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Portela 2023: samba da parceria de Cecília Cruz

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Compositores: Cecília Cruz, Cláudio Cruz, Thayssa Menezes, Luciano Fogaça e Fábio Gomes
Intérprete: Rixxa

Um vento soprou
Seriam asas do Divino?
Foi minha águia, num voo magistral
Me embalou no centenário carnaval
Minha missão se firmou na cadência
Fez escola, cultura, vivência
Estudada com carinho
Samba é respeito, alegria que cura
Majestade que perdura
Onde a resistência se fez ninho
Portela, meu sonho nasce num trem que conduz
Gerações de bambas em Oswaldo Cruz
Desembarcando na avenida
Na vanguarda a profecia
Festa que Esther anuncia
Com sua benção, mãe Oxum
Semeando amor profundo
Viva, Caetano, Rufino, lá vem
O samba dominando o mundo

Cheguei, Fessor, enfim
Vou rodopiar o sagrado cetim (ôôô)
Passei no teste, primeira vitória
Brinquei Sete Anos de Glória

Dodô, menina, obrigado
O Cisne honrou o seu legado
Trovoou, o couro do surdo me chamou
Tabajara chegou, okê arô!
Lendas e mistérios que a passarela homenageia
“Com um braço só”, malandro não se cria
“Deu águia”, Paulinho, salve, Candeia!
Ó saudade, me desperta pra folia
Talhado em versos sou alegoria
Com o Sabiá encantei a multidão
O nosso canto virou constelação
Abram alas, eis-me aqui pra celebrar
Com a minha Velha Guarda
Nossas glórias desfilar
Canta, Surica, vem Noca, versar
Vicentina mandou avisar
Que a missão tá posta
Mais belas páginas vocês hão de contar

Portela, pisa forte nesse chão
“Quantas lágrimas eu tenho derramado”
No infinito deste pavilhão
Bate forte um coração azul e branco apaixonado
(Bate forte um coração apaixonado)

Portela 2023: samba da parceria de Celso Lopes

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Compositores: Celso Lopes, Charlles André, João Carlos Filho, Anderson Leonardo e Gustavo Clarão
Intérprete: Ito Melodia

SONHEI …
COM CAETANO E RUFINO
UM MUNDO AZUL E BRANCO LINDO
MISSÃO DIVINA NOS CONDUZ
O MAR E O CÉU SE TOCAM
QUANDO O VENTO VEM
A EMOÇÃO VIAJA E VAI ALÉM
OS PADROEIROS, UMA LUZ
DA SIMPLICIDADE NASCE O CONJUNTO CARNAVALESCO OSWALDO CRUZ

E NO SAMBA CHEGUEI, FIZ O POVO CANTAR
EU JÁ VI VOCÊ SE ARREPIAR
O VERDADEIRO AMOR NINGUÉM CONSEGUE EXPLICAR
É PRA ETERNIZAR…

CLAREIA, Ô CLAREIA, EM CADA ESTRELA UMA HISTÓRIA PRA CONTAR
VAI MEU PAVILHÃO, BAILANDO PELAS NUVENS DA IMENSIDÃO
NO AZUL DO INFINITO, EU SOU O MESMO PROFESSOR
NO VERSO DO CANTADOR
DOCE SENTIMENTO QUE AFAGA O CORAÇÃO
MINHA VELHA GUARDA, POESIA … INSPIRAÇÃO…
O TEMPO PODE ATÉ PARAR, MAS VOU ESTAR CONTIGO A QUALQUER HORA
TE AMO… NOS ACORDES DA VIOLA… NUMA ESTRADA DESSA VIDA…
MINHA PORTELA QUERIDA

ME LEVA, ME LEVA… NAS ASAS DA ÁGUIA GUERREIRA
CEM ANOS DE GLÓRIA, QUE FEZ FLORESCER MADUREIRA
SONHANDO, CANTANDO… PORTELA VOCÊ ENSINOU
HOJE O SAMBA COMEMORA, SÓ QUER O SEU AMOR

Portela 2023: samba da parceria de Júnior Falcão

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Compositores: Júnior Falcão, Brian Ramos, Arnaldo Junior, Carlos Souza, Alessandra Dias, Fabíola Bach
Intérprete: Ciganerey
Participação especial: Ciganerey

Nos braços da eternidade
Me abraço à saudade onde tudo começou
Bem perto de Madureira
Ergueu-se uma bandeira nos mais nobres corações
Gloriosos Carnavais
Centenária inspiração
Guiados pela flecha de Oxóssi
Okê Arô, São Sebastião

Pelas águas de Oxum tu foste abençoada
É a Águia altaneira sempre a mais esperada

O samba o mundo dominava
Alegria suburbana na cidade se espalhava
Testado em verso e prosa
Um enredo genial alegorias decoravam
De geração em geração
O bailar de Dodô era pura emoção
Com as bençãos dos sagrados imortais
Juntos pra cumprir essa missão

Sonhei que havia samba no infinito
Bem lá no alto o azul é mais bonito
Olha pro céu, vem recordar
Natal outra vitória comandar

Clareia a mente brilhante do compositor
Lendas, mistérios e a Lapa de outrora
A brisa me levou, ô, ô
Do mar da folia a novas histórias
O mestre te conduziu ao presente
Afinal quem ousa vence
Com a Velha Guarda, um passado de glória
Deixou seu nome na memória
Herdeiros de Paulo, Rufino e Caetano
Voando para os próximos 100 anos

Vem, Portela, pra Avenida
A razão da minha vida (laiá, laiá)
Arrepia o corpo, invade a alma
Faz o teu povo sambar

Portela 2023: samba da parceria de Mauro Diniz

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Compositores: Mauro Diniz, Muguinho, João Diniz, Igor Leal, Piriqui Neto e Francisco Aquino
Participação especial: Arlindinho Neto
Intérpretes: Wantuir, Nego, Tiganá e Edinho Gomes

Portela…
Voa bem alto minha águia altaneira
Sobrevoando Osvaldo Cruz e Madureira
Daqui de cima da pra ouvir o seu cantar
Querida Portela…
Nessa avenida colorida eu vejo um mar azul
De São Sebastião da Santa Conceiçao
Iluminado é o seu altar
Abençoando quem te vê passar
Poder contar o seu legado de vitórias
Da Lapa de hoje a Lapa de outrora
Arranco do peito um aplauso profundo
É o nosso samba dominando o mundo

No céu… A chama incandeia
Candeia a luz da inspiração
A porta-bandeira bailando no ar
Com seu pavilhão a rodopiar
No trovejar do som de um tambor
A Tabajara se criou
Se tem jogo feito… Deu águia
Se tem banca forte… Deu águia
São tantas e tantas estrelas a iluminar
Com todo respeito… Deu águia
E no santuário… Da águia
Se for falar da Portela
não vou terminar

Nossa escola inventou
Alegoria, samba enredo, fantasia
Gosto que me enrosco… No perfume da flor
Se a velha guarda chamar eu vou
Na arquibancada agitam-se as bandeiras
E quem nunca sentiu o corpo todo arrepiar
A lua no céu é cheia…clareia, clareia
Nossa missão está aí num relicário de glória
Com vinte duas conquistas na história
São quatro letras vindas do seu dicionário
Pra eternizar teu centenário

Amor… Amor… Amor… (Portela)
Da natureza nasce um rio de emoção
Amor, meu grande amor… (É ela)
O infinito azul do meu coração

Portela 2023: samba da parceria de Samir Trindade

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Compositores: Samir Trindade, Camarão Neto, Ramires, Gaúcho, J. Salles e Julio Alves
Part Especial: Rogério Carvalho
Intérprete: Tinga

Quando do infinito vejo seu manto
E desponta o espírito santo
Vestido de Águia pra emocionar
Sinto , a magia por dentro que me inebria
É o samba cumprindo sua profecia
Com meu povo a cantar
E vejo daqui o passado se unir ao presente
Surge uma força onipotente
Que chega a arrepiar
É o sonho, o mundo que eu criei
Ser majestade é destino
Continuar é missão
Voltei pro meu primeiro amor

Toca o agueré que a mãe de todas chegou

Vivo nesse mar de tradição
No altar , na devoção
Os meus Santos Orixás
Despertam com os anos de glória
Pra trazer sua vitória como em outros carnavais

Filhos, sei que não fui esquecido
É o centenário do azul mais bonito…

Hoje o Orum desceu
Chegou pra te defender
Com a Portela unida
Ninguém pode nos deter

Portela 2023: samba da parceria de Mariene de Castro

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Compositores: Mariene de Castro, Marcelo Lepiane, Devid Gonçalves, Lico Monteiro, Leandro Thomaz e Leandro Reis
Intérpretes: Mariene de Castro e Pitty de Menezes

Não sei se foi sonho meu, mas eu me pus a voar
Sob as estrelas do céu, sobre a espuma do mar
Fechei os olhos pra ver a poesia nascer aquarela
Um grande amor, meu grande amor era a Portela
Ainda está lá o meu coração
Deixei os meus sonhos na mesma estação
O tempo corteja seu manto real
Teu segredo em ser imortal

ORAYÊYÊÔ, YALODÉ É CONCEIÇÃO
REINA A FLECHA DE ODÉ QUE ASSENTOU SEBASTIÃO

Peguei um pouco de cetim, pintei de azul celestial
Assim aprendi a fazer carnaval
Quando esse pouco de cetim beijou o vento
Era a poesia em nascimento

Não sei se foi maravilha do mar ou um conto de areia
Ouvi clarear meu poema no cantar de uma sereia

Madureira, iaiá, a Bahia chamou
Tem reza de bamba pro santo do samba, o meu protetor

Portela, tua águia redentora
Na oitava das pastoras mais parece procissão
Passa este rio mas não passa meu amor
Cantarei de onde for aos filhos portelenses que virão

MEU TOQUE DO TAMBOR É TROVOADA
ACIMA DESSE MANTO NÃO EXISTE NADA
ESTÁ NO AZUL DO CÉU, ESTÁ NO AZUL DO MAR
PORTELA, O INFINITO É O TEU LUGAR

Portela 2023: samba da parceria de Claudio Russo

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Compositores: Claudio Russo, Franco Cava, Zé Luiz, Rute Labre, Elói Ferreira e Arlando Matheus
Participação especial: Victor do Chapéu

PORTELA
MESMO DEPOIS DE TANTOS ANOS
AINDA ME RENDO AOS SEUS ENCANTOS
EM LINDAS NOITES DE LUAR
PORTELA
LEMBRO RUFINO E CAETANO
A IMPONÊNCIA DO SEU MANTO
AZUL INFINITO A BRILHAR
GIRANDO NAS MÃOS DE DODÔ
E A VELHA GUARDA ELEGANTE A CANTAR
A RIMA DO COMPOSITOR
EM MACUNAÍMA, NO CIRCO E NO MAR
A LUTA DE QUEM NÃO TEM MEDO
A FORÇA DE CLARA BRINCANDO NA AREIA
NA CIFRA DO MEU SAMBA ENREDO
A LUZ DE CANDEIA

PEGA NA BARRA DA SAIA… IAIÁ
ENTRA NA RODA PRA DANÇAR CIRANDA
QUEM FEZ O CISNE DA PASSARELA GIRAR
FOI SEU NATAL QUE CHEGOU PRA VENCER DEMANDA

O MESMO CHEIRO DE MATO
DAQUELA TERRA MOLHADA
ONDE OXOSSI ASSENTOU SEU FUNDAMENTO
MÃE OXUM COM SEU ALENTO FEZ MORADA
SENHOR DE TODA LETRA E MELODIA
ME ENSINOU QUE A MONARQUIA
USA CHAPÉU PANAMÁ
PORTELA RIO QUE FICOU EM MINHA VIDA
NÃO POR ACASO SE TORNOU A PREFERIDA
E FEZ DE MIM UM DE SEUS GRANDES ORIXÁS
PORTELA ÉS MINHA ÁGUIA ALTANEIRA
SOU PAULO BENJAMIM DE OLIVEIRA
E TE AMAREI POR MAIS CEM CARNAVAIS

LÁIÁ LÁIÁ LÁIÁ LÁIÁ LAIÁ
ETERNO CELEIRO DE BAMBAS
LAIÁ LAIÁ LAIÁ LAIÁ LAIÁ
A MAJESTADE DO SAMBA

Sinopse do enredo da Mocidade para o Carnaval 2023

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Enredo: “TERRA DE MEU CÉU, ESTRELAS DE MEU CHÃO”

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Estas são as origens da Terra de meu Céu:

Deus, nosso Pai, foi o princípio. Firmou sua Criatura ao pó de argila. Soprou sobre Ela o fôlego da vida – a imagem e semelhança sublime do Criador. Plantou um jardim no Agreste e pôs ali os homens que tinha moldado. Fez brotar da terra vergéis repletos de mandacarus e xiquexiques – a força de Sua criação. Riscou no Barreto as primeiras margens do Rio Ipojuca, a fim de regar a vida das aves e dos animais do Campo. Pôs os astros no celeste firmamento, tomou o homem e o pôs para o lavrar e o guardar. Mas não foram as mãos de Deus; foram as de meu pai, Mestre de todos os discípulos deste vilarejo: Vitalino Pereira dos Santos do Alto do Moura – O Deus do Barro (Ref. Música, Petrúcio Amorim, Caruaru-PE).

Jericos galopam pela manhã repletos de saquinhos de massapés, a matéria-prima do nosso Senhor. Galhas de mamoeiros enfeitam as calçadas do povoado. O tauá descansa ao eterno, refém da inspiração divina. Fornalhas incessantes, tal qual o cardeá da luta matuta. Resiste o estuque, paredes guardam o âmbito majestoso do barro. Aporta a saudade e, nas capelinhas, o testemunho de Padim Ciço, à memória de Deus-Pai. Valei-me, pelo sempre! Peço-lhe que interceda por mais um dia de criação (Cenas revogadas pelo Livro Arte do barro e olhar da arte, por Pierre Verger – 1947).

Tabuinhas se preenchem da vida lá de fora. Sacadas narram a rota da roça. Imagine moldar a imagem da Criatura sem seu fiel escudeiro? Os boizinhos de tantas pelejas pelo sacolejar das loiçarias e alambiques, acompanhantes da luta destes meus irmãos. Irmãos que resistem à labuta de terras distantes e exalam o cheiro verde vindo dos canaviais – afã promovido pela branquinha, a companheira deste ofício. Feiras são salpicadas pelo colorido das frutas agrestinas. Animais fazem algazarra nas cestarias das quitandeiras. Milharais congregam pela quebra. Mãos afagam o algodão. Casas farinham um aferrado trabalho matriarcal. Prados de girassóis se voltam às cenas deste meu Alto – visões que inspiram gredas e amenizam o suor da lida.

Histórias modeladas no escapismo e cerimoniadas pelo Bispo Mané-Pãozeiro. Caçadores viram peões na busca por gatos-maracajás; lançam tarrafas aos doces riachos. Águas de reis e rainhas do Cangaço – seres híbridos mimetizados pela lenda das sereias. Cavalgam caracóis enamorados pelos rochedos que os margeiam. Torres observam o universo mítico de asnos armoriais. Monstros gráficos não espantam a sorte dos arvoredos. Quimeras lendárias reinventam a arte; peças configuram a vida como um grande jogo de xadrez no meio do meu Sertão.

Portinhas dos casarios são pertencidas à imagem dos três santos juninos. Santidades cúmplices do ciclo da vida apadrinham as fases vividas pelo sertanejo. Nascimentos guiados pela estrela-guia e amparados por presépios encantados. Procissões erguem santinhas vestidas de chitas que abençoam, com juras de amor, o atravessar da cidade. Preces de novenas espantam a agrura de toda tentação do deserto. Altares protegidos por faces angelicais das divindades. Mãos recriam imagens protetoras do barro-sacro de cada dia.

Brincantes figuram o Auto deste meu Mundaréu: cânticos entoados pelo repente dos Bacamarteiros; destino mambembe riscado pelas espadas dos Capitães do Reisado; flechas de caboclos erguem-se aos Jaraguás do Cavalo-Marinho; realeza segue ao passo dos Vassalos do Maracatu-Rural; Bandinhas de Pífanos bumbam fitas e flores para um Boi-Teimoso; Papangus reverenciam nossos astros; Mazurcas giram saias rodadas, como os sonhos que embalam um carrossel em verde e branco.

E em tudo que sonhar, olhe para o Alto!¹
Estas são as origens das Estrelas de meu Chão.

Severino Pereira dos Santos Vitalino, discípulo do Deus do Barro.
P.S.: Este é o inventário do país que queremos ser – surgido de uma prosa particular em um dia com o filho do Deus Vitalino. E de outros proseares com os discípulos dos Mestres Zé Caboclo, Manuel Eudócio, Manoel Galdino e Luiz Antônio. Legado figurado das grandes estrelas do Alto do Moura e que servem de sublime inspiração aos repentistas de Padre Miguel!

Autoria, Enredo, Pesquisa e Texto: Marcus Ferreira, Carnavalesco. Agosto de 2022.

Agradecimentos Especiais: Ângela Mascelani e Lucas Van de Beuque
Curadoria Museu Casa do Pontal. Emanuella Vitalino e família. Serginho Brayner – a enciclopédia Caruaruense. Mestra Therezinha Gonzaga – Cidadã Patrimônio Vivo de Caruaru.
Revisão Textual: Henrique Pessoa.
Nota: ¹Frase da Mestra das Estrelas, Therezinha Gonzaga.
Vocabulário Matuto do Agreste:
Agrestina – Que vem do Agreste Pernambucano;
Barreto – Lugar de barro abundante;
Bacamarteiros – Grupo folclórico de repentistas;
Boi-Teimoso – Mesmo que boi-bumbá; Tira-Teima;
Cardeá – Queima nas fornalhas;
Galhas – Ramalhetes dos arvoredos;
Jericos – Mulinhas, jegues, cavalinhos de vida simples;
Jaraguás – Brincantes dos folguedos do Cavalo-Marinho;
Loiçarias – Utilitários domésticos de barro;
Mané-Pãozeiro – Figura popular do Alto do Moura – principal personagem da
obra de Mestre Galdino;
Marmeleiro – Ou Marmeleiro-do-Mato, árvore do Agreste utilizada para a
queima nas fornalhas;
Prados – Ou Campos;
Tauá – Tom alaranjado da cerâmica;
Tabuinhas – Prateleira de madeira que apoia a arte figurativa para apreciação;
Vergéis – Mesmo que pomares.

Ouça o samba-enredo da Portela na versão oficial para o Carnaval 2023

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Compositores: Wanderley Monteiro, Vinicius Ferreira, Rafael Gigante, Edmar Jr, Bira e Marcelāo
Intérprete: Gilsinho

Prazer novamente encontrar vocês
Ali pelas bandas de Oswaldo Cruz
Nosso mundo azul ganha vez
E aquela missão nos conduz
Eu, Rufino e Caetano
No linho, no pano, pescoço ocupado…
Vencemos mesmo marginalizados
No bailar, uma porta bandeira
A nobreza desfila humildade…
Natal nos guiou, deu Águia!
A Majestade…

“Abre a roda”, “malandro, que o samba chegou”
Andei na “Lapa”, também já “subi o Pelô”
“Macunaíma” falou: nas “maravilhas do mar”
‘A brisa me levou”
Eis um “Brasil de glórias” que incandeia
A “vaidade” é um “conto de areia”
Eu vim me apresentar:
“Deixa a Portela passar!”

“Lendas e mistérios” de um amor
Casa onde mora a profecia
Clara como a luz de um esplendor
Cem anos da mais bela poesia
Vivam esse sonho genuíno
De fazer valer nosso legado
Vejo um futuro mais lindo
Nas mãos de quem sabe o valor do passado
Ser Portela é tanto mais
Que nem cabe explicação
Basta ouvir os Baluartes
Pra chorar de emoção

Cavaco e viola… A velha linhagem
A benção Monarco pra essa homenagem
O céu de Madureira é mais bonito
Te amo, Portela, além do infinito!

Jorge Silveira sobre retorno para São Clemente: ‘É uma máquina que eu sei fazer funcionar’

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De volta ao Rio de Janeiro após um tempo apenas fazendo carnaval em São Paulo, período estendido pela pandemia, Jorge Silveira retorna ao cenário carioca da folia e especialmente à escola em que recebeu grandes elogios pelo trabalho produzido em três anos de São Clemente. Se as colocações não refletiam a qualidade do trabalho, o melhor foi o décimo lugar de ” O conto do vigário”, em 2020, Jorge produzirá o desfile da escola, agora em um novo momento em que agremiação está no Grupo de Acesso depois de mais de 10 anos seguidos de Especial.

jorge silveira
Foto: Lucas Santos/Site CARNAVALESCO

“É um momento novo, a São Clemente em uma nova condição, agora no Grupo de Acesso, é uma outra realidade. Mas é a boa e velha São Clemente de sempre. Eu tenho dito que é um brinquedo que eu já brinquei, é uma máquina que eu sei fazer funcionar. Eu me sinto em casa literalmente, foram três anos trabalhando na escola, conheço todos os funcionários e toda a equipe. Foi uma conversa muito boa com o Renato (presidente) para que a gente pudesse acertar os ponteiros e determinar o projeto para 2023. É uma escola que eu já operei, e já tive a experiência de trabalhar no Grupo de Acesso, já estive no Grupo de Acesso e já fiz a São Clemente, então é uma realidade que misturando essas duas coisas eu já estou acostumado. O objetivo é trazer a escola de volta para a sua identidade, um carnaval engraçado, satírico, irreverente, divertido, mas com o compromisso da competição para que a gente possa buscar esse lugar no Grupo Especial de volta”, explica o carnavalesco.

E para Jorge Silveira, o que não pode faltar nos desfiles da São Clemente é a irreverência característica da escola. O carnavalesco quer resgatar essa qualidade ainda de uma forma mais carioca.

“Eu gosto muito de fazer o trabalho servindo a característica do pavilhão, e essa é a característica da São Clemente. Acho que toda vez que ela tenta fugir disso, ela não se dá bem. Ela tem que entender que o lugar dela é esse. Se o carnaval do Rio de Janeiro fosse um jornal, a São Clemente seria aquela charge que vem na capa, fazendo a crítica das coisas. Eu entendi isso desde sempre e procuro sempre direcionar para isso. Podem esperar um carnaval leve, divertido, mas crítico, irreverente, com um toque de humor muito forte e sobretudo, acho que de todos os carnavais que eu já trabalhei na São Clemente, esse será com certeza o mais carioca de todos, com um traço muito forte de Rio de Janeiro na linguagem”.

O enredo “O achamento do velho mundo” pretende trazer a visão do descobrimento do Brasil sobre uma ótica invertida, através do olhar dos povos nativos do país que a partir da narrativa de Jorge seriam os descobridores. O carnavalesco explica um pouco de onde partiu a ideia para a história ser levada para a Avenida.

“Eu tinha uma ideia embrionária disso no carnaval virtual anos atrás e agora, eu adaptei, tornei ele maior para o padrão do carnaval da São Clemente. E trouxe ele para a praia de Botafogo. O nosso carnaval começa partindo da praia de Botafogo, então tudo isso é pensado para ter uma linguagem carioca, para a linguagem da São Clemente. Logo que eu apresentei o tema ao Renato, ele gostou da ideia. Praia é uma coisa que tem a ver com a história da escola. Futebol de areia, futebol de praia, então a gente parte daí para poder brincar o nosso carnaval”, aposta Jorge Silveira.

Trabalho com planejamento

Agora na Mocidade Alegre também, Jorge explica como consegue se desdobrar para produzir o carnaval do Rio e o de São Paulo ao mesmo tempo.

“É tranquilo, o carnaval é planejamento e equipe. A gente trabalhando com equipe e tudo organizado com antecedência, é tranquilo de fazer. Eu tenho uma boa recordação da última vez que eu dividi carnaval. Em 2017 eu fui vice campeão no Rio e em São Paulo. Eu gosto dessa brincadeira de dividir, não vejo problema, as duas escolas entendem e respeitam esse processo de trabalho, estou feliz”, finaliza Jorge.

Com o enredo ” O achamento do Velho Mundo”, a São Clemente vai encerrar a primeira noite de desfiles da Série Ouro em 2023.