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Para marcar história! Canto se sobressai e Gaviões da Fiel realiza seu melhor ensaio técnico dos últimos anos

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Por Gustavo Lima, Ana Carla Dias, Letícia Sansão e Will Ferreira

Aparentemente, qualquer risco de chuva resolveu dar uma trégua para os Gaviões da Fiel. Em uma tarde marcada por chuva e com seis escolas ensaiando neste sábado, a agremiação do Bom Retiro foi contemplada com um treino totalmente ao ar livre. Este foi o primeiro ensaio técnico dos alvinegros, que já deram mostras claras de que vão brigar pelo título. A tão sonhada quinta estrela pode, sim, virar realidade.

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O que se viu na pista foi arrebatador. Sem exageros, o melhor ensaio dos Gaviões da Fiel dos últimos tempos. O grande destaque ficou por conta do canto da comunidade: todas as alas animadas, cantando a plenos pulmões, demonstrando garra, força e conseguindo trazer a arquibancada para dentro da pista.

Os demais quesitos também apresentaram alto nível: comissão de frente criativa, evolução solta e bem trabalhada, casal de mestre-sala e porta-bandeira esbanjando elegância e um samba-enredo que rendeu à altura de sua letra, considerada uma das melhores da temporada. Um ensaio para a comunidade do Bom Retiro se orgulhar. Agora, resta observar se a escola manterá o mesmo nível no próximo técnico, marcado para o dia 24/01, exatamente daqui a uma semana.

Os Gaviões da Fiel levarão para o Anhembi o enredo Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã, sendo a quarta escola a desfilar no sábado de Carnaval, com assinatura dos carnavalescos Júlio Poloni e Rayner Pereira.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Helena Figueira, a comissão de frente dos Gaviões da Fiel apresentou uma encenação complexa e totalmente alinhada ao enredo. Os bailarinos, vestidos em tons de marrom e com estética indígena, executaram uma performance em torno de um objeto semelhante a um caldeirão, de onde saía fumaça, referência à yakoana, substância utilizada pelos xamãs Yanomami para se comunicarem com os espíritos xapiris. Esses espíritos conduzem a narrativa do enredo e do samba da escola.

A leitura foi clara, sustentada por uma dança envolvente. Os bailarinos cumpriram bem a missão de apresentar a escola, saudando o público com formações bem desenhadas, ocupando a pista de forma organizada, ora juntos, ora separados.

Ainda dentro da comissão de frente, três pilares foram carregados, cujo significado não pôde ser identificado por estarem cobertos com plástico, mas tudo indica que fazem parte de algum elemento cenográfico que trará contraste visual ao desfile.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Em meio à forte chuva que caiu na cidade de São Paulo durante a tarde e a noite, o casal Wagner Lima e Carolline Barbosa teve sorte: foram os únicos a encontrar a pista completamente seca. Com isso, puderam desempenhar seu trabalho com excelência, esbanjando elegância e cumprindo todos os requisitos do quesito: sorriso constante, sincronia nos giros, olhares bem marcados e perfeita adequação à coreografia do samba.

Carolline Barbosa, cria da escola, demonstra evolução a cada ano, ao lado do experiente Wagner Lima, que há muitos anos defende o pavilhão alvinegro. Destaque também para o figurino: ambos vestindo trajes claros e com o rosto pintado, compondo uma indumentária criativa, na busca pela tão desejada nota máxima, os 40 pontos.

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“Quando a gente fala de dança, a gente fala também de perfeição. Sempre existem detalhes para ajustar: um movimento mais calmo, outro mais rápido, a abertura do pavilhão, pequenos tempos que a gente ainda quer lapidar. Mas o projeto que a gente pensou conseguiu ser colocado na pista hoje. Por ser o primeiro ensaio técnico, foi muito positivo. Acho que é trabalhar ainda mais algumas aberturas para os jurados, aquele tempinho de respirar, acalmar e apresentar melhor. São detalhes quase imperceptíveis para quem assiste, mas para a gente fazem diferença. Pelo que a gente está vendo no barracão e na quadra, o público pode esperar uma Gaviões grandiosa. Sempre empolgante, sempre impactante. Este ano vem com mais cores, mais fantasias, carros alegóricos maiores. A escola está com muita vontade de buscar essa estrela”, comentou o mestre-sala.

“Foi o nosso primeiro contato com a pista e com as marcações das cabines de jurados, que esse ano mudaram um pouco. A gente veio calmo, tranquilo, e conseguiu executar a coreografia do jeito que ela foi pensada no papel. A coreografia já nasceu adaptada para a pista, porque cada jurado está em um ponto diferente. Então existem pequenas adaptações, mas o saldo desse primeiro ensaio é muito positivo. É o primeiro ensaio, é natural esse ajuste fino. A gente vai se corrigindo, lapidando, encontrando pequenas coisas para mostrar ainda mais. Mesmo assim, saímos muito felizes com esse primeiro ensaio. Uma escola forte, cantando unida, com garra, com cor, com brilho e com dança. Da nossa parte, na dança, é levar alegria para quem estiver assistindo, apresentar uma dança bonita e enaltecer ainda mais a tradição da dança de mestre-sala e porta-bandeira”, completou a porta-bandeira.

HARMONIA

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Uma verdadeira virada de chave aconteceu nos Gaviões da Fiel. O canto da escola está extremamente forte e contagiante, a ponto de influenciar diretamente a arquibancada. Se no Carnaval 2025 a comunidade teve dificuldades com o samba “Irin Ajó Emi Ojisé”, desta vez a Fiel assimilou rapidamente a letra da trilha sonora de 2026 e cantou como um verdadeiro rolo compressor.

É natural que, nos momentos finais do ensaio, a intensidade diminua em função do desgaste físico, mas o fato é que o quesito Harmonia foi o destaque do treino. O refrão de cabeça merece menção especial: curto, explosivo e com uma construção melódica ascendente, utilizando palavras oxítonas e proparoxítonas que favorecem a entonação e o aumento da energia. Exemplos: Yandê, aponta, direções, gaviões.

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“Senti um clima muito bom. A gente está fazendo o combinado, passando com a escola grande e o povo cantando o samba. Agora é só complementar no dia oficial, com as fantasias e as alegorias A expectativa é a melhor possível. No ano passado, a gente bateu na trave. Se não fosse a nota do samba-enredo, com a qual eu não concordo, a gente já teria sido campeão. Este ano, a gente veio para confirmar: vamos brigar pelo título. Está todo mundo fechado com o samba, a escola inteira e a torcida também”, afirmou o intérprete Ernesto Teixeira.

EVOLUÇÃO

Os componentes desfilaram de forma leve e solta, sem o tradicional militarismo de fileiras retas. Orientados pelo trabalho da harmonia, os desfilantes dançaram, se movimentaram de um lado para o outro e fizeram coreografias em diversos trechos do samba.

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No verso “Flecha que aponta”, todos simulavam o movimento de arco e flecha com o braço estendido para o lado esquerdo. No refrão do meio, os braços eram abertos e movimentados para a direita e a esquerda. Já no trecho “Xawara levanta o sonho e mata, padece / Mas eu sou a voz que conhece o segredo das nossas raízes”, a comunidade balançava o corpo de um lado para o outro, criando um belo efeito visual com os adereços de mão. Por fim, em “É hora de reflorestar o pensamento”, os braços eram erguidos para, logo em seguida, explodir no refrão de cabeça.

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Uma verdadeira aula de evolução. Criativa, dinâmica e bem alinhada com o samba.

SAMBA-ENREDO

Interpretado por Ernesto Teixeira, o samba dos Gaviões da Fiel, mantendo a pegada apresentada no ensaio, tem tudo para se tornar o melhor da escola em muitos anos, algo que não se via há uma década ou mais. A força do canto da comunidade e a resposta da arquibancada reforçam essa impressão.

Destaque para os efeitos sonoros novamente utilizados no carro de som, sob comando do diretor musical Rafa do Cavaco, responsável pelas introduções, arranjos de cordas e orientações ao intérprete. Um verdadeiro craque desde que assumiu a ala musical da escola, mantendo também a excelência de entrosamento com a bateria “Ritmão”.

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Ernesto Teixeira se mostrou confiante, só aguardando o dia oficial para sacramentar o bom desfile. “Senti um clima muito bom. A gente está fazendo o combinado, passando com a escola grande e o povo cantando o samba. Agora é só complementar no dia oficial, com as fantasias e as alegorias”, diz o intérprete.

Seguindo a linha na busca pelo título, o cantor bateu na tecla sobre a nota errada do quesito samba-enredo, mas diz que a briga pela taça está de pé. “A expectativa é a melhor possível. No ano passado, a gente bateu na trave. Se não fosse a nota do samba-enredo, com a qual eu não concordo, a gente já teria sido campeão. Este ano, a gente veio para confirmar: vamos brigar pelo título. Está todo mundo fechado com o samba, a escola inteira e a torcida também”, afirma.

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OUTROS DESTAQUES

A bateria “Ritimão” segue priorizando técnica e sustentação do samba. O mestre Ciro opta por um desfile mais linear, com menos bossas, executadas apenas quando o regulamento exige. Merece destaque a paradinha realizada em frente à arquibancada monumental durante o refrão do meio: surdos marcando, comunidade, arquibancada e ritmistas cantando em uma só voz.

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Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

“A gente curtiu muito o ensaio. A bateria aproveitou, o clima estava bom. Foi um ensaio gostoso de fazer, a galera estava à vontade, com energia boa. No geral, a sensação foi muito positiva. “Claro que sempre existem detalhes para acertar. É aquele discurso que se repete todo ano, porque sempre dá para melhorar. Às vezes é uma resposta de bossa, uma atenção maior em algum detalhe, principalmente na sincronia com o carro de som. Esses ajustes precisam ser feitos e vão ser trabalhados. Tenho certeza de que, até o próximo ensaio, isso já vai estar resolvido. “A ousadia fica por conta das bossas. Tem umas bossas bem legais que a gente está preparando. É ir para cima e fazer acontecer. “O ano passado foi uma demonstração de que a Gaviões voltou a brigar pelo título. Este ano a escola vem muito forte. A energia está boa, o barracão está maravilhoso, o povo está esperançoso. É isso que a gente precisa”, explicou mestre Ciro ao CARNAVALESCO.

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A presença de Sabrina Sato como rainha de bateria é um espetáculo à parte. Por onde passa, atrai multidões. Sempre sorridente, interagindo com o público, mandando beijos e exibindo muito samba no pé, mais uma vez levou o Anhembi ao delírio.

Opinião! Ensaios técnico de sábado no Anhembi

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Em último ensaio do ano na Mirandela, Beija-Flor passa como rolo-compressor na busca pelo bicampeonato

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Por Matheus Morais e Marielli Patrocínio

A Beija-Flor de Nilópolis realizou seu último ensaio de rua na tradicional Mirandela neste sábado. Com sua força característica de rolo-compressor, a comunidade nilopolitana demonstrou muita garra e um forte canto enquanto era guiada por Nino e Jéssica Martin, em uma noite muito forte de ambos os intérpretes da Azul e Branca. Claudinho e Selminha Sorriso também passaram muito bem na Mirandela, enquanto a bateria Soberana deu um show sob o comando dos mestres Plínio e Rodney. Atual campeã do carnaval, a Beija-Flor será a segunda escola a entrar na Avenida na segunda noite de desfiles do Grupo Especial, com o enredo “Bembé”, sobre o Bembé do Mercado, o maior candomblé de rua do mundo, que ocorre em Santo Amaro, na Bahia.

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COMISSÃO DE FRENTE

Comandada por Jorge Teixeira e Saulo Finelon, a comissão trouxe a coreografia que vem marcando os ensaios na Mirandela, com destaque para a figura feminina como centro em que se desenvolve toda a história contada pela comissão de frente, e que é representada pela única mulher entre os quinze integrantes, enquanto os demais bailarinos vêm com uma coreografia com movimentos mais focados nos braços, que, no início, lembram bastante ondas, partindo depois para movimentos mais diretos e ágeis, que demarcam bem o espaço da comissão, ocupando bem a pista. Os integrantes demonstraram bastante sincronia durante os movimentos da dança, mostrando um bom domínio da coreografia que vem sendo trabalhada.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Claudinho e Selminha Sorriso realizaram um ensaio muito bom e bastante potente neste sábado. Ambos demonstraram uma dança bem tradicional, com giros e saltos bem executados pelo casal, assim como os momentos de cortejo e de interação mais próxima entre Claudinho e Selminha, além de trazer muita leveza durante o bailado apresentado, sem deixar de lado os momentos de mais força da coreografia por conta do samba, reforçando a segurança deles com a coreografia que vem sendo apresentada e aprimorada ao longo dos ensaios de rua.

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Fotos: Matheus Morais e Marielli Patrocínio/CARNAVALESCO

SAMBA E HARMONIA

Foi com muita garra a performance de Nino e Jéssica Martin neste sábado, comandando o carro de som da Beija-Flor ao pisar pela última vez na Mirandela nesta temporada. Ambos demonstraram muita sincronia entre si e com o carro de som da escola, seguindo com muita disposição e segurança com o hino de 2026 da Deusa da Passarela até o final do treino. A comunidade também soltou a voz, cantando o samba a plenos pulmões durante todo o momento em que esteve na rua, assumindo mais uma vez a obra em sua totalidade, com destaque para os refrões que o samba traz, que ecoaram na voz dos integrantes da agremiação.

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“Está tudo dentro do planejado. Conversamos muito, a equipe de harmonia, e procuramos introduzir aquilo que a gente quer no desfile, relativamente. A gente tem muita preocupação de chegar ao ápice antes da hora. Por isso, a gente vai introduzindo o que a gente quer no desfile conforme a gente vai evoluindo em canto, evolução, espontaneidade, tudo aquilo que a gente precisa fazer. Hoje você deve ter percebido que a gente entrou em mais uma etapa do desfile: a gente não começa o desfile na hora em que canta o samba; a gente começa o desfile na hora em que os atabaques abrem o xirê. É uma forma de abrir nossos caminhos, pedindo a todos os orixás, pedindo às Yabás que abram nosso caminho. Vamos ter agora um desfile em Copacabana, que eu acho que é só para poder presentear o povo, sem técnica nesse desfile, porque ali tem muita gente apaixonada pela escola que vai entrar no meio dos desfilantes. O trabalho está indo em um progresso planejado muito positivo. Eu estou muito feliz. Acho que a comunidade hoje demonstrou o amor e o carinho que eles possuem pela escola, mas eu ainda tenho a preocupação de crescer gradativamente. Temos mais dois ensaios”, explicou o diretor de carnaval, Marquinho Marino.

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EVOLUÇÃO

A Mirandela foi tomada pela força da comunidade nilopolitana, que mais uma vez desfilou forte no chão da Baixada. Mantendo sua alcunha de rolo-compressor, os foliões da Beija-Flor vieram com grande energia, empolgação e alegria, passando firme e tranquilamente pela Mirandela, sem deixar de lado a garra neste último ensaio. As alas passaram com bastante animação, cantando bem o samba e fazendo coreografias livres, exceto as alas coreografadas, que mostraram bem sua própria dança para o povo, também sem deixar o ritmo ao redor da evolução cair em nenhum momento.

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OUTROS DESTAQUES

A bateria “Soberana” cruzou a Mirandela com muita força e espiritualidade marcante. Os atabaques se destacaram nos momentos de bossa, bem demarcados por esses instrumentos, além de outras bossas realizadas por Plínio e Rodney, mestres dos ritmistas de Nilópolis. A rainha Lorena Raíssa esbanjou muita alegria e simpatia ao passar pela rua, reinando à frente dos ritmistas nilopolitanos.

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“A gente está sempre procurando perfeição, sempre. Eu sempre vou achar que pode ser melhor e realmente pode ser melhor. É trabalhar. Fizemos um grande ensaio, graças a Deus, mais uma vez, a cada um a gente vai, até culminar no dia do desfile. Lá, vai ser o ápice, e, mais uma vez, vai ser perfeito, e a gente conseguir a nota máxima para ganhar esse carnaval”, disse mestre Rodney.

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Salgueiro alia técnica e emoção em ensaio de altíssimo nível na Mirandela

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Por Marielli Patrocínio e Matheus Morais

A Avenida Mirandela, em Nilópolis, foi tomada por emoção, ancestralidade e samba de alto padrão na noite do último sábado. Convidado para o Encontro de Quilombos, ao lado da Beija-Flor, o Salgueiro realizou um ensaio que superou a ideia de preparação técnica e se consolidou como um verdadeiro manifesto cultural. Com canto potente, grande presença de componentes e quesitos bem definidos, a escola apresentou o seu enredo para o Carnaval 2026, “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, do bacalhau e do pirata da perna-de-pau”, em homenagem à genialidade de Rosa Magalhães, com maestria em solo nilopolitano.

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Fotos: Marielli Patrocínio/CARNAVALESCO

Desde a chegada à Mirandela, o clima era de reverência e união. Para os mestres da bateria Furiosa, pisar naquele chão tem um significado que vai além do ensaio. “Chegar aqui e pisar nesse solo sagrado de Nilópolis é muito importante para a comunidade do samba. Mostra que o samba é unido, que as escolas são amigas e que a gente se fortalece nesses encontros”, destacou o mestre Gustavo, ressaltando a importância de ocupar aquele espaço simbólico.

O diretor de carnaval, Wilsinho Alves, destacou a importância histórica do encontro e o estágio atual da escola. “Esse encontro é necessário. O quilombo da Baixada encontrar a escola que deu protagonismo ao negro no carnaval é muito significativo. É ancestralidade, é samba”, afirmou.

COMISSÃO DE FRENTE

Assinada pelo coreógrafo Paulo Pinna, a comissão de frente do Salgueiro apresentou um trabalho de alto nível técnico e simbólico, alinhado com a homenagem à mente criadora de Rosa Magalhães. Composta por 20 integrantes, a comissão surgiu com figurinos de bobo da corte, figura historicamente ligada à inteligência afiada, ao humor crítico e à ironia, elementos que dialogam diretamente com a personalidade da homenageada.

O corpo dos bailarinos veio em preto e branco, criando uma base gráfica forte, enquanto as cabeças em tons de rosa, com detalhes em strass e brilho, chamaram atenção. A escolha da cor pode remeter, coincidentemente ou de forma consciente, à mente brilhante de Rosa, sua imaginação viva e inquieta. As luvas em rosa mais vívido reforçaram essa leitura, evocando simbolicamente as mãos da carnavalesca, tantas vezes “postas à massa”, conduzindo carnavais memoráveis com vivacidade, humor peculiar e aquele tom inconfundível de ironia e deboche inteligente.

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A execução foi marcada por boa estrutura e dinamismo. O grupo se reorganiza constantemente ao longo do samba, apresentando diferentes desenhos coreográficos, como, por exemplo, fila em V, fila horizontal, além de saltos, giros precisos e gestos festivos com as mãos, sempre com clareza de leitura e controle de espaço. A apresentação foi concebida no modelo para cabine espelhada, novidade prevista para o Carnaval 2026, o que reforça a atualização estética do trabalho.

O grande ápice veio no trecho “Ô lê-lê, eis a flor dos amanhãs” da segunda passada do samba. Nesse momento, nove integrantes, posicionados um passo atrás, executam giros rápidos e “caem” simbolicamente sobre os figurinos, revelando o pavilhão de uma agremiação em que Rosa foi carnavalesca e fez acontecer a festa. Simultaneamente, os bailarinos da linha de frente deixam cair sobre seus figurinos, um a um, as letras que formam o nome “SALGUEIRO”. Um instante de forte carga emocional e impacto visual, que arrebatou o público e consolidou a comissão como um dos trabalhos mais impactantes do ensaio, em nível altíssimo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Com figurinos em tom de rosa elegante, Sidclei e Marcella realizaram uma apresentação impecável. A sintonia entre os dois impressiona pela precisão dos giros, leveza dos movimentos e um bailado contínuo que dava a sensação de flutuação. A porta-bandeira, em especial, parecia deslizar pela Mirandela, conduzindo o pavilhão com extrema elegância.

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Os giros da porta-bandeira mantiveram regularidade de eixo, velocidade controlada e excelente distribuição do espaço, sem perda de forma ou altura da bandeira. O mestre-sala, sempre bem posicionado, protegeu o pavilhão com movimentos limpos, sem cruzamentos indevidos, mantendo distância adequada e evitando qualquer bloqueio visual.

Houve progressão clara nos giros, entradas e saídas bem resolvidas e total respeito ao regulamento do quesito, com o casal se mantendo sempre voltado um para o outro, sem quebras de foco ou desencontros. O conjunto apresentou fluidez, elegância e precisão técnica, reforçando a maturidade e a segurança de uma dupla plenamente preparada para o desfile oficial.

EVOLUÇÃO

A escola evoluiu com andamento consistente, ocupando bem todo o espaço da avenida. O que se viu foi uma comunidade que brincou do início ao fim, com todas as alas pulsando entusiasmo. Muito movimento, muita animação e um tom festivo que reforça a identidade salgueirense.

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A evolução do Salgueiro foi marcada por fluidez e inteligência coletiva. A escola apresentou um andamento confortável, sem variações bruscas de ritmo, permitindo que os componentes brincassem o carnaval sem comprometer o desenho do conjunto.

O aproveitamento do espaço da Mirandela foi de alas bem distribuídas, ocupação lateral eficiente e ausência de buracos ou compressões excessivas. Não se observaram correrias nem lentidão, e a escola caminhou com naturalidade, sustentada por um samba que favorece a progressão contínua.

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Mais do que organização, o que se destacou foi o espírito de festa e animação. Todas as alas, sem exceção, evoluíam com alegria genuína, muito movimento corporal e interação constante entre componentes. A sensação era de uma escola viva, pulsante, que evoluiu brincando, exatamente como pede o DNA salgueirense.

A escola chegou numerosa em Nilópolis, com cerca de duas mil pessoas, mobilizando ônibus e componentes que fizeram questão de viver o ensaio como um momento especial. “A gente levou muito a sério esse ensaio por tudo que representa a Mirandela”, destacou Wilsinho, diretor de carnaval, ressaltando o peso simbólico do local e da troca entre as comunidades.

HARMONIA

O canto foi um dos grandes destaques da noite. Forte, potente e bem distribuído, manteve coerência com o andamento do samba do início ao fim. O trecho “que tititi é esse pelo mundo a me levar, naveguei sem sair do lugar” ganhou um brilho especial, pois a comunidade cantava sorrindo, de forma leve e brincalhona, traduzindo um estado coletivo de felicidade genuína.

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Segundo Wilsinho, o Salgueiro vive um momento de crescimento contínuo. “A cada semana a gente sente que foi o melhor ensaio. Isso mostra que estamos numa curva ascendente e que o samba com a comunidade vai chegar no máximo de rendimento no carnaval.”

SAMBA

O samba apresentou rendimento crescente ao longo do ensaio, acompanhando o avanço da escola pela avenida. Trata-se de uma obra de fácil assimilação, com refrões fortes e um pré-refrão que cria expectativa emocional, favorecendo o canto coletivo. O trabalho do carro de som foi fundamental para essa evolução. À medida que o Salgueiro tomava conta da Mirandela, o samba ganhava corpo, volume e emoção, criando uma espécie de espiral crescente de energia.

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O grande momento técnico e sensível veio no solo de violino no pré-refrão, executado por Mateus Soares. O instrumento trouxe uma camada de sofisticação rara, com um diálogo direto com a música clássica, evocando a formação intelectual e a elegância estética de Rosa Magalhães. Foi um instante singelo, delicado e profundamente emocionante, que tocou os componentes antes da explosão popular que se seguiu.

Para o mestre Guilherme, o ensaio na Mirandela funcionou como um verdadeiro teste técnico. “Apesar de ser um evento festivo, para gente é um ensaio de verdade. É repetição, é execução. Ensaiar aqui, com cabine espelhada, ajuda muito na resistência e no ajuste fino. Fizemos mais um bom ensaio”, avaliou.

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No aspecto técnico, a bateria “Furiosa” apresentou um trabalho consistente, mesmo sem estar com sua formação completa. Mestre Gustavo explicou que o grupo vive um momento decisivo na preparação para o desfile de 2026, impulsionado por uma virada recente no processo de ensaios.

“O ensaio de quinta-feira foi fundamental, foi quando tudo saiu cravado. As bossas já estão assimiladas, a galera está focada, unida e querendo buscar mais uma vez os 40 pontos para ajudar o Salgueiro a conquistar o título tão sonhado”, ressaltou.

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Na Mirandela, cerca de 70% dos ritmistas estavam presentes, já que parte da bateria permaneceu na quadra para cumprir a programação do samba. Ainda assim, o desempenho manteve alto nível de entrega e precisão, sustentando o andamento da escola e dialogando com o crescimento do samba ao longo do percurso.

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“Quem veio representou muito bem. A bateria está unida, comprometida e isso é essencial para o nosso trabalho e para a escola”, afirmou mestre Gustavo.

Sobre o samba, o diretor Wilsinho Alves reforçou a confiança no rendimento da obra e na resposta da comunidade ao longo da temporada. “O samba vai chegar no máximo de rendimento no carnaval. Ele é fácil, tem dois refrões fortes, um pré-refrão que funciona muito bem. Tenho certeza de que o Salgueiro vai finalizar o carnaval muito bem, e aquele arrastão promete”.

OUTROS DESTAQUES

A rainha de bateria Viviane Araujo não esteve presente à frente da bateria no Encontro de Quilombos, muito provavelmente por conta da agenda na quadra da escola no mesmo dia, mas a agremiação contou com a presença de musas como a atriz Bruna Griphao e a cantora MC Rebecca, que abrilhantaram o ensaio.

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Com comunidade em voz alta, Mocidade vive noite de afirmação rumo ao Carnaval 2026

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Por Maria Estela Costa e Carolina Freitas

O penúltimo ensaio de rua da Mocidade Independente de Padre Miguel, realizado no último, em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, foi marcado pela excelente performance no canto e também pela confiança dos componentes, expressa em diversos momentos, como na interação com o público. No Carnaval 2026, a escola levará à Sapucaí o enredo “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”, desenvolvido pelo carnavalesco Renato Lage, que celebra a vida e o legado da cantora brasileira Rita Lee. A homenageada, além de ter músicas atemporais, era reconhecida por sua personalidade autêntica e pelas causas que defendia, entre elas a liberdade de expressão, a comunidade LGBTQIAPN+ e os direitos das mulheres.

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“Fizemos um excelente ensaio, conseguimos executar tudo o que foi planejado. Foi um ensaio maravilhoso, a comunidade cantando muito, evoluindo muito. A comunidade veio em peso. A gente está muito, muito, muito feliz com o que realizamos hoje. […] Claro que sempre existem alguns ajustes, mas estamos no caminho certo e, a cada ensaio, crescemos mais. Uma energia maravilhosa aqui, e a comunidade Independente está muito feliz mesmo”, disse Sandro Menezes, diretor geral de harmonia.

COMISSÃO DE FRENTE

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Abrindo o ensaio, a comissão de frente, comandada pelo coreógrafo Marcelo Misailidis, chegou com capas pretas, semelhantes às de super-heróis, utilizadas para auxiliar nos movimentos da coreografia. Apesar da ausência de uma estrutura que simulasse o tripé do desfile, os dançarinos demonstraram conexão com a vida da homenageada e muita sincronia entre si. Todos os passos exigiam atenção, especialmente o momento em que se cobrem com a capa, já que qualquer erro de tempo poderia comprometer a progressão da dança. No entanto, isso não aconteceu: todos estavam bem ensaiados e atentos a cada detalhe.

HARMONIA

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A potência do canto foi o grande protagonista da noite. Todos os componentes cantaram de ponta a ponta, fazendo com que o samba em homenagem a Rita Lee vibrasse na Avenida Ministro Ary Franco. A sintonia nas alas, porém, não se restringiu ao canto: ela também se manifestou na alegria transmitida pelos desfilantes, que contagiaram o público, estimulando a participação e a interação. O trabalho conjunto da ala musical e da bateria foi um grande aliado para que o samba se expandisse e fosse um sucesso no ensaio.

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“O samba começou miudinho, com muita dúvida, mas furamos a bolha mais uma vez. É um dos sambas mais cantados, um samba popular, de fácil entendimento, com um linguajar ‘rita-lee-zado’, fazendo com que a nossa comunidade cante cada vez mais. Quando se fala em comunidade, é preciso olhar para Padre Miguel, para a Zona Oeste, porque aqui tem uma comunidade muito forte, unida e que quer vencer. Eu disse para essa comunidade: o que eu puder fazer, o que eu puder me doar de coração, corpo e alma, eu vou fazer. Então, canto muito forte, evolução em sintonia, canto alinhado com o carro de som. Só tenho a agradecer a Deus por me proporcionar, junto com meu irmão de direção, Sandro Menezes, eu na direção de carnaval junto com Marcelo Plácido, esse prazer de poder liderar uma comunidade apaixonada”, afirmou Wallace Capoeira, diretor de carnaval.

EVOLUÇÃO

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As alas estavam completas e bem posicionadas. Houve a preocupação comum com o alinhamento das fileiras, mas nada que comprometesse o empenho dos desfilantes em entregar um bom ensaio ao público de Bangu. A maior parte das alas apresentou algum tipo de adereço. A ala 3, por exemplo, utilizou pompons confeccionados em TNT nas cores branca e verde; já a ala 9 levou boias do tipo espaguete, geralmente usadas em piscinas, mas que, no contexto do ensaio, faziam referência ao adereço da fantasia final.

Também houve alas coreografadas. Na ala 2, os integrantes usaram saias longas brancas, no estilo das utilizadas na dança do carimbó. Os passos eram simples e exploravam bastante o movimento da barra da saia. Já na ala 20, os componentes utilizaram leques como adereço, com uma coreografia fácil de assimilar, mas que exigia atenção, sobretudo pelo uso do som do leque sincronizado com a bateria.

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SAMBA

O samba é de fácil assimilação, principalmente pelas referências claras às canções de Rita Lee. A forma como a agremiação conseguiu unir os estilos musicais da homenageada, MPB e rock, ao samba é um dos grandes destaques da obra. Ao ouvir a bateria e a voz dos intérpretes, é possível perceber a presença desses elementos, ainda que de forma sutil, evidenciando a preocupação em manter a essência da cantora.

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O mestre Dudu, que comanda a bateria “Não Existe Mais Quente”, comentou: “Sabemos que cada semana que passa é uma semana a menos. Agora é a reta final. […] Estou muito contente, muito feliz. A cada dia que passa, a bateria está mais centrada. Eu fiz uma junção de bossas pensando no jurado. Trabalho muito em cima da melodia do samba, para facilitar o entendimento do jurado. […] Trabalhei demais, porque quando falo de Rita Lee, falo de musicalidade. Estudei muito, passei a ouvir Rita Lee intensamente. Muitas músicas dela me deram nuances e ideias, como a quadradinha que colocamos no samba. Quem curte Rita Lee vai entender o que estou falando: tudo em cima da melodia, sempre buscando um fácil entendimento para o jurado e a reinvenção constante da Mocidade”.

OUTROS DESTAQUES

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Fotos: Carolina Freitas e Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diogo e Bruna, não participou do ensaio. Em seu lugar, o segundo casal, Diego Moreira e Isabella Moura, ocupou o espaço na simulação dos jurados, apresentando-se com vigor na defesa do pavilhão. A rainha de bateria também não marcou presença, mas as musas estiveram no ensaio, interagindo com a comunidade e demonstrando respeito e admiração. Entre elas, Gaby Mendes, Mayara do Nascimento e Mylla Ribeiro.

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Sobre as expectativas e os últimos ajustes, os diretores comentaram: “Estamos muito bem nos quesitos harmonia, evolução, casal e bateria. O barracão está a todo vapor! Temos certeza de que ajustaremos esses detalhes para chegar com tudo aos ensaios técnicos, nos dias 30 e 6. A Mocidade está pronta para ir à avenida ensaiar na Sapucaí, e tenho certeza de que vai ser maravilhoso”, disse Sandro Menezes.

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“Vai dar tudo certo. Amanhã é dia de reunião, a coordenação senta para avaliar, assistir aos vídeos e corrigir o que for necessário. Como sempre digo, nunca estou satisfeito, quero mais. Só vou estar satisfeito na Quarta-Feira de Cinzas, após a abertura dos envelopes. Até o dia do desfile, você vai ver a gente ajustando detalhes, sempre em busca do melhor desempenho para a Mocidade”, concluiu Wallace Capoeira.

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Com festa, estrelas e confiança, União de Maricá mostra por que sonha alto em 2026

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A União de Maricá realizou, na noite do último sábado, na Cidade do Samba, a segunda edição do evento Maricá Faz a Festa. Além de uma grande performance dos principais segmentos da escola, a celebração contou com apresentações especiais dos artistas Arlindinho e Marquinhos Sensação, além das coirmãs Estácio de Sá e Mangueira. O CARNAVALESCO esteve presente e conversou com integrantes da agremiação sobre o encontro promovido e a preparação da escola para o grande dia do desfile. De início, o presidente da União de Maricá, Matheus Santos, destacou a importância de sediar a festa em um território tão simbólico para o samba.

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Foto: Ney Junior/Divulgação União de Maricá

“Depois do primeiro Maricá Faz a Festa, no Baródromo, trouxemos hoje esse evento para a Cidade do Samba, esse solo sagrado e templo do sambista, o que nos deixa muito felizes. É uma audácia sair da nossa cidade e fazer um evento aqui, mas sinto que Maricá precisava se fazer presente na Cidade do Samba. A cidade hoje está comprometida diretamente com a cultura, graças ao engajamento do nosso prefeito e presidente de honra. Aproveito o espaço para agradecer também ao presidente da Liesa e a todas as co-irmãs que nos liberaram para fazer esse encontro. Isso é muito importante para a gente”, disse o gestor.

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Foto: Ney Junior/Divulgação União de Maricá

Para o diretor de harmonia, Mauro Amorim, a relevância do encontro está justamente na conexão da escola fluminense com a metrópole carioca, berço do samba.

“Quase 100% da escola é de Maricá, de forma que é importante vir para o Rio de Janeiro e se fortalecer no meio do Carnaval, mostrando que Maricá é terra de samba e tem conteúdo para oferecer ao mundo do Carnaval também”, declarou Mauro.

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Foto: Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO

É o que também pensa o mestre Paulinho Steves, à frente da bateria “Maricadência”. “O Maricá Faz a Festa é um evento que traz toda a energia da União de Maricá para aproximar a escola dos cariocas e sensibilizar os apaixonados por samba e carnaval de que temos, sim, uma comunidade e que vamos, de degrau em degrau, buscando o nosso espaço nesse mundo”, expressou Paulinho.

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Foto: Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO

Além da busca por reconhecimento, Zé Paulo Sierra, intérprete de longa data que estreia este ano na agremiação, destacou que o episódio serve como aprendizado e crescimento para a escola fundada em 2015.

“A União de Maricá está se consolidando e se descobrindo como uma grande escola. Ela está amadurecendo, recebendo outras escolas centenárias e grandes artistas. Isso faz o fundamento de uma escola. É o início de uma história, que tem apenas 10 anos de idade e três anos na Série Ouro, mas o trabalho realizado é muito profissional, muito sério e busca inserir a escola no circuito do samba do Rio de Janeiro”, disse Zé Paulo.

Apesar da pouca idade, a União de Maricá se mostra uma das favoritas à ascensão ao Grupo Especial, apoiando-se, para isso, em uma equipe experiente e calejada, com destaque para o premiado carnavalesco Leandro Vieira e em uma rotina intensa de ensaios, como apontou Zé Paulo.

“Maricá começou seus ensaios no início de outubro. A escola já fez sete ensaios de rua e temos mais três pela frente, além do ensaio técnico. É uma quantidade de ensaios muito bacana, especialmente para a Série Ouro. Se a gente contar os ensaios de quadra e outros eventos, a gente trabalhou muito esse samba”, defendeu o intérprete.

Paulinho Steves também se mostrou confiante no trabalho de seu segmento. “A gente consegue fazer bons ensaios de rua. A bateria tem uma boa interação com a comunidade e o carro de som. Chegamos cada vez mais perto do nosso objetivo, que é atingir o máximo de aproveitamento no dia do desfile”, disse o mestre.

Uma das mais admiradas de sua geração, a rainha de bateria, Rayane Dumont, não escondeu a parcialidade ao analisar a reta final da escola.

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Foto: Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO

“Eu, que sou nascida e criada em Maricá, sendo da comunidade, se for dar uma nota para o nosso desempenho nesse pré-carnaval, sempre vou dar 10, porque a gente sabe de toda a nossa determinação, do nosso esforço, de toda a luta para fazer um belíssimo carnaval. Todo ano a gente vem evoluindo, melhorando, vendo aquilo em que está errando e no que pode melhorar. Até por isso, a expectativa para o ensaio técnico na Sapucaí é a melhor possível”, ponderou.

Perseguindo o padrão de qualidade exibido em trabalhos anteriores, o diretor de harmonia, Mauro Amorim, por sua vez, não fugiu das cobranças à comunidade.

“Fico muito feliz com o que temos mostrado, mas também estou ciente de que ainda há muito trabalho pela frente. Somos uma escola que entra na avenida ciente do seu papel e do sonho que tem para construir. A gente espera que o nosso trabalho continue em uma crescente para realizar na avenida o que o público está esperando. Não adianta fazer um ótimo pré-carnaval e não conseguir entregar isso na avenida. A gente está trabalhando e vai trabalhar muito para entregar um belo Carnaval”, garantiu o profissional.

Apesar de uma preparação e de um histórico de desfiles de alto nível, a incerteza, é verdade, sempre paira no ar, consistindo no grande trunfo da competição — e no pior pesadelo de seus competidores.

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Foto: Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO

“É claro que, no dia do desfile, existe uma mágica. Você pode fazer um baita ensaio técnico e um desfile mediano, ou um ensaio técnico mediano e um desfile fora da curva. Por isso, é necessário focar muito no desfile e não se desesperar com o que deu muito certo no ensaio ou com algo que deu errado, mantendo, claro, o que deu certo e corrigindo o que vem dando errado. Ontem, por exemplo, no nosso ensaio de rua, a gente evoluiu e amadureceu muito para o desfile. O segredo é manter esse foco e chegar bem, tranquilo no dia do desfile. É claro que há nervosismo e ansiedade, mas é trabalhar bem o psicológico para que a gente possa realizar no desfile o que a gente fez no nosso melhor ensaio”, comentou Zé Paulo.

Mais imagens da festa

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Foto: Ney Junior/Divulgação União de Maricá
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Foto: Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO
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Foto: Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO
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Foto: Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO
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Foto: Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO

Dom Orani abençoa pavilhões do Grupo Especial: Tudo o que é humano e que é da pessoa humana não nos é alheio’

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Dom Orani João Tempesta, cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, esteve na Cidade do Samba como parte dos festejos da trezena de São Sebastião, período de preparação para o dia de comemoração do padroeiro do Rio de Janeiro. Em cerca de uma hora e meia, ele visitou o barracão da Beija-Flor, onde conheceu um pouco mais do enredo que a escola levará para a Sapucaí em 2026, e abençoou os pavilhões das doze escolas de samba do Grupo Especial. Ao CARNAVALESCO, o arcebispo metropolitano falou da integração entre fé e carnaval, afirmando que tudo o que é humano e cultural também interessa à fé e à Igreja, que se abre ao diálogo com todos, de todas as religiões, ideias e culturas, e que reza pelos trabalhadores do carnaval e pelos que se apresentam na Marquês de Sapucaí.

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Fotos: Matheus Morais/CARNAVALESCO

“Estivemos aqui outras vezes, celebramos uma missa aqui, e o padroeiro dessa casa é São Sebastião, aqui entronizado logo na entrada da Cidade do Samba. Tudo o que é humano e que é da pessoa humana não nos é alheio. Nós sabemos que cremos em Jesus Cristo e o anunciamos, e queremos que nossa presença, junto a todas as culturas, ajude cada vez mais a trabalhar para o bem das pessoas, para o bem de quem já trabalha aqui com as escolas de samba, e que essa presença possa apresentar algo que leve as pessoas a viverem melhor, a sentir mais a beleza e a viver na paz e na fraternidade. Essa é a nossa presença e nosso diálogo com a cultura”.

O presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta, destacou a importância de receber a peregrinação da imagem do padroeiro da cidade do Rio, que também protege a Cidade do Samba, tendo sua imagem na entrada. Horta relembrou ainda os festejos realizados antigamente no local, que eram maiores, com a imagem passando por lá também no dia 20.

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“Essa vinda é muito importante e, com a minha escola, embora seja uma escola versátil, eu fiz questão de trazer os três casais para participar desse momento, que é muito importante para nós, manter mais um pouco de fé e paz, que é o que interessa para nós”.

Já a primeira porta-bandeira da Mangueira, Cintya Santos, também comentou sobre essa parada da trezena no lugar em que nasce o maior espetáculo da Terra, tendo o pavilhão em suas mãos também abençoado nesta tarde.

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“Enxergo como inclusão, como respeito. Independentemente da religião, catolicismo, umbandista, candomblecista, nós devemos respeitar, e o samba não pode ter preconceito. É um momento de respeito a todas as religiões e que nós merecemos também”, afirmou Cintya.

Wallace Capoeira, diretor de carnaval da Mocidade, escola que tem São Sebastião como padroeiro, também acompanhou a visita com bastante atenção, estando presente junto a outros integrantes da escola, e pontuou como um momento de paz e tranquilidade em meio à preparação do próximo desfile.

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“É um momento único e especial para nós que estamos aqui recebendo essa ilustre visita, em um momento de paz, trazendo tranquilidade e recebendo a bênção. É uma coisa rara e que acalma o nosso coração para essa jornada que está por vir”, destacou.

Gabriel David, presidente da Liesa, acompanhou a visita de Dom Orani à Cidade do Samba e ao barracão da Beija-Flor, reforçando o diálogo com a Igreja Católica no Rio de Janeiro e destacando o respeito que vem movendo esse diálogo, considerado por ele direto, verdadeiro e transparente, e que demonstra o sinal de respeito que a Igreja tem pela manifestação do carnaval. Para o presidente, a presença de Dom Orani é motivo de orgulho e felicidade para todos.

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“É um momento de respeito, acima de tudo, e quando nós somos respeitosos, também atraímos respeito. Tenho certeza de que as escolas de samba são extremamente respeitosas. Tenho certeza de que todo mundo que tem o seu caráter e a sua origem vindos de uma quadra de escola de samba, principalmente, carrega muito consigo respeito, união, paz e amor, e é isso que esse momento simboliza. Esse cenário de protagonismo dos grandes artistas dessa cidade — que são os mestres-salas e as porta-bandeiras, os mestres de bateria, os passistas e as passistas, as baianas, os carnavalescos, esses artesãos incríveis que estão aqui na Cidade do Samba — é visto pela Igreja como pessoas importantes e fundamentais dentro da nossa sociedade”, declarou.

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Antônio Pitanga confirma presença no desfile da Acadêmicos de Niterói

O ator Antônio Pitanga esteve no barracão da Acadêmicos de Niterói, na Cidade do Samba, e confirmou sua presença no desfile da agremiação, que homenageará o Presidente Lula. Acompanhado de sua esposa, Benedita da Silva, o ator já tirou as medidas para o figurino do grande dia.

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Foto: S1 Fotografia/Divulgação Acadêmicos de Niterói

Antônio desfilará em uma das alegorias da agremiação e foi recebido pelo Presidente Wallace Palhares, a primeira dama Amanda Palhares, o carnavalesco Tiago Martins e o enredista Igor Ricardo. Durante a visita, ele e Benedita conheceram todo o projeto da agremiação.

A Acadêmicos de Niterói desfilou no dia 15 de fevereiro, abrindo os desfiles do Grupo Especial, com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.

Em clima de ensaio técnico, Unidos de Padre Miguel transforma Guilherme da Silveira na Sapucaí

O Carnaval 2026 está se aproximando e, nesta sexta-feira, a agremiação realizou o último ensaio de rua antes de ensaiar na Sapucaí. O evento foi realizado na principal praça de Guilherme da Silveira, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Neste ano, a Unidos de Padre Miguel está apostando no enredo “Kunhã-Eté: O sopro sagrado da Jurema”, idealizado pelo carnavalesco Lucas Milato, em homenagem a Clara Camarão, que se destacou após lutar contra as invasões holandesas no Recife e, a partir disso, tornou-se símbolo da resistência da mulher indígena. O ensaio foi marcado pela alta qualidade apresentada pela escola, do primeiro casal até as últimas alas.

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Fotos: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Sobre as expectativas e os avanços da escola, o diretor de carnaval, Cícero Costa, revelou: “A gente está no caminho certo. Graças a Deus que, em primeira mão, 90% das fantasias estão prontas, faltando 28 dias para o carnaval. É um balanço positivo, o planejamento está bem encaminhado, acredito que, no começo de fevereiro, a gente já comece a entregar as fantasias. O barracão está praticamente resolvido e é só esperar o dia do desfile”.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

A sintonia entre Marcinho e Cris não é mais novidade para os apaixonados por carnaval. Logo, a cada ensaio, eles fazem questão de reafirmar isso, deixando evidente a parceria e o carinho existentes entre os dois. Seus passos, além de sincronizados, tinham referências do enredo, como quando dão as mãos e giram juntos ou quando fazem um movimento de “vai e vem” com os ombros, como se estivessem intimidando alguém.

O mestre-sala não perdeu sua parceira de vista em momento algum, e ela focou em manter o pavilhão sempre erguido. Nas vestimentas, o casal optou por conforto, mas com referências à agremiação: Cris, com um vestido completamente vermelho e botas brancas, e Marcinho, com calça e blusa regata também na cor vermelha; nos pés, usava sapatos sociais nas cores vermelho e branco.

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HARMONIA

O samba-enredo pegou na comunidade como chiclete; a comunidade estava em peso, com a letra gravada na memória. As alas, em sintonia com a bateria e o carro de som, cantavam com potência, e o público também acompanhava. Esse sucesso do samba ficou explícito na paradinha da bateria e dos intérpretes, justamente para deixar o povo soltar a voz, e eles fizeram isso com excelência: cantaram com muita força e admiração pela agremiação.

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A ala musical se complementa com a bateria e reflete um trabalho em conjunto para que haja um bom rendimento no samba-enredo. Além disso, diferentemente do ensaio da semana passada, desta vez não houve nenhuma ala atrasando; todas acompanharam o samba no mesmo ritmo.

EVOLUÇÃO

As alas estavam bem posicionadas, todas atentas ao enfileiramento e ao tempo de prosseguir. Essa atenção contou com o auxílio dos diretores de ala e dos componentes da harmonia. Apesar dessa exigência, crucial para o desfile, os desfilantes se mostraram alegres e confortáveis, dançando, cantando e interagindo com os espectadores. Algumas alas levaram adereços em referência ao que será utilizado no desfile. Entre elas, a ala 1, em que cada integrante segurava um cabo de vassoura em pé, como uma lança; as alas 3 e 4, que estavam com duas bolas nas cores da agremiação; e a ala 12, que, além de segurar um cabo de vassoura ou arminhas de brinquedo, está coreografada, com passos que remetem a uma batalha, como se estivessem defendendo algo.

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SAMBA

O samba teve bom rendimento. A ala musical estava em total sintonia e, assim, fazer o que se gosta com alegria deixa o trabalho mais leve; esse sentimento refletiu no desempenho durante o ensaio. Além disso, a bateria “Guerreiros”, comandada pelo mestre Laion, fez com que suas paradinhas fossem o complemento que faltava no samba, que foi bem recebido pelo público.

“O samba é muito bom! Trabalhar com samba bom ajuda muito no trabalho. Para lapidar, ficam pequenos detalhes. Tem o ensaio técnico na sexta-feira, estou muito convicto, estou trabalhando bastante, fazendo dois ensaios na semana. Acho que, para eu tirar um parâmetro mesmo, ter uma ideia do que posso lapidar, é após o ensaio técnico. Se ficar um errinho aqui ou outro ali, vão ser questões mínimas de limpeza. É o ano em que estou mais confiante no trabalho, meu melhor ano de trabalho”, afirma o mestre Laion.

OUTROS DESTAQUES

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O ensaio não contou com a apresentação da comissão de frente, coreografada por Paulo Pinna. Porém, contou com a presença da rainha de bateria, Dedê Marinho, que encantou a comunidade com seu gingado e samba no pé, além da fofura de seu filhinho Noah, que também marcou presença. Para o look, a rainha escolheu um conjunto com as cores da agremiação e a logo na altura do peito; nos pés, estava com um salto dourado. Além disso, as musas Jaquelline, Crislin e Mari Mola também compareceram ao evento e entregaram carisma, interação com o público e, claro, muito samba.

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Uirapuru da Mocca testa força do enredo e empolga no técnico rumo ao Carnaval 2026

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Por Gustavo Mattos e Will Ferreira

A Uirapuru da Mocca realizou seu único ensaio técnico na última sexta-feira e deixou sinais claros de organização, identidade e envolvimento com o enredo “Maria Felipa – No Balanço da Maré, a Heroína da Independência”. A escola, presidida por Sidnei Aguilera de Almeida, o Sidão, levou para a pista um trabalho que já demonstra leitura de avenida, entendimento de proposta e pontos positivos que chamam a atenção de quem acompanha a preparação para o Carnaval 2026. A cronometragem oficial marcou 48 minutos, contando a partir do início do canto do samba-enredo, tempo bem administrado ao longo do percurso.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, comandanda por Rosani Garcia, apresentou uma proposta bem definida, mesmo em ensaio, com elementos cênicos que ajudaram a marcar o espaço do tripé e organizar a movimentação no início do desfile. Os integrantes carregavam um tipo de escudo, utilizado como elemento simbólico e também como recurso coreográfico, reforçando a ideia de proteção, luta e resistência, diretamente conectada à figura de Maria Felipa. Rosani Garcia optou por trabalhar duas coreografias distintas ao longo do ensaio: uma executada durante uma passagem inteira do samba e outra apresentada na segunda passagem completa, o que demonstra preocupação com variação, leitura dinâmica e ocupação de pista.

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Os movimentos eram amplos, com deslocamentos bem pensados, giros coordenados e momentos de impacto visual quando os escudos eram utilizados em conjunto. A vestimenta seguia uma fantasia carnavalesca de inspiração afro-brasileira, com tecidos estampados em grafismos étnicos, amarrações no corpo e adornos que remetem à ancestralidade e à força coletiva. Mesmo sem o acabamento final de desfile, o conjunto já ajudou a criar atmosfera e facilitou a leitura da proposta artística da comissão. A escola levará para o Anhembi o enredo “Maria Felipa – No Balanço da Maré, a Heroína da Independência” e será a nona a desfilar.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Alexander Oliveira e Pamella Calzone apresentou um ensaio de alto nível técnico, com muita leveza, sincronia e conexão entre os dois. Alexander e Pamella mostraram entrosamento do início ao fim, sempre atentos um ao outro, com troca constante de olhares e movimentos que dialogavam diretamente com a melodia e os versos do samba. As coreografias foram executadas respeitando os tempos musicais, com giros bem marcados da porta-bandeira e conduções precisas do mestre-sala, que manteve a postura correta, proteção contínua do pavilhão e leitura clara de cada movimento. Não houve registros de bandeira enrolando, desencontros de mão, perda de eixo ou momentos em que um dos dois deixasse de se comunicar com o outro. Mesmo em ritmo de ensaio, o casal manteve energia elevada, sorriso constante e fluidez, valorizando o conjunto e contribuindo para elevar o nível artístico da apresentação.

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HARMONIA

A harmonia da Uirapuru apresentou um panorama de envolvimento crescente ao longo da escola. A Ala do Adivan, primeira ala, trouxe coreografia e bastante animação, com integrantes demonstrando entrega corporal ao samba, embora o canto tenha soado com menor intensidade em alguns momentos iniciais. Ainda assim, a empolgação ajudou a manter a energia alta na largada do desfile.

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Na sequência, a Ala das Baianas veio com uma representação simbólica forte, trazendo a fé como elemento central. As fitas do Senhor do Bonfim eram utilizadas como faixas, criando uma imagem de devoção e resistência, além de contribuírem para a leitura visual do enredo. O canto se mostrou mais uniforme, acompanhando bem o andamento imposto pelo carro de som. A Ala Estrela Dourada manteve boa regularidade vocal, enquanto o Bonde do Jethai trouxe animação e resposta rápida aos comandos do intérprete, reforçando trechos importantes do samba. Ao longo da escola, foi possível perceber alas cantando com mais força em pontos estratégicos do percurso, especialmente no segundo setor, onde o canto ganhou mais corpo e projeção.

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O intérprete Thiago Brito teve papel central no rendimento geral, sustentando o samba com boa extensão vocal, chamadas claras e interação constante com a comunidade. O carro de som acompanhou com equilíbrio, garantindo base para que as alas se mantivessem conectadas ao canto. Houve pequenas oscilações naturais de ensaio, mas sem comprometer a leitura geral. Para uma escola que retorna ao Grupo de Acesso 2 após subir do Especial da Uesp, o conjunto demonstra potencial, ainda que existam ajustes necessários para quem almeja o Acesso 1.

EVOLUÇÃO

A evolução apresentou pontos positivos e aspectos que merecem atenção. A Ala do Adivan, mesmo com coreografia, mostrou momentos de compactação maior, exigindo correções rápidas para manter o espaçamento. As Baianas evoluíram de forma segura, com deslocamento constante e boa ocupação de pista, sem abrir buracos significativos.

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A Estrela Dourada manteve ritmo regular, enquanto o Bonde do Jethai apresentou animação e movimentação solta, contribuindo para uma leitura mais leve do desfile. Em alguns trechos, foi possível notar alas ajustando o passo para preencher espaços e evitar buracos maiores, o que demonstra atenção da direção e resposta rápida dos componentes. De modo geral, a escola apresentou organização, alas alegres e integrantes sambando com liberdade, algo cada vez mais difícil de se ver. A presença de alas sem excesso de fileiras foi um ponto que valorizou a estética do desfile, reforçando a sensação de fluidez na pista.

SAMBA

O samba-enredo 2026 da Uirapuru da Mocca mostrou rendimento consistente ao longo do ensaio. A obra, que traz versos como “Pulsa minha ancestralidade” e “Sou eu Maria, mulher preta e heroína”, encontrou boa resposta principalmente no refrão principal, onde o canto cresceu e ganhou força coletiva. Em alguns momentos iniciais, o samba foi cantado de forma mais contida por determinadas alas, mas ao longo do percurso houve crescimento perceptível, especialmente com o reforço do intérprete e do carro de som, que souberam explorar os momentos de maior impacto melódico.

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A letra permitiu identificação e entrega, principalmente nos trechos que exaltam a luta, a ancestralidade e o protagonismo feminino negro. A composição é assinada por Thiago Meiners, Thiago Brito, André Valencio, Marcel da Cohab, JB Laureano, Diego Laureano, Wil PZ, Daniel Rizzo, Sandra Aranha e Tubino, e mostrou potencial de crescimento conforme a escola avança nos ajustes finos de canto e interpretação coletiva.

OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada por Murilo Borges, apresentou duas bossas bem definidas, dialogando com ritmos da Bahia, como o Olodum, em sintonia com a proposta do enredo. As paradinhas foram bem encaixadas e sustentadas, mantendo o andamento do início ao fim do ensaio.

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A rainha de bateria, Acássia Nascimento, teve presença marcante, interagindo com o público, cantando o samba e acompanhando as bossas com leitura corporal e energia. Sua roupa de ensaio valorizou os movimentos e ajudou na comunicação visual com a arquibancada.

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A conversa da bateria com o público, aliada às bossas e à postura confiante do conjunto, contribuiu para manter a pista viva e conectada com quem acompanhava o ensaio, fechando a apresentação com sensação de identidade bem construída.