Na noite desta quarta-feira, 06 de julho, a Unidos de Padre Miguel, divulgou o enredo que levará para a Marquês de Sapucaí em 2023. Trata-se de “Ave Maria Olorum – A Corte da Boa Morte”. De autoria dos carnavalescos Edson Pereira e Wagner Gonçalves, o enredo do boi vermelho contará a história da Irmandade da Boa Morte, festa secular que acontece há mais de 200 anos em Cachoeira, cidade histórica do recôncavo da Bahia.
A Irmandade da Nossa Senhora da Boa Morte é uma confraria religiosa afro-católica e que foi por muito tempo responsável pela alforria de inúmeros escravos. A escolha por Nossa Senhora deve-se a uma promessa feita pelas irmãs mais antigas da confraria. Elas prometeram que se todos os escravos fossem libertos, elas iriam cultuar Maria na vida e na morte. Atualmente, a irmandade segue como forma de resistência, com sua missão social, dedicada principalmente à educação. Considerada Patrimônio Imaterial da Bahia desde 2010, a celebração acontece no mês de agosto, mês dedicado à Nossa Senhora e atrai milhares de pessoas de diversos lugares do mundo.
Na próxima semana, a agremiação irá divulgar a sinopse e como será a disputa de samba.
O diretor de carnaval da Unidos de Padre Miguel, Cícero Costa, analisou a posição de desfile da escola no Carnaval 2023. A agremiação da Vintém será a quinta a desfilar no sábado de carnaval.
“Fiquei muito satisfeito no sorteio. Apesar de todos gostarem de desfilar no sábado, mas uma escola que almeja o título, como a Unidos de Padre Miguel, desfilar sexta ou sábado não tem que fazer diferença. Vamos trabalhar para isso, independente de dia. Estamos numa colocação boa e em horário bom. Acredito que a Sapucaí terá um público bem significativo. Vamos trabalhar para fazer mais um belo espetáculo”.
São Clemente (Diretor de carnaval Thiago Monteiro) – Sétima escola a desfilar na sexta
“Gostei da nossa colocação de desfile, é pelos Correios e volta por dentro na dispersão, está ótimo. Se Deus quiser vai ser o primeiro título de sexta-feira. Isso de que sexta-feira atrapalha já ficou no passado, ainda mais sendo a última. Não tem problema nenhum, estamos bem satisfeitos”.
Porto da Pedra (Presidente Fábio Montibello) – Quinta escola a desfilar no sábado
“Muito satisfeito, quinta a desfilar, já pega a Avenida quente, a Porto da Pedra é uma escola que traz torcida. Com certeza, a gente vem para a briga de novo. O dia é maravilhoso e até para a gente vir de São Gonçalo para o Rio é difícil, por isso, o sábado é melhor. Também ganha um dia a mais no barracão, tudo é melhor para gente”.
Estácio de Sá (Presidente Leziário)
“A ordem de desfile para mim está ótima. Está dentro do planejamento porque o negócio é fazer o trabalho e passar bem, não importa o dia. O dia que caísse para gente já tínhamos boas perspectivas. Por enquanto ainda não temos o enredo, mas daqui há uma semana eu digo. Está na pesquisa, já tem uma diretriz”.
União de Jacarepaguá (Presidente Reinaldo Bandeira) – abre o sábado
“A responsabilidade de abrir o segundo dia é grande, mas com certeza a União de Jacarepaguá junto com sua comunidade está preparada para isso. Tenho certeza que todos vão se surpreender com a União de Jacarepaguá. Estamos trabalhando desde a data da vitória para criar um grande carnaval. Já estamos com bastante coisa já pronta, definindo, mudando algumas coisas, mas tenho certeza que faremos um belíssimo carnaval. A emoção da volta ao Sambódromo será muito grande. Essa volta é maravilhosa para gente, dá uma força, garra, vontade de criar mais, fazer melhor, respeitando a todas as coirmãs”.
Arranco (Presidente Tatiana) – abre a sexta-feira
“Abrir o carnaval pra mim é o maior orgulho, quase dez anos sem pisar na Marquês de Sapucaí com o Arranco, e voltar pra Marquês de Sapucaí com esse enredo é mais orgulho ainda. Primeiro, porque a gente está contando a história do primeiro desfile que teve de escola de samba. Para o povo arranquista, pra família arranquista é uma emoção muito grande abrir o carnaval contando o início de tudo. A gente pretende fazer um belíssimo carnaval, um carnaval memorável pra história do Arranco. Hoje, o formato da Série Ouro é um formato brilhante. É um formato que a gente nunca passou, a gente nunca imaginou estar, né? O Arranco está em festa até o momento, a ficha parece que não cai a todo momento, mas a gente tá com uma expectativa muito grande, trabalhando dia e noite pra isso acontecer, desde o título a gente não parou um minuto tentando chegar perto daquilo que todo mundo está esperando, um Arranco bonito na avenida”.
Inocentes de Belford Roxo (Presidente Reginaldo Gomes) – Oitava escola a desfilar no sábado
“Primeiro desfilar no sábado sempre é um dia melhor. Você tem mais de um dia. Também é uma questão de transporte, você não não sai na na quinta-feira em dia que ainda tem uma movimentação muito grande e encerrar pra gente é a primeira vez. Nós nunca tivemos essa oportunidade de encerrar. Vamos fazer uma grande festa e abrilhantar o final do carnaval da Série Ouro”.
União da Ilha (Presidente Ney Filardi) – Sexta escola a desfilar no sábado
“Sábado acho que é o que todo mundo queria. É claro, não tenha dúvida, estou satisfeito porque a gente sabe que é concorrido. Mas acho que o mais importante excluindo a ordem, é que nós e as outras escolas façam um excelente carnaval. E o dia e a posição, isso é consequência. Mas estou muito satisfeito, com certeza”.
Vigário Geral (presidente Betinha) – Terceira escola a desfilar na sexta
“Eu gostei, gostei desse sorteio. Queria ser da terceira em diante. Presidente da Estácio que me convidou pra trocar, eu ia trocar, mas sabe o que que aconteceu? Eu me lembrei que o par é no Balança, aí não quis mais não. E nos Correios é bem melhor. Eu me esqueci desse detalhe”.
Em Cima da Hora (Presidente Wallace Costa) – Quarta escola a desfilar no sábado
“A troca foi estratégica para o nosso planejamento, a gente já vinha com o intuito de querer ser a terceira ou a quarta. Já que a gente caiu na sétima, o nosso amigo Tê (presidente do Império da Tijuca) quis ajudar a gente a trocar também, foi um grande favor. Vamos lançar o enredo dia 7 de agosto e por enquanto é surpresa”.
Lins Imperial (Presidente Flávio) – Segunda escola a desfilar na sexta
“É um desafio do primeiro dia, óbvio, porém a Lins Imperial sabe o papel e a responsabilidade que tem, independente do dia e da colocação. É preparar e fazer um grande carnaval. O enredo já sai na próxima semana”.
A Beija-Flor de Nilópolis divulgou, nesta terça-feira, na sua quadra, a sinopse do enredo “Brava Gente! O grito dos excluídos no bicentenário da Independência”. O texto foi apresentado aos compositores pelos carnavalescos Alexandre Louzada e André Rodrigues e pelo pesquisador Mauro Cordeiro. Fugindo do formato tradicional de sinopse, a proposta é dividida em “Convocação”, “Justificativa” e “Fala Mais”, onde a escola dá detalhes do desenvolvimento do tema. Confira abaixo:
Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação
CONVOCAÇÃO
Por uma questão de desordem no que se diz respeito às memórias que este país constrói:
VAMOS NOS UNIR, BRAVA GENTE!
Esta é uma convocação aos sobreviventes deste país que não nos reconhece.
Um país que ignora nossas existências.
Um país que comemora 200 anos da marginalização da sua própria gente.
Seremos a voz do desejo de uma nação inteira: independência e vida!
O Estado brasileiro foi erguido sobre um conjunto de mitos e símbolos que justificam as violências que ainda hoje são implementadas contra nós. Não é por acaso o apagamento do verdadeiro protagonista da história nacional: o povo brasileiro. Esta é a brava gente que está ausente dos atos cívicos que celebram nossos mitos fundadores. Excluídos.
Se as pautas fundamentais para uma nação soberana, independente e justa são trabalho digno, moradia, alimentação, participação popular, igualdade de direitos e liberdade plena, a grande pergunta é: este é o Brasil em que vivemos?
Propomos, então, um novo marco para a Independência Nacional: O dia em que o povo venceu, o 2 de Julho. O triunfo popular de 1823 é muito mais sobre nós e sobre nossas disputas. O Dia da Independência que queremos é comemorado ao som dos batuques de caboclo, cantando que até o sol é brasileiro. Precisamos festejar os marcos populares em festas que tenham cheiro, cor e sabor de brasilidade, reconhecendo o protagonismo feminino e afro-ameríndio. Somos aqueles e aquelas que, excluídos dos espaços de poder, ousam ter esperança no amanhã. O Brasil precisa reconhecer os muitos Brasis e suas verdadeiras batalhas.
É a partir desta data que provocamos uma nova comemoração da independência do Brasil. A independência do povo para o povo. Faremos, então, um grande ato cívico em louvação aos 200 anos de luta dos brasileiros, herança dos heróis e heroínas que forjam dia a dia, através de suas batalhas, uma nação verdadeiramente livre e soberana.
Reivindicamos e nos orgulhamos das lutas históricas e sociais daqueles que nos precederam nesta incansável batalha pela cidadania.
Juntem-se e vistam suas fantasias, pois será um grande carnaval quando em praça pública declararmos nossa própria independência. NÓS, O POVO! Juntando tudo e todes. O novo Brasil ditará as ordens a partir da folia. Alegria e manifestação! Nossa bandeira será um grande mosaico do que somos de verdade, feita a partir do retalho do que cada um tem a oferecer daquilo que lhe representa.
A cultura é o nosso poder, e, é através dela que lutamos pela transformação social, colocando o povo no pedestal que lhe é de direito. Por isso fazemos carnaval, é a nossa missão, sempre construindo o país que acreditamos, e lutando para que ele seja um dia, realidade.
O grito será por justiça e liberdade, igualdade sem neurose e sem caô.
Nilópolis, 02/07/23.
Dia dos 199 anos da Independência do nosso Brasil
JUSTIFICATIVA
O G. R. E. S. Beija-Flor de Nilópolis irá apresentar no carnaval de 2023 o enredo “BRAVA GENTE! O GRITO DOS EXCLUÍDOS NO BICENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA”.
O bicentenário da Independência é um momento propício para um debate profundo acerca dos rumos e do próprio sentido do país. O carnaval carioca, alegria e manifestação, não poderia ficar de fora desta ampla discussão. A festa consolidou-se como um espaço privilegiado para reflexão e a disputa de questões de importância fundamental em um espetáculo artístico de inegável dimensão política e caráter pedagógico.
Através do seu desfile, um ato cívico, nós propomos que a independência é um processo, defendemos um novo marco para a emancipação política brasileira, destacando o protagonismo popular enquanto denunciamos o caráter autoritário, tutelar, excludente e desigual do Estado, desde sua gênese até a atualidade.
Ao invés de celebrar ritualísticamente o mito fundador da pátria – o grito do Ipiranga no 7 de setembro, argumentamos em favor de um novo marco, capaz de oferecer um sentido que consideramos mais próximo da verdade histórica de uma independência que foi conquistada; não proclamada. Este marco é o 2 de julho de 1823, data da vitória das tropas brasileiras na conflagração instalada na Bahia.
Ao mesmo tempo, iremos rememorar esses duzentos anos a partir da perspectiva das camadas populares apontando as mazelas, contradições e limites da construção nacional.
Heroico é o povo que constrói a sua própria autonomia através da luta. Esta é a nossa história: nada nos foi dado; cada um dos nossos avanços foi obtido pelos nossos próprios esforços.
Se o Estado brasileiro se ergueu como um instrumento para conservação de uma ordem patriarcal, escravocrata e latifundiária, o povo brasileiro, mesmo alijado dos espaços institucionais, insiste em disputar no Brasil sem temer nem a luta, nem a morte.
Este enredo é um grito que ecoa do Brasil profundo e se faz ouvir aos quatro cantos. Das aldeias, guetos, terreiros e favelas um brado em uníssono se faz clamor: independência e vida!
Este é o nosso grito…
FALA MAIS
O dia em que o povo ganhou: vitória patriótica de dois de julho
No processo de elaboração da memória nacional, o dia 7 de setembro de 1822 foi forjado como o grande marco da nossa independência. O grito do Ipiranga seria o decisivo ato heroico do príncipe regente para a emancipação política do Brasil. A invenção do sete de setembro cumpriu o papel de mito fundador do Estado brasileiro. Este mito celebra uma ideia de independência pacífica, fruto do heroísmo do futuro imperador e de arranjos da elite. O que ele esconde é que houve guerra e muito sangue foi derramado neste processo.
As guerras da independência evidenciam a diversidade de ideias, concepções e projetos, os conflitos e tensões sociais e políticas constitutivos daquele cenário histórico. O esquecimento sobre estas guerras não é gratuito; muito pelo contrário, é o resultado de uma construção da história que considera a emancipação política do Brasil um “desquite amigável” em relação a Portugal.
Em províncias como Ceará, Cisplatina, Maranhão, Pará e Piauí houveram confrontos bélicos em episódios decisivos para que a causa nacional triunfasse. Porém foi na província da Bahia que se instalou a guerra que tomaremos como marco. Durante um ano e quatro meses, o destino da nação brasileira teve este território como palco privilegiado. O confronto na província foi central no processo de ruptura que garantiu a soberania nacional.
Até que em 2 de julho de 1823 até o sol foi brasileiro. O dia em que o povo ganhou. Esta data marca a vitória libertadora com a expulsão dos portugueses e, desde então, é celebrada com uma grande festa que tem cheiro, cor e sabor de brasilidade. Uma algazarra pública, que tem nas figuras do caboclo e da cabocla símbolos da liberdade. Esta festividade celebra e louva a ampla participação popular, sobretudo de indígenas e negros, na luta pela emancipação ante a tirania e o julgo colonial. O papel de destaque de muitas mulheres, como Joana Angélica, Maria Quitéria e Maria Filipa, verdadeiras heroínas da pátria, acentua o protagonismo feminino que se contrapõe a uma escrita da história centrada no paradigma da masculinidade.
É este marco que celebramos como data da nossa independência: a vitória patriótica do 2 de julho e o protagonismo popular, notadamente afro-ameríndio e feminino.
A conservação da ordem e a permanência das lutas populares
Após a independência oficial, não tardou para que o povo brasileiro percebesse que o projeto de construção nacional não pretendia alterar a organização social: a escravidão, o latifúndio e a monarquia seriam os pilares do Império. O grande temor das oligarquias era de que os ventos revolucionários do Haiti provocassem uma onda emancipatória e inspirasse negros e negras brasileiros em uma insurreição. O medo branco de uma grande rebelião negra era o principal fator de agregação dos diversos setores de uma elite fortemente dividida entre oligarquias regionais.
O Império nasce como um Estado forte e centralizador. A dissolução da Assembleia Constituinte e a repressão brutal a dissidências como a Confederação do Equador, que defendia um modelo federalista, não deixavam dúvidas sobre este caráter. A unidade territorial foi mantida através da forte repressão aos movimentos emancipatórios e separatistas. O sentido do Estado é a conservação.
Por sua vez, o povo brasileiro permaneceu em luta. Construiu redes de proteção comunitária e fortalecimento coletivo, organizou um conjunto de movimentos contestatórios que almejam a conquista de direitos como os malês, cabanos e balaios. Se a independência não alterou a estrutura social e não promoveu mudanças para aqueles que dispuseram de suas vidas para conquistá-la, eclodiram movimentos, revoltas, rebeliões, motins e insurreições por toda extensão do Império. Se a ordem é injusta, a desobediência civil é a resposta.
Em cada um destes levantes e movimentos populares, havia um acúmulo de forças e crescia a consciência crítica e histórica. É impossível desvincular o movimento abolicionista que construiu e solidificou a liberdade, das muitas revoltas de escravizados que se proliferaram de norte a sul. Assim como as nações indígenas, originárias e verdadeiras donas desta terra, que seguiram mobilizadas nos enfrentamentos necessários para a manutenção da sua própria existência, a conservação dos seus saberes e práticas.
As fantasias republicanas e as batalhas pela cidadania
Provando que no Brasil as ideias estão sempre fora de lugar, a República já nasceu velha. Da espada, oligárquica, dos coronéis e barões, do café com leite, dos ideais eugenistas e com um lema que poderia estampar nossa bandeira: autoritarismo e desigualdade. Restringindo a cidadania a pouquíssimos, discriminando por raça, credo, gênero e orientação sexual.
Brutalmente violento, o Brasil é descrito por seus intérpretes/inventores como um país pacífico e harmônico, destinado à glória no porvir enquanto, no presente, seus filhos e filhas morrem de fome. Excluídos, à margem. O tal “país do futuro” foi eficaz em construir uma imagem de si que mascara sua verdadeira face.
A democracia, entre nós, sempre foi um terrível mal-entendido. E é curioso constatar que foi pretensamente com a intenção de defendê-la que corriqueiramente a golpearam.
Os grandes agentes civilizatórios deste país são os brasileiros e brasileiras que, em movimentos organizados, são os mais fiéis defensores da democracia. Se a intenção manifesta era conferir uma cidadania limitada, inconclusa e tutelar, nós não aceitamos e conquistamos mais espaços de participação através de diferentes táticas e estratégias.
Denunciando o genocídio da juventude negra, o feminicídio, a violência contra a população LGBTQIA+ e o racismo religioso, a brava gente brasileira segue ocupando as ruas afirmando sua existência, pleiteando reconhecimento e disputando o hoje. Nós não admitimos a tese absurda de um marco que limite no tempo a posse da terra de quem é seu único e verdadeiro dono.
Manifestamos nossos desejos e expressamos nossas necessidades em pautas, causas e questões incontornáveis como a reforma agrária, os direitos trabalhistas e a urgente promoção da igualdade racial.
Em um país majoritariamente negro e feminino, as mulheres negras são a base de sustentação material e, somente a partir delas, poderemos, efetivamente, se constituir em um país outro, uma mátria de muitos Brasis. Plural, diversa, inclusiva e igualitária.
Alegria e manifestação
O desfile da Beija-Flor de Nilópolis será um grande ato cívico pela construção de um Brasil livre, soberano e verdadeiramente independente. Este Brasil livre, soberano e independente ainda é um sonho, mas, por este sonho, a brava gente brasileira segue derramando sangue e suor em busca de dignidade e autonomia.
Nosso ato será festivo e multicolorido.
Nossa singularidade é produto da pluralidade das muitas nações brasileiras. Esta pluralidade manifesta compreensões e conhecimentos, formas de ser, sentir e pensar que alargam as possibilidades de existência. Os muitos anseios e desejos de um Brasil melhor se exprimem justamente na riqueza da nossa arte e cultura. São expressões de uma brasilidade que emana desta gente que, permanentemente em luta, também produz beleza e encantamento.
Cultuamos e preservamos nossa ancestralidade e os saberes tradicionais resistindo a toda sanha de domesticação dos corpos e aniquilação da diversidade de práticas, costumes e experiências.
Fazemos festa porque esta é, também, manifestação política e na festa carnavalesca gritamos que outros Brasis são possíveis.
Autores do Enredo: André Rodrigues e Mauro Cordeiro
Desenvolvimento: André Rodrigues, Mauro Cordeiro e Alexandre Louzada
Convocação: André Rodrigues, Beatriz Chaves, João Vitor Silveira e Jader Moraes.
Pesquisa e Justificativa: Mauro Cordeiro
A Liga-RJ sorteou na noite desta terça-feira na Barra da Tijuca a ordem de desfiles da Série Ouro para os desfiles de 2023 na sexta e sábado de carnaval do ano que vem na Marquês de Sapucaí. A São Clemente, rebaixada do Grupo Especial neste ano, vai encerrar a primeira noite de apresentações. Caberá à Inocentes de Belford Roxo fechar a noite de sábado da Série Ouro.
Além da São Clemente outras duas escolas sempre cotadas ao título tiraram bolinhas inferiores em relação a seus pares no sorteio e desfilam na sexta-feira. A Estácio de Sá será a quarta e a Unidos de Padre Miguel, a quinta a desfilar. Após a conclusão da primeira noite não houve trocas de posição entre as agremiações.
A noite de sábado promete um encerramento apoteótico dos desfiles da Série Ouro. Isso porque as 4 últimas a desfilarem também são cotadas ao acesso. A Porto da Pedra escolheu ser a quinta a desfilar, direito adquirido pelo vice-campeonato de 2022. O Império da Tijuca trocou de posição com a Em Cima da Hora e será a penúltima a desfilar. A União da Ilha será a sexta escola da segunda noite.
Confira a ordem de desfiles da Série Ouro para o Carnaval 2023:
Na próxima terça-feira, 12, às 20h, em sua quadra, Império Serrano realiza a entrega e a leitura da sinopse do enredo “Lugares de Arlindo”. Com presença do carnavalesco Alex de Souza, os compositores imperianos poderão conhecer a linha narrativa que o Reizinho de Madureira vai apresentar em seu retorno ao Grupo Especial.
A entrega da sinopse é mais um passo do Império Serrano visando o próximo desfile. “Lugares de Arlindo” vai passear sobre a vida e obra do cantor e compositor Arlindo Cruz, autor de 12 sambas de enredo na escola. Segundo o diretor de carnaval Wilsinho Alves, a agremiação vem seguindo rigorosamente o seu planejamento e espera uma grande obra para 2023:
“A expectativa é a melhor possível. Um dos motivos para que pudéssemos escolher esse enredo, foi porque acreditamos em grandes composições. É um tema musical e que homenageia uma figura ilustre da escola. Durante a entrega da sinopse, vamos entregar o calendário da disputa do samba, ficando pendente somente a data da final”, explica Wilsinho.
Por ter sido o grande campeão da Série Ouro em 2022, o Império Serrano terá a missão de abrir os desfiles do Grupo Especial, no dia 19 de fevereiro de 2023.
Após 3 anos sem poder se realizar, neste sábado acontecerá a festa de entrega da 22ª edição do Prêmio S@mba-Net, na quadra da Unidos da Tijuca. Por conta da pandemia da covid-19e o adiamento do carnaval de 2021, a última edição da festa de entrega do S@mba-Net aconteceu em 2019 e essa edição é cercada de expectativa. A festa ocorre tradicionalmente três meses após os desfiles e é encarada pelo mundo do samba como uma espécie de encerramento oficial da folia.
O público, que fez da festa uma tradição, revivendo os melhores momentos vividos na Passarela do Samba, pode adquirir ingressos para o evento na bilheteria da Unidos da Tijuca, no horário do evento, ou online a preços promocionais através do link https://www.ingresse.com/entrega-do-premio-samba-net
A vigésima -segunda edição do Prêmio, criado em 1999 por um grupo de apaixonados pela folia, será repleta de emoção e muito samba. Afinal, por conta da pandemia, os vencedores da edição de 2020 não tiveram a oportunidade de serem contemplados. Desta forma, excepcionalmente este ano, estarão sendo entregues os troféus aos melhores do Carnaval de 2020 e 2022.
A apresentação da festa ficará a cargo de Milton Cunha, Eugenio Leal e Marcelo Pacífico, que, em momentos diferentes do evento, terão a missão de conduzir esse grande congraçamento do samba. As escolas premiadas se apresentarão sob a regência das Baterias de Mestre Macaco Branco (Unidos de Vila Isabel) e Mestre Vitinho (Império Serrano).Os portões serão abertos às 22h e a entrada custará R$ 40 na bilheteria da quadra da Unidos da Tijuca.
Serviço:
22ª Festa de Entrega do Prêmio S@mba-Net
Data: Sábado (09 de Julho)
Horário: A partir das 22h
Local: Quadra da Unidos da Tijuca
Endereço: Av. Francisco Bicalho, 47 – Santo Cristo
Ingresso: R$ 35 (bilheteria no dia do evento) e antecipado através do site https://www.ingresse.com/entrega-do-premio-samba-net
Confira a relação dos premiados do Carnaval 2022:
GRUPO ESPECIAL
Melhor Escola: Acadêmicos do Grande Rio
Melhor Bateria: Unidos de Vila Isabel
Melhor Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Matheus Olivério e SquelJorgea (Estação Primeira de Mangueira)
Melhor Comissão de Frente: Estação Primeira de Mangueira
Melhor Samba-Enredo: Mocidade Independente de Padre Miguel
Melhor Puxador: Wantuir e Wic Tavares (Unidos da Tijuca)
Melhor Enredo: Acadêmicos do Grande Rio
Mais Elegante Galeria de Velha-Guarda: Unidos do Viradouro
Melhor Ala de Baianas: Imperatriz Leopoldinense
Melhor Conjunto de Passistas: Unidos de Vila Isabel
Melhor Conjunto de Fantasias: Portela
Melhor Destaque de Luxo: DanylloGayer (Acadêmicos do Grande Rio – 2ª Alegoria)
SÉRIE OURO
Melhor Escola: Império Serrano
Melhor Bateria: Império Serrano
Melhor Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Fabrício Pires e Giovanna Justo (Acadêmicos do Sossego)
Melhor Comissão de Frente: Unidos do Porto da Pedra
Melhor Samba-Enredo: Inocentes de Belford Roxo
Melhor Puxador: Pitty de Menezes (Unidos do Porto da Pedra)
Melhor Enredo: Império da Tijuca
Melhor Alegoria: “A Grande Árvore Sagrada – Orixá-Árvore, Árvore-Orixá” (Unidos de Padre Miguel – Carro Abre-Alas)
Melhor Conjunto Alegórico: União da Ilha do Governador
Mais Elegante Galeria de Velha-Guarda: Unidos de Padre Miguel
Melhor Ala de Baianas: Império Serrano
Melhor Conjunto de Passistas: Acadêmicos de Vigário Geral
Melhor Conjunto de Fantasias: Unidos de Padre Miguel
Melhor Destaque de Luxo: Leandro Fonseca (União da Ilha do Governador – Carro Abre-Alas)
INTENDENTE MAGALHÃES
Melhor Escola da Série Prata: Caprichosos de Pilares
Melhor Escola do Grupo B: Vizinha Faladeira
Confira a relação dos premiados do Carnaval 2020: GRUPO ESPECIAL
Melhor Escola: Acadêmicos do Grande Rio
Melhor Bateria: Portela
Melhor Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Daniel Werneck e Taciana Couto (Acadêmicos do Grande Rio)
Melhor Comissão de Frente: Estação Primeira de Mangueira
Melhor Samba-Enredo: Acadêmicos do Grande Rio
Melhor Puxador: Gilsinho (Portela)
Melhor Enredo: São Clemente
Mais Elegante Galeria de Velha-Guarda: Acadêmicos do Salgueiro
Melhor Ala de Baianas: Mocidade Independente de Padre Miguel
Melhor Conjunto de Passistas: Unidos do Viradouro
Melhor Destaque de Luxo: Edmilton Paracambi (Unidos do Viradouro – 3ª Alegoria)
SÉRIE A
Melhor Escola: Imperatriz Leopoldinense
Melhor Bateria: Inocentes de Belford Roxo
Melhor Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Yuri Souza e Camyla Nascimento (Unidos da Ponte)
Melhor Comissão de Frente: Imperatriz Leopoldinense
Melhor Samba-Enredo: Acadêmicos de Santa Cruz
Melhor Puxador: Diego Nicolau (Unidos de Padre Miguel)
Melhor Enredo: Unidos de Padre Miguel
Melhor Alegoria: “Palco Iluminado: Só dá Lalá” (Imperatriz Leopoldinense – 3ª Alegoria)
Melhor Conjunto Alegórico: Imperatriz Leopoldinense
Mais Elegante Galeria de Velha-Guarda: Acadêmicos do Cubango
Melhor Ala de Baianas: Imperatriz Leopoldinense
Melhor Conjunto de Passistas: Unidos de Padre Miguel
Melhor Conjunto de Fantasias: Imperatriz Leopoldinense
Melhor Destaque de Luxo: Marcos Lerroy (Inocentes de Belford Roxo – Carro Abre-Alas)
INTENDENTE MAGALHÃES
Melhor Escola: Lins Imperial
PRÊMIOS ESPECIAIS
Série “Onde Nasce o Samba da Série A” (Bom dia Rio)
Marcelo Adnet (Personalidade)
Blog Samba na Intendente
O mascote da Mocidade Independente de Padre Miguel é um fenômeno. Com todo o sucesso na escola e nas redes sociais, a agremiação resolveu criar uma camisa com a estampa por R$ 79,90 com venda limitada pela loja parceria Cantalaia. O Vice presidente da Escola, Luiz Cláudio Ribeiro, falou sobre o sucesso do mascote.
“Dentro do possível tentamos atender aos pedidos dos nossos torcedores. Esse era um deles. Acho importante uma escola de samba se aproximar das pessoas, principalmente as crianças, desta forma. O Castorzinho é muito carismático e vamos usar esse tipo de iniciativa cada vez mais”.
O diretor de marketing da escola, Bryan Clem, falou sobre o sucesso do mascote. “O Castor é muito querido pelo público. Não só da Mocidade, mas de todo o Carnaval. Pensamos em fazer uma camisa especial para homenagear porque ele merece. Temos certeza que será sucesso nas vendas e será só o primeiro de uma série de produtos”, garante Bryan Clem.
Para adquirir a camisa, basta acessar ao site cantalaia.com.br ou pelas redes sociais da escola.