Faltando pouco para os desfiles das escolas de samba, a Acadêmicos de Niterói vem revelando algumas surpresas para sua estreia no Grupo Especial. A estreante na elite carioca contará com a atriz Juliana Baroni representando a ex-primeira-dama Marisa Letícia na Marquês de Sapucaí. No desfile, que homenageia o presidente Lula, a atriz reviverá a personagem que interpretou no cinema em 2009.
No filme “Lula, o Filho do Brasil”, lançado em 2009, Juliana viveu Marisa Letícia e, agora, a convite da diretoria da escola, estará novamente na avenida no dia 15 de fevereiro. A atriz ocupará uma posição que promete ser um dos pontos altos do desfile, com grande impacto para o público.
“Comecei a estudar a vida dela naquela época e me comovi com as passagens marcantes de sua biografia. Reviver isso agora, na avenida, será mais do que especial. Desde que recebi o convite, fiquei lisonjeada, e podem aguardar fortes emoções”, revela Juliana.
Com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o filho do Brasil”, desenvolvido pelo carnavalesco Tiago Martins, a Acadêmicos de Niterói abrirá os desfiles do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí.
O MetrôRio preparou um esquema especial para atender aos clientes que vão assistir ou participar dos ensaios técnicos das escolas de samba na Sapucaí que começam no próximo fim de semana. Para facilitar o retorno do público que vai embarcar no sistema, a concessionária estenderá o horário de embarque de passageiros nas estações Praça Onze e Central do Brasil/Centro. As demais estações do sistema funcionarão normalmente, e ficarão abertas, após o horário, apenas para desembarque e dispersão dos passageiros.
Nas sextas-feiras (23 e 30/01 e 6/02), as estações Praça Onze e Central do Brasil/Centro funcionarão para embarque até as 4h. Nos sábados (24 e 31/01 e 7/02) e nos domingos (25/01 e 1 e 8/02), a extensão de horário de embarque será realizada até as 2h30.
Haverá reforço do efetivo de segurança e de operadores de estação em todo o período, principalmente nas estações próximas ao Sambódromo, que contarão com a extensão de horário. As demais estações funcionarão normalmente, das 5h à meia-noite, às sextas e sábados, e das 7h às 23h, aos domingos, ficando abertas após o horário apenas para desembarque.
Transferências entre as linhas 1 e 2
Às sextas-feiras (23 e 30/01 e 6/02), a Linha 2 vai operar de Pavuna a Botafogo, e a transferência entre as linhas 1 e 2 poderá ser feita no trecho compartilhado entre as estações Central do Brasil/Centro e Botafogo.
Já aos sábados (24 e 31/01 e 7/02) e domingos (25/01 e 1 e 8/02), a circulação da Linha 2 acontece no trecho entre Pavuna e General Osório/Ipanema, e a transferência entre as linhas 1 e 2 poderá ser feita no trecho entre as estações Central do Brasil/Centro e General Osório/Ipanema.
Estações preferenciais para desembarque
O metrô é a melhor opção para quem vai assistir ou participar dos ensaios na Sapucaí. Quem for para os setores do lado ímpar da Sapucaí ou for ensaiar nas escolas que se concentram perto do edifício “Balança Mas Não Cai” deve desembarcar na estação Central do Brasil/Centro.
Já a estação Praça Onze é a mais próxima para os clientes que vão aos setores pares ou que irão desfilar nas escolas que se concentram ao lado do edifício dos Correios.
A concessionária orienta ainda que os clientes utilizem métodos de pagamento por aproximação ou comprem e recarreguem seus cartões com antecedência para evitar filas. Outra dica importante é usar o aplicativo do MetrôRio, disponível para Android e iOS, para planejar os trajetos e acompanhar, em tempo real, a operação do sistema metroviário. Os clientes podem consultar a ferramenta “Planeje sua viagem” no site da concessionária.
SERVIÇO
Horários de funcionamento do metrô para os ensaios técnicos na Sapucaí
Metrô – Linhas 1, 2 e 4
Sextas-feiras (23 e 30/01 e 6/02): das 5h à meia-noite, com extensão de horário de embarque nas estações Praça Onze e Central do Brasil/Centro até 4h
Sábados (24 e 31/01 e 7/02): das 5h à meia-noite, com extensão de horário de embarque nas estações Praça Onze e Central do Brasil/Centro até 2h30
Domingo (25/01 e 1 e 8/02): das 7 às 23h, com extensão de horário de embarque nas estações Praça Onze e Central do Brasil/Centro até 2h30
Transferência entre as linhas 1 e 2
Sextas-feiras (23 e 30/01 e 6/02): no trecho compartilhado entre Central do Brasil/Centro e Botafogo
Sábados (24 e 31/01 e 7/02) e domingos (25/01 e 1 e 8/02): no trecho entre as estações Central do Brasil/Centro e General Osório/Ipanema
A praia de Copacabana foi palco de um momento histórico para o carnaval carioca no feriado de São Sebastião. Na Fan Fest, evento promovido pela Rio Carnaval, 1.243 ritmistas se reuniram para formar a Maior Bateria do Mundo, marca que entrou oficialmente para o Guinness World Records. A superbateria foi composta por cerca de 105 ritmistas de cada uma das 12 escolas de samba do Grupo Especial, sob o comando coletivo de seus respectivos mestres de bateria. Mais do que um espetáculo sonoro, o feito simbolizou o reconhecimento internacional do trabalho dos ritmistas, considerados o coração das escolas de samba. A apresentação ainda contou com os shows de Belo e de Neguinho da Beija-Flor.
Fotos: Carolina Freitas e Juliana Henrik/CARNAVALESCO
O presidente da Liesa, Gabriel David, explicou que o projeto nasceu de um planejamento antigo e ganhou força no início deste ano, viabilizado por parcerias estratégicas.
“Essa ideia surgiu desde quando a gente começou com a história da Fan Fest. Já estudávamos o evento há alguns anos. Quando virou o ano, o João Mourinho, diretor Institucional da Liga, chegou e falou: ‘cara, é o ano de a gente fazer’. Já temos aderência comercial suficiente para poder realizar esse momento”, afirmou. Segundo ele, a iniciativa foi construída a várias mãos.
“A gente se juntou com o Abel Gomes. Ele, é preciso reforçar sempre, é um dos maiores gênios da história do entretenimento brasileiro. E quando você junta muitas pessoas boas, apaixonadas pelo que fazem, apaixonadas pelas escolas de samba, surgem boas ideias”.
A partir disso, nasceu a proposta de quebrar um recorde mundial: “Em uma mesa, surgiu: vamos fazer uma grande bateria. O Abel já tinha feito um encontro de baterias lá atrás. Aí pensamos: vamos fazer a maior bateria. Qual é a maior bateria que tem no Guinness? Vamos fazer uma maior ainda e chamar o Guinness. E estamos aqui por causa disso”.
Apesar de tudo, para Gabriel David, o maior valor do feito vai além do livro de recordes. “Eu fico feliz não pelo reconhecimento do Guinness, mas pelo reconhecimento das artes carnavalescas. Na posição em que eu estou, com toda a responsabilidade que o cargo traz, o maior prêmio é ver os artistas sendo reconhecidos. A Liga existe para defender os interesses deles e lutar pela representatividade”.
O líder ainda destacou o impacto simbólico do recorde para todo o país. “Hoje, não são só esses 1.243 ritmistas que estavam aqui que são reconhecidos, são todos os ritmistas das escolas de samba espalhadas pelo país. Eles se sentem importantes, porque, se a gente tem um grande momento turístico no nosso país graças ao carnaval, isso é graças a todas as artes carnavalescas”.
Camila Borinsainz, adjudicadora oficial do Guinness World Records, falou sobre o recorde quebrado com um olhar analítico e, ao mesmo tempo, emocionado.
“A emoção era evidente em todos. Posicionei-me na entrada, acompanhando a validação, a distribuição e o controle das pulseiras. Ver todos caminhando em direção a um objetivo comum, com a participação de 12 escolas e mestres, e 1.243 pessoas tocando simultaneamente, foi realmente grandioso. Inicialmente, imaginei que o número fosse inferior a 1.200, mas, para nossa surpresa, foram 1.243. Todas as pulseiras foram utilizadas. O acesso era restrito, com um espaço delimitado. Na entrada, distribuímos as pulseiras, uma por pessoa, e contabilizamos apenas aqueles que portavam seus instrumentos, pois este é um recorde de instrumentos de percussão brasileiros. A contagem foi feita à medida que as pessoas passavam com seus instrumentos. Acredito que seja muito especial, pois proporciona uma visibilidade autêntica do que é o carnaval”.
Entre os mestres de bateria, a emoção foi unânime. Mestre Vitinho, da Portela, resumiu o sentimento coletivo. “Cara, é incrível. É uma experiência que fica marcada na minha vida. Dia 20 de janeiro, dia de São Sebastião. Estar ao lado de grandes amigos, músicos, percussionistas, ritmistas, mestres de bateria, todos fazendo o ritmo em prol do mesmo ideal é algo muito especial.” Sobre o Guinness, ele resumiu em uma palavra: orgulho. “Orgulho da história das baterias, da história de todos os mestres. Foi muito bacana ver o ritmo de tantas baterias unidas, juntas, fazendo o som da maior bateria do mundo”.
Para mestre Casagrande, da Unidos da Tijuca, o momento foi de celebração cultural. “Eu acho que o mais importante hoje foi a celebração da nossa cultura. Imagina 1.200 ritmistas mostrando para o mundo a importância da cultura do carnaval carioca. O presidente Gabriel David e todo o pessoal do Rio Carnaval acertaram em cheio. Fomos de alma lavada, deu tudo certo, com os mestres todos juntos”.
O sentimento de pertencimento também foi exaltado por Fred Almeida, engenheiro, de 53 anos, ritmista há décadas, que vai desfilar na sua escola do coração, a Estácio de Sá, na Unidos de Niterói e no Jacarezinho. “Isso aqui parece uma festa de família, porque a gente toca em diferentes escolas e acaba se encontrando pouco. No fundo, essa superbateria é uma grande família, a família carioca do xrnaval. É uma brincadeira gostosa. Carnaval é isso: brincar e tocar com os amigos. Parece que a gente está em casa”.
Mestre Fafá, da Grande Rio, destacou o clima de confraternização e o impacto geracional. “Foi uma experiência incrível, muito legal. A gente teve um dia de confraternização, pôde até tirar o estresse do dia a dia dessa correria de carnaval. Eu acho que isso é importante não só para mim, que sou de uma geração mais nova, mas para todo mundo, para muitos adolescentes e jovens que estavam aqui poderem vivenciar isso”.
Essa percepção ganhou vida no depoimento de Bryan Rodrigues, de 13 anos, morador de Copacabana e ritmista de tamborim da Acadêmicos de Niterói. “A emoção é uma coisa que não dá para explicar. É muito bom. É uma felicidade que faz a gente ficar alegre, querer pular, querer sambar o tempo todo. Na hora, pensei: ‘caraca, eu estou vivendo um momento histórico, um momento que vai para o mundo’. Foi a melhor experiência da minha vida”.
Outra jovem que também pôde descrever o sentimento foi Maria Eduarda, de 21 anos, moradora de Bangu, estudante, motoboy e bombeira civil, ritmista da Mocidade e tocadora de repique. “Foi incrível, uma experiência única. A gente se preparou bastante para estar aqui. Sou Mocidade desde berço. Prometi para mim mesma que a única bateria que eu tocaria seria a da Mocidade, na qual já estou há três anos. É ótimo saber que agora estamos no Guinness. Vamos para cima”.
Mestre Macaco Branco, da Vila Isabel, destacou o simbolismo do feito. “Foi muito gratificante poder estar, como mestre da minha escola, vivendo esse momento tão marcante para o nosso carnaval carioca”.
Mestre Marcão, do Tuiuti, celebrou a união. “Ver as 12 escolas formando uma bateria de 1.200 ritmistas é muito legal. Isso pode ficar para a história. Ver as 12 escolas, cada uma com 105 ritmistas, formando uma bateria de 1.200 ritmistas é muito legal. Isso pode ficar para a história. Ano que vem pode ter 1.300, 1.400, 1.500. Este ano já deu certo”.
Mestre Branco Ribeiro, da Acadêmicos de Niterói, celebrou a sua estreia em grande estilo. “Um momento histórico como esse, eu, como estreante, poder já estrear e, de algum modo, sem ter desfilado ainda, já entrar para a história do Carnaval fazendo parte desse evento”.
Mestre Dudu, da Mocidade, foi sincero ao falar sobre o desafio técnico que foi enfrentado. “Eu achei que fosse dar errado, porque já participei de diversos workshops em outros estados e, no máximo, o que eu fiz foi com 450 ritmistas. Com mais de 1.200, achei que a gente não fosse dar conta. Mas a gente está acostumado com isso, são muitos anos de Carnaval, e foi muito bacana. Nossos filhos, netos e bisnetos vão poder falar disso e saber que nossa história está registrada no Guinness”.
Mestre Lolo, da Imperatriz, reforçou a dificuldade logística. “Foi muito grande o desafio, porque 1.200 pessoas, para você manter tudo sem embolar a bateria, é difícil. Mas rolou legal, rolou legal. É gratificante para a gente, pois somos o primeiro quesito a chegar na avenida e o último a sair”.
Alex Franklin, 49 anos, morador de Bangu, ritmista há 37 anos na Mocidade, escola pela qual desfila atualmente, e com passagem de dez anos pela Grande Rio, valorizou todo esse esforço dos comandantes do espetáculo. “Mesmo a gente estando há tanto tempo na avenida, quando aparece uma coisa diferente assim, a expectativa é nova, mas a emoção é a mesma de entrar para desfilar. Não é fácil comandar mais de 1.200 ritmistas. A gente se coloca no lugar dos mestres. Eles são feras, foi maravilhoso”.
Pelo Salgueiro, os mestres Guilherme e Gustavo falaram sobre união e celebração. “É um dia para celebrar o encontro com todas as baterias, faltando menos de um mês para o carnaval. Sabemos que estamos fazendo história, por isso estamos aqui curtindo e celebrando”, disse Guilherme. “Mostrar para o grande público o quanto as escolas de samba são unidas é muito importante. É um momento muito histórico e muito importante. Fazemos parte disso”, completou Gustavo.
Mestre Taranta Neto, da Mangueira, destacou a convivência entre os segmentos. “O que vale é essa interação: ver todo mundo curtindo, brincando, zoando, fazendo música. E, na hora do trabalho, todo mundo com seriedade. Agora a gente também está no Guinness. É uma honra para todos nós”.
Representando a Beija-Flor, mestre Rodney celebrou a conquista coletiva. “Não é fácil ter uma bateria e lidar com o quantitativo de ritmistas, a distância, o retorno, o delay. Mas estou muito feliz em participar disso tudo. Quando eu receber a placa do recorde, vou deixar com os ritmistas. Vai ficar eternizado lá. Não tem jeito, ninguém tira da gente”.
Mestre Plínio, também da Beija-Flor, reforçou o reconhecimento ao ritmista. “Não tem coisa mais importante na vida do ritmista do que participar desse programa que a Liga fez”.
Criada na Mocidade e moradora de Padre Miguel, Liliane Carvalho, de 50 anos, que toca chocalho e já desfilou por diversas escolas, destacou a valorização do samba. “É dar um novo patamar. Gosto de ver o carnaval do Rio patrocinando e valorizando as escolas. Foi um momento emocionante participar disso, por causa de tantos anos desfilando em várias escolas de samba. Todas têm o meu respeito, sejam grandes ou pequenas, de todos os grupos. Todas têm o DNA do carnaval”.
Desse jeito, a Maior Bateria do Mundo entrou para o Guinness não apenas como um recorde numérico, mas como um marco de união, reconhecimento e celebração do maior espetáculo da Terra.
A Comlurb vem realizando podas preventivas para desobstruir o caminho para os carros alegóricos das escolas de samba que se apresentarão na Marquês de Sapucaí. O trajeto começa na Cidade do Samba, na Gamboa, e vai até o Sambódromo. O objetivo do serviço é proteger as árvores e os carros alegóricos das escolas de samba de eventuais acidentes, devido às manobras com veículos de grandes dimensões.
Os serviços iniciaram e vão até que todo o percurso tenha sido completado. Até quinta-feira, dia 15 de janeiro, foram realizados 1.287 manejos, incluindo retirada de ramos secos e pendentes e podas. A maior parte do serviço é realizada durante a madrugada, para não causar nenhum transtorno no trânsito ou atrapalhar a dinâmica da cidade.
Estão no roteiro dos serviços, vias como: Avenida Presidente Vargas, Rua Benedito Hipólito, Rua Frei Caneca, Rua Haddock Lobo, Avenida Venezuela, Rua Arlindo Rodrigues e Rua Rivadavia Correa. A Companhia está utilizando motopodas, motosserras e caminhões com cesto aéreo e para remoção de galhadas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avisou a ministros e aliados do PT que pretende comparecer à Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, no domingo de Carnaval, dia 15 de fevereiro. A informação foi divulgada pelo site Metrópoles, na coluna da jornalista Milena Teixeira.
De acordo com a apuração da coluna, o chefe do Palácio do Planalto quer acompanhar de perto o desfile da Acadêmicos de Niterói, escola que levará para a avenida um enredo em sua homenagem. A expectativa é de que ministros do governo federal também estejam presentes no Sambódromo na mesma data.
Ainda segundo o Metrópoles, Lula já havia recebido, em agosto do ano passado, uma camisa da Acadêmicos de Niterói. A entrega ocorreu durante o 17º Encontro Nacional do Partido dos Trabalhadores, realizado em Brasília, e foi feita pelo presidente de honra da escola, Anderson Pipico.
Após a reconstrução administrativa e trabalhando no fortalecimento artístico, a presidente da Mangueira, Guanayra Firmino, conversou com o CARNAVALESCO e fez um balanço de sua gestão, detalha os avanços financeiros da escola, comenta as escolhas para o Carnaval 2026 e projeta o futuro da Verde e Rosa rumo ao centenário, reforçando o compromisso com a comunidade, a identidade mangueirense e a busca pelo título na Sapucaí.
Como você avalia sua “nova” gestão até aqui e quais foram os fatos mais marcantes desse período?
“Avalio como um período de reconstrução e coragem. O fato mais marcante é ver a Mangueira profissionalizada sem perder a sua essência. Ver a quadra reformada, nossa marca reposicionada e a escola quitando carnavais antes mesmo de entrar na Avenida são marcos de uma gestão que respeita o componente e o fornecedor”.
As mudanças que você implementou para o Carnaval 2026 estão dando o resultado esperado? Acha que acertou nas suas escolhas?
“Essas mudanças são frutos de amadurecimentos necessários. A chegada do Dowglas e as mudanças na Comissão de Harmonia trouxeram o rigor técnico que o carnaval moderno exige. Os resultados também estão no barracão e na coesão da equipe. Acredito que acertei ao apostar novamente nas “pratas da casa”, os crias, e ao manter o Sidney França, que entendeu perfeitamente o DNA mangueirense. Minha estratégia foi unir o sangue novo à experiência”.
Você assumiu a presidência após uma gestão que enfrentou a pandemia. Como estão as contas da escola hoje?
“Hoje a Mangueira respira. Temos contas em dia, salários pagos rigorosamente e, pela primeira vez em muito tempo, conseguimos o Certificado de Equivalência Internacional (NGO Source), que nos permite captar recursos até fora do Brasil. Isso é transparência real, não apenas discurso”.
Ainda existem dívidas herdadas? Qual é o planejamento para encerrar pendências que se arrastam por diversas gestões?
“Trabalhamos incansavelmente na quitação de dívidas trabalhistas, na diminuição dos processos e na regularização fiscal. Conseguimos terminar na minha gestão com o maior passivo da história da escola, uma dívida de mais R$ 8,5milhões, da época que a escola de samba respondia pelas obrigações da Vila Olímpica, que poderia ter quebrado a Mangueira. O planejamento agora é o “triênio do centenário”: usar a força da nossa marca para atrair patrocínios via leis de incentivo e parcerias comerciais, como as muitas que já estamos fazendo, para zerar o passivo histórico e chegar em 2028 com saúde financeira total”.
Como está o barracão da Mangueira hoje e o que a comunidade pode esperar de alegorias e fantasias?
“O barracão está pulsando e muito avançado. Como prometi, não faltaram recursos para o projeto de carnaval deste ano. O mangueirense verá uma escola luxuosa e imponente. Investimos pesado em materiais e logística para que o Sidney França possa entregar o projeto de mostrar ao Brasil a história de mestre Sacaca em sua totalidade. As fantasias estão ricas em simbologia da Amazônia Negra; garanto que nossa comunidade virá trajada à altura da sua história”.
Como você avalia o trabalho do carnavalesco Sidnei França até aqui?
“O Sidney foi a melhor coisa que me aconteceu recentemente. Ele é um carnavalesco multicampeão que mergulhou na trajetória do mestre Sacaca com profundo respeito. Ele traz a grandiosidade visual que a Mangueira precisa para disputar o título”.
Sobre o intercâmbio cultural com o Amapá: você acredita que essa parceria deixou a escola ainda mais competitiva?
“Sem dúvida. Esse intercâmbio trouxe frescor ao enredo e uma energia nova. A disputa de samba no Amapá mostrou que a Mangueira é do Brasil. Temos um hino potente que nasceu dessa sinergia e que vai empurrar a escola na Sapucaí”.
Você é conhecida por realizar mais do que por falar. Como lida com as críticas e o quanto elas afetam o seu trabalho?
“Ser mulher, preta e cria do morro no comando da maior instituição cultural do país atrai holofotes e, consequentemente, haters. Mas nunca tive medo de desafios e de trabalho. É preciso separar as críticas de quem quer o bem da Mangueira das de quem só quer atacar, aparecer ou reclamar. No primeiro caso, vale escutar. No segundo, muitas vezes as pessoas se escondem atrás de perfis falsos ou fake news. Para essas, a minha resposta será mais trabalho e, eventualmente, a Justiça ou a polícia, se necessário. Meu foco é o resultado: a Mangueira linda na avenida, manutenção constante da quadra, contas pagas, salários em dia e comunidade amparada”.
A questão social sempre esteve no centro da sua gestão. Por que manter dessa forma?
“Porque a Mangueira é, antes de tudo, sua gente, sua comunidade. O carnaval acaba na quarta-feira, mas a vida do mangueirense continua, e a escola precisa ser o suporte o ano inteiro. Sempre estive envolvida em movimentos populares, e a comunidade mantém uma conexão muito forte comigo. Não teria como ser diferente”.
Explique, para quem é de fora, quem é o “cria” e quem é o “criado” na Mangueira.
“O cria é aquele que nasceu e cresceu respirando o morro, que tem o DNA da Mangueira no umbigo, como nossos diretores de bateria e musical vindos da Mangueira do Amanhã. O criado é aquele que escolheu a Mangueira, chegou, respeitou o pavilhão, fincou raízes e hoje faz parte da família. Na minha gestão, ambos têm voz, mas o protagonismo do cria é uma estratégia de valorização da nossa identidade”.
O que é o projeto do “triênio do centenário” e o que já pode ser revelado sobre 2028?
“É o nosso plano estratégico para chegar aos 100 anos como a maior e mais organizada escola do planeta. Inclui a reestruturação da quadra e a consolidação de um modelo de gestão que não dependa de humores políticos, mas de projetos sólidos. 2028 será o ápice de um trabalho que começou agora”.
Para encerrar, qual é a sua mensagem para a nação mangueirense?
“Estejam prontos. Estamos unidos, com as contas em dia e o coração transbordando ancestralidade. O enredo sobre o mestre Sacaca é sobre nós: resistência e sabedoria. Vista o seu verde e rosa, porque a Estação Primeira vem com a força da floresta e a garra do morro para lutar pelo título. A Mangueira vem gigante”.
As escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro terão uma série de obrigações rigorosas a cumprir no Carnaval 2026, conforme estabelece o Artigo 26 do Regulamento dos Desfiles, divulgado pela Liesa. As normas tratam de composição mínima de alas, limites técnicos do desfile, proibições estéticas e comerciais e penalidades que podem impactar diretamente a pontuação ou até gerar multas milionárias. Entre os pontos centrais estão exigências tradicionais do espetáculo, como o número mínimo de ritmistas e baianas, além de regras detalhadas sobre alegorias, comissão de frente e uso de camisetas no desfile.
Cada escola deverá desfilar com no mínimo 200 ritmistas, todos agrupados na bateria, e 60 baianas, também obrigatoriamente agrupadas. O regulamento reforça ainda a proibição da presença de homens na Ala das Baianas, com exceção apenas para diretores que não estejam trajando a fantasia da ala.
Outra regra mantida é a proibição do uso de animais vivos, de qualquer espécie, inclusive para tração de carros alegóricos. Também fica vetada a apresentação de componentes com genitália à mostra, seja decorada ou pintada.
No quesito musical, a bateria segue restrita aos instrumentos tradicionais do samba: instrumentos de sopro ou efeitos sonoros similares estão proibidos, com exceção apenas dos apitos utilizados pelos diretores de bateria.
Alegorias, tripés e limites técnicos
O regulamento de 2026 determina que as escolas do Grupo Especial devem desfilar com no mínimo quatro e no máximo seis alegorias. É permitida a acoplagem de carros apenas em uma alegoria. Caso haja falha que provoque a separação e faça a escola ultrapassar o limite máximo, haverá penalização.
Além disso, cada agremiação poderá apresentar, de forma facultativa, até três elementos cenográficos (tripés), motorizados ou empurrados, com no máximo dois componentes sobre cada um, sem contar os elementos usados na comissão de frente.
Comissão de Frente e camisetas no desfile
A Comissão de Frente deverá ter entre 10 e 15 componentes, todos visíveis durante as apresentações em frente aos módulos de julgadores.
Já em relação ao uso de camisetas, o regulamento impõe limites claros: até 30 componentes, à frente do desfile, com camisetas da escola ou trajes da diretoria; até 100 componentes, apenas na parte final do desfile, com camisetas de apoio, amigos da escola ou similares.
O descumprimento dessa regra pode resultar em uma multa de R$ 250 mil.
Proibição de merchandising e uso de microfones
Um dos pontos mais sensíveis do regulamento segue sendo a proibição total de merchandising, implícito ou explícito, em enredos, alegorias, fantasias, alas, destaques ou no samba-enredo. As únicas exceções são: marcas nas vestimentas dos empurradores de alegorias; prospectos com letras do samba; marcas dos fabricantes nos instrumentos da bateria.
Também está rigorosamente proibido o uso de microfones para citações promocionais de patrocinadores ou falas com teor depreciativo ou que comprometam a seriedade do espetáculo durante o desfile.
Penalizações podem pesar no resultado
O regulamento prevê penalizações severas em caso de descumprimento. Infrações como número insuficiente de ritmistas, baianas, irregularidades na comissão de frente ou uso indevido de instrumentos podem gerar perda de 0,5 ponto por item infringido.
No caso das alegorias e tripés, as punições variam conforme a irregularidade, também com descontos de 0,5 ponto. Já o descumprimento das regras de merchandising pode resultar em perda de até 2,0 pontos, uma punição considerada gravíssima no sistema de julgamento.
O uso indevido de microfones pode acarretar desconto de 1,0 ponto, enquanto o excesso de camisetas resulta diretamente em penalidade financeira.
A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) divulgou o regulamento oficial dos desfiles do Grupo Especial para o Carnaval 2026, trazendo a confirmação dos horários de início, a divisão das escolas por dia e detalhes operacionais importantes para a logística das agremiações na Marquês de Sapucaí.
De acordo com a entidade, os desfiles do Grupo Especial terão início sempre às 21h45, no domingo (15), segunda-feira (16) e terça-feira (17) de fevereiro de 2026. Ao todo, 12 escolas de samba disputarão o título, divididas igualmente em três noites, com quatro agremiações por dia.
Ordem dos desfiles
Domingo – 15 de fevereiro de 2026
21h45 – Acadêmicos de Niterói
Entre 23h20 e 23h30 – Imperatriz Leopoldinense
Entre 0h55 e 1h15 – Portela
Entre 2h30 e 3h – Estação Primeira de Mangueira
Segunda-feira – 16 de fevereiro de 2026
21h45 – Mocidade Independente de Padre Miguel
Entre 23h20 e 23h30 – Beija-Flor de Nilópolis
Entre 0h55 e 1h15 – Unidos do Viradouro
Entre 2h30 e 3h – Unidos da Tijuca
Terça-feira – 17 de fevereiro de 2026
21h45 – Paraíso do Tuiuti
Entre 23h20 e 23h30 – Unidos de Vila Isabel
Entre 0h55 e 1h15 – Acadêmicos do Grande Rio
Entre 2h30 e 3h – Acadêmicos do Salgueiro
Os horários intermediários são estimados e podem variar de acordo com a evolução dos desfiles ao longo da noite.
Regras de concentração
O regulamento também detalha os pontos de concentração das escolas, organizados de acordo com a posição de desfile:
Escolas em posições pares deverão se concentrar pela lateral do Setor 01, no sentido do edifício Balança Mas Não Cai.
Escolas em posições ímpares farão a concentração a partir do prédio do Juizado de Menores, no sentido dos prédios da CEDAE e da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
A primeira escola de cada dia poderá se concentrar diretamente na Área de Armação, localizada antes do portão de início do desfile.
Tempo de desfile
Cada escola terá um tempo mínimo de 70 minutos e máximo de 80 minutos para cruzar a Avenida, mantendo o padrão adotado nos últimos carnavais e exigindo precisão no andamento dos desfiles.
Com a divulgação do regulamento, as escolas entram definitivamente na reta final de preparação para o Carnaval 2026, ajustando logística, evolução e estratégia para brilhar na Sapucaí a partir das 21h45, horário que promete marcar novamente o início das noites mais aguardadas do espetáculo carioca.
Com o enredo “Das Mais Antigas da Vida, o Doce e Amargo Beijo da Noite”, assinado pelo carnavalesco Mauro Quintaes em parceria com o enredista Diego Araújo, a Porto da Pedra promoveu, na noite do último domingo, um forte reencontro com sua comunidade em São Gonçalo. O ensaio de rua aconteceu na Rua Dr. Feliciano Sodré, em frente à antiga Prefeitura, reunindo componentes, segmentos da escola e moradores da cidade a partir das 19h30. Disputando a Série Ouro, o Tigre mostrou organização, canto e envolvimento popular, dando os primeiros contornos do desfile que pretende levar à Marquês de Sapucaí um tema ousado, sensível e socialmente potente, reafirmando a tradição da escola em abordar narrativas que dão voz a personagens historicamente marginalizadas.
Fotos: Rhyan de Meira e Alícia Oliveira/CARNAVALESCO
Para o Carnaval 2026, a Porto da Pedra mergulha em uma narrativa que transita entre o sagrado e o profano, o luxo e a exclusão, a noite e a resistência feminina. O enredo propõe uma reflexão profunda sobre as vivências das mulheres que atuam no que popularmente se chama de “vida”, revelando o doce e o amargo de suas trajetórias, suas representações na arte, na literatura e na música, além da luta por dignidade, direitos e respeito.
COMISSÃO DE FRENTE
A comissão de frente apresentou uma coreografia bem sincronizada e alinhada, demonstrando entrosamento entre os componentes e clareza nas ações coreográficas. Mesmo sem a utilização de elementos cênicos complexos, o grupo conseguiu marcar bem o espaço na pista, com movimentos executados de forma conjunta e leitura musical compatível com o samba, criando impacto visual e contribuindo para a condução do ensaio.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Rodrigo França e Joyce Santos, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Porto da Pedra, mostraram boa sintonia logo neste primeiro ensaio de rua. Rodrigo conduziu a dança com atenção constante à porta-bandeira, enquanto Joyce apresentou giros seguros e boa condução do pavilhão, mantendo diálogo corporal durante toda a apresentação.
“Vou falar igual a jurado: o quesito Porto da Pedra é nota 10! Eu e o Rodrigo conseguimos encontrar um consenso muito bonito. Ele é tradicional, tem 20 anos de Porto da Pedra. Eu tenho 24 anos de escola, mas este é o meu primeiro ano como porta-bandeira e também minha estreia na avenida”, disse Joyce.
Rodrigo reforçou a intensidade do trabalho e a responsabilidade de conduzir a estreia da parceira. “Os ensaios estão sendo bem intensos, graças a Deus. E eu agradeço por isso, porque mostra que o trabalho está sendo feito com muito detalhe. É a estreia da minha porta-bandeira, e isso também traz uma responsabilidade especial”.
HARMONIA
O canto da comunidade foi um dos pontos positivos do ensaio. O samba foi bem entoado ao longo do percurso, com rendimento mais forte nos refrões e nas estrofes mais conhecidas, quando o volume cresceu de forma perceptível. A participação do intérprete Wantuir, junto ao carro de som, ajudou a manter a escola conectada ao andamento do samba. O próprio intérprete destacou a força da obra e da comunidade gonçalense.
“O samba é maravilhoso. A escola, todo mundo já sabe, a força da comunidade, o samba sensacional. É um novo enredo, um baita enredo e um dos melhores do grupo de acesso”, destacou Wantuir.
EVOLUÇÃO
A evolução aconteceu de forma organizada, com a escola caminhando de maneira fluida ao longo do percurso. As alas desfilaram com conforto, sem registros de buracos relevantes, e muitos componentes sambaram soltos, valorizando o conjunto. A leitura de espaço foi clara, contribuindo para um ensaio controlado e bem distribuído.
SAMBA
O samba apresentou bom rendimento neste primeiro ensaio de rua. A obra respondeu de forma positiva ao canto da comunidade, principalmente nos momentos de maior identificação coletiva. O carro de som manteve o andamento estável, permitindo que a escola sustentasse o canto sem oscilações perceptíveis ao longo do trajeto.
OUTROS DESTAQUES
A bateria “Ritmo Feroz”, comandada pelo mestre Pablo, foi um dos grandes destaques da noite. As bossas apareceram de forma clara e bem encaixadas ao samba, mostrando um trabalho consistente já neste início de temporada. Confiante, o mestre de bateria projetou um Carnaval competitivo para a escola.
“A gente está ensaiando bastante e, quando você tem bastante ensaio, tem bastante garra, e isso é uma característica da nossa comunidade de São Gonçalo”.
A comunidade, apaixonada pelo samba, a rainha Andrea Andrade, a bateria e todo o ensaio deixaram a impressão de uma Porto da Pedra motivada, com trabalho em evolução e uma equipe presente, dando os primeiros passos com confiança rumo ao Carnaval 2026.
“A bateria está afinadíssima, com bastante bossas bacanas, bem elaboradas. Pode esperar um show, não apenas uma simples apresentação de bateria. Eu faço questão de entregar um espetáculo para quem está assistindo”, disse o mestre.
A Beija-Flor levou no último domingo sua força e seu samba para a roda que aconteceu no Baródromo, tradicional reduto do carnaval no Maracanã, e transformou não só o bar, mas toda a rua ao redor em um verdadeiro ensaio a céu aberto. O espaço ficou pequeno diante da multidão que lotou a via, que ficou abarrotada de gente ansiosa para cantar, dançar e vibrar com a azul e branca de Nilópolis. A escola marcou presença com seus intérpretes oficiais, Nino e Jéssica, a bateria “Soberana”, comandada por mestre Rodney, e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Selminha Sorriso e Claudinho. O resultado foi um coro impressionante, com o samba-enredo de 2026 sendo cantado do início ao fim pelo público, confirmando que a obra já ultrapassou os limites da quadra e do streaming e ganhou as ruas.
Questionado sobre o fato de o samba já estar na boca do povo, mestre Rodney fez questão de ressaltar a confiança construída desde o início do processo. “Eu não quero ser presunçoso nem pretensioso, mas a gente sempre soube do potencial do samba. A verdade é que tivemos uma safra muito boa, graças a Deus, mais uma. Sabíamos do potencial do samba e tivemos a felicidade de fazer uma junção perfeita. Temos um grande samba e sabíamos que ele iria brigar no topo, como aconteceu. Agora é esperar a hora certa, com Deus nos abençoando, de brigar por mais um carnaval”.
Para a intérprete Jéssica, a recepção calorosa tem relação direta com a força do enredo. “A gente está muito feliz. Sabemos que o enredo do Bembé é um enredo muito bom, que fala de ancestralidade, da cultura brasileira. Isso é maravilhoso. Estar trazendo isso da Bahia para o Rio de Janeiro está sendo o máximo, brilhante. Graças a Deus, a galera está abraçando com muito carinho, com muito amor, com muita fé e muito axé. Eu estou muito feliz mesmo”.
O intérprete Nino reforçou a sintonia com a parceira de microfone e o peso do samba no trabalho da escola. “Posso usar as palavras da Jéssica como minhas, porque a gente sabe que, no decorrer de todo o trabalho do carnavalesco, o samba conta muito no início. E, graças a Deus, em 2026 eu e ela estamos bem protegidos com esse sambão que todo mundo já abraçou”.
Um dos autores do samba e primeiro mestre-sala da Beija-Flor, Claudinho, falou com emoção redobrada ao ver a reação do público. “Para a gente é gratidão. Eu sou um dos autores do samba, por isso é uma emoção a mais. Como primeiro mestre da escola, isso mostra que a escola acertou no samba-enredo. O samba-enredo é 50% do carnaval, é 50% da escola. Ter acertado esse samba-enredo é maravilhoso. A gente vem do campeonato do samba do Laíla, que marcou a história e nos sagrou campeões. E, neste ano, buscando o bicampeonato, a gente se depara com esse samba maravilhoso. A escola fez uma ótima escolha”.
Ele ainda destacou o impacto popular da obra. “Hoje é o resultado disso tudo: o samba bateu um milhão de visualizações no streaming e, onde você chega, todo mundo canta o samba da Beija-Flor. Aqui no Baródromo, um lugar maravilhoso, cheio de sambistas, ver todo mundo cantando o samba da Beija-Flor de 2026 é uma emoção que não tem tamanho. Agora é esperar o dia do desfile e o ensaio técnico, que eu acho que vai ser outro sacode”.
Selminha Sorriso, um dos maiores símbolos da escola, fez uma reflexão profunda sobre o enredo e sua conexão com o público. “Quando é um enredo bem desenvolvido, quando ele toca o coração do corpo do samba, é muito gratificante. Sambas que falam da nossa gente, da nossa história, da nossa sociabilidade, seja cultura, culinária, personagens, fatos… exaltam a resistência do nosso povo. A gente se identifica e abraça”.
Ela apontou ainda o caráter histórico do samba. “É histórico. Todo samba que mexe com a gente é sempre aclamado desde o começo, desde que é escolhido até o dia do desfile”.
A porta-bandeira também falou sobre a importância de apresentar o Bembé do Mercado ao Brasil e ao mundo. “Agora, muitos países, e até o próprio Brasil, vão conhecer o que é o Bembé do Mercado, que é o modo carinhoso de chamar o candomblé. O candomblé é uma religião de matriz africana que ainda é perseguida e discriminada, mesmo no século XXI. Vamos mostrar que o Estado é laico, que as religiões têm que ser respeitadas e que o amor e a fé têm que mover esse mundo”.
Um dos grandes destaques da festa foi a bateria “Soberana”, que deu um verdadeiro show e levantou a galera. Responsável pelo espetáculo, mestre Rodney também fez um balanço do desempenho da bateria neste início de temporada. “Eu estou contando todos os ensaios. Existe, sim, uma ansiedade para o primeiro ensaio na Sapucaí. A gente está com um trabalho em uma crescente muito boa, é gradativo. Conseguimos uma unidade muito forte, e isso é importante”, avaliou.
O mestre destacou ainda que o momento agora é de ajustes finos, pensando no julgamento e na excelência que a escola busca ano após ano. “Agora é esperar o ensaio técnico para ajustar o pé, para chegar no dia do desfile e fazer um grande desfile, alcançar mais uma vez a gabaritação máxima e, se Deus quiser, ganhar o carnaval”, completou.
Sobre a pressão pelo bicampeonato, Rodney foi direto. “Nós somos brasileiros, não fugimos nunca da luta. Estamos acostumados a lidar com pressão e vai dar tudo certo. Com Deus nos abençoando, vai vir mais uma estrela para o nosso pavilhão, se Deus quiser”.
Jéssica reforçou o clima de união. “Estamos trabalhando arduamente, correndo atrás do melhor para a Beija-Flor, obviamente querendo alcançar o bicampeonato. Seja tudo o que Deus quiser. Eu e o Nino somos muito parceiros, temos uma parceria incrível, junto com o nosso diretor Betinho do Cavaco, o diretor Marino, o nosso presidente Almir Reis e toda essa comunidade maravilhosa”.
Nino celebrou o alcance do samba. “O samba está na boca do Brasil, na boca do povo, com mais de um milhão de visualizações em todas as plataformas digitais. É só gratidão a Deus, ao nosso amado presidente Almir, à nossa equipe, à diretoria e a toda essa comunidade maravilhosa nilopolitana, que não canta, berra”.
Claudinho também fez um balanço do trabalho feito até aqui ao lado da companheira Selminha, simbolizando a confiança em um bom desempenho final. “É maravilhoso. A gente está ensaiando muito. Além disso, este ano a gente completa 30 anos juntos, então é um ano especial para nós. A cada ano a gente vem se superando dentro da dança, trazendo algumas inovações, mas sem perder a tradição, para conquistar o jurado. Neste ano, na Marquês de Sapucaí, através da Liga, teremos um julgamento em 360 graus, com jurados de um lado, do outro e também o público. Vai ter sorteio, mas a gente está preparando um trabalho muito legal, trabalhando forte, para conseguir alcançar os 40 pontos”.
A emoção tomou conta de Selminha ao observar o público. “Eu comecei a chorar quando vi aquela multidão de macumbeiros gritando samba da Beija-Flor, inclusive pessoas com camisa de outras escolas. Isso é o Baródromo. É uma confraternização de sambistas, é o amor pelo samba”.
Além de celebrar o sucesso do samba, Jéssica também destacou a importância da representatividade feminina à frente do carro de som no carnaval. Única mulher entre os intérpretes oficiais das escolas, ela falou com emoção sobre ocupar esse espaço histórico. “Eu estou muito feliz, em primeiro lugar, por ser a única mulher e estar ao lado de 12 intérpretes maravilhosos, que são referências. São intérpretes que eu admirava muito antes mesmo de entrar em uma escola de samba”, afirmou.
A cantora ressaltou o peso simbólico de sua presença e a responsabilidade de abrir caminhos. “Para mim, está sendo um orgulho gigantesco, algo muito gratificante. Que o samba possa abrir mais vagas para mulheres também à frente, como intérpretes oficiais”.
A intérprete ainda reforçou que sua trajetória na Beija-Flor vai além do momento atual e revelou seu desejo ambicioso para o futuro. “Eu costumo dizer nas minhas entrevistas que eu não quero ser apenas mais uma. Eu quero criar um nome junto com a Beija-Flor e permanecer, como o nosso mestre Anísio fala, por mais 50 anos na escola, assim como foi o nosso mestre Neguinho”.
O evento também foi palco de histórias que traduzem a paixão pela Beija-Flor. Raquel Antunes, 54 anos, torcedora da Viradouro e moradora de São Gonçalo, levou a sogra, Maria das Neves, de 78 anos, fanática pela escola de Nilópolis, para viver uma tarde especial. “Desfilo na Viradouro desde 2019 e, neste ano, virei como componente de um dos carros. Amo samba e levo minha sogra para me acompanhar. Já a levei no ensaio de rua da Beija-Flor e na Sapucaí ano passado, onde ela pôde ver sua escola ser campeã. Até dei de presente a ela essa blusa que ela está usando”, contou Raquel.
Emocionada, Maria das Neves resumiu o sentimento do dia. “Amo de paixão a Beija-Flor desde sempre! Meu sonho é conhecer a quadra da escola antes que Deus me leve, e estou querendo fazer isso este ano. Quando conheci o Neguinho, fiquei tão emocionada que mal consegui falar com ele ou tirar uma foto. Meu medo é ter um piripaque de tanta emoção assim que pisar na quadra, mas preciso realizar esse sonho. Hoje foi incrível aqui, sou muito grata à minha nora”.