” sussurrado, criando camadas e texturas para a obra. O samba ganha profundidade, densidade e variação, mantendo-se vivo e pulsante mesmo nos momentos em que o canto da comunidade ainda não atinge sua plenitude.

Os trechos que funcionam melhor são justamente aqueles em que canto e corpo caminham juntos. No trecho “Salve o curandeiro, doutor da floresta / Preto Velho, saravá”, a escola canta mais, deixa vir gestos espontâneos, desenha a letra no corpo. O refrão principal, que evoca Benedita de Oliveira, mais conhecida como Tia Fé ou, na obra de 2026, “mãe do morro de Mangueira”, é outro ponto consistente da harmonia da escola. A comunidade está com ele na ponta da língua, canta com força e vibra intensamente com o corpo.

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O ensaio também evidenciou que o samba pede maior incorporação coletiva em outros trechos. Não por acaso, a própria letra fala de uma “Mangueira quase centenária” como uma “nação incorporada”. Há, portanto, um trabalho de incorporação em curso, e a ala musical é peça central nesse processo. Isso ficou claro nos dois “paradões” realizados: o canto cresce, evolui, mas ainda pode alcançar patamares mais altos para a excelência no quesito harmonia.

A sensação é a de um samba que não exige apenas voz, mas corpo. Um samba que precisa ser mais incorporado pela comunidade para que suas imagens se projetem com força no canto. Nesse cenário, a ala musical cumpre papel decisivo: é ela quem sustenta a obra, cria as condições para o amadurecimento do canto e provoca a espontaneidade mangueirense. A magia, hoje, nasce principalmente da música. O desafio daqui para frente é fazer com que essa magia se espalhe de forma ainda mais orgânica pelo canto da escola.

EVOLUÇÃO

A evolução da Estação Primeira de Mangueira no ensaio apresentou uma dinâmica claramente demarcada em dois momentos distintos, mas articulados. No primeiro, até a chegada da bateria ao recuo, a escola avançou pela Visconde de Niterói com mais rapidez, ocupando a pista de maneira orgânica, sem atropelos, como quem ganha espaço com naturalidade.

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Após a entrada da bateria no recuo, o ritmo da passagem muda. A Mangueira segue mais cadenciada em sua reta final, desacelerando o deslocamento sem perder regularidade. São dois tempos diferentes de evolução, mas que não se anulam nem se contradizem. Ao contrário: constroem um desenho coerente, em que a escola administra o espaço e o tempo com inteligência, mantendo unidade mesmo diante da mudança de andamento na evolução.

O componente avança a avenida como quem caminha com passos tranquilos rumo ao seu objetivo. Não há tensão visível entre as alas, nem esforço para preencher a pista. A evolução flui, sustentada por uma sensação de entendimento coletivo do ritmo do desfile. É um quesito em trabalho intenso pela escola, e isso já se reflete na rua.

A escola não corre, não trava e não se perde. Avança. E avança com consciência do próprio ritmo.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Tem Que Respeitar Meu Tamborim”, comandada pelos mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto, foi um dos grandes destaques da noite. Logo no início do ensaio, a apresentação trouxe uma abertura marcada pelo uso dos tambores, em clara referência ao enredo, criando um impacto sonoro forte e simbólico. É um começo bonito, que já estabelece o tom ritualístico da obra.

Ao longo do percurso, a bateria confirmou sua excelência com bossas executadas com precisão e clareza. No trecho que reverencia o mestre Sacaca, a bossa apresentada se impõe como um dos momentos mais fortes do ensaio, arrancando respostas imediatas da escola e do público. O trabalho da dupla de mestres da verde-e-rosa é um dos pontos-chave para o alto nível musical que a Mangueira vem apresentando.

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Outro destaque da noite foi a rainha de bateria Evelyn Bastos, que esbanjou samba no pé e presença ao longo de todo o ensaio. Já no fim do ensaio, protagonizou um momento belíssimo com as crianças da comunidade, ensinando passos de sua coreografia e dividindo o samba de forma generosa.

Mais do que um gesto espontâneo, a cena sintetiza o papel de Evelyn como rainha de comunidade. Ao compartilhar o samba no pé com as meninas do Morro de Mangueira, ela reafirma o caráter formativo e afetivo das escolas de samba, oferecendo um exemplo que ultrapassa a performance e se inscreve no cotidiano da escola.

OPINIÃO DO DIRETOR

Para o diretor de carnaval da Estação Primeira de Mangueira, Dudu Azevedo, o desempenho do samba no ensaio confirma o bom momento vivido pela escola, especialmente no que diz respeito à condução musical e à resposta da comunidade. Segundo ele, o trabalho integrado entre bateria, direção musical e carro de som tem sido determinante para a fluidez do canto e da evolução. “A gente vem ensaiando muito e extraindo da nossa musicalidade, do que traz a bateria, da direção musical e do Douglas, uma performance muito boa para a comunidade. O canto cresce e a escola evolui de forma espontânea, se divertindo com o samba”, avaliou.

Na leitura do dirigente, o samba funciona justamente por permitir essa relação orgânica entre música, corpo e interpretação. “É claro que tem hora de marcação, de mão, de giro, porque o samba pede isso. A gente canta e acaba interpretando o que está sendo cantado. Mas o mais importante é ver a escola se divertindo o tempo todo, evoluindo com naturalidade”, explicou. Para Dudu, o momento atual é positivo, mas faz parte de um processo que ainda está em construção. “A gente está muito feliz com o ponto em que estamos hoje, mas é ensaio. A gente está preparando a escola para um grande desfile no dia 15 de fevereiro”, ponderou.

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O diretor também destacou a importância da Visconde de Niterói como espaço estratégico de preparação, por oferecer condições semelhantes às da Sapucaí. “Aqui a gente tem o tamanho da avenida, as cabines de julgamento, as marcações iguais às da Sapucaí. Isso traz solidez para a evolução e tempo de trabalho para chegar bem no ensaio técnico”, afirmou, ressaltando que o ensaio técnico trará um novo patamar para a musicalidade da escola, com som distribuído por toda a pista.

Ao comentar especificamente sobre o que ainda pode ser lapidado, Dudu apontou a incorporação coletiva como um dos principais focos do trabalho. “A gente sempre quer lapidar a espontaneidade do componente. Tecnicamente, hoje o samba tem letra, melodia e funcionalidade. Ele funciona na rua, funciona na evolução. O que a gente segue trabalhando é essa fluência do desfile, esse ponto mais subjetivo da espontaneidade”, disse.

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Segundo ele, esse ajuste vem sendo feito de forma cuidadosa e contínua. “Toda quinta-feira a gente faz ensaios com setores da escola. É quando a gente conversa olho no olho com o componente, explica o quanto a Mangueira quer desfilar, quer passar alegria, cantar e encantar. Não é formar pessoas uma atrás da outra e desfilar. É viver o samba”, concluiu.

Exemplar! Na chuva ou no calor, Portela desfila alma, canto alto, organização e confiança em ensaio de rua

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Por Guibsom Romão e Juliane Barbosa

Após o ensaio do último dia 04 de janeiro, quando provou estar pronta para 2026 mesmo sob chuva, a Portela voltou à Estrada do Portela para subir ainda mais o sarrafo. Desta vez, o desafio foi ensaiar no início da noite de um dia em que as temperaturas quase atingiram os 40ºC, mas a Azul e Branca mostrou que, seja com chuva ou sol, segue obstinada e carregada no dendê. Com o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará – A oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, desenvolvido pelo carnavalesco André Rodrigues, a Portela continua com o sorriso no rosto, o samba na ponta da língua e sendo cantado em plenos pulmões pela Estrada do Portela, que teve ajustes na iluminação, mas ainda precisa de melhorias, pois continua apresentando trechos de escuridão, sem comprometer o brilho da escola.

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O ensaio contou com a presença ilustre da apresentadora Adriane Galisteu, que foi rainha de bateria da escola de 2000 até 2003 e voltou a desfilar na agremiação em 2023. Desde então, tem vindo à frente da escola, saudando o público na Sapucaí, como fez neste ensaio de rua, ao lado do marido Alexandre Iódice e do filho Vittório.

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Quem também, como sempre, veio à frente da escola cantando e interagindo com o público presente foi a presidência. Junior Escafura e Nilce Fran eram só sorrisos e entusiasmo apresentando a escola.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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Mais uma noite brilhante do casal 40 da Azul e Branca de Madureira. Squel e Marlon fizeram uma entrada de gala para o início da coreografia, trocando olhares que parecem selar um pacto de cumplicidade antes da apresentação no trecho da Estrada do Portela que simula um módulo de jurados. Segundo apuração do CARNAVALESCO, a coreografia apresentada já é a oficial do desfile. Ágil, segura e muito bem executada, levantou o público presente, que respondeu com gritos e elogios. Outro ponto alto foi a felicidade estampada no rosto do casal durante toda a dança, visível no sorriso de ambos. Mantendo fôlego, sintonia e regularidade, o casal caminha novamente para a nota máxima na Quarta-feira de Cinzas.

EVOLUÇÃO

O ensaio transcorreu sem intercorrências, apesar do calor intenso mesmo durante a noite. As alas cruzaram a Estrada do Portela com dança constante, impulsionadas por um samba que naturalmente mantém o componente em movimento.

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O cortejo se apresentou fluido e compacto, sem estagnações prolongadas ou correria, mantendo boa ocupação do espaço e regularidade na progressão. Um efeito cenográfico com papéis azul e branco, lançado à frente do recuo da bateria, deu novo fôlego ao componente e ajudou a sustentar o nível da evolução. A sensação geral é de uma comunidade que desfila com orgulho do momento vivido pela escola neste pré-carnaval.

HARMONIA

A escola teve um canto alto, consistente, robusto e com nuances de ponta a ponta, além dos ótimos harmonias que puxam o canto das alas. O público nas grades ajuda demais: a comunidade de Oswaldo Cruz e Madureira comprou o samba e comparece em peso, com o samba na ponta da língua. Mesmo com um cortejo bem grande, o canto se fez forte e animado do começo ao fim.

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É uma escola totalmente satisfeita e apaixonada pelo seu samba. O carro de som, com Zé Paulo Sierra dando um show de simpatia e canto forte, conta com apoios excelentes que conduzem, do esquenta ao encerramento, um canto majestoso, digno de uma Portela confiante em si mesma.

Ao fim do ensaio, o diretor de carnaval Júnior Schall comentou ao CARNAVALESCO a sua avaliação do rendimento da escola neste domingo.

“A gente teve, no domingo passado, uma noite de chuva, e a escola foi abençoada. Hoje nós tivemos uma noite de calor, e a escola se comportou muito bem. A Portela está munida de uma questão de alma muito potente, que já é peculiar, é particular à Portela. Outras grandes instituições também têm, mas a Portela tem isso de uma maneira que hoje está agregando muito à questão técnica. E a gente tem que observar a técnica. Resumindo, hoje a Portela se equilibra muito bem no seu senso de técnica e no seu senso daquilo que é o chão da escola. Entendo que isso faz a diferença num dia de desfile, faz a diferença para um carnaval. E a Portela está de parabéns, mas é um processo em evolução. Eu diria que está em franca evolução. Precisamos, em cada oportunidade, chegar ao ápice, melhorar a matéria de canto num volume mais alto por mais tempo. A matéria de evolução com maior despojamento, agregando justamente a toda essa emoção que já está eclodindo poderosamente de cada ala portelense. Nós hoje temos um ponto excelente de canto e evolução. Porém, ele está sempre num arco de crescimento, é isso que eu quis dizer, tudo numa crescente. Na chuva, nos comportamos muito bem. No calor de hoje, que foi extremo, nos comportamos muito bem. Como eu disse, o portelense entende que ele está muito bem condicionado. A questão técnica e a questão também da emoção diante do samba”, avaliou o diretor.

 

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Fotos: Guibsom Romão e Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

OUTROS DESTAQUES

O entrosamento da rainha Bianca Monteiro com a “Tabajara do Samba” vem de outros carnavais, porém ela tem feito um espetáculo com a bateria em uma bossa especial. Na cabeça do samba, a bateria se abre ao meio, abrindo um caminho para ela atravessar. Durante a bossa, a bateria se curva a ela, abaixa e ainda balança o corpo no ritmo da rainha. Um show de sincronia, musicalidade e dança. Segundo apuração do CARNAVALESCO, nos ensaios técnicos, a rainha irá entrar na bateria em cima de um elemento que a eleve e a deixe em evidência.

“Hoje foi um dos melhores ensaios na parte musical. Bastante bacana. Durante o descanso senti um pouco da falta da energia e o time no ensaio foi muito bom e todos já estavam com saudade dessa energia. Graças a Deus, eu tive a procura gigante de muitos ritmistas. Óbvio que a quantidade não significa qualidade. O presidente Escafura não mediu esforços para atender o meu pedido e por isso vamos ter uma bateria grande e tão essencial. A gente tem algo a mais para melhorar um pouquinho aqui e ali. Sempre aquele 99% e faltando 1%. Faço ensaio secreto com a bateria usando a fantasia com a luz apagada e vamos começar esse processo também que eu acho muito importante. Uma coisa é você tocar enquanto está parado e outra coisa é você tocar em movimento. E aqui fazemos uma performance em movimento com a fantasia”, explicou mestre Vitinho.

Avassaladora! Força e alegria dos componentes da Imperatriz são destaques no ensaio de rua

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Por Matheus Morais e Júnior Azevedo

Pisando pela primeira vez na Euclides Faria em 2026, a Imperatriz Leopoldinense reafirmou sua característica avassaladora ao atravessar as ruas de Ramos em seu ensaio de rua do último domingo. Com grande presença de sua comunidade, a escola da Leopoldina teve cada componente cantando com força neste retorno, assim como uma apresentação forte da comissão de frente, comandada por Patrick Carvalho, e com destaque também para o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Rainha de Ramos, Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro. A Imperatriz leva para o Sambódromo em 2026 uma homenagem ao cantor Ney Matogrosso, desenvolvida pelo carnavalesco Leandro Vieira, com o enredo “Camaleônico”, sobre a obra e as expressões musicais do artista, um dos maiores nomes da música brasileira. A agremiação será a segunda escola a desfilar no domingo de carnaval, primeiro dia em que as escolas do Grupo Especial vão passar pela Avenida.

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COMISSÃO DE FRENTE

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Sob a batuta de Patrick Carvalho, a comissão de frente veio apresentando mais uma vez a coreografia com um bailarino como Ney Matogrosso ao centro, cercado de diversos outros inspirados por ele. A coreografia apresentada foi a mesma dos outros ensaios e novamente trouxe os movimentos característicos de Ney ao longo da apresentação, com destaque para os movimentos com o quadril e os braços, apresentando muito bem o dançarino que representava o homenageado, além da sincronia dos bailarinos ao executar a dança, principalmente diante das cabines do júri, mostrando cada vez mais segurança e consistência do que vem sendo apresentado.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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Fotos: Matheus Morais e Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Com mais uma apresentação de gala, o casal vencedor do Estrela do Carnaval de mestre-sala e porta-bandeira em 2025, Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro, passou com uma coreografia que misturou muitos movimentos mais livres com o bailado clássico de casal, como os giros e o cortejo de Phelipe para com Rafaela, sendo bem executada por ambos. Houve destaque para a conexão que apresentam e que, mais uma vez, se destacou na dança, principalmente nos momentos em que seguem mais juntos e apresentam o pavilhão da escola para o júri, consolidando o trabalho que já possuem entre si.

SAMBA E HARMONIA

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Pitty de Menezes, mais uma vez, deu um show comandando o carro de som da Leopoldina, com bastante segurança e se deliciando com a obra que a agremiação vai levar para a Sapucaí. A ala musical da escola também foi muito bem durante o treino realizado neste domingo, impulsionando o samba a todo momento. A comunidade cantou forte o samba durante todo o ensaio, mostrando que abraçou o hino de 2026 e o canta a plenos pulmões, com bastante empolgação, independentemente da posição em que o gresilense venha para o desfile.

“Estou muito feliz, de verdade. Um pouco até emocionado, porque hoje foi um ensaio… como vocês costumam dizer muito essa palavra: avassalador. A comunidade está muito feliz, cantando muito, gritando o samba. Não é só a escola desfilando, você vê a comunidade, todo mundo que vem assistir, cantando. É muito emocionante, é muito gratificante. É sinal de que a gente está no caminho certo, de que a gente está no caminho para ganhar esse campeonato. O samba é um samba que explode, é um samba muito cantado. Esse samba, como eu já falei, vai surpreender a Sapucaí, como o samba da cigana surpreendeu. São sambas semelhantes, estruturas bem parecidas. Falem o que quiserem: o importante é que a comunidade de Ramos, a comunidade leopoldinense, está feliz. A gente está sempre aperfeiçoando, analisando os erros, vendo coisas que a gente pode fazer melhor. Eu acho que a gente está no caminho certo. A gente estuda muito, vai para estúdio, fica ensaiando muito durante a semana, não é só sextas e domingos. A gente ensaia terça, ensaia quinta. A gente pega todos os vídeos dos ensaios e analisa. É muito importante quando vocês vêm aqui e fazem os vídeos, porque isso ajuda a gente a analisar. E eu acho que é isso: estamos no caminho certo e vamos conseguir chegar no desfile, se Deus quiser, com excelência nesse samba”, disse Pitty de Menezes.

EVOLUÇÃO

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Avassaladora foi a evolução dos componentes da agremiação durante este primeiro ensaio de rua. A Euclides Faria foi tomada pelos desfilantes com muita alegria e animação, com a comunidade bem solta durante todo o ensaio, dentro de suas alas, com muita irreverência em vários momentos, conforme pede o homenageado do enredo, mostrando que está bastante empolgada. Algumas alas coreografadas passaram muito bem, demonstrando animação e potência do que será apresentado na Sapucaí, com bastante força, e os segmentos, no geral, também passaram bem dentro do tempo do ensaio.

André Bonatte, diretor de carnaval da escola, conversou com o CARNAVALESCO sobre esse primeiro ensaio e o que ainda há para lapidar dentro dos segmentos da escola para o próximo carnaval.

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“Felicidade é o nome do que essa escola está vivendo na plenitude. Você vê componentes felizes, segmentos felizes, a comunidade feliz. Acho que é a soma dessa felicidade, porque é uma troca. O que a gente está na pista para quem está de fora, quem está de fora é feliz com a gente, e essa sinergia, essa questão de todo mundo estar com a mesma proposta, o mesmo pensamento, o mesmo desejo, é o que faz isso aqui dar certo. Eu avalio sempre, e fazemos toda semana uma reunião pós-ensaio, e naturalmente a gente sempre vê pontos para melhorar, e isso é um exercício natural, mas eu sempre penso que, se o desfile fosse amanhã, a Imperatriz estaria pronta nos quesitos de evolução, harmonia, mestre-sala e porta-bandeira. Pelo que a gente avalia aqui, ela estaria pronta para ir para a avenida”, declarou.

OUTROS DESTAQUES

A “Swing da Leopoldina” também marcou bastante este retorno, com uma apresentação muito animada, testando bossas e coreografias com os ritmistas para levar à Passarela do Samba, sob o comando do aniversariante da semana, Mestre Lolo. A rainha de bateria, Iza, não esteve presente neste ensaio de rua.

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Amizade da Zona Leste faz bom ensaio técnico, mas ainda precisa de ajustes para alcançar a excelência

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Por Naomi Prado e Will Ferreira

A Amizade da Zona Leste concluiu seu único ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi visando ao Carnaval de 2026. Desfilando em aproximadamente 41 minutos, a agremiação apresentou um bom ensaio; no entanto, ajustes ainda serão necessários até o desfile no Grupo de Acesso 2. A escola será a primeira a desfilar no sábado de carnaval . A Amizade levará para a avenida o enredo “Xangô e Iansã: o casal do dendê no Ilê do Amizade”, assinado pelo carnavalesco Rogério Monteiro.

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COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, liderada pelo coreógrafo Renato, optou por um ensaio mais contido, com a execução de passos tradicionais do quesito, deixando em segundo plano uma interpretação mais explícita do enredo. A escolha pode indicar uma estratégia do coreógrafo e dos bailarinos de “esconder o jogo” e revelar a coreografia completa apenas no desfile oficial.

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A ala, vestida com camiseta da escola, parte inferior branca e meias azuis, dividiu-se em dois grupos e apresentou um personagem central que, em determinado momento do ato, integrava um dos conjuntos. Durante a apresentação, a comissão cumpriu o papel de apresentar a escola ao público. Na evolução pela pista, apenas um grupo executava os movimentos, enquanto o outro permanecia parado, alternando as ações ao longo do percurso.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Victor Hugo e Pamela apresentaram um bailado de perfil tradicional, com poucas coreografias diretamente ligadas ao enredo. Vestidos de azul, a dupla realizou um ensaio regular e consistente, destacando-se dentro da apresentação da agremiação.

HARMONIA

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Os componentes da Amizade da Zona Leste concentraram o canto principalmente no trecho do samba que menciona “Santa Guerreira”. Nas demais partes da obra, o canto foi mantido, porém em volume mais baixo, o que dificulta a percepção para quem acompanha o ensaio das arquibancadas e possivelmente dificultará para os jurados no dia do desfile oficial.

EVOLUÇÃO

Mesmo desfilando com um contingente reduzido, a escola conseguiu evoluir de forma dançante ao som do samba. A primeira ala, que abriu o setor, apresentou coreografia, enquanto a última ala, encerrando o terceiro setor, desfilou com bandeiras nas mãos.

SAMBA-ENREDO

O samba-enredo foi o grande destaque do ensaio técnico, interpretado pelo estreante Cris Santos. A obra, composta por Turko, Rafa do Cavaco, Maradona, Imperial e Fábio Souza, apresenta uma letra representativa e de forte caráter ancestral.

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A melodia, aliada ao estilo de canto do intérprete oficial, convida a comunidade a cantar e evoluir de forma constante ao longo do desfile.

OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada pelo mestre Vinícius Nagy, chamou atenção ao optar por não entrar no boxe de recuo. Embora o regulamento de 2025 não torne essa entrada obrigatória, o fato se apresenta como um ponto de atenção para 2026, considerando possíveis alterações no regulamento.

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Em alguns momentos, o samba-enredo pede bossas mais marcadas para estimular ainda mais o canto e a evolução da escola e do público. Ainda assim, as bossas executadas foram bem conduzidas.

À frente da bateria estiveram Kah Monteiro, Vanessa Oliveira e Gabriel, que demonstraram entrosamento, samba no pé e elegância nas vestimentas.

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A ala das baianas, vestida de branco acetinado e utilizando colares em forma de fios de contas como acessórios, evoluiu com destaque nos refrões do samba.

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Bateria e comissão de frente impulsionam ensaio técnico da Imperador do Ipiranga

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Por Eduardo Frois e Will Ferreira

Com uma comissão de frente empolgante e bem coreografada, aliada a um samba-enredo potente e a uma bateria que “brincou” na avenida, a Imperador conseguiu fazer um ensaio bem satisfatório. Neste Carnaval de 2026, a agremiação levará para a avenida o enredo “Benjiróó, Onipé Doum – Ibeji”, assinado pelo carnavalesco Rômulo Souza. A escola da Vila Carioca será a oitava a desfilar no sábado, dia 7 de fevereiro, pelo Grupo de Acesso 2 do Carnaval de São Paulo. O treino durou 48 minutos e foi o único ensaio técnico geral da Imperador na temporada, que, nesta reta final para o carnaval, ainda terá pela frente os seus ensaios de quadra e ensaios específicos de quesitos no Anhembi.

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COMISSÃO DE FRENTE

Logo na comissão de frente, já foi possível compreender um pouco do enredo que trará para a avenida a ibejada, entidades espirituais infantis e brincalhonas no Candomblé e na Umbanda, que representam alegria, pureza e renovação. E o que não faltou durante a apresentação do quesito foi energia e empolgação.

Os integrantes estavam todos bem maquiados e divididos em grupos distintos, com suas respectivas fantasias. Seis componentes utilizavam saias verdes e fizeram uma coreografia leve e fluida, representando o movimento das águas. Outros seis bailarinos também vestiam saias, só que da cor amarela, retratando, ao longo da dança, toda a alegria e a pureza dos erês.Em determinado momento, os erês exibiam seus bichinhos de pelúcia e brincavam entre si. Mais sete pessoas da comissão de frente simbolizaram o voo de pássaros, trazendo em suas cabeças algumas penas nas cores azul-marinho e branco. Quem também estava de azul, porém em um tom mais próximo do turquesa, eram as duas crianças que davam mais intensidade ao bailado.

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Elas saíram do tripé da comissão de frente, que tinha dois balanços na parte frontal, fazendo estripulias e acrobacias com irreverência, conquistando o público do setor B. Os diversos subgrupos da comissão interagiam entre si em momentos diferentes da extensa coreografia, que apresentou a escola com excelência.

Infelizmente, já no último setor do Anhembi, um integrante da comissão de frente, de saia verde, passou mal, provavelmente por conta do calor que fez na capital paulista, e precisou deixar a pista para receber atendimento na dispersão.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Nogueira e Dani Motta, fez um ensaio técnico seguro, com bastante sincronia e muita animação. Sorrindo a todo momento, os dois se mostraram alegres e atentos um com o outro ao conduzirem o pavilhão da escola da Vila Carioca.

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A roupa de ambos era clara: ele mais para o branco, enquanto a saia dela puxava mais para o prata, causando, inclusive, um belo efeito nos giros de Dani, enquanto Matheus a cortejava. Em determinado momento do ensaio, já na metade da pista, o casal recebeu orientações dos apoios para melhor se situarem em relação ao posicionamento das cabines de jurados, que será diferente do carnaval passado.

HARMONIA

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

O intérprete Helber Medeiros e toda a ala musical da Imperador do Ipiranga tiveram excelente desempenho durante o ensaio técnico, impulsionando o samba, juntamente com a bateria de mestre Fuskão. Mas, como um todo, o canto da comunidade do Ipiranga poderia ter sido mais intenso, sobretudo no início.

O canto das primeiras alas da escola deixou um pouco a desejar em algumas partes da letra, aumentando o volume sonoro apenas nos refrões. Porém, após a passagem do segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, os componentes dos setores seguintes entoaram com bastante vigor e alegria todo o samba.

EVOLUÇÃO

A evolução da agremiação das cores azul, branco, amarelo e verde ocorreu de forma coesa ao longo da passarela. Destaque para a uniformidade e a empolgação do canto da “ala da alegria”, que passou se divertindo pela pista do Anhembi. Quem literalmente veio brincando foi a ala das crianças, que ocupou com muita alegria o espaço destinado ao carro abre-alas.

Pode-se notar ainda uma certa preocupação da escola com o alinhamento nas fileiras de componentes das alas, o que acabava limitando um pouco a espontaneidade e o samba no pé. Porém, no geral, os integrantes da maioria das alas evoluíram de forma mais solta, especialmente no segundo setor.

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SAMBA

O samba-enredo da Imperador teve um rendimento bastante positivo durante o seu ensaio técnico. O intérprete estreante Helber Medeiros soube conduzir com excelência o microfone principal da entidade. Sem dúvidas, um dos grandes responsáveis pela “festa no ilê do Ipiranga”.

A energia e a intensidade do canto da comunidade ficavam evidenciadas nos refrões, que, juntamente com as bossas da bateria, abrilhantaram o treino. A obra da escola do Ipiranga para 2026 tem como compositores Sukata, Léo do Cavaco, André Valêncio, Rodrigo Xará e Rafael Tubino.

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OUTROS DESTAQUES

Outro grande responsável por abrilhantar a apresentação da Imperador nesta noite de domingo foi mestre Fuskão. Comandando a “Só Quem É” de forma precisa e ousada, o mestre de bateria mostrou que os ritmistas estão entrosados em, ao menos, três bossas executadas no Anhembi. As frigideiras no meio da bateria deram um molho especial ao andamento da escola.

Jessica Bueno, a rainha de bateria da Imperador do Ipiranga, veio com uma peruca rosa, vestindo uma fantasia repleta de doces colados nela como pedrarias, além de uma sandália amarela. Ela pôde mostrar todo o seu samba no pé, que a levou a ser eleita rainha do Carnaval paulistano no ano de 2019.

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A princesa da “Só Quem É”, Ana Julia Rosa, também utilizou uma indumentária composta por vários docinhos de criança ao redor da coroa, símbolo da escola. Além disso, usou dois lacinhos de cabelo nas cores azul e rosa, que são as cores dos erês na Umbanda. Ao lado delas estava o rei da bateria, Robério Theodoro, que também veio com uma roupa bastante colorida, tendo o azul da escola como fundo. Ele já foi eleito duas vezes Rei Momo do Carnaval de São Paulo, em 2009 e 2023.

As baianas vieram cheias de elegância, vestindo saias brancas com um pano azul brilhoso no costado da roupa, além de diversos colares coloridos. A velha-guarda da Imperador manteve toda essa elegância, desfilando no espaço da segunda alegoria. Praticamente todos os componentes das alas da escola carregavam bexigas nas cores da agremiação.

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Comissão de frente complexa e casal seguro marcam ensaio da Independente Tricolor

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Por Gustavo Lima, Eduardo Frois, Gustavo Mattos e Will Ferreira

A Independente Tricolor foi a terceira escola a ensaiar no último domingo, no Sambódromo do Anhembi, visando ao seu desfile oficial. O treino da entidade da Vila Guilherme teve como destaque o casal de mestre-sala e porta-bandeira e a comissão de frente. A segurança da dupla Jeff Anthony e Thaís Paraguassu deve ser exaltada, além de uma coreografia de comissão de frente altamente complexa, com vários elementos em sua composição. Alguns pontos a serem observados são harmonia e evolução, pois, com o sucesso do samba-enredo, esperava-se um impacto maior da escola na pista. Contudo, a Independente Tricolor ainda tem uma obra-prima nas mãos e pode fazê-la render até o dia do desfile ou, quem sabe, no próximo ensaio técnico, no dia 25 de janeiro. A agremiação da Vila Guilherme será a última a desfilar pelo Grupo de Acesso I com o enredo “Ngoma, a primeira festa na manhã do mundo”.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, coreografada por Edgar Júnior, levou para o ensaio o “Surgimento do tambor”. A coreografia apresentada era complexa e dividida em alguns atos. Até o final do Setor B (Monumental), a ala ficou praticamente o tempo inteiro executando a encenação no elemento alegórico. Os bailarinos faziam movimentos de mãos e expressões fortes, que remetiam a rituais, até que, em determinado momento, surgia a escultura de um tambor.

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Na altura do Setor C, os bailarinos desceram e realizaram atos cênicos no chão, com a permanência de dois personagens principais — interpreta-se que um deles seja a entidade Aluvaiá, pois é citado de maneira importante dentro do samba. Assim como em 2025, a Independente Tricolor aposta em uma coreografia complexa para o Anhembi.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Jeff Anthony e Thaís Paraguassu, que já possui um entrosamento de anos, teve um grande desempenho no ensaio, sobretudo a porta-bandeira, com seus giros intensos. Neste ensaio, a dupla priorizou a realização dos movimentos-padrão, mas também apresentou coreografia inserida no samba — bastante presente nos refrões de cabeça e no refrão do meio. Portanto, o treino da dupla ficou marcado pela segurança. Resta saber se essa será a estratégia usada no desfile ou se a coreografia dentro do samba aparecerá já no próximo ensaio.

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“Hoje para a gente foi uma experiência nova, hoje os jurados não estão marcados, acaba atrapalhando a gente, nos deixando tenso, mas a gente tem uma boa equipe, conseguimos se apresentar para os quatro jurados corretos que vão para a avenida. Ficamos felizes e vamos seguir trabalho. Esse enredo maravilhoso que a gente se arrepia do início ao fim, pode esperar um grande espetáculo da Independente Tricolor”, garantiu a porta-bandeira.

“Foi um ensaio que a gente já esperava que fosse algo para reconhecer o nosso espaço, porque a gente está acostumado, em anos anteriores com os jurados fixos nos lugares que a gente já conhecia. Hoje foi meio que uma nova adrenalina diferente. A escola é aguerrida, traz temas fortes. A Independente estará encerrando o carnaval em uma grande festa, celebração de cultura, ancestralidade e emoção”, completou o mestre-sala.

HARMONIA

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A Independente Tricolor apresentou um canto irregular neste ensaio. Nitidamente, algumas alas cantavam forte, sobretudo no primeiro setor, mas outros grupos não conseguiram manter a mesma performance. Trata-se de um samba com melodia para cima e bateria forte, mas os componentes não acompanharam o ritmo de voz do intérprete Chitão Martins. Isso é algo surpreendente, pois a comunidade da Vila Guilherme costuma gritar o samba e defendê-lo com garra, mas, desta vez, faltou intensidade. No momento do ensaio, fazia muito calor, o que talvez tenha provocado essa morosidade. O fato é que a escola ainda tem mais um ensaio técnico para realizar, o que pode apresentar um rendimento melhor.

“A Independente me recebeu muito bem, já estou indo para o meu terceiro ano, e essa escola é fantástica. Merece muito voltar para o Grupo Especial, trabalha bastante, estuda o regulamento e tenta fazer de tudo para que a gente possa dar um grande espetáculo. O samba a gente espera uma porrada. Espero que a gente levante a arquibancada e faça um grande trabalho. É um dos melhores do Acesso, confio muito nesse samba”, comentou Chitão Martins.

EVOLUÇÃO

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Do ponto de vista do regulamento, para não abrir espaços, a escola conseguiu uma evolução satisfatória no ensaio, além de o preenchimento entre as fileiras das alas ter sido feito corretamente. Entretanto, notou-se que os componentes não estavam evoluindo de acordo com a melodia do samba — vale ressaltar que é um ritmo consideravelmente acelerado, o que dificulta o acompanhamento dos integrantes das escolas. Porém, a empolgação de ter um dos melhores sambas do ano não foi transmitida no quesito.

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SAMBA

É inegável que a Independente Tricolor tem um dos melhores sambas do Carnaval, considerando inclusive os três grupos. Devido a isso, havia uma expectativa muito grande para o rendimento da obra na avenida. Contudo, o desempenho não foi tão animador quanto se esperava. Trata-se de uma obra cuja melodia cresce bastante, com letra rica, recheada de palavras de matriz africana e que traduz com fidelidade o enredo.

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O intérprete Chitão Martins desfilou com sua característica habitual, tentando animar, empolgar e elevar a comunidade, além de interagir constantemente com o público nas arquibancadas. Destaca-se o refrão de cabeça como ponto alto da trilha sonora, entoado com força pela comunidade e facilmente acompanhado pelo público.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Ritmo Forte”, do estreante mestre Higor, realizou um ensaio com muitos arranjos, com destaque para o refrão do meio, no qual se canta “ôôô, esquenta o couro, senhor”. Na parte das vogais, a bateria executa um pequeno apagão, e a comunidade solta a voz. No entanto, houve algumas questões em que a bateria se complicou: em determinadas bossas, na hora da retomada, os instrumentos não conversaram entre si. Isso foi observado durante a passagem da batucada pelo Setor H.

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“Nosso primeiro ensaio técnico foi bem satisfatório, a gente sabe que ainda tem alguns ensaios pela frente, mas psra um primeiro ensaio técnico foi muito satisfatório mesmo. A gente trabalha para chegar a excelência, tudo pode ser melhorado. A bateria da Independente trabalha para escola. A gente vem fazendo um trabalho para engrandecer o montante da escola”, disse mestre Higor.

São Lucas apresenta bom canto, evolução segura e bateria consistente

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Por Gustavo Mattos e Will Ferreira

A Unidos de São Lucas apresentou no ensaio técnico no Anhembi um conjunto forte de rendimento musical, evolução segura e uma bateria consistente. Com destaque para a harmonia, a consciência no deslocamento das alas e a leitura clara do enredo de matriz africana, a escola demonstrou amadurecimento coletivo e avanço significativo na preparação para o Carnaval 2026.

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COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente da Unidos de São Lucas, do coreógrafo Jonathan Santos, apresentou uma proposta clara e bem definida, conectada diretamente à matriz africana que sustenta o enredo. O grupo surgiu com figurinos marcantes: vestidos vermelhos da cintura para baixo, criando impacto visual imediato, contrastando com turbantes brancos, que reforçam a simbologia ancestral e espiritual da apresentação.

Um dos destaques foi o dançarino que incorporou Exu, personagem central dentro da narrativa proposta. Sua fantasia dialogava com o sagrado, trazendo elementos que remetem à religiosidade afro-brasileira e à força do orixá mensageiro. A interpretação corporal foi intensa, com movimentos firmes de pés, giros bem marcados e gestos simbólicos, que representavam abertura de caminhos e comunicação entre mundos.

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A coreografia foi executada de forma organizada, com deslocamentos bem definidos para marcação de espaço do tripé. Os integrantes utilizaram o chão como referência cênica, ocupando a pista com consciência espacial, evitando dispersão. Houve momentos de formação em semicírculo, valorizando o personagem central, seguidos de aberturas laterais que simbolizavam caminhos sendo traçados. A leitura foi compreensível, e o conjunto conseguiu unir dança, narrativa e impacto visual, mostrando um trabalho que já possui identidade e entendimento do enredo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Erick Sorriso e Victória Devote apresentou alto nível de sincronia durante todo o ensaio. Erick Sorriso e Victória Devote dançaram com entendimento mútuo, mantendo conexão constante por meio do olhar e da condução precisa dos movimentos. A comunicação corporal entre os dois foi evidente, com entradas e saídas bem coordenadas, sempre respeitando o tempo do samba.

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Victória realizou giros seguros e bem distribuídos, com a bandeira aberta, limpa e valorizada, sem registros de enrolamento ou toque indevido no mestre-sala. Erick manteve postura correta, nunca ficando de costas para a porta-bandeira, protegendo o pavilhão com elegância e presença cênica. Os movimentos dialogaram com a melodia do samba, especialmente nos momentos de refrão, quando o casal intensificou a dança sem perder o controle.

Não houve falhas. Caso estivessem fantasiados, o figurino contribuiu positivamente para a leitura do ensaio, reforçando o comprometimento com a apresentação. Mesmo com possíveis interferências externas, como vento, o casal se manteve seguro, mostrando preparo técnico e entrosamento, pontos fundamentais para o rendimento do quesito.

HARMONIA

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A harmonia da Unidos de São Lucas apresentou momentos de bom rendimento, com destaque para alas que cantaram com força e constância ao longo do ensaio. Algumas alas do meio do desfile, como as posicionadas no segundo setor, mostraram canto mais consistente, ajudando a sustentar o samba na pista.

O intérprete Tuca Maia teve papel fundamental na condução do canto. O intérprete dialogou com a escola, incentivou respostas e manteve o andamento estável, o que contribuiu para que o samba não perdesse força ao longo do percurso. O carro de som acompanhou bem, garantindo equilíbrio entre voz principal e apoio, permitindo que a letra fosse compreendida.

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Houve momentos pontuais de canto irregular em algumas alas, com trechos executados de forma equivocada. Esses ajustes ainda são necessários, mas não comprometeram o todo. A participação da ala musical foi positiva e mostrou evolução, principalmente no entrosamento com a bateria.

EVOLUÇÃO

A escola desfilou cantando muito, com o samba ecoando pelo Anhembi em diversos momentos. A evolução apresentou pontos positivos, com alas alegres, soltas e sambando, valorizando a proposta do enredo. Algumas alas conseguiram desfilar sem excesso de fileiras, o que merece destaque, pois demonstra confiança e organização.

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Foram identificadas alas que embolaram em momentos específicos, exigindo atenção redobrada da direção de harmonia e evolução. Também houve necessidade de ajustes para preenchimento de espaços, com componentes retornando para fechar buracos na pista, atitude correta e positiva dentro do contexto de ensaio.

As alas coreografadas trouxeram dinamismo ao desfile, com movimentos simples, mas bem encaixados no samba, contribuindo para a leitura visual da escola. No geral, a Unidos de São Lucas mostrou organização e disposição para ajustes, entendendo o ensaio como espaço de construção.

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SAMBA

O samba de Bruno Leite e Ricardinho Olaria pede escuta e presença. Ele não chega atropelando, chega chamando. Desde o “Axé, mamãe”, o rendimento passa muito pela forma como o canto sustenta a espiritualidade do texto. Quando a escola canta junto, com atenção às palavras, o samba ganha densidade e se espalha pela avenida como um ritual coletivo. Quando o canto se fragmenta, a mensagem ainda existe, mas perde parte do impacto emocional.

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Há momentos em que a narrativa cresce naturalmente, como na passagem que fala da travessia, da escravidão e da resistência. Esse trecho costuma provocar resposta da comunidade, desde que o intérprete conduza com clareza e o carro de som mantenha o andamento confortável, sem ansiedade. Já no xirê e nas referências culturais, o rendimento depende muito da organização do canto: bem encaixado, o samba flui; desajustado, ele se torna pesado para quem vem atrás.

O intérprete tem papel central em transformar o samba em fala. Quando valoriza as pausas, aponta o refrão e conversa com a escola, o canto cresce e se mantém vivo. O carro de som, por sua vez, é quem garante o equilíbrio, permitindo que o samba respire e chegue inteiro até o final.

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No refrão derradeiro, a afirmação quilombola encontra força no coletivo. Se bateria, canto e condução caminham juntos, o samba não apenas rende, ele se impõe com identidade e verdade.

OUTROS DESTAQUES

A rainha Pepita mostrou presença e conexão com a bateria, sambando com entrega e valorizando o ritmo da escola. Sua atuação reforça o diálogo entre chão e musicalidade, ponto importante para o conjunto do desfile.

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O mestre de bateria, Andrew Vinicius, comandou um trabalho consistente, com três bossas bem relacionadas ao samba e ao frevo, além de um paradão em que a bateria fecha completamente e a escola assume o canto, criando um momento de impacto coletivo. As bossas foram bem encaixadas, sem quebrar o andamento, e o paradão foi executado com segurança, evidenciando o entrosamento entre bateria, intérprete e comunidade.

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X-9 Paulistana apresenta primeiro casal com potencial, mas enfrenta questões em Harmonia no ensaio técnico

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Por Naomi Prado e Will Ferreira

A X-9 Paulistana realizou seu primeiro e único ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi, preparando-se para o Carnaval de 2026. A agremiação concluiu sua apresentação em aproximadamente 47 minutos e 50 segundos. A comunidade tem ajustes pontuais e importantes a fazer para tentar alcançar o objetivo de avançar para o Grupo de Acesso 1. A nação xisnoveana será a quarta escola a desfilar no sábado de Carnaval pelo Grupo de Acesso 2. A escola levará para a avenida o enredo “Yvy Marã’ẽ: a busca pela Terra sem Mal”, assinado pelo carnavalesco Amauri Santos e pelo enredista Leonardo Dahi.

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COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, coreografada por Paula Gasparini, apostou em uma apresentação que remete aos trejeitos dos povos originários. De forma contida, os bailarinos alternaram movimentos que dialogam com o enredo e passos tradicionais do quesito.

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Durante a apresentação, a ala se divide em grupos que, ao se separarem, chegam a agachar e bater as mãos no chão. A comissão contou com uma personagem central, posicionada no centro das coreografias, que, em determinado momento, era erguida pelos demais integrantes.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Igor e Júlia Mary se destacaram pela apresentação expressiva. Embora mantenham uma dança de perfil mais tradicional, com ênfase nos movimentos obrigatórios, como giros em sentido horário, anti-horário e eixo, a dupla optou por incorporar mais elementos do enredo em seus passos para 2026.

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Vestidos de branco e com acessórios de inspiração indígena, Igor e Júlia realizaram uma apresentação segura e consistente.

HARMONIA

A X-9 Paulistana precisa de atenção no quesito harmonia. De modo geral, os componentes concentraram o canto principalmente nos refrões do samba-enredo, deixando de entoar outras partes da obra. Com tempo para ensaios e ajustes, os experientes intérpretes Royce do Cavaco e Daniel Colete demonstraram capacidade para auxiliar na evolução desse quesito.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

EVOLUÇÃO

A escola enfrentou dificuldades para manter as alas compactas ao longo do trajeto, mas, após o recuo, o problema foi solucionado. Apesar do canto irregular e do forte sol que marcou o ensaio, os componentes realizaram coreografias nos refrões do samba. Algumas alas, utilizando adereços de mão, apresentaram um desempenho linear ao longo do percurso.

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SAMBA-ENREDO

O samba-enredo, composto por Gui Cruz, Clayton Reis, Portuga, Reinaldo Marques, Imperial, Rogério, Digo Sá, Luciano Rosa, Luizão, Willian Tadeu e Vitor Gabriel, possui uma letra bastante descritiva e fiel à proposta do enredo. No entanto, a obra aparentou apresentar certo grau de dificuldade para o desempenho da harmonia e da evolução da escola.

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OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada pelo mestre Kell, apresentou um ritmo acentuado e preciso, bem ajustado à melodia do samba. Próximo ao recuo, alguns ritmistas e integrantes da diretoria se atrapalharam no momento de inverter a bateria. As alas de chocalho, agogô e cuíca abriram um espaço incomum e perceptível, mas o ajuste foi feito rapidamente.

A rainha de bateria, Valéria de Paula, apostou em um triquíni com estampa de onça e reinou com segurança e elegância à frente dos ritmistas. O grande ponto alto do ensaio foi a ala das baianas que, vestidas com as cores da escola, não se deixaram abater pelas condições climáticas e permaneceram dançando, honrando o pavilhão como verdadeiras matriarcas.

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