Início Site Página 113

Viver o agora! União da Ilha mostra identidade e potência da comunidade em ensaio de rua

0

Por Juliana Henrik e Juliane Barbosa

“Viva o Hoje! O Amanhã? Fica pra Depois” não é apenas o enredo da União da Ilha do Governador para o Carnaval 2026. É uma declaração de intenções. A escola atravessa um novo momento, com equipe renovada, comunidade mobilizada e a vontade clara de viver o presente, construindo passo a passo um desfile competitivo e carregado de significado. Na noite da última quarta-feira, a agremiação transformou a Estrada do Galeão, na altura do Relógio da Cacuia, em palco de mais um ensaio de rua. A comunidade se fez presente em peso, tanto para desfilar quanto para acompanhar, criando um ambiente de festa, pertencimento e expectativa.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Antes mesmo do ensaio começar, o diretor de carnaval, Júnior Cabeça, anunciou uma notícia que elevou ainda mais o clima: todas as fantasias da escola já estão prontas, faltando um mês para o carnaval. O comunicado foi recebido com euforia pela comunidade, que respondeu com aplausos e vibração, sentindo confiança na organização e no planejamento da escola, presidida por Ney Filardi. A União da Ilha do Governador irá desfilar no dia 13 de fevereiro de 2026, sexta-feira de Carnaval, como a sexta escola da noite na Série Ouro do Sambódromo.

ilha rua1401 1
Fotos: Juliane Barbosa e Juliana Henrik/CARNAVALESCO

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, coreografada por Júnior Scapin, apresentou uma proposta forte e impactante. Numerosa e formada majoritariamente por jovens, trouxe passos marcantes, movimentos amplos de braços e uma energia contagiante, refletindo garra, entrega e o desejo de mostrar o melhor neste novo momento da União da Ilha.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O grande destaque da noite foi o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, João Oliveira e Duda Martins. Jovens, mas donos de uma maturidade impressionante, eles conduziram o pavilhão da União da Ilha com uma dança marcada por romantismo, leveza e extrema sintonia.

ilha rua1401 3

O bailado do casal emociona pela delicadeza. O toque preciso, os olhares atentos, a forma como João conduz e como Duda desenha o espaço com a saia criam uma dança envolvente, segura e elegante. Mesmo sendo um dos casais mais jovens da função, transmitem confiança ao carregar um pavilhão de tanta tradição, reafirmando que juventude e responsabilidade podem caminhar juntas na Avenida.

SAMBA E HARMONIA

No carro de som, Tem-Tem Júnior comandou o samba com firmeza, encontrando boa resposta da escola, especialmente nos primeiros setores do ensaio. A comunidade cantou com vontade, abraçando a proposta do enredo e criando um coro empolgado que deu o tom da apresentação.

Ao longo do percurso, a harmonia mostrou um início forte e vibrante, com alas cantando e interagindo com o samba. No entanto, ficou evidente a necessidade de maior atenção às últimas alas, onde algumas pessoas já não acompanhavam o canto com a mesma intensidade. Um ponto de ajuste importante, sobretudo em um quesito decisivo, que ainda conta com mais ensaios para ser lapidado.

ilha rua1401 2

Sobre o momento da escola, o diretor de carnaval avaliou o ensaio com clareza e responsabilidade.

“Se tratando de União da Ilha, a gente tem sempre que querer mais, mas, em relação aos meus quesitos, a minha harmonia está em evolução e eu estou muito feliz com o que aconteceu no ensaio de hoje. Graças a Deus, ainda temos a oportunidade de ensaiar mais quatro vezes e a gente pretende melhorar muito para chegar no dia 13 de fevereiro com tudo certinho e brigar por esse carnaval”, explicou Júnior Cabeça, diretor de carnaval da União da Ilha.

ilha rua1401 4

EVOLUÇÃO

A evolução da escola foi marcada por leveza e preocupação com a leitura visual. Para auxiliar no deslocamento e dar mais movimento ao conjunto, alas utilizaram bastões iluminados, bexigas e lenços, criando uma dinâmica fluida e organizada ao longo do percurso.

Um dos momentos mais simbólicos da noite veio com a última ala, formada por crianças. Cantando alto, dançando e vibrando alegria, elas traduziram com pureza a essência do enredo. Se a proposta é viver o hoje, elas representam exatamente isso: o presente pulsando, cheio de vida e esperança.

Bateria

A “Baterilha”, comandada pelo mestre Marcelo Santos, mostrou segurança e maturidade. Vinda de um carnaval com nota 40, ela apresentou bossas bem encaixadas, leitura inteligente da letra do samba e empolgação constante do início ao fim do ensaio.

ilha rua1401 5

Com serenidade, o mestre avaliou o desempenho: “Na minha opinião, está muito bom! Mas sempre precisamos aperfeiçoar. Se o desfile fosse hoje, a bateria está em forma para desfilar e na reta da briga pelas quatro notas 10. Estamos em ótima performance e preparados para o desfile, mas, lógico, respeitando e sempre tendo algo a melhorar”, disse Marcelo Santos.

A presença da rainha de bateria, Gracyanne Barbosa, também foi destaque. Mesmo ainda sem poder sambar por conta do acidente sofrido na Dança dos Famosos, Gracyanne esteve presente, esbanjou carisma, alegria e recebeu o carinho da comunidade, reforçando sua conexão com a escola.

ilha rua1401 6

Atabaque é protagonista em ensaio de rua da Em Cima da Hora

Por Maria Estela Costa e Mariana Santos

Visando alcançar seu espaço no Grupo Especial, a Em Cima da Hora levará à Sapucaí, no Carnaval 2026, o enredo “Salve Todas as Marias: Laroyê, Pombagiras”, em homenagem às pombagiras, entidades da umbanda e do candomblé, que simbolizam a força e a resistência feminina. Na última quarta-feira, a agremiação realizou mais um ensaio de rua no bairro Cidade Nova, no Rio de Janeiro.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

COMISSÃO DE FRENTE

Comandada pelo coreógrafo Márcio Moura, a comissão de frente deu início ao ensaio com muita sincronia entre os dançarinos e o samba. Em alguns momentos da coreografia, as dançarinas se uniam em uma fila para mostrar resistência, interpretavam a incorporação da entidade e sua risada marcante. Além disso, ainda em sintonia com a canção, no momento em que é cantado “abre a roda!”, eles abrem uma roda enquanto giram. Isso demonstra a busca por referências nas danças típicas das religiões afro-brasileiras.

Eles não estavam fantasiados, apenas com a camisa que os identificava como dançarinos da comissão de frente e shorts pretos. Também não houve a presença de algo que simulasse a estrutura do desfile, mas, ainda assim, os dançarinos entregaram uma boa performance.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marlon Flôres e Winnie Lopes, se apresentou com vestimentas confortáveis para o ensaio e com as cores da agremiação. Ela, com um vestido azul-escuro brilhante, como uma noite estrelada, e botas brancas; ele, com camisa social azul-escuro de tecido acetinado, calça branca e tênis azul-escuro, brilhante tal qual o vestido de sua parceira.

ech rua1401 7
Fotos: Maria Estela Costa e Mariana Santos/CARNAVALESCO

Na dança, o casal demonstrou harmonia e prática de ensaio, já que em momento algum Marlon tirou os olhos de Winnie e do pavilhão; ele “deslizava” ao redor dela, enquanto ela girava erguendo o pavilhão. Eles compreendiam, sem confusões, o momento de cada passo coreografado, e isso se destacou na apresentação.

HARMONIA

O carro de som e a bateria “Sintonia de Cavalcanti” foram os protagonistas da noite. A voz de Igor Pitta, junto ao atabaque da bateria, fez totalmente a diferença e, se não estivessem unidos, com certeza fariam falta. Apesar da boa relação da ala musical com a bateria do mestre Léo Capoeira, a comunidade não estava mostrando toda a sua potência no canto.

Os componentes até cantavam; alguns já sabiam a letra e outros estavam com a “colinha”, mas nem todos entregaram força na voz. Isso pode ser resultado da ausência de alguns desfilantes no ensaio ou de uma menor exigência da escola e dos diretores de harmonia, o que gera preocupação, tendo em vista que isso é algo crucial para os julgadores. Exceto por esses pontos que precisam ser revisados, o carro de som e a bateria conseguiram entregar um ótimo desempenho.

ech rua1401 3

“Eu já esperava, já conheço o Léo, a gente já trabalhou junto em 2023, então o rendimento da bateria não chega a ser surpreendente porque eu já conhecia, mas é um rendimento de excelência. O samba-enredo tem me surpreendido, porque o samba está estourando bastante a bolha do carnaval. É muita gente que é do axé, mas não é do carnaval, que ouviu, se identificou com o samba e tem procurado a escola, isso é muito legal”, disse o intérprete Igor Pitta.

EVOLUÇÃO

ech rua1401 5

As alas estavam bem posicionadas; havia a preocupação com a fileira, mas isso não impediu os desfilantes de estarem à vontade para o ensaio. As pessoas estavam bem alegres, sambando e interagindo com o público, o que deu um ar de leveza ao ensaio. Havia alas coreografadas e com adereços em referência ao que irão utilizar no desfile, como a ala número 5, em que cada integrante segurava um leque azul como adereço e fazia passos em dupla, e também a ala 12, que usou a criatividade e levou cabos de vassoura como alusão ao que vão portar na avenida.

ech rua1401 9

Além disso, a escola também decidiu inovar e colocar dançarinas para dançar ao redor da rainha de bateria, Maryanne Hipólito. A coreografia tem ligação com o enredo, com a homenageada e com aqueles que buscam a entidade pombagira.

Acontece que isso implicou na evolução da bateria e das pessoas que estavam ao redor; era perceptível que os diretores de bateria estavam mais alarmados para que não houvesse interrupções. Esse fato chamou atenção e gerou curiosidade para saber como será no ensaio técnico e no desfile.

ech rua1401 8

SAMBA

Trata-se de um samba fácil de gravar, principalmente os dois refrões e os momentos de ênfase em alguma palavra, como quando é cantado “Dona Sete Catacumbas é da Em Cima da Hora”, em que há um destaque no nome da agremiação. Como dito anteriormente, os intérpretes e a bateria demonstraram que seu trabalho é realizado com respeito e harmonia, sem ultrapassar ninguém e com o mesmo objetivo: entregar excelência no rendimento do samba.

ech rua1401 4

OUTROS DESTAQUES

A rainha de bateria, Maryanne Hipólito, esteve presente e brilhou, não só por seu look todo trabalhado em pedrinhas brilhosas, mas também por seu samba no pé, harmonia com o público e o sorriso espontâneo no rosto. Sua coreografia contou com a participação de dançarinas que dançavam ao seu redor, como se ela fosse a pombagira, e as mulheres à sua volta, aquelas que a buscam até os dias atuais, em terreiros e giras de candomblé ou umbanda.

ech rua1401 2

Ao CARNAVALESCO, mestre Leo Capoeira fez um balanço do ensaio: “Estamos com pouco tempo, mas estamos conseguindo botar os detalhes no lugar. E agora é aprimorar, aproveitar o próximo ensaio, aproveitar o ensaio técnico e depois os últimos ensaios que tivermos, botar tudo no lugarzinho. Já está dando tudo certo e vai dar mais certo ainda no dia do desfile. O ensaio técnico também é um teste, também é um ensaio, ainda é passível de erros. A gente só não pode errar no dia 14 de fevereiro. Lá, tem que ser tudo perfeito”, disse o mestre.

A presença do presidente da Liga-RJ, Hugo Júnior, foi elogiada e agradecida pela agremiação; segundo eles, o mesmo vem realizando um trabalho que traz mais visibilidade às escolas da Série Ouro.

Vila Isabel vive sonho em ensaio de rua com canto forte e alto rendimento técnico

0

Por Marcos Marinho e Júnior Azevedo

Com grande presença de público, o Boulevard 28 de Setembro já viveu clima de Carnaval na noite do ensaio de rua da Vila Isabel. A rua cheia, o canto forte e a resposta imediata da comunidade criaram o ambiente ideal para um treino marcado por confiança, entrega e sensação de sonho vivido coletivamente. Em uma noite de alto rendimento musical, a escola apresentou excelente performance do intérprete Tinga, canto sustentado do início ao fim e uma atuação de grande nível do casal de mestre-sala e porta-bandeira, confirmando um ensaio em que técnica e prazer de desfilar caminharam juntos. A Vila Isabel será a segunda escola a desfilar na terça-feira de Carnaval, com o enredo “Macumbebê, Samborembá: Sonhei que um sambista sonhou a África”, assinado pelos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, com pesquisa do enredista Vinícius Natal.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

A apresentação do casal Dandara Ventapane e Raphael Rodrigues sintetizou o estado de confiança que marcou o ensaio da Vila Isabel. Há, antes de mais nada, uma dimensão de beleza que se impõe sem esforço: Dandara vestia azul e branco, cores que prolongam o próprio pavilhão em seu corpo; Raphael, em terno branco com delicados detalhes em azul, constrói uma presença elegante. Juntos, defendem o pavilhão da Vila Isabel com evidente conforto cênico, sem rigidez, sem tensão, como quem sabe exatamente o lugar que ocupa na narrativa do desfile.

A observação a partir da simulação da segunda cabine de jurados revelou uma construção coreográfica particularmente inteligente já na entrada do módulo. Logo na cabeça do samba, no verso “sonhei macumbembê”, Dandara realizou bandeiradas curtas e precisas, que funcionam quase como um marcador temporal. O gesto não é à toa: através do pavilhão, a porta-bandeira parece dobrar o tempo, instaurando desde o início do ensaio a dimensão onírica do enredo, o sonho de um sambista que sonhou a África sendo agora sonhado pela Vila Isabel. A bandeirada inaugura um estado de sonho, tanto como evocação do homenageado e de seu legado quanto como projeção simbólica da busca pela quarta estrela do Povo do Samba.

vila rua1401 1
Fotos: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Ao longo da apresentação, o casal executou os giros com convicção. Dandara se destaca pelos rodopios graciosos e por uma elegância que nunca resvala no excesso. Tudo nela parece estar na medida exata: o sorriso, a posição das mãos, a forma de segurar o mastro, o desenho dos giros. Trata-se de uma elegância natural, sustentada por firmeza e controle técnico, que valoriza o pavilhão sem jamais ofuscá-lo.

Raphael, por sua vez, apresenta um riscado firme e seguro, marcado por presença e abertura de espaço. Seu bailado é elegante, mas sobretudo afirmativo: há cortejo, proteção e condução clara da cena, sempre em diálogo atento com a porta-bandeira. É um mestre-sala que organiza o espaço para que a bandeira aconteça em plenitude.

No refrão principal, quando o samba reverencia Oxum, Dandara assume o protagonismo, incorporando gestos delicados que dialogam com a simbologia da orixá. Já na menção a Xangô, é Raphael quem se projeta, com pequenos gestos dançantes que evocam força e autoridade, sem perder a leveza do conjunto. A alternância de protagonismos é fluida e bem resolvida, reforçando a leitura dramatúrgica da coreografia.

O ponto mais alto da apresentação surge no trecho em que o samba diz “pintar a Unidos de Vila Isabel”. Ali, os dois simulam o ato de pintar o próprio pavilhão que Dandara carrega. O gesto ganha densidade simbólica ao funcionar como homenagem direta a Heitor dos Prazeres.

Com segurança técnica, inteligência coreográfica e forte leitura simbólica do enredo, Dandara e Raphael apresentaram um ensaio de altíssimo nível. É um casal que reúne beleza, firmeza e sentido, com todos os elementos para disputar os 40 pontos com plena categoria.

SAMBA E HARMONIA

Se a energia de confiança que atravessou o ensaio da Vila Isabel precisava de um ponto de ignição, ele estava claramente no trabalho de Tinga à frente do carro de som. O esquenta foi sensacional e cumpriu um papel decisivo na atmosfera da noite. Um dos momentos mais fortes aconteceu quando o intérprete cantou “Angola”: a vibração foi imediata e transversal, alcançando não apenas os componentes da escola, mas também o público que acompanhava o ensaio e cantou junto, em alto volume e resposta espontânea.

Essa capacidade de mobilização não se restringe ao esquenta. Tinga leva a mesma categoria, a mesma animação e o mesmo domínio vocal para a defesa do samba-enredo de 2026, afirmando-se com clareza como um intérprete de primeira prateleira do Carnaval carioca. Sua condução imprime gás constante à obra e sustenta a escola do início ao fim, mantendo o canto vivo, encorpado e comunicativo.

O samba é integralmente cantado pela escola. Não se trata apenas de explosões pontuais nos refrões, mas de um canto que percorre toda a letra, com entrega coletiva. O refrão principal, naturalmente, concentra maior impacto e provoca um canto mais devocional, mas o que chama atenção é a manutenção do volume e da presença vocal ao longo de todo o percurso. A Vila Isabel canta muito e canta a letra inteira.

Do ponto de vista da harmonia, há um ponto de atenção a ser observado. O samba começa em rendimento muito alto e, à medida que o ensaio avança, especialmente após cerca de 20 a 30 minutos de desfile, percebe-se uma leve queda na intensidade do canto. Ainda assim, mesmo nesse momento, a comunidade segue cantando de forma consistente e retoma um rendimento mais forte na parte final do ensaio, em patamar próximo ao observado no início.

Esse movimento não compromete a leitura geral, mas indica um aspecto a ser lapidado na reta final da temporada: a manutenção do pico de energia vocal em toda a extensão do desfile. Em contrapartida, é significativo notar como o público acompanha a escola. Muitas pessoas que estavam ali como espectadoras cantavam o samba do início ao fim, reforçando a sensação de pertencimento e ampliando o campo sonoro do ensaio.

No conjunto, samba e harmonia se apresentaram como um dos quesitos mais fortes da escola. Há canto, há adesão, há convicção. A Vila Isabel não ensaia um samba que ainda precisa ser aprendido; ensaia uma obra que já foi incorporada, dentro e fora da escola.

Após o ensaio, o intérprete Tinga destacou o clima de satisfação e confiança vivido pela escola na noite do Boulevard 28 de Setembro. Para ele, o rendimento apresentado já é motivo de celebração, independentemente do que ainda virá pela frente.

“Foi maravilhoso. Independente do que vai acontecer, a gente já está feliz demais. A escola está feliz, a comunidade está feliz. A gente vai em busca do nosso sonho com toda humildade. A luta vai continuar na avenida, com alegria e com força. Se Deus quiser, a gente vai em busca desse título tão sonhado pela nossa comunidade”, declarou.

Questionado sobre eventuais ajustes no samba até o desfile oficial, Tinga ressaltou que o trabalho segue em processo contínuo de teste e lapidação, algo natural na preparação para a Sapucaí:

“Até lá a gente vai ajustando tudo. Hoje mesmo já fizemos algumas coisas diferentes para testar. É sempre assim: a gente testa, vê o que dá certo, o que não dá a gente tira. Até o dia do desfile, a ideia é chegar o mais ajustado possível para fazer o nosso melhor”.

Sobre a repercussão do samba de 2026, frequentemente citado como um dos mais fortes da temporada, o intérprete destacou a resposta da comunidade e do público presente no ensaio.

“A expectativa é das melhores. A 28 de Setembro estava lotada, todo mundo cantando o samba. E o mais bonito é que não é só o povo da Vila Isabel cantando. É gente de outras escolas, gente que gosta do samba da Vila. Isso dá uma alegria muito grande. Se Deus quiser, a gente vai fazer um grande desfile”, disse, confiante.

EVOLUÇÃO

A evolução da Vila Isabel foi um dos retratos mais claros do estado de confiança que marcou o ensaio. A paixão do povo do samba pela obra de 2026 se traduz diretamente na forma como a escola avança pela pista: uma evolução precisa, tranquila e, sobretudo, espontânea. O canto puxa o corpo, e o corpo responde com naturalidade. Nada parece forçado. A escola canta enquanto anda e anda enquanto canta, com fluidez contínua.

Há um componente de despojamento muito significativo nessa evolução. Os componentes atravessam a pista com alegria, leveza e senso de brincadeira, em um registro que valoriza o prazer de desfilar. Esse estar à vontade não significa desorganização; ao contrário, revela uma escola segura, que confia no próprio samba e no próprio chão. A evolução flui sem sobressaltos, com espaçamento bem resolvido e deslocamentos orgânicos.

vila rua1401 3

O conjunto cresce ao longo do ensaio de maneira progressiva e consistente. A escola ganha corpo, presença e densidade, sustentando o rendimento do início ao fim. É um trabalho que evidencia a atuação afinada da direção de Carnaval e da harmonia, que conseguem transformar a paixão pela obra em avanço ordenado, sem engessamento.

O principal ponto de atenção da noite esteve fora do corpo regular da escola. O número excessivo de convidados à frente da bateria e nas proximidades do carro de som interferiu na dinâmica do ensaio. Em determinados momentos, essa presença ocupou espaço de forma inadequada, dificultando a comunicação entre carro de som e bateria e quebrando o ritmo natural da escola. Além disso, enquanto o componente canta com entrega, parte desses convidados nem sempre acompanha o samba, criando um ruído desnecessário no conjunto.

É um ajuste simples, mas importante. A Vila Isabel tem uma evolução que funciona justamente porque é orgânica, contínua e coletiva. Qualquer elemento que fragmente esse fluxo compromete, ainda que pontualmente, a força de uma escola que mostrou, na rua, estar pronta para brincar, cantar e avançar com precisão.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Swingueira de Noel”, comandada pelo mestre Macaco Branco, apresentou um rendimento de alto nível e foi um dos grandes pilares do ensaio da Vila Isabel. Em diálogo direto e afinado com a ala musical, a bateria demonstrou domínio absoluto do samba de 2026, executando com precisão as bossas pensadas para a obra e sustentando, com segurança, a pulsação da escola ao longo de todo o percurso.

vila rua1401 2

Segundo o mestre, o ensaio confirmou o excelente momento vivido pela bateria da Vila Isabel. “Foi um ensaio maravilhoso. A bateria está muito apaixonada pelo samba, muito empolgada e feliz de tocar essa obra. É gratificante demais falar de Heitor dos Prazeres, um ícone que ajudou a construir a grandeza do samba e do Carnaval. A bateria está afiada, em sintonia com o carro de som, com o Tinga e com a direção musical. Agora é seguir ensaiando, deixar o tempo passar e chegar ainda mais forte na avenida. Se o Carnaval fosse hoje, a gente estaria representando muito bem a Vila Isabel”, afirmou Macaco Branco.

Além do desempenho musical, a bateria contou com a presença da rainha Sabrina Sato, que esteve à frente dos ritmistas durante o ensaio. Sabrina desfilou com desenvoltura, interagiu com o público e acompanhou a bateria de forma integrada, sem interferir na dinâmica do conjunto. Sua presença foi recebida com entusiasmo pela comunidade e por quem acompanhava o ensaio na rua, somando energia ao ambiente já aquecido da noite.

Copacabana vai tremer: Fan Fest do Carnaval começa na terça-feira com Neguinho e recorde mundial de bateria

0

O projeto Rio Capital do Carnaval inaugura nesta terça-feira o aguardado Carnaval Fan Fest, que transformará a Praia de Copacabana em um palco de experiências imersivas entre 20 de janeiro e 21 de fevereiro de 2026. Ao longo desse período, o evento contará com encontros musicais emblemáticos, aulas de samba e oficinas carnavalescas, além de apresentações das 12 escolas de samba do Grupo Especial e de experiências para o público vivenciar a folia.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

fanfestacarnaval
Foto: Divulgação/Rio Carnaval

Logo no primeiro dia, 20, no feriado de São Sebastião, em uma iniciativa com a Superbet, será formada uma superbateria, com integrantes de todas as agremiações, que vai quebrar o recorde de “a maior bateria do mundo”, oficializada pelo Guinness World Records™️. Serão mais de 1.200 ritmistas, comandados pelos mestres do Grupo Especial e com Neguinho da Beija-Flor cantando sambas- enredo históricos.

Nessa mesma data, os foliões poderão acompanhar um aulão de samba no pé com Carlinhos do Salgueiro, responsável por revelar grandes talentos entre musas e passistas. À noite, Belo e Neguinho da Beija-Flor se encontram para um show especial, que promete trazer muita emoção.

Para garantir o acesso gratuito, sujeito à lotação, e a segurança de todos, a entrada no evento será controlada por um sistema de reconhecimento facial. O público deverá realizar um cadastro prévio, que já está disponível no aplicativo oficial do Rio Carnaval. Menores de 16 anos podem entrar, mas apenas se estiverem acompanhados dos pais ou responsáveis legais (maiores de 18 anos).

A programação completa poderá ser obtida no perfil oficial do evento no Instagram: @riocapitaldocarnaval.

Rio Capital do Carnaval apresenta: A Fan Fest Oficial do Samba, com patrocínio master da Enel e Superbet, Brahma como cerveja oficial, SESC RJ como parceiro institucional e 99Food como delivery oficial. Apoio da Marriott Bonvoy, Dr. Consulta e CeraVe. Criação e produção SRCOM e realização LIESA. O projeto tem o Governo do Estado e a Prefeitura do Rio, como estado e cidade anfitriã, respectivamente.

CARNAVAL FAN FEST 2026
O quê: Rio Capital do Carnaval Fan Fest – um mês de shows, aulas e experiências imersivas
Onde: Praia de Copacabana, Rio de Janeiro
Quando: de 20 de janeiro a 21 de fevereiro de 2026
Quanto: gratuito
Como participar: acesso mediante cadastro facial prévio no APP do Rio Carnaval
Mais informações: @riocapitaldocarnaval no Instagram

Carnaval sem preconceito: governo federal lança campanha de enfrentamento ao racismo

0

O Ministério da Igualdade Racial (MIR), em conjunto com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), o Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério das Mulheres, lanaram, no Rio de Janeiro, a campanha “Sem Racismo, o Carnaval Brilha Mais”. A campanha tem por objetivo a prevenção e o enfrentamento de práticas racistas, como injúria racial, fantasias ofensivas, violências simbólicas e discriminação, durante o Carnaval, tanto nos espaços de rua quanto nos eventos oficiais, incluindo blocos, ensaios, quadras e desfiles de escolas de samba.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

rascimocampanha
Foto: Divulgação/@moraes.rzn

O evento aconteceu no Baródromo e contou com a presença da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco; da ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo; da ministra das Mulheres, Márcia Lopes; além de outras autoridades e lideranças que representam o compromisso com políticas públicas inclusivas e a valorização da cultura brasileira.

“O Carnaval é a maior manifestação cultural ancestral do Brasil e, no Rio de Janeiro, as ruas, nesse período, concentram a maior população negra. As comunidades ocupam os pontos centrais, transformando a cidade em um verdadeiro quilombo. Não podemos aceitar nenhum tipo de racismo. A campanha tem esse foco: informar e combater qualquer prática racista durante o Carnaval. É uma oportunidade para fortalecer a luta pela igualdade racial e reafirmar o compromisso da ministra Anielle Franco e do presidente Lula com uma sociedade sem nenhum tipo de preconceito”, destacou Tiago Santana, secretário de Políticas Afirmativas, Combate e Superação do Racismo (Separ).

Entre os dias 17 de janeiro e 22 de fevereiro de 2026, serão distribuídos materiais informativos durante as principais festas de Carnaval do país, incluindo Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Belo Horizonte, bem como em todos os municípios que aderiram ao Plano Juventude Negra Viva (PJNV). A iniciativa tem como objetivo divulgar os canais de denúncia do Governo do Brasil e orientar sobre os procedimentos em casos de discriminação e violência racial.

Entre os canais de denúncia e apoio destacados estão o Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), e a Ouvidoria do Ministério da Igualdade Racial (MIR), que pode ser acionada pelo e-mail: [email protected].

No estado do Rio de Janeiro, a divulgação da campanha também ocorrerá por meio das mídias sociais das agremiações carnavalescas, em articulação com a Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria Municipal de Igualdade Racial. Além disso, todas as escolas de samba da Liga RJ reforçarão a campanha em seus desfiles oficiais, apresentações comunitárias e ensaios técnicos.

Duda Beat confirma presença no desfile da Grande Rio

0

Duda Beat visitou, nesta quarta-feira, o barracão da Grande Rio, onde conferiu de perto os preparativos para o Carnaval e a homenagem que a escola fará ao movimento manguebeat. A artista, que irá desfilar pela tricolor de Caxias, se emocionou ao ver elementos de sua própria trajetória e da cultura pernambucana representados nos carros alegóricos e nas fantasias.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

duda granderio
Foto: Ewerton Pereira/Grande Rio

“É uma emoção muito grande entrar no barracão e ver um pouco da minha história e da história de Recife sendo representadas pelos carros e pelas fantasias”, afirmou. Duda também celebrou a fantasia e o carro em que virá no desfile, destacando a conexão com sua identidade artística.

Inspirada pelo movimento manguebeat, a cantora ressaltou a importância de Chico Science e da Nação Zumbi em sua formação musical. “O beat do meu nome não é à toa. Foi um movimento que me inspirou muito, principalmente pela originalidade musical. Essa frase icônica do Chico, de que modernizar o passado é uma evolução musical, é algo que eu tento fazer sempre”, disse.

Honrada, Duda Beat destacou a alegria de integrar o desfile da Grande Rio em uma homenagem que dialoga diretamente com suas referências e com a força da cultura nordestina. “Não poderia estar mais feliz em fazer parte dessa homenagem tão linda a Chico Science e à Nação Zumbi pela Grande Rio”, completou.

A Grande Rio levará para a Avenida o enredo A Nação do Mangue, de autoria do carnavalesco Antônio Gonzaga. A escola será a terceira a desfilar na terça-feira de Carnaval.

Vigário Geral realiza ensaio de bateria na Sapucaí buscando manter alto nível sob o comando de mestre Luygui

0

A Acadêmicos de Vigário Geral realizou seu ensaio de bateria no Setor 11 da Marquês de Sapucaí, na última terça-feira, dando sequência ao calendário de ensaios de bateria visando o Carnaval 2026. A tricolor da Zona Norte contou com a presença maciça dos ritmistas comandados por mestre Luygui, além da comissão de frente comandada por Handerson Big, o casal Yuri Pires e Isabella Moura, o time de passistas e a direção de carnaval. A escola fechará a sexta-feira de carnaval trazendo o enredo “Brasil Incógnito – O que os seus olhos não veem, a minha imaginação reinventa”, que planeja subverter e desconstruir alguns mitos históricos, de autoria dos carnavalescos Alex Carvalho e Caio Cidrini.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Mestre Luygui está no comando da bateria da Vigário Geral desde 2020, ano em que a escola estreou na Série Ouro. São seis anos de um trabalho consistente e que tem alcançado a nota máxima no quesito para a tricolor. O mestre ressaltou que o trabalho em conjunto e com amigos é fundamental para o sucesso, além da manutenção de uma base de diretores desde o primeiro ano. Ele afirma que não entrarão mais bossas além das que já estão sendo executadas e destaca alguns naipes para a apresentação da Swing Puro no próximo carnaval.

vigario mestre 1
Fotos: Luiz Gustavo/CARNAVALESCO

“Trabalhar com amigos torna tudo mais fácil, pois sem eles não sou ninguém, sem eles não estaria na Vigário e não estaria completando dez anos como mestre de bateria. O segredo maior é a amizade. Tivemos algumas mudanças de diretores que preferiram seguir outros caminhos, mas a base é a mesma desde 2020. Vamos trazer três bossas no samba, gosto de falar que são início, meio e fim. Eu tinha até elaborado uma bossa mais curtinha, de impacto, mas conversei com a minha equipe e preferimos não arriscar tanto, já temos um leque de bossas muito bom. Eu destaco as marcações, costumo fazer umas brincadeiras com elas durante o samba, eu chamo de balão, a primeira, segunda e terceira participam bastante dentro do samba, além do naipe de caixa”, afirmou.

A Vigário conta com um trio no comando da direção de carnaval e harmonia. Um dos diretores, Renato Cosme, afirmou que a agremiação busca, no mínimo, manter o patamar alcançado após o sexto lugar em 2025, melhor resultado da escola na Série Ouro, visando posições acima. Renato destacou a importância do ensaio no Setor 11 para ajustes, principalmente em relação ao samba, e contou que, após o incêndio no barracão, as alegorias estão em bom andamento.

vigario renato cosme

“Tivemos um ótimo trabalho em 2025, estávamos vindo sempre em nono, décimo e, graças a Deus, alcançamos um sexto lugar. Como diz a presidente Betinha, é melhor ser sexto do que sétimo, estamos em um bom patamar. Em relação ao barracão, tivemos o incêndio nas alegorias, mas já retomamos o processo, estão na fase de acabamento. O samba está sendo bem cantado na comunidade, é importante sentir aqui na pista junto com o pessoal da bateria. A grande maioria já tem essa experiência de Marquês de Sapucaí, mas é sempre bom testar, realizar os ajustes finais para realizar um ótimo desfile”, disse.

Ismar Silva, também integrante da direção de carnaval, destacou o aprimoramento do trabalho da bateria e do samba por meio de ensaios como o realizado no Setor 11. Realçou que a escola busca uma posição ainda melhor do que em 2025 e que precisa caminhar bastante para atingir esse objetivo, sobretudo trabalhar o canto dos componentes. O diretor acredita que outros quesitos, como a bateria, estão mais próximos do que se espera no desfile oficial.

“Independentemente dos nossos ensaios semanais e dos ensaios que a bateria faz e tem aprimorado bastante, este ensaio aqui é superimportante. A Vigário tem se preparado para um grande carnaval. A gente vem de um desfile impecável para a Vigário, sexto lugar para nós é pouco este ano, queremos mais acima, sempre buscando o melhor. Sendo sincero, precisamos evoluir bastante ainda em alguns quesitos, principalmente o nosso canto. Estamos fazendo treinamentos particulares com alas, já alcançando resultados. A bateria, por sua vez, está próxima do suprassumo, em um nível alto. Em questão de fantasias, estamos chegando perto de 85% pronto. As alegorias estão um pouco atrás por conta do incêndio, os carros estão sendo feitos em separado, com equipes diferentes, mas iremos terminar dentro do tempo”, frisou.

O intérprete Danilo Cézar vai para seu terceiro carnaval no microfone principal da agremiação da Zona Norte, reforçando o total entrosamento com mestre Luyghi. Danilo falou sobre o alinhamento para o ensaio técnico e o desfile, ressaltando a importância do treino na Sapucaí para testar e corrigir erros.

vigario danilo

“A gente afina, deixa tudo alinhado como vamos fazer no ensaio técnico no dia 23, as expectativas são as melhores possíveis. Nosso carro de som está com a mesma equipe desde 2024, é um time muito legal, coeso, trabalha bastante e temos que aproveitar muito esse ensaio de hoje, onde podemos errar, testar as introduções, voltar. É importante para o coletivo, para os quesitos que estão aqui. O entrosamento com o Luyghi é maravilhoso, a gente é irmão, viemos juntos de Vitória no ônibus, já conversando sobre o que podemos fazer, criar. Todas as criações são conjuntas, ele não é uma pessoa autoritária, que a ideia dele é pronto e acabou. Ele escuta, gosta da criação coletiva e isso é maravilhoso, é a mágica do entrosamento, como Bebeto e Romário”, declarou.

Carnaval de Rua do Rio 2026 ocupa a cidade com 462 desfiles e público estimado em 6 milhões

0

A programação oficial do Carnaval de Rua do Rio de Janeiro 2026 começa neste fim de semana, nos dias 17 e 18 de janeiro, e se estende até o dia 22 de fevereiro, o que consolida mais uma edição de grandes proporções da maior festa popular do país. Ao longo de todo o período carnavalesco, estão previstos 462 desfiles de blocos de rua, foram 803 inscritos, que devem mobilizar cerca de 6 milhões de foliões, entre moradores e turistas, que vão ocupar ruas, praças e avenidas em todas as regiões da cidade.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

blocos
Foto: Fernando Maia / Riotur

“O início do Carnaval de Rua marca um momento simbólico e muito importante para a cidade, quando o Rio reafirma o valor dessa manifestação cultural que nasce nos territórios, ocupa o espaço público e expressa a diversidade, a criatividade e a identidade do carioca. É um Carnaval plural, que reúne manifestações tradicionais e grandes blocos, dialogando com diferentes públicos, idades e partes da cidade”, analisa o presidente da Riotur, Bernardo Fellows.

Neste ano, o Carnaval de Rua terá uma agenda extensa e descentralizada. A proposta é oferecer opções para públicos de todas as idades e perfis, incluindo blocos infantis e familiares, além daqueles voltados para foliões que buscam grandes concentrações, atrações musicais de destaque e experiências de forte impacto cultural.

O Centro do Rio de Janeiro, por exemplo, concentra o maior número de desfiles, com 135 apresentações programadas, e reafirma sua vocação histórica como um dos principais palcos do Carnaval de Rua carioca. Na sequência, aparecem a Zona Sul com 99 desfiles, a Grande Tijuca com 63 desfiles, e a Zona Norte com 56, além das outras regiões da cidade que também vão receber uma intensa programação.

Essa distribuição garante a presença da festa em todos os bairros, amplia o acesso da população e valoriza as identidades locais. Já no primeiro fim de semana de folia, os blocos se espalham por diferentes pontos da cidade, com desfiles que evidenciam a força da tradição carnavalesca.

No sábado, estão confirmadas as apresentações do Folia do Largo Sapê, em Honório Gurgel, e do bloco Tá Chegando a Hora, em Pedra de Guaratiba. A Unidos do Santa Bárbara, em Engenho de Dentro, e a tradicional Banda da Saens Peña, na Tijuca, desfilam no domingo. Essa última, promete reunir muitos foliões e manter viva uma das mais conhecidas manifestações do carnaval de bairro.

A programação se completa com o Bloco de Abertura do Pré-Carnaval de Madureira com as Águas de Cheiro, no Parque de Madureira, que marca simbolicamente o início oficial da festa nos subúrbios. A iniciativa reforça o compromisso com um Carnaval de Rua popular e acessível, valoriza a ocupação democrática dos espaços públicos e celebra a cultura carioca em toda a sua diversidade.

Serviço: Dia 17 (sábado) Folia do Sapê Local: Honório Gurgel Concentração: Rua Nassau, 49 Horário: 16h Tá Chegando a Hora Local: Pedra de Guaratiba Concentração: Rua Barros de Alarcão Horário: 17h

Dia 18 (domingo) Unidos de Santa Bárbara Local: Engenho de Dentro Concentração: Rua Dona Teresa, 160 Horário: 15h Banda da Saens Peña Local: Tijuca Concentração: Praça Saens Peña, 344 Horário: 15h Abertura do Pré Carnaval de Madureira com as Águas de Cheiro Local: Parque de Madureira Concentração: Rua Soares Caldeira, 115 Horário: 14h

‘Prontos para surpreender’ Patrick Carvalho revela bastidores da comissão de frente da Imperatriz em homenagem a Ney Matogrosso

0

O desafio é grande, mas a confiança é maior. É assim que o coreógrafo Patrick Carvalho define o trabalho à frente da comissão de frente da Imperatriz Leopoldinense para o próximo Carnaval. A escola prepara uma homenagem a Ney Matogrosso, e Patrick não esconde o peso artístico e emocional de traduzir, em cena, a trajetória de um dos maiores ícones da música brasileira.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

imperatriz rua1101 2
Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

“Representa muito, porque o Ney é essa veia artística que te leva para todos os lugares”, afirma. Segundo ele, a multiplicidade do homenageado abriu inúmeras possibilidades criativas: “O caminho camaleônico, essa mutação, os diversos lugares que você pode alcançar com o Ney deixaram a comissão muito mais rica”.

O coreógrafo revela que a Imperatriz investiu de forma intensa na concepção do setor que abre o desfile. “Tem um investimento muito bonito, muito grande da escola para a gente. Isso faz toda a diferença. Eu estou pronto, e a comissão está pronta”, garante.

Encontro com Ney e liberdade criativa: ‘Vocês são os artistas’

O comandante da comissão de frente teve a oportunidade de conversar pessoalmente com Ney Matogrosso. O encontro, segundo ele, foi decisivo para reforçar a segurança sobre o caminho que já vinha sendo traçado.

Patrick lembra do momento em que perguntou ao artista se havia algo que ele fizesse questão de ver na avenida. “Ele falou: ‘Eu quero que vocês fiquem à vontade, porque os artistas dessa área são vocês’”. A resposta trouxe tranquilidade: “Isso me deixou muito tranquilo”, conta.

Para ele, a liberdade concedida pelo homenageado não é apenas gentileza; é também reconhecimento do trabalho técnico e criativo desenvolvido por ele e sua equipe.

Parceria com Leandro Vieira: agilidade, sintonia e criação

Além da homenagem a Ney, o trabalho da comissão também ganha força pelo entrosamento com o carnavalesco Leandro Vieira. Patrick destaca que a relação de amizade e confiança entre os dois facilita o processo criativo.

“Ajuda muito, porque o Leandro é muito criador. As comissões de frente, a gente nunca passa de 10, 15 minutos para resolver. Ele joga de lá, eu jogo daqui, e a gente resolve”, explica. Essa parceria se estende ainda a outros projetos, como o trabalho em Maricá.

Embora reconheça as diferenças de enredo entre os carnavais, o coreógrafo enxerga um elo artístico comum: “Os enredos são diferentes, mas é uma ligação só. As duas comissões vêm muito grandiosas, porque têm o dedo do Leandro no trabalho. Acho que a gente vai arrasar, sim”.

Cabine espelhada: desafio que virou possibilidade

A introdução da cabine de jurados espelhada, novidade nos ensaios técnicos, impactou diretamente a criação coreográfica. Patrick afirma que o recurso o fez repensar elementos, mas encara a mudança como oportunidade.

“Me fez mudar algumas coisas, sim, mas não teria melhor quesito para fazer esse teste do que o casal e a comissão”, avalia. Para ele, a abertura de possibilidades é um ponto forte: “A comissão é muito aberta, você pode fazer o que quiser, pode programar do jeito que quiser, e isso é maravilhoso”.

O coreógrafo acredita que a novidade vai evidenciar o trabalho dos profissionais do segmento: “O povo vai se surpreender muito, porque os coreógrafos vão dar o nome ali na cabine espelhada”.

O que esperar na avenida: força, dança e emoção

Patrick Carvalho encerra o papo com o CARNAVALESCO com uma promessa direta ao público: uma comissão marcante e vibrante. “Uma comissão muito forte, com a minha característica dançante e potente”, define.

A apresentação deve percorrer as conquistas e fases de Ney Matogrosso, destacando seu impacto artístico e social. “Serão diversos lugares de conquistas do Ney e lugares que inspiraram muitas pessoas no Brasil e no mundo”, resume.

Se depender do coreógrafo, a Imperatriz entrará na Sapucaí pronta para emocionar e surpreender: “Estamos prontos, e o público vai sentir isso na avenida”.

Estácio mostra potência do samba em ensaio de rua muito forte

0

Por Luiz Gustavo e Júnior Azevedo

Um samba que evoca o fundamento da escola, pulsa o chão em absoluto e fortalece uma comunidade já efervescente. Com essa pedra bruta em mãos, a Estácio realizou, na última segunda-feira, mais um ensaio de rua visando ao desfile oficial da Série Ouro e confirmou toda a vivacidade da obra que está na prateleira de cima em 2026. O ensaio foi calcado na potência deste samba, e a escola obteve um rendimento muito consistente, com canto e evolução quentes, uma dupla de intérpretes que conduz a obra com categoria e um casal que vive ótimo momento. Nesse embalo, a vermelho e branco irá buscar o acesso ao Grupo Especial, mostrando o enredo “Tata Tancredo – O papa negro no terreiro do Estácio”, desenvolvido pelo carnavalesco Marcus Paulo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Feliciano Junior e Raphaela Caboclo formam um casal muito harmonioso e vivem um excelente momento, explicitado em um belo desempenho no ensaio de rua. Uma apresentação graciosa de ambos, com elegância nos gestos e um bailado preciso. Raphaela se mostrou muito precisa nos giros, sempre segura e usando bem o espaço da pista, além de elegante.

estacio rua1201 4
Fotos: Luiz Gustavo e Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Feliciano foi feliz na condução de sua porta-bandeira e mostrou boa técnica em sua dança, como nos giros em torno do seu próprio eixo. O casal tem ótima conexão e apresentou uma série com passos mais soltos, com algumas coreografias pontuais baseadas na letra do samba, como um gesto de referência aos orixás no trecho “Kolofé, saravá Omolokô”. Ótima abertura da Estácio.

EVOLUÇÃO

estacio rua1201 5

O chão de São Carlos já parte de uma força permanentemente presente em seus componentes, favorecendo a lapidação da técnica de desfile. E, com um samba de tamanha qualidade, a evolução se torna ainda mais enérgica, como se viu neste ensaio. Os desfilantes souberam aproveitar a pista para movimentação por todo o espaço, usando os braços, brincando, sem arrastamento, em uma evolução forte, como a tradição da Estácio pede e como esse samba pode proporcionar. A escola simulou os espaços que serão ocupados pelas alegorias por meio de cordas, separando os componentes, com musas à frente. Agradou bastante a espontaneidade presente no desfilar da comunidade, mesmo com o forte calor, honrando os fundamentos da agremiação.

estacio rua1201 2

HARMONIA E SAMBA

As alas que vieram atrás da bateria merecem um ponto de atenção, pelo canto mais irregular que apresentaram durante o ensaio. Alguns componentes só entoaram o refrão de cabeça, não acompanhando o restante do samba, só crescendo o canto conforme passaram pela bateria. Retrato diferente do que se viu no restante da escola, que cantou com muita força, esquentando a apresentação da Estácio, sem deixar o ritmo cair mesmo longe dos refrãos e causando vários ápices de desempenho, como no trecho “coisa de acender, pemba de riscar, folha e feitiço pra cura…”, que era entregue com força antes do refrão de cabeça.

estacio rua1201 3

Essa força foi intensificada pelo belo e visceral samba da agremiação, que não cai em momento algum. A estrutura melódica do samba o mantém sempre envolvente, como na sequência de dois refrãos no meio da obra, e o refrão de cabeça é de uma potência impressionante, mantendo-se quente até a última passada no ensaio, que terminou com uma apoteose da bateria comandada por mestre Chuvisco, no seu andamento característico, que casa muito bem com a energia que a obra transmite. Uma grande apresentação de um samba sedutor.

Edvaldo Fonseca, diretor de carnaval da Estácio, falou sobre o desempenho do samba e o andamento do trabalho.

“Eu estou vendo o funcionamento do nosso samba de forma muito positiva. A gente vem num processo crescente em que, a cada semana, conseguimos subir um degrau; é exatamente isso que eu quero. Eu não quero estar pronto hoje, quero estar pronto daqui a 32 dias, que é o dia do nosso desfile. Esse samba realmente a comunidade trouxe pra si; quando a comunidade compra, abraça e diz que é dela, aí vamos embora. Se a gente chega ao máximo hoje, acomoda; tem que crescer passo a passo pra, no dia, sim, chegar ao 10. Em termos de barracão, estamos num bom momento: na régua de 0 a 10, estamos com 8,5, o que é muito bom. A gente já está com a ferragem toda entregue, madeira entregue; estamos no trabalho de finalização da decoração. Faltando um mês, é um andamento que me agrada”, afirmou.

OUTROS DESTAQUES

A rainha de bateria Vivi Winkler mostrou muita desenvoltura e simpatia à frente da bateria “Medalha de Ouro”, com várias coreografias junto com a bateria.

estacio rua1201 1

“Está chegando a hora. A gente tem que aproveitar esse tempo que ainda falta para poder acabar de ajustar tudo. Hoje a gente passou uma bossa, mais uma bossa nova aqui. Vamos aproveitar esses 30 dias para massificar bastante. O foco, sem dúvida, agora é nela. Tem muita informação ali de caixa, muito contratempo de caixa com terceira, e muita nota de primeira e segunda também. É uma bossa muito bonita, muito bonita mesmo. No finalzinho tem um Olodum que a gente faz, depois sai na pressão, na precisão. A gente não pode desperdiçar isso, não”, disse mestre Chuvisco.

estacio rua1201 6

A comissão de frente não se apresentou, deixando a cabeça da escola para o casal de mestre-sala e porta-bandeira.