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‘Ritmo Feroz’ comanda reencontro emocionante da Porto da Pedra nas ruas de São Gonçalo

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Por Rhyan de Meira e Alícia Oliveira

Com o enredo “Das Mais Antigas da Vida, o Doce e Amargo Beijo da Noite”, assinado pelo carnavalesco Mauro Quintaes em parceria com o enredista Diego Araújo, a Porto da Pedra promoveu, na noite do último domingo, um forte reencontro com sua comunidade em São Gonçalo. O ensaio de rua aconteceu na Rua Dr. Feliciano Sodré, em frente à antiga Prefeitura, reunindo componentes, segmentos da escola e moradores da cidade a partir das 19h30. Disputando a Série Ouro, o Tigre mostrou organização, canto e envolvimento popular, dando os primeiros contornos do desfile que pretende levar à Marquês de Sapucaí um tema ousado, sensível e socialmente potente, reafirmando a tradição da escola em abordar narrativas que dão voz a personagens historicamente marginalizadas.

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Fotos: Rhyan de Meira e Alícia Oliveira/CARNAVALESCO

Para o Carnaval 2026, a Porto da Pedra mergulha em uma narrativa que transita entre o sagrado e o profano, o luxo e a exclusão, a noite e a resistência feminina. O enredo propõe uma reflexão profunda sobre as vivências das mulheres que atuam no que popularmente se chama de “vida”, revelando o doce e o amargo de suas trajetórias, suas representações na arte, na literatura e na música, além da luta por dignidade, direitos e respeito.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente apresentou uma coreografia bem sincronizada e alinhada, demonstrando entrosamento entre os componentes e clareza nas ações coreográficas. Mesmo sem a utilização de elementos cênicos complexos, o grupo conseguiu marcar bem o espaço na pista, com movimentos executados de forma conjunta e leitura musical compatível com o samba, criando impacto visual e contribuindo para a condução do ensaio.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Rodrigo França e Joyce Santos, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Porto da Pedra, mostraram boa sintonia logo neste primeiro ensaio de rua. Rodrigo conduziu a dança com atenção constante à porta-bandeira, enquanto Joyce apresentou giros seguros e boa condução do pavilhão, mantendo diálogo corporal durante toda a apresentação.

“Vou falar igual a jurado: o quesito Porto da Pedra é nota 10! Eu e o Rodrigo conseguimos encontrar um consenso muito bonito. Ele é tradicional, tem 20 anos de Porto da Pedra. Eu tenho 24 anos de escola, mas este é o meu primeiro ano como porta-bandeira e também minha estreia na avenida”, disse Joyce.

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Rodrigo reforçou a intensidade do trabalho e a responsabilidade de conduzir a estreia da parceira. “Os ensaios estão sendo bem intensos, graças a Deus. E eu agradeço por isso, porque mostra que o trabalho está sendo feito com muito detalhe. É a estreia da minha porta-bandeira, e isso também traz uma responsabilidade especial”.

HARMONIA

O canto da comunidade foi um dos pontos positivos do ensaio. O samba foi bem entoado ao longo do percurso, com rendimento mais forte nos refrões e nas estrofes mais conhecidas, quando o volume cresceu de forma perceptível. A participação do intérprete Wantuir, junto ao carro de som, ajudou a manter a escola conectada ao andamento do samba. O próprio intérprete destacou a força da obra e da comunidade gonçalense.

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“O samba é maravilhoso. A escola, todo mundo já sabe, a força da comunidade, o samba sensacional. É um novo enredo, um baita enredo e um dos melhores do grupo de acesso”, destacou Wantuir.

EVOLUÇÃO

A evolução aconteceu de forma organizada, com a escola caminhando de maneira fluida ao longo do percurso. As alas desfilaram com conforto, sem registros de buracos relevantes, e muitos componentes sambaram soltos, valorizando o conjunto. A leitura de espaço foi clara, contribuindo para um ensaio controlado e bem distribuído.

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SAMBA

O samba apresentou bom rendimento neste primeiro ensaio de rua. A obra respondeu de forma positiva ao canto da comunidade, principalmente nos momentos de maior identificação coletiva. O carro de som manteve o andamento estável, permitindo que a escola sustentasse o canto sem oscilações perceptíveis ao longo do trajeto.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Ritmo Feroz”, comandada pelo mestre Pablo, foi um dos grandes destaques da noite. As bossas apareceram de forma clara e bem encaixadas ao samba, mostrando um trabalho consistente já neste início de temporada. Confiante, o mestre de bateria projetou um Carnaval competitivo para a escola.

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“A gente está ensaiando bastante e, quando você tem bastante ensaio, tem bastante garra, e isso é uma característica da nossa comunidade de São Gonçalo”.

A comunidade, apaixonada pelo samba, a rainha Andrea Andrade, a bateria e todo o ensaio deixaram a impressão de uma Porto da Pedra motivada, com trabalho em evolução e uma equipe presente, dando os primeiros passos com confiança rumo ao Carnaval 2026.

“A bateria está afinadíssima, com bastante bossas bacanas, bem elaboradas. Pode esperar um show, não apenas uma simples apresentação de bateria. Eu faço questão de entregar um espetáculo para quem está assistindo”, disse o mestre.

Beija-Flor transforma o Baródromo em um mar azul e branco e prova que o samba de 2026 já caiu na boca do povo

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A Beija-Flor levou no último domingo sua força e seu samba para a roda que aconteceu no Baródromo, tradicional reduto do carnaval no Maracanã, e transformou não só o bar, mas toda a rua ao redor em um verdadeiro ensaio a céu aberto. O espaço ficou pequeno diante da multidão que lotou a via, que ficou abarrotada de gente ansiosa para cantar, dançar e vibrar com a azul e branca de Nilópolis. A escola marcou presença com seus intérpretes oficiais, Nino e Jéssica, a bateria “Soberana”, comandada por mestre Rodney, e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Selminha Sorriso e Claudinho. O resultado foi um coro impressionante, com o samba-enredo de 2026 sendo cantado do início ao fim pelo público, confirmando que a obra já ultrapassou os limites da quadra e do streaming e ganhou as ruas.

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Fotos: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Questionado sobre o fato de o samba já estar na boca do povo, mestre Rodney fez questão de ressaltar a confiança construída desde o início do processo. “Eu não quero ser presunçoso nem pretensioso, mas a gente sempre soube do potencial do samba. A verdade é que tivemos uma safra muito boa, graças a Deus, mais uma. Sabíamos do potencial do samba e tivemos a felicidade de fazer uma junção perfeita. Temos um grande samba e sabíamos que ele iria brigar no topo, como aconteceu. Agora é esperar a hora certa, com Deus nos abençoando, de brigar por mais um carnaval”.

Para a intérprete Jéssica, a recepção calorosa tem relação direta com a força do enredo. “A gente está muito feliz. Sabemos que o enredo do Bembé é um enredo muito bom, que fala de ancestralidade, da cultura brasileira. Isso é maravilhoso. Estar trazendo isso da Bahia para o Rio de Janeiro está sendo o máximo, brilhante. Graças a Deus, a galera está abraçando com muito carinho, com muito amor, com muita fé e muito axé. Eu estou muito feliz mesmo”.

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O intérprete Nino reforçou a sintonia com a parceira de microfone e o peso do samba no trabalho da escola. “Posso usar as palavras da Jéssica como minhas, porque a gente sabe que, no decorrer de todo o trabalho do carnavalesco, o samba conta muito no início. E, graças a Deus, em 2026 eu e ela estamos bem protegidos com esse sambão que todo mundo já abraçou”.

Um dos autores do samba e primeiro mestre-sala da Beija-Flor, Claudinho, falou com emoção redobrada ao ver a reação do público. “Para a gente é gratidão. Eu sou um dos autores do samba, por isso é uma emoção a mais. Como primeiro mestre da escola, isso mostra que a escola acertou no samba-enredo. O samba-enredo é 50% do carnaval, é 50% da escola. Ter acertado esse samba-enredo é maravilhoso. A gente vem do campeonato do samba do Laíla, que marcou a história e nos sagrou campeões. E, neste ano, buscando o bicampeonato, a gente se depara com esse samba maravilhoso. A escola fez uma ótima escolha”.

Ele ainda destacou o impacto popular da obra. “Hoje é o resultado disso tudo: o samba bateu um milhão de visualizações no streaming e, onde você chega, todo mundo canta o samba da Beija-Flor. Aqui no Baródromo, um lugar maravilhoso, cheio de sambistas, ver todo mundo cantando o samba da Beija-Flor de 2026 é uma emoção que não tem tamanho. Agora é esperar o dia do desfile e o ensaio técnico, que eu acho que vai ser outro sacode”.

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Selminha Sorriso, um dos maiores símbolos da escola, fez uma reflexão profunda sobre o enredo e sua conexão com o público. “Quando é um enredo bem desenvolvido, quando ele toca o coração do corpo do samba, é muito gratificante. Sambas que falam da nossa gente, da nossa história, da nossa sociabilidade, seja cultura, culinária, personagens, fatos… exaltam a resistência do nosso povo. A gente se identifica e abraça”.

Ela apontou ainda o caráter histórico do samba. “É histórico. Todo samba que mexe com a gente é sempre aclamado desde o começo, desde que é escolhido até o dia do desfile”.

A porta-bandeira também falou sobre a importância de apresentar o Bembé do Mercado ao Brasil e ao mundo. “Agora, muitos países, e até o próprio Brasil, vão conhecer o que é o Bembé do Mercado, que é o modo carinhoso de chamar o candomblé. O candomblé é uma religião de matriz africana que ainda é perseguida e discriminada, mesmo no século XXI. Vamos mostrar que o Estado é laico, que as religiões têm que ser respeitadas e que o amor e a fé têm que mover esse mundo”.

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Um dos grandes destaques da festa foi a bateria “Soberana”, que deu um verdadeiro show e levantou a galera. Responsável pelo espetáculo, mestre Rodney também fez um balanço do desempenho da bateria neste início de temporada. “Eu estou contando todos os ensaios. Existe, sim, uma ansiedade para o primeiro ensaio na Sapucaí. A gente está com um trabalho em uma crescente muito boa, é gradativo. Conseguimos uma unidade muito forte, e isso é importante”, avaliou.

O mestre destacou ainda que o momento agora é de ajustes finos, pensando no julgamento e na excelência que a escola busca ano após ano. “Agora é esperar o ensaio técnico para ajustar o pé, para chegar no dia do desfile e fazer um grande desfile, alcançar mais uma vez a gabaritação máxima e, se Deus quiser, ganhar o carnaval”, completou.

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Sobre a pressão pelo bicampeonato, Rodney foi direto. “Nós somos brasileiros, não fugimos nunca da luta. Estamos acostumados a lidar com pressão e vai dar tudo certo. Com Deus nos abençoando, vai vir mais uma estrela para o nosso pavilhão, se Deus quiser”.

Jéssica reforçou o clima de união. “Estamos trabalhando arduamente, correndo atrás do melhor para a Beija-Flor, obviamente querendo alcançar o bicampeonato. Seja tudo o que Deus quiser. Eu e o Nino somos muito parceiros, temos uma parceria incrível, junto com o nosso diretor Betinho do Cavaco, o diretor Marino, o nosso presidente Almir Reis e toda essa comunidade maravilhosa”.

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Nino celebrou o alcance do samba. “O samba está na boca do Brasil, na boca do povo, com mais de um milhão de visualizações em todas as plataformas digitais. É só gratidão a Deus, ao nosso amado presidente Almir, à nossa equipe, à diretoria e a toda essa comunidade maravilhosa nilopolitana, que não canta, berra”.

Claudinho também fez um balanço do trabalho feito até aqui ao lado da companheira Selminha, simbolizando a confiança em um bom desempenho final. “É maravilhoso. A gente está ensaiando muito. Além disso, este ano a gente completa 30 anos juntos, então é um ano especial para nós. A cada ano a gente vem se superando dentro da dança, trazendo algumas inovações, mas sem perder a tradição, para conquistar o jurado. Neste ano, na Marquês de Sapucaí, através da Liga, teremos um julgamento em 360 graus, com jurados de um lado, do outro e também o público. Vai ter sorteio, mas a gente está preparando um trabalho muito legal, trabalhando forte, para conseguir alcançar os 40 pontos”.

A emoção tomou conta de Selminha ao observar o público. “Eu comecei a chorar quando vi aquela multidão de macumbeiros gritando samba da Beija-Flor, inclusive pessoas com camisa de outras escolas. Isso é o Baródromo. É uma confraternização de sambistas, é o amor pelo samba”.

Além de celebrar o sucesso do samba, Jéssica também destacou a importância da representatividade feminina à frente do carro de som no carnaval. Única mulher entre os intérpretes oficiais das escolas, ela falou com emoção sobre ocupar esse espaço histórico. “Eu estou muito feliz, em primeiro lugar, por ser a única mulher e estar ao lado de 12 intérpretes maravilhosos, que são referências. São intérpretes que eu admirava muito antes mesmo de entrar em uma escola de samba”, afirmou.

A cantora ressaltou o peso simbólico de sua presença e a responsabilidade de abrir caminhos. “Para mim, está sendo um orgulho gigantesco, algo muito gratificante. Que o samba possa abrir mais vagas para mulheres também à frente, como intérpretes oficiais”.

A intérprete ainda reforçou que sua trajetória na Beija-Flor vai além do momento atual e revelou seu desejo ambicioso para o futuro. “Eu costumo dizer nas minhas entrevistas que eu não quero ser apenas mais uma. Eu quero criar um nome junto com a Beija-Flor e permanecer, como o nosso mestre Anísio fala, por mais 50 anos na escola, assim como foi o nosso mestre Neguinho”.

O evento também foi palco de histórias que traduzem a paixão pela Beija-Flor. Raquel Antunes, 54 anos, torcedora da Viradouro e moradora de São Gonçalo, levou a sogra, Maria das Neves, de 78 anos, fanática pela escola de Nilópolis, para viver uma tarde especial. “Desfilo na Viradouro desde 2019 e, neste ano, virei como componente de um dos carros. Amo samba e levo minha sogra para me acompanhar. Já a levei no ensaio de rua da Beija-Flor e na Sapucaí ano passado, onde ela pôde ver sua escola ser campeã. Até dei de presente a ela essa blusa que ela está usando”, contou Raquel.

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Emocionada, Maria das Neves resumiu o sentimento do dia. “Amo de paixão a Beija-Flor desde sempre! Meu sonho é conhecer a quadra da escola antes que Deus me leve, e estou querendo fazer isso este ano. Quando conheci o Neguinho, fiquei tão emocionada que mal consegui falar com ele ou tirar uma foto. Meu medo é ter um piripaque de tanta emoção assim que pisar na quadra, mas preciso realizar esse sonho. Hoje foi incrível aqui, sou muito grata à minha nora”.

‘Não é substituição, é legado’! Zé Paulo fala sobre Portela, pertencimento e identidade no microfone

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Assumir o microfone de uma escola como a Portela nunca é um gesto simples. Ainda mais quando o contexto envolve perdas, afetos e a necessidade de manter viva uma história que ultrapassa nomes e vozes. Ícone do carro de som do carnaval, Zé Paulo da Portela fala com franqueza sobre o momento que vive na escola de Madureira, o crescimento do samba, a parceria com o mestre Vitinho e o desafio de conciliar dois compromissos sem perder rendimento. Mais do que técnica, o intérprete expõe sentimento, identidade e responsabilidade.

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Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Ao comentar a chegada ao carro de som da Portela em um momento tão delicado, Zé Paulo deixa claro que a situação nunca foi encarada como uma substituição direta, mas como um encontro necessário com a própria história.

“Eu estou muito feliz, porque é prazeroso demais estar cantando na escola do meu coração. Eu comecei a cantar por causa da Portela, por causa de um samba específico dessa escola. Me sinto muito honrado de estar aqui como portelense. Eu não estou no lugar do Gilsinho. Infelizmente, aconteceu isso com um amigo nosso, com um irmão de profissão, foi tudo muito repentino. Eu tive a sorte de ter cantado o samba na eliminatória, isso facilitou um pouco a escolha da escola, e também a conversa com a União de Maricá para que eu pudesse fazer as duas escolas e para que as ligas se entendessem. Ao mesmo tempo que é muito prazeroso, é triste, porque a gente perdeu um irmão. Não é substituição. É uma forma de a gente se encontrar para manter o legado dele. É muito difícil, porque ele não exime o cantor, não exime o compositor e não exime o músico. Eu vou tentando colocar um pouco da minha identidade. Eu sei que tem gente que não curte muito, mas é o meu jeito. Eu não vou mudar, porque já estou há 40 anos fazendo isso e vou continuar fazendo”.

Com o samba crescendo nos ensaios e sendo apontado como um dos destaques do ano, o intérprete vê o momento com serenidade e senso coletivo, destacando o ambiente interno da escola como fator decisivo.

“O sentimento é de trabalho bem feito. Não só na eliminatória, mas também em tudo o que a gente vem fazendo nos ensaios. Somos uma família mesmo, a gente se ajuda muito. O dia em que um não está bem, o outro compensa. Acho que isso é o mais importante da Portela hoje: ter noção do que a gente tem que fazer. O samba está subindo de proporção na hora certa, e quando a gente chegar no desfile, vai estar 100%”.

A relação com o mestre de bateria Vitinho aparece como um dos pilares desse processo. Mais do que parceria profissional, Zé Paulo aponta uma conexão construída ao longo de anos de trabalho conjunto.

“Vitinho é um irmão. A gente trabalha junto há muitos anos, gravando, fazendo eliminatórias, produções de disco e tudo mais. É uma irmandade mesmo. O fato de sermos amigos próximos faz com que a gente converse muito, troque muito, e isso deixa tudo mais fácil. Ele é um cara sensacional, tem a mesma vibe que a minha”.

Dividido entre Portela e União de Maricá, Zé Paulo não romantiza o esforço físico, mas reforça que o amor pelo que faz sustenta a rotina intensa.

“Falar que é fácil, não é. É cansativo. Mas quando a gente faz o que ama, existe prazer e dedicação. Quando eu cheguei aqui, estava bem cansado, o final de semana foi muito intenso. Mas eu pensei: eu tenho irmãos aqui também. A gente se ajuda, vai para cima, tira força de onde não tem para fazer acontecer. Amanhã a gente descansa”.

Mais do que responder sobre técnica ou rendimento, Zé Paulo da Portela deixa claro que o momento vivido na escola passa por pertencimento, memória e verdade artística. Sem tentar ocupar espaços que não lhe cabem, o intérprete sustenta sua trajetória com identidade própria, consciente de que, no carnaval, cantar também é um ato de respeito à história e, sobretudo, de continuidade.

Cidade Líder revisita desfiles marcantes de Paulo Barros em ensaio técnico e promete surpresas

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Por Letícia Sansão e Will Ferreira

O Anhembi vai reviver grandes momentos da história do Carnaval, é o que promete a Primeira da Cidade Líder, que realizou seu ensaio técnico no último domingo. A escola apresentou uma proposta ambiciosa para 2026: revisitar grandes desfiles que marcaram a carreira de Paulo Barros. A Primeira da Cidade Líder será a décima escola a desfilar no sábado, 7 de fevereiro, pelo Grupo de Acesso II. O ensaio deixou claro que prometem inovar, assim como o homenageado do enredo.

O diretor de carnaval, Rodrigo Minuetto, falou sobre o projeto: “Todo mundo é fã do trabalho do Paulo Barros e da forma de fazer carnaval, então todos os grandes carnavais feitos por ele vão passar nessa avenida”, prometeu.

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Em um panorama geral, o que se pôde observar são referências claras e uma leitura objetiva do enredo “Paulo Barros, o Gênio do Carnaval”.

O esquenta já antecipava essa leitura, com sambas de desfiles assinados por Paulo Barros, como Unidos da Tijuca 2010 e 2014 e também Viradouro 2007. Ao longo do ensaio, referências diretas a esses carnavais surgiram de forma recorrente.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

COMISSÃO DE FRENTE

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O homenageado é conhecido por revolucionar o quesito, então naturalmente eleva a expectativa em torno da comissão de frente. E o primeiro ensaio da Cidade Líder indicou uma aposta em coreografias sobre um elemento alegórico. Foi possível observar um carro com encenações em cima, além da presença de um ator representando o carnavalesco, que surgia em diferentes momentos da apresentação, entrando e reaparecendo sobre o elemento.

A dinâmica indica possíveis surpresas guardadas para o desfile oficial. Questionado durante o ensaio sobre a possibilidade de troca de figurinos, como na consagrada comissão de frente da Unidos da Tijuca em 2010, um dos coreógrafos respondeu com o próprio enredo de 2010: “É Segredo!”, mantendo o suspense em torno do quesito.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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O casal Fabiano Dourado e Sandra de Jesus foi à avenida fantasiado de Mulher-Maravilha e Super-Homem. A escolha também dialoga diretamente com o Carnaval da Unidos da Tijuca em 2010, quando Paulo Barros explorou o universo das identidades secretas dos super-heróis. A apresentação seguiu os movimentos tradicionais do quesito.

HARMONIA

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A escola apresentou bom rendimento de canto ao longo da pista, com alas respondendo bem aos chamados coreográficos que incentivavam a participação das arquibancadas. Um dos momentos de maior interação aconteceu no trecho do samba em que se canta “o povo aplaudiu”, quando os componentes interagem diretamente com o público. Em uma possível arquibancada Monumental cheia, o trecho mostra potencial de crescimento para o desfile oficial.

EVOLUÇÃO

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A evolução da Primeira da Cidade Líder se mostrou organizada ao longo da pista e com alguns elementos alegóricos já estruturados. O carnavalesco Anderson Rodrigues falou sobre o que podemos esperar:

“Estamos falando de um cara que é revolucionário, que é o Paulo Barros, então você pode esperar surpresa em todos os lugares. Vai ser um desfile incrível”.

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Foram cerca de 50 minutos de ensaio, o limite para as agremiações do Acesso II. As alas apresentaram coreografias simples, mas bem executadas, dialogando com o samba e com as chamadas feitas pelo intérprete. Em muitos momentos, essas coreografias ajudaram a puxar a arquibancada.

SAMBA

De fácil assimilação, o samba-enredo mostrou boa comunicação com os componentes e com o público. A obra cumpre o papel de narrar o enredo de forma objetiva, conduzindo a homenagem por meio das referências aos grandes desfiles do carnavalesco, sem dificuldades de entendimento ao longo do ensaio.

OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada pelo mestre Ale, não realizou recuo, característica comum a escolas com menos componentes. Apresentou arranjos bem encaixados ao longo da pista. O destaque ficou para a caixa rufada, que se sobressaiu no conjunto musical e fez recordar as antigas batucadas paulistanas.

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Durante todo o ensaio, vimos referências a enredos históricos de Paulo Barros. Uma delas remeteu diretamente ao desfile da Unidos da Tijuca em 2011, “Esta Noite Levarei Sua Alma”, com elementos ligados ao medo, terror e cinema. Inclusive, houve a presença de um carro alegórico simulando um barco com monstros e fantasmas em cima, em clara alusão ao abre-alas daquele carnaval. O intérprete Thiago Melodia também apareceu caracterizado com maquiagem aterrorizante e irreconhecível.

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Outro momento facilmente reconhecível foi a aparição de um sósia de Michael Jackson, referência recorrente nos desfiles assinados por Paulo Barros. O carnavalesco já utilizou o Rei do Pop em pelo menos quatro desfiles — Unidos da Tijuca 2005, 2006, 2010 e 2012 —, recriando coreografias inspiradas em “Thriller”.

Também houve menção ao histórico Carnaval de 2014 da Unidos da Tijuca, o “Acelera, Tijuca”, com a presença de Ayrton Senna em um carro de Fórmula 1 no meio da bateria.

Camisa 12 exibe força musical no Anhembi, mas harmonia ainda pede ajustes

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Por Naomi Prado e Will Ferreira

A Camisa 12 realizou seu primeiro treino no Sambódromo do Anhembi, dando início à preparação para o desfile de 2026. A escola concluiu sua apresentação em 56 minutos. A comunidade ainda precisa realizar ajustes no quesito harmonia para o próximo ensaio. A escola será a primeira a desfilar no domingo de carnaval pelo Grupo de Acesso 1. A Camisa 12 levará para a avenida o enredo “Princesas Nagô, Rainhas do Brasil – A origem da fé, herança de Ketu”, assinado pelo carnavalesco Delmo de Moraes.

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COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, liderada pelo coreógrafo Walmir Rogério, apresentou uma proposta coerente com o enredo. Os bailarinos, vestidos com peças inferiores em tecido afro, meninos sem camisa e meninas com top preto, apostaram em uma coreografia diretamente ligada à letra do samba.

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Três personagens centrais representaram as princesas nagô, homenageadas da escola no Carnaval de 2026, e tiveram grande destaque durante a apresentação nos módulos. Em determinado momento, as três são cercadas pelos demais integrantes da comissão e avançam à frente, enquanto os outros apontam em sua direção, simbolizando uma saudação. A ala também utilizou expressões corporais e vocais durante os movimentos, com a emissão de gritos ritualísticos.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Steffany e Luã apostaram em uma apresentação marcada pelo sincronismo. Em um dos momentos da coreografia, a dupla avança para a cabine do jurado, enquanto o mestre-sala executa um passo que remete ao orixá Oxalá e a porta-bandeira acentua o gingado de acordo com a melodia do samba. Esse movimento, se realizado com maior precisão e cautela, pode evitar que, em condições climáticas adversas, o pavilhão se enrole.

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No dia do ensaio, o clima esteve favorável, o que facilitou o desfraldar da bandeira. Vestidos de azul, Steffany e Luã realizaram um bom ensaio técnico.

HARMONIA

A Camisa 12 precisa de atenção especial no quesito harmonia. Os componentes do primeiro setor apresentaram um desempenho satisfatório ao longo da pista; já no último setor, muitos integrantes demonstraram não dominar completamente a letra do samba, o que deixou o canto irregular.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Vale destacar que os refrões são bem cantados por toda a escola, especialmente nos momentos em que a bateria executa as bossas. Ainda assim, a parte musical da Camisa 12 tem potencial para extrair um canto muito mais intenso do que o apresentado neste ensaio.

EVOLUÇÃO

Apesar de algumas alas ainda não dominarem a letra completa do samba, foi possível perceber um bom trabalho da equipe de harmonia na evolução da agremiação. Os componentes desfilaram com adereços de mão, como bexigas, realizaram coreografias gerais nos refrões do samba-enredo e apresentaram alas coreografadas.

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O andamento da escola foi contínuo, cadenciado e sem grandes oscilações. Os integrantes da Camisa 12 desfilaram alinhados, mas sem algo robotizado: mostraram-se descontraídos e com liberdade para brincar o carnaval.

SAMBA-ENREDO

Com um dos sambas-enredo mais fortes do Grupo de Acesso 1, a Camisa 12 foi assertiva em sua escolha. A obra, composta por Turko, Maradona, Cláudio Russo, Imperial, Silas Augusto e Rafa do Cavaco, apresenta uma melodia empolgante e de fácil assimilação. Já nas primeiras passagens, ao menos os refrões do meio e o principal rapidamente ficam na boca do povo.

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O samba possui grande potencial de crescimento e extrapola os limites da própria escola, estimulando também o público a cantar junto. A letra traduz com clareza a proposta do enredo, tornando o conjunto do trabalho de fácil leitura para os jurados.

Os intérpretes Tim Cardoso e Clovis Pê conduziram o samba de forma alegre e segura, com boa dicção e afinação.

Ao CARNAVALESCO, os cantores fizeram um balanço sobre esse primeiro ensaio técnico. “Para nós que estamos no carro de som, a gente tem ideia daquilo que está ali apenas. Quando percebi várias pessoas na arquibancada vibrando e gostando, foi o sinal de que está funcionando. Às vezes a gente cria uma falsa impressão. Na minha visão, o carro de som foi sensacional, tudo muito afiado. Mas teve um momento em que eu esqueci algo, e o Tim Cardoso me salvou. Isso mostra como a sincronia é fundamental, porque, senão, não funciona”, diz Clovis Pê.

“Superou as expectativas. A gente veio com uma coisa na cabeça e, quando chegou aqui, estava muito melhor do que a gente imaginava. Graças a Deus, foi o primeiro passo e foi com o pé direito”, completa Tim Cardoso.

OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada pelo mestre Lipe, foi mais uma vez o grande destaque da agremiação. Com bossas bem definidas, naipes afinados e acentuados, os ritmistas apresentaram um trabalho de excelência. A rainha de bateria, Vanessa Aggio, e a madrinha Ana surgiram com figurinos luxuosos à frente dos ritmistas.

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Destaque também para o quadro de musas da escola, que apostou em carisma, brilho nas fantasias e bom entrosamento com o samba.

Embratur e Ministério da Cultura garantem apoio ao Carnaval do Rio com repasse de R$ 12 milhões às escolas do Grupo Especial

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A Embratur, o Ministério da Cultura e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) assinaram, nesta segunda-feira, na Cidade do Samba, o termo de cooperação que assegura o apoio do Governo do Brasil à realização dos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro. O acordo prevê o repasse de R$ 12 milhões, distribuídos de forma igualitária entre as 12 agremiações.

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O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, ao lado do presidente da Liesa Gabriel David, do diretor Elmo, da ministra das Mulheres, Marcia Lopes, e Cassius Rosa, do Ministério da Cultura. Foto: Marcio Menasce/Divulgação

O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, destacou o papel estratégico do Carnaval na promoção internacional do Brasil e na geração de emprego e renda.

“O Carnaval da Sapucaí é uma vitrine do Brasil. É a nossa imagem para mais de 160 países. Investir nesse evento é fortalecer a nossa imagem no exterior, impulsionar o turismo e garantir que essa cadeia econômica continue gerando emprego e renda para milhares de pessoas”, disse Freixo.

Cassius Rosa, secretário executivo adjunto do Ministério da Cultura, ressaltou a importância do apoio público à maior manifestação cultural do país.

“O Carnaval é patrimônio cultural brasileiro e política pública. Esse apoio reafirma o compromisso do Governo do Brasil com a cultura popular, com os trabalhadores do Carnaval e com a preservação dessa tradição que move o país”, declarou.

Já o presidente da Liesa, Gabriel David, celebrou a parceria e a previsibilidade garantida às escolas de samba.

“O Carnaval é uma das principais manifestações culturais do país e as escolas de samba movimentam a economia não apenas no período dos desfiles, mas o ano todo, com ensaios, feijoadas e outras atividades culturais e sociais. Isso sem falar na geração de empregos, com uma imensa cadeia produtiva que atua nos barracões, criando e desenvolvendo o maior espetáculo da Terra”, celebrou Gabriel.

O apoio federal ao Carnaval do Rio tem sido mantido nos últimos anos e reforça o evento como um dos maiores espetáculos culturais do planeta, com forte impacto turístico, econômico e simbólico para a cidade e para o Brasil.

Colorado do Brás invoca força ancestral em ensaio técnico marcante

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Por Gustavo Mattos, Letícia Sansão e Will Ferreira

O Anhembi foi tomado por símbolos, gritos ritualísticos e uma atmosfera de encantaria na noite em que a Colorado do Brás realizou seu ensaio técnico rumo ao Carnaval de 2026. Sob a presidência de Antônio Carlos Borges, o KA, a escola apresentou um trabalho coeso, organizado e carregado de significado, traduzindo na pista a potência do enredo “A Bruxa está solta – Senhoras do Saber renascem na Colorado”, desenvolvido pelo carnavalesco David Eslavick.

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Com a proposta de ressignificar a figura historicamente perseguida da mulher sábia, a Colorado transformou o ensaio em um verdadeiro manifesto visual e sonoro. A narrativa apresentada reforçou a ideia de que a bruxa deixa de ser alvo da fogueira para assumir o posto de rainha, com o caldeirão fervendo liberdade, resistência e ancestralidade. A escola será a 2ª a desfilar na sexta-feira pelo Grupo Especial e volta à pista para novo ensaio no domingo, 01 de fevereiro, às 18h30.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Paula Gasparini, a comissão de frente apresentou uma leitura clara e teatral do enredo. Os componentes vieram caracterizados como bruxas, com maquiagem carregada, expressões marcantes e gestual ritualístico. Um tripé foi utilizado como elemento central da apresentação, delimitando espaço na pista e servindo de base para a movimentação do mago, personagem que conduziu parte da narrativa.

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O caldeirão foi o grande símbolo da coreografia. Em diversos momentos, os integrantes se posicionaram ao redor dele, executando movimentos circulares com as mãos, como se invocassem forças ancestrais. Em pontos específicos, o mago desceu do tripé, aproximou-se do caldeirão e realizou a ação de mexê-lo, reforçando a ideia de ritual coletivo. Os gritos emitidos durante a coreografia criaram impacto sonoro e dialogaram com a proposta de intimidação e resistência, como se as bruxas assumissem o controle do espaço.

Na Arquibancada Monumental, o mago foi erguido pelos integrantes, em uma imagem simbólica que sugeriu a inversão de poder: aquele que antes julgava passa a ser conduzido pelas forças que tentou silenciar. A comissão conseguiu ocupar bem a pista, mantendo clareza narrativa e conexão direta com o enredo apresentado.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Bruno Mathias e Jéssika Barbosa realizou uma apresentação segura e alinhada tecnicamente. Houve sincronia constante entre os movimentos, com o mestre-sala valorizando a porta-bandeira em seus giros e deslocamentos, mantendo o olhar atento e o corpo sempre a serviço da bandeira. Jéssika apresentou controle nos giros, com boa sustentação do pavilhão e leitura precisa do samba, evitando que a bandeira perdesse desenho ao vento. Bruno trabalhou com variações coreográficas que dialogaram com os momentos do samba, alternando proteção, cortejo e marcações mais incisivas, sem se colocar de costas para a porta-bandeira ou comprometer a comunicação entre o casal.
O conjunto apresentou fluidez, respeito aos fundamentos e presença cênica, contribuindo para o impacto visual do ensaio e reforçando a identidade da escola.

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“O ensaio teve um saldo muito positivo e mostrou a evolução do trabalho construído ao longo do tempo. Apesar do estranhamento inicial natural diante do novo, os ensaios específicos no Anhembi ajudaram no entrosamento, e agora o foco está no refinamento dos detalhes. A coreografia, que dialoga com elementos de magia e bruxaria, exige ajustes finos, especialmente com o jurado mais próximo, o que aumenta a atenção aos detalhes, mas sem alterar o andamento da apresentação”, disse a porta-bandeira.

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“Sem recesso entre um carnaval e outro, o trabalho vem sendo desenvolvido desde abril, com ajustes contínuos entre enredo e coreografia. O ensaio com a escola inteira trouxe a emoção real da pista e confirmou que tudo o que foi construído ao longo dos meses tende a funcionar no desfile. Com o jurado mais próximo, a exigência por sincronismo e acabamento aumenta, mas também intensifica a emoção do contato direto. A Colorado, que completa 50 anos, prepara um desfile histórico, marcado por entrega, amor e emoção visíveis na avenida”, completou o mestre-sala.

HARMONIA

Sob comando do intérprete Léo do Cavaco, a harmonia da Colorado apresentou momentos de grande entrega coletiva. O canto ganhou força especialmente nos trechos de retomada após apagões, quando bateria, carro de som e componentes voltavam juntos, criando um efeito de impacto na pista.

Em alguns pontos estratégicos, principalmente no retorno do canto após a bateria, foi possível perceber oscilações na intensidade vocal de determinadas alas, o que refletiu em uma leitura menos vibrante para quem acompanhava de fora. A ala localizada no segundo setor apresentou maior constância no canto, enquanto alas mais ao fundo demonstraram variação, algo que pode ser ajustado com maior atenção ao direcionamento do carro de som.

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Léo do Cavaco manteve presença constante, conduzindo o samba com clareza de letra e boa comunicação com a escola. A ala musical teve papel fundamental na sustentação do andamento, garantindo que o canto não se perdesse mesmo nos momentos de menor resposta coletiva. Pequenos desencontros de letra foram pontuais, como a troca do verso “Sou eu, sou eu, sou eu / O grito calado na perseguição” por variações fora da composição original, algo que tende a ser corrigido com a repetição dos ensaios.

EVOLUÇÃO

O trabalho dos diretores Flávia Vieira, João Daniel e Luciano Lopes resultou em uma evolução organizada e bem distribuída ao longo da pista. Nenhuma ala apresentou embolamento, e não foram observados buracos significativos entre os setores, mantendo a leitura visual limpa e constante.

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As alas desfilaram com alegria, sambando soltas em sua maioria, o que valorizou o conjunto e reforçou a identidade popular da Colorado. Houve atenção aos deslocamentos e preenchimentos naturais da pista, sem necessidade de correções bruscas ou retornos para fechamento de espaços. A escola demonstrou entendimento coletivo do ritmo do desfile, algo essencial para a construção de um conjunto competitivo.

SAMBA

O samba-enredo, de autoria de Léo do Cavaco, Thiago Meiners, Claudio Mattos, Sukata, André Valencio e Vitor Roblanco, mostrou rendimento consistente ao longo do ensaio. Trechos como “Vem ver! Vai ferver o caldeirão / Tem magia nesse chão” ganharam força na pista, especialmente quando a escola respondeu em uníssono ao comando do intérprete.
Momentos narrativos mais densos, como “Sou eu, sou eu, sou eu / O grito calado na perseguição”, exigiram maior atenção das alas para manter clareza de dicção e intensidade emocional. O carro de som teve papel decisivo para sustentar esses trechos, ajudando a escola a não perder o fio condutor da narrativa musical.

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O samba se mostrou bem assimilado pela maioria dos componentes, com potencial de crescimento à medida que o canto coletivo se torne ainda mais homogêneo, especialmente nos setores finais do desfile.

OUTROS DESTAQUES

A bateria comandada por Acerola de Angola contribuiu para a dinâmica do ensaio, com paradinhas bem distribuídas, apagões que dialogaram com o samba e bossas que foram acompanhadas pelo público nas arquibancadas. A resposta da escola às intervenções rítmicas mostrou sintonia entre ritmo e canto.

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“Após um longo período de preparação, a bateria conseguiu entregar no primeiro ensaio técnico um trabalho consistente, com som mais afinado e melhor executado, ainda que exista margem clara para ajustes até o desfile. O saldo foi bastante positivo, sobretudo pela organização e pelo caráter mais intimista do ensaio, com apoio fundamental de diretores e equipe. Entre os pontos a evoluir estão o canto da bateria e o andamento, especialmente em algumas bossas que podem fluir com mais naturalidade — aspectos que serão trabalhados nos próximos ensaios. Para 2026, a bateria aposta também em ousadia visual e conceitual, com uma fantasia especial alinhada ao enredo e estratégias inéditas no miolo, buscando uma batida ideal e um desempenho ainda mais impactante na avenida”, explicou mestre Acerola de Angola.

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A rainha Talita Guasteli teve presença marcante, interagindo com o público, cantando o samba e realizando coreografias que acompanharam as convenções da bateria. Com figurino adequado ao ensaio, ela se mostrou integrada ao conjunto, reforçando o clima de celebração e protagonismo feminino proposto pelo enredo.

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Viradouro pisa na Amaral Peixoto com ‘cara e pressão’ de Avenida e deixa claro que está focada no título

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Por Luiz Gustavo e Gabriel Radicetti

No último domingo, a Unidos do Viradouro pisou na Avenida Amaral Peixoto para mais um ensaio de rua, em Niterói, visando ao desfile oficial. Faltando pouco menos de um mês para a apresentação na Marquês de Sapucaí, a escola realiza os ajustes finais, lapida os quesitos e fortalece o que já tem de alto nível. O último ensaio mostrou uma agremiação com apetite de avenida, pisando como um furacão na pista para um treino que teve clima de jogo oficial, tamanha a energia exibida pelos componentes numa largada de rasgar o chão. A vontade foi tamanha que, em determinado momento, a vermelho e branco acelerou o passo, assentando o ritmo com o passar do ensaio, mas sem perder a forte pegada. Além do ensaio quente, o grande destaque foi a apresentação do casal Julinho e Rute, sempre unindo entrosamento impecável, técnica e energia. A Viradouro buscará seu quarto título do Grupo Especial com uma homenagem dentro do seu quintal, falando de mestre Ciça, com o enredo “Pra cima, Ciça!”, desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon. A agremiação será a terceira escola a desfilar na segunda-feira de carnaval.

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Fotos: Luiz Gustavo e Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Julinho e Rute são a exemplificação máxima da definição de casal que se comunica com o olhar. Dançando juntos desde 2008, eles já conhecem todas as características, forma de dançar e gestual, e encaixam tudo isso numa apresentação com uma sintonia fina impressionante. A dança leva uma pitada de elementos coreográficos inspirados na letra do samba, mas o grosso da série é mais tradicional. O início da apresentação já contou com rodopios com alto nível de execução por parte de Julinho, entre eles um giro com apenas o pé esquerdo no chão, enquanto Rute realizava seus giros em progressão com a precisão característica.

Aliás, impressionou a quantidade de giros executados por Rute na primeira parte da série, todos com muita elegância, controle do corpo e bandeira firme. Na segunda passada do samba, o casal executou uma dança com elementos de balé, seguida de uma sequência de giros terminada em sentidos diferentes e elementos de dança de terreiros, como o xirê, no trecho “reza perfeita pra me completar, feiticeiro das evocações, atabaque mandou me chamar, pra macumba jogar poeira”.

Depois, uma sequência de giros soltos em torno do próprio eixo levantou o público com a energia com que os gestos foram executados. A condução de Julinho na parte final do samba foi extremamente elegante, antecedendo a finalização da série com mais giros em progressão no refrão de cabeça, todos executados com imensa precisão. Uma apresentação limpa, com coreografias pertinentes e postura corporal perfeita.

HARMONIA E SAMBA

A arrancada da Viradouro em seu ensaio mostrou do que essa comunidade é capaz, um canto que simplesmente já entrou explodindo a Amaral Peixoto com tamanha intensidade. Foi uma largada de desfile oficial, com os componentes louvando um homenageado que faz parte da mesma família, o que acrescenta forte componente emocional ao canto da escola. A primeira ala é a ala das crianças, o que poderia representar um risco ao canto logo na abertura do desfile, mas a garotada deu um banho, entoando o samba inteiro e servindo de exemplo para as alas que vinham em sequência.

O canto seguiu muito forte na totalidade da escola, com praticamente nenhum componente destoando ou mostrando dificuldade para acompanhar o samba no gogó. Os momentos em que a bateria parava no trecho “sou eu, mais um batuqueiro a pulsar por você” proporcionaram um clímax no canto e na comunicação com o público que assistiu ao ensaio e veio junto com a agremiação, alcançando o êxtase no refrão de cabeça.

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Wander Pires e seus apoios do carro de som mostram total domínio do samba, explorando as boas variações melódicas que a obra possui. O trecho “reza perfeita pra me completar, feiticeiro das evocações…”, que possui um canto mais corrido, está muito mais fluido, sem atropelos. O refrão de cabeça é de uma comunicação que ultrapassa a pista de ensaio e alcança o público, potencializando uma obra que está na prateleira de cima do Grupo Especial em 2026.

EVOLUÇÃO

Como um furacão presente na letra do samba, a Viradouro evoluiu na pista nos primeiros minutos mastigando e saboreando o asfalto da Amaral Peixoto, com os componentes dando uma aula de preenchimento de pista e movimentação solta, escola brincando na avenida. Só que esse ritmo acelerado fez a vermelho e branco apressar o passo em demasia e imprimir uma correria por alguns minutos, com alas passando muito rapidamente. Com a aproximação da bateria no segundo recuo, o ritmo da escola assentou e a evolução foi mais constante, seguindo com muita energia e leveza por parte dos componentes. A lateralidade e o uso de todo o corpo foram um grande mérito dos desfilantes, dando volume e fazendo a passagem da escola ser pulsante o tempo todo. Como de costume, os minutos finais do ensaio da Viradouro foram de comemoração e reverência ao mestre Ciça.

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O diretor executivo da agremiação, Marcelinho Calil, falou sobre a temporada de ensaios. “O balanço é o melhor possível, a escola já tem na Amaral Peixoto a sua casa, o processo tem cada etapa a ser cumprida, seu período de amadurecimento. A gente chega em janeiro praticamente pronto, na minha concepção, com o nível de exigência que a gente está acostumado. Tecnicamente, a escola está em um altíssimo nível, aproveitando um enredo e um samba que nos proporcionam um fator de emoção muito forte; a escola está vibrando e feliz por ser Viradouro e cantar uma homenagem em vida a um dos maiores mestres de bateria da história do carnaval. O ensaio hoje foi espetacular, estamos vindo muito redondos nos últimos ensaios, o que se tem a ajustar é em um campo mínimo. Conseguimos trazer na Amaral Peixoto um número de componentes muito parecido com o da Sapucaí, e essa avenida tem uma configuração muito parecida com a Marquês de Sapucaí, de forma que a escola consegue desenvolver quase na sua plenitude o que acontece no desfile. Fazendo um grande ensaio aqui, como tem feito e como foi hoje, a Viradouro consegue ficar pronta para fazer o carnaval do nível que a gente está acostumado e buscar mais um título”, declarou.

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OUTROS DESTAQUES

Ciça é o centro das atenções. O homenageado se mantém compenetrado durante todo o ensaio, mas, no final, o Caveira é só sorrisos. A bateria da Viradouro se mostra encaminhada para o desfile oficial sob a batuta do mestre e do enredo.

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A escola veio com um grande time de passistas, uma ala com alguns passos ensaiados e outra ala com samba solto, ambas cantando muito o samba da agremiação de Niterói.
A comissão de frente, comandada por Rodrigo Negri e Priscilla Mota, não esteve presente no ensaio, deixando a cabeça da escola para o casal de mestre-sala e porta-bandeira.

Esquadrão de Caxias! Casal em alto nível e samba em crescimento marcam ensaio consistente da Grande Rio

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Por Marcos Marinho e Júnior Azevedo

A Acadêmicos do Grande Rio realizou, na noite do último domingo, mais um ensaio de rua em Duque de Caxias, confirmando um estágio avançado de maturidade em segmentos centrais do desfile. Com casal de mestre-sala e porta-bandeira em apresentação vigorosa e precisa, samba cada vez mais assimilado pela comunidade, bateria segura e consciente e uma evolução marcada pela beleza das alas coreografadas, a escola apresentou um treino que reforça confiança e leitura coletiva da obra. Na reta final de preparação para o carnaval, a Tricolor de Caxias demonstrou entendimento crescente do enredo “A Nação do Mangue”, assinado pelo carnavalesco Antônio Gonzaga, projetando um desfile consistente para a Sapucaí, onde será a terceira escola a se apresentar na terça-feira de carnaval.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

É sempre impactante ver Daniel Werneck e Taciana Couto em cena. Há, desde a entrada, uma sensação de vigor e inteira disponibilidade corporal que sustenta a apresentação do casal. O que se destaca é o dinamismo da dança, construído a partir de uma combinação muito bem resolvida entre coreografia e fundamentos tradicionais do bailado de mestre-sala e porta-bandeira.

Os giros surgem com rapidez e precisão, e Taciana se afirma como uma porta-bandeira extremamente ágil, com finalizações limpas, bem desenhadas e “chegadas” no tempo exato do movimento. Há um rigor técnico evidente, mas nunca rígido: o vigor físico se traduz em fluidez, e não em tensão.

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Fotos: Marcos Marinho e Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

No trecho inicial, marcado por uma dança mais tradicional do casal, chama atenção a forma como Daniel conduz o cortejo, abrindo espaço com rapidez e clareza para que Taciana desenvolva seus giros com segurança e leveza. Esse momento estabelece uma base sólida, de leitura imediata, para o que vem depois.

Em outros pontos da apresentação, a coreografia incorpora movimentos que dialogam com a simbologia da orixá Nanã, integrando referências da dança ritual ao vocabulário do mestre-sala e porta-bandeira. Essa fusão é feita com inteligência e respeito à tradição, sem descaracterizar o bailado, mas ampliando seu repertório expressivo.

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O resultado é uma apresentação dinâmica, coesa e visualmente muito bonita, que equilibra técnica, vigor e comunicação simbólica, reafirmando a maturidade e a força cênica do casal.

SAMBA E HARMONIA

Evandro Malandro se afirma como um intérprete de inteligência cênica rara. Querido pela comunidade e plenamente conectado ao público, ele conduz o samba com uma performance cativante, que não se limita à execução vocal, mas atua diretamente na mobilização da escola. Seu canto convida, chama para perto, envolve componentes e espectadores, criando uma atmosfera de participação coletiva.

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Ao lado da equipe de som e da bateria comandada pelo mestre Fafá, Evandro é peça central para a manutenção do rendimento do samba da Grande Rio. Há um cuidado evidente com a sustentação da obra ao longo do percurso, ainda que se trate de um samba que exige mais constância do que explosão.

Do ponto de vista da harmonia, é possível perceber uma evolução clara na resposta da comunidade à medida que a temporada avança. A escola canta mais e canta mais forte, especialmente no trecho “Freire ensina um país analfabeto que não aprendeu o manifesto da consciência social”, entoado com vigor pelos componentes e acompanhado, inclusive, pelo público presente na Avenida 25 de Agosto. Trata-se de um momento em que o samba encontra ressonância direta na voz da escola.

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O trecho “Ponta de lança e daruê / Dobra o gonguê, a revolução já começou”, do refrão principal, também apresenta sinais evidentes de maior assimilação. Se em ensaios anteriores ainda surgia de forma mais tímida, agora já se percebe uma confiança maior do componente em cantar o trecho de cabeça, com entrega e segurança. É um indicativo de amadurecimento da obra dentro da comunidade.

Ainda assim, o samba da Grande Rio apresenta uma característica particular que impacta diretamente sua condução: não se trata de um samba explosivo. Sua lógica não é a da crescente rumo a um clímax, mas a da permanência. Assim como o próprio mangue que inspira o enredo, um território de avanço difícil, de ritmo próprio, em que o caminhar exige adaptação, o samba pede constância, atenção e sustentação contínua.

Esse desenho impõe um grau de dificuldade elevado. Manter a intensidade sem um ponto explícito de explosão é um desafio, e a comunidade, em grande medida, consegue cumprir essa exigência. Ao longo do ensaio, no entanto, nota-se uma leve oscilação: o rendimento perde um pouco de força conforme a escola avança, recupera-se parcialmente mais adiante e volta a se afirmar nos momentos finais.

EVOLUÇÃO

A evolução da Grande Rio se apresenta, de modo geral, marcada pela constância. No primeiro setor, tudo transcorre de forma bem coordenada, com avanço tranquilo, ordenado e sem sobressaltos. A escola se desloca com segurança, mantendo fluxo e leitura clara do conjunto.

À medida que o olhar se desloca da bateria para trás, a dinâmica da evolução passa a exigir uma leitura mais atenta. Não se trata exatamente de um quadro problemático, mas de um processo que se torna mais denso, mais exigente em termos de organização e fluidez. Ainda assim, o canto se sustenta e a escola segue avançando, mantendo a estrutura do desfile em movimento.

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Um ponto alto da evolução está na liberdade progressiva dos componentes, que aos poucos soltam mais o corpo e ocupam a pista com maior espontaneidade. Nesse contexto, as alas coreografadas da Grande Rio merecem destaque: são alas visualmente bonitas, que introduzem dinamismo e enriquecem a leitura da evolução, funcionando como respiros ao longo do percurso.

A região da bateria, no entanto, concentra um dos principais desafios do ensaio. A presença da rainha de bateria, Virgina Fonseca, acompanhada por um número elevado de seguranças, interfere diretamente na fluidez da evolução durante o treino de rua, criando zonas de contenção e impactando o deslocamento natural da escola. Trata-se de um fator circunstancial, mas que, ainda assim, produz efeitos visíveis no rendimento do conjunto.

Mesmo assim, percebe-se que o componente vem se soltando gradualmente. Há margem clara para que a Grande Rio permita ainda mais liberdade ao corpo coletivo, favorecendo uma evolução mais solta, mais viva e mais confiante. É nesse espaço de liberação que a escola pode encontrar um ganho decisivo para transformar o ensaio em um desfile plenamente competitivo na Sapucaí.

OUTROS DESTAQUES

Entre os pontos altos do ensaio, merece registro especial a bateria comandada pelo mestre Fafá. Com execução precisa e condução segura, a bateria apresentou um rendimento correto do início ao fim, sustentando o samba com clareza rítmica e regularidade, qualidades fundamentais para uma obra que exige constância mais do que explosão. A solidez da bateria funciona como eixo de sustentação para o canto da escola e para a leitura geral do desfile.

No fim do ensaio, mestre Fafá avaliou o treino de forma positiva, destacando a forte resposta da comunidade nesta reta final de preparação. Segundo ele, mais do que a música, “a Nação do Mangue já está na rua”, percepção reforçada pelo ensaio cheio, pelo canto consistente da escola e por uma bateria que ele definiu como madura e consciente do próprio papel. “A gente trabalhou, trabalha e está trabalhando muito para recuperar os pontos perdidos, sempre com humildade, sabedoria e respeitando o manual do julgador. A expectativa é fazer, na semana que vem, o último ensaio de rua de forma positiva, como uma celebração, e chegar aos ensaios técnicos com maturidade para voltar a disputar a nota 10 e brigar lá em cima com a pontuação máxima”, afirmou o mestre.

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O ensaio também contou com a presença da rainha de bateria Virginia Fonseca, que acompanhou de perto o trabalho do segmento, atraindo atenção do público e reforçando a visibilidade do momento. Gabriel David, presidente da Liesa, também esteve presente no ensaio da Grande Rio. Ele acompanhou a atividade ao lado do intérprete Evandro Malandro e gravou seu quadro de entrevistas.

OPINIÃO DO DIRETOR

Após o ensaio, o diretor de carnaval, Thiago Monteiro, avaliou de forma muito positiva o rendimento da escola nesta reta final de preparação. Segundo ele, o momento confirma um processo de amadurecimento gradual e consistente da Grande Rio.

“Cada dia que vai chegando mais perto do Carnaval, a escola vai ficando mais pronta, mais preparada para aquilo que ela vai enfrentar no dia 17 de fevereiro. Hoje eu estou muito feliz. A escola respondeu muito bem: as alas, a bateria, o carro de som, enfim, a organização como um todo”, afirmou, destacando a resposta da comunidade como um dos pontos centrais do ensaio.

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Ao comentar especificamente o rendimento do samba, Thiago reforçou a leitura estratégica adotada pela escola ao longo da temporada. Para ele, o crescimento da obra faz parte de um planejamento consciente. “O nosso samba vai esquentando, vai crescendo a cada etapa da preparação. Quando chega na avenida, ele estoura. E esse é o momento certo de estourar. Não adianta queimar a largada”, explicou. Demonstrando confiança no processo, o dirigente projetou um desfile de forte impacto: “A escola está consciente de onde quer chegar. No dia 17, vocês vão ver uma Sapucaí dominada pelo mangue”.

Apesar da avaliação positiva, o diretor fez questão de adotar um discurso exigente em relação aos ajustes finais. “Nós não estamos prontos ainda em nada. Agora é a sintonia fina”, disse, citando todos os setores da escola. Para Thiago, o bom desempenho não basta quando se pensa em título. “Não adianta passar bem. O bom não ganha. O que ganha é o ótimo. O que ganha é o ‘uau’. O que ganha é a surpresa”, concluiu.

Niterói explora clamor popular do enredo e realiza ensaio de excelente canto

Por Luiz Gustavo e Gabriel Radicetti

A Acadêmicos de Niterói realizou, no último domingo, mais um ensaio de rua na Avenida Amaral Peixoto, seguindo a preparação para o desfile oficial que será realizado daqui a um mês. Estreando no Grupo Especial, a escola tem a complicada missão de tentar permanecer na elite do carnaval e, para alcançar tal feito, tem se preparado com bastante afinco, apresentando uma melhora constante semana após semana.

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Desempenho apoiado em seu samba, que segue tendo muito rendimento e potencializando o canto da azul e branco, que entoou a obra com força nas alturas durante todo o treino. Um samba de apelo popular e assimilação fácil, comprovando suas credenciais dentro dos ensaios da agremiação e esquentando os componentes para uma dura disputa. No geral, o ensaio foi redondo, apesar de algumas ausências, como a do intérprete Emerson Dias e do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Emanuel e Thainara. A Niterói abrirá o desfile do Grupo Especial no domingo de carnaval, homenageando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, desenvolvido pelo carnavalesco Tiago Martins.

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Fotos: Luiz Gustavo e Gabriel Radicetti/CARNAVALSCO

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão, comandada por Handerson Big e Marlon Cruz, apresentou uma coreografia marcada pelo dinamismo e passos rápidos, com muito uso dos braços e poucas trocas de posições entre os bailarinos. Na segunda parte do samba, os componentes ampliaram o uso do espaço para a apresentação e realizaram uma coreografia com uma característica mais aguerrida, com gestos de punho erguido e pedidos de palmas. Vale destacar o canto forte durante a apresentação no ponto de simulação de cabine de jurados. Uma coreografia de passagem desempenhada com qualidade.

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EVOLUÇÃO

Niterói é mais uma escola que tem trabalhado a questão de uma evolução mais solta, mais livre, com movimentos por toda a pista, uso da lateralidade e trocas de posições entre os componentes, atendendo à exigência da espontaneidade, que foi oficializada como subquesito de evolução no julgamento do Grupo Especial em 2026. Algumas alas ainda passaram mais fechadas em sua evolução padrão, com linhas fixas, mas é clara a tentativa de diversas alas de soltar mais o componente, e isso foi alcançado com êxito em parte da escola. Enredo e samba populares facilitam uma evolução mais empolgada, e a azul e branco está conseguindo explorar essas valências. Um belo ensaio da agremiação no quesito, além de ter mantido um ritmo constante em sua passagem na pista, sem abertura de espaços ou aceleração em demasia.

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HARMONIA E SAMBA

O canto foi o grande destaque do ensaio da Acadêmicos de Niterói. Certamente, parte significativa das pessoas que irão desfilar na escola tem identificação e predileção pelo homenageado do enredo, o que ajuda a proporcionar um canto mais visceral e emocional. A harmonia já iniciou com um ponto de partida alto por conta do samba, e a crescente é visível: foram pouquíssimas alas em que o canto apresentou inconsistência.

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Na maior parte das alas, o que se ouviu foi um canto vigoroso em todos os pontos do samba, sobretudo nos momentos em que há uma subida de tom, como no trecho “A prazo, à vista é, tem filho de pobre virando doutor, comida na mesa do trabalhador”, em que o canto ecoa ainda mais forte. O refrão principal, inspirado em um jingle de campanha de Lula, é a identificação absoluta do enredo e crava o ápice de desempenho no quesito, com todos em uma só voz.

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Sem Emerson Dias, Diego Nicolau comandou o samba no microfone principal e manteve o rendimento do samba, principalmente na primeira metade do ensaio. Na parte final, o desempenho foi mais morno, sem a interpretação animada e aguerrida de Emerson, mas o carro de som segurou com correção. O refrão principal suscita discussões sobre a inspiração em um jingle de campanha, mas é inegável a força que o trecho possui. A primeira parte, mais poética, tem se mostrado bastante funcional e passada com força. O trecho “por ironia, treze noites, treze dias, me guiou Santa Luzia, São José alumiou” possui uma melodia muito agradável e dá uma quebra interessante na meiúca do samba.

OUTROS DESTAQUES

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A bateria, comandada por Branco Ribeiro, passou com um desempenho redondo e contribuiu para o bom rendimento do samba no ensaio. Branco falou sobre o trabalho faltando um mês para o desfile oficial.

“Vem sendo uma temporada de ensaios muito boa. Conseguimos aproveitar bastante o tempo que tivemos para poder construir nossa identidade e, ao mesmo tempo, fazer as construções em cima do samba. Nosso maior acerto foi definir isso tudo cedo, o que nos deu tempo de amadurecer todas as ideias e entender o que a gente poderia levar ou não. Agora estamos trabalhando em cima de detalhes, correções e direcionamentos dentro dos segmentos individuais. Construímos o nosso conjunto de bossas pensando na facilidade da execução. Como sabemos que muito dificilmente iremos conseguir ganhar tempo e criar um entrosamento de 20 anos como muitas baterias têm no grupo, cientes do nosso material humano, mesmo sendo uma galera muito boa, optamos por jogar dentro do que o samba pede, dentro da sua linha melódica, para não correr nenhum tipo de risco, tendo em função o nosso objetivo principal, que é a permanência da escola. Por uma questão de segurança, regulamento e para favorecer a escola, optamos por jogar dentro de um nível técnico de conforto”, afirmou.

A ala de passistas mostrou bastante samba no pé e sorriso no rosto, sendo um destaque da noite. A rainha de bateria, Vanessa Rangeli, se fez presente e se mostrou à vontade no posto, com algumas coreografias durante as bossas da bateria.

O primeiro casal, Emanuel e Thainara, não esteve presente no ensaio, tendo o posto na cabeça da escola ocupado pelo segundo casal, Weslley Cherry e Mariana Azevedo.

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